Vingador Vol. II

21 20. Carregado e engatilhado.


Notas iniciais
Yooooo

Castelo McMurdoc, Escócia, três semanas depois.

Sakura, como nunca tinha muito para fazer desde que chegara, saiu pela manhã para mais um bucólico passeio pelos arredores da fortaleza de ares medievais.

Andar por ali era como reviver um livro de época, era uma construção bem isolada no vale, cercada de verde musgo e terra escura, com muita neblina pela manhã, e flores silvestres fofinhas.

Conseguia até relaxar e esquecer um pouco as preocupações.

Sentou-se num banco de pedra, ciente de que sempre havia alguém por perto vigiando sua segurança, e tentou voltar a ler.

Ainda assim, era difícil não pensar em Sasuke e se ele realmente estava seguro. Agora lembrava e sabia bem que ele era muito habilidoso para ser pego facilmente, mas também recordava do quão presunçoso ele sempre fora acerca disso, e de que ela sempre estivera com o coração apertado naquele apartamento por que temia que essa arrogância o arruinasse.

Parece que mesmo agora não era diferente, tirando que ela agora conseguia respirar normalmente estando numa área aberta como um jardim tão agradável.

Coisas que anos atrás preferiria apreciar apenas da distância da tela de uma TV ou computador.

Ela até sentia falta de usar mais a internet, ao menos era boa em entender referências de memes.

— Senhora. – 13 chamou-a. — 87 mandou avisar. Ele chegou.

Sakura saltou no banco, largando o livro.

— Jura?! Graças a Deus! – E se apressou para aa entrada, o vestido bordô arrastando no piso.

— Mas 87 acha que é melhor a senhora esperar um pouco mais para vê-lo. Ele está ferido e um pouco... Agitado.

— Ferido?! Mas é grave?

— Nem tanto...

Sakura continuou até chegarem ao amplo salão de entrada, ainda era basicamente mobiliado com móveis antigos e a iluminação mais natural possível, além de bastante frio.

Finalmente viu Sasuke, mais barbado do que antes até, bastante sujo e rasgado, muitos cortes a vista mas nada que parecesse muito grave. Ele estava até bem vermelho, então não deveria estar doente...

Ainda assim, os outros tentavam convencê-lo a sentar numa cadeira de rodas e se deixar ser examinado direito enquanto mais atrás, Naruto, Shikamaru, Damian e Kakashi pareciam apenas estarem bem aliviados só de ter chego ali.

— Tirem as mãos de mim, seus arrombadinhos filhos da puta. – Sasuke rosnava, claro indício de que estava bem de língua como sempre.

87 parecia de ótimo humor, chegando até a rir e Sasuke teria cortado sua boca fora se ainda tivesse uma faca.

— Aaaah, você finalmente chegou! – Ela exultou, batendo palmas. — Ah, vocês também! Que bom que estão bem!

— Não exatamente graças a você...- Shikamaru lembrou.

— Eh? Também foram importunados? Mas disse a 87 que era apenas por recompensa em nome de Sasuke...

Sakura o encarou e ele já a estava encarando de volta, em menos de dois segundos 87 e os outros entraram na frente dela impedindo Sasuke de ter a mão em volta de seu pescoço.

— Sua fodida rata! – Rugia, Sakura se afastou, surpresa que ele tinha mais energia do que aparentava segundos atrás. Mesmo 87 tinha dificuldade em afasta-lo. Sasuke tinha o outro braço recolhido por conta de uma provável fratura interna ou torção, mas não pode dar importância a isso na hora, e agora certamente estava dando o foda-se para tal.

Ainda tinha um braço bom e quebraria o pescoço dela como se fosse uma maldita galinha.

Lá estava ela o encarando com o ar mais pateta e feliz do mundo. Como se ele não tivesse passado quase um mês fugindo por uns sete países como um cachorro sarnento, praticamente sem recursos, com todo fodido membro da Folha tão sedento de por as mãos em vinte e cinco milhões que estava ignorando até a discrição e o atacando em completo ambiente público.

— Eu vou comer você e o seu fígado no café, Sakura. Eu juro que vou torcer você até que sobre menos do que já tem, sua rata...

Ela piscou, ainda confusa e então se ofendeu.

— Francamente. Quer dizer que agora não sou mulher o bastante para você? Uuui, eu nem quero olhar no seu rosto!

E dito isso, saiu batendo os pés para a saída.

— Volte aqui, sua ordinária!

— E você fede!

