Violetta - O Recomeço
29 Capítulo 14 - Surpresas e Descobertas
Notas iniciais
À entrada do prédio onde Milagros, e agora Angie, morava; três crianças acabam de chegar cada uma com sua mochila. Francisco, Mariana e Ângela três adoráveis crianças que todos naquela zona conheciam e gostavam. Não fossem eles netos da Dona Milagros Carrara Ponte, conhecida por ajudar ou tentar ajudar todos naquele prédio e até mesmo daquela zona.
— Cheguei primeiro...SOU O CAMPEÃO...- dizia o rapaz.
— Tu fazes sempre o mesmo, és um batoteiro...- disse a menina mais velha.
— Não, não sou Mariana. Eu conto até três...tenho lá culpa de seres lenta como um caracol...- diz Francisco o irmão mais velho de Mariana.
— Fran, conheces a história da "Lebre e da Tartaruga"?- pergunta a menina mais pequena quando finalmente chega perto dos dois irmãos mais velhos...ficando o rapaz a olhar para esta como que a dizer "É claro que conheço"...- Ainda bem. Porque tu podes até ser a Lebre veloz e esperta, mas eu sou a Tartaruga...
Quer Francisco quer Mariana ficam a olhar para a menina sem perceber, nisto a mãe das crianças aparece por trás e sorri ao porteiro o Senhor Óscar, que logo abre a porta...fazendo com que a pequena de cabelos loiros e olhos de amêndoa entre primeiro.
— Vês eu sou a tartaruga...porque eu ganhei...- dando uma gargalhada bem sonora que contagiou todos ao perceberem que a menina tinha levado a melhor perante os irmãos.
— Boa Tarde Dona Paula. — Disse o Senhor Óscar. — Boa Tarde Meninos.
— Boa Tarde Senhor Óscar. — Disseram os três em coro
— Boa Tarde, Senhor Óscar. Vamos lá subir...a vossa avó telefonou-me a dizer que tínhamos visitas por isso nada de brigas, ouviram? — Os três olharam para a mãe e assentiram com a cabeça. Até que param ficando a olhar para a pequena, que continua no mesmo sítio sem se mexer...
— Mamã, o pai hoje vem para casa ou está a trabalhar?
— Hoje o pai vem para casa princesa. Hoje é ele que te vai contar a história, tal como gostas...- apontando-lhe um dedo no nariz sapeca da menina...
— Viva...tenho saudades do papá me contar a história...
— Eu sei princesa. Mas o papá tem que trabalhar e tu sabes que ele te adora...aos três. Bom, vamos...- e nisto o telemóvel toca...- Olhem é o pai.
"- Estou Paula, onde estás?"
"- Acabei de chegar ao prédio, e tu?
"- A estacionar o carro. Espera um pouco e subimos todos juntos..."
"- Tudo bem. Ficamos à espera..." — virando-se para as três crianças...- Vamos esperar um pouco pelo pai, ele está a chegar.
Assim ficaram os quatro à espera do Doutor Henrique Diaz, um cirurgião pediátrico em progressão na carreira. Fora aluno do Doutor Roberto Castillo, tio de Gérmen por parte do pai e de Angie por casamento de sua tia Cristina (irmã mais nova do seu pai Miguel), e agora trabalhava directamente para este. Quando chegou junto deles, a mais pequena das crianças atirou-se literalmente ao seu pescoço. Ângela, ou Princesa como era tratada em família, era sem dúvida a princesa da família e a menina dos olhos do pai. Henrique ajeitou-a ao seu colo, cumprimentou o porteiro e logo se encaminhou para junto da esposa e dos outros filhos. Beijou a esposa, deu um abraço à sua filha mais velha e um cumprimento daqueles esquisitos de mãos ao filho. E subiram os cinco no elevador rumo a casa, sem saber quem eram as visitas que a mãe, sogra e avó tinha lá em casa.
— Mãe, mas afinal quem é a visita que a avó tem? Espero que não seja daquelas amigas chatas dela...
