Vingador Vol. II
29 28. Monopólio Familiar
Notas iniciais

Dentro da propriedade D’Amico, havia uma pequena capela particular e rústica, pintada de branco, portas abertas sempre e janelas com vitrais coloridos.
Sakura só viu de passagem, agora através da janela do quarto, observou empregados de algum serviço de decoração enfeitando a entrada do lugar com flores brancas e folhagens verdes.
Não entendia o motivo de tanta arrumação, mas já havia desistido de opinar sobre tudo isso. Era apenas fachada, apenas um trato sendo firmado e as pessoas que estariam presentes estavam longe de serem os convidados que ela amaria receber para uma data tão importante.
Ainda era bem cedinho, o clima ainda estava frio e úmido de orvalho, Sakura deu a volta e sorriu preguiçosamente, feliz de ter mais um tempinho pra se esconder sob as cobertas junto de seu bebê.
Indra deveria ter sentindo tanto do desastre do voo e da confusão e tensão desses dois dias anteriores que ficara cansado o bastante para dormir quase a noite inteira sem despertar mesmo para mamar.
Sakura puxou a coberta em torno deles, beijou sua bochechinha e ele suspirou profundamente fazendo um biquinho meio aborrecido, que lembrava um pouco a carranca debochada e entediada de Sasuke até.
¤
Sasuke e Izuna chegaram lá pelas oito horas, o sol estava a tino mas não tão quente, indicando na verdade, os ventos frios do inverno que já tomava regiões como a da Toscana, por exemplo.
Florence provavelmente não demoraria a dar as caras e pelo andamento da festa de arromba que o batizado parecia que iria se transformar, a cerimônia aconteceria logo.
— Quanta bebida e comida, e o moleque ainda não faz nada além de chupar as tetas da mãe. – Izuna esnobou, Sasuke ia concordar, mas por um momento, refletiu que o bebê estava era melhor que ele próprio.
— Ora, os primeiros desconvidados chegaram. – Martino disse, recepcionando-os com um copo de licor na mão.
— Já está bebendo antes da tal cerimônia? Sakura vai mandar te afogarem na pia batismal.
Ele deu de ombros, só então se lembrando do detalhe.
— Pra falar a verdade, ainda não a vi essa manhã, mas creio que esteja tudo bem e só esteja dormindo mais um pouco.
— Se deixar aquela garota dormir o quanto ela quiser, vai batizar o menino quando ele for pra faculdade.
— Que lindo da sua parte achar que ele seria inteligente para tal. Um pai que tem fé na capacidade do filho, fofo.
— Já te mandaram se foder hoje? Vai se foder.
Sasuke deixou os dois babacas rindo e seguiu para o piso superior da casa, um dos sem nome vigiava as portas do quarto de Sakura e ele entrou, encontrando o vestíbulo quase em penumbra e frio para um digno caralho.
Se aproximou de uma das janelas, abrindo apenas a cortina e deixando alguma luz entrar e foi para a cama, abrindo a cortina fria do dossel e encontrando um retrato já conhecido.
Sakura desaparecida sob uma onda grossa de tecido, apenas um dos pezinhos esquecido fora da coberta. Ele revirou os olhos, com bom humor e então detectou outro pé, menor ainda, escapando da coberta.
Indra dormia com o rosto de lado, estomago pra cima, todo espalhado, a coberta não cobria totalmente sua cabeça, deixando a bolota de lã azul no topo do gorrinho á vista. O pé ao menos estava de meia, mas quando ele tocou, ainda estava frio também.
Sasuke balançou a cabeça, uma careta derrotada. Agora eram dois ratos hibernando pra cuidar.
Seguiu até a porta, abriu e encarou 76.
— Que horas é o batizado?
— Dez e meia.
— Diga pra baterem depois das dez.
— Okay.
Sasuke fechou a porta, voltou e fechou as cortinas, então foi até a cama, sentou na beirada tirando os coturnos, o cinto e o coldre axial com as armas, pôs sobre o criado e se virou, abrindo a coberta, pegou Indra delicadamente, deitando-se no lugar dele com um travesseiro apoiando as costas. Ajeitou a bola de carne preguiçosa sobre o peito e se cobriu novamente, xingando o frio.
Indra suspirou, movendo-se apenas um pouco e sossegando novamente. Sakura foi a próxima, se achegou mais perto deles, enroscando seu pé gelado nos dele para esquentar e a cabeça perto do ombro dele, Sasuke passou o braço em torno dela.
— Hm, okaeri. – Ela sussurrou, sonolenta, Sasuke então que suspirou.
— Aa, taidama.
¤
— Espero que esteja bem certo do que está fazendo, Martin. – Lorenzo, seu pai, avisou com um olhar severo. — O lado que escolheu, colocou toda nossa família em cheque.
Martino não estava com disposição para ouvir o óbvio. Sabia dos riscos, se a alta cúpula tomasse a discreta junção deles com a “renascida” Kuran como uma tentativa de golpe, seja lá por que motivo fosse, não só sua posição estaria ameaçada, sua família, negócios, tudo ruiria num piscar de olhos.
Porém, o que a Koyosegi, seus soldados sem nome, e Sasuke tinham em mãos podia derrubar o sistema inteiro.
Imagine, de uma hora pra outra milhares de documentos, imagens, vídeos, provas físicas, que incriminassem uma enorme leva de famílias ricas e influentes de todas as partes do mundo vazando para a internet, para as autoridades governamentais desses países, enviadas a escritórios e sendo capazes de provar o envolvimento em esquemas de corrupção, mortes de autoridades de todo tipo, até famosos, o lixeiro da rua.
Qualquer um que já foi morto, roubado, ou usado de bode expiatório pela Folha em mais de duzentos anos de sistema, nomes de assassinos, fornecedores de armas, infiltrados em agências de espionagem, mídias, embaixadas, governos. Toda a cadeia, da raiz ás folhas da árvore invisível que a Folha era, sendo expostos em praça mundial.
Autoridades de renome, diretores do FBI, CIA e MI5, envolvidos até o talo e sendo desmascarados, e claro, aqueles que sempre souberam da Folha mas não tinham força para sequer arranhar seu tronco, se aproveitando da caça as bruxas que se iniciaria para emergir em cima dos galhos e cortá-los para criar algo para si a partir deles.
Tudo isso, uma catástrofe anunciada, um verdadeiro apocalipse sobre tudo o que ele e a sociedade sempre conheceram a um passo de começar, nas mãos do desgraçado mais traiçoeiro que ele já conheceu.
Não, nem pensar, não havia o que refletir, era verdade que a Folha estava sendo corrompida, e ele adoraria resolver isso matando a praga, mas infelizmente Sasuke se adiantou e tinha um veneno que mataria até a planta e estava cagando pra isso.
Ele facilmente apagaria tudo o que ligasse os Uchiha a Folha, e então sentaria tomando vinho com sua deusa no colo e seu garoto brincando no tapete, para assistir o mundo queimar como queimaram a família dele.
Então se Martino podia escolher entre assistir o espetáculo como um parente convidado ao lado deles, brincar com o garotinho deles no colo e ser chamado de titio, para evitar que o fogo se aproximasse da sua casa, ele daria uma locomotiva de verdade pro garoto brincar no Natal, sem dúvidas.
Entre a frigideira e o fogo, ele ficaria na frigideira, aturaria Sasuke e também a garota dele, que era ainda mais perigosa agora que tinha uma cria para proteger.
Sakura Uchiha seria aquela que jogaria a tocha sobre eles se movessem um único dedo contra seu filho, e Sasuke ascenderia esta tocha com todo gosto bastando ela querer. Nem ele próprio seria capaz de parar ela se tentasse.
Martino tinha que recordar isso sempre que a encontrava, a criatura dócil e adorável que ela era acabava ocultando quão perigosa se tornara, e nem ela própria deveria ter ideia disso.
— Onde estão minhas irmãs? – Disse, olhando em volta, os poucos convidados de fora da família já estavam quase todos ocupando os bancos da capela, o padre revisava algum dos textos em sua bíblia e a bacia de prata que estava na família a décadas já e banhara tanto a cabeça de Martino quanto a do pai dele em seus batizados, estava lá, cheia e a espera.
