Vingador Vol. II
15 14. Réquiem para um Uchiha
Notas iniciais

— Por favor, por favor. – Sakura suplicou antes de ser praticamente jogada dentro de uma sala que mais parecia uma caverna, correu tentando sair mas as pesadas portas de madeira foram fechadas a sua frente e ela se viu naquele ambiente claustrofóbico com odor de pedra molhada e velas.
Virou-se percebendo uma espécie de terma de pedra ao centro do aposento, tudo ao redor cercado de velas de cores escuras e variados tamanhos, caminhou tropegamente pelo perímetro buscando nem que uma única saída, mas era tudo muito mau iluminado. Sentou-se a beirada da terma e abraçou o próprio corpo encarando o reflexo de si mesma, procurando um único reflexo de esperança também.
Por fim, escolheu ajoelhar-se em frente a terma, e usar as velas para se imaginar na casa e no acolhimento do Senhor.
Juntou as mãos e baixou a cabeça tomando uma longa respiração.
— Pai nosso que estais no céu...
*
Izumi atirou primeiro, Sasuke jogou o corpo para o lado revidando as balas que acertaram um dos subordinados que ficou com eles. Itachi recuou junto dela finalmente sacando de uma pistola semi automática. Algo muito humilde pro gosto habitual dele.
Parecia estar poupando para algo, e com Sakura em seu poder, Sasuke não ousaria subestimar até onde ele iria.
Martino gritou algo para ele, muito irado, o rosto contorcendo-se de ira e avermelhado, Sasuke ainda recordava do italianinho mimado que se avermelhava de raiva por tudo.
Este apontou-lhe sua glock prateada e sem hesitar veio em sua direção, o foco de Sasuke era outro, por isso não hesitou em saltar de volta para a multidão agora agitada e percebendo aos poucos o perigo, assim que Itachi escapou de sua visão. Ele correu empurrando os corpos sabendo ter Martino e Luca como dois fodidos cães no encalço.
— Onde diabos você vai?— Kakashi indagou, afobado em meio a balburdia.
— Localize Itachi e Sakura. Ele está armando algo simbólico, não está com a arma de sempre.
— Algo como sacrificar uma virgem?— Naruto comentou, por alto.
— Algo como demonstrar que está disposto a tudo pela obediência a Folha. – Kakashi corrigiu. — Inclusive a quebrar regras da própria Casa.
— Mas o que ela tem haver? — Karin indagou.
— Tão logo foi a fundo na confusão em Tóquio, os Uchiha perceberam a ligação entre Sasuke e Sakura e que ele estava disposto a tudo por ela. Bem, na Casa Uchiha isso basta para ela ser assumidamente mulher dele, com ou sem papel ou benção. Por isso ela foi pega por Bishamonten, a matriarca Uchiha. Foi mais que uma armadilha para Sasuke e por isso ela foi tratada como sua noiva, embora não educada como uma, eu acho... De todo modo, tendo matado a família, Itachi os rouba as honrarias que lhes cabem como grande casa, mas se matar Sakura, ele pode demonstrar que também está disposto a reescrever os Uchiha em vez de apenas tomar seu poder para si. Só não entendo porque ele o faria. É um jogo arriscado, a Alta Cúpula é formada pela elite mais antiga viva, ou seja, gente tradicional. Eles engolirem um golpista familiar, tudo bem, mas um que quebre regras tão fortes, não deveria inspirar confiança em ninguém.
— Se pode trair a Ética da família, pode trair a de qualquer um. — Shikamaru concluiu.
— Exatamente. Se ele matar Sakura, pode virar o jogo contra si. Mas o problema é que não sabemos se não é isso que ele quer. Afinal, que diabos esse garoto pretende?
— Menos conversa e mais ação, obrigado. – Sasuke cortou, irritado com tanta falação. — Onde está o fodido do francês?
— Disse que ajudaria, não que seguiria suas ordens. – Damian avisou, cinicamente.
Sasuke ia manda-lo se foder mas uma bala estourou contra a parede a frente dele, o fazendo recordar que tinha mais o que lidar no momento, correu adentro de um dos muitos túneis por ali, e se voltou para trás, parando e vendo Luca e Martino fazerem o mesmo.
— Martino, parece um pouco nervoso, é o grande dia? – Comentou, Martino o encarou carrancudo agora, ainda arfando pela corrida.
— Acontece quando um dia que tinha tudo para ser tranquilo acaba desse jeito. E você, Sasuke, parece apressado. Achei que só estaria quando a Cúpula pusesse a sua cabeça á prêmio, finalmente.
Sasuke observou ligeiramente a postura de Luca, mas não se importou, de todo modo.
— Minha cabeça? É você que está compactuando com um traidor.
Martino o fitou com surpresa e compreensão, sua expressão se tornou alerta e desconfiada.
— Então você tem uma outra versão mesmo...
