Vingador Vol. II
25 24. Pomo da Discórdia.
Notas iniciais

Meses depois.
Sakura estava dois quilos mais gorda.
Ela olhou a balança, os números nela continuavam os mesmos não importava quantas vezes subisse e descesse daquilo. Ela estava invariavelmente e incontestavelmente, gorda.
E o pior, era que não sabia por que esse fato a entristecia tanto. Não era como se fosse uma aspirante á modelo, ou que ser uma garota gordinha lhe fosse algo inaceitável.
Mas ainda assim, esta ida ao banheiro logo pela manhã, acabou com o resto do seu dia e ela saiu dali chorando como um bebê, voltando direto para a cama.
— Que porra foi essa? – Sasuke indagou, ainda sentado do outro lado do colchão, vendo-a se enfiar sob as cobertas e virar uma bola. — O que você viu agora?
— Sessenta e dois quilos. – Ela lamuriou.
— Hein.
— Eu. Estou. Gordaaaaa!
Sasuke franziu o cenho, sem entender bulhufas.
— E daí? Só percebeu agora?
Um silêncio agourento passou a vir daquelas cobertas. Segundos depois, ele estava sendo expulso sob uma enxurrada de objetos atirados em sua direção.
Fechou a porta atrás de si, segurando a maçaneta.
— Além de gordinha, esqueceu de acrescentar o histérica, amor.
Ele teve que segurar forte aquela maçaneta, pois do outro lado o hamster mais parecia uma daquelas ratazanas monstruosas de esgoto.
— Caralho, que temperamental...
— Também chutaria seu rabo se me chamasse de gorda logo pela manhã. – Ino comentou, enquanto passava por ali rumo a sala de café da manhã. Parou, pensativa e o fitou. — Mas ela anda mesmo meio sentimental, huh? Eu achei que fosse só pela notícia do Izuna, mas...
Sasuke soltou a maçaneta, percebendo que o monstro tinha voltado á seu habitat sob os lençóis. Realmente, Sakura estava ainda mais sentimental e instável, pendendo entre o fodidamente chorona para o malditamente histérica e assassina, desde que Izuna chegou de repente, era claro que ela ficaria muito abalada, mas isso já faziam semanas, até meses.
Porém, como ela nunca fora a pessoa mais equilibrada, e, modéstia que o toque, quando não estava surtando, ela estava montando loucamente o belo corpo dele, Sasuke não objetou muito.
Mas talvez devesse começar a estudar a possibilidade de por ela para dormir numa camisa de força?
A festa de gala em Amsterdã seria dali poucos dias, e a reunião com a cúpula, logo depois. Sakura não seria de muita ajuda se desse piti no meio da festa, ou tivesse um ataque de nervos.
Ajudaria muito mais se eles conseguissem arrancar algo de Utakata, mas o bastardo era realmente duro, ainda que Izuna estivesse apreciando bastante descontar um bocado de frustração acumulada nele.
Karin teve mais sorte que ambos, e pensar que ela quebrara a perna ao tentar conseguir chegar a eles naquela confusão em Luxemburgo, se Izuna não a houvesse achado e reconhecido, já teria virado ração. Agora ela ainda usava uma tala, mas teria mais sossego para se recuperar.
Sasuke riu dessa parte, foi hilário. Era o bom de lidar com amadores.
Desistindo de lidar com sua namorada louca de pedra, ele seguiu logo para o café da manhã. Infelizmente essa baderna toda estava dificultando que se articulassem direito.
Izuna queria revelar logo que estava vivo e assumir a Kuran, porém isso atrapalharia o que já eles tinham traçado ao usar Sakura como única herdeira, Utakata estava se tornando perda de tempo.
Na verdade, ele estava cagando se Izuna estava vivo ou não, o pirralho só queria bancar o salvador. Se Sasuke pudesse escolher um Uchiha para estar vivo, esse primo definitivamente não seria uma opção.
— O que tem pra comer? – Indagou, já estava um pouco enfastiado da comida escocesa. Porém, O reparar melhor, achou a mudança meio bizarra. — Aquilo ali é lamém...? – Interrogou, apontando uma panela, toda a mesa era puramente comida japonesa da mais tradicional. Japoneses da mesa, como Karin, Shikamaru e Naruto (que era o único interessado em lámem àquela hora do dia) estavam bem tranquilos quanto a isso.