— Adivinhe o por quê, cadelinha!

— Você que é um cão ultrajante! Alguém cale a boca dele!

— Pensa que está falando com quem?! Sua...

Ele caiu sobre os joelhos quando o socaram na boca do estomago.

— Ouviu as ordens da moça. – 87 avisou, bem humorado.

Sasuke xingou sob um respiro, e tudo foi ficando borrado não só pela falta de ar, mas de comida, agua, sono e definitivamente pelo acúmulo de ódio no sangue.

— Caralho, ele parece um chihuahua tamanho família...- Naruto disse.

— Cinquenta por cento arrogância, cinquenta por cento ódio!

— Ino! – Exclamaram ao dar com a loira.

— Que bom que ainda respiram! – Ela disse, chutando a canela de Sasuke quando passaram com ele na cadeira de rodas. — Menos você, babacaaa!

***

Sasuke abriu os olhos lentamente, se remexendo no colchonete fino, olhou para o lado, vendo a haste com o soro e Sakura sentada na beirada, o observando atenciosamente.

— Eu vou moer você até não sobrar nada.

Sakura sorriu e se inclinou.

— É bom ter você de volta também. – Disse, beijando seu rosto.

Tch, pouco fácil acreditar vindo de quem pôs minha cabeça ao prêmio de vinte cinco milhões.

Sakura enrubesceu, culpada, encolheu os ombros.

— Não foi exatamente ideia minha... Era o necessário para você entender...- Suspirou, deitando a cabeça na grade de ferro lateral da cama.

— Entender o quê?

Sakura fez muxoxo, deslizando o indicador sobre a faixa que envolvia o ombro dele e o braço.

— Que estamos juntos nisso... E que se você não for me usar... Eu usarei você.

Sasuke ergueu a mão vaga na direção dela, ansiando apertar seu pescoço um pouquinho, só pra extravasar o estresse assim como morder os lábios rechonchudos também ajudaria bastante.

Só que havia uma algema prendendo seu pulso á outra grade.

— Oh, não se preocupe, é só para não correr o risco de você se machucar enquanto dorme...

— Sua porta, eu tenho cara de esquizofrênico ou coisa assim?

— Você se estressa muito fácil, ora.

— Foda-se!

— Viu? Mas era apenas enquanto estava inconsciente, você dormiu três dias afinal.

— Então me solte.

— Oh, não tenho as chaves. Estão com 87, ele disse que você pode me manipular fácil demais.

— Desde quando é minha culpa você ser tão burra?

Sakura bufou e se afastou, sentando na banqueta ao lado.

— Tão cruel. Nem está feliz em me ver ou em estar seguro.

— Eu estaria bem mais feliz, no Caribe, depois de surrar essa sua bunda de marshmellow até deixá-la tostada, amor.

— Ho-horrorizada.

— Você quase me matou, Sakura. Inúmeras vezes. – Sasuke cuspiu, sentando-se como pôde, ela ajeitou o travesseiro atrás dele, o olhando como um filhotinho culpado. — Você não tem ideia real do poder que tem em mãos. Não são babacas armados que você está mandando me assustar. São assassinos tão ou mais bem treinados que eu, que vão me matar na primeira chance.

Sakura se sentou, retorcendo-se de culpa.

— Eu sei que é perigoso... Mas eu não tinha outra forma de dar o recado. – Resmungou. — Você nunca está disposto a me ouvir, tive que arranjar outra forma.

— Mandando a Folha inteira atrás do meu rabo?!

Sakura encolheu os ombros, com um sorrisinho fraco e uma cara de tacho.

— Sim...?

— Prepare essa bundinha, apenas prepare. – Ele avisou.

— Ugh, eu não quero brigaaaar! Só queria ver se está bem, podemos falar sobre os planos depois? Você tem que se recuperar e não poderá ficar muito tempo...

Sasuke a fitou, perigosamente.

— Porquê? Não tem mais vagas aqui no castelo da Disney?

— É muito arriscado para mim! A alta cúpula logo deve entrar em contato para uma reunião, e muitas outras casas estão observando minhas atividades. Se te virem comigo, todo o meu plano até aqui irá desabar e... Serei tão caçada quanto você.

— Qual é o seu grande plano, além da parte de me deserdar e matar?

Sakura se levantou, inclinando-se na direção dele, beijou-o. Sasuke correspondeu, apertando de leve a pele dela com a mão do braço imobilizado. Sakura se afastou depois de suavemente enrolar a língua na dele.

