Vingador Vol. II
13 12. As relações passadas. Trunfo Familiar.
Notas iniciais
Ela queria que houvessem aplicado algo nela antes do que depois daquele inferno começar.
Talvez pudesse acreditar por um segundo que era mesmo um pesadelo, ou um delírio.
Sakura sentia o tronco subir e descer apenas quando, provavelmente, soluçava, o resto de si estava em total torpor, ineficaz, inútil. Seus olhos ardiam completamente alagados, e ela não conseguia enxergar com clareza o que estava a sua frente, nem queria.
Estava no banco de um carro que cruzava as suas desertas de Londres, haviam deixado para trás, a muito tempo, o som das sirenes atraídas pelas bestas de fogo que consumiam a mansão Uchiha.
Com todos lá dentro.
Ela viu.
— O que deu a ela? – Izumi questionou, o tom incomodado e enfadonho encheu o estomago de Sakura de repúdio, e ela quis vomitar.
— É apenas um calmante, não é recomendável dar lhe qualquer droga mais forte, Sasuke já pode ter tomado algumas providências. – Itachi disse, enquanto parecia limpar as mãos com um pano e bebida alcoólica.
— Que providências?
— Provavelmente as mesmas que deveríamos ter tomado, querida noiva.
— Ah? Credo.
O tempo pareceu perder o sentido em longos momentos, Sakura sentiu que apagara ainda no carro, e quando sentiu lucidez novamente, percebeu as próprias pernas se movendo languidamente enquanto era segura por dois pares de braços, piscou espantando as lágrimas ainda acumuladas e deu com um corredor comum. Não conseguia mover o pescoço nem para olhar direito quem a conduzia, apenas encarar as costas de Itachi e de Izumi.
Ela olhou para trás com uma expressão indecifrável e então para Itachi.
— Sabe que não temos muito tempo. – Disse.
— Não exatamente, até a manhã saberei como iremos fazer, e como vamos fazer Sasuke colaborar.
— Você deve ter enlouquecido de vez mesmo...
— Vamos para Paris logo, e lá iremos nos organizar melhor.
— Compras.
— Contenha-se, senhora Uchiha.
Ela deu de ombros, parecendo envaidecida, ela seria a nova Sra. Uchiha.
Era apenas por isso?
Adentraram uma espécie de apartamento, e ela foi deixada sobre um sofá, a sala parecia praticamente vazia, com poucos móveis, e pode ver de relance uma grande janela que parecia dar para o rio Tâmisa.
— Que lugar é esse? – Disse Izumi, o salto batendo no assoalho a cada passo.
— Esconderijo do Sasuke.
— Você é maquiavélico.
Sakura gemeu chorosa e assustada quando sentiu algo cobrir-lhe o corpo até o ombro, e então tocarem-lhe a tez.
— Durma um pouco. Vai ser uma semana longa. – Itachi disse, e então só houve silêncio e o desespero dela ecoando fracamente da garganta.
֍
Dois dias depois.
Arrancou a máscara de oxigênio do rosto, e se apoiou na beirada da maca, tentou se erguer sobre um dos pulsos, foi contido por uma algema trancada contra a barra de ferro lateral.
Sentou-se olhando o entorno, o que parecia nada mais que uma sala de algum tipo de posto médico ou clínica abandonada, só havia a maca, o aparelho de oxigênio e um armário de vidro, com as portas quebradas, a luz débil balançava sutilmente acima dele.
O querem vivo mas não confiam nele.
Sasuke enfiou a mão na calça e puxou um mero clipe de papel, destrancando a algema, desceu da maca, e seguiu para a porta de madeira mofenta.
Abriu-a com o mesmo clipe e saiu encontrando apenas escuridão. Caminhou alguns passos antes de as luzes se acenderem de uma vez e algo atingir sua nuca, caiu sobre as mãos e joelho, e um corpo caiu sobre o dele, o imobilizando.
— Onde a princesa pensa que vai?!— Sasuke sacudiu a cabeça, tonto com a pancada e tentando assimilar porque estavam falando em japonês, ao seu redor.
— Não vacile, cara. – Disse outra voz masculina, ele percebeu passos se aproximando de si, e mais dois pares de pernas, femininas, um tanto mais distantes, uma em postura apreensiva e a outra, sentada numa cadeira.
Sasuke jogou as pernas para frente, sentando, e desequilibrando o homem que o cingia pela cintura e pescoço, empurrou um de seus braços de uma vez, e girou o tronco mais uma vez, puxando-o pela roupa para baixo de si e jogando o corpo sobre o dele, passou o braço em torno de seu pescoço e fechou-o com força.
— Filho da puta!
— Quebro seu pescoço. – Avisou, num rosnado e por fim encarou as pessoas ao redor com um olhar estreito e avermelhado.
Havia uma arma apontada para ele, e ainda assim se ergueu puxando o homem pelo pescoço, o braço tão bem travado em seu entorno precisava apenas de uma pressão certeira para quebra-lo.
E como já deviam esperar, ele não estava mais que pronto para fazê-lo, sem pestanejar.
— Que forma estranha de cumprimentar os velhos colegas. – O homem que lhe apontava a arma disse, enquanto se aproximava ficando sob a luz mais forte, e soltava uma baforada de cigarro pelo canto da boca entreaberto enquanto noutro, mantinha um cigarro.