Ino preferiria um cardápio francês, mas não tinha por que objetar, embora estranhasse a mudança repentina.
As empregadas deram de ombros se eximindo de até mesmo saber o por que daquilo tudo e se retiraram.
87 chegou seguido das gêmeas e alguns outros membros para o café e também estranhou.
— Eu perdi alguma data japonesa importante...?
— Me pergunto o mesmo. Saco...- Sasuke havia enjoado de comida japonesa já tinha um tempo, pela manhã então, recordava-o os enfadonhos dias como o contador Sasuke Sengawa.
Sakura estaria se vingando por algo? Ele realmente não se lembrava de ter sacaneado ela tanto no dia anterior, e mesmo se tivesse, ela já não haveria de ter esquecido depois do terceiro orgasmo da noite?
Na verdade, ela veio com tanta fome que ele diria estar meio perdido até agora.
Não que isso fosse a algo a se reclamar.
— Vou fritar um ovo...- Resmungou, já se levantando, mal saiu da cadeira e Sakura passou, sentando-se no lugar, puxou uma tigela, os hashis e foi catando tudo o que havia pela frente, enfiando na boca e na tigela. Suas bochechas fazia jus as de um hamster ou esquilo.
— Hmm, extá dexiciosso!
— Parece que com as lágrimas, se foi o motivo do choro, huh? – Ele ponderou, olhando-a de cima, Sakura o fitou, estreito, engoliu um bocado de uma vez e piscou pacientemente.
— Você já deve ter comido? Está parecendo cheio de energia de novo, já que está me enchendo com suas asneiras de velho!
— Pra sua informação, bochechuda, eu ainda tenho alguma, mesmo você tendo gastado ela bastante ontem. Então eu dispenso essa pandeguice toda que você inventou, prefiro ovos com bacon.
— Sempre comendo coisas gordurosas! – Sakura repreendeu, balançando os palitos com um pedaço de peixe na cara dele. — Como isso é injusto! Eu como coisas saudáveis e fico gorda e você pode passear por aqui, comendo porcarias e ainda terá essa barriga de modelo da Calvin Klein?!
— Essa bela barriga. – E ele fez questão de mostrar, levantando a camisa. — Sua filha da puta, não é mágica ou coisa assim, eu mantenho minha forma treinando pra proteger meu rabo dos caras que querem os vinte e cinco milhões....
— Lá vem ele.
— Que você ofereceu pela minha cabeça! E que porra é essa de modelo da Calvin Klein? É esse tipo de revista que lê? Acabaram os capítulos da Bíblia?
Sakura revirou os olhos, vermelha de raiva, mas preferiu voltar a comer.
— Você ganhou peso? – 87 disse e ela assentiu, desconsolada. — E só percebeu agora?
— Hah! – Sasuke gritou, largando um guardanapo na cabeça dela e se afastando. — Vou ali fazer uns fodidamente fodas ovos com bacon, mergulhados na gordura de porco e quem sabe umas babatas também pra acompanhar minha coca-cola gelada e diabética pra um caralho.
Sakura afastou a comida e deitou a cabeça na mesa, choramingando.
Izuna finalmente deu as caras, apesar de quase a idade de Sakura, parecia mais velho cinco anos, desgastado de raiva e rancor. Quando o viu pela primeira vez, Karin achou que ele mais parecia um jovem demônio corrompido dentro de si mesmo.
Olhando para a tala em sua perna, no entanto, ela sabia que se não fosse por ele, poderia ter sido pior.
Enxugando as mãos, ele puxou a cadeira, sempre absolutamente ranzinza e rabugento, olhou para a comida e fez careta.
— Que porra é essa? Dia da consciência nipônica?
Sakura levantou a cabeça e olhou para ele, cintilando de animação, era a única que definitivamente conseguia brilhar de otimismo perto dele, e isso não chocava só os outros, mas ele também.
— Você não gosta, Izuna?! Ou prefere algo mais quente? Temos lamén! Ah, você quer chá? Eu sei que você prefere chá pela manhã.
Izuna catou alguma coisa da mesa, um bolinho e enfiou naquela boca dela.
— Continue comendo, está quase ficando boa para o abate.
Sakura franziu as sobrancelhas, mastigando chateada. Tentou engolir, mas a coisa simplesmente não queria descer, seu estomago contraiu fazendo tudo ao contrário? Em vez de puxar, empurrou.
