Violetta - O Recomeço
2 Capítulo 1 – O Início de uma Nova Vida
Notas iniciais
Passou um ano após o casamento de Angeles e Gérmen em Sevilha, e de volta às suas vidas em Buenos Aires, retomam os seus afazeres. Angie continua a trabalhar no Estúdio como Professora de Canto e ajuda Pablo na direção do mesmo, Gérmen a par do seu negócio de engenharia ajuda na parte financeira e contabilística do Estúdio.
O grupo do On Beat Estúdio após o êxito do Show de Sevilha fora convidado a ir num “Grand Tour” que englobava uma tournée pela Europa e uma outra pelas Américas. Era um ano de viagens entre muitos países, de muito trabalho, mas também de muitas alegrias. Com eles fora Beto, para que houvesse sempre um representante do Estúdio; todos gostavam muito dele, e apesar de ser algo despassarado a viagem acabava por ser menos custosa, já que todos os dias com ele eram diferentes: ora se esquecia a que horas deviam estar no local do espetáculo e chegavam sempre muito mais cedo do que era esperado, ora se lembrava das coisas mais hilariantes como cantar e dançar no meio da rua, numa entrevista, no meio do corredor do hotel...mas no fundo todos sabiam como Beto era e gostavam dele assim: distraído, atrapalhado, desajeitado, brincalhão...mas por vezes também era firme e disciplinador principalmente no que se referia á música; mas se ele não fosse assim não seria o Beto que eles conheciam e amavam. Todos ficaram contentes com esta viagem pois poderiam passar mais um ano juntos, todos eles após esta Tournée tinham já uma ideia do que iriam fazer no futuro:
— Violetta iria a convite de Pablo, seguir a pegadas de Angie e ser Professora de Canto no Estúdio para além de ajudar Pablo no que fosse preciso, a par disso iria continuar a compor as suas músicas;
— Leon iria continuar a compor e a tocar com a Banda ensaiando no Art Rebeld, ajudaria também Diego e Gregório no Art Rebeld e gravando no Estúdio que agora tinha uma discográfica própria, iria também ajudar Pablo no Estúdio quando fosse necessário;
— Francesca e Diego iriam trabalhar, com Gregório, no Art Rebeld procurando novos talentos. Francesca iria também estar empenhada na gravação do seu primeiro álbum com a ajuda de Brenda;
— Broduei a convite de Pablo, e sugestão de Gregório, seria o próximo professor de Dança do Estúdio;
— Camila apesar de querer continuar a dançar e a cantar decidira por enveredar pela Faculdade e tirar um curso de economia/contabilidade;
— Maxi fora convidado pela Youmix para trabalhar com eles como produtor, o que fez Naty saltar de alegria pois acabariam por trabalhar juntos, já que ela também trabalharia para a Youmix como compositora;
— Frederico retornaria a Itália onde continuaria com a sua carreira de música, e Ludmila, depois de pedir permissão ao pai, iria viver com ele tentando já em terras italianas a sua sorte como actriz/cantante;
— Andrés continuaria na Banda, e criara um Blogue a que chamou "On Beat First Generation" onde colocaria entrevistas com o grupo, vídeos com as músicas que iam cantando, os ensaios e todas as novidades deste magnífico grupo de amigos que eram;
Todos tinham algum plano para o futuro, agora que iriam deixar de ser alunos do Estúdio, mas apesar disso todos sabiam que por muito que os seus projetos individuais os separassem nunca iriam afectar esta amizade que tinham construído ao longo de todos estes anos.
Pablo continuava a ser o diretor do Estúdio, tinha casado com Brenda que também trabalhava no mesmo local como produtora e diretora discográfica do Estúdio, uma vez que por sugestão de Violetta, o Estúdio tinha conseguido criar a sua própria discográfica. Ambos se ocupavam da produção e acompanhamento da banda dos rapazes, e de outros projetos discográficos que o Estúdio se empenhara em criar, como o álbum a solo de Francesca.
Uns meses depois do casamento, Angie descobriu algo maravilhoso: estava grávida. Foi algo inesperado, algo que ela não tinha planeado, mas que ao mesmo tempo ela sempre desejou. Porém e apesar de estar feliz, ficou também um pouco receosa; não sabia qual seria a reação de Gérmen, embora nada tenha sido planeado ela não sabia se ele quereria este filho, ou mesmo se quereria mais filhos. Ela sabia, e tinha a certeza, que ele a amava mas nunca tinham falado sobre essa possibilidade.
