Vingança.
1 Vingança.
E mais uma vez como na clássica cena onde Coop Burtonburger e o gato roxo e careca Sr Gato brigam mais uma vez, uma sessão de socos e arranhões na luta para o que o garoto de cabelos castanhos diz “Salvar a Terra.”
-Deixa o Sr Gato em paz. –Milly chegou rapidamente puxando o gato que estava com as unhas fincadas n pele de Coop.
-Já estou cansado da briga de vocês, por que estão brigando dessa vez?-O pai surgiu fitando Coop com uma expressão reprovativa, o comportamento do filho em sua opinião estava sendo o mais desprezível possível.
-O gato estava fazendo um foguete e iria usar o satélite pra destruir a terra e... –Fitou os dois. –Vocês não acreditam não é?-Desistiu.
-O Sr Gato é só um gato. –A irmã ajeitou os óculos, já não era uma vez que tentava convencer que o animal de imensos olhos negros não passava de um inocente bichano.
-Ai Coop, você ataca o gato e ainda destrói os gnomos da Sra Manson. –O homem bateu na própria testa. –Não tem uma desculpa para...
-BURTONBURGER. –O grito da vizinha velha e gorda foi escutado, um grito que assustou ao pai e filho, com exceção de Milly e o Sr Gato que apenas ria. Ponto para o alienígena roxo.
-Estou indo Sr Mason. –Tremendo de medo o pai se dirigiu ao quintal vizinho.
Depois de muitos gritos e reclamação com relação a Coop ter destruído todo o seu quintal, não bastava a punição de consertar o gramado, as flores e os gnomos o garoto ainda estava de castigo. Sentado em sua beliche com a cara emburrada e fazendo bico, o ok toque verde emitia uma voz infantil, porém masculina.
-Coop... Coop... –A voz cessou quando a criança apertou o botão.
-É Dennis, o gato me pegou de novo. –Reclamou. –Eu estou cansado de ninguém acreditar em mim.
-Puxa, pelo visto você teve um péssimo dia.
-Quando é que eu não tenho?-Coop perguntou sarcástico, andou até a janela fitando a vista lá fora, o quintal da velha Manson até avistar a figura mais ou menos de sua altura, só que feminina, cabelos longos e loiros presos num rabo de cavalo, usava um vestido azul com um cinto mais claro destacando, sapatos pretos. Ela chutava uma bola de futebol contra a cerca de madeira, diminuindo a força enquanto chutava, pois não queria ter que aturar mais uma bronca da tia ranzinza, que para a infelicidade do garoto Burtonburger. Era a Sr Manson. –Como pode alguém tem legal ser sobrinha da senhora Manson?
-Está olhando a Fiona de novo não é?-Dennis deduziu. –Por que você não fala pra ela que gosta dela?Já a beijou uma vez.
-Espera aí, eu não te falei do beijo. Como você sabe?
-Hehe. –Mesmo através do ok toque, percebia-se um tom de disfarce na voz do garoto de cabelos negros.
-Está me espionando?-Perguntou Coop desconfiado.
-Foi sem querer, eu estava atento nas atividades do gato e acabei vendo você espiando a Fiona. –Confessou. –Me desculpa, Coop.
-Tudo bem, mas isso é estranho.
-O que te impede de falar com a Fiona?-Perguntou Dennis.
-Duas coisas, o gato e... –Foi interrompido pela voz da velha Manson que chamava a sobrinha a gritos, e no tom ranzinza de sempre. –E a Sr Manson. –Respondeu.
Desanimado Coop pôs ao lado no colchão, encarando o gato que estava apenas parado na porta com um sorriso diabólico como se estivesse zombando do garoto, como se estivesse falando “venci de novo idiota”. Saiu andando para o quarto de Milly dando as costas para o seu “inimigo”, que naquele planeta era considerado Coop, este esbravejava, rosnava e até xingava palavras de baixo calão num murmúrio pra si mesmo.
-Esse gato vai me pagar. –Foi a única coisa que soou alta, mas escapada de sua boca.
Sem mais o que fazer no quarto, apenas na companhia de videogame e jogos repetidos o tédio do garoto de cabelo castanho era grande, a noite demorou pra chegar até que finalmente a lua estava no céu e a família Burtonburger reunida na sala de jantar, comendo macarrão com queijo preparado pelo pai. Não se sabe muito sobre a mãe de Coop, muitas vezes o garoto perguntava ao pai sobre o paradeiro dela e ele não sabia o que dizer, na maioria das vezes preferindo evitar o assunto até que nele nunca mais se tocou. Nem Milly, nem Coop e nem o pai, mas viviam como uma família feliz. Até o Sr Gato chegar e fazer da vida de Coop um inferno.
