Virtual Enemy - Ato I

18 Lar, não tão doce lar...


Notas iniciais
Melissa acompanha Edward em sua volta a Nevada, enquanto Lester e Stephanie planejam uma forma de abandoná-lo por lá e voltar com Mel para Nova Jérsei...

Edward – Eu aceito voltar para Nevada.

Nancy – Finalmente está sendo sensato...

Edward – Porém, a Melissa vai junto comigo!

Nancy – Como é que é?

Edward – A Melissa vai comigo, ou nada feito!

Melissa – Iremos ir para lá nas férias de julho!

Edward – As férias vão começar no fim de junho e irão até o começo de agosto! Iremos assim que elas começarem!

Nancy – Você... Quer ir mesmo, filha?

Melissa – NÃO ME CHAME DE FILHA! E eu quero ir, sim! Comemorar o meu aniversário com o meu querido e ajudá-lo nesse momento difícil...

Nancy – Vocês dois fazem aniversário em julho... Isso é bem curioso!

Edward – Chega de palhaçadas! Já está decidido!

Nancy – E se eu não quiser?

Edward – Olha aqui, sua velha, você causou a morte do meu pai e da minha mãe... Então... CALE A SUA BOCA ANTES DE QUERER IMPOR ALGUMA COISA PARA MIM! EU NÃO VOU OBEDECER! LEVO A MELISSA SEM A SUA PERMISSÃO, DE QUALQUER FORMA!

A madrasta ficou assustada. O garoto sabia mesmo intimidar os outros e mostrar certa autoridade em situações de tensão e nervosismo...

~~

*Dia 01 de Julho, aproximadamente dois meses depois...*

Nancy – Lester e Stephanie irão com vocês!

Edward – Está bem!

Dustin – Boa viagem para vocês dois!

Melissa – Nos vemos em um mês, Dustin...

Lester – Isso vai ser divertido!

O avião levanta vôo e começa a ir para Nevada.

Stephanie – O casalzinho vai se separar, em breve... Edward fica, Melissa sai de Nevada...

Melissa – Eu fico, se eu quiser...

Lester – Garotinha... Você não sabe a besteira que está dizendo... O meu primo não vale à pena...

Melissa – Cale a sua boca... Eu não pedi a sua opinião!

Lester – Está ficando ousada, né? Quem sabe te abusando você fica menos corajosa...

Edward – Não... Rele... Um dedo nela! ESTÁ ME OUVINDO? NÃO TOQUE NELA COM ESSAS MÃOS IMUNDAS!

Lester, que nunca se amedrontava com as investidas furiosas de Ed, ficou assustado dessa vez. Alguma coisa havia tornado Ed mais amargurado e, conseqüentemente, mais intimidador do que de costume.

~~

Algumas horas depois, o avião pousa no mesmo aeroporto que Ed havia usado, seis meses atrás, para fugir de Nevada...

E ali estava ele, de volta à cidade onde nasceu.

Janete, sua madrasta, não havia dado queixa na policia. Um vizinho acabou sendo incriminado e preso pelo assassinato de Benson, padrasto do garoto que havia o assassinado... (Mas ele não sabia disso ainda).

Janete (falando sozinha) – Faz seis meses já! Quando o meu filho vai voltar? Eu nem entreguei ele para a polícia... Eu preciso dele de volta!

Edward – Sofrendo com minha ausência, mãezinha?

Janete – EDWARD! MEU FILHO QUERIDO!

A mulher vai abraçá-lo, mas ele se esquiva:

Edward – Não toque em mim! Eu ainda estou bravo por todos esses anos de tortura e sofrimento!

Janete – Você quem nos causou sofrimento... Por causa do demônio dentro do seu corpo...

Melissa – Ele não tem demônio nenhum dentro do corpo!

Janete – Alguém pediu a sua opinião, sua intrometida!

Edward – Ela pode falar o que ela quiser! A errada aqui é a senhora! Benson cegou você para a verdade... Ele usou da própria religião para isso...

Janete – Calado! Ele não seria capaz de fazer isso!

Melissa – Não seria? Ele ajudou na morte dos pais dele!

Janete – A mãe dele era perturbada!

Ed fica furioso com a mulher. Sacando seu canivete, começa a ir para cima da madrasta, exigindo uma retratação:

Edward – SE DESCULPE! SE DESCULPE POR FALAR ASNEIRAS!