— Depois falamos disso, descanse, sim?

E seguiu para fora da enfermaria improvisada.

Sasuke se recostou no travesseiro e olhou novamente para a algema.

Começando a se perguntar quem estava manipulando quem ali.

***

— Esse cara não pode ser humano. – Shikamaru concluiu.

Depois de saber e ver tudo o que Sasuke passou, ter ele já andando por aí depois de menos de uma semana era quase inconcebível.

O bastardo não se machucou tão gravemente, é verdade, mas o nível de perigo e urgência que enfrentou sucessivamente durante quase um mês, deveria deixar os nervos de qualquer um em frangalhos.

Andar em qualquer rua, praça de praticamente qualquer país, sem ter certeza se não havia um franco atirador mirando sua testa, uma bomba ou um grupo numeroso aguardando armado na próxima esquina era um pesadelo que você não poderia acordar facilmente.

O pior era que o que prometia vir mais adiante tampouco era reconfortante.

No entanto, se tinha alguém que poderia passar por isso era ele, sozinho.

Sakura não tinha essa fibra, e por que deveria ser moída a esse nível para estar ao lado dele?

Sasuke a jogou em seu mundo imprudentemente, se ambos tinham uma chance, teriam que trabalhar seus limites, não matar um ao outro fazendo o que nunca foram preparado para fazer ou se tornando algo que jamais seriam capaz de ser a essa altura.

A ideia dela parecia ainda mais suicida, mas não dava para negar que podendo ficar segura sob o nariz das feras, era melhor que bater com elas de frente sem ter a força e experiência necessários.

— Estou tão preocupado com Karin. – Naruto suspirou, inquieto. — O que diabos deu na cabeça dela pra fugir logo num lugar daqueles?

— Ela deve ter tentado nos encontrar. Espero mesmo é que não tenha cruzado com gente pior.

— E se tentarem obter algo dela?

— Ela pode dizer que Sakura mentiu, mas não deverá saber mais sobre como pretendia seguir isso. Inclusive, mesmo ela desmentindo a Koyosegi, ainda é a palavra dela contra a de um extraviado. – Kakashi admoestou.

— Sasuke realmente não tem a mínima chance, huh?

— Não. Até por que a pessoa com quem Itachi se aliou, e o traiu. Não pode desmentir Sakura sem se por na boca do lobo. Então Itachi permanece inocente e todos ficam protegidos, menos Sasuke, claro.

— Ele vira bode expiatório, e Sakura a única que pode desfazer tudo. Vão querer matá-lo para que o segredo fique ainda mais seguro, e ela está protegida pela carta de legado, ao menos por enquanto. – 87 prosseguiu. — Como o próprio Itachi temia, não tem ter certeza se a alta cúpula foi ou não corrompida, ou se o está se tornando.

— O cerco está fechando ainda mais. Nem mesmo eu posso mais contar com minhas antigas fontes. – Kakashi lamentou. — Sasuke sempre foi meu pupilo, e eu segurei bastante a farsa de que não estive próximo dele em décadas, mas agora, irão fuçar tudo ao meu redor também. Será difícil ajudá-lo com fundos e recursos. Pior do que quando estivemos no Japão...

— Péssimos tempos...- Shikamaru resmungou e Naruto concordou Kakashi encolheu os ombros, sem defesa.

***

— Por que essa cara triste? Está sem fome? – Sakura indagou, Plum não fez muita questão da comidinha hoje, permanecendo encolhidinho na casinha. Sakura olhou em torno e verificou a gaiola outra vez se perguntando se não havia algo o incomodando.

Foi então que o ar condicionado soprou bem frio sobre ela e olhou para cima, as palhetas jogavam o ar gelado bem sobre a gaiolinha dele e Sakura abraçou-a com todo cuidado, para então carrega-la a outro criado noutra extremidade do quarto e próximo a janela.

— Pronto, acho que aqui ficará melhor. Desculpe, eu sou meio estúpida.

O clima na Escócia já era frio o bastante, mas ela ainda revivera seu velho feio costume de se isolar num quarto bem frio e se esconder sob as cobertas grossas.

Que injustiça para o pobre Plum que só contava com o sedoso casaco de pelos naturais. Sakura começou a cogitar se não poderiam haver roupinhas para hamsters.

Meio estúpida? Isso é elogio.

Ela, já sentada na cama se virou já pronta para ralhar com Sasuke e seus pés de gato quando o viu se aproximar brincando com uma longa corda fina enrolada num braço.

