Vijukei No Monogatari
21 Capitulo 19 – O Fim de um Mundo parte 1
Notas iniciais
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara)
http://img802.imageshack.us/img802/1153/vijukei3.jpg (fundadoras, Maya e simbolos)
Super atrasada neh? Explicações no final!
Eu sei que eu prometi dar uma paradinha nos lemons, mas não resisti, desculpe! Lemon o/
Capitulo ainda não betado, apenas revisado por mim, provavelmente devo ter deixado passar algo... T.T ...
Capitulo 19 – O Fim de um Mundo parte 1
–Hum... – Yuuto sorriu de lado ao ouvir da boca do monge sobre aquilo que o amante havia lhe mostrado mais cedo, mirando este com olhos satisfeitos do outro lado do coche de viagem localizados há poucas milhas do ponto de escape, gastara mais energia do que planejara, mas se a história de seu adorável e tentador amante era verdade, não precisava mais se preocupar com impedimentos ou dificuldades em seu plano – aquela Omi... realmente, tão deprimente... – gargalhou sem conseguir conter a piada de tudo aquilo, mil anos se planejando para o momento próximo e simplesmente o tinha tão fácil assim.
Rui se encolheu minimamente diante da gargalhada sinistra do bruxo, o olhando com desconfiança.
–Você também... não é diferente dela – acusou em um tom chateado — ... tudo por aquele Joshua... – teve seu discurso interrompido pela mão forte e rápida do feiticeiro em um tapa em sua face, logo tendo os dedos deste prendendo seu queixo e o rosto furioso do amante diante do seu.
–Não volte a falar algo assim de novo, odiaria ter que me desfazer de você... – Yuuto sibilou pausadamente em um tom ameaçador — ... muito mais agora sabendo que se trata de um presente que Omi-sama mandou especialmente para mim ...
– Tudo bem... – Rui argüiu em desagrado, tirando os dedos fortes do bruxo de seu rosto – não posso me permitir ficar enciumado por algum acaso? – bradou em altivez — Omi-sama pode ter me enviado para ajudá-lo, mas isso não quer dizer que eu vá ser seu escravinho e seu brinquedo, se sigo suas ordens é porque quero e tenho total direito de me considerar seu dono também... – o monge estatuou em seu sorriso charlatão, mas sem tirar a seriedade de sua voz, provocando uma leve gargalhada no maior que lhe selou os lábios rapidamente.
–Não repita algo assim novamente... – Yuuto estatuou ao mirar os olhos clareados do amante, se afastando logo em seguida e voltando a sentar do seu lado do coche – vamos apressar as coisas – assentiu ao fechar os olhos e pousar as mãos no estofado do assento e para aqueles que mirassem o transporte pelo o lado de fora veriam este ser puxado por estranhos youkais. Tanto a caixa com rodas de madeira quanto os bichos que a puxavam foram erguidos em uma fumaça negra e densa, dando a impressão de que este flutuava há alguns metros do chão.
–O que aconteceu com o “poupar energia”? – Rui questionou.
–Não vejo mais necessidade de tanto cuidado, se Omi deseja isso... não tenho porque guardar minha energia para enfrentá-la... – Yuuto respondeu, retirando suas mãos do assento e estendendo-a para o amante em um sinal de que este deveria vir até si – venha, temos um dia de viagem, me entretenha.... – ordenou e modo ríspido, mas com um sorriso luxurioso nos lábios... afinal aquele não era apenas seu brinquedo... era seu presente.
Rui correspondeu ao sorriso e tratou de se levantar, se sentando eroticamente no colo do bruxo.
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–E então.... o que isso significa? – Saga questionou ao terminar de ler a pequena mensagem, chegada por um gavião poucos minutos antes, que o general Shiroyamiano colocara em cima da mesa de reunião aquela tarde ao adentrar a tenda circular.
Aoi ainda se demorara olhando com estranheza e cenho franzido as condições dos dois generais “aliados”... hematomas pelo rosto de ambos e aquela estranha aura... mas o que diabos estava acontecendo? Estava entre idiotas que não conseguiam entender a situação em que se encontravam?
Era consciente da presença de um loiro calado ao seu lado, ainda assim não conseguia acalmar seu humor que não estava dos melhores desde que recebeu a resposta de seu pai e irmão...
–Um maldito aviso para que eu não aja sem a permissão de meu pai – Yuu bradou em afronta, não acreditava que até em assuntos como aquele seu pai o tratava como um moleque sem competência... ser alvo de subestimação o irritava.
–Hum... por que Fukaku-san pediria isso? – Saga questionou, ignorando os olhares para si, ainda mais de certo tigre que não dava o mínimo trabalho em disfarçar que ambos tinha tido algum tipo de “desentendimento” durante a noite.
–Não sei, mas não planejo obedecer, lido com meu pai quando tivermos vencido...a sacerdotisa já partiu essa manhã e nós temos que organizar o ataque o quanto antes.... – Aoi tornou a falar, decidindo o que era prioridade no momento.
