Vingador Vol. II
7 6. I walk the Line
Notas iniciais

Quando abriu os olhos naquela manhã, Sakura não podia ter mais certeza de que gostaria que a noite fosse um sonho.
Ela se sentou e inspirou o ar do quarto, olhando em volta, levantou e foi até o banheiro. Quando Danica chegou, ela já estava vestindo uma saia xadreza escura, meia calça escura e um suéter de cor salmão, mangas longas com laços pretos, bem como o cabelo escovado da melhor maneira possível.
“— Quando estiver encrencada, seja a coisa mais fofa do mundo, ou próximo disso”
Estranhamente esse conselho veio de Robin, Sakura não conseguia enxerga-la como alguém fofa, então se perguntava como ela fazia para se livrar das encrencas. Gostaria de ter tempo de ligar para as duas, mas esperaria saber o que a esperava.
— Lady Veena a está esperando no solar – Danica declarou, o tom uma nota mais ressecada que fez Sakura se encolher mais um pouco.
— E-eu já vou – Disse, andando de um lado para o outro sem saber o que fazer exatamente para se acalmar sob o olhar da empregada que esperava pacientemente seu acesso de pânico passar.
Sakura correu até a mesa onde ficava a gaiola de Plum, pegou-o de lá, ainda todo sonolento, e pediu desculpas baixinho, pois iria usá-lo para se sentir menos sozinha na hora do julgamento. Uma pena ele não poder ser seu advogado, apesar que ela não estaria tão bem se tivesse um hamster dorminhoco para isso.
O levou entre as mãos e seguiu para fora do quarto, seguida por Danica, ela se apressou até o solar, este era um pedaço da casa que era quase uma estufa, o teto era envidraçado, permitindo a entrada do sol, e as roseiras que Mikoto cuidava ela mesma quando podia, podando-as pacientemente, ficavam em canteiros que formavam um círculo na sala, com aberturas apenas para a passagem cujo centro, ficava uma mesa de madeira redonda com quatro cadeiras, onde Veena geralmente fazia o dejejum sozinha, ou trabalhava.
Sabendo que aquele era um espaço ao qual a mulher dedicava visível maior apreço, Sakura sempre fez questão de não se aproximar muito, também tinha medo de tocar nas adoradas roseiras com flores de um vermelho vivo, pétalas generosas e perfume latente.
Podia contar nos dedos as vezes em que fora chamada para comer naquele aposento, na primeira, foi quando havia acabado de chegar na Inglaterra, e elas conversaram sobre sua adaptação dali para frente, na segunda, foi sobre sua entrada na faculdade, e a terceira... Sobre estar noiva do filho sem rosto de Veena.
Sakura não sabia ainda definir com certeza se, estar ali era sinônimo de algo ruim, mas era certeza de que os acontecimentos da noite passada, não seriam tratados com pouca importância.
O cheiro de rosas atingiu suas narinas quando as portas de vidro arabescado se abriram, outra empregada servia café nas mimosas xícaras de porcelana vermelha, que só eram usadas naquele lugar, e Veena já estava instalada numa das cadeiras, ainda de robe azul safira, uma perna cruzada e o jornal da manhã numa das mãos.
Ela parecia tão leve e bem-humorada como sempre estava quando ficava ali. Sakura tentou não apertar o hamster demais entre os dedos.
— Oh, bom dia – Veena disse — Vejo que trouxe companhia para o café – Sakura encolheu os ombros, se sentando do outro lado da mesa e pondo o hamster nela, deixou o braço em volta, para que ele não escapasse para atacar os bolinhos da bandeja mais próxima.
— Ele precisava esticar as pernas um pouco...- Ciciou. Danica, ao seu lado, serviu café numa xícara, Sakura pegou algumas uvas e deixou o pequeno se entreter com elas aos poucos.
Assim, passou a comer mastigando lentamente e engolindo o máximo que seu estomago tremente de nervosismo suportava.
— Dormiu bem? – Mikoto indagou — Soube que sua amiga filha dos Price, ainda passou por umas poucas e boas, depois de tanto álcool.
Sakura teve vontade de afundar o rosto na mesa.
Oh, Robin, ela ainda tinha conseguido aprontar naquele estado?
