Vingança

24 Perdido


Notas iniciais
Mais uma vez com um mega atraso (replay: sorry, please! ^^), mas postando um cap pequetucho, mas muito importante para entender alguns personagens, principalmente um sumido... Mas não vou falar mais, pois quero que vocês descubram na leitura!^_^
Agradeço de coração a ajuda da Lara, minha querida beta e a todos que ainda leem essa fic, que curto tanto escrever (apesar de todos os trabalhos que amontoam na minha mesa kkkkk, osso do ofício):

A curious, Sarah Kurosaki, Iwa no Narumi (linda que me deixou uma recomendação na fic *_*) e Jenix! Faltam muitos leitores lindos escreverem reviews, mas sei que estão lendo, so espero que estejam curtindo a fic! Não vou cobrar a galera, pois estou atrasando a postar, mas se acham que a fic merece reviews, estejam a vontade, vou adorar ler e responder cada uma! Valeu galera linda... Agora chega de lero e vamos a leitura!^^
JJ

"Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado junto é realidade".

[Raul Seixas]

...

Mais uma vez sua amada irmã era tirada dele, sem que pudesse fazer nada para impedir. Byakuya terminou a importante reunião de acionistas – de uma das empresas ligadas a família – o mais rápido que pode, somente para encontrar Rukia no tribunal. Mas quando chegou, lhe avisaram que ela havia sido levada pelo próprio Yamamoto e, que não lhe informariam para onde.

Tentou usar seu poder para impedir aquela situação ridícula, mas nem mesmo com suas queixas inflamadas, conseguiu arrancar, do assistente de juiz, a localização de sua irmã mais nova.

Estava possesso, andando de um lado a outro naquela ampla sala, onde, horas antes, Urahara entregara as suas constatações ao juiz.

Tessai tentou, inutilmente, acalmar seu jovem líder, mas era algo difícil, já que o rapaz não queria nem pensar em permitir aquele desrespeito para com ele, continuar.

Juushirou retornou à sala, com a resposta de Yamamoto, que recebera por telefonema, visto que o Kuchiki se negava a sair sem saber onde Rukia estava.

– Kuchiki-san? Acabei de conversar com Yamamoto-sama e ele deixou claro que, independente de ações dos seus advogados, a senhorita Rukia estará sob proteção do Estado. Ela foi colocada na proteção de testemunha, já que ela se tornou a peça chave desse caso! – chamou-o com voz incerta, ao ver os olhos frios de Byakuya sobre si.

– Isso é ridículo! Ela estará melhor protegida em minha mansão! E foi ela mesma quem pediu para ficar comigo e...

– Perdão, mas ela aceitou a proposta de Yamamoto-sama... E o advogado dela...

– Não me venha falar daquele moleque! Foi por dar ouvidos a ele que minha irmã foi tirada da segurança de nossa família – gritou irritado.

A máscara de frieza e desinteresse acabava de desabar. O medo de perder Rukia para sempre foi terrível de suportar. Já a havia abandonado uma vez e, jurara que jamais permitiria que isso ocorresse novamente, mas agora como cumpriria sua promessa?

– Sinto muito, Kuchiki-san... Mas se me permite, Rukia-san estará mais segura longe daquele lugar. Afinal, um assassino está à solta e quem garante que não estará atrás dela? – sugeriu com coragem o assistente.

Byakuya se exasperou com aquelas palavras. Agora, mais do que nunca, deveria proteger sua amada e, não ficar esperando que os outros o fizessem.

– Como saberei se ela está bem ou não? Como entraremos em contato? Quem garante que não estão colocando-a em perigo? – falou, tentando aparentar uma calma inexistente.

Juushirou se entristeceu com o desespero daquele imponente rapaz. Queria poder ajudar, mas seu chefe fora incisivo sobre não revelar, nem mesmo a Byakuya, a localização de Rukia.

Tessai, percebendo o silêncio do assistente, entendera que não adiantaria mais ficar ali. Com extremo respeito e cuidado, tocou Byakuya para que saíssem dali. Apesar da insistência do rapaz, conseguiu levá-lo ao carro para não armarem uma cena, já que muitos advogados se amontoavam os corredores para descobrirem quem gritava na sala do juiz principal.

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Yuri arrumava os lençóis da cama de hóspedes com extremo descuido e nervosismo. O futon, ao lado da cama, indicava que a garota não dormia sozinha no quarto.

Só a vira no jantar, quando servira a mesa, mas como tinha sido obrigada a cuidar de outros afazeres, não percebeu quando ela saiu com o tal advogado.

Estava nervosa pela demora do retorno da pequena. Quando deu por si, estava arrumando o quarto sem que ninguém solicitasse.

A porta se abriu e ela quase sentiu alívio, quando um rosto conhecido adentrou o lugar, destruindo suas esperanças.