–O dia está se findando, aqueles caras parecem ficar menos ativo à luz do sol... – Tora interrompeu para a piora do estresse do Shiroyama que odiava ser cortado por alguém, muito mais quando o assunto era sério -... seja o que formos planejar, deve ser feito amanhã, além disso...eu e Saga-san estamos notavelmente em condições ruins, tivemos um pequeno “acerto de contas” ontem – o Amano voltou a argumentar de modo sério e ainda assim humorado, só de lembrar do rosto de seu gatinho assim que se levantou e saiu da tenda na noite anterior se sentia na vontade de fazer aquilo novamente... ainda que fosse com certeza lhe custar mais hematomas...
–Problemas pessoais devem ser deixados de lado – Aoi bradou – não me importo com seus assuntos, quanto antes acabarmos com tudo, melhor, por isso, que seja durante o dia, mas amanhã marcharemos para o acampamento chinês – Yuu ditou – Daremos o tempo para que Uruha e seus guerreiros façam o que planejam fazer, se tudo correr bem, ótimo, se não, abrimos fogo... – continuou a falar, não percebendo um olhar discreto, mas quase que fascinado do loiro ao seu lado para si... não era um sonho, seu Yuu estava realmente lhe tratando com mais atenção e confiança... poderia se permitir ter esperanças? Poderia ver aquilo como um bom sinal?
–E quanto a Ishihara? – Saga questionou, não se opondo ao plano do general.
–Não recebi resposta quanto ao bombardeio em Ishihara, por isso sugiro que homens sejam enviados para conter qualquer ação mais catastróficas daquele Miyavi, ainda hoje – o Shiroyama respondeu e para sua surpresa o tal general haniano não se opôs novamente, apenas assentiu...
–Colaboro com cinco mil de meus homens, confio que o apoio de Uruha-san e nossa posição nos dará vantagem contra os chineses ainda que eles sejam quase o dobro de nós – Takashi assentiu.
–Colaboro com mil – Tora assentiu.
–Colaboro com quatro guerreiros – Uruha se pronunciou – foi a quantidade a mais que o necessário que consegui treinar nesse curto tempo, sei que pode não parecer muito, mas garanto que valerão por milhares – continuou em sua voz doce, mas ainda assim decidida.
– Sim – Saga assentiu, não duvidava daquilo pelo que já vira o líder fazer – Shiroyama-san? – chamou a atenção do general moreno – qual a sua colaboração?
–Trinta mil homens, já os selecionei e coloquei meus comandantes a postos – Aoi ditou em altivez para o espanto de Saga e Tora...
–Tantos? – o Takashi argüiu – estás planejando algum tipo de boicote aos nossos homens ou apenas está muito confiante de que não precisaremos de muito para vencer os invasores? – questionou em desconfiança.
Aoi deu de ombros, e pelos olhos era notável que o general parecia divertido, apesar do resto da face coberta.
–Talvez eu também tenha decidido concordar com sua estranha fé em Uruha e acreditar que não será necessário o máximo possível de meus homens para nossa vitória – rebateu, causando um estremecer no líder ameniano ao seu lado, este abaixando a cabeça, constrangido... como podia estar tão bobamente contente em uma situação daquela?
Saga estreitou o olhar, não dedicava nada de confiança ao general moreno... era arriscado deixar Shiroyama ser maioria a um ataque onde não estaria...
–Uruha-san – chamou, tendo os olhos chocolates atentos a si – concorda com isso? – perguntou, sabendo que pelas mensagens trocadas entre o loiro e Naoyuki ambos deveriam ter motivos para não confiarem no feudo militar.
Kouyou respirou fundo e encarou pelo canto do olho seu companheiro... poderia confiar cegamente naquilo? Aoi manteve o olhar de modo calmo e Uruha teve que se segurar para que não corasse...
–Sim, acredito que todos aqui queremos ao menos a derrota daqueles que nos ameaçam – o loiro assentiu.
–Muito bem, assim que nossa reunião se findar sugiro que todos providenciemos nossos soldados o quanto antes – o Sakamoto concordou — ... e que Kami esteja conosco.
–Saga-san.... – Uruha voltou a se pronunciar, não sabia se era comum de estrangeiros ignorar certas coisas, mas não seria seguro fazer os generais marcharem naquelas condições, ainda que esperasse ansiosamente que nenhum movimento deles fosse necessário e que sua barreira resolvesse tudo — ... seus ferimentos... eu posso dar um jeito se me permitir – se ofereceu com gentileza, tinha o Sakamoto como alguém honrado e em quem podia dedicar confiança.
Saga pareceu levemente constrangido, de algum modo esperava que seu estado vergonhoso passasse despercebido e sem menção, só de lembrar como ficara daquele jeito e de como estava se esforçando para manter sua postura e não parecer estranho ao sentar sobre os calcanhares, tentado evitar qualquer toque de seu traseiro com o chão, tinha vontade de pegar sua espada e decepar a cabeça do tigre ao seu lado... custava a acreditar no que tinha acontecido consigo.
–Sim – assentiu de modo rápido – eu agradeço, foi imprudência minha e desse... Ogata.... – continuou, tentando controlar o ódio em sua voz — ... ao acertar velhas rivalidades em uma situação como essa – se resumiu, fitando o ameniano se erguer e vir ter consigo, parando à sua frente.
