Violetta - O Recomeço

22 Capítulo 11 - Duas Surpresas, Uma Desgraça...


Notas iniciais
Será que Vilu vai acordar? Agradeço a todos que continuam a ler...

Tinham passado duas semanas desde que Vilu entrara no Hospital (um mês desde que José tinha entrado nas suas vidas), Tati continuava a ir visitar a prima, continuava a acreditar que ela a ouvia e que se continuasse a conversar esta iria acordar. Tinha conseguido convencer o pai e mãe a ir todos os dias ao Hospital depois do colégio, e nenhum dos dois conseguiu dizer que não à menina até porque Angie e Gérmen fizeram também a parte deles em os convencer. Tinha ficado combinado entre os cinco que Tati teria que fazer os trabalhos e continuar a ter boas notas, pois caso contrário as visitas terminariam.

Assim todos os dias Xavier depois das aulas ia buscar Tatiana e Miguel ao Colégio e deixava a menina no hospital, seguindo depois para casa com o menino. Todos os dias ora Angie ora Gérmen a esperavam junto do portão do Hospital para a levarem para junto de Vilu.

— Oi Tia Angie…vamos ver a Vilu, tenho montes de coisas para lhe contar…

— Olá minha querida, vamos sim.- e dirigindo-se para Xavier…- Até logo Xavier, nós hoje vamos para casa por isso levamos a Tati…- e continuou a falar com a menina…- E o colégio foi bom? Tens trabalhos para fazer?

— Foi bom sim, tenho trabalhos de matemática, achas que o Tio Gérmen me ajuda outra vez se eu precisar?

— Claro que sim…ele percebe muito de números…- diz-lhe Angie rindo-se e pensando em Gérmen e Tati juntos, tinham-se tornado inseparáveis. Continuaram assim as duas, o caminho até chegarem ao quarto de Vilu, assim que entra vai a correr dar um beijo a Gérmen que estava sentado junto a Vilu…

— Olá Tio Gérmen…hoje tenho trabalhos de matemática, ajudas-me?

— Claro que sim minha querida…não vais falar á Vilu, acho que ela estava com saudades tuas?

— Sim, eu também estava, e hoje preciso de falar muito com ela. Preciso de uma opinião de mulher…-e dando a volta á cama dirigiu-se até á outra cadeira ajoelhou-se e continuou a falar com os dois…- Hoje houve um menino lá do colégio que me deu um beijo…- e sorriu meio que envergonhada…- eu até que gosto dele, mas acho que ele está a ir muito depressa…o que é que achas Vilu…- e ficou em silêncio como se só ela conseguisse ouvir a resposta de Vilu…era um monólogo estranho mas ela dava os maiores sorrisos com aquelas conversas…- pois eu também acho é que nem me perguntou se podia dar só chegou e deu…

— Muito atrevido esse menino…-- disse Gérmen muito sério como se ele fosse algo mais que o Tio de Tatiana…- Queres que o Tio vá lá falar com ele?

—Não. Não é preciso, eu já tratei do assunto…- Angie segurava o riso a ouvir a conversa daqueles dois…ou dos três…Gérmen olhava para Tati À espera que ela continuasse…- Depois de ele me dar o beijo eu dei-lhe uma bofetada…

— Tatiana…- dia Angie de forma a repreende-la…- não devias ter feito isso, não se resolve nada a bater.

— Ah! Devia sim Angie… o menino é um abusado, atrevido…precisava de uma boa lição e a Tati deu-lhe.

— A bater Gérmen…não sei quem é mais criança se tu ou ela…- diz Angie meio a rir meio a sério.

— Eu não dei com muita força Tia, foi só assim de raspão…até porque eu gosto dele…”Dah!!”, e se lhe desse com força ele nunca mais me falava e isso eu também não quero.

— Tati, agora já não percebo…tu gostas ou não desse menino?

— O teu pai não percebe nada desta coisa de amor…- diz Tati e olhando para Vilu…- eu vou-te explicar Tio Gérmen: eu gosto dele, mas não posso deixar ele chegar assim e dar-me logo um beijo…tenho que me fazer de difícil. Por isso depois de lhe bater dei-lhe um beijinho…

— Estou perdido…mulheres quem vos entende…- diz Gérmen olhando para Angie completamente perdido, aquela forma estranha da cabeça das mulheres funcionarem deixava-o sempre desnorteado.