No entanto, todas essas preocupações se foram no dia em que lhe contou, Gérmen ficou encantado com a ideia. Nesse dia, ele estava no escritório a trabalhar com Ramalho, e assim que o viu sair aproveitou para entrar e falar com Gérmen sem ninguém por perto. Aproximou-se, deu-lhe um beijo, e outro, e outro...estava tão feliz e agradecida, e mesmo sem este saber o porquê de toda aquela manifestação de amor, Angie não podia conter-se por demonstrar tudo o que lhe ia no coração. Afastou-se por fim, perguntando-lhe se tinha um tempo para falarem; e apesar de ainda ter algumas coisas para fazer, Gérmen tinha ficado tão perdido no olhar de felicidade que irradiava de Angie, que lhe respondeu que tinha todo o tempo do mundo. Esta continuava com algum receio da reação dele mas ao mesmo tempo sentia-se tão afortunada por tudo o que lhe estava a acontecer; então pegando-lhe nas mãos colocou-as em cima do seu ventre e disse-lhe “Vamos ter um filho Gérmen...Estou grávida”. Este olhou para ela e de seguida para as suas mãos que estavam sobre a barriga de Angie: levantou-se, agarrou nela pela cintura beijou-a, abraçou-a, beijou a barriga…beijou-a de novo, e percebeu naquele momento que a amava mais do que um dia poderia imaginar. Sem poder conter toda a sua alegria, ele chamou por Ramalho e por Olga que foram informados da boa notícia: Ramalho como sempre muito cortês deu-lhes os parabéns de uma forma educada e recatada; já Olga não se conteve, abraçou-se a Angie, depois a Gérmen, e de novo a Angie. No meio de toda aquela emoção lembra-se e manda-a sentar-se, depois pensou que talvez fosse melhor ir descansar, para logo a seguir decidir que lhe ia fazer um chá e talvez fazer também um bolo. Angie não conseguia conter-se e ria com toda aquela euforia de Olga, que continuava nos seus festejos e que continuava a abraça-la, para logo depois chorar, ou pular, ou a falar que nem uma "doida"; já Gérmen tentava em vão acalma-la. Por fim Ramalho acabou por lhe pedir que deixasse os dois a sós, repetindo vezes sem conta, enquanto saiam do escritório, a sua frase tão conhecida: “Olga, Espaço Pessoal”, encaminhando-se os dois para a cozinha. Foi nesta altura de euforia de Olga que chega Angélica, esta era nesta altura uma visita regular em casa de Gérmen. Ao ver todo aquele entusiasmo, percebeu que se passava alguma coisa: pensou logo que seria com Violetta, que estava em tournée, teria acontecido algo? Voltaria mais cedo do que esperado? Quer Angie quer Gérmen trataram logo de lhe dizer que não, que estava tudo bem com Violetta. Foi com muito custo que Ramalho consegue evitar que Olga contasse da gravidez, e convence-a a ir fazer um chá para as senhoras. Assim, já sem todo aquele entusiasmo e calmamente Angie e Gérmen puderam dar a boa notícia a Angélica: “Mamã, vais ser avó de novo…”. Quando ouviu o que Angie lhe disse não conseguiu evitar e as lágrimas começaram a correr-lhe pela face, no entanto não eram de tristeza mas de alegria. Abraçou Angie e olhou para Gérmen com afecto, eram finalmente uma família apesar de todos os percalços do passado.
Quer Gérmen quer Angie decidiram não contar nada a Violetta, apesar de Angélica achar que não o deviam esconder lembrando-os que a mentira nunca fora a solução; mas eles decidiram não lhe contar, Vilu estava longe, ficaria feliz sim, mas também preocupada e ambos sabiam que ela precisava de estar concentrada nesta viagem, e depois eles não estavam propriamente a mentir, estavam apenas a ocultar a novidade por um tempo. Angelica não concordou com aquela decisão mas em última instância eram eles que tinham que decidir.