O bolinho mastigado voou para o prato de Izuna e ele não sabia se afundava a cabeça dela ou a própria na mesa.
Fitou-a assassino, e ela se levantou, afastando a cadeira e despejando tudo o que havia entrado anteriormente no chão. Seu estomago realmente doía, sua garganta ardeu e ela ficou tonta, seus joelhos fraquejando enquanto mal entendia o que gritavam ao redor.
Izuna se ergueu chutando a cadeira atrás de si, contornou a quina da mesa, por instantes, impedindo a estabanada de acertar a própria cabeça na beirada. Escorregou na poça de vômito, e Sakura ao lado, tossindo mais baba e ácido estomacal entre suas pernas.
Ele respirou fundo decidindo que o fundo do poço era um nível que você podia sempre alcançar descendo mais.
Sasuke retornou da cozinha, seus ovos e bacon estavam sendo preparados mas ele ao menos tinha uma baita tigela de cereal colorido e leite para distrair. Parou, com a colher ainda na boca, vendo todo mundo paralisado em choque, Izuna praticamente implorando para alguém atirar em sua cabeça logo e Sakura tentando botar as vísceras para fora em meio a uma colorida poça de vômito.
Ele encarou a tigela, agora totalmente indigesta, e bufou um xingamento, largando-a na mesinha ao lado.
— Mas é de cair o cu mesmo...
¤
— Eu não sei o que houve, acho que comi rápido demais... – Sakura choramingou, mais por manha do que pelo mal estar. O médico, um velhinho quase muito murcho para fazer algo que preste, assentiu, anotando com dificuldade num bloco de papel. Mexeu nos óculos, falando em seguida, com um forte sotaque galês.
— E você tem sentindo mais alguma coisa fora do normal?
— Hum? Não sei...?
— Tem que ser mais especifico, ela é ultra-estranha.- Sasuke avisou, assim que entrou no quarto.
Sakura fez bico, mas não sabia se isso poderia ter algo haver com seu psicológico. Realmente estava tensa com a festa de gala que haveria em Amsterdã, a felicidade de ter Izuna de volta também a afetou muito, ter Utakata em algum lugar sob este teto a deixava, obviamente, muito insegura, e ter Sasuke, era extremos opostos, ele tanto a fazia se sentir mais segura quanto a ponto de cometer homicídio.
Sasuke verificou o soro na veia dela, tocando seu pulso atento, ás batidas como se fosse realmente mais confiável que o médico ao lado... mas ela achou isso fofo.
— Sua pressão tem caído com mais frequência? Os enjoos? Seu corpo está diferente do habitual?
Ela afundou a cabeça no travesseiro e puxou outro para cobrir a cara enquanto Sasuke deliciava-se rindo.
— Estar virando uma bola, além de ninfomaníaca, conta?
— Sasuke! – Sakura protestou, atirando o travesseiro nele, vermelha.
— Ganho de peso e aumento da libido...- O velhinho ponderou, para horror dela e Sasuke o fitou se perguntando se ele não era um velho tarado que fugiu do asilo pra brincar de médico.
Se sentou na beirada da cama, cruzando os braços e o encarando penetrantemente. Sakura o cutucou para que parasse de ser mau educado.
Depois de coçar o queixo enrugado, o velho se inclinou para a maleta aberta e cheia de tralhas ao lado. Como aquela era uma região mais rural onde as residências eram mais simples e distantes, ele era praticamente o único médico trabalhando por lá.
Só chamaram alguém de fora pois Sakura não apresentara nenhum motivo externo para tanto mal estar, porém removê-la até a cidade mais próxima também seria um exagero.
— É... Parece que não tenho nenhum aqui... Então acho que será melhor tirar logo seu sangue e mandar a um laboratório.
Sakura até indagaria o que ele pretendia, mas amarelava fácil para agulhas. Ele tirou seu sangue e junto com um encaminhamento, o deu para Sasuke.
— Aquele grandalhão careca disse que poderiam cuidar de algo assim, recomendo que façam logo, volto amanhã se já tiverem conseguido os resultados.
— Sei...
— Enquanto isso, a senhorita descanse bastante, evite comidas pesadas ou muita pressa para engolir.- Instruiu, enquanto fechava a mala e se retirava para a porta.