– Por favor, saia! – Byakuya ordenou, mal olhando no rosto da empregada.

Yuri sorriu com nervosismo, fez uma mesura exagerada e saiu. Observou de soslaio o mordomo e fiel companheiro do rapaz, entrar logo atrás e trancar a porta. Aquilo a confundiu e a deixou curiosa. Com cuidado, verificou se havia alguém no corredor e, percebendo-o vazio, tentou ouvir, através da porta, o que falavam lá dentro.

– O que faremos agora, Tessai? Onde a levaram? Não posso ficar aqui sentado, enquanto aquele juiz maluco tira minha irmã da minha proteção! – escutou a voz de Byakuya em seu estado nervoso.

Franziu a testa e mordeu a ponta do dedo em irritação. Sua inimiga não retornaria à mansão? Depois de todo o trabalho que teve para entrar naquela fortaleza?

Tentou apertar o ouvido na porta para escutar o que o mordomo dizia, mas a voz dele saiu num sussurro que não conseguiu entender. Apertou a mão, furiosa. Aquilo não poderia estar acontecendo.

Correu para o corredor que a levaria para os andares de baixo, na ala de quartos de empregados. Precisava da ajuda de Geon, mais do que nunca.

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Kaien bebericava o conhaque com desgosto. Seu mundo estava completamente ruído e, na reunião de acionistas que participara, isso ficou selado. Perdeu metade de suas ações mais promissoras para outro investidor, já que Byakuya não estava confiante em deixar em suas mãos tamanha responsabilidade.

Tentara saber algo sobre Rukia pelo irmão dela, mas ele nada lhe dissera, somente que estava em consulta com o juiz Yamamoto.

Toda a cena do julgamento de dois anos atrás, lhe povoou a mente e, mais uma vez, aquele sentimento de tristeza e traição lhe consumia.

Pensou em ligar para Kuukaku, já que sabia de seu envolvimento com Urahara – segundo o que vira nos noticiários, o responsável por aquele caso – mas não teve coragem.

Ele a havia levado daquela forma para casa e, todo aquele pesadelo ocorrera. Deveria ter lutado para provar sua inocência, pois sabia, melhor que qualquer um, que Rukia jamais levantaria a mão para machucar ninguém, muito menos os pais que tanto amava.

Mas seu depoimento só servira para piorar as coisas para a noiva. Ele não contou sobre a estranha reação dela com aquela bebida, ou mesmo sobre o garçom desconhecido. Ele conhecia todos naquele restaurante, que frequentava assiduamente e, naquele dia, aquele homem suspeito veio lhe servir, algo descabido, visto que o dono do lugar sempre reservava o mesmo sommelier para atendê-lo.

Estivera tão interessado em convencer Rukia para que acelerassem o processo de casamento, que relegou tudo a sua volta. Perdera a conta de quantas vezes insistiu para que se casassem o quanto antes, mas ela sempre rejeitava com desculpas sem sentido. Sabia do desacordo de Hideki para com sua pessoa. Mas tentou sempre ser um bom homem diante da família para conquistar a todos.

Com irritação, jogou o copo na parede, quebrando-o e manchando o sofá, onde estava sentado. Tudo estava saindo de seu controle e, não suportava o fracasso. Seu fracasso.

Precisava reconquistar Rukia de alguma maneira. Precisava retomar o que lhe era de direito: os bens dos Kuchiki.

Levantou-se cambaleante. Algumas garrafas estavam espalhadas no chão da sala do apartamento. Já não fazia ideia de quantas doses bebera e, sabia que estava perdendo a lucidez para o álcool. Mas se aquilo afastasse aqueles pensamentos, pelo menos por um tempo, seria suficiente.

– Rukia... Por que nada é fácil pra gente? – sussurrou, segurando a cabeça que doía muito.

Quando a conhecera, a primeira coisa que ela fizera questão de lhe dizer sobre sua origem pobre e desconhecida. Contou como lutou para sobreviver à fome com sua adorada avó de consideração e, de como o casal Kuchiki as salvaram. Também lhe revelou tudo sobre as maldades dos outros entes da família, que sempre tentavam tornar sua vida um inferno. Sempre a sentira tão próxima de si, como se ela tivesse o mesmo destino.

Ambos lutaram para superar as dificuldades, os preconceitos impostos e inimizades. Ele sabia, melhor do que ninguém, como era ser desprezado, humilhado por sua condição, até mesmo pela família. Sendo filho bastardo, não teve uma infância simples. Somente Kuukaku lhe respeitava como irmão, mas sabia que era apenas por piedade e nada mais. Nunca recebeu atenção de seu pai e, foi cedo que viu sua bela casa grande se transformar num apartamento de quinta, na pior localização da cidade. Tudo pela irresponsabilidade de seu pai.

