Vingador Vol. II
19 18. Be my Devil
Notas iniciais

— Acha que ela vai ficar assim por muito tempo? – Ino ciciou, Karin voltou os olhos para a larga janela que dava acesso a um decadente jardim interno, na velha casa.
— Acho que... Ela está tentando organizar as coisas.
— Hum? Você diz, as memórias?
— Aham. Foram dois anos sem elas, de certa forma, acho que ela não está conseguindo equilibrar o que é com ou sem elas.
— Deve ser torturante...
— E confuso.
Mas pelo menos, talvez, ainda houvesse chance de ela se tornar novamente sã.
***
—Você devia ir falar com ela. – Kakashi avisou.
— É? E falar o quê? – Sasuke devolveu, cansado e irônico.
— Qualquer coisa, Sasuke. Ela precisa de um rumo.
— Aposto que ela já deve ter decidido um. – Desdenhou.
Kakashi o fitou, e então concluiu.
— Você não está implicante com isso, está implicante consigo mesmo. Está com medo de encarar.
— Aham.
— Negue á vontade, filho. Suas ações já demonstram. Ela vai interpretá-las também.
***
As lembranças pareceram se tornar um turbilhão de imagens, sons e sensações que Sakura ás vezes não sabia sequer dizer o que era antigo ou atual, o que era passado e o que era presente, até mesmo seus sonhos pareciam misturar-se e ela parecia cair numa espiral temporal.
Esfregou o rosto, tomando uma respiração, seus olhos estavam pesados de esforço mental e emocional, como um cristal cheio se rachaduras debilmente mantendo-se de pé e inteiro.
Não havia como organizar as memórias agora, não se via capaz de saber sequer como agir pois não sabia se ainda era a menina japonesa agorafóbica que passava mal só de pensar em sair de casa ou a jovem dama da sociedade londrina que desfilava pelos amplos campus da universidade, ia a eventos da nata, usava belas joias e vestidos que estilistas implorariam para ela vestir.
Talvez esta segunda menina fosse a grande mentira, mas sentir-se bem na pele da primeira não era a realidade, nunca foi.
Ela passou boa parte da vida querendo ser outra pessoa, com outros trejeitos e medos normais, a segunda menina talvez fosse esse sonho realizado, então também era real, certo?
Ambas talvez fossem, mas ela não sabia qual manter ou se era capaz, posto que, em algo as duas eram iguais:
Ambas, manipulações, modificações do meio em que viveram e das pessoas que tentaram molda-las de forma cruel ou apenas maquiavélica.
E uma parte de Sakura não queria ser nenhuma delas.
Esta parte cansada da sociedade que a transformou numa esquisita, do machismo que a transformou numa vítima por ser meramente mulher, do poder e das mentiras que a transformaram numa peça de jogo, cega e influenciável. Cansada da sua própria fraqueza emocional que a transformara numa bruxa que fez pactos pela morte alheia, e numa mente tão viciada numa estabilidade falsa, que seria capaz de morrer em falta dela.
Talvez ainda preferisse uma morte tranquila, uma espécie de eutanásia, mas definitivamente, estava cansada de ter as pessoas decidindo as coisas ao seu redor.
Talvez fosse já louca demais para decidir sozinha, mas se na sanidade não conseguiu, que ao menos o delírio da alma lhe desse, enfim, a rédea do próprio destino.
Levantou-se do banco em meio aquele jardim decrépito que de certa forma a fazia sentir que era como ela, e seguiu para uma das portas que dava acesso a sala.
Passou direto, pelas pessoas em seu redor, chegou ao corredor e subiu as escadas até um quarto do segundo andar.
Entrou nele e se aproximou do senhor 87, que a fitou com atenção e respaldo.
— Sr. 87, pode fazer algo por mim?
— Estou aqui somente para isso, Koyosegi-sama.
Já era um começo.
***
—Rapaz, não estou gostando disso. – Shikamaru avisou.
— Sou forçado a concordar. – Kakashi disse e se voltou para Sasuke, repreensivo. — Eu te avisei.
— Ainda corto sua língua. – Sasuke ameaçou, irritado como uma fera enjaulada.
Aguardando Sakura retornar da agourenta conversa á postas fechadas que resolvera ter justo com 87, eles sabiam que muita porcaria poderia dar se ela resolvesse surtar de outro modo. Que 87 e os sem pátria estavam a postos até para dar banho no hamster dela não era novidade, então Sakura tinha muitas armas em mãos que atirariam em quem ela quisesse. A questão era se eles relevariam que ela estava mentalmente instável ou seguiriam a risca qualquer ordem por mais suicida que fosse.