— Francisco. Isso são maneiras de falar das amigas da tua avó...
— Desculpa pai, mas da última vez eu ia ficando sem bochechas de tanto que elas me apertaram...
— Eu gosto das amigas da avó, elas dão-me sempre chocolates. — Disse Ângela toda contente.
— Porque tu és a menina pequena da avó por isso todas gostam de ti...
— Chega os três... — Disse Paula já sem paciência para as birras e implicâncias das crianças...- Vão se comportar bem, sem birras, sem picardias entre os três...ou ficam sem judo, sem dança e sem ballet durante um mês...perceberam?
As crianças ficaram paradas á porta de casa a olhar para a mãe espantados e meio que confusos, será que ela teria coragem de os deixar um mês sem as actividades que eles tanto gostavam? Olhando bem para a mãe, e depois para o pai como que a pedir-lhe alguma ajuda divina, perceberam que era sério, pois este estava com a mesma cara de zangado. Por isso como que se tivesse sido ensaiado responderam ao mesmo tempo um "Sim Mãe".
Ao entrar ouviram várias gargalhadas e palmas vindas da sala, ficaram a olhar todos uns para os outros até que viram Rosa a empregada que lhes disse que quem lá estava era a dona do andar debaixo, aquele que estivera sempre alugado e que estava há um ano sem ninguém. Paula depois de pedir à s crianças para irem aos quartos, deixarem as mochilas pra depois descerem, virou-se de novo para a empregada.
— A dona do andar finalmente deu as caras? Estava a ver que nunca conheceríamos essa mulher. Apesar de me fazer uma certa confusão afinal era a casa da minha tia...
— A Dona do andar é uma senhora muito bonita menina, e não veio sozinha com ela está uma rapariga mais nova.
— Humm! Mãe e filha...
— Não menina, não pode ser filha, elas devem ter idades muito próximas...
— Talvez irmãs, ou primas...- diz Henrique.
— Os seus pais gostaram muito dela até a convidaram para almoçar. E o seu avozinho...olhe acho que a última vez que o vi tão alegre foi no dia em que viu a menina Ângela pela primeira vez.
— Isso sim é um milagre...- as três crianças desceram nesse instante e juntaram-se aos pais...
— Bom, vamos lá conhecer essa Senhora que encantou até o teu avô...-diz Henrique que já estava também ele curioso, e sem esperar permissão nem dos pais nem dos que estavam na sala as três crianças irromperam sala adentro, correndo e saltando.
— Olá Avó. Olá Avô...Olá Bivô estava com saudades tuas...- disse Ângela sentando-se ao colo de Nicolas e dando-lhe um abraço gigante.
— Boa Tarde, Avó. Boa Tarde Avô...- disseram os dois mais velhos, indo depois falar ao Bisavô, sentando-se depois junto de Sebastian.
— Boa Tarde Família...- disse Henrique assim que entrou cumprimentando Sebastian e Milagros e depois Nicolas, nessa altura viu pela primeira vez a visita, a mulher, a dona do andar misterioso.
Angie nessa altura já não conseguia desviar os seus olhos de Paula. A sua prima, a sua "irmã", tanto tempo sem a ver, tanto tempo separadas. Dos seus olhos já caiam algumas lágrimas, que por muito que ela quisesse evitar não conseguia, mas pensando bem será que ela queria evita-las? Não. Aquelas não eram lágrimas de tristeza e sim lágrimas de alegria, felicidade, de puro júbilo.
— Boa Tarde, Mãe, Pai, Avô...- e quando se vira para cumprimentar o avô Nico, dá de caras com alguém que nunca mais julgara ver na vida...- Angeles! És mesmo tu, a minha Angie...o meu anjo...
— Que foi mamã? Porque é que estás a chorar?- pergunta Ângela tanto de preocupação por ver a mãe chorar como por supressa por esta chamar "anjo" a alguém que não ela.
— Princesa, eu acho que a mamã não estava a falar contigo...- diz Henrique à pequena que se mantinha ao colo do bisavô, sem entender nada...