— De que eu não matei minha família? Incrível que tenha engolido essa. Afinal, quem realmente parece estar lucrando mais sou eu? – Ele desdenhou, Martino coçou o queixo pensativo e um tanto bem humorado agora.
— Isto é muito relativo, caro amigo. Afinal, você sempre foi a última pessoa a se interessar em assumir a Casa. No entanto, seu interesse em manter seus relacionamentos já é bem conhecido e evidente. – Jogou, vendo com satisfação o rosto do Uchiha endurecer quase imperscrutavelmente e seu olhar escuro se tornar cortante.
Como era um provocador nato, e Sasuke sempre um desafio, ele não conseguiu deixar a oportunidade escapar.
— Claro que não posso culpa-lo. Ela, embora não pareça perceber, realmente é aquele tipo que nossos pais sempre dizem que devemos evitar, não é? Perigosíssima para a sanidade... E fica muito bem de noiva...
— Martino! – Luca avisou mas ele já estava atento, Sasuke atirou e eles revidaram, ele correu mas não puderam avançar muito sem que as paredes explodissem a sua frente, o corredor foi engolido por fumaça e pó e Martino se levantou ainda mais irado.
Odiava os truques literalmente sujos de Sasuke, e como ele era sempre tão formidável.
Os dois eram iguais em arrogância mas Sasuke se sobressaía por sempre conseguir ignorar o próprio orgulho e presunção para chegar ao alvo final.
Ele não se importava de fugir, de armar truques sujos, de andar na sarjeta ou de recorrer a alguém inferior, seu orgulho imenso perdia para seu foco.
E rastejando ou não ele sempre estava á frente por isso.
— Quero essa merda toda tomada, me tragam o corpo desse fodido antes da meia-noite! Eu quero dançar com as minhas noivas, entendeu?! – Esbravejou, Luca assentiu seguindo a frente ao encontro dos homens deles.
Martino esfregou o rosto e bateu no terno expulsando a poeira que maculara a brancura de seu traje, já sabendo bem qual seria a noiva com quem dançaria na sua noite de ascensão.
*
— Parabéns, deixou Martino irado.
— Não é como se fosse difícil. – Sasuke rebateu, seguindo adiante, parou entre uma pequena saliência na rocha e puxou a bolsa que deixara ali já algum tempo, abriu-a olhando em volta e rapidamente catou as armas e munições ali deixadas.
— Vou ter que espalhar todos se quiser cobrir uma área maior mais rápido, isto aqui é um labirinto. – Kakashi avisou.
— Vou até o estacionamento então. – Naruto disse. — As garotas podem entrar e se misturar, vai ser mais fácil.
— Okay. – As duas afirmaram.
Sasuke se levantou passando a alça da escopeta sobre o ombro depois das outras duas armas, já ouvindo vozes encherem o túnel, seguiu a passo rápido e calculado. A família de Martino conhecia aquele lugar tanto quanto qualquer um e definitivamente iriam tentar acua-lo em área aberta e iluminada. Daria certo se ele não pretendesse justamente isso.
*
— Não saia de trás de mim. – Karin avisou, e quanto as duas exploravam o antigos corredores romanos. Ino bufou meio carrancuda.
— Sabia que eu posso me defender sozinha?
— Aham...
— É sério, acha mesmo que depois de tudo o que passamos eu iria apenas continuar achando ser intocável?
— Hum, e o que você fez?
— Krav-magá, ioga e claro, tiro esportivo.
Karin franziu a testa e fitou-a de lado.
— Ioga?
— Pra ficar flexível, huuur duuur.
— Hã... tá... ? – Ino deu de ombros, orgulhosa e por fim sorriu maldosamente.
— Claro que acabei usando pra outras coisas, hehehe.
Karin revirou os olhos, mas achou graça. Era difícil imaginar a dondoca dando um soco em alguém, mas achou válida a iniciativa. Ela própria investira mais em boxe e aulas de defesa pessoal avançadas. E claro, não pode evitar investir em treinos de tiro, sentia como se a arma que tinha em mãos como policial, fosse apenas um brinquedo que intimidava meras crianças.
Caras perigosos de verdade usavam armas de grosso calibre da última moda.
As duas ouviram passadas vindas do lado oposto e se enfiaram juntas atrás de uma das muitas e enormes estátuas de mármore que decoravam os corredores.
Vários homens passaram portando armas e bradando em uma língua estranha para elas, mas os reconheceram como seguidores de Itachi, ao menos parecia, eles eram um tanto diferentes. Kakashi havia comentando, embora Sasuke ignorasse. Kakashi não reconhecia suas tatuagens que chegavam a cobrir pescoço e parte das cabeças raspadas.
Ele dizia ser capaz de reconhecer um assassino ou sua casa apenas pelo trejeito ou modo de luta, por mais que fossem treinados em todos os tipos possíveis, assassinos tinham sempre uma preferência de luta.
