Virtual Enemy - Ato I
1 A fuga
Notas iniciais
Dustin acorda assustado. Estava atrasado para a escola e percebera isso quando olhou no relógio. Fica mais assustado ainda. Corre para arrumar as suas coisas... Ele não pode perder a prova de química que teria hoje. Quando chega na escola, os portões ainda estavam abertos. Antes de se sentar em sua cadeira, olha para Melissa e um sorriso nasce em seu rosto...
~~
Edward havia sido trancado no quarto mais uma vez. Seus pais não deixariam seu filho ir para o colégio por acharem que ele estava possuído pelo demônio. Chamaram um padre para exorcizá-lo, mas ele havia fugido pela janela. Preferiu ir a agüentar a loucura de seus pais. “Pais adotivos”, aliás...
Acaba chegando atrasado.
Wellington – Ramona queria ir com você na dupla da atividade, mas eu falei que o meu amigão queria ir comigo, não é?
Ed acerta um soco na cara do garoto, que começa a se contorcer no chão. A professora de inglês manda o garoto para a diretoria... Era a terceira vez na semana. Ele era promissor, mas, desde que começou a entrar em conflito com os pais por causa da religião, acabou começando a criar confusão...
~~
O sinal toca na escola de Dustin. Ele e Melissa vão embora a pé, juntos... Não moram muito próximos, mas uma caminhada não fazia mal a ninguém, não é mesmo? ... Iriam conversar com Luke à noite. Luke seria Edward Fenn, o garoto que estava na diretoria e que, no fim da aula, acabou sendo levado para casa. Trancado em seu quarto, sua única janela para o mundo lá fora era o computador. Começou a conversar com Dustin e com Melissa.
*No chat*
Dustin– Como foi seu dia, Luke?
Luke– Péssimo. Meus pais tentaram me exorcizar de novo, eu soquei a cara de um moleque na escola, entre outras coisas... Conversar com vocês é a única coisa boa do meu dia.
Mel – Não fique assim... O dia de amanhã será melhor, você verá!
Luke– Minha vida não teria sentido se não fossem vocês...
Depois de horas e horas no computador, eles acabam se desconectando.
~~
*No dia seguinte*
Era sábado. Melissa estava na casa de Dustin. Os dois estavam se divertindo muito... Até que Mel saiu para comprar algo para os dois comerem, na padaria...
Perwinkle queria tirar uma dúvida: Luke estava apaixonado por Mel ou era paranóia da cabeça dele? Ele começou a farsa:
*No chat*
Dustin (se passando por Melissa)– Luke... Eu te amo!
Luke– Como assim?
Dustin (Mel)– Sim, eu te amo...
Luke– Me ama... Tipo... Amor mesmo?
Dustin (Mel)– Sim... Do fundo do meu coração.
Luke– Eu... Também te amo.
Dustin (Mel)– Do mesmo jeito?
Luke – Sim... Do fundo do meu coração.
Dustin (Mel)– Sinceramente?
Luke – Por que mentiria para você, querida?
Dustin (Mel)– Obrigada. Era tudo que eu queria saber... Agora, se afaste da Melissa.
Luke– Como assim? O que está falando?
Dustin (Mel)– Eu não sou a Melissa. Ela foi à padaria. Eu sou o Perwinkle.
Luke– Como... Como é que é?
Dustin (Mel)– Queria saber o que sentia de verdade pela Mel... E eu não vou deixar você roubar ela de mim.
Luke – Apaixonado por ela também?
Dustin (Mel)– Te importa?
Luke– Já se entregou, não importa... O que importa é que eu vou descobrir a localização de vocês e irei ter a Melissa somente para mim. PARA MIM!
Dustin (Mel)– Vamos ver, então...
Luke– Se prepare para a guerra...
Os dois desconectam. Dustin apaga o histórico da conversa e desliga o computador.
Os nervos de Ed estavam à flor da pele:
Edward – Eu não posso deixar ele junto da Melzinha. Eu tenho que rastreia-los. Aquelas aulas de computação servirão para alguma coisa, afinal...
??? – O que está fazendo, irmãozinho?
Edward – Nada, Ralph, nada...
Ralph era o irmão adotivo de Ed. Era o fiel escudeiro dele. Andava com ele em qualquer lugar em que ele ia, exceto o colégio...
Edward– CONSEGUI!NEW JERSEY É O LUGAR, ENTÃO...
Ralph – Está louquinho, irmão?
Edward– SHHHH! Espere... Quer fazer uma viagem comigo?
Ralph– Mas é claro!
Edward – Arrume suas malas, então... Pegue tudo que precisar.
Ao descer as escadas com as malas, a mãe, Janete, pergunta:
Janete– Aonde vai com essas malas?
Edward– Vou embora dessa casa!
Janete– Sabia, o capeta está fazendo coisas horríveis por você... Está delirando e falando bobagens, agora... Vamos, eu te levarei à missa de noite!
Edward – VOCÊ SABE MUITO BEM QUE SOU ATEU AGORA!
Janete– CALE A SUA BOCA, SEU CAPETA! VOCÊ É A FRUSTRAÇÃO DA FAMÍLIA!
Benson– O que o capetinha fez agora?
Janete– Está fugindo de casa!
Benson– Enquanto eu estiver vivo, não fugirá dessa casa!
Edward– Bem que eu pensei que pudesse dizer isso...
Com um sorriso sarcástico, uma risada assustadora e um canivete em suas mãos, Edward golpeia seu pai adotivo no peito... Bem no coração. Finca o canivete, com força...
Descontava sua mágoa de anos e anos de ofensas do pai...
Janete– Como... Como pode? MATOU MEU MARIDO!
Edward– Matarei a senhora se não me deixar partir!
Pegando todo o dinheiro da família e levando Ralph consigo, parte para o aeroporto. New Jersey esperava ele...
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