Sasuke estreitou o olhar absorvendo aquele rosto munido de uma barbicha áspera e olhos escuros naturalmente baixos e preguiçosos.
— Olá, Vingador?
Fazia tempo que ele não ouvia essa denominação.
E ela a fez rir.
Muito.
Soltou o babaca que já percebeu ser justamente aquele merda do Uzumaki Naruto e se afastou apenas para rir.
— Eu acho que ele ficou louco de vez. – Naruto disse, afastando-se e esfregando o pescoço dolorido.
— Apesar de quase ter apostado nessa reação, não achei que fosse pra tanto. – Shikamaru Nara disse, aproximando-se e puxando o braço de Sasuke e o algemando, ele estava curvado, apoiando-se nos joelhos de tanto gargalhar. Shikamaru puxou seu pulso para trás, e ele se calou jogando o cotovelo contra seu queixo e capturou pulso com a arma, o puxando e jogando sobre si, rumo ao chão, ergueu e destravou a arma na direção de Naruto enquanto pressionava o pé sobre o pescoço do Nara.
Então, volteou os olhos para a mulher ruiva que lhe apontava uma .40, os cabelos agora repicados na altura do queixo. Ele presumiu que pudesse ser um tipo de auto lembrete.
— Você pode acertar, mas já vou ter atirado nele e, mais dois quilos de pressão no pescoço desse aqui e ele já era.
Karin Uzumaki crispou os lábios enquanto atrás dela, antes sentada numa cadeira, uma mulher loira disparou sobre os saltos na direção de uma porta.
— Você tem muito a perder se morrer agora, não acha? – Ela jogou de volta.
— É você que vai voltar pra casa com os corpos dos seus amiguinhos.
A porta rangeu abrindo novamente e um som irritante de algo batendo no piso compassadamente encheu o cômodo.
— Sempre afiado, não, meu caro?
Sasuke não deixou de baixar a arma e voltou os olhos para atrás de Karin, vendo o homem mancar apoiado numa bengala com a loira logo atrás, com uma expressão cheia de si.
— Aposto que não esperava por essaaaa. –
Ela cantarolou, e se escondeu atrás do velho na primeira olhada afiada que recebeu.
Sasuke focou no homem, e só pode ter uma única conclusão.
— Hoje é dia dos filhos da puta darem as caras. Que desprazer em te ver vivo, Kakashi.
֍
Três dias depois.
Sakura foi empurrada para um banheiro com certa brusquidão.
Nunca havia visto qualquer dos homens que seguiam Itachi, mas, não era como se o conhecesse mais, tampouco.
A porta foi fechada atrás dela, e se demorou analisando o banheiro, mais afim de ordenar o caos dentro de si do que atentar-se ao exterior, tão logo o fato de estar finalmente sozinha foi melhor absorvido, ela correu para a banheira, adentrou-a e tentou subir na beirada para encontrar a minúscula janela que havia na parede, no entanto, além de muito alto, duvidava que fosse capaz de passar, além de sequer saber se não havia apenas um pátio de concreto esperando-a sabe-se lá a quantos metros do chão.
Desceu e então passou a vasculhar o banheiro em busca de qualquer coisa que pudesse usar como arma, ou mesmo para livrar-se das algemas que a prenderam pelos últimos três dias em conjunto com calmantes.
Vasculhou o pequeno armário até ouvir batidas, congelou no lugar e olhando em volta, viu que haviam roupas dobradas esperando sobre a tampa do vaso.
— Estou me despindo! – Avisou, as batidas e a mexida no trinco cessaram, e ela tratou de arrumar as toalhas que mexera no lugar, e os pequenos potes com sabonetes também.
Um deles escorregou de sua mão, uma batida falhou em seu peito, mas a peça pousou no tapete felpudo. Sakura inspirou, sentindo que teria um enfarto a qualquer momento.
Recolheu tudo até reparar algo entre os sabonetes, pegou, tirou do plástico no qual estava envolvido como se fingisse ser um item de banho.
Um celular, bastante antigo, e pequeno, ela o apertou contra si, matutando se deveria tentar liga-lo ou mesmo tentar uma chamada ali, mas no fim, decidiu que não teria tempo para isso.
Deixou-o sobre a pia e rapidamente se despiu com desconsolo, a maquiagem e trajes meticulosa e carinhosamente escolhidos por Mikoto não eram mais sombra do que ela planejava exibir.
Sakura catou um vestido branco de ar simples mas bem recortado, solto com colo em renda, havia um par de sapatilhas também brancas esperando e também uma lingerie, ela ligou o chuveiro esperando que isso lhe desse mais tempo, pois seu banho fora curto e mal arrumara os cabelos em mais que uma trança embutida, das roupas de antes, a única coisa que não conseguiu se livrar foram os brincos de pérolas negras que Mikoto pusera em suas orelhas enquanto a acalmava e arrumava, e o anel de Sasuke, o qual ela não conseguiu evitar de olhar com os olhos cheios d’água.
Ouviu novamente batidas na porta e a voz de Izumi em tom irritado, jogou os olhos sobre o celular, e o agarrou, lamentando que provavelmente não lhe dariam uma bolsa, por fim, o enfiou abaixo do vestido, como era um modelo tipo flip, ela assim o abriu e encaixou na lateral do cós da calcinha, próximo à virilha.
Ajeitou a barra do vestido e se assustou quando Izumi abriu a porta com brusquidão.