***
—Você tem certeza disto?
Ele assentiu.
— Mas entendo que não confie totalmente em nós agora, o que houve no trem foi uma falha incomensurável...
Sakura suspirou, fitando a janela.
— Não sua culpa, já passou... Só lamento pelo pobre 63... Abatido como um animal... Sem ao menos o direito de ter um nome numa lápide...
— Ás vezes nem direito á lápides se tem, senhora. Então todo o resto é um privilégio.
Sakura se levantou, e caminhou até perto das portas da varanda.
— Um direito é um direito... Estou farta de gente que acha que pode tomá-los... Se eles podem... Eu também posso. – Voltou-se para ele. — E vou. Se você tem certeza do que diz, preciso que faça uma coisa.
— Uma coisa?
— Um movimento. – Sakura olhou para o quintal da casa, uma brisa suave acariciando seus olhos resolutos. — Meu movimento, é a minha vez de manipular as cordas.
***
Sakura deixou o andar de cima com menos pressa do que como subira, mas os ignorara do mesmo jeito.
Retornou ao quarto onde dormira antes e então eles esperaram 87 descer e ele parecia bem dentro do normal, até estranhando as expressões deles.
— Perdi alguma coisa?
— Hah! Não vem fazer esse jogo não, amigo! – Ino apontou, desconfiada e sempre escandalosa. — Vai abrindo o bico!
— O que ela queria? – Sasuke indagou.
— Falar sobre os outros e a morte do 63, ela se sente culpada e exigiu um... enterro digno.
— Ah...
Sasuke não se convenceu muito, os outros assassinos foram entrando na casa, eles eram muitos, numa casa um tanto pequena para todos. De modo que nos últimos dias eles inclusive se alternavam entre dentro e fora da casa.
Então acabou sendo tarde para perceber, cerca de segundos.
Sasuke marchou até as portas do quarto, escancarou-as e viu Sakura saindo pela janela com ajuda de uma das gêmeas. Ela o fitou, então encarou a outra.
— Faça. – Ordenou, saltando para fora em seguida.
Sasuke puxou a arma mas a gêmea puxou uma bomba. Atirou-a no chão, fumaça cinzenta eclodiu furiosamente engolindo o recinto em segundos.
Ele avançou na névoa até bater com a mulher, os dois estavam prejudicados na fumaça mas ela tinha reforço e uma coronhada atingiu sua nuca.
Alguns tiros e gritos soaram aqui e ali e um nova bomba de fumaça estourou, esta não só cegava, mas roubava os sentidos.
***
—A gente vai morrer, a gente vai morrer, a gente vai morreeeeer.
— Dá pra parar? A gente não vai morrer. – Karin reclamou, e encarou 87, um pouco receosa. — Né?
Ele nada respondeu, os carros pararam e ele desceu, diante de um monumental hotel no centro nobre de Viena. Ino e Karin se espremeram contra as janelas e observaram o prédio, até encontrar as discretas linhas que formaram o símbolo da Folha.
Viram Sakura deixar o outro veículo, ainda usando a longa e larga camisola branca, descalça e com o cabelo destruído.
Ela subiu os degraus seguida de 87 e alguns homens.
Karin decidiu que talvez estivessem mais encrencadas do que quando Sasuke resolvera sequestrá-las.
***
—Pois não...?
Sakura pegou a caixa que 87 segurava, pousou-a sobre o balcão de ardósia e abriu diante do recepcionista que não pode fingir qualquer ar polido ao encarar a peça.
— Gostaria de um quarto, e de uma reunião com o seu Gerente.
Eu sou apenas uma alma que perdeu a vida
Tinha as estradas cruzadas errado e certo
***
Diga para escolher um lado
Mas eu não tenho tempo esta noite
Dois dias depois.
— Ela estava no hotel. – Naruto anunciou ao entrar junto de Damian.
— Estava? – Kakashi se alarmou.
— Aparentemente, partiram para Luxemburgo. – Damian declarou, parecendo bem humorado, se sentou perto de Sasuke que ainda estava muito grogue dos efeitos do sonífero na bomba mas não menos furioso. Eles acabaram de acordar e não fora o melhor sono. — Acho que ela vai agraciar os olhos do Martino na reunião que vocês marcaram, Sasuke.
— Por favor, sabe que prefiro socar sua cara quando estou de bom humor. – Sasuke sibilou para ele. — As duas peruas estão vivas?