Janete (gaguejando) – Foi o Benson quem me disse...

Edward – O Benson, não? Melissa! Me ajude a revistar essa casa inteira em busca de provas, por favor! Quero que minha mãe acredite em mim por uma vez por todas... E vou fazer algo, dessa vez, sem ninguém me impedir!

Melissa – Quer fazer isso mesmo?

Edward – Me ajude! Só isso que eu te peço! Me ajude...

Nas últimas semanas, essa havia sido a única frase que Ed conseguira pronunciar calma e docemente. A única pessoa que não lhe causava raiva era a sua namorada querida.

~~

Dustin – Será que eles estão bem, Ramona?

Ramona – Certamente devem estar!

Dustin – Ah... E o Simon, voltou desde aquele dia que me atacou?

Ramona – Evaporou novamente! Ele não se sente bem perto de você e da Melissa... A culpa não é dele. Está louco e perdeu a memória!

Dustin – Mesmo assim, estou com raiva dele...

Ramona – Você não pode ficar com raiva assim. Semana passada quebrou o braço de um cara só porque ele tentou beijar a Melissa.

Dustin – O Edward me ajudou um pouco.

Ramona – Como?

Dustin – Dando um soco no estômago dele. Quase vomitou sangue.

Ramona – Você e ele ficam muito fortes quando ficam bravos. Quase ninguém consegue bater em vocês...

Dustin – Se eu brigasse com ele?

Ramona – O que jogasse mais sujo ganharia.

Os dois dão risada. Estavam se aproximando muito nos últimos dias... Simon observara, pela janela... Estava enciumado e planejava acabar com o “rival”.

~~

Ed e Mel passaram horas procurando por provas... Até acabarem achando um diário, todo empoeirado, em cima de um guarda-roupa.

Janete – De quem é esse diário?

Edward – Diário de... Nancy Clair! A sua madrinha de casamento!

Melissa – Vamos ver.

Edward – Deixe-me ver... Aqui está... O dia da morte do meu pai:

“Eu consegui. Terminei o trabalho. Matei aquele imbecil que sempre me desejou. Ajudei o meu amigo Benson, também. Terá caminho livre para ficar com a mulher que sempre desejou. Ela sempre desdenhou dele... Fico com pena daquele garoto, apenas... Edward, o filho do casal... Mas está tudo certo e Benson vai cuidar dele!”

Melissa – Vai continuar iludida ou vai acreditar em provas concretas?

Janete – Anos e anos de... Enganação e ilusão! Desculpe-me, meu filho!

Edward – Eu não quero seu perdão! Infelizmente, nunca vou te perdoar por ter colaborado com isso...

Janete – Mas...

Edward – NUNCA! ME OUVIU? NUNCA!

O garoto se afasta da madrasta. Começa a chorar muito. Desce as escadas e vai para o quarto de hóspedes, afinal, ele foi obrigado a ficar por um tempo por lá...

Se deita na cama e começa a chorar profundamente. Mel vai consolá-lo.

Melissa – Por que chora? Você descobriu provas contra Nancy e, além disso, converteu sua mãe...

Edward – Do que adianta se a minha amargura não some? Eu estou tão abatido ultimamente porque isso está me fazendo lembrar muito da minha mãe!

Melissa – Oh... Não chore mais... Eu estou aqui. Com você! Eu vou estar sempre aqui...

Edward – Obrigado. Por tudo que fez de bom na minha vida! Eu não mereço tanto...

Melissa – Merece mais.

Edward – Sou um psicopata. Eu não mereço nada.

Melissa – Você pode até ter essa característica, mas... Você não é louco, dissimulado, falso... Você é sincero e só faz o que faz quando é realmente necessário. E você me faz bem...

Edward – Te faço, é? Essa carga emocional e dramática toda não te deixa mal?

Melissa – Um pouco, mas... Eu me lembro de ti.

Edward – Me beija logo, vai...

O pedido do garoto é atendido e o casal se beija intensamente.

Stephanie (espionando os dois) – Eles parecem mais apaixonados!

Lester (espionando) – Fique tranqüila! Iremos desaproximar os dois... É uma questão de tempo! Pena que não podemos mais contar com a ilusão da madrasta dele, mas... Posso a fazer odiar a namoradinha dele!

Esse plano conseguirá desaproximar o casal?