Vingança

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Yey!
Eu geralmente escrevo em primeira pessoa e tentei mudar um pouco, por isso não esta tão boa e pode estar um tanto quanto confusa, mas espero que gostem.

A decoração extremamente branca doía-lhe os olhos, os tons fracos de rosa eram quase invisíveis e todas aquelas flores lhe faziam espirrar. Ao se olhar no espelho, não se reconhecia. Os cabelos negros caindo até a cintura, os olhos igualmente pretos e a pele parda não pertenciam àquele vestido branco bufante cheio de rendas, e aquele véu, ah Deuses, aquele véu definitivamente não ficava bonito em seu cabelo.

-Chegou a hora, Rainha.

-Só depois da cerimônia Jeff, enquanto isso pode me chamar de Samantha. Na verdade, nunca deixe de me chamar de Samantha.

-Clara senhorita Black.

-Samantha! – Se conheciam há tanto tempo, conseguiam perceber os reais sentimentos um do outro com uma troca de olhares. – Prometa me matar quando isso acabar.

-Menos, Sam. É um motivo nobre – A jovem Samantha Black estava cansada de ouvir coisas assim, estava prestes a casar-se obrigada, com um homem o qual sentia repulsa para salvar a vida do pai, que fora considerado traidor do reino ao ser pego estudando feitiçaria. – Olha, ele é apaixonado por você, Black. Isso é bom.

-Mas eu não tenho simpatia nenhuma por ele, o detesto. – Suspirou – Gostaria que meu pai entrasse comigo, assim eu poderia xinga-lo durante o caminho para o altar. – Trocando olhares abatidos e deixaram o pequeno cômodo.

[...]

O tapete vermelho lembrava-lhe vinho, e só os Deuses sabiam como ela queria um barril de vinho. Sua mente perdeu-se nos padrinhos da esquerda, que se apalpavam na ilusão de que ninguém repararia, segurou a risada e olhou para seu futuro marido que sorria ao fim do extenso caminho cor de sangue.

-Sinto muito que tenha que ser assim, Samantha. – segurou-a pelos braços gentilmente, conduzindo-a frente do cerimonialista.

-Não, não sente. – Segurou um gemido de dor ao ser beliscada pelo melhor amigo e suspirou, contando cada segundo para que aquilo acabasse. Olhou para os lados em busca de Jeff, em busca de consolo, e sua ausência fez seu coração apertar. Ela precisava dele agora, precisava de apoio e ele simplesmente a abandonara.

-Samantha¿ — O apertão suave no braço esquerdo a despertou de seus pensamentos

-Hm¿ Ah sim, perdão. Sim, eu aceito. –Estava feito, seu pai estava livre da morte e ela, condenada a infelicidade.

-Minha Rainha¿ — Pegou a mão que lhe fora estendida e deu seu melhor sorriso, Jeff tinha lhe dito para manter as aparências. A música suave amenizava a situação, estava tornando-se suportável, enquanto deslizavam pelo salão em uma harmonia admirável seus pensamentos não estavam em Jeff ou em seu pai, nem em sua mãe, pensava apenas que talvez pudesse ser feliz naquele casamento.

-Meus parabéns Majestades! Ah, quem diria que veria esse menino casando. Ainda lembro-me de quando não conseguia empunhar uma espada. – Samantha não pode evitar rir ao imaginar o rei, forte e imponente sem conseguir segurar a espada. Após as felicitações conseguiram finalmente sentar e comer, e a companhia se tornava agradável.

-Realmente sinto muito que tenha sido assim, Sam. Posso te chamar de Sam¿

-Claro, meu rei.

-Me chame de Vincent, por favor. Olha, eu só quis lhe ajudar, poupar seu pai, afinal, ninguém vai matar o pai da rainha, sinto muito Sam.

-Não se desculpe, Vincent. Sou-lhe muito grata por salvar meu pai. Eu só não entendo...

-Feitiçaria é crime, todos os cidadãos do reino sabem. Seu pai teve muita coragem ao fazê-lo.

-Minha mãe era feiticeira... Samira Lancaster lembra-se¿ Você... Você a queimou viva.