Na verdade o que a fez cair da cama foi vê-lo completamente sem barba, o cabelo mais longo, camisa preta de mangas curtas e jeans.

Foi como se estivesse no velho quarto do Birdcage Manor novamente esperando ele voltar exatamente assim, vivo, e com cara de que ia judiar dela por aborrecê-lo novamente.

— Po-po-por quê você já está fora da cama?! – Exclamou, levantando-se num pulo e recuando para cima da cama. — E-e por que tirou a barba e por que essa corda?!

Ele deu de ombros, desenrolando a corda calmamente.

— Já estou muito bem e o colchão daquele lugar é uma merda, tirei a barbar por que estava cansado dela, e a corda?

O sorriso dele foi perverso, para dizer o mínimo e Sakura nem quis saber do resto, correu para saltar da cama mas a corda enlaçou-a na altura da cintura, atando seus braços para baixo e ela se estatelou no espesso tapete felpudo.

Sasuke tranquilamente recolheu a corda, arrastando-a todo o caminho até os próprios pés como se ela fosse uma bezerra no curral.

Olhou-a de cima e sorriu outra vez com a mais falsa gentileza.

— A corda é pra ensinar ao rato o que acontece quando ele subestima o gato.

***

— Onde Sasuke está? – Kakashi perguntou, olhando a enorme sala de jantar, a mesa estava posta e nem sinal da anfitriã ou do Uchiha.

— Deve estar se vingando. Eu também gostaria..- Damian disse, enquanto pegava o guardanapo.

— Oh.

***

— Hm-hmm-hmmm! – Sakura resmungou sob o lenço que atava sua boca.

Sasuke a fitou de lado, pouco interessado, apenas verificando que continuava muito bom fazendo shibari, os nós pareciam obras de arte atando os braços dela ás costas, moldando todo o tronco perfeitamente mesmo sobre o vestido e juntando as pernas.

Certamente seria uma obra de arte completa se ela pudesse estar nua.

Puxou a amordaça para baixo e Sakura arquejou, com olhos pidões.

— Quando você vai desfazer isso? É hora do jantar!

— Ah? Sim? – Ele displicentemente olhou para a janela, vendo um pouco de breu.

Sakura choramingou, se remexendo, já se sentia dormente em alguns menbros.

Sasuke sempre se superava!

Como poderia esperar que ele simplesmente a amarraria feito um boi no curral e sentaria ao lado para ler m livro de caráter duvidoso?

E que tipo de nós eram aqueles? Ela se sentia estranhamente exposta desse jeito mesmo que fosse uma mera corda, era para esses laços e nós passarem por todo seu corpo assim mesmo ou simplesmente invenção da mente sádica dele?

— Pensando bem, porque não dorme logo assim?

— Nãoo! Me solte! Isso é assustador!

— É? Mesmo? – Sasuke deitou-se ao lado, a encarando com malícia, roçou os dedos na corda que transpassava seu peito, entre os seios. — Por que eu fiz isso, você não pareceu realmente assustada, huh?

Sakura sentiu as orelhas queimarem e desviou os olhos, contorcendo-se.

— É-É por que... Se for Sasuke-kun, tudo bem, não?... Sempre foi assim... – Recordou.

Ele poderia até mesmo pendurá-la no teto (como havia ameaçado fazer inicialmente) mas ele ainda era o único a tocá-la com ternura e cuidado, e nunca a vê-la como uma mulher maculada, seja por dentro ou por fora.

Por isso sempre estivera tudo bem ele ser quem ele era. No fim, mesmo com naturezas totalmente distintas – Predador e caça. Eles eram iguais, com mácula, e alguma coisa de pura, talvez, lá no fundo.

Sasuke puxou seu queixo, dando-lhe um daqueles beijos longos e pacientes que iam derretendo-a sempre, aos poucos, e só para ele.

Mas quando sua língua recuou um pouco, os dentes mordiscaram o lábio dela e Sakura gemeu, surpresa, abriu os olhos e deu com o malvado outra vez.

— Vou desatar por enquanto, te pendurar no tento ainda parece tentador, mas não se esqueça, pequena doçura, você ainda está em estado de punição.

Ela assentiu rapidamente sem pensar em contradizer.

Sasuke se sentou, e começou a desatar os nós, quase tão rápido e fácil quanto os fez.

— Se estivesse nua, as marcas ficaria ótimas.

— Nu-nua?!

— Já sabe como vai ser se me desrespeitar de novo, amor.— Ele provocou.