Sasuke evitava confrontos físicos, e se especializara em armas, mas claro que era um lutador perigoso, formado em judô, karatê, lutas indonésias e espadas. Seu irmão usava uma katana como se fosse uma extensão do próprio corpo e nem era considerado o melhor espadachim da Casa Uchiha, e tão bom lutador quanto Sasuke.
Duas criaturas perigosas.
Karin não era cuidadosa apenas porque achava devido proteger Ino, mas a si mesma, duvidava que era capaz de lidar sozinha com facilidade contra alguma dessas máquinas de matar.
Não subestimaria o inimigo uma segunda vez, não haviam máscaras para se iludirem.
— Tudo bem? – Ino concordou e as duas continuaram sua exploração. Naruto avisou que nada indicava a fuga de Itachi até então, Shikamaru também não vira sinais deles noutra parte daquele antigo complexo mas o lugar estava ficando cada vez mais vazio.
— Vamos embora, eu já disse. – Uma voz feminina trovejou e desta vez as duas saltaram uma janela próxima que dava para o gramado, se viraram e viram Izumi Uchiha parar em frente Itachi, cercados de seus seguranças.
— Não há nada a fazer aqui, Itachi. A alta Cúpula sequer compareceu, e agora Lorenzo está desconfiado, Martino passou pra ele o que ouviu de Sasuke! Este plano está afundando e nem chegamos perto.
Ao contrário dela, Itachi era como um deus de serenidade, avaliando tudo mentalmente sem parecer sequer preocupado ou agitado.
— Acalme-se, Izumi. Não está tudo ruindo tão fácil assim. Sabe que o que planejo é um pouco mais complexo.
Ela estreitou os olhos enfurecida, depois conformada e frígida, inspirou.
— Se você vai até o fim. Eu também vou. – Declarou, ele apenas sorriu de lado, e nunca parece tanto com Sasuke, sarcástico e perigosamente sensual, tocou o queixo dela antes de seguir em frente.
— Quase me convenceu, querida.
Izumi o seguiu, bufando e murmurando algo sobre não precisar provar nada a ele.
— Rapazes. – Ele ainda disse. — Aproveitem e tragam as belas damas ali para nos acompanhar.
As duas nem tiveram chance de processas, seus cabelos foram puxados para trás quase em sincronia, e obrigadas a entrar novamente foram empurradas logo atras deles.
— Mas que merda...? – Izumi resmungou, encarando-as de nariz em pé, só sob a luz clara, deu para se reparar que seus olhos escuros estavam encobertos pela cor vermelha, dando-lhe a aparência de uma vampira arrogante.
— Onde quer que vá, ele sempre faz amigos. Alguns no nosso ramo, podem considerar um defeito. – Itachi comentou, e por fim fitou-as de soslaio com um sorriso que chegava a parecer cordial se seus olhos em tom vermelho não fossem tão sombrios. — Eu acho bastante útil. E vocês?
Karin não respondeu, evitando encara-lo imediatamente, o Corvo parecia capaz de penetrar a mente de qualquer um. Ino balbuciou que teria sido melhor ficar no hotel sendo babá do hamster.
*
Sakura se aproximou da porta, ao ouvir um ruído estranho, percebeu que parecia haver uma luta do outro lado.
Um estampido seco a fez recuar assombrada, e correu quando viu as portas rangerem, afastou-se em direção a piscina e viu a entrada se escancarar, jaziam dois corpos no chão e uma figura enxugava o sangue que escorria da faca de caça a qual segurava com um lenço.
— Você...? – Ela balbuciou, assombrada.
*
— Sasuke, não vá. Eles tem as mulheres com eles.— Kakashi alertou.
— Só lamento. – Sasuke não lamentava nem um pouco.
As duas se entreolharam, tudo o que queriam agora era o pescoço do fodido entre as mãos.
— Tomara que leve um tiro no rabo. – Ino ciciou, venenosa. Karin bufou.
— Tomara que eu possa dar esse tiro. – Resmungou de volta.
Elas levaram mais alguns empurrões para se apressarem, ao entrarem no grande salão, este estava ainda mais cheio, as pessoas agitadas e com olhares ferinos e desconfiados.
Eram como feras acuadas.
Dois homens vieram ao encontro deles apressadamente.
— A garota foi levada. – Avisou um deles. Itachi piscou em surpresa.
— Tem certeza? Ela não fugiu?
— Apenas se tivesse capacidade de matar dois homens.
— Ah, então temos mais companhia.
Izumi encarou as duas mulheres mortalmente.
— Onde ela está?
Karin e Ino trocaram olhares aturdidos, afinal, se algum deles tivesse Sakura em mãos, já teria avisado aos outros.
— Anda! – A Uchiha vociferou.