— Não posso acreditar., não podes ser tu...eu...- Chegando-se perto de desta que entretanto já se levantara...abraçam-se como se cada uma tivesse medo que a outra fugisse.
— Paula...a minha Paupau...
— És mesmo tu...estes olhos...o meu Anjo...a minha menina.
— Papá...eu não estou a perceber. Quem é esta senhora?- e com lágrimas nos olhos...- Eu é que sou o Anjo da mamã...
— E és minha princesa, não chores, o papá vai-te contar um segredo...- Henrique diz-lhe qualquer coisa ao seu ouvido e a menina dá um sorriso de orelha a orelha.
Paula e Angie abraçam-se as duas, com lágrimas a escorrem-lhes pela cara das duas, como se tivessem medo que tudo fosse um sonho, como se por algum infortúnio uma delas acordasse e tudo não passasse de uma fantasia, uma partida que a cabeça de uma delas estivesse a fazer. Naquele momento, naquele segundo, tudo parou para aquelas duas pessoas que se abraçavam, matando todas as saudades, que secavam todas as lágrimas que deitaram quando as separaram. Embora estivessem as duas a jorrar rios de água pelos olhos, mas era um sentimento tão diferente o que estavam a sentir naquele momento...
— Minha pequena...nem acredito que te tenho de novo nos braços...Como tive saudades tuas...
— Já não sou assim tão pequena Paula, para além de que sempre fui mais alta que tu.- Diz Angie a sorrir porém sem conseguir parar de chorar.
— Para mim serás sempre a minha pequena...a minha menina...a minha bebé. Estás linda...eu nem acredito...
— Bom acabem lá com a choradeira vocês as duas...- diz Milagros, feliz por ver aquela reunião das duas primas, das duas irmãs separadas por guerras que não eram delas.- Henrique como já deves ter percebido esta é a minha sobrinha Angeles, filha da minha irmã Angélica...
— Já tinha percebido. Prazer Angeles, sou marido da Paula...e devo dizer que já tinha ouvido falar muito de ti...
— Olá Henrique. Espero que minha prima tenha contado apenas as coisas boas...
— Claro que sim, tu eras um doce. Mas devo-te um pedido de desculpa, eu devia ter lá estado naquele dia, devia ter estado contigo naquele dia, mas só soube do que aconteceu quando voltei de Lua-de-mel. Devia ter estado lá com ela, de alguma forma...
— Paula tu estavas na tua lua-de-mel. Depois aquele dia foi cheio de emoções...acho que nem te sei descrever todas as que vivi...
— Eu devia ter lá estado contigo, e talvez aquele homem não se tivesse atrevido a fugir com a Violetta. — Angie olhou para ela e uma lágrima caiu-lhe sem que ela percebesse...- Desculpa, não devia estar a falar disto...já conseguiram encontra-la?
— É não devia mesmo...- diz uma Ludmila com uma cara que Angie há muito tempo não via...
— Ludmila. E respondendo à tua pergunta, sim já a encontrámos e temos estado todos juntos nestes últimos anos...
— Que bom, eu só a vi uma vez, quando a Maria veio cá para os avós a conhecerem, ele também veio, claro. Eu nunca gostei daquele homem...
— Para mim chega, se vão continuar a falar mal dele, eu vou-me embora. -e virando-se para Angie...- Não sei como é que tu consegues ouvir isto e ficar sem dizer nada...
— Ludmila chega. — Diz-lhe Angie olhando para ela com um olhar furioso. Mesmo sabendo que esta tem razão que não deviam falar de Gérmen daquela forma, mas nem Paula, nem o avô sabem que eles estão juntos agora e que são uma família.
— Angie, eu estou cansada. Cansada que todos falem dele assim, quem nunca errou que atire a primeira pedra...
— Quem é esta rapariga Angie?- pergunta Paula algo incrédula pela forma que esta falou a Angie.
— Esta é a Ludmila, é...é a minha filha do coração...uma história comprida...- e virando-se para Ludmila...- Lu por favor...