— Não tive como confirmar. Mas se não matou-as aqui assim como o resto de vocês, duvido que ainda aconteça... Mas a questão é, o que se passa naquela cabecinha, hã? Você talvez tenha lhe dado alguma ideia? O que ela pretende, indo direto para a boca dos leões?
***
Luxemburgo, capital.
Sakura sentou-se na cadeira em frente a bancada espelhada do luxuoso salão de beleza que o hotel dispunha.
Os últimos dias haviam sido tão corridos que ela mal pusera roupas decentes, seu cabelo e pele então...
Olhou para trás, vendo Karin e Ino observarem-na muito receosas ainda.
— Por favor, podem sentar também, acho que seria ao menos mais relaxante fazer as unhas. – Ofertou.
Elas se entreolharam, Ino não objetou e sentou logo ao lado, e Karin sentou noutra cadeira, ainda um pouco receosa.
— Seria ter um pouco de normalidade, admito...
— Ainda mais num lugar desses. Minhas unhas já estavam quase caindo!
Karin revirou os olhos. Ino poderia ser até bem rica, mas não dispensaria nada dado de graça.
— Bom dia! Em que posso ser útil? – Um elegante senhor disse, aproximando-se da cadeira de Sakura.
— Acho que está meio óbvio... – Ela riu um pouco constrangida ao mexer no cabelo. — Definitivamente preciso de um milagre...
Ele mexeu nas mexas, estudando-as um tanto assustado.
— Bem... Certamente houve um problema e tanto, mas tenho certeza que podemos lidar com isto sem a intervenção divina, minha cara.
— Obrigada.
— Vamos á obra então. – Ele estalou os dedos, acionando a vinda de várias assistentes.
— Porque nos trouxe? – Karin perguntou, rejeitando que lhe mexessem no cabelo.
Ino a encarou feio e Sakura se encarou no espelho.
— Não se preocupe, não tenho planos de usa-las para nada. 87 garantiu que pode lidar com o resto.
— O resto, você diz, seus planos? O que pretende vindo até aqui?
— Primeiramente, dialogar e estudar a situação de perto. Agora que Sasuke está longe, será muito mais fácil.
— Como assim, fácil?
Ela as fitou por um momento então suspirou.
— Sasuke é muito impulsivo. Ele acha que diplomacia não é útil nesses casos. Mas eu não pretendo derramar sangue... Além do necessário, e as peças neste jogo, podem ser movidas por qualquer um. – Ela tocou um dos vidrinhos de esmalte, escolhendo uma cor vermelho púrpura. — Inclusive eu. Agora Sasuke será a minha peça, pelo menos, até que ele aprenda a lição.
Ambas se entreolharam boquiabertas e assombradas.
— Que lição?
Sakura encarou-se no espelho, seu olhar transmitia uma determinação quase fria e, principalmente, uma certa vaidade e orgulho.
— Que não sou uma peça, nem um prêmio. Sou sua parceira... E ele vai ter que merecer estar a minha altura agora.
Apenas aperte uma mão e faça um acordo
Porque eu preciso de algo real
Apenas aperte uma mão e faça um acordo
Porque eu preciso de algo real
***
— Você percebeu, não é? – Damian disse, meio risonho. Sasuke suspirou, ainda mantendo os olhos cobertos para cochilar. O jatinho logo iniciou a decolagem.
— Não sei do que fala.
— Não seja cínico, primo. Ela deixou os pendrives com você. Ainda quer que os descodifique.
— Ou sequer lembra deles, tampouco se importa e está indo para lá pra se matar porque é uma filha da puta.
— Quanto rancor, parece até ciúmes.
Damian riu e não o cutucou mais. O voo passou rápido.
— Eu tenho uma teoria, infelizmente. – Kakashi declarou, depois de largar o telefone no banco do carro.
— Esteja livre para compartilhar. – Sasuke resmungou.
— Sakura deu entrada no Hotel em Viena, mas não usando uma moeda da Folha, Sasuke, já confirmei.
Sasuke o fitou, desconfiado e intrigado.
— Sem moeda ela não entra, os idiotas de número sabem e teriam fornecido umas a ela, se não, como? Sem falar que ela está com a cabeça a prêmio...
— Você está. Ela não, só seria perseguida como forma de chegar a você. Agora estão... separados...
— Quase um divórcio. – Damian riu.
— Vai se foder.
— Sakura entrou usando o relógio.
— O relógio de bolso? A velharia que Itachi deixou no banco...