Irritou-o que 87 estivesse com sua trupe revistando os convidados, pois não gostava de como ele tomava a liderança no domínio alheio sem qualquer vergonha, mas tinha que levar em conta que a mãe do menino estava se recuperando de um tiro e que o bebê quase fora alvejado, ela certamente ainda estava com as penas eriçadas e esconderia seu pintinho sob todas a asas que tinha a disposição.
— Disseram que não vão participar, estão furiosas com sua decisão. – Lorenzo disse, agora bem humorado, ele como pai babão que era, estava sempre dando crédito demais àquelas duas cadelas, mas Martino ao menos gostava bastante de lembrar elas quem é que mandava agora.
— Ah, sim? – Ele estalou o dedo, Luca e Dante aproximaram-se, ás ordens. — Eu não recordo de ter pedido ou de me importar a opinião daquelas duas, vão lá e arranquem aquelas putas do quarto e tragam aqui nem que pelos cabelos.
— Martin...- Lorenzo admoestou, não levando a sério a ordem dele, mas ele deu um olhar sério o bastante para os dois entenderem que era sim, para trazer aquelas duas nem que fossem quebradas para sentar no banco e agir como se deve.
Dante e Luca se retiraram ás pressas e Martino estava para pegar o vinho do padre, a demora já estava ficando grosseira e devia ter mão de Sasuke, o fodido, nisso.
Um empregado se aproximou dele, dizendo baixo que tinham recém chegados de surpresa agora.
Ele realmente queria o vinho e alguma hóstia, por que quando perguntou quem era e o que veio tratar com os D’Amico logo hoje, disseram que era a madrinha do bebê que estava ali e quem entrou foi ninguém menos do que a prodigiosa herdeira da casa galesa, Florence St. Gale, a Sálvia.
¤
— Droga, droga, drogaaa! – Sakura andava de um lado para outro, num salto apenas, procurando a caixa com os brincos, algo para prender os cabelos, a vela de batizado do menino e o mandrião que ele vestiria. Como isso tudo sumiu?
Sasuke brincava com o bebê, puxando de leve a ponta de seu nariz.
— Você pode ajudar? Tem certeza que não viu?!
— Nop, além que estou ocupado com o neném. Se vira.
Ela bufou, correu até a penteadeira, revirando as gavetas até achar a caixa com os brinco de pérolas negras, prendeu o cabelo com um grampo e enfiou uma das flores do vaso ao lado no coque.
Então foi revirar as coisas de Indra e só então notou o mandrião branco de linho e renda, dobrado ao lado da perna esticada do Uchiha, assim com a vela o terço dela sobre ele.
— Uuui! Odeio você! – Sakura bateu na perna dele e Sasuke franziu o cenho, mais dissimulado ainda.
— Eu disse que não vi...
— Cala a boca! Falso! Dá aqui o meu nenê! – Pegou o bebê do colo dele e deitou na cama, apressando-se para vestir o mandrião nele. — Papai é um idiota! Não acha?
— Por que ele está usando um vestido?
— Mandrião, e até você já usou um...
— Ah? Duvido! – Ele blefou, Sakura empinou o nariz.
— Eu vi as fotos do seu batismo, idiota.
— Humpf.
— Ah, do seu primeiro banho também...- Sakura sorriu, lembrando das fotos fofas dos álbuns da família que encontrara em alguns dos outros cofres da família Uchiha em outros lugares.
Talvez Mikoto previsse ou somente prevenisse que a mansão fosse incendiada, e guardou aqueles tesouros com esmero. De qualquer forma, Sakura amou ver fotos de Sasuke e Itachi novinhos, até de Izumi. Ajudou-a a imaginar como Indra poderia ser antes de nascer, riu.
Sasuke revirou os olhos pros olhinhos brilhantes dela.
— É uma tonta mesmo.
— Não se constranja, você era uma fofura! Além que sempre teve o bumbum bonito, desde bebê e veja só, Indra puxou um bumbum igual!
— Dá aqui o meu bebê, pervertida.
Sakura gargalhou, pegando Indra nos braços outra vez, se sentou e beijou Sasuke.
— Queria que você pudesse estar lá.
— Não faço tanta questão, apenas seria divertido contradizer o sermão do padre com dados científicos.
— Você é o pior!
— Tenha cuidado.
— Uhum.
Sasuke beijou sua testa e olhou para o menino, a peça que ele usava eram tão longa que mais parecia que deveria ser roupa de uma criança de cinco anos.
— Porra, ele parece uma menina.
— Bobagem! Até mais!
Sakura se levantou, achando o outro par de sapato, calçou-o e saiu do quarto, seu vestido era branco e singelo também. Sasuke abriu uma garrafa de vinho e se sentou na beirada da janela, observando a capela dali.
Sakura apressou-se até a capela, ajeitando a barra do mandrião a todo momento, entrou lá, tentando engolir o nervosismo com toda aquela gente em volta dela e de Indra.
Acenou com a cabeça, apressou o passo até o altar.
— Por que ele está usando vestido? – 87 indagou.
— É mandrião...- Ela gemeu, ele deu de ombros, ainda parecia um vestido independente do nome.
— Temos um pequeno problema. – Disse. — E foi Sasuke quem trouxe, inclusive.
Sakura suspirou, já devia saber que aquele lá estava tranquilo demais em ser enxotado do evento. Claro que Sasuke puxaria sua cartinha da manga.
— É muito grave ou posso esperar para atirar nele depois do batismo?
— Resumindo, ele conseguiu apoio de metade da casa galesa, a herdeira deles veio até aqui firmar o acordo.
— Metade? – Ela se empertigou, não gostou nem de um terço disso, só pensar nos St. Gale a recordava daquela mulher asquerosa. — A irmã dela?
— Sim, ele a convidou para ser madrinha do menino.
Sakura olhou para Indra, cochilando pacificamente.
E pensar que ela havia elogiado o traseiro daquele...
— Segura o meu bebê. – Ordenou, pondo o garoto no colo dele, 87 segurou-o mais como se temesse derrubar uma pilha de peças de porcelana. Sakura marchou para saída.
Abriu as portas da capela e deu de cara com Martino.
— Sabe o que seu maldito saco de esperma aprontou?! – O italiano latiu para ela, baixo, Sakura latiu de volta, alto.
— Com licença, eu tenho que ir rasgar aquele maldito saco de esperma!
Martino recuou como se um pincher tivesse saltado para arrancar seu nariz e ela cortou caminho quase em cima dele.
Sakura olhou direto para as janelas, vendo a cara do bastardo ali, observando bastante entretido e curioso.
— Você! – Apontou, ele apenas arqueou as sobrancelhas e nesse momento 87 a puxou pela cintura, dando a volta.
— Agora não, só vai dar o que ele quer. – Declarou, puxando-a de volta para dentro, ela debateu as pernas apontando para a cara do idiota como se uma bala pudesse sair de seu indicador.
— Eu vou dar o que ele quer! Um tiro no bumbum bonito dele é o que ele quer!
— Depois, depois.
Sasuke acenou para ela, sorrindo e antes de ser enfiada dentro da capela Sakura mostrou o dedo do meio.
Foi a coisa mais engraçada que ele viu em anos. Sakura Haruno sendo arrastada á força pra casa do Senhor.
— Odeio ele! Odeio ele!
Bufando furiosamente, de volta ao altar, catou o bebê que estava nas mãos de 33.
Martino suspirou, percebendo que ela não estava tão a vontade com batizado quanto demonstrara.
Dar o filho quase como parte do tratado a uma casa certamente não era o que ela pretendia, e então Sasuke deu outra parte da criança para uma casa que ela rapidamente aprendeu a odiar. O bastardo tinha coragem.
Não sabia se, na posição dele, seria capaz de tudo isso. Mas este era Sasuke, apostava tudo quando menos se esperava e não se importava de sair de bolsos vazios vez ou outra.
Florence retornou da salinha anexa onde estivera descansando da viajem, e sorriu agradabilissimamente ao finalmente encontrar o afilhado e a mãe deste.
Sakura fitou a mulher com óbvia apreensão e hostilidade, segurando o filho protetoramente.
Por um momento quase duvidou que ela era uma mulher, os traços bem marcados do rosto, o corpo esbelto e o terno mais a faziam parecer um rapaz de boa família, o tipo que não tinha calos nas mãos por que nem sabia concertar o próprio carro.
Ela na verdade, tinha quase nada de semelhante a louca da irmã, o loiro dos cabelos era o máximo, Estela St. Gale tinha viciosos olhos azuis e veneno escorrendo em cada gesto, a mulher a sua frente parecia um oposto angelical, olhar suave e muito atencioso, sorriso curto e encantado sobre o menino.