— Er...
— Se mantenha hidratada e evite atividades bruscas ou violentas.
— Sim senhor... Mas acha que é algo grave?
— Bem se for algo simples, no máximo uma virose, se for algo grave como imagino...Pode ficar tranquila, pois deverá durar por no máximo... Uns nove meses.
Sakura ainda franziu o cenho, muito perdida ainda e Sasuke parou de tentar analisar aquela letra ruim para encarar a porta entreaberta e 87 que havia chego e pegado apenas o fim da conversa.
— Mas por que nove... meses...? – Ela ciciou muito intrigada e então a luz se ascendeu, embora para Sasuke mais parecia que tinha apagado e as tais trombetas do Apocalipse estivessem tocando.
— Melhor começar a rezar. – 87 assegurou, pondo as mãos nos bolsos.
— Eu sou ateu.
Sakura soltou um longo grito de felicidade.
Sasuke juntou as mãos e encarou o teto.
— Mas não custa tentar.
¤
Aparentemente, suas orações não foram atendidas e Sasuke voltou ao ateísmo assim que o teste de farmácia (possivelmente) adiantou o resultado do exame de sangue.
Ele parecia uma chaminé ambulante e Sakura uma nuvenzinha cor de rosa.
O sangue fora enviado, literalmente num jato para o laboratório mais próximo e voltou no dia seguinte.
Estavam esperando o médico vir mas Sakura já tentava espiar através do papel do envelope.
— Você sabe, testes de farmácia podem errar, então não fique tão ansiosa...- Ino pediu, já agoniada.
Todo mundo ali, menos Sakura, por enquanto, sabia quão desastrosa poderia ser a adição de um bebê a essa altura do campeonato. Isto era e não era algo que alta cúpula iria amar, muito menos o tal Guldbradsen, que a essa altura, e para todos os efeitos, tinha um homem de confiança preso nos calabouços abaixo deles e que adoraria ter mais essa informação na mão.
Sakura estava muito confinada na sua nuvenzinha materna para dar ouvidos a eles agora. Ino não tinha algo contra e muito menos inveja.
Maternidade estava longe de seus objetivos, mas ela e Karin concordavam que estariam surtando negativamente no lugar de Sakura.
— Que demora do caralho. – Sasuke rosnava, ascendendo outro cigarro. — Hei! Nem ouse abrir essa porcaria antes do velho chegar!
— Ora... Ele nem vai ligar...- Sakura insistiu, afim de rasgar mais um pouco o envelope.
— Não abre antes da hora, dá azar!
— Achei que não acreditasse em sorte tanto assim...- Kakashi disse.
— A essa altura eu acredito até em unicórnios se essa porra for negativa!
— Mas por que negativo?! – Sakura reclamou.
— Eu nem vou me dar ao trabalho de discutir com você. Estava tricotando sapatinhos antes de dormir que eu sei!
Sakura se encolheu, admitindo que foi exagero mas nesse momento as gêmeas entraram trazendo o médico consigo e ela saltitou até ele como uma gazela mesmo.
Sasuke baforou fumaça ainda mais, completamente inquieto na cadeira.
— O senhor estava certo! – Ela disse, abraçando o velho.
— Porra nenhuma!
— Estava? Veremos agora. – O velhinho riu, pegando o envelope da sua mão, se sentou, pegando os óculos do bolso da camisa com aquela lentidão trêmula que parecia faria a cabeça de Sasuke explodir.
E do resto deles também.
— Quantas pessoas, parece que esta é uma informação bastante necessária, hein?
— Não faz ideia do quanto. – 87 afirmou, já inclinado a se livrar dele e olhar o exame por si mesmo. Pacientemente o homem retirou o exame, o desdobrou, e apertou as vistas sobre as letras.
— Muito bem.... Muito bem... Muito bem...
— Sim? Sim? Sim?
— Cala a boca, Sakura! – Sasuke latiu.
— Muito bem... aqui está...
— Puta que pariu!
— Cala a boca! – Latiram pra ele.
— É, é isto. Está grávida, querida, parabéns.
— Mesmo?! – Sakura exultou, quase caindo na frente dele que assentiu.
— A gente tá ferrado...- Naruto exclamou.
— A alta cúpula vai querer nossos pescoços. – 32 disse para 87, que inspirou, não podendo fazer muito agora.