— Eu já desconfiava do que aquilo era, mas só não estava crendo pois nunca tinha visto um de perto. Mas, os Gerentes dos hotéis sabem.
— O que é?
— Já ouviu falar das Cartas de Legado?
Sasuke e Damian estreitaram os olhos, pensativos.
— Parece historia pra vocês dormirem, mas existiram.
— O que são? – Shikamaru indagou.
— São relógios, na verdade, uma ideia da primeira casa Suíça, são como peças ou cartões VIPs, cada família, das mais antigas da Folha, tinha uma peça dessas, elas são usadas como tipo de ressalva. Um bote salva vidas pra quando algo desse muito errado com uma das casas.
— E que poder isso dá?
— Está mais para privilégios, quando uma casa está em queda e precisa de proteção contra algo, até mesmo a própria alta cúpula, quem portar um dos relógios pode recorrer aos antigos livros de regras da sociedade de assassinos e exigir proteção e auxilio pra sair da encrenca. E ninguém pode negar, ou será cabível de se dissolver a cúpula atual, a casa que tentar contra o portador da carta, cai em desgraça e passa a ser... Alguém como o Sasuke.
— Está brincando? Isso é tipo uma arma secreta! – Naruto exclamou.
— Em outras palavras. Mesmo se a alta cúpula quisesse matar Sakura, com o relógio, ela pode atar as mãos deles e ainda os fazerem a proteger de outras Casas. Por isso Itachi o deixou para ela...
— Isso é coisa de velho, ninguém vai engolir essa merda. – Sasuke rebateu. — É uma velha tradição, não vão deixar de cortar o pescoço daquela tola só por isso.
— O Gerente em Viena engoliu. E vão todos engolir, Sasuke, porque não se trata mais só de você, ou a Casa Uchiha, Sakura tem algo pra por em cheque a cúpula inteira, houve muito sangue por baixo dos panos no passado para darem fim nesses relógios. Muitos foram destruídos e as Casas perderam essa carta na manga contra a Cúpula vigente. Eu estou chocado que o relógio ainda existia na sua família e Itachi teve conhecimento dele.
— Se alguém da cúpula tocar um dedo nela, pode incitar uma rebelião nas casas de assassinos do mundo todo. Porque vai chover gente querendo derrubar a cúpula atual e se tornar parte da nova, usando a desculpa de que quebraram uma tradição, primo. – Damian completou. — Sasuke... Sua garota se tornou o anjinho no mais alto pedestal da Folha. A protegida.
Sasuke inspirou, encarando a janela, esfregou o rosto, nada satisfeito.
— Anjo, hein...?
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
***
Cidade de Ansembourg, castelo novo castelo de Ansembourg.
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
— Aonde estamos indo? – Karin perguntou, depois de cansar de se deslumbrar com a vista dos suntuosos castelos pelos quais passaram ao longo do Vale dos Sete Castelos.
— Sasuke marcou uma reunião com o senhor D’Amico. Irei no lugar dele. – Sakura afirmou, com naturalidade já cada vez mais perturbadora.
Seja lá qual fosse a Sakura que ela resolveu ser, além de ter muita presença, estava demonstrando mais capacidade e disposição do que poderiam sonhar.
Claro que ela era guiada por 87, mas esse tipo de coisa não fora o que criara a mulher diante delas agora.
— Mas... Isso não vai complicar tudo? O gostosão italiano deu uma abertura pra uma conversa amigável, uma troca dessas de última hora... – Ino disse, nervosa.
— Oh, não se preocupem. – Sakura pousou as mãos e luvas negras no colo. — Sasuke vai aparecer. Só estamos cuidando para que seja na hora certa. Senhor 87 está totalmente a par da chegada dele...
— Ah, sim...?
— E, enquanto ele não chega. Eu cuidarei do cabeça da casa italiana... e conseguirei uma sessão com a alta cúpula.
— O quê?!
Eu sou apenas uma alma que perdeu o caminho
Perdi a luz de outro dia
Mesmas formas através de nevoeiro e neblina
É para um amigo ou inimigo que rezo?
***
Apenas aperte uma mão e faça um acordo
Porque eu preciso de algo real
Vamos apenas dar uma mão e fazer um acordo
Porque eu preciso de algo
— Ah, então aí está você. – Gulbrandsen cuspiu, furioso, Utakata entrou no escritório o observando, mudo, pois não fazia do que andava acontecendo desde que saltou de um trem em movimento. Um braço quebrado, ombro ferido, poucos recursos para voltar e ainda tinha que aturar os acessos de ira do velho.