— E-eu não bebi! – Apressou-se — Quer dizer, não muito, eu só experimentei.
— Apenas bebida, eu presumo.
— Sim!
— Hum – Veena deixou o jornal de lado, e se serviu de um croissant. — Confesso que estou impressionada, nunca achei que faria seu gosto esse tipo de evento, minha cara.
— Oh? Nã-não foi bem questão de gosto, só que parecia divertido. Perdão, eu abusei da sua confiança.
Mikoto desviou os olhos gelados para ela, estreitos e curiosos enquanto mordiscava da massa.
— Quantas vezes?
Sakura se remexeu no banco, desconfortável e envergonhada.
— Uma ou duas...?
— Impressionante.
— Mas não fomos a lugares como aquele, foi a primeira vez, eu juro, eu só fui ao The Vinian, e também a uma lanchonete e ao boliche, juro!
— Hn, entendi. Bom, vamos ao que interessa...
— Senhora? – Danica chamou, as duas moveram os olhos para onde ela estava, agora nas portas entreabertas, onde Izuna aparecia.
— Algum problema?
— Preciso que verifique um relatório – Ele disse, muito sério.
— Relatório? Deixe na minha mesa...
— Vai querer ver, agora— Izuna ressaltou, Mikoto arqueou o cenho, um tanto surpresa e Sakura arregalou os olhos, fitando o rapaz.
Veena suspirou, se erguendo.
— Se é assim, volto logo.
— Claro. – Sakura assegurou, observando-a seguir para fora depois de arrancar uma das rosas, Izuna saiu da frente, lhe dando passagem e então se virou, encarando Sakura.
Ela o fitou, indagativa, e ele, ergueu o indicador, o passando pela própria garganta enquanto a olhava com um daqueles olhares mortais.
Um arrepio subiu por toda sua coluna enquanto ele se afastava e Danica fechava as portas.
Sakura se voltou para a mesa, grudando as mãos na mesa pra não sair correndo, enquanto Plum passeava por toda a mesa, subindo nas xícaras, ela se apressou para tira-lo de cima do recipiente de mel, e o fechou.
— Você quer virar um hamster de mel? Eu acho que estou encrencada demais para poder ter um tempo escovando você.
Ela pegou um pedaço de banana, e deu a ele, numa colher, então suspirou e encarou as amplas janelas que davam vista ao jardim.
Encarar a luz do dia lhe deu um sentimento de proteção a mais, naquela manhã. Porque pensar em encarar a escuridão, a fez temer ver olhos vermelhos que a faziam chorar.
E nem sabia porquê.
Eu presto bem atenção no meu coração
Eu deixo meus olhos abertos o tempo todo
֍
Eu seguro o fim dos nossos laços
Porque você é meu, eu ando na linha
Ele estava passando os olhos por aquela fotografia de novo, Beca observou.
Mas era o de menos, no momento, e ela não teria reparado se não fosse por todo o resto.
Haviam agora curativos nos ombros dele, uma faixa improvisada de mal jeito em torno de seu tronco com manchas de sangue, e a testa com um corte pequeno mas profundo bem rente a linha do cabelo, na lateral direita da testa. E um corte profundo na perna direita, ao menos profundo o bastante para o fazer andar mancando.
Não tinha como saber, porque ele não a deixara ajudar com aquilo.
— Você se meteu numa briga?
— Pode-se dizer que foi... um assalto – Damon respondeu, um tanto avoado, e muito apagado.
Ela sentia que não era só por causa disso.
— Assalto? Te roubaram o quê?
Ele suspirou profundamente, e languidamente estendeu o braço cheio de hematomas para o criado, onde colocou a foto, então se virou, deitando de bruços, as costas cheias de manchas e arranhões.
— Tudo.
֍
Eu sinto que é bem fácil ser verdadeira
Eu me encontro sozinha no fim do dia
— O que está havendo? – Mikoto indagou, adentrando o escritório.
Shisui lhe empurrou uma pasta de cor parda e impaciente, ela a abriu, encontrando fotos de um corpo masculino, dentro de um poço.
— Quem é?
— Spinne— Itachi disse, e ela lhe mandou um olhar incrédulo.