— Não Angie estou cansada de tudo isto. Estou cansada do egoísmo do José e da tua mãe, e por esse egoísmo ter que estar longe do Frederico, da Vilu e até mesmo da Clara. E para piorar a situação tenho que ouvir todos acusarem o Gérmen de algo que ele não é...
— Chega Ludmila. Sabes muito bem o porquê de estarmos aqui, e sabes o porquê de não estarmos com eles...- diz-lhe Angie desesperada e zangada pela atitude infantil de Ludmila...
— Sei. Sei isso tudo, mas continua tudo injusto, tudo isto não faz sentido nenhum.- Ludmila olha para Angie com lágrimas nos olhos...- Porque é que tudo tem que ser difícil...porque é que temos que ser nós a sofrer pela ignorância de outros.- e sai rumo à varanda para se acalmar.
— Eu vou lá fora falar com ela...talvez a consiga acalmar e falar com ela um pouco.- diz Milagros...
— Não Tia, ela precisa primeiro de colocar as ideias no lugar. Deixa-a eu já lá vou...eu conheço-a e neste momento ela precisa de pensar, de ficar sozinha.
— Podes-me explicar o que se passou aqui? Porque eu não percebi nada de nada...
— Eu também gostava de perceber o que se passou aqui? O que se passou com a tua mãe e com esse José? Quem é esse José? E O Frederico quem é?
— Posso, mas não agora...- e dá um leve aceno com a cabeça apontando para o avô e Paula logo percebe que Angie não quer falar à frente de Nicolas.- E respondendo à tua pergunta avô, o Frederico é o namorado da Ludmila.
E tentando dispersar a atenção do avô das outras perguntas não respondidas, ela começa a falar com a prima e a ser apresentada aos filhos de Paula. O primeiro a ser apresentado foi Francisco, um rapaz com os seus 14 anos, em plena adolescência e muito parecido com Henrique, a seguir foi a vez de Mariana, linda como a mãe, com seus longos cabelos castanhos e olhos cor de mel. E por último foi a pequena Ângela, linda de olhos cinza como o bisavô, e cabelos loiros como o avó, que olha para Angie e depois para a mãe, e de novo para Angie.
— Mamã...é por causa dela que eu tenho o meu nome não é?
— Sim Ângela...é verdade...foi o papá que te contou não foi? — Pergunta Paula, que se ri da carinha sapeca que a filha mais nova lhe dá.
— Mas eu ainda sou o teu Anjo, não sou?- diz a menina que depressa deixa de ter aquele sorriso lindo na cara para dar lugar a um olhar triste e já com algumas lágrimas nos olhos...
— Claro que sim minha princesa...- e abraça a pequena que fica muito mais feliz...- Tu serás sempre a minha princesa.
— Sabes eu acho que tu sim és um Anjinho lindo...- diz-lhe Angie, metendo-se com a pequena...- És um lindo Anjo Princesa, ou será que és uma linda Princesa Anjo?- pergunta-lhe Angie, deixando a menina com um lindo sorriso, recebendo de imediato um grande abraço apertado.
— Eu acho que tu também és linda. És uma linda princesa...igual a mim...
— Obrigada minha querida.- E olhando para Paula e para a aquela menina de cabelos castanhos e olhos cor de mel, uma cópia de Paula...- Mariana? Por causa da Maria?- pergunta Angie a Paula.
— Sim, não quis colocar os vossos nomes, mas tinha que vos manter junto de nós, para sempre.
Ficaram durante um tempo na conversa, Angeles falava de Violetta de como era parecida com Maria embora com o feitio do pai, mostrou fotografias deles, dos concertos, do Estúdio onde estava Violetta e todos os seus amigos. Do seu namoro complicado com Leon, das brigas, ciúmes tudo normal numa relação de adolescentes. Depois falou-lhe de Clara, a sua filha, com os seus olhos mas o cabelo castanho lindo, como o da irmã, se bem que esta parte ela apenas pensou para si mesmo.