— Quem pensa que é pra ficar nos atrasando? Anda logo. – Sakura encarou-a duramente, deixando o ar do medo escapar com sutileza, atravessou a saída batendo o ombro contra a mulher com rudeza e seguiu em frente seguida por dois homens enormes que praticamente a emparedavam.
O que diabos eles pareciam achar que ela fosse capaz de fazer? Ainda sequer sabia como poderia proceder com o telefone que sequer sabia se ainda funcionava, quanto menos poderia fazer para se defender ou atacar.
Seguiram pelo corredor que só agora ela dava atenção, as paredes não apresentavam nenhum quadro, mas ela havia visto algumas janelas e tinha quase certeza que ainda estavam em Londres, não sabia qual lugar, claro. Não recordava mais direito de quando haviam chegado, o pouco que havia reparado se perdeu no sono forçado.
Chegaram a uma sala diferente da que vieram, ainda sentindo o olhar de Izumi queimar em suas costas, Sakura se afastou mais que irritada e arisca com os dois homens, eles se afastaram, embora ainda de olho nela e a garota passou a caminhar pela sala praticamente vazia.
Itachi estava próximo de uma vidraça, fumando e encarando o exterior, e ela não faria questão de se aproximar tão cedo. Izumi se aproximou dele, resmungando azedamente.
Sakura caminhou pela sala até onde havia uma mesa com muitos vidros que percebeu serem de tinta, bem como um pote repleto de pinceis sujos. Sua atenção migrou direto para uma série de telas em branco e tamanhos diferentes recostadas na parede atrás da mesa.
Caminhou ao lado da parede até encontrar uma tela inacabada quase metade ainda em branco, o resto de uma riqueza de beleza e detalhes que ela sentiu estar olhando uma grande fotografia muito viva. Parte do ambiente não lhe era distinguível, apenas algo em belas nuances de roxo, lilás, rosa, amarelo e vermelho acima de arranha-céus, a cobertura de um prédio, uma silhueta feminina num esvoaçante vestido branco com um laço nas costas, e cabelo muito curto, apenas metade da silhueta.
Um lado todo em branco.
Sakura se aproximou da tela, estendendo a mão para a parte branca, chocada, e ao mesmo tempo, tomada de uma afinidade para com toda a crueza que uma imagem inacabada parecia capaz de exercer em seu âmago.
Não tocou a tela, afastou-se um pouco atordoada, e percebeu outra ao lado, esta ainda estava completa, no entanto, era um plano de cores frias que davam uma impressão sombria, talvez melancólica, e no centro desta, uma forma feminina completamente em branco se fazia.
Uma garota de formas esguias, sentada sobre as pernas flexionadas, apoiada sobre um braço atrás de si, e o outro flexionado na direção do pescoço, cuja mão o tocava, enquanto deixava suas longas e desordenadas melenas derramarem-se da cabeça pelo tronco. Nua, mas um borrão como uma mancha ocultando o tronco descoberto, apenas os olhos a vista no rosto. Grandes, cheios de significados, mas ao mesmo tempo, em branco.
— Muito detalhista, não? – Itachi pronunciou, ao lado dela. — Mas ao menos ele teve a consideração de cobrir o principal...
— Esta...? Eu...?
Itachi deu de ombros.
— Não, não é mais. – Então deu as costas, e ela finalmente o fitou, o vendo seguir para a porta, e apanhar o casaco sobre a poltrona. Izumi vestiu o dela e saiu primeiro e os homens se aproximaram de Sakura esperando-a ir ou prontos para força-la a ir. Ela seguiu ainda alta, apenas arrastando os pés. Itachi esperou-a na porta com um olhar atencioso, e ela deixou a sala. — Mas ele tem outro estúdio em Paris, devem haver algumas com você, tenho certeza. – Disse, como se tentasse compensá-la enquanto seguia olhando uma pasta preta que foi entregue por um dos homens. — Ah, touché. – Disse, entregando a ela um caderno de desenho preto o qual puxara de entre as folhas.
Sakura apenas o pegou, mas não olhou, agora centrando-se em caminhar direito e manter o celular pendurado de maneira tão simplória no lugar. Aproveitou o caderno e o segurou contra o corpo, pressionado assim o aparelho contra si e mantendo a firmeza deste no esconderijo.
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Sasuke era como uma ave de rapina, seus olhos assustadoramente escuros vasculhavam por inteiro qualquer detalhe a sua volta, desde ridículos pedaços de concreto que caiam do teto, até as mais sutis linhas de expressão no rosto deles.
Passada sua raiva inicial em perceber que os assuntos que achava já ter concluído a tempos estavam de volta para atormentá-lo justo numa péssima hora, ele agora estava quase que confortável sentado e amarrado numa cadeira, os observando milimétricamente com aquele sorriso de bastardo superior.
Claro, ainda estava irritado, reencontrar seu velho parceiro não o fez mais feliz, ele estava novamente a ponto de ensandecer, porque novamente, aquela que tinha sua humanidade e sanidade na palma da mão, estava longe de sua proteção e cuidado.
Havia uma série de reviravoltas tão louca e intensa envolvendo aquela situação toda, que nem Karin queria pensar muito pra não enlouquecer também.
Ás vezes se perguntava que diabos tivera na cabeça para responder aquele e-mail anônimo que lhe prometera mais respostas sobre aquele caos acontecido em Tóquio já quase três anos atrás.
