_Bom dia Lu – Cláudia parecia animada, seus olhos brilhavam, ela trazia uma pequena bolsa em sua mão direita – Olha o que consegui.

_O que? – Luísa sorria, sabia o que ela trazia, claro, ingressos, só poderia ser.

_Seis ingressos para aquela peça que nós queremos ver, – Cláudia segurava oito ingressos em tom pastel em sua mão esquerda – meu, seu, da Lana, da Gi e, claro, dos meninos.

_Que ótimo! – sua alegria era real, esperavam poder ir nessa peça juntos, os oito. – E como você conseguiu?

_Meu pai conseguiu! Contrataram ele para fazer a manutenção do teatro e deram pra ele dez ingressos, eu pedi esses pra gente.

_Adoro seu pai – riram juntas. O sol começava a se por, ambas aguardavam o metrô para voltarem a suas casas.

Aquele foi um dia normal, sem dores de cabeça. Cláudia trabalhava em uma clínica veterinária, e hoje, Jack, o cachorrinho de uma madame apareceu com a patinha machucada, mas nada de mais, ela e o doutor Ruan deram um jeito e agora, Jack está bem.

Luísa trabalhava em uma produtora musical, ainda estava no começo, ajudava na organização. Neste dia, uma banda foi gravar seu primeiro demo, Os Koujas, uma banda que fazia tributo a músicas coreanas, onde o vocalista era um jovem de cabelos ruivos, e não aqueles cabelos pintados de vermelho, esse era ruivo, com direito a sardas e olhos claros. O nome do jovem era Diego, cantava bem.

_Conte a novidade para o Rafael, e não se esqueça, será sexta-feira, temos só mais três dias para comprar roupa e, bom, você sabe, por o papo em dia – Cláudia sorriu ao entrar no metrô que aguardava, Luísa precisaria esperar um pouco mais.

_Pode deixar, eu te ligo! – gritou assim que o metrô começou a se mover.

_Lu! – Lana vinha correndo em sua direção – Cheguei a tempo?

_Chegou sim Lana – Lana sempre chegava atrasada, as vezes até perdia o metrô, Luísa já havia acostumado. Como as duas moravam próximas, as vezes esperava o próximo metrô só para fazer companhia a garota.

_Ai que bom – a menina respirava lentamente, tentando recuperar o fôlego – Eu vi a Cláudia aqui?

_Viu sim, ela acabou de tomar o metrô.

_Que pena, queria falar com ela, ver se ela conseguiu os ingressos, passei no teatro para ver se ainda tinha algum ingresso sobrando e, adivinha… nada.

_Fica tranquila – Luísa olhava para a amiga sorrindo – ela conseguiu ingresso para todas nós e, para eles também.

_Que maravilha – os olhos de Lana brilhavam de alegria.

_Nosso metrô chegou – ambas entraram, sentaram juntas mais para o fundo do vagão, a conversa continuou sendo sobre os ingressos.

– x –

_Alô – Giane descia as escadas de sua casa, do quarto para a sala, o celular no ouvido.

_Tenho novidades ótimas pra você! – Cláudia falava animadíssima.

_Conta logo então, estou indo atender a porta, tem alguém batendo feito um louco.

_Consegui os ingressos do teatro! – Giane parou com a mão na maçaneta, sua expressão se abriu em um largo sorriso e, sem querer, sua voz saiu histérica – Sério!? Que maravilha! Vou contar pro Bruno. Cláudia, espera um pouco? Ainda estão batendo na porta.

_Claro, eu ligo daqui a pouco, vou contar pra Lana.

A porta se abriu com um ranger, no alto de uma escada de três degraus estava um homem, muito bem vestido, trazendo nas mãos um buque de rosas em uma cor rosa viva, usando uma blusa com listras roxa e pretas.

_Bruno! Que surpresa! Entra.

O homem se aproximou e cumprimentou a menina com um demorado beijo nas bochechas, tão demorado que sua pele ruboresceu de vergonha.

_Você parece feliz e… o que foram esses gritos? – O rapaz adentrou a sala, deu meia volta e encarou a menina que ainda segurava o telefone no ouvido, mesmo ele estando desligado.

_AH! A Cláudia conseguiu os ingressos! – e novamente, um sorriso cobriu –lhe a face.

_Sério!? Então vejo que temos duas boas notícias! Ah! – o homem fez uma curta reverencia – São para você, as flores.

_Obrigada, sempre um perfeito cavalheiro. – Giane apanhou as rosas e depositou dentro de um vaso com água. – Qual seria a segunda boa notícia? – a menina estava de costas para o homem, depositou o vaso sobre uma mesa de centro, em frente à TV e virou-se para encará-lo, ao virar, seu coração pulsou mais forte, o rapaz estava ajoelhado e, em sua mão, uma pequena caixinha vermelha, coberta em veludo.

_Você aceita namorar comigo? – ele perguntou, sua voz soou sedutora, seus olhos brilhavam e a aliança reluzia.

_Bruno! Isso é sério? – um fio de lágrima desceu por sua face indo de encontro aos seus lábios que tremiam, há muito tempo desejou ter coragem de chegar e pedir este homem em namoro, fora seu grande amigo por anos e, tudo o que desejou foi ver essa cena… – Mas é claro que sim! Eu te amo!

_E eu também te amo, – disse ele ao colocar a aliança no dedo da jovem – e há muito sinto que deveria te pedir em namoro, hoje, a coragem surgiu em meu peito.

_Você é maravilhoso, com uma surpresa dessas… fico até sem saber o que dizer.

_Você já disse o que eu preciso, me deu um sim. – ambos sorriam, estavam felizes, aquele era um momento muito esperado por ambos.

Em três dias o teatro Phoenix se abriria para uma grande peça, uma jamais vista, uma que mexerá com o coração de cada espectador. A peça nomeada “Doce vingança”, uma peça onde o sangue será exibido como alimento, onde a dor será provada como sustento; uma peça onde a vingança será a chave para o fim.

Notas finais
Este conto está publicado, para mais informações acesse:http://www.regivaldo.com.br/textos/vingancaouhttps://www.amazon.com.br/dp/B00LCCX548
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.