— Mas onde está a tua menina? A Clara?
— Ela teve que ficar com o pai...longa história...- diz Angie rezando para que Paula não lhe fizesse muitas perguntas.
— Estás com muitas longas histórias, e sinceramente já não estou a achar piada. Angeles Carrara Saramego tu estás com algum problema?
— Paula deixa a tua prima...chega de interrogatório...- Paula ia argumentar, ela já percebera que a mãe e a prima lhe estavam a esconder algo só não sabia bem o quê, mas Angeles foi mais rápida.
— Paula, vens comigo falar com a Ludmila. Por favor...ela precisa de te pedir desculpa...- Paula no início fez uma cara estranha, mas ao olhar para Angeles percebeu que era importante para a prima que ela fosse. E acabou por ceder, se bem que achava que deveria ser Ludmila a ir ter com eles e pedir desculpa a todos.
— Ludmila, estás mais calma...- esta estava virada de costas e Angie percebeu de imediato que ela estava a chorar...- Lu, eu sei que tens saudades, sei que não gostas quando falam mal do Gérmen. Mas, tens que perceber, a Paula não sabe de nada do que aconteceu durantes estes últimos anos.
— Desculpa Angie, desculpa...mas...é tão difícil...- e neste momento abraçam-se as duas...- Eu tenho saudades...eu tenho saudades do Frederico, da Vilu...
— Eu sei...e achas que eu não tenho. Eu deixei-os do outro lado do mundo.- E abraça-a sentindo o vazio que tinha no seu coração apertar...- Paula, eu pedi-te que viesses porque precisas de saber o que se passou durantes estes últimos anos e o porquê da explosão da Ludmila.
Entretanto em Buenos Aires, José andava doido, ninguém conseguia descobrir onde estavam as netas e Angie tinha simplesmente desaparecido. Angélica começava a pensar que talvez tivesse enganado em relação a José e em ter apoiado o pedido da guarda das netas. Contudo, e depois de ter tentado falar com ele por duas vezes sobre o assunto, desistiu pois José ficava furioso e até violento quando percebia que esta estava a voltar para trás com a palavra.
Olga e Ramalho tentavam em vão fazer Angélica ir à polícia e até ao tribunal para que conseguissem pelo menos reabrir o processo. Mas Angélica estava apavorada, e pensava que talvez com ela junto de José as netas ficassem mais protegidas.
— Dona Angélica desculpe-me dizer, mas acha mesmo que as minhas meninas vão ser mais ou menos felizes consigo aqui. Elas seriam felizes com os pais...
— Eu errei, eu sei...mas agora o que posso fazer. O José...ele...eu não posso fazer nada neste momento.
— Dona Angélica, sei que talvez esteja a intrometer-me demais...- diz Ramalho com algum cuidado...- mas talvez se fosse ao tribunal e contasse como aquele "Senhor" se está a comportar...talvez...
— Não o posso fazer...e se ele fica na mesma com elas? Pelo menos se eu estiver aqui talvez as possa apoiar de alguma forma. Desculpem mas eu vou para o quarto, estou cansada. -E sai da salar encaminhando-se para o quarto. Olga e Ramalho olham para Angélica, sentem-se revoltado com tudo o que se passa...mas ao mesmo tempo estão de mãos e pés atados.
— Ramalho, o que é que nós podemos fazer? Alguma coisa temos que fazer...- diz Olga começando a apertar Ramalho num abraço apertado...
— Olga...Olga...Espaço Pessoal, por favor...- e quando esta o larga Ramalho suspira aliviado por conseguir respirar...- Olga eu não sei o que podemos fazer, a não ser talvez estar aqui quando e se Violetta e Clara voltarem.
De repente entra em casa um José eufórico, com um dos seus advogados a sorrir maleficamente. Ramalho e Olga olham para os dois e depois entreolham-se...e naquele momento um frio percorre-lhes a espinha, eles sabiam, eles sentiam...José tinha conseguido, tinha-os encontrado.