Havia aquela opção, a mais óbvia, direta e crua, que qualquer assassina da Folha tomaria sem pensar duas vezes. Mas, eles não eram servos de uma Mikoto Uchiha, então era o mesmo que não haver opção além de se desdobrar para que essa criança vingasse.
— Sasuke! Sasuke! – Sakura exclamou por fim, voltando-se para onde ele estava antes, nada havia ali além do isqueiro de prata e do maço de cigarros sobre a mesa.
— Que rápido...- Kakashi suspirou, meneando a cabeça.
Bem, nem mesmo Sasuke poderia aparar tudo que caísse nele com maestria. E ele ainda era imaturo em quase tudo que envolvia relações familiares e laços, este sempre foi seu calcanhar de Aquiles.
Mas, não podia defendê-lo agora, e apenas abraçou Sakura, consolando-a.
Já sabiam que uma hora ela cairia em si e perceberia quão errada era a hora para esse bebê acontecer. Só era uma pena que tivesse tido que ser assim, vendo-se de repente, abandonada pelo pai da criança.
¤
— Você não vai falar nada, hein? – Izuna concluiu, encarando friamente a face quase transfigurada de Utakata, de sangue, hematomas, cortes e inchaços, mas principalmente o cinismo.
Izuna teve que dobrar-se a admiração pela fibra do fodido. Muitos diriam que já não existiam assassinos tão resistentes assim na atual geração. Porém, com tantas novas cartas na mesa, parecia que ele teria de admitir que esta não seria mais que tempo desperdiçado e bode expiatório para suas frustrações.
— Percebeu agora? – Ele desdenhou, meio bêbado e anestesiado de dor ainda, da última sessão.
Izuna pensou em talvez, pela primeira vez deixar essa parte com aqueles esquisitos que seguiam Sakura ou até mesmo para o babaca do primo. Só que não tinha paciência mais.
Bufou, revirando os olhos e decidindo que se viesse até ali outra vez, seria pra dar fim nesse lixo de novamente. Se levantou e seguiu pra fora da velha cela mau iluminada.
— Que seja, tenho mais o que fazer. Como plantar que você traiu sua casa durante a festa em Amsterdã.
Utakata apenas observou, desconfiado. Não poderia alegar que era mentira, nem presumir nada, ficou drogado o bastante para perder totalmente o sentido de tempo. Poderia ser ainda muito cedo, ou tarde o bastante para que a Alta cúpula cedesse e aparecesse.
Sendo assim, Utakata permaneceu incauto, esperando o que pudesse ser aproveitado.
Não demorou muito, e ele ficou atento pois dificilmente era visitado duas vezes num intervalo tão curto.
Viu as duas loiras chegarem e entreabrirem a cela, e reconheceu de cara aquela sombra pequena entre elas.
Por um instante, ele quis que ela ficasse ali mesmo, distante e na semi penumbra.
Nunca nos libertaremos
Cordeiro ao abate
Sakura se aproximou da parede onde ele estava acorrentado como gado a espera de ser descarnado. Seus olhos verdes refletindo sob a lâmpada de luz amarelada e torpe, sempre o irritavam, porém ele ainda reconhecia qualquer minuciosa mudança neles.
— Utakata-san... Você está irreconhecível.
— Direcione os elogios ao seu primo, agora temos certeza que ele nunca foi com a minha antiga cara, hein?
Ela piscou, ainda surpresa com a mudança de tom e personalidade dele, mas se conformou bem rápido e foi direta.
— Faz tempo que não nos vemos, soube que esteve na Grécia também, uma pena não ter me visitado... Bem, eu não teria ideia do que fazer com você, mas agora eu tenho. Então creio que foi uma boa coisa...
Ele assentiu, sem interesse para o texto dela, talvez apenas muito alto por causa da dor e da irritação que ela o causava.
— Parece que não conseguiu se abrir com Izuna...
— Você fala demais. Sempre falou.
— Eu sei, perdão... Bem, eu não vim interrogá-lo ainda. Somente devolver o favor.
— Sempre falando asneira. O que te mandaram fazer? Eles acham que eu tenho apego com você? Devia tê-la jogado do trem naquele dia, mas o meu chefe tem uma fodida veia dramática...
Os lábios dela se apertaram, numa linha meio aborrecida, e ela suspirou, desviando os olhos para baixo, um momento. Era a parte mais irritante.