— Sabes qual é o vosso mal Gérmen, não é não nos entenderem, mas simplesmente não nos ouvirem…-e ri-se para ele…- Bom mas está na hora da mocinha aqui tratar de fazer os trabalhos.

— Vamos Tio Gérmen…- e virando-se para Violetta…- já volto, acorda depressa por favor.- e de novo sentiu um leve aperto na sua mão, mas desde aquela primeira vez em que ninguém acreditara nela, Tatiana guardava aquele segredo para ela, era como se fosse uma linguagem apenas das duas e que só elas entendiam.

Os dois foram para junto da mesinha que havia no quarto para começarem a trabalhar, quando entra uma enfermeira com o lanche para os três; ser sobrinha do melhor cirurgião do Hospital tinha as suas vantagens…Tati e Gérmen atacaram logo o lanche, Angie começou a beber o sumo mas logo se enjoou e saiu do quarto dirigindo-se À casa de banho onde para além de deitar fora o pouco que tinha comido ao almoço começou a sentir uma leve tontura, deixou-se estar um pouco sentada até que esta passasse, mas assim que esta cessou de novo sentiu aquele enjoo…depois de deitar fora tudo o que comera naquele dia, lavou a cara e voltou para o quarto de Vilu. Gérmen e Tatiana acabavam de arrumar tudo, e estava na hora de voltarem todos para casa, naquele dia seria Leon a passar a noite com Violetta. Assim que este chega os três se despedem e saem em direcção a casa.

Quando chegam Rosário logo trata de pedir a Lia que vá dar um banho à menina, se bem que contrariada ela acaba por obedecer à avó, Angie acaba por entrar com ela dizendo que vai ver Clara, apesar de Rosário lhe dizer que a menina está a dormir, esta entra na mesma. Na realidade ir ver Clara era apenas uma desculpa, a verdade é que Angie não se estava a sentir bem e precisava de se deitar para descansar um pouco. Assim deixa Rosário e Gérmen falando os dois sozinhos…

— Gérmen passa-se alguma coisa entre vocês? – Gérmen encolhe os ombros…- Tens a certeza é que acho a Angie esquisita…passa-se alguma coisa com ela filho…

— A verdade é que não sei…eu também tenho notado que ela anda mais cansada, mas nós andamos a dormir tão mal, e ansiosos com toda a situação da Vilu, já para não falar da ameaça constante do papá nos poder tirar Clara.

— E como está essa coisa toda do teu pai…os advogados têm te tido alguma coisa?

— Sim, o Juiz negou dar a guarda da Clara ao papá. Mas ele recorreu, por isso estamos num impasse. Neste momento a Clara está comigo…

— E com a Angie…e é assim que deve ser.

— Vamos ver o que vai dar o recurso do papá. Onde estão os miúdos desta casa, e Ludmila e Frederico?

— Está tudo na piscina…aqueles dois têm uma paciência de santo para os miúdos…e o Leon tem uma fã incondicional, o Miguel não o larga toda a vez que o vê.

— Pelo menos estão distraídos e não ficam só a pensar…- Gérmen nem precisou de a acabar a frase…- eu vou subir e ver da Angie.

Quando chegou ao quarto Angie vai até ao berço e olha para a filha que dorme tranquila, decide levá-la para junto dela, assim pega em Clara e deita-se na sua cama ficando ali a observá-la, mexendo ora nos seus dedinhos ora nos caracóis loiros. Estava perdida nos seus pensamentos que nem ouviu Gérmen entrar no quarto e aproximar-se…

— Quando olho para a Clara…e penso em tudo o que passamos, o que sofremos sinto que sou o homem mais sortudo do planeta…- e abraça-a depositando um beijo no seu pescoço…

— Gérmen…que susto…- diz Angie apesar de ao mesmo tempo se sentir segura naquele abraço…- Adoro vê-la dormir e sentir o seu cheirinho.

