Vingança
1 Capítulo Único
Acordei e lembrei que enfrentaria Molly hoje, meu nome apareceu ao lado do dela no quadro negro pela noite. Ela era forte, mas minha fúria era maior. A garota havia insultado minha família desde que a notícia sobre minha antiga facção tinha aparecido no jornal. Abnegação não é uma facção corrupta e as famílias eram pacíficas, aliás eu sabia disso vivi dezesseis anos da minha vida dentro dela, eu sabia do que estavam falando. Criticar Marcus por bater em seu filho Tobias era crueldade, Tobias não havia escolhido outra facção por causa disso. Aliás, ninguém sabe onde ele está.
Vesti minhas roupas de treinamento, ainda estávamos na primeira fase e minha pontuação era péssima. Hoje eu iria mostrar quem é Tris e o que ela pode fazer. O dormitório estava agitado, mas não me importava, eu preferia permanecer concentrada para o que viria a acontecer.Sai do dormitório rumo ao refeitório e Cris me acompanhou, perguntou sem fôlego ao correr até minha direção:- Está tão brava assim com Molly?Não respondi a pergunta, apenas procurei um espaço vazio dentre tantas mesas e sentei. Abri um pão e coloquei presunto e queijo dentro, mordendo em silêncio, por mais que Cris fizesse caretas e estranhasse minha atitude. Ao terminar a refeição não me importei de sair sozinha do refeitório, os corredores da Audácia eram escuros mesmo quando o sol raiava lá fora. Eu já me acostumei com isso, no começo era muito esquisito, tudo era diferente!- Bom dia – uma voz disse ao pé do meu ouvido, era Quatro, meu treinador.- Bom dia – retribui.- Observei você no café da manhã hoje. Estava diferente.- Diferente?! – ri.Eu não queria ter encontrado com ele nesse momento, estava focada e ele me desconcentrava por completo. Continuávamos em silêncio um encarando o outro até que ele fez o favor de cortar aquele momento estranho.- Siga-me.Eu o segui e sabia muito bem onde me levaria. Até a sala de treinamento. Todos os aparelhos estavam posicionados para que eu e os demais membros escalados pudessem lutar naquele dia. Então, Quatro parou do lado do saco de areia.- Vamos, soque!Franzi a testa estranhando sua atitude. A luta aconteceria daqui alguns minutos, todos iam entrar na sala e eu não queria minha mão doendo, queria que elas doessem depois de minha luta e não antes. Queria acertar cada soco e desviar de cada movimento de Molly.- Tris, você é rápida. Conseguirá desviar de cada movimento dela, mas não é tão forte. Isso que quero te mostrar. Então, quando for atingi-la foque no pescoço e tente derrubar ela o quanto antes para que ela não tenha a oportunidade de te acertar quando estiver cansada de desviar.Uma boa dica, mas ele podia ter me falado isso semanas atrás, para que serve um treinador mesmo? Continuem em silêncio, odiava quando ele falava de última hora.- Por que está me dizendo isso agora?- Porque percebi como estava hoje mais cedo e senti que precisava lhe dizer. Aliás,um atleta não pode chegar à competição muito motivado se nunca foi posto à prova.Quatro estava certo e sabia que estava, pois sorriu ao terminar a sua fala. E atravessou o salão até o outro lado, pois Eric e os iniciados entraram logo em seguida se acomodando em seus lugares. E as duplas sendo chamadas até o centro para lutarem. As regras eram simples: derrubar o adversário e não desistir por mais que esteja difícil. Isso era a Audácia!- Tris e Molly! – chamou Eric.Nos posicionamos no centro. Ela subiu na plataforma e estampava umsorriso no rosto.- Aquilo nas suas nádegas são marcas de nascença, Careta? — falou irônica, soltando uma gargalhada.Eu sabia do que ela falava, Molly me provocaria até o fim. Apenas criava essa frase para insinuar que meu pai havia me batido quando era menor, como dizia naquele maldito jornal. Mesmo com toda ira dentro de mim esperei ela dar o primeiro golpe e me desviei e enterro um soco em sua barriga que à faz perder o fôlego.Ela não estava mais sorrindo, o soco realmente tinha a machucado. Ela levantou os punhos novamente e socou o ar sem coordenação e soquei sua orelha que estava desprotegida. O próximo soco bloqueei com o antebraço e ela depositara seu peso em apenas um soco. E antes que ela voltasse o braço para proteger o rosto jogo meu cotovelo em seu queixo e isso faz com que saia sangue de suas narinas.Então a observo quando se afasta, Molly protege o rosto com os punhos fechados, focando em proteger o nariz e a bochecha. Assim como eu e esquece de proteger a barriga e as costelas. Eu e Molly tínhamos as mesmas falhas em um combate.Ela se recupera e me encara, antes dela atacar, soco sua barriga na altura do umbigo onde está desprotegido e quando ela recupera o fôlego dou-lhe uma rasteira e Molly cai no chão e então chuto suas costelas com toda minha força.A garota se encolhe e eu a chuto novamente e puxo meu pé mais uma vez para trás para chutá-la, mas Quatro puxa o meu braço para trás me afastando da menina. Observo minha adversária no chão com o rosto todo coberto de sangue.
- Você venceu – murmurou Quatro – agora pare!Enxugo o suor de minha testa e viro-me, a expressão do meu treinador era diferente, como de espanto, como se ele tivesse acabado de descobrir que conseguia fazer algo tão grande. Eu não era mais a garota Careta da Abnegação!- Melhor você ir embora – diz ele – Vá dar uma volta!-Estou bemagora – disse.Eu não estava arrependida. Aquilo tinha sido minha vingança.FIM
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