Ela que havia feito tanto para se afastar daquilo tudo, que ficara marcada de diversas formas, mas ainda assim, ansiando mais respostas, saber até onde aquela estranha conspiração que rastejava em torno de Sasuke Sengawa, ou como agora sabia, Sasuke Uchiha, se dava.
Sasuke era o segundo filho de uma família de origem inglesa e nipônica de muito dinheiro e alto renome que há mais de duzentos anos se aliara a várias outras famílias para formarem uma espécie de sociedade secreta de assassinos, que ganhavam dinheiro, poder e influência através de contratos de morte rápida, sutil e precisa.
Mas, ainda aos dezoito anos, o jovem considerado um prodígio da família, se revoltou durante um trabalho na América do Sul, queriam que ele desse fim num orfanato inteiro, apenas porquê o cliente queria se livrar de um filho bastardo com uma garota que também era uma criança.
O homem tinha influência política no local, e não queria que um escândalo que envolvia pedofilia, traição, suborno de autoridades e outras atrocidades corresse o risco de ser exposto em plena época de campanha.
Sasuke totalmente inverteu a missão, ele matou o homem e usou o dinheiro pago previamente para mandar a menina de doze anos e seu filho de seis meses pra fora do país onde nunca mais foram localizados.
Desde então, foi o que ele fez, revertendo a ordem sob a qual foi criado, ajudando as vítimas e tornando-as seus clientes a um preço mais que acessível.
Até seu caminho enlaçar-se ao de Sakura Haruno, a cliente cujo pagamento ele não foi capaz de receber. Ou talvez tivesse, de outra forma.
Afinal, Sakura era inteiramente dedicada a ele, de um jeito não saudável para sua fraca constituição mental, física e emocional.
Numa tentativa de recuperar o filho, os Uchiha o encurralaram em Tóquio no auge da guerra que ele travou contra a Yakuza inteira, quase mataram Sakura no processo. Mas levando em conta a descoberta do valor dela para sua presa, a levaram para a Inglaterra e deixaram Sasuke seguindo pistas falsas até a desistência (algo que Karin achou digníssimo).
Sakura continuava desmemoriada, a policial preferia pensar nisso de uma forma otimista, mesmo que tenha se tornado um subterfúgio para manipular a pobre menina.
Já Sasuke, agora estava lidando com outro grande problema aparentemente também causado por sua velha rebeldia e arrogância, Sakura estava em perigo outra vez, e o pior, as pessoas que os querem morto agora, são tão perigosas quanto ele próprio.
Que maravilha.
Como de se esperar, ele só estava esperando uma mísera oportunidade de se evadir e definitivamente não estava inclinado a ser misericordioso.
Era estranho vê-lo com aquela barba, de certa forma, esperava reencontrar aquele rosto impecavelmente diabólico outra vez. Ou quem sabe interpretando algum personagem estilo Sasuke Sengawa novamente, apesar de Kakashi os ter alertado que estavam á caminho de uma guerra, não esperavam reencontrar o maldito praticamente morto se não fosse por aquele cara estranho e bizarro.
A mansão Uchiha estava em chamas, Kakashi descobriu que o grande orquestrador disto tudo fora ninguém mais que o próprio irmão de Sasuke e ela não queria pensar em como esse cara deveria ser.
Sasuke era um demônio assassino com um pedaço de coração e alguma moral ainda salvos, já este homem, que matara a família e aparecera nos jornais como o destruído único restante dela... Era abominável.
Tendo essa nova perspectiva, Karin admitia que havia passado a enxergar Sasuke e suas motivações por outros olhos. Não que houvesse deixado de desaprovar e repugnar sua “justiça”, mas admitia que pelo menos minimamente, era melhor lidar com um justiceiro do que um matador que poderia ter qualquer um como alvo.
Claro, não era algo que sabia que iriam concordar, sabia por exemplo, que o que fizera seu primo e Shikamaru aceitarem entrar nessa empreitada ainda era muito próximo de vingança e rancor.
Eles eram policiais até a alma, Sasuke havia abalado e desdenhado do orgulho deles e de praticamente toda a Tóquio, ainda era xingado e odiado nos bares mesmo sendo considerado morto.
Mesmo sem haver um corpo, ele havia sido considerado morto, pois dos muitos corpos que foram encontrados depois daquela noite, estavam praticamente incinerados pelo incêndio e não puderam ser identificados.
Além do mais, os secretários de segurança que estavam para enlouquecer com toda a pressão pública, não dispensariam uma chance de mostrar serviço anunciando com satisfação, que o homem responsável por todo aquele pandemônio havia sido detido de forma definitiva ao lidar com o que ele mesmo causara.
A morte da lenda do crime, havia causado uma série de reações na sociedade que até hoje ainda afetavam a ordem.
A yakuza teve um período de grande turbulência, também afetados no orgulho, se tornaram ainda mais violentos e fechados, além de desconfiados da polícia. Qualquer policial que mostrasse uma postura mais rigorosa e ousada, era perseguido e até marcado.
O que não seria problema se o falso policial Sasuke não tivesse inspirado alguns deles a serem mais rígidos em suas abordagens.