–Por sorte tem amenianos do seu lado – Uruha sorriu, simpático , voltando a se ajoelhar diante do general amigo – podemos não ser de muita ajuda em uma batalha ofensiva, mas ao menos para isso todos nós somos úteis – assentiu, não fazia mais sentido tentar esconder aquilo sobre seu povo quando tudo já tinha chegado àquele ponto – você vai sentir um vento pelo corpo, não estranhe – avisou de modo doce, colocando as mãos sobre o rosto mazelado do Sakamoto, ganhando um olhar nada satisfeito de determinado shiroyamiano.
Uruha fechou os olhos e uma corrente de ar mais forte pareceu passear ao seu redor, logo as manchas roxas e vermelhas do rosto de Saga foram desaparecendo, para a surpresa dos olhos de Tora... realmente estava vendo mais coisas estranhas do que sempre acreditara que fosse possível. Kouyou desceu suas mãos para o pescoço, usando sua energia de modo moderado para identificar quais partes do corpo do general estariam feridas, pousou-as sobre os ombros deste, sobre os pulsos, tocou a cintura de leve sobre o tecido da roupa longa e grossa...
–Já está bom – Aoi vociferou, não estava gostando nada daquilo.
Kouyou então abriu os olhos, tinha identificado onde mais estava machucado e olhou com curiosidade para o general haniano. Não vocalizou nada por não querer constranger o amigo, mas pelo o olhar acanhado deste tivera sua confirmação do porquê aquela região estaria necessitada de reparos.
–Acha mais adequado continuarmos em outro lugar? – pergunto de modo baixo e Saga apenas assentiu rapidamente, se levantando de modo fingidamente altivo e andando com dificuldade em se manter sem passos estranhos para fora do local.
Kouyou se apressou em também se por de pé, mas assim que ameaçara dar um passo a voz de Yuu o invadiu a audição.
–Onde pensa que vai? – Aoi questionou em impaciência.
–Ter com Saga-san, para curar seus ferimentos – Uruha assentiu normalmente, erguendo uma sobrancelha curiosa... aquilo era ciúmes?
–Por que não pode terminar de fazer isso em nossa frente? – Tora questionou, também se sentindo enciumado pela proximidade de seu gatinho com aquele loiro que parecia mulher.
–Acho que sabe a resposta disso – Uruha rebateu em uma repreensão calma e suspirou fundo, não entendia mesmo o modo como os estrangeiros mudavam suas próprias regras e valores de acordo com suas vontades – você também – assentiu ao se aproximar do Amano e pousar as mãos no rosto cheio hematomas deste, em poucos segundos as manchas roxas e o nariz quebrado já não mais estavam ali, desceu as palmas para os dedos feridos deste e para o braço onde haveria um corte. Se levantou de modo rápido – com sua licença – reverenciou a cabeça rapidamente e também se pôs para fora.
–Uou... esse cara é bom! – Tora exclamou ao tocar sua mão e seu braço, contente — ... estamos feitos, com esses caras do nosso lado não há ferimento que possa impedir nossos homens de lutar, a vantagem numérica dos chineses vai vir abaixo – bradou confiante, lançando o olhar para o general shiroyamiano que fuzilava a entrada da tenda de reunião – ei, Aoi-san, certo?
Aoi virou os olhos ainda irados para o Amano em pergunta do que o Ogata queria consigo.
–Você odeia ou ama aquele cara? Por que pelo o jeito que você olha pra ele... – Tora sorriu em provocação – ou um ou outro...
Aoi não se deu o trabalho de responder ao odioso general e apenas se ergueu marchando para fora da tenda pesadamente.
–Hunf... esse mundo está perdido mesmo – Tora brincou consigo e sorriu sozinho.
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O pequeno hibrido se espreitava pelas residências desertas da cidade imperial de Ishihara, recebera um minúsculo pergaminho por um pássaro realmente pequeno aquela manhã... poderia ser apenas uma armadilha, mas de algum modo não conseguira ignorar o pedido de ajuda... aquela mulher parecia boa e ... de alguma forma tinha certa fraquezas a mães pedindo por seu filhos, já que sua própria progenitora meio youkai fora aquela que se humilhara e pedira para que pudesse ser aceita no mundo humano pelo bem de seu amado e de seu filho.
“Por favor, me ajude. Quero salvar minhas filhas.
Ishihara Melody”
Era o que estava escrito em letras muito estreitas e quase inteligíveis na minúscula mensagem, porém, aquilo fora o suficiente para fazer Ruki se arriscar a deixar seu posto de apenas espião e mensageiro para adentrar aquele território fúnebre que um dia fora uma das cidades mais animadas e divertidas de Vijukei.
–Droga! – O Matsumoto praguejou baixinho ao se encolher e tentar disfarçar seu cheiro com algum tipo de líquido em um frasco ao jogá-lo sobre si assim que avistara um youkai mais a frente. O estranho inseto gigante olhou desconfiado na direção onde o pequeno hibrido encapuzado estava, mas desviou sua atenção logo em seguida, voando para o outro lado.
Só podia estar louco em se arriscar daquela forma... ainda assim correu com velocidade, apesar de seu corpo já não conter mais nada do ameniano em si para melhorar seu desempenho, passando em um vulto por trás das casas trancadas, saltando o muro alto da propriedade principal, se escondendo atrás de uma estátua ao ver soldados andando... a segurança estava melhor, sem dúvida... afinal não fazia muito tempo que ele e Akira tinha invadido o local...