— E eu adoro ver-te a tratar da Clara…ficas ainda mais bonita…se isso é possível.- e puxando-a para ele dá-lhe um beijo primeiro no pescoço, depois vira-a com cuidado para ele e começa a dar-lhe beijos primeiro na testa, na ponta do nariz; não eram beijos com luxúria, era quase como se a brisa da noite a tivesse a cumprimentar, eram doces, leves e suaves; mas ao mesmo tempo eram cheios de amor e paixão, saudade e de bem-querer. Com toda aquela empolgação nenhum dos dois se lembra que Clara está deitada na sua cama…

— Gérmen…- mas nenhum dos dois conseguia separar-se daquele momento, era como se ambos fossem imanes que se atraiam um para o outro…e os beijos começaram a ser mais profundos e cada vez com mais paixão…até que…- Clara minha pequenita, desculpa a mamã e o papá…

— Acho que a minha princesa estava com ciúmes…- diz Gérmen rindo-se para as duas…- tão pequena e já com uma crise de ciúmes Dona Clara…

— Gérmen…deixa de ser palhaço…- Angie que tinha Clara ao colo, coloca-a de novo em cima da cama, Gérmen dá a volta e deita-se na cama ficando Clarita no meio deles olhando ora para um ora para outro…

— Angie? – ela olha para ele continuando a mexer nos dedinhos de Clara…- O que é que se passa contigo? Tens andado distante, esquisita?

— Não se passa nada amor…a sério. Eu estou cansada só isso, tem sido uma correria dividir-me entre a Vilu e a Clara…tem sido…

— Angie…eu conheço-te e não é só isso. Por favor o que é que se passa?- Angie não sabia se devia falar dos enjoos e das tonturas que tem vindo a sentir nas ultimas semanas, não queria preocupar mais Gérmen, e tinha a certeza que tudo era uma questão nervosa e ansiedade…por isso de certa forma mentiu, ou omitiu, e arranjou uma desculpa.

— Eu tenho pensado na minha mãe. Acho que ela devia saber da Vilu, mas tenho medo…- se bem que omitiu o que se passava com ela, Angélica era também um dos motivos para ela andar mais ansiosa…

— Medo por causa de Luzia? E da história entre o teu pai e a minha mãe?

— Sim, mas principalmente medo que o teu pai nos descubra. Eu sei que o Juiz nos deu razão e que negou o que teu pai queria, que estamos á espera do recurso que ele pôs…mas sinto um aperto aqui dentro, algo me diz que vamos perder a Clara.

— Angie…ouve-me nem que tenhamos que fugir para o fim do mundo nós os quatro…mas ninguém nos vai tirar a Clara. Eu não vou deixar…

— Mas Gérmen…nós não podemos fugir eternamente…- Mas Gérmen não a deixou acabar, deu-lhe um beijo leve…

— Vamos pensar numa coisa de cada vez. Neste momento a nossa prioridade é a Vilu. E em relação á tua mãe, eu percebo e se queres a minha opinião talvez seja uma boa oportunidade para ela saber de tudo.

— Mas eu não posso falar por telefone…não lhe posso contar tudo isto assim. Preciso ir a Buenos Aires pessoalmente…

— Eu sei, por isso se quiseres ir eu compreendo, e é só dizeres quando queres ir eu providencio tudo.

— Custa-me muito deixar-vos aos três…mas a minha mãe é avó da Vilu, ela tem que saber. Podia ir amanhã…talvez seja cedo mas…- Gérmen não a deixa acabar…

— Vou tratar de tudo…não te preocupes. E agora vamos descer e jantar…eu estou com fome e esta princesa não vai dormir mesmo.

— Eu estou meio sem fome, prefiro ficar e tentar descansar…

— Tudo bem eu vou e levo Clara para descansares, e vou pedir à Chica que te traga uma sopa…

— Não Gérmen a sério não é preciso, eu estou mesmo sem fome…

— Não quero desculpas…pelo menos uma sopa vais comer…e agora descansa um pouco que já mando a Chica com a tua sopa.

— Nem vale a pena dizer-te nada pois não…- Gérmen olha para ela com uma cara decidida, pega em Clara e dirige-se para a porta…- Gérmen…- ele para e olha para ela…- Eu Amo-te…

— Também te amo…muito…- e dá um sorriso…

Angie deita-se e encolhe-se em conchinha, ela não tinha mesmo fome e só de pensar na sopa sentia o seu estômago a embrulhar-se, começou a pensar na conversa que teria que ter com Angélica, em como contar, ou até mesmo em como começar a contar. Por mais voltas que desse á cabeça não havia uma forma de iniciar aquela conversa…acabou por adormecer a pensar na mãe, no pai e em Maria...