Assim foram vivendo felizes com a perspetiva da chegada deste filho, que ambos tanto desejavam. Angélica apesar de não concordar com o facto de eles estarem a esconder tudo o que se passava a Violetta, estava feliz. Finalmente estava junto de todos os que mais amava: Angie, Violetta e deste neto que aí viria e que desta vez ela ia ver crescer. Tinha-se mudado de vez para Buenos Aires para a casa que fora de Angie e apesar de todas as mágoas, que sentira ao longo de tantos anos por Gérmen, tentara superar tudo por amor a Angie e a Vilu, se bem que por vezes não conseguia evitar e sentia uma certa revolta por não ter acompanhado o crescimento de Vilu como teria gostado. Com o tempo e aos poucos ela foi percebendo que Gérmen tinha fugido com Violetta por medo, porque ficara sem Maria e ficara em choque com essa perda, mas ele amava profundamente a filha e isso ninguém podia negar e se fugiu, se se afastou daquela forma foi porque acreditava realmente que a estava a proteger e nunca quisera prejudicar ou magoar ninguém. Até porque ele próprio estava a sofrer e magoado...e Angélica percebia isso agora.
Apesar de saber há muito tempo que Angie o amava, na altura ela não fora a favor desde amor, pedindo inclusive a Angie que acabasse com aquele disparate, alegando que aquele amor era impossível, uma vez que Gérmen era seu cunhado e que as fizeram sofrer com a sua fuga com Violetta. Mas à medida que o tempo foi passando, ao perceber que Gérmen mudara ou que estava a fazer um esforço para mudar, ao perceber que os sentimentos de um e de outro eram verdadeiros, que com Angie, ele voltara a aprender a amar e a confiar, mudou de opinião. Mas principalmente sentia que a filha e a neta eram felizes, e isso sim era o mais importante.
Olga e Ramalho tinham finalmente casado para grande alegria de todos, porém, continuavam iguais a si mesmos: com as suas picardias, com a sua forma algo estranha de se amar; mas no fundo todos sabiam que todas aquelas zangas eram a sua forma de se amarem. Continuavam a trabalhar em casa de Gérmen para alegria de todos mas principalmente dos próprios que se consideravam, e de certa forma eram já considerados por todos, parte da família. Ambos estavam com Gérmen desde sempre: viram-no apaixonar-se por Maria, assistiram ao seu casamento, comemoraram quando Maria ficou grávida, emocionaram-se quando viram Violetta pela primeira vez tão pequenina, assistiram aos seus primeiros passos, ouviram as suas primeiras palavras, choraram a morte de Maria como todos. No fundo viram Violetta crescer e tornar-se no que era hoje, ajudaram-na sempre que podiam mesmo que isso fosse contra o que Gérmen dizia. Mais tarde com a chegada de Angie a casa ganhou vida: Violetta ficou a saber de todos os segredos sobre a mãe, começou a cantar, a dançar, a viver sem ser entre quatro paredes. Aperceberam-se depois que quer Angie quer Gérmen se estavam a apaixonar, que lutavam contra esse amor, mas com ajuda Vilu e dos amigos, acabam por ceder à paixão; enfim eles eram parte importante e fundamental da família, e todos os viam como tal.
Os meses foram passando e todos aguardavam quer o regresso de Violetta quer o nascimento do bebé. Olga, ansiosa pela chegada daquela criança, começara desde que soubera da notícia a preparar o enxoval: lavou lençóis, a roupa que tinha sido de Violetta, as fraldas de pano, os toalhões de banho, e tudo mais que encontrou guardado; o berço já estava pronto meses antes, nada podia falhar pensava Olga. Ramalho achava que ela não tinha nada que tratar do enxoval, que deviam ser Angie e Gérmen a tratar disso e as discussões entre eles eram uma constante. Contudo, eles até achavam uma certa piada à ansiedade de Olga e de certa maneira até lhe agradeciam a ajuda, pois dessa forma Angie podia estar mais tranquila até ao nascimento do bebé.
Quando o dia chegou todos estavam muito ansiosos, e apesar de Angie que era no meio de todos a mais calma, dizer que não valia a pena irem todos para a maternidade nenhum dos quatro a ouviu e assim ao entrarem pareciam segundo a própria um bando de saltimbancos que tinham acabado de chegar à cidade. No fim desse dia solarengo de Maio nasceu a pequena Clara, e todos ficaram rendidos àquela boneca linda e perfeita: cabelos castanhos como os de Violetta, no entanto, um pouco mais claros; mas os olhos...os olhos não enganavam...eram os de Angie: verdes esmeralda...
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