Inspiração que afetou muitas pessoas comuns também, nos últimos dois anos, Karin havia ajudado a prender pelo menos três cidadãos comuns que usaram a fantasia do Homem de mil armas para aprontar pequenas tentativas de justiça. Algumas tentativas de impedir roubos, estupros e até um caso onde sete adolescentes vestidos de preto, espancaram um homem que vinha assediando colegiais pelas ruas movimentadas do centro.
Esse indício de rebeldia por parte da sociedade, deixou muito vagabundinho com medo de ser pego pelas pessoas. Mas irritou os criminosos mais perigosos e organizados.
Foram sete meses de muito caos, mas Karin sempre duvidara que qualquer imitação pudesse ser Sasuke ressurgindo.
Não havia Sakura Haruno por perto, afinal. E ela confirmara de uma vez que Sasuke havia abandonado o ideal de matar em nome dos mais fracos para, focar em proteger e ter Sakura consigo. A prova era que por mais que ela ou Shikamaru tivessem investigado e Ino Yamanaka houvesse se dedicado a correr o mundo em busca de pistas sobre o Vingador insurgindo em outra nação, absolutamente nada foi detectado.
Sasuke estava perseguindo Sakura, e por mais que tivessem o nome Uchiha como pista, eram uma família tão rica quanto discreta, com negócios em diversos países, estavam sempre em algum deles e raras notas na imprensa eram vistas e mais raras, fotos de um deles.
Eram uma verdadeira fortaleza de mistério, e perigo.
— Então, quanto Kakashi ofereceu para virem ser peões dele? Deve ter sido muita grana pra virem pra morte certa assim. – Ele questionou, tranquilamente.
Karin revirou os olhos.
— Ninguém aqui é como você. – Naruto cortou, duramente. — Não tem dinheiro ou nada do tipo, é só pela satisfação de vir foder a sua vida mesmo. – Completou, acidamente.
Sasuke riu erguendo mais o queixo com um sorriso cínico.
— Ah, a sede de vingança, que corrompe até o mais moral dos homens. – Cantarolou então olhando Shikamaru, parado perto da porta encarando um cigarro acesso já a algum tempo.
Ele vinha tentando parar mas a presença de Sasuke conseguia evocar as coisas mais ruins.
Furioso, Naruto avançou para o homem com um soco armado, Sasuke inclinou o tronco para trás e estendeu uma das pernas atingindo a parte interna do joelho dele, fazendo-o cair com um grunhido doloroso.
— Da próxima vez farei o favor de quebrar. – Ele disse com um olhar em brasa e absolutamente sombrio. — Assim fica poupado de levar um tiro na cabeça quando forem se deparar com o que estão querendo se meter.
Karin apenas puxou o primo de perto dele, ignorando seus resmungos, sem qualquer paciência pra lidar com a impulsividade dele.
Naruto era muito arrogante, sempre se divertira em zombar do contador Sasuke Sengawa na delegacia, fazia gracinhas, enchia o saco ainda mais por saber da queda que ela tinha pelo “mané”.
Descobrir a verdadeira fera que zombava dele e de todos por trás de um sorriso gentil, o deixara com o ego na mais baixa camada de terra do planeta. E ele nunca superara isso.
Mas ele não lidara com a fera realmente, não como ela, Ino e Shikamaru. Que sabiam que qualquer movimento falho, até mesmo num movimento certo deles, Sasuke era capaz de usar e inverter ao próprio favor.
Kakashi finalmente retornou, não sabia o que tanto ele fazia fora com aquele outro cara que cheirava a coisa errada, ou porque insistia em manter Sasuke contido.
Já deveria saber que nada disso diminuiria a ira dele, apenas a ampliava.
— Chegou o cavalo manco. – Sasuke anunciou alto e Kakashi suspirou, tirando o chapéu e deixando sobre a mesa enquanto se aproximava. — Santa lentidão, não é nem mesmo metade do velho fodido que já foi hein?
— Que mau-humor. – Kakashi riu suavemente. — Isso faz mal ao coração e você não vai ser jovem para sempre, sabe?
— Oh, meu deus obrigado! Como eu não pensei na minha saúde? Ah, vai ver porque a porra da minha família está morta, e porque foi o fodido do meu irmão, que aliás está com a minha mulher indo pra puta que pariu com cobertura daqueles velhos escrotos mais velhos que a sua mãe, aquela cadela albina do caralho. E eu estou com o rabo preso aqui nessa joça mofenta tendo que olhar pra sua cara e pra desse bando de otários que não cansam de serem feitos de otários, aparentemente. – Ele trovejou, cada vez mais alto, ficando vermelho e seu peito ampliando dentro da camisa social suja de suor e sangue, ao ponto de parecer que as cordas arrebentariam.
— Melhor? — Kakashi indagou, genuinamente interessado.
Sasuke inspirou e sorriu quase amigável.
— Não, talvez eu fique quando me soltar daqui, quebrar os pescoços desses dois babacas, raspar a cabeça das vacas e claro, enfiar essa bengala bem fundo no meio do seu...
— Ótimo então, vou soltar você. – Kakashi declarou, Sasuke o fitou, desconfiado e o resto deles se indignou.
— Como é?!
— Prefiro lidar com você cínico do que irritado. – Kakashi prosseguiu.
— Ele está cínico e irritado! – Ino protestou escandalosamente.
— Oh...
— Você tá velho mesmo, Kakashi. – Sasuke quase riu. O velho homem sorriu, sem jeito.