Sem conseguir se conter seus pensamentos caíram sobre o ameniano.... droga de feitiço que o tornava tão dependente de pensar no outro... que fazia seu peito se apertar e....
Ouviu um barulho assim que se aproximou de um dos prédios e tratou de voltar a se esconder, avistando ao longe aquela que havia lhe pedido ajuda desesperadamente. A mulher ainda mostrava formosura e beleza, mas notavelmente sua postura estava cansada e abatida ao caminhar atrás do marido.
–Por favor... deixe-me mandar as meninas para fora do feudo, com alguém de confiança ... – Melody pedia de modo vergonhosamente implorativo, mas há dias que já não tinha mais a determinação de luta que sempre teve, desde a visita do bruxo que suas esperanças eram quase escassas.
–Minhas filhas estarão aqui para assistirem seu pai participar da criação de um novo mundo – Miyavi estatuou em imponência ao mirar ao longe a tão magnífica torre a espera apenas de uma mensagem para ser utilizada – deveria estar orgulhosa de seu marido, minha esposa, você costumava ser mais encantadora...
–Você costumava ser mais humano... – Melody rebateu de modo impensado, tendo seu rosto atingido por uma mão pesada e rápida logo em seguida, levando os dedos trêmulos para o local dolorido, incrédula na figura que um dia fora o marido perfeito ao olhá-la de modo tão fechado daquele modo.
–Vai mudar de idéia quando tudo estiver acabado, minha amada – Miyavi sorriu estranhamente contente, acariciando o rosto que acabara de machucar contra a vontade da jovem — ... e então vai voltar a ser minha linda e amável Melody de novo – assentiu, dando às costas e seguindo seu rumo, sendo acompanhado por dezenas de soldados.
Melody passou um tempo em estado catatônico e de maneira atônita andou rapidamente até o quarto de suas meninas, adentrando-o com pressa e pegando sua herdeira mais velha no colo, tirando-a do chão enquanto esta brincava com suas bonecas de pano.
–Mamãe? – a pequena Lovelie perguntou, curiosa –...tudo bem?
Melody não conseguiu se conter e apertou mais a filha contra seu corpo, deixando uma lágrima sair de seus olhos... não podia mais prometer que tudo ficaria bem...
–Mamãe... estranho... – a pequenina de pouco mais de dois anos e cabelinhos falou em uma pronuncia infantil, fazendo a mãe se sobressaltar e mirar suas costas com assombro.
–Não quis assustar, eu li a mensagem... – Ruki se adiantou, olhando para os lados com apreensão, estava arriscando demais.
Melody se deixou sorrir em um choro aliviado, causando certo constrangimento no pequeno por se ver alvo de tanta expectativa assim.
–Obrigada por atender meu pedido, já não sabia mais o que fazer – a senhora de Ishihara se apressou, tentando se manter pensante e racional – preciso tirar minhas filhas daqui, Miyavi está planejando algo, e youkais não param de aparecer... por favor, não posso confiar em mais ninguém e você sempre me pareceu boa pessoa... – tornou a falar em um tom quase desesperado.
–E-eu... – Ruki gaguejou em nervosismo, nunca fora confiado por um humano antes, não do modo como aquela mulher estava fazendo – eu sou um meio youkai e...
–Toki também era, e ela era de longe o ser que mais merecia minha confiança – Melody o interrompeu – por favor, estou confiando o que tenho de mais importante a você... me ajude...
–Se quer sair daqui, posso levá-la também, é arriscado, mas podemos... – Ruki sugeriu, solícito, não queria decepcionar a senhora.
–Eu encontro você assim que conseguir trazer meu marido de volta – Melody voltou a cortá-lo – o dever de uma esposa é ajudar seu marido, eu... eu sei que em alguma parte ali dentro meu Miyavi ainda está... tem que... – a jovem de cabelos caramelos voltou a chorar, abraçando a filha em seu colo – estou pedindo apenas que as mantenha longe e seguras enquanto tudo aqui se acalma, por favor... eu tenho que... eu tenho que tentar fazer algo... – ditou em um desespero iniciado – droga, não temos tempo... – mudou de assunto de jeito nervoso, colocando a pequena nos braços do desajeitado hibrido e se apressando em pegar uma bolsa de pano média e colocar ali dentro algumas coisas que ia encontrando pelo o quarto de suas pequenas – não teremos outra oportunidade assim e logo vai anoitecer, é perigoso quando escurece... – dizia de modo nervoso, preparando o que parecia uma trouxa de coisas necessárias para uma viagem meio longa — ... o portão sul é o com menos guardas e o norte é o que tem mais youkais, tente seguir pelo sentido noroeste da mata e correr o mais depressa para o mais longe que puder ... –continuava ao terminar de jogar coisas dentro da bolsa, colocando por último uma boneca de pano do chão e algumas moedas de ouro que tinha consigo, mesmo sem saber se aquilo seria mesmo necessário. Entregou o material de tecido para o hibrido que ainda olhava alarmado para a pequenina em seus braços o encarando curiosamente. Ruki jogou a bolsa no ombro de modo impulsivo, mirando a mulher se virar e preparar o que parecia alguma estrutura também de pano, indo até o berço mais adiante e pegando sua caçula nos braços, dando um último beijo e afagando os cabelinhos curtinhos e negros com cuidado e doçura enquanto a amada Jewelie sorria inocentemente. A colocou dentro da estrutura de tecido de modo que parecia até mesmo um embrulho pequeno e também a levou até o meio youkai ainda estupefato com tudo – coloque em volta de seu ombro e prenda bem em sua cintura – falou rapidamente ao retirar a capa do pequeno e passar uma das alças de tecido pelo o ombro livre deste, fazendo-o mudar Lovelie para seu outro braço quando passou a outra alça por debaixo de seu cotovelo oposto, prendendo o embrulho com a pequena mais nova na diagonal em frente ao seu corpo, passando as duas alças restantes por sua cintura e também prendendo-as para que a pequenina Jowelie ficassem bem presa ao meio youkai.