— Parece que não vamos ter muito tempo para conversar. – Martino cortou a tensão, embora com uma faca tivesse sido mais fácil. — O padre quer iniciar o sermão e não vamos querer esse rapazinho irritado na hora do banho.
— Ele não é tão temperamental...- Ela defendeu seu bebê.
Martino quase disse que graças a deus não puxara a mãe então, mas quase fora mordido no rosto uma vez.
— Teremos tempo para isso depois. – Florence disse, gentilmente. — E me parece que o pequeno Indra é quem está mais tranquilo com tudo isso.
— Hahaha... Sim, invejável...
Sentaram-se nos bancos, o padre começou eu sermão sobre como as crianças eram puras, herdeiras do céu, que deviam ser ensinadas no caminho para Deus, o dever dos padrinhos nisto, dos pais e tudo mais.
Sakura ainda notou as gêmeas, irmãs de Martino chegarem um pouco atrasadas, meio despenteadas e muito zangadas, sentando-se ao lado do pai.
Lorenzo era um senhor meio ranzinza e rude e ela sabia que não gostara nada de ser chantageado, mas pareceu gostar da presença do bebê e o segurou no colo algumas vezes.
Comentou que segurara Itachi e Sasuke também, e sobre este último, recordou que se arrependia de não o ter deixado cair, numa certa vez em que Sasuke já engatinhando, se aproveitara do descuido da babá e quase se estatelara de cima do trocador.
Lorenzo dizia que talvez a queda tivesse ajudado a por no lugar o que tinha nascido de torto na cabeça do garoto, mas como não se previa essas coisas, só podia lamentar.
Sakura rira de nervoso na hora, agora, queria atirar Sasuke do telhado da casa, deveria adianta nem que pra saciar a raiva dela.
O padre terminou seu sermão, chamando-os a se aproximarem da pia batismal, marcou a testa de Indra com o óleo, e suas palavras pareceram irritar o menino um pouco.
— Shh, não chore, fará isso agora? Está acabando. – Martino disse, rindo.
— A-acho que ele não está com humor para banhos... – Ela disse, um pouco constrangida.
O padre, já bem velhinho, sabia bem que tentar acalmá-lo agora só o irritaria mais e tratou de terminar o ritual.
Sakura segurou-o acima da pia, quase querendo chorar de dó quando seu nenê berrou com a água molhando a cabecinha. Isto certamente foi uma surpresa que ele não gostou.
33 ofereceu-a a toalha e segurou a vela agora acesa, para ela. Sakura ninou-o enxugou.
— Pronto, pronto, já passou, vão achar que você não gosta de tomar banho.
— Deve é não gostar de água benta, sendo filho de quem é, não duvido. – Lorenzo comentou, Florence deu uma risada cristalina.
— Isto não é demérito, meu caro. E quem somos nós para negar que também não somos santos?
— Não vamos falar disso aqui e piorar as coisas pro nosso lado. Estão de olho. – Martino indicou com a cabeça, os anjos de porcelana que decoravam a parede do altar.
Sakura acalmou Indra, se perguntando se ele havia mesmo puxado a antipatia do pai pela religião. Mas recusou logo em seguida, crianças eram puras, até Sasuke foi puro um dia.
Agora era puramente um saco de cocô que ela queria atear fogo.
Uma vez finalizada a cerimônia, Indra ainda estava todo irritado e ela aproveitou isso para não se estender muito entre os convidados.
Seguiram para um pequeno brunche no jardim atrás da casa e ela se sentou na sala da varanda com o menino no colo. Martino conversava por perto e Florence sentou-se na poltrona de vime, próxima a ela.
— Uma pena não nos termos conhecido pessoalmente. Itachi falou bastante de você.
Sakura a fitou, um pouco apreensiva ainda, a menção ao nome de Itachi a fez sentir familiaridade com esta pessoa. Sim, ambos tinham esse ar contemplativo e sábio.
— Ele nunca falou muito de nada...
Itachi era sempre uma companhia curta, e em geral estava sempre mais curioso sobre ela, e ela acabava esforçando-se mais para mostrar uma evolução que o orgulhasse do que para saciar a própria curiosidade.
— Não era uma opção que você fosse mais próxima do nosso mundo do que já era. Ainda que ele certamente tivesse deixado suas dicas no ar para você se virar, assim como Vaisravana, eu presumo.
— Veena-sama... Me ensinou muito sim...- Sakura suspirou, olhando para Indra. — Ainda assim, ela nem...
— Onde ela está, está absolutamente satisfeita com suas ações. Você veio muito longe, mais do que qualquer um de nós poderia ter imaginado.
Sakura a fitou, intrigada, ela falava de um jeito como se sempre estivesse estado a par de tudo.
— Sasuke... Por que ele escolheria você...?
Florence, que havia se inclinado para acariciar o queixo de Indra com a ponta do dedo, fitou-a nos olhos profundamente e se afastou, reclinando-se na poltrona, cruzou uma das pernas e os dedos das mãos.
Ela sorriu, condescendente e enigmática.
— Por que nós o escolhemos primeiro.
¤
— Já pode sair da sua torre, princesa. – Luca anunciou sarcasticamente, parado na porta.
Sasuke esfregou os olhos, sonolento, e se ergueu da cama, esticando-se e indo para a saída.
— Finalmente, hein? Visitas são um porre...
Luca revirou os olhos, acompanhando-o até o andar de baixo.
— Bom, onde está o meu bebê? – Indagou, esfregando as mãos.
87 o deu um olhar enfadado e ele localizou seu digníssimo herdeiro no colo de Florence.
— Ah, aí está. – Se aproximou.
— Oh, e não é que o papai sentiu saudades? – Ela brincou.
— Claro que não, mas aposto que ele chorou de saudades minhas...
— Raposo não pegue!
Sakura gritou, apontando pra ele assim que entrou na sala, Sasuke parou, já com os braços estendidos e olhou-a como se fosse surtadinha.
Oh, ela era.
Sakura apenas aproveitou, pulando entre ele e o bebê e o pegando de Sálvia.
— Hehehe, idiota! Não vai pegar no bebê hoje!
— E quem proclamou isso? A rainha Elizabeth?
— Eu decreto! O bebê está fora das suas mãos ardilosas até a segunda ordem, seu mentiroso de quinta!
— Meu caralho alado que vou obedecer isso.
— Deveria porque é isso ou levar um tiro na bunda.
— Ah, você quer dizer o meu bumbum fofo que você tanto elogiou?
Sakura ficou vermelha, bufou e deu as costas.
— Não vai ser mais elogiável se você ralar no meu nenê!
— Não faz sentido isso aí! O bebê não tem nada a ver com eu ter te passado a perna. Eu sempre faço! Acostume-se, porra!
— Ui! Agora você... Apronte de novo e só vai ver ele quando estiver na faculdade.
— O caralho que vou! E isso é alienação parental, sua doida!
— Me processe!
Sakura escapuliu pro andar de cima.
— Arrombadinha fofa do caralho!
Sasuke bufou e enfim voltou-se para Sálvia.
— A viajem foi boa?
— Que interessante, seu ardil não funciona sempre com ela...
— Ah, isso? – Ele deu de ombros, orgulhoso demais para admitir que Sakura já não era mesmo tão mais fácil de levar no bico como antes.
Geralmente ela ficaria de bochechas infladas mas o deixaria fazer como quer. Agora deu pra ficar castigando ele até por uma reles omissão de informação.
— São só os hormônios da gravidez ainda, daqui dois meses eu retomo as rédeas da Kuran. Vou mandar até nesse pouca telha aí.
87 arqueou a sobrancelha, desta vez sorriu maldosamente.
— Isto vai ser interessante de apostar. Mas por enquanto. – Ele atirou um ipad para Sasuke. — Você ainda é o que está com a coleira.
Sasuke pegou o aparelho e ligou, olhando os documentos rapidamente.
— Tá de sacanagem?
— Parece que terá uma longa viajem pela frente agora. – Florence comentou, bem humorada.
— Por que eu não caso com você, criamos meu bebê e a dita cuja lá fica de concubina? – Ele ofereceu.
— Esta dita cuja? – Sakura indagou, parada ao lado deles e de braços cruzados.
