Virtual Enemy - Ato II
4 Ilusionismo
Notas iniciais
Se passa certo tempo. Todos estavam animados. A atração no teatro estava começando. April estava realizando seu grande número ali, no palco. Era o grande momento da vida dela, até então. De bruxinha de fundo de quintal, se transformou numa mágica que estava se apresentando num grande palco da cidade. Uma grande cidade, inclusive. Estavam por lá os amigos da moça: Dustin, Melissa, Brad, Ramona e Peter. E a sua equipe, no palco, era composta pelos assistentes Ralph e Simon, que se dispuseram (de bom grado) a ajudá-la. E, ainda estavam no teatro os pombinhos apaixonados John (ou Edward, como preferir) e Paige, que já estavam noivos. Eles sabiam que era arriscado, mas não havia grandes problemas, já que estavam disfarçados, com identidade falsa (até por conta dos últimos acontecimentos) e, enfim, estavam juntos, apenas ele e ela... (e o mordomo Otto, mas essa é outra história).
Paige – Você conhece essa moça... Não acha que é muito arriscado estar aqui?
John – Não se preocupe, eles já devem ter esquecido o espaço que eu ocupei na vida deles... Além do mais, em questão de dias estaremos ricos e fora daqui!
Otto – Sempre tem um que lembra... É típico de filme, seriado, novela...
John – Não estamos em um filme, novela ou seriado, estamos? É, acho que não... Falta muito pouco pra acontecer algo desse tipo.
Na verdade, no fundo escarado de seu coração, John (ou Edward) queria ser notado... Por mais que esteja amando Paige agora, ele nunca esqueceu da sua querida Melissa...
John– Ela me olhou tão profundamente quando nos encontramos da última vez... Eu... Eu não deveria ter mentido pra ela! Claro que eu estava sedendo por ação! E que minha psicopatia acabou pulsando mais forte, mas... Ela é a garota da minha vida! Mesmo eu amando a Paige... — Pensava o golpista milionário. Porém, ele tinha quase certeza que a moça não o perdoaria mais. Tanto a doce Mel quanto a bandida Paige.
Enquanto isso, a doce garota estava pensando, feliz, no sucesso da bruxinha... E acabou se relembrando, quase sem querer, de acontecimentos passados! E do seu namorado, que ela acreditava estar morto (mas estava no mesmo local, no momento)
Dustin– Dá pra notar no seu semblante que você sente saudades dele... Mas o meu amor pode te curar!
Melissa – Por favor! Não insista nesse assunto, agora...
Peter – Silêncio vocês! — Pede, após ouvir cochichos.
Ramona– Olhem! Vai começar!
Depois de um interminável jogo de luzes, a bruxa aparece no palco! Com um vestido estupendo! Seus cabelos ruivos estavam fantásticos naquela noite, também... Era a noite da vida dela, eu diria!
April – Boa noite, respeitável público! Muitos de vocês devem me conhecer das ruas, da pracinha... Eu sou a feiticeira April, tanto faço mágica quanto uma espécie de bruxaria... Sou ilusionista e feiticeira, como já citei! Teremos uma noite de grandes emoções! Estarei junta dos meus assistentes, meu namorado Simon e o fofucho Ralph!
Simon– Realmente, sera uma noite de fortes emoções, galera!
Após diversos e vários números, a platéia estava impressionada com a capacidade dela... Realmente, o show não poderia parar! E, para finalizá-lo, ela decidiu chamar alguém da platéia! Por ironia do destino, John foi o escolhido...
Paige– Não vai! É fria...
John– Lógico que irei...
Ao se aproximar, a bruxinha percebe que sua aura era familiar... Ela leva um grande susto, as coisas começam a ficar confusas para ela...
April – Você! Sua aura é familiar! VOCÊ! EU NÃO ME RECORDO NO MOMENTO, MAS VOCÊ É TÃO INTENSO!
O homem gela... Realmente, foi uma fria ele ter aceitado ir até o palco! A moça se desgastou muito com o acontecido e, de repente, desabou no chão! Preocupados, o convidado e os assistentes tentam reanimâ-la. Ele acena para Otto:
John – PEGA O CARRO! ELA NÃO ESTÁ SE SENTINDO BEM!
Paige (pensando)– Babou-se tudo...
O show acabou um pouco mais cedo do que o previsto. Todos os amigos, agregados e a turma de golpistas chegaram no hospital com a bruxinha desmaiada e pálida... O que havia acontecido naquele palco foi bem forte para ela! Apesar de assustado, porém, o homem se sente numa batalha naval de pensamentos... Num jogo de xadrez! Sua vida havia dado um giro de 190° literalmente: Traiu a namorada, forjou a morte, roubou bancos, ficou milionário... Tudo para acabar novamente em New Jersey, no mesmo apartamento de sua querida Mel! E ele, no momento, não sabe se fica preocupado por estar prestes a ser descoberto ou aliviado por Edward estar voltando a vida...