— Acalme-se, Izumi. Tem mais alguém na jogada. – Itachi cortou gelidamente e se voltou aos homens com um olhar assassino. — Encontrem a garota. E matem qualquer um com ela.
Eles assentiram, sumindo de sua visão em segundos.
— Era só o que faltava. – Izumi reclamou. — O que mais falta para isto ficar ainda mais uma merda?!
— Uchiha?! – Martino D’Antônio rugiu vindo até eles de outra entrada do salão.
Itachi encarou a noiva com a sobrancelha arqueada.
— Você nunca está satisfeita, não é?
Izumi quase se sentiu culpada, mas empertigou-se quando encarou o outro lado do salão, seus olhos de rapina fixaram-se em Sasuke movendo-se sorrateiramente entre a pequena multidão que parou observando seu rosto salpicado de sangue e as roupas sujas.
Martino também parou, alternando a atenção entre ele e o irmão.
Karin e Ino se encararam assombradas e ara, definitivamente piorar, Damian surgiu numa das portas com Sakura logo atrás de si, muito assustada.
Silêncio engoliu o ambiente enquanto todos processavam a situação.
— A garota. – Itachi repetiu, Izumi apontou a arma para Damian, Luca para ela, Martino para Sasuke, embora também quisesse acertar Itachi. Itachi para Damian, ele para o primeiro estranho que se aproximou, mais estranhos apontaram em direções alternadas entre eles, Sakura gritou em pânico.
Sasuke atirou primeiro acertando as cabeças dos homens que continham Karin e Ino, que no tiroteio que se seguiu, abaixaram-se e viram Damian acertar um homem e imediatamente dar a volta puxando a garota e jogando sobre o ombro.
— Merveilloux, de todos eu tinha que ficar com a raposa que todos os cães querem.— Ele comentou, num resmungo.
— Vá para fora, eu te cubro.— Kakashi avisou.
No salão, Sasuke avançou alvejando, com uma perícia aterradora, todas as cabeças que entravam em seu caminho.
O chão estava ficando nojento e de repente elas estavam praticamente sozinhas enquanto ele lançava homens ao chão em luta corporal.
Ambas engatinharam até atrás de uma coluna e se sentaram, Karin puxou um revolver de entre as saias e apontou na direção de Sasuke, embora fosse adorar acertar o fabuloso traseiro dele, tinha que ajudar a manter o pescoço do bastardo inteiro.
Atingiu o peito de um deles, que caiu sobre Sasuke que se enroscava nele praticamente lutando judô e atirando ao mesmo tempo, ele empurrou o corpo para o lado, se ergueu e largou a arma descarregada no chão, um tiro quase o atingiu e ele correu para outra coluna.
— Quanto mau humor, Martino. – Comentou, fitando Karin, ela assentiu e tirou uma pistola que jogou no chão na direção dele.
— Você estraga a minha festa, e acha que pode reclamar da raiva? – O italiano esbravejou cinicamente, praticamente metralhando a coluna, Karin revidou enquanto Ino lhe passava mais armas.
— Onde diabos você está, Damian?!— Kakashi gritou.
— Nocauteado. – O francês respondeu, um tanto grogue. — A pestinha escapou.
*
Sakura correu tropegamente ainda desacreditando que empurrara um enorme vaso na cabeça de uma pessoa.
Mas não era como se sair junto de um estranho fosse a melhor ideia no momento.
Caminhou cegamente entre ruinas e gramado fracamente iluminados por tons azuis e vermelhos, procurando algum ponto de referência e não notando um veículo bem distante na penumbra de uma árvore.
O homem dentro dele, acenou positivamente para outro que estava fora, e este se distanciou do carro, seguindo calmamente até a jovem, e retirando do casaco, uma afiada lâmina.
Sakura recuou quase tropeçando ao ver a sombra que surgiu na sua frente de repente. A luz avermelhada de um projetor conferiu um reflexo macabro a arma que ele empunhava e Sakura tropeçou na cauda do vestido e caiu no gramado, rastejou para trás, gritando e escondendo o rosto e um som seco e alto de um estampido a fez tremer.
O homem tombou a sua frente com um buraco no crânio, ela sentiu o sangue quente respingando no rosto e nas pernas.
Se ergueu correndo aos berros e Itachi surgiu da escuridão, junto de Izumi e tomou-a nos braços.
Ela chorou contra seu pescoço, implorando para ele poupa-la de uma vez, não conseguiria ir mais adiante sem enlouquecer de terror.
Itachi afagou sua cabeça, pacientemente e Izumi examinou o corpo do homem olhando em volta.
Eles estavam numa área hem aberta, e a luz da lua iluminava quase tudo onde as sombras da das ruínas mais altas não engoliam tudo. Quem atirou estava a uma distância e tanto e tinha uma perícia sem igual para acertar uma pessoa nestas condições de visibilidade sem atingir a garota.