— Spinne? O que ele faz aqui? – Ela encarou as fotos novamente, vendo uma do rosto inchado e roxo pelo tempo exposto na água após a morte. — E ainda por cima morto. – Jogou um olhar dardejante para Izuna.
— Não fui eu – Ele declarou — Quando cheguei a polícia já estava lá. Mandei procurarem aquela tonta na festa, e dei a volta.
— Que arma o matou?
— Ele lutou antes, mas foi morto pela própria arma – Itachi disse.
— Um quatro, no meu terreno? – Ela sentia o sangue borbulhar — O que o Conselho pensa que está fazendo? Londres é minha. – Largou a pasta sobre a mesinha e seguiu até a janela. — Alguma pista de quem foi?
— Entrei em contato com alguns informantes – Shisui disse — Spinne veio para fazer uma limpeza.
— Quem era o alvo? – Ela rosnou.
— Não sabemos, encontramos suas coisas no Hotel, mas ele seguiu a cartilha, nada sobre o alvo foi encontrado.
— Spinne... É um dos melhores de Berlim. – Ela refletiu — Os alemães são da pesada... Ele estava com arma de fogo?
— Não é o estilo dele.
— É, se o oponente também for, mas ele executa com lâmina branca, quero o DNA de quem ele foi pegar. – Ordenou.
— Eis a questão – Itachi disse, Mikoto se voltou para ele, encarando-o chocada.
— Não tem DNA? Impossível. Ele não lutou?
— Se o alvo for um alvo comum, sim, mas se ele não tiver encontrado o alvo... e sim alguém...
— Para rebatê-lo? Está dizendo que foi uma Rebatida?
— E Neutralização. – Itachi acrescentou — Muito bem feita, aliás.
Ela se sentou numa das poltronas, apoiando o queixo no punho, encarou o nada longamente, enquanto sua mente trabalhava.
Ao final, não conseguiu deixar mais de sorrir.
— Está aqui. Então finalmente eu tenho meu...
— Sim, você tem seu 15-6.
֍
Sakura se empertigou na cadeira, quando as portas foram abertas e Mikoto atravessou-as, com um sorriso grande ainda que fechado, os olhos azuis parecendo brilhar.
— Me desculpe a demora, os negócios não podem esperar às vezes.
— E-eu entendo...
— Onde estávamos mesmo?
— Hum, acho, que na parte em que me castiga...?
— Oh! Claro, que cabeça a minha.
— Erm...
— Muito bem, minha cara, o que você fez foi uma quebra enorme de confiança.
— Perdão.
— Não se apresse. Enfim, mas eu entendo seu lado.
— Eh?
— Você é jovem, as vezes tantos compromissos são um pouco sufocantes e confesso que não dei atenção ao fato de que as vezes você precisa ter um tempo a mais de liberdade com seus coleguinhas.
— Oh... Eu não estou reclamando.
— Talvez devesse, eu não estive tão atenta quanto achei que estava, ou quanto deveria estar. Sei que lhe joguei muitas responsabilidades e que as vezes a pressão pela excelência pode ser demasiada, afinal, Sakura, você não nasceu, e nem foi criada como nós, como uma Uchiha. – Sakura assentiu, nervosa, Mikoto direcionou os olhos para a pedra verde em seu dedo, e instintivamente ela a cobriu com a outra mão — Mas você será, e você já é. E sei que está bem consciente disto.
Sakura assentiu, não confiando na própria voz para responder.
Ela estava, ela aceitou este compromisso, e nada mudaria isto.
Nada.
Nem ela mesma, era o destino que havia escolhido. E embora as vezes houvesse a sensação de que estava apenas se deixando empurrar, e assim ficava assustada.
Havia algo bem lá no fundo, que dizia que era aquela a direção.
O caminho que a levaria para o lado de um estranho...
De alguma forma, não era um caminho completamente desconhecido para ela.
De alguma forma, talvez, ela não estivesse indo para o lado de um estranho.
Talvez fosse só o que ela gostaria de pensar, mas esta ainda era sua escolha.
Ela iria se casar com Sasuke Uchiha, nada mudaria isso.
Nem mesmo ela.
E nem ele.
No fundo, de alguma forma, por algum motivo.
Sentia que ele também estava esperando por ela.