Lutou para reconquistar a única empresa que ainda pertencia à família Shiba. Ali conheceu o inferno por conta das humilhações causadas pelos outros empresários, que faziam questão de colocá-lo em seu lugar. Por vezes, pensou em roubar, mas sua dignidade era mais forte do que isso.

Passava noites em claro, enquanto terminava relatórios extensos de possíveis negócios, e trabalhos escolares da faculdade de Administração.

Foi na faculdade que a conheceu.

Sempre acabava dormindo nas aulas, por conta do cansaço e, por essa razão era o motivo de chacota dos colegas. Pela idade, já deveria ter terminado a faculdade há tempos, mas não conseguira dinheiro para isso. Somente depois de anos de reserva e investimentos, retornou aos estudos.

Rukia foi à única colega, a mais nova da sala, que se preocupou com sua saúde. Sempre anotava as aulas para ele e, não demorou muito para se tornarem amigos.

Ele acabou descobrindo que ela era a famosa princesinha da família Kuchiki e, viu ali uma chance de conseguir crescer. Tentara seduzi-la depois de ganhar sua confiança. Enquanto a garota lhe doava amizade, carinho e compreensão, ele tentava lhe tirar vantagem por ser rica.

Nem mesmo depois de ela dizer ser adotada e vir de alguma família pobre, ele foi capaz de frear seus planos. Ficou enlevado quando ela lhe aceitou como namorado, apesar da diferença de idade. E foi quando percebeu que não seria nada fácil conseguir o que queria.

Rukia era uma menina especial. Diferente de suas namoradas anteriores, conseguir um beijo dela era uma odisseia, quanto mais levá-la para a cama. Jamais conseguiu nada além de selinhos ou abraços. Ela exigia respeito e se portava com uma dignidade de freira perto de qualquer pessoa.

Então descobriu alguns pontos fracos da garota: ela nunca estava satisfeita consigo mesma e, sentia-se inferior aos outros familiares; tinha pouca autoestima. Por isso, sempre se esforçava mais do que podia suportar e mantinha silêncio, quanto às humilhações que lhe faziam, omitindo-as aos pais adotivos para não preocupá-los.

Foi nessa fraqueza, que conseguiu a confiança e o respeito de garota. Deu-lhe ânimo, ensinou-a a ser mais confiante, elogiando-a, cortejando-a com muito respeito e, consolidou seu namoro em noivado, indiferente ao sentimento contrário de Hideki e Byakuya, que resolveu se unir ao descontentamento do pai.

O pouco tempo que conviveu com Rukia sentiu a felicidade que sempre buscara, mas jogou tudo fora por dinheiro e poder. E agora, além de perder o apoio dos Kuchiki e o sucesso em seus negócios, perdera também a única mulher que lhe respeitou e amou.

– Rukia... Como faço para te ter de volta? – choramingou, vertendo, pela primeira vez em sua vida, lágrimas de angústia e frustração.

Encostou-se à parede e se deixou escorregar ao chão, abatido e desconsolado. Nunca imaginou uma situação como aquela. Jamais percebeu o quanto era culpado pela prisão de Rukia. Antes, pensar nela como assassina, o livrava de sua própria covardia. Mas agora saber de sua inocência, o fazia se sentir culpado até a fibra do cabelo.

Não era homem de se arrepender de nada que fazia, mas agora já não tinha confiança em mais nada, nem em seu próprio orgulho: em si mesmo.

O telefone tocou como um sino, anunciando sua libertação daquele pesadelo. Kaien se levantou rápido e atendeu, surpreendendo- se com a voz que há tanto não escutava.

– Kuu-ka-ku? – questionou surpreso, já que a irmã não se comunicava há anos.

– Precisamos de sua ajuda, Kaien! Não, Rukia precisa de sua ajuda! – ouviu-a, atônito com cada palavra.

Quem precisava ser salvo por Rukia era ele e, não o contrário, pensou enquanto tentava processar aquelas informações, enquanto do outro lado da linha, recebia instruções de como chegar até a garota.

Aos poucos seu coração dava saltos de alegria. Finalmente poderia revê-la e pedir perdão. Não perderia essa oportunidade por nada. Mas por outro lado, uma preocupação estranha e crescente lhe preenchia.

Rukia. Sua Rukia, estava correndo perigo.

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Vocabulário

Sommelier: ou escanção (português europeu) é um profissional especializado, encarregado em conhecer os vinhos, cervejas, ou outros tipos de bebidas, e de todos os assuntos relacionados ao serviço deste. Adicionalmente, cuida da compra, armazenamento e rotação de adegas e elabora cartas de vinho em restaurantes. Na Antiguidade, o escanção era quem vertia o vinho nos copos dos convivas, nos banquetes.

Notas finais
Espero vocês no próximo capítulo, ok? Temos muito a revelar!^^ Bom finzinho de semana a todos! Inté mais ver, galera!
JJ