Algo brilhou em sua visão periférica e só então notou o cano longo de uma arma dourada apontando na direção de Sakura.
— Itachi. – Seu corpo se moveu tão ciente do que ele faria quanto ele próprio. Itachi viu a arma, sabia quem era imediatamente.
Girou puxando Sakura para trás escondendo-a sob si mesmo. O som do disparo encheu a brisa com cheiro de sangue e Izumi caiu atirando no carro, que logo ascendeu os faróis e se injetou pela noite.
Ela largou a arma, sentindo o sangue molhar a vestimenta e a respiração falhar. Sakura se afastou de Itachi e ele se agachou tocando o rosto de Izumi, observando sua respiração falhar em soluços que projetaram sangue através de sua boca.
— Dessa vez não estava mentindo? – Ele por fim disse, e ela o mandou um olhar meio enviesado e farto cada vez mais opaco mesmo sob a lente.
— Nunca estive. – Resmungou, arquejante.
Itachi riu suavemente, com um olhar abatido.
— Você sempre me faz sofrer até a última gota, não é, querida?
— I-Izumi? – Sakura balbuciou, tomando a atenção dos dois. Ela se abaixou sobre os joelhos e abraçou Izumi, esta não podendo fazer muito além de resmungar. — Izumi, você também não, Izumi. Mesmo que você seja cruel comigo e me odeie. Mesmo que sempre me faça sentir deslocada. Não quero ficar sem você também. Izumi, Izumiii...
Izumi suspirou lenta e profundamente, e revirou os olhos com arrogância e enfado.
— Eu não perderia meu tempo odiando você. – Ciciou, Sakura ergueu a cabeça, encarando-a com olhos arregalados e molhados. — Mas se não gosta de ser importunada, melhor ir aprendendo a endurecer essa casca. Neste mundo, a inocência é uma ilusão, e sinônimo de fraqueza. Foda-se, você sempre vai ser uma desgraçada inocente... Mas ao menos não seja fraca. Dá próxima vez, eu não vou estar aqui pra te importunar... Alguém pior vai. — A mulher sorriu, cheia de si e atingiu sua testa com um toque de dois dedos. — Então tem que se defender, e não apenas esperar por aquele pirralho, irmãzinha tola.
Sakura segurou sua mão, negando com a cabeça, ao ver seus olhos se fecharem lentamente sem aquela habitual energia de antes, quente ao modo Izumi de ser. Itachi plantou um beijo na cabeça da mulher e deixou-a recostada contra uma pedra antes de se levantar e puxar Sakura pelo braço.
Ela se deixou ser arrastada, os olhos presos em Izumi ficando para trás como só mais um corpo estranho e vazio.
— Itachi...
Outro tiro e Itachi vacilou um passo puxando-a para a proteção de uma parede de pedra. Ele apalpou o interior do terno, cada vez mais empapado de sangue. E então fitou Sakura com aqueles olhos vermelhos de um demônio sem redenção, e agora, também solitário.
— Uma vez juntos, juntos até o fim. Não a deixei para trás, pois não tardarei a estar com ela, querida.
Sakura soluçou, acompanhando-o agarrada a seu terno por trás, observando as gotas de sangue que ficavam pelo caminho.
*
— “Nada que uma granada não resolva”. Filho da puta! Precisava ter soltado com a gente lá?! – Ino esbravejou, caminhando toda torta sobre os saltos.
— Resolveu, não resolveu? – Sasuke argumentou, enquanto arrancava o terno de si. — Melhor do que ficar esperando Martino nos fazer de peneira.
Eles realmente não teriam escapado fácil do cerco sem aquelas granadas. Estavam praticamente sem munição e italianos surgiam do nada atirando cada vez mais.
Damian vinha logo atrás, com a testa sangrando e parecendo mau humorado pela primeira vez. Ter sido golpeado por Sakura devia ter afetado seu ego.
— Teria sido mais fácil dizer logo que estava do lado dos bonzinhos... — Naruto comentou com Shikamaru.
— Ai, cacete! – Ino gritou, pulando feito uma pata, havia tirado os malditos saltos e agora percebera pisar numa poça de sangue no gramado.
Eles recuaram percebendo o corpo de um homem ao lado de um punhal. Kakashi se curvou com dificuldade, encarando o rosto de lado e a tatuagem sobre o cílio.
— Casa Nórdica. Isso cheira cada vez pior.
— Porque?
— Uma casa de influência mas que ainda é pequena. Normalmente eles apenas se retirariam da contenda, pois não se interessam em defender os amiguinhos. Este esteve aqui para matar alguém específico. – Avisou, fitando Sasuke.
Ele deu de ombros, e seguiu em frente, então notou um par de pernas perto de uma pedra e contornou-a, se abaixando.
— Meu deus, essa não é a metidona?! – Ino disse.