Todos olhavam muito para o trio de golpistas milionários...
Brad– Quem são esses, hein?
Simon– Namorado e motorista do homem ali do meio... O bonitão todo enfeitado! São ricos, parecem ser bem influentes na região!
Melissa – Eu reconheço aquele sujeito... Se parece muito com aquele que passou alguns dias lá perto de casa! No apartamento!
Brad – Não me recordo...
Mel estava realmente curiosa! Quem eram eles? O que havia acontecido? Por qual motivo John sumiu do apartamento, assim, tão misteriosamente, para retornar no teatro nessa noite? E aqueles gritos de April? Eram muitas perguntas para nenhuma resposta!
Enquanto isso, cochichos eram frequentes entre o casal:
Paige– Eu não te disse! Você devia ter sido mais cauteloso! Está botando tudo a perder por (...)
John– Eu estou arrependido! A quem estou enganando? Eu não devia ter abandonado a todos desse jeito! Eu sou um monstro! Eu sou um monstro!
Ele começa a chorar depois daquela confissão. Chora muito, desesperado! Ele abraça a moça, que está confusa... Mas que compreende o que está acontecendo. Sua vontade era de gritar, a plenos pulmões, tudo o que estava acontecendo! Ele estava se sentindo mal desde quando o grande golpe terminou... Apesar da emoção, da ação e dos assassinatos, o prazer que ele sentia era temporário! Nem o dinheiro lhe dava satisfação... Ser rico não lhe importava! Ele era um psicopata diferente: Estava sofrendo por ter desprezado as poucas pessoas com quem se importava (de coração)! Era um sentimento recíproco, que podia não ser mais assim...
O choro compulsivo faz com que Mel e Dustin fiquem observando-o o tempo todo. Paige fala algo:
Paige– Você gosta de mim?
John– Gosto, você é a pessoa que mais me fez bem nesses últimos tempos... Mas não é amor. Talvez até seja, mas... Ela não sai da minha cabeça! A minha psicopatia não me permitiu ser tão frio e calculista para planejar algo tão grande contra ela sem me arrepender, sem sentir remorso! EU NÃO POSSO MAIS MENTIR PRA MIM! Eu preciso me reencontrar! Eu preciso me reencontrar...
Paige – Eu... Te entendo! Eu te entendo! Eu amo você. Até demais na verdade, mas... Eu estou com você pelo fato de que eu sabia que você não ia suportar... Mais por isso, até! Eu sei da sua história com essa moça... E você, realmente, vacilou com ela... Muito! Mas você não pode voltar, agora, como se nada tivesse acontecido! Seja o John... Para, quem sabe tentar voltar a ser o Edward, algum dia!
John– Sério? Você não está brava? Quer me ajudar? Sério mesmo?
Paige– Mano, antes dos golpes e do dinheiro todo, eu me importo com você... Eu tenho coração, tá? E você também, apesar de tudo... Eu vou te ajudar!
Os dois se abraçam... O choro continua... Ele chama o Otto e pede para tirá-los dali. Antes decide pedir para o hospital avisar quando April se sentir melhor ou precisar de alguma coisa. No carro, a conversa continua:
John – O meu maior arrependimento de todos: Ter transado com a Samus... Ter forjado a minha morte, também! Do resto, das minhas aventuras, não me arrependo! Nem do golpe... Mas o dinheiro não vale nada pra mim sem ela! Eu abdico dele pra viver com ela... Uma vida louca, mas normal! Precisei invadir um banco enorme para perceber isso!
Paige – No fundo, você já sabia, só não queria cair na real... Pois você sabe que, também, você precisava se libertar de algumas coisas...
John– Precisava mesmo... A morte da minha mãe, que eu vivenciei pela segunda vez... Me deixou confuso, fez o sentido da vida se perder novamente! Não sei por qual motivo, mas me deu vontade de morrer... E então, matei o Edward! E virei o John...
Paige– E você me disse, uma vez, que Dustin era um cara bom para ela!
John – Sim... Pela primeira vez, me importei com ele! Ele é um cara tão amargurado! Eu sempre me identifiquei com ele... Por isso eu também queria ver ele feliz! Não foi meu principal motivo, mas... Enfim, estou me sentindo exausto depois disso tudo!
Paige – Eu também...
Os dois acabam cochilando ali mesmo, no carro... Otto, que percebeu todo aquele desespero emocional e desabafo, ainda preferiu sua ambição e vai fazer de tudo para ficar com o resto da bolada para ele. Mas, é claro, vai aproveitar para arquitetar uma vingança, já que não gostou nada de ter virado um mordomo forçado...
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