–Mas... – Ruki tentou falar, porém Melody não parecia escutá-lo, concentrada demais em verificar se sua caçula estava bem presa ao pequeno, voltando a jogar a capa do menor em cima deste e amarrá-la como se estivesse a cuidar de um filho — ... espere... eu... eu não sei cuidar de criança... – falou, apesar de aquilo lhe parecer meio idiota naquele momento enquanto Lovelie lhe puxava os fios loiros em curiosidade.
–É só por um tempo, elas são boas meninas, as alimente e brinque com elas, não vão dar trabalho – Melody assentiu ao se aproximar de sua herdeira – esse moço é o Ruki-san, meu amor, ele vai cuidar de você e da sua irmãzinha por enquanto, tudo bem? Você é a mais velha, tem que ajudá-lo a cuidar de sua irmãzinha também... – ditou amável para a pequena e esta apenas assentiu, não parecendo ter muita certeza do que as palavras significavam – estou confiando tudo que tenho de mais precioso a você, Ruki-san... por favor, cuide bem das minhas princesinhas...
–E-eu... – Ruki pensou em contestar, mas só de mirar o olhar implorativo da mulher para si desistiu de tentar argumentar qualquer coisa, por mais loucura que aquilo lhe parecesse — ... venha conosco...
–Eu vou, assim que recuperar meu marido e o senhor bondoso de Ishihara, não posso deixar que o lar onde minhas filhas irão crescer se torne um inferno – assentiu em um tom mais decidido e esperançoso – só cuide delas como se fossem suas filhas enquanto eu não estiver... por favor...
Takanori se viu incapaz de se negar a algo e apenas assentiu, passando a pequena Lovelie para dentro de sua capa e segurando-a do lado oposto da irmã, pegando novamente o frasco consigo e derramando um pouco do líquido nas pequenas.
– O que é isso? – Melody perguntou.
–Minha mãe fez para mim quando ficou sabendo de youkais em Ishihara... é pra disfarçar nosso cheiro – o pequeno respondeu – tem certeza de que não vai vir? – tentou uma última vez e viu a tristeza nublar o olhar da jovem de fios caramelos.
–Cuide bem das minhas pequenas, a mais velha se chama Lovelie e a mais nova Jewelie...- Melody assentiu em olhos marejados — ... por favor, proteja-as... – falou por fim, implorando e tocando as mãos com garras curtas do pequeno hibrido – eu sempre senti algo confiável em você... por favor....
–Hun... – Ruki assentiu, abraçando as duas pequenas contra o peito por debaixo de sua capa- assim que tudo acabar vamos estar te esperando, sim?
–Sim – Melody assentiu, ainda que não tivesse total certeza de que tudo ficaria bem, mirando suas pequenas encolhidas contra o corpo do pequeno loiro... talvez fosse a última vez que pudesse ver suas princesinhas...- agora vá antes que fique arriscado demais – ditou por fim, se virando de costas e ouvido o som de um vulto logo em seguida, voltando a se virar e já não encontrando mais nada atrás de si.
Os joelhos da mulher fraquejaram e esta se deixou desmoronar em um choro impossível de ser controlado... o que tinha acontecido com sua família? O que tinha acontecido com o mundo? Por que nada podia voltar a ser como antes?
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–Fique calmo, não vou perguntar nada – Uruha se adiantou assim que adentrou a acomodação ainda bagunçada do general amigo. Se apressando em virar este de costas e lhe tocar em um movimento rápido a última parte ferido por cima do tecido da roupa, fazendo o Sakamoto se sobressaltar. Um segundo e Kouyou já retirava suas mãos de Takashi – pronto! Novinho em folha, certo? – bradou em um tom amigável, ouvindo um murmurado “Obrigado” do general haniano – bem, eu vou indo, temos que preparar nossos homens e...
–Fique um pouco – Saga pediu, ainda de costas – quero conversar com você – ditou ao se virar para o líder loiro, encarando-o, uma sobrancelha de preocupação – confia em Shiroyama? Deixar que os comandantes de Aoi-san liderem o ataque a Ishihara é...
–Não posso dizer que confio... – Uruha se adiantou em um suspiro triste – é mais como... eu quero acreditar e... não temos muitas opções a não ser tentarmos nos unir, certo?