— A própria...- Karin murmurou.
Sasuke tocou a tez de Izumi, percebendo o calor ainda abandonar seu corpo aos poucos.
— Foi um ferimento a bala, nosso amigo ali atrás só tinha o punhal. – Kakashi lamentou a sorte de mais uma criança neste mundo. — Acha que ele a descartou?
Sasuke se levantou, apertando suavemente a mão dela antes de ir em frente, com uma expressão nublada.
— Eu não sei.
*
— Itachi, por favor, você precisa de um médico. – Sakura implorou, andando aos tropeços, mau suportando o próprio peso.
Itachi continuou em frente, respirando profundamente, os olhos baixos, pressionando a ferida.
— Ainda não. As coisas deram errado, acho que fomos traídos.
— Itachi, por favor.
— Eles não poderiam simplesmente se negar a vir. – Sakura chorou, percebendo que ele mais falava consigo mesmo do que com ela. Parecia um fantasma vagando procurando por algo que já nem sabia o que era. — Não poderiam evitar comparecer, ainda assim não vieram. Perdemos esta chance, querida. Izumi está morta, também... – Balbuciou, abatido. — Ela não deveria saber, mas não pretendia que ela fosse até o fim comigo. Precisava que as duas vivessem, a Kuran precisa disso. Congelei esperma para que ela pudesse usar mais a frente. Mas agora ela também está morta...
Ele caiu sentado, arfando e se recostou numa parede, puxando Sakura pelo pulso, ela segurou o rosto tentando parar de soluçar, vendo mais sangue verter da ferida dele.
Itachi acariciou seu rosto, com os dedos sujos de sangue e ao longe eles ouviram vozes italianas, até mesmo latidos de cães e Sakura voltou a tentar puxa-lo.
— Por favor, vamos embora. — Itachi a puxou de novo, ela caiu sentada entre suas pernas e ele apalpou seu rosto cegamente.
— Ainda está com a chave? Com o enfeite? Lhe disse para não perder. Ainda os tem? Vejo que tem.
— Você precisa de um médico, está morrendo, e delirando.
Itachi riu um pouco, abraçando-a.
— Escute com atenção, Sakura. Guarde esse nome bem. Sakura, atenção. – Ele segurou seu rosto firme, apertando a bochecha. Sakura se encolheu aterrorizada quando percebeu que estavam mais perto deles, e que entraram em confronto com alguém, pois tiros e rosnados dos cães ecoaram pelo local.
— Sigrid Gulbrandsen, Sakura, Sigrid Gulbrandsen, o cabeça da Casa Nórdica. Ele foi o traidor, eu me juntei a ele, para derruba-lo e derrubar seus sócios. Mas ele fez um movimento antes, mesmo eu tendo matado todos...
Sakura sacudiu o rosto, não queria saber, não queria lembrar que sua família foi morta por ele. Nem o porque, não mais, não importava mais.
Itachi, com a mão vacilante, puxou a dela, envolvendo a chave entre seus dedos, arquejou apertando a vista.
— Ele não vai parar, querida. O que ele quer envolve chacina, ninguém estará a salvo, a Folha vai ser corrompida, e se o Conselho permitir, ela então deve ser dissolvida, e eliminada. Esta chave porta o que é preciso para por a Folha aos seus pés. Você se tornará intocável, sob as regras que eles mesmos criaram. Mas não se iluda, se tudo estiver dominado por Gulbrandsen, será uma cartada inútil, e pra isso você precisa se assegurar, já cuidei disso também, mas precisará ser muito sábia e astuta.
— O que você quer que eu faça? – Ela lamuriou.
— O quero que vocês façam... Você e Sasuke, juntos. Dei-lhe a vantagem, mas precisarão um do outro. Ele vai ter de aprender a confiar em você, e você em si mesma. O enfeite, nele tem o que precisam para angariar mais aliados, isto. – Ele tocou o enfeite. — É que porá a Folha em suas mãos, isso é uma herança, nossa família guardou e acumulou isso por anos para usar em um caso extremo como este. Mas como já lhe disse, você é a minha Koyosegi, e até mesmo Sasuke terá que decifrar esse segredo que você leva para conseguirem ir adiante. Agora vá embora.
— O-o quê?
— Vá embora, não sei onde Sasuke está. Aqui não é seguro e não posso protegê-la mais.
Itachi a empurrou, empurrando a própria arma em suas mãos.
— Não, não, não, não. – Ela suplicou, o puxando pela lapela. — Por favor, vamos embora, juntos. Por favor.
Ele riu, desvencilhando-se e pondo a própria carteira na mão dela.
— Tem dinheiro, e um endereço, vá até lá. Será seguro, mas não confie facilmente. Precisa ir, querida.
— Itachi.
— Precisa ficar viva, Sakura. Você não é apenas o futuro da Kuran Uchiha, você é a nossa justiça.
