Violeta

3 Capítulo III


Antes mesmo de chegar a sua casa, Violeta caiu no choro, pois sim, a fumaça era da casa dela, e todos olhavam para ela com pena e dó, mas ela não sabia o que tinha acontecido, estava apenas assustada.

Quando finalmente seus olhos viram o que aconteceu, o choro foi maior, ela não podia acreditar no que estava vendo, ninguém podia, nunca havia acontecido uma coisa assim antes naquela região, naquele calmo bairro.

Toda a sua casa estava no chão, e o cheiro de queimado, sim, sua casa havia pegado fogo, sem sobreviventes, apenas Violeta.

Ninguém sabia o que causou a explosão, o que aconteceu e porque aconteceu, ninguém sabia nada, os bombeiros apenas lutavam para apagar o fogo das plantações.

Violeta chorava inconsolavelmente, abraçava o seu ursinho Pooh, pois ele era o único que havia restado, o único que podia fazer companhia a ela, chorava porque não disse 'Eu te amo' a sua mãe antes de sair, porque não havia abraçado seu avô quando chegou da escola, porque mal falou com o seu pai naquele dia.

Senhor Chan tentava consolar ela, mas em vão, todos e ao mesmo tempo ninguém entendia a dor dela.

Agora ela era uma órfã, não tinha pra onde ir, tudo o que tinha era os tios que moravam na Coréia do Sul, mas ela não os conhecia e nem sabia como falar com eles.

Era muita dor para a Violeta, de repente a vista dela começou a escurecer, os ouvidos começaram a fazer um barulho estranho, ela mal podia ouvir a multidão que falava atrás dela, tudo que ela ouvia era o senhor Chan dizendo "Se acalme Violeta, você precisa se acalmar".

....

Puff, Violeta caiu no chão, o choque foi muito grande para ela, ela não aguentou, ela desmaiou, senhor Chan que nunca havia falado com ela, estava ali, gritando por uma ambulância, pedindo ajuda de alguém, e pedindo para que ficasse tudo bem com aquela pobre menina sonhadora.

Logo a ambulância chegou, senhor Chan pegou o ursinho Pooh e suas flores e foi para o hospital acompanhando violeta na ambulância, segurando a mão dela e com os olhos cheios de lagrimas, pois apesar dele não ter muita intimidade com a família dela, e nem ao menos ter falado com ela, ele ficou com pena daquela linda moça que tudo que queria era ficar perto das belas flores.

Parece que tudo contribuía para que a ambulância demorasse para chegar logo no hospital, o transito estava terrível e o hospital era longe, a vontade do senhor Chan era descer da ambulância e fazer todos aqueles carros sumirem para que Violeta pudesse ser atendida logo.

Quando finalmente conseguiram chegar no hospital, aquela demora de hospital publico, muita gente para ser atendida e poucos médicos, mas felizmente ou infelizmente o caso de Violeta era um pouco grave então ela passou na frente.

Conseguiram acordar ela e acalmar o senhor Chan dizendo que tudo ficaria bem e que ele não precisava se preocupar pois estava tudo sobre controle, porém precisaria ficar no hospital por uns dois dias em observação.

Dois dias demoraram para passar mas nesses dois dias o senhor Chan foi visita-la, sempre com o Pooh e algumas flores de seu jardim.

Quando finalmente os dois dias passaram e Violeta saiu do hospital, senhor Chan disse que pegou amor por ela, porém não poderia ficar com ela, mas que ajudaria ela a achar seus tios e ir morar com eles na Coréia.

Não era isso o que Violeta queria.. ela apenas queria que tudo aqui fosse um pesadelo, ela queria acordar, pensava até mesmo em se matar, pois agora a vida dela não tinha mais sentido, as pessoas que ela mais amava agora estavam mortas, a casa onde ela cresceu agora estava no chão, sua plantação estava queimada, ela não tinha para onde ir, ela não tinha onde ficar, ela não sabia o que fazer.

Senhor Chan via o desespero da menina e sentia que devia ajudar de alguma forma, ligou para o seu secretario e pediu para ele de alguma forma achar os tios de Violeta na Coreia do Sul.

Agora não tinha muito o que fazer a não ser esperar, para Violeta sua vida acabou, para o destino, sua vida havia apenas começado.

Por causa dessa catástrofe senhor Chan pôde finalmente se abrir com alguém, pois ele era um homem fechado, diziam que ele era ranzinza, pois não falava com ninguém, tinha um ar de superior, de arrogante, mas como na maioria das pessoas é assim, durão por fora e bom coração por dentro, a bela moça do campo realmente conquistou o seu coração.