— O quê? Você sempre preferiu o anonimato mesmo...- Ele resmungou, cutucando a época de Tóquio.
Sakura o fulminou com os olhos e por fim inspirou, empinando o nariz.
— É como dizem, águas passadas não movem moinhos. Além do mais, sua oferta foi feita com atraso e duvido que a senhorita Sálvia seja o tipo que quebre a palavra dela para voltar atrás.
Ela acenou, fazendo-o notar que tinha uma faixa envolvendo sua mão.
Florence sorriu, quase com pena dele e tirou o medalhão do bolso do terno, acenando com ele.
— Ela tem razão, querido.
— Agora eu e a casa Galesa temos uma amistosa e inquebrável aliança, Sasuke-kun, graças a você! – Sakura disse, batendo as palmas toda felizinha.
— Odeio você.
— Uhum, claro.
— Não, eu me odeio.
— Oh, isso certamente faz sentido...
— Tsc.
— Mas não se preocupe mais com isso. Nunca se sabe o dia de amanhã, muito menos daqui a dois meses, não? Vai que você tem a sorte de ser cabeça da Kuran mesmo?
Ela riu, tapando a boca, como se fosse a maior piadinha que já fizera.
Sasuke praguejou, ameaçando catar o seu traseiro no tapa e ela correu de volta para as escadas.
— Boa noite, e boa viagem!
— Você ajudou a criar um monstro. – Sasuke avisou para Sálvia.
— Itachi estaria orgulhoso.
— Por isso mesmo que ela é um monstro. – Ele bufou, largando o aparelho no sofá. — Mas, agora que você já adiantou bem as negociações, me resta cumprir a minha parte do acordo.
— Aprecio sua praticidade, Sasuke.- Sálvia sorriu, Izuna entrou na sala, trazendo Stela muito bem algemada nos pés e mãos, atirou-a ao piso ao pés da mulher.
Florence inspirou, agora séria e encarou a irmã, com uma expressão ininteligível.
Estela a encarou de volta, furiosa e fitou Sasuke, revoltada.
— Ainda acha que vai fazer alguma diferença, Sasuke?! Essa mulher não tem a mínima influência agora! A cabeça sou eu!
— É quase bom rever você, Estela. – Florence confessou, abaixando-se e encarando-a com olhos vazios e sombrios agora.
Como um anjo que se tornara caído.
— Mas não posso dizer que será minimamente bom para você, irmãzinha.
Sasuke observou com uma leve reserva, e sentindo que a sentença de Estela já estava mais que assinada. No fim, ainda tinha um pouco de pena da cadela, e também achara que Florence seria condescendente.
Mas assim como Itachi optara por sujar as mãos com o sangue dos pais, agora entendia que Florence era capaz do mesmo.
Era o que o sistema os tornava.
Sacrificar um ente querido ou próximo em nome do que parecesse um bem maior não era nobre nem bonito, não para ele, não era capaz de pensar como aqueles dois.
Então Sasuke só estava fazendo de tudo para não ter que matar seu próprio rebanho.
Se para isso era preciso sacrificar o alheio, ele estava muito mais disposto.
Por que não seria capaz de sacrificar Sakura por Indra, ou Indra por Sakura, ou perder ambos.
Ele esperava nunca ter que ser posto ante uma escolha como essa.
¤
Hotel Zemi Beach House, em Shoal Bay East, Anguilla, no Caribe, dois meses depois.
Sakura brincou com seu bebê enquanto o vestia uma roupinha mais confortável para o clima. O Caribe era maravilhoso, estava fazendo-a muito bem desfrutar das areias brancas, o sol forte e as águas de coloração turquesa.
Até mesmo Indra havia pego mais cor e já com mais de dois meses, era uma tremenda bolinha de quase sete quilos.
Realmente um pouco demais para sua idade, mas não era como se ela o estivesse forçando a engordar. Ele apenas mamava, e o médico disse que era um rapaz bem saudável.
Ela colocou sandálias nele, e um chapeuzinho de palha, o calção tinha uma estampa azul com hibiscos e uma regatinha branca o fazia parecer um turistazinho.
Deus, como era fofo! Recostou-o na almofada, de forma confortável e tirou milhares de fotos, até mesmo Plum participou, usando um chapéu sombreirinho estilo mexicano.
Ela podia se desfazer com tanta fofura, mas tinha de documenta-la e guardar a sete chaves primeiro. Se Sasuke visse aquelas fotos, ela perderia o pescoço.
— Koyosegi-sama? – 32 chamou-a da porta do quarto.
— Siiim? – Sakura respondeu, enquanto tirava mais fotos, empolgadíssima.
— O Uchiha estará chegando em cinco minutos.
— O quê?! – Ela gritou tão alto que Plum deu um pulinho e Indra também, encarando-a com grandes olhos verde azulados. Sakura tapou a boca, e se virou para ela a loira. — Sério?! – Disse, ainda abafando com a palma, 32 confirmou, achando-a um pouco mais estranha do que já era habitual.
Sakura olhou para todas as armas do crime, câmera, celular, roupinhas e chapeuzinhos. Não sabia nem por onde começar, mas tinha de se livrar delas.
Ainda por cima ansiosa que finalmente veria o pai do filho depois de meses, ela correu para enfiar a câmera no cofre da suíte, voltou, catou Plum e colocou na gaiola, correu para a janela e viu um carro estacionando, se desesperou e seguiu até Indra.
— Va-vamos tirar isso e vestir algo legal pra ver o papai?! – Indra não objetou, até se divertiu, mas era sempre meio trabalhoso vesti-lo já que era uma bolinha cheia de dobras.
Tirou a regatinha e o calção, verificou a fralda, vestiu-o um calção confortável e o deixou sem camisa mesmo, o levou de volta ao berço, balançou o brinquedinho que girava acima deste e correu para perto da poltrona verde ao lado do berço, arrumou o cabelo, o vestido de seda que vestia desejando estar em algo mais arrumadinho para a ocasião, mas sem tempo para tal.
Ficou parada com a mão apoiada na poltrona e outra atrás das costas até que lembrou que deixara as roupinhas e o chapéu de palha sobre a cama.
E já ouvia os passos no corredor quando se jogou para o colchão, catando tudo e enfiando embaixo da almofada da poltrona.
— Preciso de nitrogênio líquido no meu drink, que puta calor da porra...- Sasuke veio, resmungão como sempre, parecia ter entrado chutando as portas. Ela não viu direito pois estava tirando um bocado de cabelo do rosto.
Apenas voltou á posição planejada e tentou sorrir naturalmente.
— Aqui tem um ótimo bar...- Kakashi disse, entrando atrás dele.
Sasuke parou, esfregando a nuca úmida de calor e notando facilmente que algo estava meio errado, encarou Sakura com olhos estreitos e ela parecia muito ansiosa.
Seu cabelo estava ficando maior outra vez, quase alcançando os ombros, e vestido que usava era impossível de ignorar, seda fina, clara e estampada, alças estreitas e decote amplo.
Soava bem simples, dado o clima e comparado as outras mulheres no hotel que desfilavam ou em coisas mais apertadas e transparentes ou em biquínis cavados.
Mas algo simples estava fazendo diferença até demais nas formas que ela tinha atualmente.
Sasuke largou a bolsa que segurava e se aproximou, sem pressa e sem desviar o olhar do dela, sentia sua ansiedade crescer como ondas de ar e parou bem perto dela, encarando-a de cima. Sakura arquejou minimamente, balançando um pé inquieto.
— Oi. – Ele soltou, ainda intrigado e ela ofegou de leve, não apenas consciente de que estava dando bandeira, mas de quanto tempo não o ouvia ou sentia tão perto.
Seu cheiro discreto e meio apimentando tomou os sentidos dela e seus olhos negros estavam calorosos de uma forma que a deixavam... Trêmula, em pontos proibidos de se mencionar perto de crianças.
— O-oi...? – Respondeu, com a voz ainda falha.
Sasuke estreitou mais os olhos, mas Indra fez um barulhinho, sinal de agitação e ele os desviou para o berço.
— Ah, então ainda está aqui. E inteiro.
Sakura praticamente caiu sentada na poltrona, como se a troca de olhar entre eles tivesse sido o bastante para lhe roubar a força vital.
Quase sentiu ciúmes de Indra, mas era melhor se recompor primeiro.
Sasuke deixou o dedo indicador entre as mãos de Indra, ele pressionou bem forte, os olhos bem abertos e atentos, um tom verde que ás vezes parecia azul como os olhos da avó dele.