-Coop eu sei que está com raiva, mas faço isso pra...
-Pra assumir minhas responsabilidades, já sei. –O garoto repetiu entediado, já ouvira aquele “bla bla bla” do pai repetidas vezes. Já estava cansado de sempre levar a culpa e aquele bicho careca (apelido no qual se referia ao gato) ficar ali impune sem levar a culpa de nada. –Já terminei de jantar, vou subir agora.
-Talvez ele precise de um tempo sozinho Milly. –O homem cochichou a filha menor.
-O Coop é um cabeça oca. –A de óculos pulou da cadeira pegando o bichano roxo no colo. –Vem Sr Gato, é hora de dormir.
O de cabelos castanhos se mexia na cama, ele mal conseguia dormir não só por causa do calor da noite, sem poder sair pra brincar e cansar o corpo não teria mais nada que o faria dormir mais rápido, não havia cansaço para isso. Uma coisa rápida voou pelo quarto e bateu no nariz de Coop, este se levantou rapidamente se deparando com uma bola de papel amassado no chão. Pulou da beliche abrindo um pouco aflito, sentia um certo medo que chegou a exitar. E se fosse mais uma das armadilhas do gato?Pensava no qual seria ao certo, se abrir ou se jogava fora e deixasse pra lá, desafiando a si mesmo tentando chegar a uma conclusão. Quando se dava conta o garoto já abria o papel, o suor escorria pelo seu rosto, mas estava preparado para o que podia vir.
-Hã?-Arregalou os olhos.
“Caro Coop”
“Eu irei embora amanhã, mas a minha tia Manson está fazendo de tudo para que eu não me encontrasse com você. Eu quero muito.
As 10:00 me encontre num parquinho para um piquenique, só você e eu.”
“Fiona”
-Ah Fiona. –Coop abraçou ao bilhete, sorrindo feito um bobo apaixonado. –Se ela soubesse que estou de castigo... Mas, é a última noite dela aqui e eu não quero estragar... Espere por mim Fiona.
O garoto saiu do seu quarto, descendo com cuidado as escadas em plena escuridão da casa. De fininho até a cozinha, abriu a porta de vidro e fechando-a sem fazer barulho. Estava acostumado com essas fugas noturnas para impedir o gato diversas vezes, seja lá o que o alienígena estivesse aprontando.
Correu entusiasmado até que chegou ao parquinho, estava vazio e lá perto da caixa de areia estava o pano bem forrado no chão, a cesta bem arrumada e refrigerantes.
-Fiona. –Coop chamou. –Fiona, estou aqui.
-Oi Coop. –Uma voz doce e suave surgiu. Tão familiar para Coop que deu um pulo indo parar em cima da grade, totalmente pendurado.
–Febe.
-Eu vim correndo quando recebi a sua carta. –A jovem de roupa rosa falava alegre, olhando para algum lugar enquanto fantasiava. –Quem iria imaginar, nós dois a sós num piquinique.
-Espera aí. –Na surpresa Coop se soltou da grade caindo de cara no chão. –Ai... –Se levantou limpando as roupas, fazendo “não” com a cabeça. –Que carta?Eu estava esp... –Caiu em si. –Gato. –Esbravejou.
-Hã?Esta carta. –Febe mostrou a carta para Coop que imediatamente pegou das mãos da garota.
-Mas... –O garoto olhava a carta assustado. Em sua mente tinha certeza que era obra do gato, teve a confirmação quando viu o bichano escondido com um sorriso diabólico e satisfeito, o alienígena acenou cinicamente e deu as costas a Coop como sempre, até o garoto querer ir atrás dele. Mas, teve o braço segurado por Febe.
-O que significa isso?Primeiro você manda um bilhete para eu te encontrar aqui e depois foge?O que está pensando?-Os olhos de Febe já marejavam com as lágrimas que teimavam em sair.
-Foi o gato. –Mais uma vez Coop culpou ao Sr Gato.