— Olhe pra mim quando estiver falando.
Sakura olhou por sobre o ombro, acenando com o queixo, as gêmeas entraram na cela passando a soltá-lo da parede, mas não da barra de ferro que o mantinha com os pulsos bem distantes do corpo.
— O velho Utakata-san, sempre tentando me tornar uma dama altiva que sabe se impor. – Sakura falou, com um pouco de humor.
Ele tentou avançar nela, mas foi facilmente posto sobre os joelhos.
Percebeu que, deste ângulo, os olhos dela vidraram-se em si.
O que você vai fazer?
— O que quer de mim...? – Indagou, sem fôlego. Mal sentindo a picada no pescoço.
Quando houver sangue na água
— Retribuir o favor. Utakata-san, naquele dia no trem, em que me fez lembrar da minha triste história, você me deu a chave para o meu futuro, e então eu me reconstruí a minha própria maneira pela primeira vez. E eu acho que você é como eu era, então, se eu lhe der sua chave, você poderia me agradecer?
O preço da sua ganância
É seu filho e sua filha
Já estava tudo embaçado quando ele se sentiu ser arrastado e via apenas as pernas e o vestido azul céu dela o seguindo.
— Você crê em alguma coisa, Utakata-san?
— Para de mentir... Pra eles...- Ele reiterou, bêbado.
— Utakata-san, ninguém mandou em mim. Afinal, sou eu que manda aqui. Todos inclusive você, farão exatamente tudo o que eu quero... Hora ou outra.
O que você vai fazer?
Quando houver sangue na água
¤
— Huh? – Ino olhou aquele par de pernas pra fora do monte feno, olhou para o cavalo na baia ao lado, mas este não parecia muito preocupado. Então ela notou o cheiro óbvio de maconha no ar e um pacote embolado em papel com uma caixa de fósforos ao lado. Revirou os olhos, realmente ficando puta com isso e chutou a canela do bastardo com gosto. — Acorda, seu zé droguinha do caralho!
Sasuke ergueu o tronco de dentro do feno, completamente grogue, sacudiu a cabeça, limpou a palha do rosto e fitou-a, os olhos avermelhados e desfocados.
— Ah, é você....
— Não precisa se borrar, não é a mãe do seu filho. – Desdenhou.
Sasuke procurou algum jeito de se levantar, mas ainda estava meio anestesiado.
— Esperava que isso fosse parte da onda que eu peguei, mas...
— Você estava aqui, o tempo todo brisando?!
— Claro que não.
— E aonde foi?! – Ele se segurou numa pilastra de madeira e praticamente escalou-a como um macaco bêbado até ficar de pé.
— Eu fui dar uma volta, espairecer, comprar cigarro... Aí encontrei um bom vendedor, o cara tinha lábia. – Declarou, seguindo para fora, ela o acompanhou, de braços cruzados.
— Awn, será que ele te ensinou a como se reconciliar com a mãe do seu filho?
— Será que dá parar... De mencionar essa coisa... De filho? Eu não sei se percebeu, mas eu ainda não absorvi bem essa história e preciso repassar alguns fatos.
— Fatos?
— Como por exemplo se eu gozei dentro tanto assim e tal...
Ino nunca sentira que um homem (que nem era dela) poderia deixá-la tão puta com um relacionamento (que nem era dela).
Olhe-me nos meus olhos
Diga-me que tudo não está bem
Entrou em sua frente, o parando com uma afiada dedada em seu peito.
— Você é... Um lixo humano. – Cuspiu e ele coçou a cabeça, irritado e doido demais pra ser efetivo numa ameaça de raspar a cabeça dela. — E você. Não merece. Aquela garota. – Ela despejou.
Ou as pessoas não estão felizes
E o rio secou
— Nisso estamos de acordo. – Sasuke desdenhou, fitando-a com cinismo.
— E também não merece aquele bebê. Mas veja só, gozador, já está feito. Então pare com essa merda imatura, ou simplesmente dê o fora enquanto é tempo, enquanto só ela sofre, ao menos. Eu não sei se percebeu, mas o mundo está desabando, Sasuke, em cima de você. Desista de fingir que ainda mantém o controle, retome as rédeas direito, ou caia fora e deixe alguém menos frouxo fazer isso!