Sakura fez muxoxo, lembrando que agora que tinha suas lembranças de volta e sabia bem quem era seu noivo ele não precisava mais fingir sobre si mesmo ou seus modos.

Voltaria a ser o rabugento malvado de antigamente e Sakura não podia negar que adorava quando ele a chamava de amor com o sotaque britânico e que sentiria falta de ser mimada como nesse tempo.

Bem como da família, Shisui, Itachi, Izuna, Fugaku, Madara, Obito e Veena-sama.

Se sentou na cama, esticando-se.

— Devia mesmo era ter transado. – Sasuke ainda resmungava. — Se bem que com essa coisa por perto, nem a pau.

— Eh? Que coisa?

— Tsc. – Indicou com o queixo a mesa onde a gaiola de Plum agora estava. Realmente bem voltada para a cama e Sakura se surpreendeu de ver o hamster parado sobre as patas traseiras, os encarando fixamente.

— Oh! Poderia ser que ele te reconheceu?

Para Sasuke, aquele bicho deveria ser dissecado, certamente não era normal.

Talvez tivesse sido comprado de algum antigo laboratório farmacêutico depois de passar por testes, não duvidava que a tonta pudesse cair nisso, ainda mais naquela época.

Sim, certamente aquilo comeu algum arroz cultivado nas terras radioativas da cidade de Fukushima depois do desastre nuclear.

— Talvez ele tenha sentido sua falta também.

— Como assim, também?— Ele interrogou e ela o deu um olhar cheiro de melodrama.

— Oh, vai dizer que não sentiu nem um pouquinhozinho?

Sasuke catou uma almofada disposto a fazê-la sentir falta de respirar por uns bons trinta segundos.

***

Algumas horas depois, Sasuke adentrou uma sala de estar iluminada basicamente á lamparinas de design vitoriano, sentiu-se num sofá estofado em tecido verde escuro, tom que predominava nas paredes e detalhes, Sakura estava na ponta, entretida como só ela poderia ficar num cachecol preto que tricotava com alguma pressa.

— Eu pensei em somente espremer ela até que falasse direito, mas seria exigir muito deste cérebro, se houver. – Comentou, 87 riu suavemente, também muito entretido no computador da mesa ali deixada, perto das janelas.

Como Sakura estava usando já camisola de dormir, algo branco, longo e semitransparente, ele notou que por baixo parecia haver um body ou lingerie verde e preto escuros e rendados.

Talvez fosse uma boa hora para espremê-la agora.

— Finalmente hora da reunião! – Naruto exclamou, sendo o primeiro a entrar seguido do resto.

Sasuke bufou, e cutucou a rata com a ponta do sapato, Sakura se afastou mais, fazendo uma breve careta.

— Não me atrapalhe! – Resmungou.

— Ousada demais.

— Você é tão imaturo...

— As cordas ainda estão te esperando, no teto.

Ela nada disse.

— A ruiva realmente já era? – Sasuke indagou. — Agora ela certamente se arrepende de ter sido tão intrometida alguns anos atrás, huh?

— Karin-san está segura, se não estivesse, já saberíamos. – Sakura declarou, seguramente.

— É, e por que acha isso?

— Notícia ruim chega rápido. – Deu de ombros, Sasuke mau acreditou que por um momento ela havia soado minimamente coerente ao nível mundo real e cruel e não ao mundo de Sakura.

Esfregou o rosto, certo de que deveria ser o estresse das últimas semanas ou a falta de sexo. Se levantou e foi atrás de algo forte na estante de bebidas.

— Por um lado ela tem razão. – Kakashi admitiu. — Mas seria bom ter alguma certeza do paradeiro dela, evitaria surpresas desagradáveis.

— Duvido que ela esteja nas mãos de alguma casa, ou morta. – 87 disse. — Mas como já temos gente trabalhando nisso, deveríamos focar nos planos principais.

— Finalmente! Eu pensei que teria que voltar a fugir da morte eminente por mais algumas semanas. – Sasuke exclamou, fazendo questão de falar bem claro ao ouvido da garota.

Sakura tirou os olhos do tricô, o encarando sem entender.

— Por que está falando tão alto? – Repreendeu.

Sasuke se afastou pela décima ou milésima vez para não estrangular esta criatura. Segurando a garrafa e o copo, desistiu deste último e bebeu no gargalo.

