Vingador
1 Perda.
Notas iniciais
Como vai?
Aproveite!
O reino de Konoha sempre foi cruel com os plebeus e benevolente com os nobres.
Mas onde alguma vez, o amor conseguiu ser preso pelas correntes da sociedade?
Eu passava junto com a comitiva real pelas ruas de Konoha, enquanto um pequeno aglomerado de pessoas se amontoava nos cantos das estreitas ruas para nos observar.
Os cavalos da comitiva trotavam audivelmente causando um enorme barulho, já que eram muitos, mas isso não parecia chamar a atenção da única pessoa que não tinha o olhar direcionado á nós.
A pessoa a qual meus olhos buscavam. Mesmo que ela estivesse de costas, pousei meu olhar sobre ela, e fiquei admirando sua beleza simples e natural, enquanto me afastava virei um pouco o pescoço para poder vê-la novamente.
Não fazia ideia do porque dela me atrair tanto.
Podia ser uma mera camponesa aos outros olhos, mas perante os meus, era uma princesa.
Uma flor, cultivada com imenso carinho.
Ela tinha que ser minha.
Descobri que seu nome era Haruno Sakura, uma camponesa extremamente pobre, que vivia á tentar vender nabos murchos ao mercadinho local. Eles compravam, mas pagavam muito pouco.
Ah, se eu pudesse ajuda-la. Tira-la dessa vida de miséria, dar-lhe tudo do bom e do melhor da maneira que ela merecia.
Tudo que eu ofereci, para essa garota, foi meu amor.
Pois todos conhecem a regra.
Realeza não se mistura com plebeus.
Regra patética. Desde de quando o amor se limita apenas a realeza? Regras tornam-se inválidas quando é o amor que está em jogo, era a minha felicidade droga. Não queria nenhuma princesa fútil de um reino vizinho. Queria Sakura, simples e gentil. E se não pudesse tê-la, ficaria sozinho até meu último segundo de vida.
Eu estava sendo totalmente egoísta, não só comigo como com a minha família.
Mas tinha de ser assim. Se eu não pensasse em mim, ninguém pensaria.
Mas, mesmo que ela não pudesse ser minha emocionalmente e matrimonialmente, havia outro jeito de eu ter ela.
Havia algum tempo em que tínhamos encontros secretos num vale perto de Konoha, era calmo, bonito e ninguém ia lá.
Além é claro...
...Dos malditos espiões do rei.
E foi assim que acabamos como estamos agora.
Amarrados e diante de toda a corte.
Perante á um julgamento aos meus olhos injusto.
Nobres sujos, com suas expressões nojentas, e olhar vazio, que por si só mostravam que não se importavam com nada além dos próprios traseiros.
E eles ousavam a olha-lá como se ela fosse uma meretriz nojenta. Não era assim, eu a fiz se perder no meu encanto, eu a fiz se apaixonar por mim.
Eu simplesmente me odeio.
–Uchiha Sasuke! — Urrou o rei.
Meu pai, que na teoria deveria me amar, querer a minha felicidade. Mas ele não passava de um porco egoísta que só pensava em dinheiro.
–Como ousa quebrar a regra mais importante da realeza? Não foi assim que eu te criei, seu moleque!
–Não foi assim que me criou? E desde quando você me criou? Depois que minha mãe morreu fui criando por empregados enquanto você se preocupava apenas com dinheiro e vivia embriagado. Sempre trazia aquelas prostitutas nojentas e ficava gemendo a noite toda, enquanto esquecia dos seus filhos. Belo exemplo eu tenho!
As pessoas olhavam para todo o show pasmas, entretanto, toda a frustração de anos não poderia ser contida, aquilo que eu chamava de pai, tinha passado dos limites.
Mexer com Sakura, foi o gatilho para minha fúria reprimida.
Antes eu não sabia , mas agora eu entendo por que o Itachi resolveu se casar com a Konan e deixar o trono para mim. Ele deixou tudo para mim, todo o show, todo o peso. Agora, ele nem estava presente. Tinha um pai ausente e problemático, um irmão fraco, perdi minha mãe. E agora, iam me tirar a única que me trazia felicidade.
Apesar de saber que Itachi não tinha culpa, eu não consegui refrear o instinto de culpar ele, nem que seja um pouco, e eu sabia que se eu não tivesse conhecido a Sakura, teria feito o mesmo.
Talvez eu devesse ter fugido com alguma princesa aleatória, me escondido, mudado de identidade.
Deveria ter protegido Sakura.
Mas, eu estraguei a vida dela.
E de brinde estraguei a minha junto.
Se bem que pouco me importava a minha vida, contando que ela estivesse bem, coisa que não aconteceria, e eu continuaria sozinho, no meu inferno habitual. Só que sem ela, seria muito mais difícil suportar.
Sakura, minha luz. E eu fiz a besteira de arrasta-la para as trevas. Puro egoísmo.
Será que era pedir demais ter ao menos alguma felicidade?
–Não importa. — O velho disse, tentando disfarçar. — Como não posso matar o futuro rei, sua prostituta que vai pagar pelos dois.
–Chamou ela de que? -Eu disse entredentes lhe fuzilando com o olhar — Seu velho bastardo imundo.
–Carrasco! Andem logo com isso — O rei disse. -Estamos perdendo tempo demais com algo insignificante como ela.
Uma vez, Itachi dissera:
“-Um amor que nasce na escuridão, está fadado á tragédia.”
E agora eu entendia o porquê.
O tempo passou em câmera lenta quando o carrasco da corte foi andando até Sakura, que estava esfolada e amordaçada, ela olhou para mim com os olhos cheio de lágrimas e tentou sorrir pela mordaça.
Seus olhos verdes esmeralda diziam que me amavam.
Ah, eu me perdia na calma que aqueles olhos me traziam. Mas agora, me traziam desespero, dor.
E antes do carrasco chegar perto o suficiente, seus lábios se mexeram, e apesar de não ouvir sua voz, consegui entender a mensagem.
–Eu te amo. — Aquilo foi tudo que eu precisei para confirmar que ela não me odiava, nem me culpava por nada. O que incrivelmente só me fazia me sentir cada vez pior.
E quando o seu sangue espirrou para todos os lados, manchando meu rosto, tudo pareceu ficar negro.
As trevas invadiram meu coração, acabando com o único e pequeno fio de luz que Sakura tinha feito brotar.
Eu a perdi. Perdi a melhor coisa da minha vida. Bem diante de meus olhos. Fiquei assistindo a sua morte sem fazer nada.
Nada.
Meu coração parou por um instante. Não respirava. Não escutava. Não sentia.
Tudo que eu via, era sua última declaração de amor.
E trevas.
Cada vez mais trevas.
Minha esperança, meu sol numa manhã fria, minha brisa de felicidade.
Minha vida.
Tudo se foi.
Tirar a esperança das pessoas, é crueldade, tira a racionalidade dela e as transformam em monstros.
No pior tipo de monstros.
No meu caso, um vingador.
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