Você pensou que poderia se livrar
Mas assim é o sistema
Ino deu as costas e seguiu, se abraçando por causa do frio que a manhã chuvosa estava trazendo.
Os respingos rapidamente pegaram ambos, mas ele continuou parado.
— Onde ela está?
Se você ouvir bem de perto
— Sendo menos frouxa que você. Ela partiu para Amsterdã de madrugada... E levou aquele Utakata com ela.
Há uma batida na sua porta da frente
¤
— Ah, o dia hoje está ótimo! – Sakura exclamou, assim que desceu do jatinho.
— Vai ao hotel? – 33 disse.
— Mas nem pensar, preciso comprar meu vestido logo!
— E quanto a ele...? — Sakura olhou por cima do ombro, percebendo o olhar sempre penetrante e cru de Utakata sobre si através da janela do jato.
Isso até foi meio nostálgico e ela retirou os óculos escuros, voltou-se á mulher.
— Cuidamos dele depois da festa...- Avisou, seguindo para o carro. — É quando o verdadeiro show vai começar.
Nunca nos libertaremos
Cordeiro ao abate
O que você vai fazer?
Quando houver sangue na água
¤
O preço da sua ganância
É seu filho e sua filha
O que você vai fazer?
Hotel De L’Europe, Amsterdã.
Sakura e suas acompanhantes, chegaram no hotel através de um barco vindo pelo rio Amstel, ter vindo pela Rokin, talvez fosse o mais seguro (e menos enjoativo) mas elas preferiram parecer muito interessadas em aproveitar o que a cidade poderia oferecer.
Seu suntuoso vestido Tony Ward era até bem confortável, e ajudava a disfarçar seu sobrepeso (esperava) desembarcaram na entrada com pouca pressa, um tapete vermelho e empregados holandeses muito bonitos e prestativos as acompanharam, as rodeando de mimos. Mas Sakura já sentia o que era estar entre a Folha, e deveras, seu humor não estava dos melhores.
Quando houver sangue na água
Quando houver sangue na
Quando houver sangue na
Cruzou o tapete vermelho, até chegar ao magistral restaurante e no momento seguinte, todos os olhares dirigiram-se a ela, como se pudessem vê-la através da requintada máscara que usava em nome do tema – Gala, Grécia, e Máscaras.
Irónico como o tema encaixava neles, verdadeiramente abastados que se escondiam sob máscaras e se achavam deuses que podiam manipular á vontade a vida das pessoas.
Implore-me por misericórdia
Admita que você foi tóxico
Bem, não que ela fosse muito diferente deles agora.
Havia uma suntuosa escada levando a outro andar muito mais reservado e quieto, e foi lá que ela viu rostos mais conhecidos.
Martino D’Amico a observou, sempre pairando entre apreciação e desconfiança, ele parecia pouco interessado em seguir a norma da festa, sem máscara, parecia saber mais que ninguém, quão bem ficava de branco, usava um calça e camisa de tecidos mais despojados, e uma casaca longa, levando na cabeça apenas a sutil reprodução de uma coroa de louros.
Ninguém melhor que o herdeiro da casa italiana para saber se trajar como um deus ou imperador romanos, ela presumiu.
Sakura seguiu até ele, sem disfarçar boa parte das emoções reais que sentia, apenas as direcionando para o que objetivava conseguir.
O fitou com aflição, e temor.
— Deusa Sakura, muito bom vê-la novamente.
— A recíproca é completamente verdadeira, sr. D’Amico. – Sakura proferiu olhando-o como se fosse sua salvação divina. — Preciso da sua ajuda... Acho que... Que cometi um grande erro.
Ele pousou a taça que segurava sobre o corrimão e fitou-a não muito interessado em cair na sua lábia.
— Que seria...
Sakura olhou em volta, fervorosamente aflita, o olhou novamente e confessou com voz fragilizada.
Você me envenenou por apenas
Outro dólar em seu bolso
— Estou grávida.
Martino atingiu a taça com um misto de golpe de raiva e reação de choque.
— O que diabos você disse? – Rosnou para ela, as loiras ao lado o olharam com cuidado e Luca aproximou-se alternando os olhos entre eles.
Sakura não se deixou abater pela reação animosa. Isso também era algo que ela gostaria de usar.
Eu sou a Doença
— De quem é? – Ele exigiu, tentando se recompor e ignorando que isso chegava a soar tendencioso.