Quando Gérmen chegou á sala já todos estavam lá, e estava uma verdadeira algazarra: uns a correr, outros a gritar, outros a ralhar…ele ficou apenas a olhar, Clara batia palmas entusiasmada com toda aquela confusão. Até que sem saber de onde alguém grita…

— Mas que confusão é esta? Tatiana, Miguel e Sofia…posso saber que algazarra vem a ser esta?

— Papá…papá…papá…- gritaram os três e correram até Luís, mas este apenas lhes fez um sinal e estes pararam antes de chegaram a ele…

— Sabem muito bem que eu não gosto desta gritaria e muito menos que andem pela casa a correr.

— Desculpa Papá…- disse primeiro Tatiana.- Nós estávamos a brincar com o Frederico e com a Ludmila e…desculpa…

— A culpa não foi só deles…nós também não ajudámos muito…- Ludmila acaba por tentar defender um pouco as crianças, porque a verdade é que tanto ela como Frederico também tinham entrado na algazarra…- Desculpe.

— Tudo bem…mas que não se repita…Tati fizeste os trabalhos todos?

— Sim papá, o Tio Gérmen ajudou-me…

— Bem na verdade nem foi preciso porque tu fizeste tudo sozinha…- diz Gérmen que se tinha mantido calado até àquele momento.

— Eu não queria interromper mas o jantar está servido…- diz Chica entrando na sala…

— Então vamos…Gérmen a Angie não vem jantar?- pergunta Mercedes.

— Não, ela está um pouco cansada, Chica podes levar-lhe uma sopa ao quarto.

— Sim menino claro, e vou eu mesma levar-lhe. Fique descansado.

Assim todos se dirigem á sala de jantar, e é claro que onde estão crianças há risos, palhaçadas, zangas, ralhetes, birras e choros…mas todos se sentem em família. Chica entretanto sobe com a sopa de Angie, bate á porta, mas como não tem resposta acaba por entrar. Vê Angie a dormir, toda encolhida mas tão tranquila que fica com pena de a acordar, mas ela tinha que comer nem que fosse a sopa por isso acordou-a.

— Dona Angeles…Menina Angeles…Menina Angie…- esta acaba por acordar…- desculpe acordá-la mas o menino Gérmen pediu-me que lhe trouxesse esta sopa…

— Obrigada Chica, mas a verdade é que estou sem apetite…acho que não consigo comer nada…

— Menina desculpe mas pelo menos a sopa tem que comer…como é que vai ter forças para tratar da Clara e da Violetta?

— Está bom…- Angie senta-se na cama e começa a comer a sopa, que realmente não está má…mas de repente dá-lhe uma volta ao estômago e deixando o prato no tabuleiro sai a correr para a casa de banho…e de novo tudo o que ainda tinha dentro de si vem para fora, já não devia ter muita coisa no estômago pois tendo em conta que já era a segunda vez que se sentia com queles enjoos só naquele dia. Chica que ainda estava no quarto, segue-a até lá…e tenta ampará-la enquanto ela continua com os vómitos. Quando finalmente o seu estômago se acalma, Angie volta para a cama e deita-se.- Chica por favor leve isso, eu não consigo comer nada.

— Menina, posso perguntar-lhe o que se está a passar? Há quanto tempo está com esses enjoos?

— Isto não é nada Chica, deve ser apenas do stress e dos nervos por causa de tudo o que se está a passar com a Vilu…nada mais.

— Tudo bem…mas talvez fosse melhor ir ao médico. Ou falar com a menina Luzia ou com o Dr. Luís.

— Que exagero Chica, eu estou bem…e por favor não diga nada ao Gérmen…não quero que ele se preocupe por uma coisa de nada.

— Tudo bem, mas se continuar assim eu vou ter que dizer alguma coisa, para seu bem.- e sai do quarto deixando Angie deitada e encolhida em si mesma. Ela prometera-lhe não contar nada mas iria ficar de olho, porque estava desconfiada que aquela má disposição não era fruto do stress ou dos nervos. Angie acabou por adormecer de novo, e apesar de ter tido a Chica que aquilo não era nada, também ela começava a pensar se seria mais alguma coisa…e agora teria Chica em cima dela, e sabia que se fosse necessário ela diria alguma coisa a Gérmen, mas pelo menos durante um tempo estaria a salvo uma vez que iria para Buenos Aires ter com a mãe.