— Não tem o que fazer sobre isso, mas veja, quero soltar você, mas precisa ouvir, você precisa pensar com clareza, quanto mais tempo você ficar nesse ódio misturado ao luto e ao rancor, mais vai perder tempo em encontrar Sakura e não sei que planos Itachi pode ter para ela além de usa-la para o fazer persegui-lo. Mas é isso que ele quer, e como sei que você não vai evitar ir pra boca da armadilha mesmo assim, ao menos nos deixe ajuda-lo então.
— Você? Vocês, esse quarteto fantástico aí? E por que agora iria acreditar que querem ajudar a mim? Você fez alguma lavagem na cabeça deles?
— Eu não os chamei para qualquer vingança, deixei bem claro que daria a eles respostas. Se quisessem se arriscar a se meter com gente muito perigosa e inescrupulosa, muito mais que você. Você é só a ponta do iceberg, a escolha foi deles em mergulhar e talvez não voltar. Quanto a minha motivação, eu já lhe disse antes, faz muito tempo. A Alta cúpula estava se corrompendo e logo a Folha inteira estaria, mas não sabíamos quem iniciou essa mancha negra. Mas Itachi sabe, ele se aliou a eles, seja por corrupção ou motivos pessoais, e ele quer que você chegue até ele, a prova disso é que tão logo seus pais, tios, primos e Sakura, foram dados como mortos, ele sepultou os ditos corpos e sumiu alegando estar abalado demais.
— Primos..? – Sasuke divagou. — Mas só Shisui estava conosco. Izuna não. – Kakashi encolheu os ombros, abatido. — Ou foi corrompido...
— Ou tirado do jogo antes...
Sasuke duvidava bastante, Izuma queria sua cabeça a todo custo. Mas não entendia porque fingir a própria morte apenas em prol disso.
— De qualquer jeito não consegui localiza-lo, o contrário de Itachi.
Sasuke retesou e o encarou com o maxilar trincado de ira.
— Sabe onde ele está?
— Sei, e está com Sakura. Em Candem, indo para pegar o trem, ao que parece ele vai para Paris. Tem muitos homens com ele e ela está sendo apartada com calmantes leves, ao que parece.
Sasuke inspirou, profundamente fechando os olhos por um momento.
— Porquê não dopar, porquê não um jatinho?
— O segundo é um trilha de pão para você, meu jovem falcão, sobre o primeiro, pode ser algo que você saiba.
— Que quer dizer? – Kakashi ficou meio sem jeito.
— Depois que retomou Sakura, hum, retomou tudo?
— Hã?
— Tem alguma chance de ela estar grávida?
֍
Estação St. Pancras, Camden, Londres.
Sakura balançava a perna o tempo inteiro, olhando para os lados ansiosamente, em busca de qualquer milagrosa brecha naquele lugar enorme mas cheio de pessoas e predadores prontos para recaptura-la a qualquer momento.
Embora estivesse inquieta e ansiosa ao ponto de sentir pontadas no peito, sua angústia era parcialmente nublada pela medicação que a forçavam a tomar.
Estranhamente não era nada muito perigoso, era inclusive o Olcadil, um remédio que lhe fora receitado por sua terapeuta. Considerado um tarja preta leve, que mais servia para deixa-la relaxada em momentos de muita tensão.
Sakura geralmente só recorria a ele quando se sentia repentinamente muito assustada com uma situação, ás vezes o período de provas era estressante, ela havia passado por um professor cujas más línguas diziam que era bem rude com alunas muito bonitas, ela não julgava ser esse seu caso quando ele implicava tanto com suas respostas nas provas ou nos trabalhos apresentados, o que foi bastante difícil de lidar pois não era a melhor oradora, e só falar na frente da sala sempre lhe aflorava os nervos.
Aquele foi sem dúvida o pior semestre pelo qual passara, mas sobreviveu a ele e agora parecia tudo tão longínquo, quase surreal, desvanecido num pesadelo doloroso.
Olhou para o lado vendo o caderno que Itachi lhe entregara. O puxou para o colo pronta para desvendá-lo e descobrir alguma lembrança concreta de Sasuke.
Mas logo em seguida, o anúncio do trem deles ecoou pelo local e rapidamente todos ao redor foram se levantando e guiando-a rumo ao trem bala.
Passaram por diversas alas até chegarem a mais espaçosa e provavelmente cara. Ela se sentou na poltrona ao lado da janela, havia outra ao seu lado, uma mesa onde haviam mais duas poltronas. Itachi se sentou numa delas e Izumi na outra minutos depois o trem partiu e ela só pode recostar a cabeça na janela e orar silenciosamente para que, onde quer que fosse levada houvesse força para lutar pela liberdade, ou para suportar tudo o que tivesse de passar.
֍
— Então é isso, seu grande plano é simplesmente chegar lá, e meter bala em todo mundo? – Karin proferiu com cinismo.
Sasuke se limitou a permanecer encarando as armas expostas sobre uma mesa com um olhar analítico, haviam muito poucas opções, e ainda queriam que ele dividisse entre eles? Aquilo era somente o que já costumava carregar sozinho.
Soltou um estalo na língua com desagrado e se afastou, indo atrás de um banho.
— Sendo bem básico, é isso mesmo.
— Só pode estar de brincadeira. – Ela bufou, pelo jeito ainda continuava pagando de Dominatrix.