Seu cabelo cresceu mais, brilhante e rosado. Então ele seria mesmo um cara bem chamativo...
— Puta merda... Ele deveria ser grande assim?
— Ele está saudável...- Ela já tinha isso decorado, todo mundo ficava estranhando afinal.
— Deixe-me ver! – Kakashi se aproximou, empolgado em rever o menino. — Oh, realmente... está bem... graúdo, hein?
— Ele parece um bebê de seis meses?
— Que exagero! O médico disse que ele está ótimo. – Sakura ralhou.
— Está dando algum suplemento a ele? – Sasuke perguntou, pegando-o no colo e reparando no peso, arregalou os olhos. — Puta merda, Sakura!
— Ele só mama! Tem dois meses, eu não poderia dar-lhe nada nem se quisesse!
Sasuke a fitou ainda pouco convencido, e mais uma vez notou as novas formas dela. Quadris mais avantajados, cochas mais carnosas e traseiro ainda mais cheio, a cintura ficou mais roliça também, e os seios aumentaram quantos números? Talvez dois.
Estavam pesados e cheios e este decote só destacava mais. Esperava que ela estivesse ocupada demais cuidando do rolhinha de poço para ficar patetando num hotel cheio de lobos.
— Sei...
— É um bebê fortinho, não tem nada de mais. – Kakashi brincou.
— Tá de sacanagem? Peguei ele não tem cinco minutos e meu braço já está dormente.
— Ah, você só está desacostumado, digo, a pegar o nenê. – Sakura sorriu, terna. — Mas é melhor que vá descansar da viajem primeiro, não? Eu cuido dele!
Sakura pediu o menino, Sasuke o entregou, ainda muito desconfiado de que a tonta conseguiria andar por aí com essa bolota de carne sem tomar um tombo, mas ela se moveu para fora do quarto, com seu traseiro cheio balançando no vestido.
Ele se sentou na poltrona, com uma careta azeda.
— Vê? Ambos estão bem e saudáveis! – Kakashi tranquilizou.
— Tsc, saudáveis até demais.
Ele se levantou, passeando pelo quarto e o analisando ligeiramente, suspirou realmente enfastiado da viajem.
Sakura o fizera ir até a Coréia do Norte só para matar um empregado do alto escalão do governo que tinha ligações com a casa nórdica.
Entrar e sair do país mais fechado do mundo exigia tempo e habilidade até para ele, mas ele não achara grande problema, estava mais era afim de saber qual fonte havia fornecido essas informações para aquela pentelha.
Bem, agora teria tempo para tentar descobrir.
Kakashi se despediu dizendo que iria tomar uma boa massagem para relaxar e antes de sair notou a gaiola de Plum e o chapéu colorido na cabeça dele.
— Ora, parece que alguém está bem no clima de férias...
Sasuke se aproximou da gaiola e fez uma careta.
— Puta merda, não vou nem perguntar.
— Ele está bem charmoso até.
Kakashi saiu, rindo, Sasuke revirou os olhos e foi tomar banho, dormiu o resto da manhã e almoçou no quarto, enquanto olhava Indra cochilar no berço.
Ele realmente estava pesado demais para que mantê-lo no colo fosse uma opção duradoura.
Mas depois que ele acordou e passou a fazer escândalo, Sasuke o catou e passeou pelos corredores, balançando-o sem muito sucesso.
— Que foi? Nunca viu um bebê chorar? – Retrucou para os olhares tortos que davam. — Tsc, onde está aquela rata tonta da sua mãe?.
Chegou a área da piscina, havia um bar cheio de patetas arrumadinhos tomando drinks exóticos e olhando o rabo das turistas.
Indra diminuiu o choro, apenas choramingando quando a claridade e as cores ao redor chamaram sua atenção.
Sasuke sentou numa banqueta, e pediu um drink.
— Não vai embebedar o bebê, vai? – O barman indagou, e ele parecia realmente perguntar isso por experiência própria.
Sasuke nem questionou e apenas negou.
— Own, meu deus que fooofo! – Uma turista bronzeada disse passando por ele junto de outras mulheres.
— Que olhos lindos! Ele é seu filho? — Perguntou outra.
Indra as fitou, sério e curioso e então sorriu quando uma apertou de leve sua bochecha.
— Ah, definitivamente é.
— Meu deeeus! Ele é lindo!
— Que bolinha mais preciosa!
Sasuke já estava acostumado com mulheres se jogando ao redor, mas realmente havia diferença em ser visto como uma aventura quente e ser visto como pai de um bebê bonitinho.
Quando elas repararam nele foi como se tivessem ainda mais energia pra tentar pegá-lo.
Não que ele realmente se incomodasse, era natural, um macho saudável e atraente que de cara também já demonstrava que seria um bom progenitor posto que a cria que exibia de exemplo era perfeita.
— Posso pagar uma bebida ao papai?
— Eu não acho que ele se incomodaria...
Sasuke ajeitou o bebê no colo, passando pro outro braço, coisinha pesada.
— E a mamãe, se incomodaria? – A outra sondou.
— Ah... – Sasuke localizou de relance uma cabeça cor de rosa que não era a que portava maravilhosos cinquenta por cento do DNA dele.
Sakura estava do outro lado da piscina, deitada nas espreguiçadeiras com sua pele de marshmallow levemente tostada exposta ao sol caribenho.
Usava um maiô xadrez e um chapéu enquanto lia algum livro e era literalmente observada de longe por todo fodido abutre que havia ao redor.
— Na verdade... Acho que vou ali, perguntar a ela... Com licença.
Pegou seu pedaço de algodão doce possivelmente obeso e se encaminhou até lá, olhando ao redor para cada merdinha que mirava aquela belezinha cor de rosa. Afinal, ele tinha uma prova de que era o único fornecedor da fábrica, no colo.
Sasuke se sentou, puxando uma das espreguiçadeiras e só o notou quando ele segurou Indra em posição sentada sobre a mesa ao lado.
Sakura encarou o filho e sorriu, se sentando.
— Ooown! Meu nenê! Você está aqui! – Sasuke o trouxe de volta para o colo quando ela fez menção de pegá-lo.
— É como dizem, se Maomé não vai até a montanha que ele mesmo pariu...
— Eh? Como assim? Precisavam de mim? Ele está com fome?
— Não precisa mais, acho que as moças do bar o distraíram bem.
— Que moças? – Sakura olhou para o bar, e então o deu um olhar feio. — Não deixe qualquer um ficar tocando no bebê!
— Ele não puxou sua timidez, o que poderia fazer? E está reclamando de quê? Bastava estar no caralho do quarto.
— Ora! Achei que você fosse querer passar um tempo com ele...
— Aí você poderia trazer seu traseiro branco pra tomar um solzinho?
Sakura franziu o cenho.
— Oh, isto é mal? Deveria tê-lo chamado? Achei que também poderia querer descansar.
— Você.... Você tem que ser muito dissimulada, por que pra ser tão tonta.
— Por que está zangado comigo?!
Sasuke inspirou profundamente, e fitou o bebê deles, alternando os olhos curiosos entre os dois.
— Não estou... Só estou... Enfim, foda-se, irei voltar pro quarto.
Sakura o fitou, ainda receosa.
— Quer que eu.... Fique com ele pra você descansar?
Sasuke negou, exausto.
— Eu me viro, acha que ele sentirá fome logo? – Ela consultou o relógio e negou, sorrindo.
— Não! Geralmente ele deveria estar dormindo a essa hora, deve ter se animado com você por perto!
— Hm.
— Acha que consegue por ele pra dormir...?
— Tch, como se fosse grande coisa.
Bem, na verdade Indra era bem difícil, por mais sonolento que estivesse, ele preferia ter alguém o segurando ou dormir no peito, mas Sakura resolveu deixar o pai dele descobrir por si mesmo.
— Okay! Até mais.
Sasuke se levantou, levando a montanha consigo, Sakura acenou para o bebê e voltou a sua leitura.
No quarto, ele deu água ao menino, andou por toda a suíte ninando-o e por quatro fodidas vezes, tentou deixa-lo no berço assim que ele dormia e ele acordava e chorava por colo em seguida.
Infelizmente o berço no quarto era apenas o bastante para encaixar aquela bolota ultra sensível então Sasuke não poderia nem dar adeus a dignidade e deitar logo lá dentro, posto que parecia ser isso que Indra queria.