Sim, eu vou admitir que eu sou louca por você
Porque você é meu, eu ando na linha
֍
— Onde você vai? – Beca indagou — Caramba, cara, você está todo quebrado, vai fazer um boletim ou sei lá, ir pra um hospital.
Damon continuou se vestindo, soltando um grunhido mais mau humorado que de dor quando vestia a camisa e o blazer.
— Tenho que ir, assuntos importantes.
— Assuntos importantes? Ainda de manhã estava largado nesta cama, com uma cara depressiva, uma garrafa de Scotch, uma foto e gemendo de dor feito uma mulher que deu à luz.
— Eu acho que quem bebeu foi você – Ele disse, enquanto penteava o cabelo entre os dedos, no espelho — Eu só estava descansando um pouco. Depressivo? Eu?
— Mais depressivo do que adolescente problemático, achei que fosse cortar os pulsos logo.
— Hilariante. Estou indo.
— Humpf. – Ele seguiu para a porta, mas voltou, pensativo.
— Me diga uma coisa, você é mulher, não é? – Beca cruzou os braços.
— Você ainda não tinha reparado, Aiden?
— Tsc, tudo bem essa valeu.
— Idiota.
— Me diga uma coisa, opinião sincera hein? Me diga por que motivo uma garota de vinte dois anos, prendada, uma bonequinha delicada criada como uma princesinha inglesa, iria rejeitar um cara como eu?
Ela arqueou o cenho.
— Hã?
— Apenas responda.
— Okay...- Beca o estudou longamente. — Prendada você diz...?
— Até demais.
— E não é óbvio? Uma dama que se preze não se envolve com um tipo como você.
— Um tipo como eu? E você não se envolveu?
Ela revirou os olhos e se sentou.
— Me poupe, eu sou muito bem resolvida, obrigada, ganho meu dinheiro honestamente, não dependo de ninguém nem dou a mínima para o que a sociedade pensa.
— Okay, okay, direto ao ponto, dona feminista.
Ela bufou, mas não fez caso, ele parecia louco por uma resposta.
Interessante...
— Enfim, eu posso e me dou a luxo de me envolver com quem eu quiser, e você é o tipo perfeito pra mim, rico, bonito, quente, e nada afim de compromisso... Ao menos é o que achava...
— Seja mais profissional, certo?
— Ugh, mas uma garotinha criada como uma lady? Você é totalmente o oposto, credo.
— Mas por que diabos?
Beca suspirou.
“Homens e seus enormes egos...”
— Se ela foi criada com todas as frescurinhas de princesinha virgem, aposto que enfiaram na cabeça dela que seu dever é crescer, ser uma boa cozinheira, uma boa dona de casa, inteligente mas não impertinente, graciosa e principalmente, que vai ser casar com um príncipe encantado.
— Ora.
— E você, Sr. Konstantinidinis, não é um príncipe nem aqui nem lá na China!
— Calúnia, as mulheres são loucas por meus modos.
— Você tem bons modos, mas na intimidade é um cavalo.
— Você achou isso na primeira vez? – Ela bufou, um pouco envergonhada. E suspirou.
— Damon, tem muita diferença entre ser rico, sexy e elegante e ser gentil, bonito, e cavalheiresco, você pode ser muito educado, mas você não tem uma... aura educada, você é selvático, o tipo badboy, está empreguinado em você, isso é bem atraente pras garotinhas...
— Então porque diabos aquela rata...
— Pra uma aventura— Ela cantarolou — Você é o cara perfeito para uma aventura quente, querido, mas quando acaba, elas vão querer o príncipe encantado, o que tem um emprego estável, o que é carinhoso e sempre elogia, o que vai dar filhos e uma casa bonita, o que dá joias e enche de mimos, o que todas querem, mas que sabem que não vão ter porque é um tipo muito fiel e ético, que tem moral.
Ela suspirou, pensativa.
— É o que toda mulher quer, no final, o resto são só fantasias quentes.
O que diabos ela estava falando, isso era mesmo sobre a tal garota?
Bufou e se voltou para frente, vendo-o tão absorvido quanto esteve.
Damon coçou a barba, parecendo cansado novamente, e perdido.
— Tenho que ir...
— Okay.
Ele saiu, já não tão apressado. Ela olhou a garrafa de Scotch pela metade sobre o criado, e se levantou, seguiu até ele, e abriu a gaveta.