Na sala enquanto as crianças brincavam, os adultos falavam entre si, Gérmen contava que Angie tinha decidido ir a Buenos Aires para falar com Angélica.

— Ela vai contar tudo, sobre Luzia…mas ela estava tão determinada a não falar?- diz Mercedes.

— Sim, mas agora com a Vilu assim, a Angie sente que Angélica tem que estar perto da neta. Eu já marquei a passagem para amanhã á tarde e já avisei o Pablo…ele vai busca-la e…

— Gérmen…- diz Ludmila…- posso ir com ela? Eu sei que o Pablo é amigo dela desde sempre mas eu gostava de a acompanhar…e depois queria ir falar com o pessoal sobre a Vilu…e queria ir...

— É uma boa ideia…- diz Frederico…- o pessoal também devia saber de tudo…e faziam companhia uma á outra.

— Ludmila, tens a certeza que queres ir? Eu sei que…

— Sim. Eu…gostava…eu quero vê-la. Sei que ela não me vai reconhecer ou então me vai…mas eu…preciso…- Frederico olha para ela atónito, ele não acredita no que está a ouvir, como é que Ludmila tem coragem em ir vê-la…

— Tudo bem.- e chegando-se até ela…- promete-me só que não vais sozinha, vai com a Angie ou então pede a Naty e ao Maxi para irem contigo, sim?

— Tudo bem…mas sabes que nunca me deixariam sozinha com ela, não sabes…-e ri-se para Gérmen.

— O que me preocupa não é enquanto lá estás com ela, mas depois de saíres…eu lembro-me como ficaste na última vez que a foste ver, não quero que vás sozinha, promete-me pelo menos isso…- e dá-lhe um beijo na testa, abraçando-a.

— Gérmen, apesar de tudo ela é minha mãe, e eu…eu não consigo simplesmente abandoná-la ali…não consigo. Eu sei que fico de rastos cada vez que saio de lá, mas é minha mãe…mas se te deixa mais descansado eu vou com a Angie ou peço à Naty para ir comigo.- E abraça-o mais forte.

Depois de tudo combinado Gérmen pega em Clara e sobe para o quarto, Luís trata também dos filhos e vai deitá-los. Ludmila sai para o alpendre e Frederico que percebe que ela está em baixo segue-a…

— Lu…tens a certeza que queres fazer isto? Já não a vês há mais de seis meses, desde que…eu nem gosto de me lembrar desse dia, eu ia-te perdendo amor…

— Eu sei, e por isso mesmo. Apesar de tudo o que ela fez não deixa de ser minha mãe…e…- uma lágrima cai-lhe pelo rosto…- Eu não consigo deixar de lhe querer bem.

— Mesmo depois de ela ter feito o que fez contigo…depois de ter tentado…eu não percebo…

— Frederico…eu sei que para ti é difícil entender, que não suportas a ideia de a ir ver. Mas ela é minha mãe…e é a única família que tenho.

— Lu…a tua família é o Gérmen, a Angie, a Vilu e agora a Clara. E tens a me a mim…a Priscila deixou de ser tua mãe no dia que fez o que fez, será que não entendes eu ia-te perdendo…

— Frederico…foi ela que me deu á luz. Ela é sangue do meu sangue, eu não consigo romper com isso por muito que eu queira não consigo, é um laço eterno. Por favor, eu queria muito que me entendesses…

— Não consigo Ludmila, desculpa mas não consigo. Ela deu-te a vida sim, é verdade, mas também tentou tirar-ta, ou será que te esqueceste o que ela te fez, será que te esqueceste disto…- e afastando um pouco a camisola de Ludmila mostra-lhe a cicatriz que esta tinha um pouco abaixo do ombro.