— Mas o que tem de mais para discutir? – Ela presumiu. — Não já está simples o bastante? Sasuke vira a isca e enquanto isso nós descobrimos quem é o verdadeiro traidor! – Concluiu, sorridente.

O otimismo dela chegava a ser refrescante e... desanimador também.

— Simplificando, e muito. – 87 suspirou. — É isto mesmo, mas temos que discutir detalhes importantes, como o que tem nos arquivos deixados por Itachi que pode ser útil, como você poderá continuar distraindo as casas e o que deve ou não aceitar de acordo com a Alta cúpula. Além de como vamos repassar recursos para Sasuke continuar vivo sem nos denunciar.

— Armas e uma mala com dinheiro estaria ótimo pra mim. – Sasuke bufou. — Mas precisarei de um local seguro para iniciar a maldita descodificação e talvez até de algum hacker, e isto custa dinheiro e discrição que eu já não tenho mais acesso por que me tornei extraviado e deserdado. – Alfinetou.

— Céus, você não supera nunca? – Sakura aborreceu-se. — Ainda estamos juntos, não? O que é meu é seu!

— Onw, que fofo. – Apertou a bochecha dela. — Mas se eu quisesse ser sustentado e passar por gigolô, estaria mamando em tetas maiores a muito tempo.

Sakura estreitou os olhos ligeiramente.

— O que está insinuando.

— Exatamente o que está pensando, madame.

Ela levou um tempo para absorver mas logo se virou para 87 corando de raiva.

— Aumente para cinquenta.

— Vou abrir o sistema.

— Que porra? Quem é que não supera agora?! – Sakura largou o tricô de lado, ajoelhando-se no sofá e o encarando indignada.

— Isso é totalmente diferente! Está me desmerecendo de novo? Se vire sozinho! – Sasuke largou a garrafa já pela metade e a encarou de perto, fulminante.

— É fácil dizer isso quando está com essa bundinha forrada de grana e cheia de privilégios, por que não atira logo no meu rabo então e economiza dinheiro?!

— O-o dinheiro é meu, gasto como quiser!

— Seu? E o papo de “o que é meu é seu”? Morreu?!

— Pergunte a sua amiguinha de seios grandes!

— Caralho, você é louca.

— E você um bundão ingrato!

—Ai, gente. Linda DR, mas que tal voltamos ao que importaaaa? – Ino cantarolou.

Sakura bufou, sentando-se novamente e voltando a tricotar como se estivesse matando a lã com as agulhas.

— Isso é tudo culpa da coroa, ela te mimou. – Sasuke apontou.

— Você é mimado, presunçoso, arrogante e sem um pingo de autojulgamento e tudo por vontade própria.

— É claro que sou, meu pênis acima da média permite isso e você sabe.

Ela o encarou escandalizada demais para não gaguejar.

— Se-se-seu... Isso fo-o-fo-foi muito baixo!

— Não me agrada ouvir Sasuke mentir tão facilmente assim. É lamentável. – Damian bocejou.

— Grande e cheiroso. – Sasuke se gabou. — Muito bem higienizado— Alfinetou, catando a garrafa. Kakashi veio até ele e a tomou.

— Bebeu rápido demais, agora o efeito veio rápido demais, filho. Enfim, prossiga da parte em que ficamos sabendo o que mais Sakura falou para Martino e o pai dele na festa.

— Foi simples, como ela é a única que poderia desmentir ou mentir por Itachi, também é a única que poderia limpar a barra de Sasuke e optou por não fazê-lo...

Sasuke a encarou feio mas ela o ignorou, fazendo bico.

— Se ela dissesse qual o verdadeiro plano do seu irmão, você poderia até ser inocentado, mas não saberíamos a fundo com quem Itachi havia se aliado e seria o mesmo que retardar a hora de eles virem eliminar você e ela.

— É um ponto...- Kakashi admitiu.

— Movendo as abelhas atrás dele, focamos em estudar a situação de dentro da Folha e chegar ao traidor. Itachi deu um único nome para Sakura, o do homem que o traiu, mas não significa ele fosse o cabeça ou que poderíamos simplesmente acusá-lo.

— Que nome ele te deu? – Sasuke interrogou-a.

— Sigrid Gulbrandsen, o chefe da casa Nórdica.

Sasuke piscou, bastante surpreso.

— Uma fodida casa pequena daquelas...- Rosnou. — Matando meus pais...

— Itachi os matou. Para termos uma chance. Eu vi esse homem na festa, ligeiramente... Eu não sei que tipo de poder ele tem lá dentro... Mas ele me soa perverso.