Da outra vez não havia achado nada demais, mas desta...
Havia aquela fotografia, ela a pegou e finalmente olhou como devia.
Direcionou uma olhada na porta, e então para a foto, suspirou e a pôs de volta onde achara.
— Damon, Damon, Damon, você está encrencando...
Porque você é meu, eu ando na linha
֍
Gloucestershire, área rural da Inglaterra.
Sakura suspirou encarando a bucólica paisagem no distrito de Costwold, enquanto o carro seguia.
Ao seu lado, Plum apreciava a viajem cochilando enrolado num cachecol de lã vermelha dentro de sua gaiolinha de transporte.
Ela adorava vir para o campo, era calmo e adorável, como entrar num livro de romance antigo, ou de fantasia.
Mas sozinha, era um pouco solitário.
Eis o seu castigo, ficaria um tempo no campo para refletir.
Era estranho, não era como se pudesse reclamar, afinal.
Havia conseguido ligar para Louise antes de ter seu celular confiscado por Izuna (o que ele fez com muito, muito gosto).
Robin estava de cama, e já havia perdido o direito ao cartão de crédito por um mês, Louise estava confinada de casa para a universidade, e também sem cartão de crédito.
“— Não acredito, nós ficamos na miséria e você vai tirar férias em Bibury?! Quero ser adotada pelos Uchiha!” Ela proferira, indignada.
Sakura não sabia como se defender.
Basicamente ficaria um pouco prejudicada na escola, uma semana perdida poderia valer todo o semestre, dependendo da matéria. Graças a deus que havia terminado o período de provas.
O carro finalmente parou, em frente uma das rústicas e adoráveis caras da famosa Arlington Row, uma fileira de casas antigas de pedra, datadas do século XVII, a casa que pertencia a família ficava quase ao final da rua, numa pequena colina.
A paredes era encobertas de suave vegetação, salpicada de flores, o ar frio e campestre tocaram seu rosto, quando desceu do carro.
De frente para a casa havia o rio Coln, passando com tranquilidade, ladeado de arbustos com flores.
Os empregados pegaram as duas malas que ela trouxera, e pegando a gaiola com Plum, ela seguiu para a casa.
— Bom dia, milady, ficamos felizes em recebe-la, com fome? – Grace, a governanta a recebeu na porta, com um sorriso caloroso.
Sakura tirou o casaco, sorrindo de volta.
— Eu estou morrendo de fome! Mas vou me instalar primeiro e instalar esse garoto – Disse, apontando o hamster.
Grace assentiu, conduzindo-a pelo interior da casa, a decoração conservava ao máximo os ares antigos e rústicos, era bem fechada e aconchegante, e Sakura já programava-se para tirar um longo cochilo em frente a lareira.
Havia decidido estudar bastante naquele tempo ali, mas já via que o espírito da procrastinação a possuiria por completo e passaria os dias tirando longos cochilos pela casa, brincando com Plum no jardim dos fundos, passeando a beira do rio, e comendo da melhor comida que Bibury tinha a oferecer.
Deus que a livrasse de Robin e Louise saberem disso, estariam afim de esgana-la quando voltasse. E ela já estava com bastante medo de reencontrar seu tutor, por exemplo.
Subiu as escadas para a suíte que ocuparia. Enquanto Grace deixava a Plum sobre a banqueta da pequena penteadeira, Sakura se jogou na cama de madeira maciça, enorme e cheirou os travesseiros de linho com perfume de lavanda.
Ela estava no paraíso.
— Deseja algo para comer? Ainda podemos preparar algo diferente.
— Oh, eu estarei satisfeita com o que tiver, tenho certeza. – Declarou.
— Entendo, volto para chama-la logo, logo.
— Obrigada, ah, pode me dizer se o motorista vai ficar? Quero ir a Igreja a noite, mas não me importo de ir a pé, não é tão longe, e só que Veena-sama...
— Ele vai voltar, mas temos um carro a disposição, que eu uso para fazer compras.
— Ah, perfeito então!
— Irá a Igreja hoje?
— Sim, sim, a viajem foi de última hora, então não pude ir antes de vir.
— Entendo, mandarei ficarem prontos a noite.
— Obrigada.