Ele começou a falar de sua infância que não foi nada fácil:

_ "Sabe Violeta? Sei exatamente o que você está sentindo, você pode achar que é apenas mais um daqueles discursos que todo mundo faz mas não, minha história é parecida com a sua... ".

Parou por um instante, respirou fundo, olhou para baixo como se fosse dizer algo que doía muito para ele dizer, e voltou o seu olhar, olhando então fixamente nos olhos azuis de Violeta.

_ " Minha mãe morreu no meu parto, muitas vezes me sinto culpado por isso, as vezes penso que se não fosse por mim, ela não teria morrido, talvez tivesse um outro filho e que cuidasse dele com amor e carinho... mas ao mesmo tempo sei que não é minha culpa, não pedi pra nascer, não escolhi... O meu pai, até os meus 6 anos me tratava como um assassino, como um culpado, me odiava, até que um dia eu cai da escada e bati a cabeça... Todo mundo pensou que era o meu fim, eu não lembro direito do que aconteceu naquele dia...Apenas me lembro que quando acordei, meu pai estava ali, ajoelhado do meu lado na cama do hospital, pedindo a Deus para que não me levasse, e pedindo perdão por ter me tratado tão mal.. Naquele momento eu vi que meu pai me amava, e que o ódio pode ser maior que o amor por alguns instantes mas... o amor sempre vence. Desde então o meu pai começou a me amar, me tratar de uma forma que eu nunca havia sido tratado antes, com amor, nós riamos, brincávamos, éramos muito felizes um com o outro, ele sempre me apoiava, me incentivava e me pedia para nunca abandonar o meu sonho, pois se eu realmente tivesse um sonho eu automaticamente correria atrás dele e o realizaria.. se esse sonho fosse verdadeiro..."

_ "Nossa... eu não podia imaginar que a história do senhor era tão triste assim... _ Interrompeu Violeta

_ " É... as aparências enganam" _ Continuou senhor Chan _ " Meu pai foi meu melhor, único e verdadeiro amigo.. É incrível como um acidente muda a vida das pessoas.. para sempre... acho que o destino gosta de dar um chacoalho na vida para que ela melhore, para fazermos algo novo. Meu pai era pedreiro, e sempre quis que eu me tornasse um empresário de sucesso.." _ Respirou fundo mais uma vez, porém dessa vez seus olhos se encheram de lagrima _" Um dia, ele estava fazendo uma construção e...." _ Nesse instante caiu uma lagrima dos olhos do senhor Chan.

_ " Não fique assim.. por favor não chore... " _ Disse Violeta que tentando consola-lo.

_ " Perdi o meu pai aos meus 14 anos de idade... depois disso realizei o sonho do meu pai, e graças a ele eu sou o Senhor Chan, sou quem eu sou " _ Disse enxugando as lagrimas.

Por incrível que pareça a história triste do Senhor Chan fez Violeta se sentir melhor, saber que muitas outras pessoas passaram por dificuldades mas superaram e hoje são pessoas melhores do que eram antes fez ela ter forças para seguir em frente por mais que sentisse falta de sua família.

Todo aquele clima triste foi interrompido por uma ligação.

_ "Alô? "_ Disse o senhor Chan tentando melhorar a voz de choro _ " Como? certo, Obrigada"

Desligou o telefone olhou para Violeta com um leve sorriso no rosto.

_ " Parece que acharam os seus tios na Coreia do Sul... eles já foram avisados de tudo que aconteceu e disseram que queria muito ficar com você, amanha te ponho em um avião para a Coreia.. assim você poderá ficar com alguém da sua família.. tenho certeza que você ficará melhor "

Violeta não sabia como agradecer tudo o que aquele senhor fez por ela... ela queria fazer suas malas para o dia seguinte, mas não tinha nada, apenas o ursinho Povo e algumas flores murchas do dia do acidente.

A empregada do senhor Chan preparou um delicioso cereal para ela comer antes de dormir, claro que ela aceitou, ela amava cereais.. mas antes de comer começou a pensar na sua vida, em tudo que tinha acontecido com ela nesses últimos dias.. começou a sentir falta de seus pais, suas lagrimas apareceram de novo.

Ela já estava sendo vencida pelo cansaço.. comeu logo seu cereal e foi para a cama tentar dormir, era uma cama macia e muito confortável, porém ela não conseguia dormir tudo aquilo que tinha acontecido na sua vida passava como um filme a cada momento em que ela fechava os olhos, ela não conseguia dormir mesmo estando cansada, parecia tortura.

(Continua...)