— Não, não me esqueci…e também não me esqueci que depois disto ela ficou louca, que não dizia coisa com coisa, quando depois disto a fui ver…- as lágrimas corriam-lhe pela cara…- Fede eu amo-te muito, mas em relação á minha mãe…não há nada que possas dizer para me impedir de sentir o que sinto: eu amo-a, e odeio-a ao mesmo tempo mas é minha mãe…

— Faz o que quiseres, eu desisto…- e Frederico sai zangado em direcção ao quarto…Ludmila deixa-se ficar mais um tempo até conseguir secar todas as lágrimas que tem para chorar, e também ela segue para o quarto, amanhã será um novo dia e tem que arrumar a mala e ainda quer ir despedir-se de Vilu.

No dia seguinte, Angie acorda com Gérmen a fazer-lhe festinhas no cabelo, e por um tempo ela deixa-se estar o mais quieta possível, ela adorava acordar com aqueles mimos, porém ele percebe que esta já está acordada e dá-lhe um beijo suave no pescoço que a faz estremecer e virar-se para ele com um sorriso de orelha a orelha e este retribui. Vão-se chegando um ao outro e beijam-se, como se fosse o primeiro…depressa este se torna mais profundo, mais apaixonante…

— Vou ter saudades de acordar assim…- diz Angie continuando aquele beijo…

— Eu também…- e continuam bem juntinhos dando de vez em quando um beijo bem suave…- já marquei o voo, e tenho uma coisa para te dizer…- e assim acabam por se separar…- a Ludmila vai contigo…e antes que digas alguma coisa foi ela que me pediu, ela quer ir ver a Priscila.

— Ela quer ir ver a Priscila? Gérmen, eu sei que ela é mãe dela e tudo o mais, mas lembras-te a ultima vez que lá fomos…eu não sei se será bom para ela…

— Angie, eu não a posso impedir, é mãe dela e depois Ludmila é maior e por muito que não me agrade não posso fazer nada. Mas eu queria pedir-te que vás com ela, eu não sei como vai correr e tenho medo.

— Claro que vou, eu nunca iria deixar a Ludmila sozinha…fica descansado…- alguém bate á porta...- Ludmila entra minha querida.

— Desculpem, já disseste a Angie que vou com ela?

— Sim, o Gérmen já me disse. Tens a certeza que queres ir vê-la?- e antes que ela dissesse alguma coisa Angie continuou…- Lu…a ultima vez que a foste ver…

— Angie, ela é minha mãe, e…por favor eu não quero discutir isto com vocês…o Frederico já está zangado comigo, eu não quero…

— Ludmila…- diz Angie…- nós não te vamos proibir, nem julgar por a quereres ver. Como tu disseste ela é tua mãe e eu percebo-te, só tenho medo por ti.

— Eu sei que só me querem proteger, e o Frederico também…mas eu preciso disto, eu preciso de sentir que sei de onde vim, que ainda tenho alguém que eu possa dizer que é…

— Ludmila, quando aconteceu tudo o que aconteceu e eu me ofereci para ser teu Tutor fi-lo porque já te considerava minha filha…não por pena ou porque me senti na obrigação. Eu amo-te a ti como amo a Violetta e a Clara.- Diz Gérmen abraçando uma Ludmila já com lágrimas a escorrerem-lhe pela cara…- por isso tu terás sempre em nós uma família, um porto de abrigo, uma casa…vamos estar sempre aqui para ti.

— Nós percebemos que a queiras ver, é a tua mãe e nunca vai deixar de ser apesar de todos os erros que tenha cometido…e como disse o Gérmen nós estaremos sempre aqui, para te apoiar, amar e acima de tudo para te ouvir.

— Obrigada Gérmen, Obrigado Angie…eu amo-vos muito…- e abraçam-se como uma família; Ludmila sente realmente que tem uma família com eles e que faz parte dela, mas ao mesmo tempo não consegue simplesmente ignorar que a mãe ainda existe.- Angie, eu queria ir ao Hospital ver a Vilu antes de irmos, queres vir comigo?

— Sim…claro vou-me arranjar e já desço…- Ludmila sai e ficam apenas os dois…- Gérmen eu sei que a Priscila é mãe dela mas, será que lhe faz bem continuar a vê-la…cada vez que sai de lá ela vem de rastos…

— Eu não a posso impedir…e prefiro que ela continue a pedir-nos, pelo menos podemos ir com ela e estar com ela…

— Eu sei, mas não lhe faz bem…da última vez Priscila tentou sufocá-la, para não falar do tiro que ela levou…

— Angie, apesar de tudo é mãe dela e temos que aceitar que ela a queria ir ver. Eu lembrei-me porque não pedes à Naty para ir também, talvez depois lhe soubesse bem passear com uma amiga.