Grace e sua figura adoravelmente rechonchuda se retiraram com uma reverência cordial, e saiu, fechando a pesada porta.
Sakura rolou na cama e encarou o teto do dossel.
Precisava ir a igreja logo.
Tinha algumas a confessar...
Você tem um jeito de me manter no seu lado
֍
— Demorou para aparecer – Itachi comentou, sem parar de tirar as coisas do porta-malas.
Ouviu passadas, e ficou um tanto surpreso, de ele ter se manifestado, em vez de permanecer parado, observando das sombras do estacionamento.
— Golfe? E eu achava que você não poderia decair mais.
Itachi contemplou ao saco de tacos de golfe, enquanto também estudava e absorvia cada nota em seu tom.
— É até bem relaxante. – Comentou de volta.
— Faz sentido, quando se vai ficando velho...
O Corvo soltou uma suave risada anasalada, e puxou uma arma de dentro do saco, girou o braço apontando diretamente para sua testa, e enfim encarou seus olhos.
Verificou rapidamente seu rosto.
— Você não parece mais tão novo – Rebateu, pensativo — E vejo que o encontro com o Spinne também não foi fácil pra você.
— Foi mais para mim do que para ele. – Ele rebateu, coçando a barba com desinteresse.
— Entendo, você se tornou um Oficializado, sabe o que significa?
— Eu não esqueci tanto assim a cartilha, ela ajudou bastante nas minhas pequenas empreitadas.
— Espero que não esteja encaixando Tóquio na sua lista de “pequenas empreitadas”, seria muita humildade.
Ele riu em resposta.
— Quem disse que não sou humilde? – Jogou de volta, cinicamente.
Itachi suspirou, baixando a arma e jogando dentro do porta-malas.
— No dia em que você for humilde, Sasuke, a terra vai sair de órbita.
Quando se voltou para ele, encarou o cano cerrado de uma arma, ergueu a mão, tocando a superfície áspera.
— Anda sem cachê para comprar material novo?
— Eu gosto de trabalhos artesanais. – Sasuke rebateu, o rosto trincado de ira.
— O que você quer, Sasuke?
— Esta é mesmo sua dúvida?
Itachi suspirou, se recostando no carro, e cruzando os braços.
— Quem Spinne queria? Era mesmo você? Porque a Folha iria saber da sua localização e dar para um empregado de fora cuidar? Porque não o passaria para nós?
— Talvez por causa de alguns problemas com dar vantagens aos parentes?
— A Folha sempre soube como trabalhamos, ela própria trabalha assim.
— Ou trabalhou.
— Não importa como eles querem fazer, nós, a Casa Uchiha fazemos do nosso jeito, e você pertence a casa, é nossa prioridade, nosso problema.
Sasuke baixou a arma, com um sorriso maldoso e prepotente.
— Tem certeza?
Itachi suspirou, reunindo mais alguma paciência, recordando como as vezes era grande a vontade de afundar a cabeça de seu pequeno irmão mais novo na primeira parede de concreto que encontrasse.
— Você a encontrou, não foi? – Indagou.
— Talvez?
— Sabia que ela estaria lá, não vamos demorar a descobrir como, então porque segredo?
Sasuke suspirou, guardando a arma de volta no casaco.
— Imagino como Bishamonten deve estar se descabelando.
— Ao contrário, sua confirmação a deixou em êxtase.
— Hn. Que seja, nos vemos depois – Dito isso, ele deu as costas.
Itachi ergueu a cabeça, encarando suas costas e o andar um pouco vacilante.
Spinne deu trabalho a ele, como todo bom alemão filho da puta.
— O que quer dizer?
— Como o que eu quero dizer? Não é óbvio, estou fazendo como vocês taaanto imploraram.
Itachi se afastou do carro, sentindo-se perplexo como a muito tempo não sentia.
— Está dizendo...?
— Mande arrumar meu quarto, maninho, estou voltando pra casa.
Porque você é meu, eu ando na linha
Porque você é meu, eu ando na linha
Porque você é meu, eu ando na linha
— Está blefando.
— Spinne não estava atrás de mim.
Foi o bastante para Itachi entender que ele não blefava.
Porque você é meu, eu ando na linha
Porque você é meu, eu ando na linha
(I Walk the Line – Halsey)
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