–Bem... há sempre algum outro jeito.... – Saga deu de ombros – mas... o que Oboru-san disse sobre vocês... tudo é realmente verdade?
–Em relação a que? – Kouyou perguntou em constrangimento.
–Vocês... podem mesmo... gerar... bebês? – o Sakamoto ousou, se sentindo meio ridículo por perguntar aquilo a outro homem.
–Sim – Uruha assentiu baixinho.
Takashi deu uma arfada insatisfeita.
–Não gosto disso, sem ofensas, mas estou sentindo como se estivesse mandando mulheres para a guerra, não me parece justo — bradou em oposição – e ainda por cima deixar o plano principal em suas costas...
–Eu escolhi que fosse assim, não é só porque podemos dar a luz a crianças que deixamos de sermos homens – Kouyou o interrompeu de maneira firme — ... não somos damas, Saga-san, não precisa se sentir mal por isso, amanhã faremos de tudo para que nenhum de vocês precisem lutar e os guerreiros amenianos que não puderem entrar em combate se organizarão para atender feridos se necessário, não queremos ser tratados como frágeis ou como inúteis, se essa guerra é em parte por nossa causa, nós temos que nos defender com nossas próprias mãos — terminou seu discurso, se sentindo nostálgico ao lembrar daquelas palavras sendo lhe ditas por seu falecido pai Ryou... – agradeço seu cuidado e preocupação, mas tudo ficará bem... – e realmente esperava ter a certeza daquilo.
Saga olhou o ameniano amigo atentamente em um olhar franzido, há algum tempo desconfiava de algo... tinha que tirar toda história a limpo antes que algo ali pudesse ameaçar a vitória e bem estar da aliança.
–Aoi-san... – Takashi começou, notando os olhos chocolates interessados em apenas citar o nome do shiroyamiano — ... está acontecendo algo com vocês que esteja deixando de me contar?
Kouyou se mostrou imponente e pela primeira vez agiria como um estrangeiro por vontade própria e seria cretinamente cruel.
–Eu quem deveria estar fazendo essa pergunta em relação a você e a Tora-san, não acha? – rebateu, causando pela primeira vez o olhar franzido do general amigo para si em uma representação de raiva – desculpe eu... – tentou se remediar, mas apenas suspirou em cansaço, havia prometido não citar nada daquilo para outros, para seus guerreiros não havia problemas, mas contar seu tipo de “relação” com Aoi para Saga seria... tremendamente catastrófico – eu... eu já vou – disse por fim, dando às costas e se projetando para sair da tenda parcialmente bagunçada.
–Não confie em Shiroyama... – ouviu as palavras do Sakamoto e se congelou por um segundo... quantas vezes já tinha escutado aquilo? – possuem um discurso lindo de honra e integridade, mas se acham superiores ao resto do mundo... passaram tanto tempo com a fama de feudo mais poderoso que acabaram por incorporar o altruísmo a sua cultura... ninguém lhes importa mais do que eles mesmos...
–Eu sei... – Uruha sussurrou em desânimo e tratou de sair logo dali, realmente estaria sendo tão inocente e burro em se deixar levar por coisas mínimas feitas por seu companheiro?
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–Chegou outra mensagem de Hana – Manabu falou em direção ao “companheiro” que ainda se mantinha praguejando a derrota naquela madrugada, adentrando o cômodo luxuoso do qual este havia se servido na propriedade extravagante de Byou – notícias nada boas devo dizer – assentiu ao esticar o pequenino rolo de pergaminho enrolado de modo inverso, o próprio papel enviado a eles havia sido utilizado para escrever a mensagem.
Kazuki estreitou o olhar para a notável “reutilização”... não lhe parecia boa coisa o tal conselheiro chefe responder sua mensagem daquele jeito. Pegou o rolo e o abriu, demorando identificar as letras pequenas, mas se erguendo em fúria ao entender seu conteúdo.
–Maldição – praguejou, andando em passos firmes para fora de seu não tão elegante quarto e ganhando um dos corredores do “castelo” do senhor de Vegas – venha comigo, Manabu – ditou e este o seguiu prontamente, não por seguir sua ordem, mas sim por querer saber o que o proprietário faria com aquela nova situação, ainda que tivesse que correr até o santuário para pedir explicações a Omi-sama. Faria aquilo quando a noite caísse mais e sua energia estivesse mais recuperada, por pouco não morrera e não gostava daquela sensação estranha que o estranho líquido dado pelo ex-cortesão o dava...
–Byou... – Kazuki rugiu ao empurrar para o lado os dois soldados que guardavam a entrada do quarto do senhor de Vegas, se adiantando em abrir as portas duplas do cômodo com as mãos em um empurrão enquanto o ameniano se certificava de impedir que os samurais se levantassem – seu grande idiota... – vociferou, não se importando com a cena totalmente obscena do loiro acobreado recebendo um “serviço” da boca de alguma de suas prostitutas mais experientes enquanto um de seus garotos se enfiava dentro da mulher de quatro.
–Estou ocupado... – Byou murmurou ao grunhir em um prazer que gostaria que fosse maior.