— Por favor, venha comigo.
Ele apertou seus dedos, os beijou com aquela velha cordialidade e serenidade com a qual se apresentou a ela quando chegara a Inglaterra, então, fitando-a, tocou seu rosto, e empurrou com os dedos as mechas de cabelo que sempre encobriam a cicatriz que roubara a memória dela.
Com um suspiro, olhou-a nos olhos.
— Existem poucas coisas das quais me arrependo, mesmo que dentro desta vida, isto não seja algo de que se deva orgulhar. Me arrependo de machucar você, não de contar com você. Você é uma alma forte, Sakura. Ao seu modo, gostaria de ter mais tempo, e de poder preserva-la de desabrochar neste inferno, todos nós gostaríamos de evitar isso. Mas talvez esta seja sua sina, talvez você seja na verdade uma flor do inferno. Em todo caso, vá e sobreviva, menina. Vá, e floresça.
A empurrou uma última vez, Sakura se afastou, abraçando a carteira e a arma, recuou aos poucos, tendo uma última visão embaçada dele largado ali, outro corpo frio e estranho.
*
Sasuke mancou pelas ruínas, bufando, o ar saindo quente de sua boca para a noite gélida.
O ferimento feito por Itachi dias atrás havia aberto de novo, e agora tinha uma mordida de cachorro praticamente em seu rabo. E ele achando que seu pior problema animal era uma porra de hamster obeso.
Vagueou obsessivamente, buscando qualquer indício dela. Mas só encontrava corpos, mau ouvia o que diziam ao seu redor.
— Sasuke, vamos embora. Roma vai se tornar um campo de caça a você assim que amanhecer. – Kakashi aconselhou, mancando logo atrás dele.
Sasuke começava a achar que o universo estava o fazendo pagar pela língua. Reclamou de um hamster e de um velho manco, e agora levara uma mordida de cachorro que o deixara mancando.
— Eles não devem mais estar aqui. Ninguém está! — Karin protestou.
Sasuke seguiu em frente ao contornarem uma construção, deram de cara com o sol começando a nascer, e Martino junto de mais homens e cães, parados perto de uma parede semi destruída.
Imediatamente apontaram as armas mas Martino, estreitou os olhos para Sasuke e ele baixou a própria o encarando friamente.
— Melhor vir logo. – Martino proferiu com desdém, apontando a arma para a parede. — Ele não vai durar muito.
Sasuke apertou os olhos para ele e se aproximou da parede, contornando-a.
Imediatamente se agachou e o puxou pela roupa, rosnando em seu rosto pálido.
— Onde ela está?
Itachi, pousou a mão no ombro dele, pesando muito e Sasuke encarou a morte sobre ele, seu irmão.
— Onde ela está? – Indagou, mais devagar. Itachi, passou o braço ao redor de seu pescoço, o trazendo perto até suas testas toparem, seu hálito veio com cheiro de sangue e morte. Mas ele sorria como se houvesse ganhado algo. — Porquê matou Izumi?
— Não matei, o número de jogadores apenas aumenta... era para ela estar viva, como Sakura, para manter a Kuran Uchiha viva.
— Você os matou.
— Eu sou o traidor, você o que trás vingança. Sempre foi assim, você quem saiu de casa, mas era eu que afastava a mamãe, e você que a consolava e me odiava e odiava o pai por magoa-la, você se lembra...?
Sasuke inspirou, recordando coisas muito antigas.
— A família seria morta hora ou outra. Eu fiz primeiro para termos uma chance.
— Que chance? Onde está a Sakura?
— Sakura é a chance. Encontre-a, proteja ela, ela agora é a chave. Ela tem a chave, ela é Koyosegi...- Balbuciou, Sasuke se afastou, furioso.
— Não me venha com suas porras de enig-...- Calou-se quando ele atingiu sua testa com os dois dedos, inundando sua mente com velhas lembranças da infância que nunca foi infância.
— Este é o último, seja sempre assim, audacioso e terá a sorte que precisa. Última vez que digo isso, é a última vez, irmão. Temos orgulho de você... Eu tenho...
Itachi encarou o vazio, e se tornou vazio, os dedos ensanguentados escorregaram da testa de Sasuke e ele tombou para o lado lentamente.
Sasuke observou por longos minutos antes de se levantar.
— O que ele te disse? – Indagou, a voz enregelada.
— Por que acha que ele me disse algo? – Martino devolveu, friamente.
— Porque acabei com sua festinha e até vinte minutos atrás você tentou me explodir.
— Bala trocada não dói. Ele me disse algo sim, não devo acreditar, mas devo conferir.
— O quê?
Martino suspirou e deu as costas.