— Onde está a Angélica? — Pergunta José aos dois que se mantém em silêncio...- Angélica! Angélica desce! Conseguimos...conseguimos por fim...nem sei como não pensei nisto antes...Angélica!
— José podes por favor não gritar...e conseguimos o quê?
— Lembras-te do amiguinho da tua filha ter tido que a Violetta estava internada?
Angélica apenas acenou, recordando as palavras duras de Pablo "...decidiu unir-se à única pessoa que fez mal à sua filha, decidiu colocar-se contra a sua ela...Angélica tem noção do que está a fazer à Angie...escolheu este...em vez da sua filha...pense naquilo que está a pedir à sua filha...", e sim hoje conseguia ver o erro que tinha cometido...- Então foi fácil, foi só procurar pelos dados clínicos de Violetta através do seu número de identificação pessoal.
— Então já sabes onde ela está? E como é que ela está? Ainda está em coma? — Pergunta Angélica algo nervosa.
— Não sei...achas que deu para saber esses pormenores...- Angélica interrompe furiosa...
— Pormenores?...José é a nossa neta e está em coma, e tu nem queres saber se ela está melhor...
— Agora já sei onde elas estão, vou busca-las...eu vou hoje mesmo para Sevilha...eu nem consigo acreditar.
— Sevilha? Elas estão em Sevilha? Achas que Angie voltou para lá?
— Sim, nem sei como não pensei nisso antes. A irmã de Rosário mora lá...era lógico que eles iriam para Sevilha. Finalmente vou acabar com toda esta palhaçada da música...Violetta vai voltar a estudar e a Clara nem vai sequer saber o que é a música...
— José...vê se me ouves...e a Angie? Ela estará lá? Estou preocupada, ela simplesmente não me atende os telefonemas...
— Sei lá...mas não me parece. A tua filha é esperta o suficiente e sabe muito bem que estaria a monitorizar os voos...
Angélica fica surpresa com a atitude de José, ou será que estaria? Não, era óbvio que este teria os seus contactos nos aeroportos para saber se Angie saíra do país, e para onde...dá um suspiro profundo de angústia e preocupação: angústia por saber que as netas iriam viver num clima de opressão imposto pelo avô e que ela tinha contribuído para isso e preocupação por não saber nada de Angie...onde estaria ela, onde estaria a sua filha?- Vou fazer as malas.
— Eu também quero ir contigo, afinal são minhas netas também...
— Não tu ficas, quero a nossa nova casa arranjada para quando elas voltarem, já contratei empregados e seguranças, amanhã vêm-te buscar para ir para lá. Vamos ser nós e as nossas netas...
— E o Gérmen, e o teu filho? O que lhe vai acontecer? Vais mesmo fazer com que...
— Ele deixou de ser meu filho a partir do momento que me desafiou. Por mim pode apodrecer na cadeia...
Depois de dizer isto sai para o piso de cima para fazer a mala, Angélica fica na sala sentada num sofá...sem saber o que fazer. Ela queria voltar atrás no que fizera, mas como? Neste momento era impossível, e a única coisa que podia fazer era tentar fazer a vida das netas um pouco melhor. Pensou que José queria mesmo o melhor para as netas, pensou que ele mudara, que já não era aquela pessoa fria e vingativa...mas nada mudara, ou melhor tudo estava pior que antes. Olga e Ramalho ficaram a olhar para esta, sem saber o que fazer ou dizer...
Entretanto em casa de Milagros, Angie conta a Paula tudo o que se passou durante aqueles anos: a morte de Maria, a fuga de Gérmen com Violetta e como ela e a mãe tentaram durante anos procurar por eles, sem grande sucesso. Parecia que cada vez que estavam perto eles sumiam de novo. Contou-lhe sobre o estado em que ficara o pai, como cair numa tristeza profunda, em como procurou refúgio na bebida e no isolamento.
— Angie o Tio Miguel...ele chegou a ser violento contigo? Ou com a Tia?