Kazuki se adiantou e puxou os cabelos de seu Kagema, também puxando a mulher pelas madeixas loiras e tirando ambos a empurrões do quarto. Talvez tenha sido um tremendo erro ter aceitado o pedido de “seu senhor” e ter trazido alguns de seus “funcionários” consigo.
–Essa merda de mundo está para explodir pelas mãos daquele idiota de bruxo que você fez o favor de botar em posto de poder e você fodendo? – o ex-cortesão de fios loiro escuro bradou em ira.
–Preciso descontar minha frustração com nossa derrota de algum jeito – Byou explicou por fim, em um tom desinteressado – mas se tudo isso é ciúmes... – provocou humorado, ganhando um soco mais do que forte em sua mandíbula tendo esta deslocada e banhada por sangue. Não demorou muito para um Jin se materializar ao lado de Kazuki, rodeando o pescoço deste com suas garras, mas sendo impedido de completar o ato por um ameniano rápido com uma espada apontada para o desnudo e indignado Byou ainda deitado na cama.
–Faça qualquer coisa com ele e seu dono morre – Manabu argüiu – solte-o e se afaste e seu dono vive.
Jin rosnou em desagrado, mas obedeceu à condição do loiro menor e num segundo ambos estavam trocando de lugar, Jin a ir ter com seu adorado dono, puxando a mandíbula deste para o lugar e acarinhando em um choramingar triste a boca coberta de sangue deste, Manabu a ter ao lado de seu “companheiro”, mirando a cena diante de si.
–Por que não me disse que aquele bruxo maldito tinha Shiroyama nas mãos? — Kazuki cuspiu em ira.
–Maldito... – Byou praguejou ao afastar os dedos gentis de seu adorado cãozinho de si, se levantando e ameaçando avançar para cima do ex-cortesão, sendo impedido por Manabu e tento seus ombros coberto por um lençol jogado por Jin logo sem seguida. Bufou em raiva e se enrolou no tecido – ele não tem nada nas mãos, mandei que ele conseguisse Hana e Shiroyama para mim, mas aquele imprestável conseguiu apenas implantar algo em Fukaku e ainda assim não poderia utilizar durante um mês no mínimo, ainda tem tempo, ele não tem nada na mão – respondeu em desagrado – não tem energia suficiente ou algo assim, até ele poder fazer alguma coisa já teremos derrotado-o e...
–O que você viu hoje pareceu alguém “sem energia”? – Kazuki interrompeu em mais um vociferar – deveria ter me informado isso desde o início, seu imbecil... – argüiu, era nisso que dava deixar “crianças” se tornarem independentes demais e brincarem com a sensação de poder, talvez tivesse sido melhor tomar de uma vez por todas o controle de Vegas e deixar o “conceito” de sua mestra de lado... permitir que tal pessoa governasse por cinco anos tinha feito mais do que um estrago em seus negócios – se antes ele não tinha, pois saiba que agora ele tem, tem Shiroyama e Hana nas mãos — o ex-cortesão voltou a cuspir – maldição... – praguejou – apronte seus homens e Jin apronte os seus, temos que marchar o quanto antes pra Ogata, temos um acordo... e uma única chance de fazer algo contra Yuuto... – ditou ao sair em passos furiosos do cômodo, sendo seguido por Manabu.
–Eu vou sumir por uns dias, preciso falar com uma pessoa... – o ameniano avisou enquanto caminhava apressado atrás de seu “companheiro”, sendo surpreendido quando este parou bruscamente e virou para si, prendendo seu corpo contra a parede de pedra fria e lhe tomando a boca em um beijo voraz, lhe causando leve dormência nos joelhos... talvez fosse por causa daquela substância duvidosa que tomara?
–Você não vai, seja o que for que pretendia com Rui é óbvio que não dará certo — Kazuki argüiu ao liberar o sem fôlego loirinho se deu aperto — ... nossa única chance agora é Ogata e um ataque surpresa, invadir Shiroyama está fora de cogitação, amenianos, soldados shiroyamianos, hanianos e de Ogata estão na baía nesse exato momento, o santuário está pouco se lixando, Yuuto provavelmente indo para Shiroyama e com algum tipo de controle sobre Fukaku, Kohara sob o controle de Fukaku e Ishihara sob controle de Yuuto... seja o que for que pretende, é perda de tempo, se essa pessoa que quer ver fosse fazer algo para melhorar tudo isso, já teria feito... ao meu ver estamos apenas nós aqui... – finalizou ao se afastar dois passos — ... você não pode ser o herói do mundo Buu-chan... e se não nos unirmos todos nós seremos exterminados, seja o que for que Yuuto pretende... é muito maior do que imaginávamos...
Kazuki deu as costas e continuou a caminhar em passos apressados, tinha que enviar pessoas para “selarem” o acordo com aqueles com os quais nunca quis negociação... pessoas de Hana... detestava cada um deles... mas como diria sua mestra “Inimigos dos meus inimigos não são meus amigos, mas podem ser temporariamente meus aliados”.
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–Não gosto disso ... – Reita ditou de modo sério ao mirar o amigo tão estranhamente tranqüilo preparando um “presente” para seu companheiro — ... não pode confiar nele, Uruha, provavelmente ele tenha percebido o quão importante é para você e esteja querendo te usar... – Akira continuou — ... não gosto de pensar assim, mas... olhe para ele, Kouyou, só de vê-lo já é notável que ele pertence a um mundo completamente diferente do nosso...