— Sim é uma boa ideia…vou-me arranjar. – Levanta-se e vai para a casa de banho, toma um duche, veste-se e quando sai Clara já estava acordada…e vestida pois Gérmen já a tinha mudado e tratado dela. – Vou ter tantas saudades vossas…- diz pegando em Clarita.

— Não vai ser durante muito tempo…são só dois ou três dias…e a Clarita vai ficar bem.

— Eu sei que a Clara vai ficar bem…o que me preocupa não é ela, és tu, vais ficar bem?

— Não…- e faz uma cara de “bebé chorão”…- vou morrer de saudades tuas…mas vou ter que sobreviver…não tenho alternativa…- e olhando para Clara…- não temos alternativa, não é filha?

— Oh…mas que dois bebés que eu tenho…- e dá um beijo em Clara e quando se aproxima para dar um beijo na bochecha de Gérmen, este vira-se e acabam por se beijar com paixão.

Entretanto na sala já estão todos a tomar o pequeno-almoço, Frederico fala com Leon ignorando Ludmila que está a falar com Tati, sobre Vilu. Finalmente Gérmen, Angie e Clara aparecem e logo começam a comer e a falar com Rosário e com Mercedes, felizmente naquele dia a má disposição de Angie estava melhor, esta reparou que Chica olhava para ela meio que sorrindo.

— Então vais hoje mesmo para Buenos Aires contar a Angélica sobre…

— Ela precisa de saber sobre a Vilu, e isso significa que ela vai querer vir para Sevilha…não tenho outra escolha.

— Espero que não me leves a mal, mas enquanto a tua mãe cá estiver eu não vou deixar a Tati ir ver a Vilu…- diz Luís…

— Mas porquê isso Luís, a Tati vai ficar tristíssima, e se é por causa da minha mãe…

— A Tati é uma criança e apesar de ser muito esperta e inteligente não deixa de ser uma criança sensível, e eu não quero que ela por acidente ouça o que não deva sobre a mãe.

— Luís, não posso dizer-te o que fazer, tu és o pai, mas estás a precipitar as coisas eu ainda nem contei á minha mãe, nem sei como ela vai reagir e já estás preocupado…

— Desculpa, sei que talvez me esteja a precipitar mas não quero que mais ninguém sofra com esta história.

—Tudo bem, eu percebo…bom Gérmen vamos eu quero ir ao hospital ver a Vilu antes de ir. – Levanta-se e dirige-se a Ludmila…- Lu vamos?

— Sim, vamos…- Ludmila despede-se de todos e quando chega até Frederico…ele afasta-se…- Fede, por favor não me faças isto. Por favor entende que ela é importante para mi apesar de tudo...

— Vais mesmo fazer isto? Vais mesmo ver aquela mulher?- Diz Frederico quase gritando com ela.

— “Aquela mulher” como tu dizes é minha mãe, e apesar de tudo o que ela fez existe um vínculo que nos une e que nunca irá ser quebrado…por muito que eu quisesse, e eu não quero, é uma ligação para a vida inteira.

— Eu sei que ela é tua mãe…mas depois do que ela te fez, desculpa eu não percebo como é que ainda a queres ver…

— Eu não estou á espera que percebas…apenas que o aceites por mim.

— Não Ludmila, não consigo, perdoa-me mas não consigo…- e afasta-se subindo para o quarto. Ludmila já tem a cara com lágrimas a escorrerem-lhe sem poder controlá-las.

— Não te preocupes, eu falo com ele…boa viagem. E por favor tem cuidado…eu percebo que a queiras ver mas lembra-te do que ela te fez.

—Obrigada Leon…e não te preocupes eu não vou estar sozinha com ela…nem me iriam deixar depois da ultima vez. E Leon, toma conta dele por mim…não o deixes…não o deixes fazer nenhuma asneira.

— Não te preocupes…eu não deixo, e vou tentar colocar-lhe juízo naquela cabeça.- e abraçam-se os dois…Ludmila ainda com lágrimas nos olhos…e dirige-se ao carro onde já se encontra Angie e Gérmen. Seguem assim os três para o Hospital para que as duas se pudessem despedir de Vilu até regressarem. Gérmen dirige-se á cafetaria ficando lá enquanto Angie e Ludmila se encaminham até ao quarto de Vilu.