— Não, violento fisicamente nunca. Mas sabes bem, como muitas vezes uma olhar ou uma frase nos mágoa muito mais. E o meu pai ficou perito em fazer isso...mas era meu pai...
— Porque é que não se vieram embora? Porque é que não o deixaram?
— A minha mãe nunca o fez...e eu, quem era eu na altura para lhe dizer alguma coisa. Só agora percebi que ela achava que mais valia eu ter um pai ausente e frio do que não ter nenhum...
— E conseguiram encontrar a Violetta? E o teu pai?
— O meu pai morreu dois anos depois de Maria...- Paula olha para Angie e uma lágrima cai-lhe dos olhos, como a prima tinha sofrido, e ela longe sem saber, sem a conseguir ajudar...era inacreditável como se tinham afastado...- Ei não chores, foram tempos difíceis, mas conseguimos ultrapassa-los eu e a minha mãe juntas. Passado um tempo ela não conseguiu suportar mais a ideia de continuar em Buenos Aires e decidiu ir para Madrid, seguir uma pista que tínhamos recebido.
— E conseguiram descobri-los em Madrid?
— Sim, mas Gérmen fugiu de novo, e regressou para Buenos Aires e foi aí que começou toda uma outra história comprida...
— Tu e as histórias compridas...- Diz Paula já completamente desesperada.
Angie começa então a contar como se reaproximou de Violetta, sem que nem ela nem Gérmen soubessem quem ela era. Que aos poucos conseguiu que Violetta saísse da redoma que Gérmen criara à sua volta...e que ela finalmente descobrira tudo o que Gérmen tinha escondido sobre Maria.
— Quer dizer que para além de não lhe contar nada sobre Maria, nunca contou a Violetta que tinha uma avó, uma tia?
— Ele errou sim, mas fê-lo por acreditar que Violetta sofreria menos dessa forma. Não o consigo condenar, ele estava a sofrer e foi a forma que encontrou para seguir em frente.
— Angeles, tu estás a defender um homem que fugiu com a tua sobrinha, que lhe escondeu durante mais de 10 anos que tinha uma família.
— Estou a defender um homem que errou, que reconheceu o seu erro...um homem que...que...
— Um homem que vos privou da vida da Violetta...Angeles eu não percebo como é que depois do que vos fez passar ainda o defendes.
— Angie...- começa Ludmila a falar...- tens que lhe contar...- Angie olha para Ludmila, olha para Paula e olha para a fotografia que entretanto tirara do bolso...
— Como é que o consigo defender? Ah! Paula, porque o conheço melhor que a mim mesma, porque ele não é um homem mau, nem perverso, nem egoísta, porque se o fez foi para cuidar da Vilu...
— Estás a falar como se...como se estivesses apaixonada por...Angeles tu...tu estás...estás apaixonada pelo Gérmen...é ele...
— Sim...eu estou completamente apaixonada por ele, eu amo-o com todas as forças que tenho. E sim ele é o pai da Clara.- E mostra a fotografia onde estão os cinco: Ela e Gérmen, Violetta, Ludmila e a pequena Clara.- Ele é o amor da minha vida...
— Tu...e Gérmen...Angie ele é...era marido de Maria...tu...
— Eu tentei, eu juro que tentei afastar-me, fui viver para França para o tentar esquecer, e ele chegou a casar-se...
— Com a minha mãe...esse sim foi o maior erro da vida de Gérmen.- Angie olha para esta e não pode deixar de lhe dar um sorriso.
— Paula, sei que é complicado perceber e aceitar tudo isto...mas a verdade é esta: eu e o Gérmen amamo-nos muito, temos uma filha linda e estamos à espera de mais dois...- e nessa altura coloca a sua mãos por cima do ventre...- para além da Vilu e da Ludmila, e se não fosse toda esta confusão que aquele homem está a fazer, nós estávamos juntos e felizes.
— Espera tu estás grávida? De gêmeos? — Angie acenou com a cabeça...- Isto é muita informação para um dia só. Ainda não percebi quem é esse homem que vos quer separar.
— O pai de Gérmen, o José...ele ficou furioso ao saber que nós nos casámos...