No fim, Sasuke se sentiu três vezes mais cansado do que quando se infiltrou na porra da Coréia do Norte e três vezes mais pressionado a ter êxito em não explodir a bomba de choro a cada tentativa.
Desistiu, deitou na cama com ele bem próximo de si, e mal ele dormira, desabou no sono.
O dia passou e a já eram quase nove horas quando da noite quando ele arrancou a cara do travesseiro, desnorteado.
Sakura estava na poltrona, dando de mamar ao menino e Sasuke se remexeu, mau humorado e zonzo.
— Ah, você acordou! Por que não disse que estava tão cansado? Eu cuidaria dele...
— Não, apenas... Dê tudo o que ele exigir, só não o deixe chorar. Dê seu leite, o leite da vaca mais cara do planeta, ponha o Taj Mahal no nome dele e a Disneylândia eu dou um jeito de arranjar depois, só não o deixe chorar.
Sakura arregalou os olhos, surpresa e Sasuke enfiou a cabeça debaixo de um travesseiro.
Ela riu e fitou Indra, lembrando que quando retornara ao quarto, ele estava acordado rindo sozinho, ao lado de um pai desmaiado de sono.
— Oh, você foi mal com o papai? Deu trabalho a ele por ter demorado a vir te ver?
Ou talvez Indra era quem quisesse por o pai para dormir primeiro.
Ela se levantou, levando-o ao berço, sentou-se do lado e ficou acariciando sua cabeça e cantarolando para ele, a essa idade ele já fazia muitos sons em resposta.
Sasuke puxou o rosto da toca e observou-a, cantarolando Scarborough Fair para o menino.
Suspirou, ainda sentindo como se tivesse, pela primeira vez, perdido feio para Sakura. Nem mesmo jogar a culpa na ideia de que mulheres são naturalmente melhores nisso parecia o bastante.
Talvez por que a mãe dele o criara e a Itachi sozinha por uma boa parte do tempo, por mais que ela também se ausentasse tanto quanto Fugaku, ela era quem suportava o peso de educar dois garotos muito mais. Uma parte dela se orgulhava muito disso.
Mas ele sabia que havia outra que ficara sozinha ao lado do berço, espantando os monstros do armário enquanto escondia o temor de saber que Fugaku poderia não voltar mais, um dia.
E ele não gostava ou era capaz de se orgulhar de saber que fazia Sakura passar pelo mesmo, não importando quão bem ela estivesse lidando com isso agora.
Sakura se virou para ele, e sorriu falando baixo.
— Ele dormiu!
Sasuke suspirou e estendeu a mão para ela.
— Aqui.
Sakura se levantou, ainda bem cautelosa pra não acordar a bomba de choro e seguiu até a cama, sentando-se, Sasuke a puxou para de baixo de si e beijou seu rosto.
— Se arrume e me espere no restaurante.
— Hum? Mas agora? Não é melhor comer no quarto? Você ainda está cansado...
— Já tive o bastante de ficar enfurnado, agora quero comida boa, bebida boa e... – Beijou o pescoço dela e o maxilar.
— E? – Sakura riu.
— Minha mulher num vestido quente.
— Oh.
— Vá, agora, ou vou descartar a comida a bebida e o vestido. – Sasuke ameaçou, o tom rascante.
Sakura o fitou, nervosa e desconcertada.
— Mas o bebê...
— Ele está entupido de leite até a borda, e numa cama confortável, se ele não estiver satisfeito eu vou mandá-lo trabalhar em alguma campanha de fraldas, pra dar valor ao luxo que tem. Tenho certeza que alguém pode olhar ele enquanto comemos como pessoas normais.
— A-acho que posso pedir para uma das garotas... – Sakura se levantou. — Mandá-lo trabalhar? Que rígido, Sasuke-kun...
— Teremos que ensiná-lo o valor do trabalho um dia, não?
— Mas nem você....
— Eu o quê?
— Vou tomar um banho.
— Boa garota.
¤
Sasuke desabotoou os punhos da camisa e escovou o cabelo entre os dedos, enquanto se olhava no espelho, ao sair do banheiro, deu uma breve conferida no telefone, mas parecia que Kakashi ainda tinha tudo sobre controle, em se tratando de manter a bomba cor de rosa pausada.
Saiu do quarto e atravessou os corredores, passando por Ino e Karin já perto do saguão.
— Oooh! Parece que alguém não aprendeu a lição e vai fazer bebês de novo. – A loira provocou, Karin gargalhou e ele forçou um sorriso, irônico.
— Hilário, hilário... Mas aprecio sua confiança na minha assertividade, loira.
— Considerando a situação, está mais pra crer no seu azar... Vê se usa camisinha, cara. – Karin avisou.
Parecia uma policial dando palestra a uma turma de adolescentes.
— Valeu, Dominatrix.
— Fodido. – Ela desistiu de dar algum conselho e ambas partiram. — Quem está com o Indra?
— Kakashi...
— Bela babá.
— Bom, ao menos um olho ele certamente vai manter no bebê...- Ino brincou.
Sasuke teve que rir dessa.
Ele finalmente chegou ao restaurante, um espaço dedicado a comida e ritmos caribenhos. Além do bar, havia um espaço vazio para dançar, uma banda e uma cantora empolgados e apaixonados.
Um casal dançava rumba com extrema graça e técnica enquanto a maior parte, apenas arriscava alguns passos, o ritmo lento e sensual para trocar carícias e palavras.
Sakura estava no bar, usando um vestido verde escuro, o cabelo penteado o bastante para quase ficar comportado, tinha um drink na mão e um idiota tentando convencê-la de que ela tinha pernas perfeitas para dançar rumba.
— Acha elas perfeitas? Não me viu entre elas.— Respondeu-lhe, em espanhol.
O homem se afastou, com desculpas enquanto Sakura os fitava intrigada.
— O que você disse a ele?
— Ah, que a peruca dele estava torta.
— Peruca?! – Ela se espantou, não reparara muito, mas nunca imaginaria que fosse peruca.
Sasuke se sentou no lugar ao lado e acenou ao barman.
— Então, o que está bebendo?
— Um Mojito! — Sakura acenou com o copo.
— Clichê...
— Chato, não vamos pedir uma mesa?
— É claro.
Sasuke pediu a bebida e logo um garçom os indicou a mesa deles.
Sasuke tomou um drink de Pinã colada enquanto esperavam os pratos e Sakura ficou observando os casais dançarem.
— Então você tem boas pernas para a Rumba? – Ele provocou, ela fez careta, mas não teve coragem de reclamar.
Não era como se sentisse super bem ultimamente. Estava bem mais gorda do que já estivera em toda a vida, e um pouco cansada também.
Indra consumia boa parte do seu tempo, mesmo quando estava quietinho e com alguém de confiança, Sakura não conseguia deixa-lo por muito tempo.
Receber qualquer elogio depois de ter o bebê era quase desanimador, os poucos estranhos com quem interagiu mais falavam isso elogiando o bebê do que ela, ou simplesmente soavam mais condescendentes.
Não era como se ela também pudesse apelar muito, nem um biquíni tinha coragem de usar, e agora além de algumas estrias da gravidez, também portava uma cicatriz de tiro na barriga.
Sasuke esticou o braço, passando-o facilmente em torno de seus ombros. A mesa era pequena e as cadeiras bem próximas. Só sentir as pernas dele perto das suas, a deixava ansiosa e meio aflita.
Ele como sempre, era bonito demais para ignorar. Sakura estava se esforçando para não reparar quantas mulheres naquele salão já estavam suspirando sobre ele, e para não se frustrar e detestar a escolha do vestido.
Talvez tivesse ficado melhor antes de Indra, mas agora, era justo demais em seu quadril e seios, pernas muito expostas.
— Você... Você não disse como foi a viajem...- Falou.
— Por que não estou afim de falar dela. – Ele retrucou, baixando o rosto e cheirando seu cabelo na altura da têmpora. O nariz roçando na cicatriz.
— Entendi...
— Por que está toda encolhida? Nem naquele encontro em Londres você ficou tão nervosinha...
Sakura olhou para o colo, as mãos nervosas apertando o vestido.
O que ele dizia era verdade, mas ainda parecia outra vida. Ela era uma outra que nunca imaginou ser, e ele era outro também.