-Dai sua apatia por mim, entendo. Há anos atrás, um grupo de cinco bruxos apareceu na cidade, seus poderes eram incríveis, impressionantes e toda a população ficou encantada. Não apresentavam nenhum perigo á principio, então, meu pai permitiu que ficassem sem intrometer-se em suas ações. Thassarian tinha seus próprios feiticeiros, que ao ver como os cinco haviam sido bem recebidos, sentiram-se a vontade para mostrar-se, juntando-se assim ao grupo, que de cinco feiticeiros passaram a ser oito. Assim que sua mãe juntou-se a eles. Estavam praticando seus feitiços quando meu pai interviu pela primeira vez, advertindo-os por testar magia com cidadãos, exigindo que parassem com tais atos ou seriam expulsos do reino, ou até condenados a morte. O grupo se sentiu ofendido, mas não se intimidou, continuaram com suas magias como de costume. Meu pai sempre foi um homem de palavra, e condenou um dos oito a morte, para que servisse de lição para os outros, que juraram vingança. Eles ficaram em Thassarian por exatos dois verões, nem um segundo a mais. E quando partiram levaram a alma de meu pai com eles. Antes que todos pudessem fugir, os guardas conseguiram capturar três dos sete restantes, entre eles sua mãe. Eu tinha apenas dez anos e tive de assumir o trono, tive de arcar com todas as responsabilidades. E como minha primeira ordem, vinguei meu pai.

-Teria feito o mesmo em seu lugar.

-Não chore minha rainha. – Enxugou as lágrimas que caíam com cuidado, sorrindo com afeto. – Não posso lhe dizer que sinto muito por isso, perdão. – Admitiu sincero.

[...]

Já era tarde da noite quando a festa acabou não havia sobrado um barril de vinho sequer e restaram apenas os dois. O castelo parecia muito maior agora, escuro e frio. Diferente de todo o resto do castelo, seu aposento era quente e confortável, o barulho da lenha queimando na lareira dava-lhe sono.

-Não pode me culpar para sempre, Sam.

-Não o culpo. Não mais. – Nas escadas, era possível ouvir que alguém estava a caminho, alto de mais para uma só pessoa, alto de mais para que fosse uma pessoa.

A porta do quarto abriu com um estrondo, um cavalo e um cavaleiro de armadura prata estavam parados a sua frente.

-Que diabos é isso¿ Saia daqui imediatamente e talvez eu o deixe vivo!

-Perdão Majestade, mas não sirvo a você. – Avançou na direção do rei acertando sua nuca com o punho da espada. –Rápido! Rápido!

Samantha pegou duas capas, desceu as escadas de três em três degraus, correu para os estábulos e montou no primeiro cavalo que viu, cavalgando madrugada a fora desesperada atrás de seu rei. Tinha perdido a mãe, quase tinha perdido o pai, não fazia ideia de onde estava o melhor amigo e acabava de perder o marido, os Deuses só podiam odiá-la.

Cavalgou a noite toda até chegar a um bosque vazio, seu cavalo clamava por descanso e ela teve de ceder, amarrou-o a uma arvore próxima e arranjou-lhe o que comer. Um brilhou incomodou seus olhos, chamando sua atenção e ao longe avistou o elmo prateado ao lado do cavalo branco. Correu até lá, deparando-se com seu rei ainda desmaiado e o cavaleiro ausente de armadura, junto a um velho de cabelos tão brancos quanto à neve.

-Pai! O senhor está bem¿ -Abraçou-o apertado – O senhor nunca mais, nunca mais vai chegar perto de algo relacionado à magia, nunca!

-Heh, acho que você é quem manda agora, querida.

-Ah Jeff, você está bem¿ Está ferido¿ Deuses, muito obrigada!

-Calma Sam, correu tudo bem, tal como planejamos. –Abraçou-a carinhosamente, ambos aliviados.

-Como conseguiu entrar no castelo¿ Como chegou com o cavalo até lá¿

-Sabe, guardas não são tão atentos de madrugada, quando o sono começa a se fazer mais forte. – Os gemidos do rei atraíram a atenção do trio. Samantha aproximou-se, cortou as amarras que prendiam seus pulsos e beijou-lhe suavemente ‘’Estou aqui, meu rei’’, tirou a capa que tinha sobre as costas e jogou sobre Vincent, deitou-o no chão e empunhou a espada de seu melhor amigo.

-Você vingou seu pai, Vince. Agora, eu vingo minha mãe.

Notas finais
Espero que tenham gostado, see ya!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!