— Ele faz parte da alta cúpula, Sasuke. – Kakashi o lembrou. — Isso seria péssimo se você tivesse assumido a Kuran, ele tem poder para sujar a Kuran na mesa, Sakura pode parecer vulnerável, mas se Itachi deixou uma pista contra você para derrubá-lo, você é o alvo dele, e se você continuar correndo e desviando, uma hora ele fica tonto e de dentro, Sakura pode plantar algo contra ele.

— Oh, posso? – Ela indagou. — Tentarei! – Empolgou-se isso na verdade só tornava mais preocupante.

— Estou morto. – Sasuke decidiu.

Tinha um membro da alta cúpula querendo sua cabeça e ele teria só de contar com ela?

— Alguém atire na minha cabeça agora.

— Não seja dramático, eu que terei de-de lidar com eles! Faz ideia de quão assustador foi chorar na frente deles enquanto te acusava de ser um sociopata obsessivo? Se bem que o medo ajudou um pouco, acho.

— Que conversa é essa, mulher?

Sakura sorriu muito da cara de pau, enquanto batia os indicadores um no outro.

— Hehe, digamos que pra fazer eles ficarem com raiva de você, eu tive que... Distorcer leeevemente algumas coisas como sobre a nossa vida em Tóquio...

Sasuke respirou profundamente, tendo cada vez mais certeza de que a possibilidade de estrangular ela deixara de ser um capricho e passara e ser uma necessidade. Curvou-se apoiado no sofá e encarou-a bem de perto, acariciando aquele rostinho que era sua fodida ruína.

— Explane isso direito, amor.

Sakura estremeceu já sorrindo amarelo e deixou um pé para fora do sofá, antecipando a possibilidade de fuga.

— E-eu tive que dizer a eles que você também queria me matar, que sempre foi meio louco e obcecado.

— Louco? Obcecado?

— Cof, cof, totalmente coerente, cof cof. – Naruto tossiu.

— Eu tive de dizer que estava fora de controle e que por isso precisava da proteção deles... Era uma boa forma de usar o relógio sem levantar suspeitas... E também. – Ela juntou as mãos e baixo a cabeça como forma de desculpas. — Tive que dizer que foi você que matou a família, gomenasai.

Essa parte ele já sabia, mas ainda queria espremer o pescoço dela por isso.

Uma coisa era ser tachado de louco, não raro alguém surtava nesse meio. Outra era ser taxado de escravoceta a tal nível.

— Alguém realmente acreditou que você tá com essa bola toda? – Sakura encolheu os ombros e empinou o nariz.

— Bem... Desde que eu só precisei distorcer algumas pequenas coisas...

— Nem mais um pio, maldita.

— Humpf.

— Então é isso, eu saio de louco e ela de santinha?

— Mas não foi sempre assim? Meu cabelo foi assassinado em Tóquio por quem? E por quê, hein? Heeein? – Ino cutucou.

Ele ignorou todo e qualquer olhar de “Então, sejamos honestos...”

— Eh? Como assim? – Sakura indagou, ingenuamente.

— Deixe-me contar uma historinha...

— Quem vive de passado é museu. – Sasuke cortou, contornando o sofá e se sentando.

— Você é puro rancor...- Sakura disse.

— Oh, me desculpe, vossa alteza, bocetinha de cocaína.

— Não seja tão rude! – Sakura guinchou, batendo no braço ferido dele com considerável força. Sasuke grunhiu baixo e rosnou.

— Desculpe, é a abstinência. – Desdenhou.

— Quando ele vai embora?! – Ela sibilou para 87, indignada.

— Já quer se livrar do seu fã número um? Ainda não discutimos o que fará se a alta cúpula decidir que você deve reiniciar a Kuran...

— Ah, tem isso...

— Reiniciar... A Kuran? – Shikamaru, inclinou-se a frente, não achando que isso era bom.

— Disserte sobre isso, vou manter minha mão no seu pescoço antecipadamente. – Sasuke avisou, Sakura recuou para a outra ponta do sofá.

— Eu tive que dizer a eles que Itachi era inocente e por isso que a família deveria ter a honra limpa e a chance de recomeçar... Mas eu sou, tecnicamente, a única que pode...

Sasuke se curvou e agarrou o tornozelo dela, arrastando-a para perto.

— Agora eu mato você.

— Eu não tive escolha! – Sakura gritou, debatendo-se.