Mas agora tinha ainda menos segurança. Não era mais uma garota tão jovem e normal indo ao primeiro encontro com um pretendente (ao menos assim ela tentara tratar a situação, que era meio bizarra já na época).
— Não sei... Talvez por que era um encontro com meu noivo, e não um cara que só é o pai do meu filho...? – Brincou.
— Ah, só isso?
— Acho que sim...? O que somos agora? Além do fato que eu mando em você?
— Muito engraçado... Mas se quer uma resposta. – Sasuke se inclinou mais perto. — Eu posso apenas voltar a ser aquele noivo que queria transar com você no primeiro encontro...- Ciciou, a voz aveludada a fez prender o ar e apertar as pernas, quando Sasuke também pousou uma mão em seu joelho nu. — Mas a questão é, vou ter a resposta que quero, ou a mesma de antes?
Seus dedos calejados faziam círculos na pele dela, Sasuke ainda murmurou o quanto ver as orelhas dela esquentarem era quente antes do garçom chegar com os pratos do menu de degustação.
Ele não a provocou mais enquanto comiam.
Sakura sabia que tinha que dar uma resposta logo, por que ele não era de desistir fácil. E ela sabia que suas reservas eram parte paranoia e insegurança.
Sasuke não era o tipo que se importava tanto com beleza exterior. Ainda mais por que o corpo dela era apenas resultado de algo que ele também teve parte.
Depois da sobremesa, eles conversaram um pouco sobre aonde ela devera ir depois do Caribe. Talvez Havana ou Moçambique.
Mas Sakura não queria mais calor, queria passar o primeiro Natal com o bebê onde houvesse neve, mesmo que voltar para a Europa não lhe soasse seguro ainda.
Talvez manter-se na Ásia fosse a melhor opção, veriam depois, ele não queria pensar nisso tudo agora.
A prensou ao lado da porta do quarto, empurrando o quadril contra o dela devagar e firme até tê-la gemendo baixinho.
— Queria dançar, amor? Eu posso dançar com você. Daquele jeito... Você só precisa aceitar.
Sakura não poderia ser capaz de negar, e isso era injusto. Mas percebeu que talvez fosse melhor simplesmente deixar ele levar tudo, como sempre.
Desta vez ao menos, era realmente justo depender dele para conseguir ir adiante de novo.
Será que algum dia ela poderia agir livre de qualquer insegurança, trauma ou cicatriz?
Que seria apenas uma mulher comum e segura para sair para jantar com seu companheiro num vestido mais provocante e se sentir bonita e desejada em vez de constrangida e temerosa?
Sasuke passou o cartão na tranca eletrônica e empurrou a porta, erguendo-a pelo quadril, entrou e fechou-a.
A pôs no chão e virou-a de costas para si, arrastando as mãos até as alças do vestido.
— Você... Está tão gostosa por aí, que eu poderia bater em sua bunda deliciosa e prendê-la no quarto, deveria, na verdade.
— Nã-não entendo... Eu fiz algo errado?
— Você não é errada, Sakura. Você é apenas... Venha aqui. – Sasuke a empurrou em direção a dossel da cama.
A suíte em si era praticamente a mesma que ela ocupava com Indra. Sakura abraçou a coluna de madeira, ofegando com os beijos e chupões que ele deixava em seus ombros e costas e descendo cada vez mais, pela coluna, suas mãos apertando as pernas dela. Mordeu o traseiro dela, excitado.
Sakura se virou puxando-o pela roupa, Sasuke se ergueu, juntando suas bocas e cambaleando até a poltrona. Caiu com ela no colo, beijos ardentes marcando ambos, mãos sedentas abarcando mais carne e desarrumando as roupas.
Ele tirou o blazer e Sakura desabotoou sua camisa, apressada.
— Tire o vestido, amor, também quero ver o que tem por baixo. – Ele ronronou.
— Não...
Ela o queria todo primeiro, Sasuke riu, roucamente.
— Não? Não? – Puxou-a pelas pernas, içando-a enroscada em si até a cama. Afundou no colchão com ela.
Deitando por cima, puxou o vestido através da cabeça dela, Sakura prendeu a boca no pescoço dele, saudosa de seu perfume, as mãos focando na calça e no cinto.
— Vamos lá, deixe-me olhar o que eu quero. – Ele riu, prendendo seus pulsos acima da cabeça. Olhou para seu corpo, a delicadíssima calcinha e o sutiã que vestia.
— Não tem nada que olhar tanto...- Sakura protestou, desviando os olhos. Ele a encarou um instante antes de afundar o rosto em seu pescoço, mordendo-a e tomando um gemido.
— Eu decido isso, porra. – Sasuke rosnou, a boca trilhando até os montes dos seios, beijou e chupou sentindo-a praticamente gozar de tanta sensibilidade. — Que tesão, Sakura. Você vai nos matar um dia.
Sakura sorriu, os olhos fechados apreciando o caminho que a boca dele fazia em seu corpo.
— Algo está diferente...- Murmurou, esganiçado.
— Está...- Sasuke grunhiu. — E muito melhor. Venha aqui. – Ele ficou sobre os joelhos, puxando-a para si, Sakura se ajoelhou, o fitando curiosa.
Sasuke arrancou a camisa de si e o cinto, atacando ela em seguida, abriu o sutiã, mordiscando sua garganta inteira. Ela se contorceu, apoiada nele, arranhando os gomos de seu estomago até o cós da calça.
Sasuke bateu a palma com firmeza num lado do traseiro dela e Sakura miou longamente, estremecendo. Ele riu, apertando o lugar.
— Está mais sensível ou isso tudo é saudade, amor?
— Eu não sei... Acho que ambos...? – Ela respondeu, honesta e ingênua.
Sasuke beijou-a, embalando a língua dela numa dança feroz. Baixou as palmas por sua pele do quadril até a borda da calcinha, enfiando os dedos por dentro dela, arrastou-a para baixo.
— Onde mais está sensível assim? – Interrogou, levianamente, sua própria voz quase sumindo num engasgo quando sentiu uma mão dela dentro da calça.
Sakura ronronou, completamente envolvida, beijando seu rosto, boca e pescoço, afagando o cabelo dele carinhosamente enquanto a outra mão pressionava e deslizava em seu pênis por sobre a cueca.
Ele tentou contar quantos drinks ela havia tomado durante o jantar, mas talvez tivesse tomado mais de um mojito enquanto esperava no bar?
Sakura desceu mais a boca, saboreando a pele dele, no peito e barriga.
— Hmmm, você é bom até de provar assim...? – Disse baixinho.
— Ao que parece...? – Ele estava meio perdido ainda.
Talvez ele que tivesse bebido demais?
Sakura puxou sua cueca de vez, a mão apertou-o carinhosamente enquanto o beijava.
— Aqui também...?
— Fica o questionamento...?
Ele não estava entendendo tudo, mas não era como se achasse necessário impedir o avanço da situação.
Sakura deu uma risadinha, ele notou suas orelhas vermelhas como pimenta, e achou que ela houvesse chegado ao limite.
Ela puxou o cabelo de lado, e sorriu de uma forma muito graciosa e vergonhada, mas sobretudo, completamente afim.
— Então eu acho que deveria descobrir logo...
E então fechou os olhos e encostou-o na boca, primeiramente esfregando a cabeça contra os lábios, conhecendo a textura de sua pele naquele ponto. Só então ela sugou para dentro e ele viu que a coisa toda era, absolutamente real.
— Okay, eu preciso de um tempo. – Sasuke puxou a coberta e tudo escureceu pra ela por que ela ficou presa lá dentro.
Quando saiu para a luz, Sakura o fitou andar de um lado para o outro, resmungando coisas e esfregando a cabeça, perto da varanda.
— Sasuke...? Eu fiz algo errado? – Perguntou, genuinamente se sentindo mal e tola por ser tão ousada.
Mas era que ele a fazia se sentir tão bem e perfeita com tanta facilidade sempre, que Sakura achou que poderia ao menos tentar retribuir de alguma forma...
E rapazes gostavam disso, certo...?
Sasuke parou, olhando pra ela, ainda coçando o queixo. Lá estava ela, “a ponto de bala” e desinibida pra um caralho.
Ele apenas havia levado um tiro na cabeça em algum momento enquanto seguia do quarto até o restaurante, horas atrás e agora estava no inferno?
O que importava era que, essa diaba assumindo as formas de Sakura estava se tornando um anjo.