— Eu vou conferir. Daqui três semanas estarei em Luxemburgo. Se você estiver vivo até lá, conversaremos. – Avisou, antes de ir embora, acenando com a arma em mãos para o resto dos homens o seguirem. — Se possível leve aquela deusa japonesa também, ela me deve uma dança e, ah, melhor sair da cidade antes que o Sistema abra, papai vai por sua cabeça a prêmio. Lance inicial de dez milhões, e eu pagarei com gosto.
— Só? – Sasuke ironizou. — Eu achava que seu pai não gostava de mim da vez que fodi suas irmãs. Juntas. Então ele superou?
— Doze milhões. Só por esse afronte. – Martino gritou, já distante, embora não parecesse com raiva e até bem humorado.
Também pudera, nem ele podia negar quão sexualmente sedentas suas irmãzinhas eram.
Kakashi se abaixou com dificuldade, e fechou os olhos de Itachi. Havia visto aqueles olhos se abrirem ao mundo, praticamente. Estava lá quando ele nasceu, e quando Sasuke veio também. Agora vira os de um deles se fecharem.
Não sabia se estaria preparado para ver o mesmo acontecer com o outro.
Sasuke largou a arma que segurava no chão, parecendo finalmente ceder a exaustão. Então voltou a caminhar chegando a ignorar até o ferimento que o fazia mancar.
*
Cemitério Campo di Verano.
Gaara odiava cemitérios, mas admitia que eram bons lugares para esconder certas coisas.
Assoviando tranquilamente entre as tumbas antigas, dirigiu-se até um velho mausoléu, uma casinha pequena e tão antiga que os nomes dos mortos ali enterrados já estavam praticamente apagados pelo tempo.
Olhou em volta, e então tirou um lar de chaves dos bolsos, puxou as correntes que fechavam um frágil portão de ferro, e franziu o cenho ao notar que o espaço entre as duas portinhas estava o mais escancarado possível, esticando as correntes grossas.
Ele tirou uma pequena lanterna do bolso, lançando um facho de luz dentro do cubículo, havia um único túmulo no centro da saleta, e nas paredes alguns gavetões que guardavam três mortos, outros abertos e vagos.
Percebeu uma movimentação atrás do túmulo e iluminou o que pareceram ser sapatos.
— Ah, saco... – Bufou tratando de destrancar os cadeados. — Escolheu o lugar errado pra brincar fantasma, pentelho filho da puta.
As correntes escorregaram para o chão quando ele destrancou as portas, causando um barulho agourento no ambiente.
Ouviu vozes e percebeu que Sasuke e os outros estavam voltando aparentemente vivos.
— Muito bem, melhor cair fora logo. — Avisou, entrando no mausoléu, apontando a lanterna junto da arma que tinha consigo.
Contornou o túmulo de pedra onde na tampa havia esculpida uma mulher que parecia dormir, mas nada encontrou além de sujeira.
Estreitou os olhos desconfiado, pois só temia vivos e não mortos.
— Sabaku? – Kakashi chamou de fora, Gaara acenou com a lanterna e então notou um barulho alto de respiração vindo de um dos gavetões abertos.
Se aproximou da parede e iluminou lá dentro, encontrando um par de pernas femininas encolhidas e muito bem preservadas, elas se encolheram mais e ele apontou procurando um rosto, mas só encontrou a criatura mais encolhida lhe apontando uma arma prateada.
Ela gritou apavorada e ele xingou, jogando-se no chão, o tiro ecoou pelas paredes e os outros adentraram apontando as armas.
Gaara se levantou de uma vez, enfiando as mãos e agarrando as dela, outro tiro saiu, atingido a parede interna da cova de concreto, ela guinchou e ele puxou a arma de sua mão ao mesmo tempo que Sasuke o puxou pela roupa, para trás.
— Qual é, tem um esperto pagando de rato aqui... – Reclamou, Sasuke encarou a arma em sua mão, e tomou-a.
— É do Itachi...
— Hã?
Kakashi imediatamente se aproximou, apontando a lanterna para dentro da gaveta, sua expressão se empalideceu de comiseração e ele largou a arma, oferecendo a mão.
— Oh, por favor, venha aqui, está segura agora. Sei quem mandou você, e está segura. Sasuke veja.
Kakashi a puxou pela mão, Sasuke empurrou a arma para Gaara, e tão logo reconheceu a mãozinha dela, mergulhou na gaveta e puxou-a para si ouvindo um gritinho de terror, rouco e exausto.
— Venha aqui, venha aqui. – Ciciou, abraçando suas pernas e o tronco.
Sakura se agarrou a ele, aterrorizada demais para ficar aliviada.
— Como diabos ela veio parar aqui? — Shikamaru encarou Gaara que deu de ombros.
— Itachi sempre foi bom em estar um passo a frente. – Kakashi suspirou.
Eles se permitiram relaxar um pouco, finalmente, observando silenciosamente Sasuke beijar a tez pálida de Sakura, murmurando que ela estava bem e que a protegeria quase como uma prece.
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