— Escolha sobre o quê? Praticamente pedir pr ser disputada pelos herdeiros das outras casas? Quem enfiou toda essa auto estima nessa sua bunda, huh? Eu vou arrancar.

— A culpa é suaaa!

Enquanto eles se engalfinhavam de uma forma que mais parecia um doberman se enroscando num mini poodle, Kakashi puxou a cadeira vaga em frente a mesa.

— Fazer ela casar com alguém, não é meio arriscado? Se for alguém do lado da Casa Nórdica...

— Ainda existe a opção de inseminar o material de Itachi nela e a criança seria Uchiha totalmente legítima...

— Filho do Itachi? Eu vou esganar você ainda mais.

— É claro que não farei isso de verdade! E você nem está apertando de verdade...

— Isso a alta cúpula pode ajudá-la a decidir, mas ela tem autonomia para escolher, além que dificilmente Gulbrandsen permitiria que ela tivesse um filho Uchiha embaixo de seu nariz. Ele fará de tudo para influenciar o conselho a empurrar um noivo a ela. E quanto a escolher um, ela é jovem e pode enrolar por anos até.

— Viuuu, não é tão ruim quanto pareceee! – Sakura garantiu, segurando a mão dele em seu pescoço.

— Basicamente, eu corro de bala e você de caras propostas de casamento, realmente, nada ruim.

— Bem... Se escolher ser tão pessimista.

Sasuke apertou sua boca como a de um peixe.

— Sua idiota, um deslize e você morre, entendeu? Nunca baixe a guarda.

Ela assentiu rapidamente. Sasuke suspirou, soltando-a e se sentando.

— Me arranje as passagens, estou indo hoje mesmo.

***

Uma garoa caía no início da manhã, um caminhão de entregas de supermercado levaria Sasuke até um porto.

Ele se afastou da parede de pedra assim que viu o veículo chegar e pegou a bolsa de alça longa com algumas roupas, passaportes e dinheiro.

— Decidiu aonde vai? – Kakashi disse.

— Talvez Santorini.

— Se exporia demais. – Ele riu.

— E você?

— Eu deveria me dispersar assim como você, mas eu chamei aqueles caras comigo, e é meu dever encontrar a srta. Uzumaki. Vou esperar e ajudar 87 no que for possível.

— Vai aproveitar a mordomia também? – Sasuke ascendeu um cigarro.

Kakashi encolheu os ombros.

— Está no pacote...

— Velho canalha.

— Apenas tenha cuidado, prometo que vou manter um olho nela também.

— Como se eu me importasse.

— Bem, vocês não tiveram muito tempo sozinhos...

— Foda-se.

Sasuke seguiu, para o caminhão e jogou a bolsa lá no fundo do baú.

Sakura atravessou o gramado molhado descalça, e até sorrindo como se ele fosse apenas fazer uma viajem de negócios.

Ah, maldita ruína.

Parou diante dele e jogou o cachecol preto em torno de seu pescoço.

— Caso fique frio, é um presente, não sei quando vamos nos ver.

— Você já foi menos mão de vaca.

— Ei, eu aprendi só pra fazer para você. – Ela reclamou, bochechas cheias de ar. Ficou na ponta dos pés e o beijou. — Tenha cuidado, Sasuke-kun.

Sasuke a encarou profundamente, seria ela fazendo manipulação, ou apenas se negava a ter um pouco do que sentira falta, aquele tempo no decrépito Birdage?

De qualquer forma, ele não sabia quanto tempo isso, ou esse cachecol, ou eles durariam nessa corrida.

E proteger Sakura de longe não era sua visão mais satisfatória, porém se ela estava mentalmente estável, se ela estava dando conta da carga que era estar nesse mundo dele, devia admitir que ainda estava lucrando.

Soltou o cigarro no chão e puxou a cabeça dela para si, sussurrando bem em japonês, para ela lembrar como ele gostava que as coisas fossem.

— Escolha a inseminação.— Começou e Sakura se empertigou, em choque com as palavras e com sua voz como naquele tempo em que se despediam para ele ir viver sua vida dupla. — Aí, usaremos o meu material. Não é como se eles fossem saber.

Então deixou-a o estática e vermelha como uma pimenta e entrou no caminhão.

Agora sim estava pronto para fazer hora extra.

Carregado e engatilhado, ninguém poderia parar o caminho dele.

Notas finais
Plum empatafoda euteamoeuteodeio Sakura para de foder a vida do Sasukeee Onde está Karin?! SASUKE QUER FAZER BBS SOCOR