Recompensa ou castigo, ele descobriria mais tarde.
— Fim do intervalo. – Declarou, seguindo pra cama. — Isso que é hora extra, porra.
— Hum?
— Venha aqui. – Sasuke puxou a coberta e caiu sobre ela. — Olha, vamos esquecer sua tentativa de boquete, eu não quero gozar ainda.
— Mas eu nem...
— Eu sei, porra.
— Oh...- Os olhos dela brilharam em entendimento e corou de alegria. — Então Sasuke-kun tem uma fraqueza também?
— Agora tenho.
Ele iria iludir ela (certo, talvez nem fosse mesmo ilusão) e deixá-la achar que poderia explorar esse ponto fraco á vontade.
Não era como se ele fosse odiar.
Sakura riu, muito satisfeita com o êxito de sua empreitada.
Sasuke a beijou, finalmente livre das roupas, acomodou-se com pressa entre suas pernas. Esfregou o pênis contra a entrada dela, arrancando-a um suspiro ansioso.
— Que delícia, amor. Você está molhada assim?
— Hmm.
— Quer muito isso, hm?
Sakura abraçou pescoço, beijando-o.
— Você também...
— Touché. – Ele empurrou dentro dela, com força, deslizou em sua carne facilmente e foi deliciosamente contido nela, gemeu profundamente enquanto Sakura fez um barulho alto e agudo. — Caralho, Sakura.
— Não pare.
Sasuke inspirou profundamente, como se cada pedaço dela fosse uma nova provação para sua honra.
Apoiou as mãos acima dos ombros dela, Sakura apertou as pernas contra ele implorando por mais.
— Cacete, que bocetinha deliciosa, amor. – Grunhiu para ela. Sakura assentiu, arranhando as costas dele, os olhos apertados de puro prazer, era como se cada centímetro de seu canal estivesse hipersensível a ele, estirando-se e abraçando seu pau quase dolorosamente.
— Tão bom.- Ela ronronou, ele beijou sua garganta, rindo baixinho. Ela estava tão falante e excitada.
— E o quê mais?
Sakura gemeu outra vez, as coxas apertaram e sua coluna arqueou.
— Mais forte. – Suplicou, num fio de voz. — Assim... Eu quero assim...
Sasuke rolou sobre as costas, os joelhos dela se prenderam contra seus quadris e suas pequenas mãos envolveram os pulsos dele contra o colchão. Sakura montou-o, olhos fechados e os lábios curvados num sorriso de puro êxtase. — Assim, muito bom.
— Percebo...- Ele comentou, impressionando. Ela abriu os olhos, verdes e ardentes e Sasuke sentiu como se fosse um golpe em sua libido.
Sakura se curvou, beijando-o, os quadris remoendo-se nele, seus dentes puxaram o lábio dele e a língua esfregou sensualmente.
— Porra. Faça isso de novo e eu vou gozar.
— Eu... não quero isso agora. – Sakura o soltou, apoiando as mãos em seu peito e ele segurou seu quadril, tentando retomar o controle ou ela o teria gozando de todo jeito.
— Puta que pariu, Sakura.
Ela soluçou um protesto quando tentou pará-la, mas uma pontada de prazer a fez estremecer e parar um instante, para sentir tudo. Deitou sobre ele, o beijando no pescoço.
— Você é tão safado, hmmm... – Ronronou.
Sasuke quase se sentiu insultado.
— Quem é que encarnou a cowgirl? – Retrucou, ofegante.
Sakura riu, erguendo-se, mordiscou os próprios lábios inchados e recomeçou a se mover, puxou uma mão dele do quadril e pressionou no seio cheio e sensível.
Sasuke não tinha o que reclamar e sabia disso, era melhor cala a boca e deixá-la brincar.
Tirou a outra mão do quadril dela e massageou seus seios juntos, as pontas durinhas esfregaram suas palmas e Sakura choramingou, subindo e descendo mais forte.
— Vamos, querida, tome isso.
— Você vai me deixará fazer de novo depois...? – Ela ciciou, talvez mais pra si mesma, pensando alto.
Ele soube ao que se referia e não havia por que negar a sua mulher o que ela queria saborear.
Se sentou, abraçando seu quadril e apertando a bunda, sugou seu pescoço até a orelha.
— Sim, você vai terminar o que começou. Essa boquinha linda ainda vai me agradar muito hoje.
Sakura afundou as unhas em seus ombros e gozou duro, as pernas vacilaram sobre ele e Sasuke segurou-a no lugar enquanto se despejava dentro dela.
Deitou novamente com ela sobre si, arquejando. Encarou o teto da cama e bateu na bunda dela, ouvindo um resmungozinho de prazer.
— Gostosa e agora safada, assim eu vou acabar casando com você.
¤
Sakura se vestiu uma camisa de Sasuke e saiu do banheiro rapidamente, o sol já estava alto, e ela correu para o colo de Sasuke, que estava ao telefone.
Ele a fitou, os olhos preguiçosos e repletos de segundas intenções e pousou a mão em sua perna, afastando a camisa até chegar a seu traseiro e puxá-la mais perto de seu quadril.
— Uh-huh, completo para dois, não, nenhuma preferência. – Ele desligou e deixou o telefone sobre a mesa, relaxando.
— Pediu o café da manhã?
— Aham. – Sasuke puxou-a, beijando-a no pescoço. — Mas estou com muita fome para esperar.
Sakura riu, abraçando-o.
— Já perguntou a Kakashi sobre o bebê?
Sasuke desceu o rosto por seu colo, puxando os botões da camisa e abrindo-a.
— Que bebê?
— Engraçadinho! Vou deixá-lo trocar a próxima fralda, isso vai melhorar sua memória...? – Ela ofegou, quando ele chegou aos seios e os mordiscou.
— E isso melhora a sua? – Disse, roucamente. Sakura agarrou a cabeça dele e o beijou, Sasuke rosnou, puxando seu quadril mais perto de si e ela gemeu ao senti-lo pronto para si.
As batidas na porta os interromperam, e Sasuke bufou, Sakura se levantou, aprumando-se e foi atender.
Não apenas a empregada com o café da manhã, mas Kakashi com Indra nos braços.
— Yo!
— Aaah! Bom dia! – Sakura pegou o filho, empolgada. — Bom dia, meu nenê!
Kakashi entrou, recebendo um olhar mortal de Sasuke e a empregada colocou o café na mesa.
Sakura já estava completamente envolvida em alimentar o pirralho, Sasuke concluiu que não brincaria com aquelas tetas tão cedo.
— Já disse que te odeio? – Kakashi encolheu os ombros.
— Eu mandei mensagens, ora. E eu fiz tudo dentro das minhas capacidades, brinquei, vi TV com ele, troquei fraldas e pus para dormir, alimentar é que não poderia.
Sasuke deu de ombros, percebendo Indra mamar com voracidade, talvez não estivesse mesmo acostumado a abrir mão dos lanchinhos da madrugada.
O pai dele também não abria mão de comer a noite toda, então era melhor esse pentelho começar a aprender a dormir a noite toda.
E a ser fácil de por na cama também, Sasuke sentia até crise de ansiedade só em pensar em ter de passar pela tarefa de convencê-lo a dormir outra vez.
— Bem, se não precisam mais de mim, vou para a piscina tomar um bom sol.
— Obrigada, Kakashi! – Sakura agradeceu, sentada na cama com Indra nos braços.
— Ao seu dispor.
— Pode por um coquetel na minha conta, velho, eu pago.
— Ora, ora...- Kakashi arqueou a sobrancelhas.
— Mas só um. – Sasuke completou logo. Sakura revirou os olhos.
— Sasuke, tenho certeza que não está com a carteira tão magra assim para ser tão mesquinho.
— Quem está montada na grana que me pertence mesmo?
Ela ruborizou, ofendida.
— Insinua que sou uma golpista?
Sasuke jogou o olhar para ela e acabou pousando na bolota agitada em seus braços também.
Ela estreitou os olhos, pegando a deixa e imediatamente soando bem ameaçadora com o olhar.
Ele virou a cara, fazendo pouco caso, mas nada mais disse.
— Humpf. – Bufou ela.
Kakashi se retirou com uma risadinha satisfeita.
Sakira lidaria bem de agora em diante, ela tinha o controle de tudo nas mãos, de bens á Uchihas, todos eles completamente a mercê de suas pequenas e gentis mãos monopolizadoras.
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