Não aceitarei o seu silêncio
Sakura, talvez estivesse já muito afetada pelos tais hormônios, mas de qualquer forma, não conseguira deixar de ver alguma diversão nesta perigosa brincadeira.
Me implore por perdão
Acabou sorrindo, meio ladina e fitando Martino com um sutil desdém ao responder.
— Ora, sr. D’Amico... De quem mais poderia ser?
Nunca nos libertaremos
Cordeiro ao abate
O que você vai fazer?
Quando houver sangue na água
Martino já havia notado muitas facetas nesta pequena criatura de personalidade fragmentada.
O modo como ela ás vezes parecia pairar entre personalidades tão opostas o fizera primeiramente imaginar quão bagunçada e susceptível sua mente era.
No entanto, pela primeira vez, ele viu uma linha mais clara ligando Coré e Perséfone, uma linha que você poderia chamar de instabilidade, ou aprofundar a atenção e ver que era muito provavelmente, manipulação, pura e simples.
O preço da sua ganância
É seu filho e sua filha
O que você vai fazer?
Quando houver sangue na água
Quando houver sangue na
Quando houver sangue na
— De quem é a criança, Sakura?
— É de Itachi, obviamente. Eu fiz a inseminação.
Eu sou o povo
Eu sou a tempestade
Ele expirou, ainda irritado.
Talvez Sakura fosse louca como Sasuke afirmasse, mas nenhum dos dois teria o privilégio de uma camisa de força, caso o enganassem.
— É melhor não estar brincando comigo, garotinha.
— Sr. D’Amico, não, Martino, eu nunca brincaria com a vida do meu filho. É isto que é, minha criança também, não só do pai. – Sakura aproximou-se perigosamente mais, o fitando bem nos olhos. — Eu vou fazer de tudo, pela vida desta criança, céus e infernos, eu irei movê-los. Vocês todos verão.
Eu sou a revolta
Eu sou o enxame
— Mas preciso dizer por que ainda assim estou com medo, claro...- Ela suspirou.
— É claro.
— É Sasuke, eu temo que ele já saiba.
Quando a última árvore caiu
O animal não pode se esconder
O dinheiro não resolverá
— E como saberia?
— Ele tem aliados, na Folha... – Sakura inspirou, como se ameaçasse quebrar. — É alguém que infelizmente já conhecia... Ou achava conhecer. Foi Utakata.
— Que seria exatamente...?
— Não saberia dizer. – Confessou. — Mas o que sei já me é assustador o bastante...- Sakura se aproximou novamente e confessou no ouvido dele. — Ele é da Casa Nórdica... E o chefe desta casa... Não seria alguém que também pertence a Alta Cúpula?
Qual é o seu álibi?
Qual é o seu álibi?
Qual é o seu álibi?
¤
Sasuke afastou o olho da mira telescópica, após observar a forma como ela tão naturalmente se aproximou do italiano, estalou o pescoço e voltou a se posicionar, destravando a arma.
Se tinha motivos para acabar com a birra de Sakura antes, agora então, tinha mais motivos para catar o traseiro dela e arrastá-lo dali.
Ele só perceberia, minutos depois, que estava sendo só mais um seguindo os planos dela.
No agora, atirou, atingindo o peito de uma das gêmeas e iniciando o terror no hotel.
Sakura se afastou de Martino, que girava feito um cão mordendo o rabo a procura de localizar a origem do tiro.
Ela jogou os olhos direto para as janelas, possibilitando que ele a encarasse perfeitamente através da mira e seus olhos através da máscara.
Talvez a ideia do luxuoso vestido dourado fosse representar Afrodite para instigar Martino e o resto da corja. Porém, ela parecia mais com Éris, aquela que trazia o Pomo da Discórdia e com ele, plantaria uma guerra como a de Tróia.
Parecendo até que já o via perfeitamente ou sentir que era ele, ela apenas deu as costas dando um rápido, perfeitamente captável olhar de desafio e arrogância legitimamente Uchiha onde Sasuke se viu estremecendo inconscientemente.
O que você vai fazer quando houver sangue na
Sangue na água?
E então se deixou ser puxada por Luca como uma verdadeira donzela em perigo.
Quando houver sangue na água
Quando houver sangue na
Quando houver sangue na água
(Blood Water – Grandson)
Fale com o autor