— Aconteceu alguma coisa?
— É, aconteceu. Como pode ver, a festa de Martino continua acontecendo.
Utakata deu de ombros pois já esperava isso, seu único objetivo era impedir que a Casa italiana se aliasse aos últimos Uchihas e assim sendo, inutilizou a peça principal do jogo deles.
— Eu percebo... Algo mais?
Sigrid catou um copo no aparador, rindo secamente.
— A festa está rolando e todos estão em polvorosa, imagina porque?
— Não estive muito bem informado ultimamente...
— Porque sua pequena e adorável aluna deu entrada, dias atrás, no Hotel em Viena.
Utakata estreitou os olhos, intrigado.
— Junto com o Uchiha...?
— Não, sozinha. Com os assassinos sem nome, e principalmente. Com uma Carta de Legado.
— Impossível.
— Ao que parece, não! Ela retomou o controle das contas dos Uchihas, todo o dinheiro, o Gerente a tomou por protegida e conseguiu-lhe o convite para esta festa.
— Ela estava catatônica quando a deixei. – Utakata afirmou, quase rosnando.
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
— Era para quebrá-la!
— Quebrei.
— Derrubá-la no inferno!
— Eu derrubei.
— Não, você a transformou, Utakata.
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
— Era para quebrar o anjo nela, mas você o transformou em demônio! – Ele rugiu atirando o copo de conhaque contra a parede furiosamente.
Arquejando, aproximou-se das janelas e fitou os belos jardins.
— E agora... Ela está aqui.
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
***
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
— Oh, essa é a pequena deusa da primavera que você mencionou, D’Amico? – Shane, herdeiro da Casa Austríaca comentou, achando graça.
Martino não pode deixar de concordar que realmente não parecia mais tanto como da primeira e última vez que a vira...
Sakura deixou o carro, seguindo a frente de uma ampla comitiva de assassinos, o longo vestido preto escorregada por suas formas delicadas transformando-a de uma Coré, inocente e virginal, numa Perséfone, a rainha do frio Hades, madura e sensual.
Baby não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
(Uuuuuh,
yeaaaaah)
(Baby...)
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
O cabelo agora curto e ainda mais encaracolado emoldurava o rosto de menina com expressão quase impenetrável, ele não poderia dizer que também não gostou desta versão, estava mais intrigado como ela chegara até eles ali e porque Sasuke não parecia estar em torno impedindo que sequer pusessem os olhos sobre sua deusa.
Martino certamente o estaria fazendo.
Mas, não era assim que as coisas seriam.
Ela era o mais belo mau presságio, cada doce poro de sua tez denunciava isso. E mais do que nunca, ele entendeu porque Sasuke deixou a família ser exterminada em nome dela.
Era como um feitiço.
Sasuke, e Itachi...
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
— Senhor D’Amico. – Sakura cumprimentou, a voz afável mas educada e fina. Parecia bem menos acuada com os olhos masculinos sobre si.
— Deusa Sakura. – Ele respondeu, sorrindo.
Ela sorriu de volta, quase coquete, misteriosa, com uma vulnerabilidade tentadora.
Ele se perguntou se ela sabia que parecia uma presa infernalmente tentadora dentro de uma óbvia armadilha.
(Yeah, yeah, yeah)
Baby, não precisa de nenhum santo
(Yeaaaaaah, uuuuuh, yeaaaaah)
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
— A que devo a honra da sua visita, cara mia?
Sakura piscou suavemente, e sorriu curto, os olhos muito atentos o estudando de uma forma quase pueril, mas não menos perigosa.
Ela estendeu a mão a ele, e Martino sentiu uma pressentimento estranho.
— Eu pretendo conversar sobre isso, mas também gostaria de apreciar sua recepção, faria?
Você será meu demônio
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
(Hey, hey)
Então ele interpretou o pressentimento.
Era o de dar a mão ao diabo.
Você será meu demônio
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
(Hey, hey, hey, yeaah)
Você será meu demônio
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
Baby, eu não sou uma santa
Você será meu demônio
Mas, a sociedade de assassinos da Folha não deixava de ser uma ala exclusiva do inferno na terra, em sua opinião. Então, porque se negaria a dar um abraço no diabo?
Ainda mais, se ele vinha numa forma um tão encantadora como esta?
Baby, não precisa de nenhum santo
Você será meu demônio
(Be my Devil – Tony Lee Stafford)
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