Júlia já esperava a zínia amarela sobre a mesa da cozinha dizer alguma coisa, mas mesmo assim ficou tensa quando finalmente a ouviu.

– Aquilo foi um desastre.

– Você exagera.

– Ela jogou o refresco no seu rosto.

– Eu mereci.

– Você pegou uma gripe por causa disso.

– Culpa minha de ter a saúde ruim.

Colocou a água pra ferver, abrindo um armário atrás do outro sem motivo. Sentia sua temperatura ascender a cada segundo, culpa da febre. Levou as mãos até o rosto quente, respirando fundo.

– Não foi culpa sua. – foi a última coisa que ouviu antes da chaleira começar a chiar.

Notas finais
Zínia amarela - Recordação diária.