Sasuke adentrou o banheiro e arrancou a gravata de si e apoiou as mãos na pia, relanceando um olhar ao redor, notou uma muda de roupas sobre um cesto, jogou os olhos sobre o espelho.
Um urro bestial eclodiu do banheiro fazendo todos encararem a porta, seguido do som de porcelana quebrando atirada contra algo.
Shikamaru fez menção de se aproximar, mas Kakashi meneou a cabeça numa serena negativa.
— Deixe o garoto ter seu tempo.
— Hum, ele já me pareceu mais durão. – Naruto disse, com desagrado.
— A família dele não foi exterminada pelo irmão, e creio que nem a sua. – O homem proferiu, seu olhar castanho e afiado como uma lâmina os fazia lembrar que não era só com Sasuke que lidavam, eis que Kakashi era seu mestre, um homem que facilmente carregaria o triplo de mortes que Sasuke provocou, nas costas.
O rangido da porta do banheiro retomou a atenção deles, Sasuke saiu fechando a porta atrás de si e ajustando uma gravata cinza escuro. O que parecia ser restos da pia espatifados no chão foi visto de relance.
Ele vestia um terno preto de alta alfaiataria, extremamente discreto mas claramente luxuoso, o cabelo estava começando a ficar longo novamente, pela falta de idas na barbearia, e ele o empurrou para trás.
Enquanto sua expressão era uma máscara de gelo e pacificidade obscuras.
— Preciso de mais armas que isso. – Anunciou seguindo para a saída. — Tem os passaportes?
Kakashi lhe lançou uma pasta pequena de couro preto, Sasuke a agarrou e desamarrou a linha em torno dela, abrindo-a e conferindo os documentos.
— Já confirmei a presença de Itachi em Paris, mas não se empolgue, ele vai direto para Roma em poucas horas.
— O fodido. A festa do Martino?
— Ao que parece, a morte da Kuran inteira não vai impedir de festejarem a subida de outra cabeça na casa Italiana...
— Porque não foi a Kuran inteira, foi? Ele vai subir como cabeça.
— Ele teria que esperar uma reunião oficial, e teria que angariar apoiadores, para só então se apresentar como novo cabeça, isso pode nos dar tempo para impedi-lo e descobrir quem o ajuda...
Sasuke riu com escárnio.
— Acha mesmo que tem alguém com o rabo limpo nessa? – Kakashi encolheu os ombros.
— Não custa ser otimista, e se toda a alta cúpula for corrompida, tentaremos dissolvê-la com o veneno que podemos ser. Com o veneno que você é, mas só será forte o bastante se tiver a cabeça no lugar.
Sasuke revirou os olhos e deu as costas.
— Anda logo, mancada, quero dar o fora desse buraco.
— Certo! – Kakashi se ergueu sobre a bengala e seguiu-o.
Karin jogou as armas rapidamente numa mala e foram todos saindo.
Um assobio longo e agudo ressoava lá fora e Sasuke xingou alto ao reconhecer de primeira, quem era.
Parou sobre um gramado mal aparado e seco, o entorno era praticamente inóspito, só havia uma velha mesa de madeira, onde seu primo desfavorito mantinha os pés apoiados enquanto sentado na moto.
Usava roupa de piloto, preta e o fitou de lado, sorridente com aqueles olhos glaciais típicos da linhagem de Vaisravana.
— Devo presumir então que Itachi não te cativou o bastante. – Declarou.
Damian sorriu abertamente, um verdadeiro sociopata de costumes excêntricos, na opinião de Sasuke.
— Como eu poderia ficar? Titia era minha única família, ora. – Ele comentou com aquele sotaque francês arrastado e um drama mais mal encenado que o de um ator pornô.
Sasuke estreitou os olhos repuxando o lábio num rosnado mudo, definitivamente Damian estava longe de ser sua primeira escolha de quem da família salvaria.
— Sem enrolação, francês fedido, tem ou não algo pra oferecer?
Damian estreitou os olhos para ele como um gato selvagem, o azul deles era tão vivo e claro que parecia sobrenatural, e mortal.
Ele odiava quando implicavam com o cheiro, verdade ou não, deixava qualquer francês frufru putinho da vida.
Sasuke estava puto, então, no mínimo, deixaria o máximo de pessoas putas também, com prazer.
O primo girou sobre o banco, descendo dele em sua direção.
— Devia tomar mais cuidado com a língua, primo, a Alta cúpula vai adorar pagar um montante e tanto pela informação de que ainda está vivo, e por sua cabeça e você não pode me culpar por ficar tentado, sendo o grande fodido responsável pela morte da família. – Aconselhou, venenosamente e acrescentou. — Itachi pode ter apertado o gatilho, mas suas atitudes vem carregando a arma contra os Uchiha faz tempo. Na minha humilde opinião, os dois deveriam estar a prêmio.
Damian montou na moto com um sorrisinho saliente.
— E aquela doce petit rose daria um ótimo brinde também.
Sasuke alcançou sua gola em segundos.
— Rapazes. – Kakashi interveio. — Não é hora de alimentar antigas rivalidades, temos um longo caminho pela frente.
Sasuke soltou a gola do outro, ainda trocando farpas de gelo e fogo através dos olhos, antes de se afastar um passo, percebeu um montículo estranho se remexendo dentro da roupa de Damian na altura do peito perto da gola e franziu a testa.
— Caralho, que porra é essa?