— O irmão do "Tio" Roberto, mas ele pediu a guarda da Violetta e da Clara para quê? Não faz sentido...- Angie começou então a contar a segunda parte da história: o romance entre o pai e Rosário, sobre a filha que resultou desse romance, e finalmente sobre a chantagem que José fez a Gérmen. Contou-lhe como tudo se desenrolou a partir desse dia...sobre a ida para Sevilha e a situação em que estava Violetta.
— Por isso nós viemos para cá. A minha mãe não sabe que Maria me deu esta casa...
— A tua mãe ficou do lado do pai de Gérmen, não consigo acreditar, como é que ela ficou contra de ti...tirar-te a tua filha?
— Paula ela ficou sem a Vilu durante anos, ela teve medo que tudo se repetisse...
— Tu és muito boa, eu nunca perdoaria a minha mãe, e a Violetta como está?
— A recuperar graças a Deus. Mas triste com tudo isto, ela apesar de ser maior nunca vai deixar a Clara sozinha...eu sei que se ele as encontrar ela vai com a irmã.
— Eu nem sei o que te diga...mas eu vou estar aqui para o que precisares...
— Ainda bem que diz isso...- diz Ludmila muito depressa interrompendo o abraço que as primas davam...- porque a Angie precisa de um médico, para a acompanhar na gravidez. — Angie olha para esta com um olhar furioso...- Eu disse-te que não ia desistir...
— Ela tem razão, já foste a alguma consulta? — Pergunta Paula agora com um semblante profissional.
— Sim fui á minha médica lá em Buenos Aires, e sim eu sei que a "Dona" Ludmila tem razão, mas pode esperar mais um dia...
— Não, ela fez bem. Eu tenho a minha médica mas perante o que me contaste não sei se será uma boa ideia...- Angie fica a olhar para Paula...- A minha médica é a tua prima Martina.
— Não. Eu por enquanto não quero que ninguém saiba que estou cá.
— Posso tentar saber de uma outra médica que atenda sem ser no Hospital, para evitar encontrares-te com alguém lá...
— Obrigada Paula. Não comentes nada, o avô não sabe...é melhor deixar as coisas como estão.- Paula acena com a cabeça e abraçam-se.
— E já agora peço desculpa pelo que disse lá dentro, mas o Gérmen não é o "monstro" que todos pensam...ele acolheu-me na casa dele, trata-me como filha mesmo eu não merecendo e depois de tudo o que fiz à Vilu.
— Tudo bem...- diz Paula e olhando para Angie...- esta deve ser outra longa história, calculo?- Angie sorri...- Meu Deus, a tua vida dava para fazer uma novela...
— O que tenho mais na minha vida são histórias compridas de fazer chorar e rir as multidões...
Começam as três a gargalhar com vontade, até que Milagros e Henrique vão ao seu encontro e vendo-as tão alegres e risonhas, percebem que tudo foi esclarecido entre as trás. Se bem que Henrique não tem conhecimento de todo a trama...mas fica feliz por saber que estão as três felizes. Entram todos e juntam-se na sala a ver de novo o DVD do espectáculo de Sevilha, para alegria das três crianças que são fãs, Francisco da Banda dos Rapazes, Mariana de Camila e Francesca e a pequena Ângela de Violetta. E quando percebe que esta é sua prima, fica extasiada: grita, salta, corre, pula...fica eléctrica.
De repente o telemóvel de Angie toca, e esta quando percebe quem é dá um sorriso para o telemóvel, e pedindo licença sai indo em direcção à varanda para atender. Ludmila, Milagros, Sebastian e Paula percebem quem perfeitamente quem é, e sorriem entre elas. Depois de falar Angie volta com um sorriso ainda maior, e abraça Ludmila, segredando-lhe alguma coisa que ninguém percebe, mas que a deixa também ela com um sorriso na cara. E é neste ambiente de festa e em família que acabam aquele dia, ansiosos pelo que o dia seguinte lhes possa trazer.
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