— Angie, achas que ela um dia vai acordar? Hoje precisava dela…ela iria saber como falar com o Fede…

— Ela vai acordar sim Ludmila…e em relação ao Frederico, não te preocupes ele vai acabar por aceitar.

— Tu também achas mal que eu a vá ver…- olhando-a nos olhos…- também não concordas pois não?

— Ludmila, eu tenho medo por ti. Mas nunca te iria proibir, nem o Gérmen. Ela é tua mãe, apesar de todos os erros que tenha cometido…e o Frederico vai acabar por perceber.

— Espero bem que sim…como me fazes falta maninha…até para me moeres a cabeça…

— Ela faz falta a muita gente…mas eu sei que ela vai acordar.

Assim ficaram durante um tempo recordando momentos que viveram com Violetta, falando, rindo, chorando…como se ela estivesse ali com elas a reviver tudo aquilo, estivesse ali acordada…passado algum tempo Gérmen veio chamá-la pois estava na hora de voltar para casa, almoçar e pegar nas malas para de seguida irem para o aeroporto. A viagem seria longa ainda fariam escala em Madrid e quando chegassem a Buenos Aires teriam Pablo á espera. Depois de almoço seguiram os três para o aeroporto, Frederico não descera para almoçar, Ludmila sabia que ele estava zangado com a atitude dela, mas também sabia que ele a amava. A viagem até ao aeroporto foi rápida, com Gérmen a pedir a Angie que lhe ligasse assim que chegasse a Buenos Aires, e a pedir a Ludmila que não fosse sozinha ver Priscila e que lhe telefonasse se precisasse de falar…o que fez as duas rir, como se Ludmila falasse com ela sobre aquele assunto, com Angie talvez, com Violetta de certeza mas com Gérmen…seria improvável.

Nessa tarde, foi Gérmen a ir buscar Tati ao portão do hospital, ela vinha feliz pois o tal menino de quem ela gostava tinha-lhe dado um beijo na bochecha mas desta vez perguntou-lhe se podia e ela tinha dito que sim e que agora eram AMIGOS…Gérmen não percebeu muito bem pois pensava que eles já eram amigos…

— Tio Gérmen, tu não percebes nada de amor pois não…- disse Tati olhando para os olhos dele…- nós já eramos amigos mas agora somos AMIGOS…quer dizer que somos mais que amigos…percebeste?

— Acho que sim…mas vocês mulheres são muito complicadas mesmo…- e entram no quarto onde já estava Leon…- Olá Leon.

— Olá Gérmen, Olá Tati. Anda, acho que ela já estava com saudades…

— E como é que tu sabes, ela só aperta a minha mão…- e de repente dá-se conta que falou demais…- Oi Vilu, sabes hoje o Rafael deu-me um beijo na bochecha, mas desta vez pediu-me e eu deixei.

— Já tens namorado, o teu pai sabe?- pergunta Leon meio que inocentemente…

— Não é namorado, é um AMIGO…tu e o Tio Gérmen não percebem nada…mas a Vilu percebe-me não é Vilu?- E de novo apenas Tati sente um leve aperto na sua mão…- vês ela percebe-me…

— Que tal aí a menina do AMIGO especial vir fazer os trabalhos?- diz Gérmen.

— Tio…a Tia Angie foi para Argentina outra vez porquê?

— A Tia Angie foi falar com a avó da Violetta, com a outra avó…

— E essa avó vai vir ver a Vilu? Ela boazinha como a avó Rosário?

— Sim ela vai vir, e sim ela é boazinha. Agora vamos fazer os trabalhos?

E assim começam a estudar os dois, aquilo já tinha virado a rotina quer dela quer dele, ambos adoravam passar aquele tempo juntos. Enquanto isso Leon falava baixinho com Vilu…como ele gosta que ela lhe apertasse a mão dele como fazia com Tati. Os médicos diziam que tudo aquilo era imaginação da menina, mas Leon pressentia que toda aquela história era verdade e que de certa forma Vilu se comunicava com Tati.

Notas finais
Ainda estou a meio do capítulo...mas espero que gostem...