-O gato, sempre o gato. –Falou já de saco cheio por tanto ouvir aquela resposta. –Até quando você vai culpar o Sr Gato. –Riu desanimada. –Mas eu devia imaginar, que você não iria vir para cá no meio da noite.
-Na verdade eu estava mesmo esperando a...
-A Fiona não é?-Febe se virou triste, ficando de costas para Coop.
Uma ponta de culpa bateu no peito do garoto, Febe estava agindo como os outros agiam consigo, todos lhe viravam as costas quando tentava contar os planos de dominação global do Sr Gato. Estava acostumado a todos lhe darem as costas, seu pai, sua irmã, a Sra Manson, Lorney e Harley, com exceção de seu amigo Dennis, mas era diferente. A pessoa que mais gostava de Coop, estava dando as costas para ele. “Não a Febe” – Foi o que pensava.
-Febe espera. –Coop tentou conversar. –Eu...
-Vai embora Coop. –Foi a última coisa que disse, até ser puxada e silenciada pelos lábios do garoto que tocaram aos seus, dando um beijo calmo e demorado. A garota estava surpresa, beijando Coop?O garoto quem sempre fugia dela?Era bom demais pra ser verdade, mas retribuiu mesmo assim até os dois separarem os lábios. –C-Coop...
-Shhh... –Pousou dois dedos sobre seus lábios. –É o nosso segredo. –O garoto de cabelo castanho sorriu. –Melhor você ir pra casa agora, está tarde.
-Pela primeira vez na vida eu irei dormir bem. –A de roupa rosa saiu andando para sua casa, com um sorriso bobo e apaixonado no rosto. A casa dela ficava do outro lado da rua então não tinha perigo.
-Até amanhã Febe. –Coop se despediu, limpando em seguida a boca com o braço. –Arg eu beijei a Febe, aquele gato vai me pagar.
Seguiu batendo o pé para sua casa, trincando os dentes entrou e seguiu para o quarto de Milly que estava dormindo tranquilamente e por incrível que parecia, Sr Gato estava dormindo ao seu lado com a garota o abraçando. Coop suspirou e saiu do quarto deixando o quarto da irmã, o gato roxo abriu um olho e riu baixo.
No dia seguinte o garoto seguia para a escola, um certo e familiar sentimento de culpa batia novamente em seu peito, juntamente com um medo que apitava em sua cabeça. Como se dissesse para “não ir a escola”. Desobedeceu, entrou no lugar passando pelos colegas de classe que riam do garoto e ele nem sabia por que, sentando-se apenas em seu lugar quieto até a aula começar. Não parava de pensar na noite anterior em que enganava Febe para poder ir pra casa, era certo?
-Muito bem classe. –A professora entrou. –Vamos começar a aula de hoje com uns...
A luz havia se apagado na sala de aula, as cortinas rapidamente fechadas e quando se deram conta, uma luz havia surgido na parede até criar uma imagem. A imagem engraçada aos olhos de uns, mas assustadora aos olhos de Coop, todos estavam vendo ali na sala, de Coop beijando Febe.
-Grr, gato. –Resmungou Coop, se levantou da cadeira e fugiu da aula o mais rápido possível. Correu tanto que tomava fôlego no corredor, encarando ao gato que estava ali parado e rindo do garoto. –Agora você tá morto.
-Então Coop?Como é se sentir humilhado?-A voz de Febe surgiu atrás de Coop, a garota encarava ele com os olhos inchados, como se tivesse chorado a noite anterior.
-Febe, foi você que...?
-Sim Coop fui eu. –A de roupa rosa confessou. –Eu esperava tanto tempo por você, mas você só ficava fissurado na Fiona... –A voz estava ficando chorosa, suspirou. -Sempre a Fiona, quando não é ela é esse gato. –Apontou para o bichano roxo que apenas se fingia de inocente. –Não dá Coop, essa sua obsessão afasta todo mundo que gosta de você. –Febe se virou de costas. –Não se preocupe, não vou mais te perseguir. –Saiu andando. –Vou deixar tudo como está e quando nos encontrarmos novamente, eu vou lhe ignorar.
Coop engoliu em seco, impressionado com a atitude de Febe. Não esperava aquilo dela e mesmo fugindo da garota, a considerava como amiga pra brincar de pique bandeira ou outras coisas de criança. Mas, agora ele deixou de falar com ele e isso seria um alívio, mas seria estranho. O que era mais estranho era que quem humilhou ele...
Pela primeira vez, não havia sido o gato.
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