Damian piscou sem processar até olhar para baixo e sorrir todo empolgado.
— Oh! E pensar que já ia me esquecendo, oui? – Disse, abrindo o zíper da roupa e colhendo algo não mão enluvada.
Algo redondo, felpudo e dourado.
Sasuke, sinceramente não sabia o que dizer ao dar com aquela fuça peluda e aqueles olhos escuros esbugalhados.
Só o fazia lembrar de Sakura, tão indefesa nas mãos da Folha quanto esse fodido estava na palma daquele cara.
Damian coçou a cabecinha dele o encarando com festividade exagerada.
— Veja só, não é incrível? Não fosse por ele, você estaria morto, eis que eu segui aquela bolota de plástico e ela me levou até você naquele buraco de inferno que a casa se tornou!
Sasuke soltou o ar, se perguntando que diabo de reza ou ração, Sakura dava pra aquele bicho sobreviver a tanta desgraça. Ou apenas arrancaria um dos pés dele para dar sorte.— Talvez não tenha sido só sorte, o quarto de Sakura foi praticamente o único lugar a resistir as chamas. – Kakashi comentou. — Me soou como um cuidado á mais...
Sasuke bufou, exasperado.
Puxou o rato da mão de Damian e ignorando seus protestos, seguiu direto para o SUV estacionado mais adiante, passando por Ino e pousando o bicho dentro da bolsa dela a qual ela remexia.
A loira ergueu os olhos e tirou a mão de dentro, ao dar-se com a coisa peluda se mexendo em sua Prada, em meio sua maquiagem.
— Hey! Mas que diabos...
— Parabéns, foi promovida.
— Huh?!
— A babá do honorável Plum, o hamster.
Ino avermelhou de indignação.
— Olhe aqui, seu grande...
— Vai deixá-la feliz.
֍
Shangri-La Hotel Paris, Paris.
O Shangri-la, fora construído no antigo palácio do Príncipe Roland Bonaparte, com uma vista romântica e perfeita da Torre Eiffel direto dos aconchegantes terraços.
Sakura caminhou penosamente pelo amplo aposento, decorado de maneira moderna mas com um toque romântico inato.
Se sentia mais desperta agora, porém duvidava que fosse por muito tempo, só esperava ter tempo de utilizar o telefone, antes que a fizessem tomar remédios outra vez.
Olhou para trás, observando que o homem que a acompanhara, permanecia na porta como uma estatua viva.
Inspirou tremulamente e se aproximou da entrada da varanda, havia um pequena mesa posta e duas cadeiras, de um lado, uma refeição completa aguardava, voltada para a cadeira desocupada, do outro, Itachi parecia absorvido em limpar seu conjunto desmontado de armas.
Sakura jogou os olhos sobre a única pistola que parecia pronta para uso, e se sentou, mantendo-se calada pois os lábios tremiam e sua garganta apertava.
— Mais disposta? Deve estar faminta, precisa se alimentar direito. – Ele comentou.
Sakura voltou os olhos para o prato, ainda soltando vapor e um cheiro inconfundível de grelhado e legumes cozidos.
Pegou os talheres, forçando a por algo para dentro, querendo ou não precisava de forças.
— Itadakimasu...- Ciciou, o homem soltou um suave sorriso de lado, os olhos ainda ocupados nos cartuchos de bala.
— Alguns costumes não morrem. – Comentou, apenas. — Izumi, quando pões os pés em Paris, desperta a alma mais...
A cadeira e uma taça caíram quando Sakura se ergueu de supetão, apontando-lhe a pistola com a mão tremendo.
O homem na porta, puxou a arma do terno e fez menção de se aproximar, ela recuou mais um passo, alternando o olhar entre eles.
Itachi acenou para ele, o fazendo voltar ao lugar e suspirou, encarando-a, seus olhos escuros plácidos e um tanto pesados.
— Se quer, apenas faça, querida. – Sakura avançou até que tivesse o cano apertado contra a pele da testa dele, no entanto, era como se só o pudesse acertar até aí, muito espesso par ela passar, muito escuro para enxergar e então seus olhos embaçaram e ela o encarou com desprezo e pena.
Este ser humano com as mãos cheias do seu próprio sangue, tão miserável tal qual Caim, condenado a vagar sobre a terra que ele próprio manchou.
Não seria um gatilho puxado que mudaria isso, o dedo dela, tampouco.
Crispou os lábios, sentindo o gosto salino das lágrimas, e baixou a mão até pousar a arma na mesa.
— Não matamos quem amamos. –
Decretou, Itachi apenas sorriu, como se já soubesse disso, apartou o pulso, dela antes que se afastasse.
— Exatamente, você aprendeu bem, querida, é uma Uchiha, mas ainda precisa mais.
— Do que está falando? – Indagou-lhe, exasperada, piscou aturdida, quando ele pousou um cartucho em sua palma.
— Sasuke está vivo, Sakura, e ele vai vir busca-la, mas só posso permitir quando você estiver pronta.
— Sasuke...?
— Então precisa se dedicar um pouco, e você será o nosso trunfo maior, o trunfo da Kuran Uchiha.
— Trunfo? Como assim? Do que está falando?
— Você é a força que move Sasuke, o ar que ele respira, sua ruína, e também sua maior ascensão, e por isso, precisa ser forte. Então, sente-se aqui, querida, vamos jogar um velho jogo de família.
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