–Que mundo? – Uruha respondeu em calma, terminando de enrolar alguma planta em uma mistura de coloração rosada — ... se não conseguirmos derrubar aquelas torres e derrotar Yuuto não haverá mais nenhum mundo... que outra opção temos a não ser confiar em quem não está nos apontando armas no momento?
–Se confia tanto nele por que aceitou aqueles acordos com Murai-san? – Reita rebateu, não queria estar agindo daquele modo, mas o treinamento da noite anterior havia mexido completamente com sua cabeça e perspectiva, se por um lado fora dolorosamente cruel, por outro lado o havia ampliado a capacidade de pensar ao limite das coisas... seu shaman já não conseguia mais impor os valores que tanto amava... ainda que não achasse correto deixá-los de lado.
–Me pareceu algo certo a se fazer... ainda temos essa opção se eu estiver errado... – Kouyou assentiu, guardando seus bolinhos em uma estranha vasilha de madeira — ... estou sendo egoísta Reita... sei disso... é só que... eu preciso confiar nele...
–Isso é o que o laço de companheiros te faz sentir, se consegue barrar seu shaman tão bem... tem que conseguir barrar isso também... por todos nós Uruha... – Akira voltou a argumentar, em uma voz quase chorosa – eu não queria estar lhe deixando em algo tão cruel como isso, mas... olha até que ponto chegamos, ferindo uns aos outros para que possamos pegar uma arma e matar sem preocupação...
Kouyou se levantou e abraçou o amigo de modo carinhoso, sabia que o treinamento tinha mexido com todos seus guerreiros, especialmente com os que fizeram parte dele... era algo que jamais conheceram... a crueldade entre eles, o mal que habitava o interior de cada um... notara seus guerreiros abatidos, tristes e até mesmo inconformados em terem tão explicitamente mostrado diante de seus olhos o fato de seu povo, cultura, valores, crenças e costumes já não valerem mais nada ... não em uma situação como aquela.
–Quando tudo isso acabar estaremos seguros e vamos tentar fazer tudo melhorar... – Uruha sussurrou em doçura ao consolar o amigo, parecendo precisar se repetir aquilo para que pudesse acreditar em suas próprias palavras — ... o que fizermos aqui será como um capítulo negro em nossas vidas e histórias, mas será um capítulo que irá passar...
–E se ele durar para sempre? – Reita questionou em um tom entristecido.
Kouyou também se sentiu deprimir e não conseguiu dar uma resposta até ouvir a voz de Miku o chamar, avisando que Ryou estava fora da barreira o esperando.
–Se ele não passar... – começou a pensar na resposta ao se distanciar do amigo e se projetar para a saída – acho que teremos que aprender a viver nas trevas eternas... – e dito isso saiu de sua acomodação, ganhando espaço entre as tendas de seus guerreiros.
–Eu também não gosto da confiança que Uruha-san está dedicando àquele cara ... –Miku começou ao ter o enfaixado ao seu lado – mas acho que posso entendê-lo... de algum modo, é da natureza de um neko acreditar em seu companheiro acima de tudo... não sei o que faria se estivesse no lugar dele... os outros também não sabem, confiamos inteiramente na decisão de Uruha-san ainda que nos pareça cruel às vezes... porque... não somos tão inocentes quanto os outros habitantes de Akai Ame... somos guerreiros afinal, sabíamos que poderíamos enfrentar coisas assim quando aceitamos fazer parte disso... é difícil para todos nós... ter que aceitar tantas mudanças e acontecimentos inéditos, mas... é necessário... sabemos que tudo que enfrentamos em nosso interior Uruha-san enfrenta cem vezes mais e... para nós que sabemos da situação em que Uruha-san está... temos conhecimento de que com certeza não conseguimos equiparar em nada nossos conflitos com os quais ele deve ter de enfrentar a cada segundo...
–Eu só... – Akira assentiu em concordância, talvez tivesse sido injusto com o amigo — ... eu só tenho a impressão que alguma hora Uruha não vai mais suportar. Se ele fosse qualquer um de nós talvez fosse menos complicado, mas... ser o líder é... peso demais... eu sei que se algo acontecer conosco ele simplesmente irá seguir os passos de Ryou-san e...
–E nós teremos de ser aqueles a matá-lo? – Miku completou de modo triste.
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Ryou não pediu para que usasse uma capa, achou estranho, mas gostou de saber que aparentemente o general não queria mais esconder sua “visita” à sua tenda... isso não era bom, estava aumentando mais sua vontade em acreditar totalmente no companheiro... sabia que não seria mais capaz de ver tudo claramente e... era arriscado, ainda que lhe doesse pensar, Aoi era... alguém não confiável...
Ao menos tinha que tentar... talvez do modo como o outro estava, menos ofensivo e menos duro, pudesse tentar explicar um pouco sobre tudo e... tentar fazê-lo compreender a si... tinha que tentar... ainda que aquilo lhe parecesse um desejo egoísta e individual.
–Boa noite... – cumprimentou em uma voz baixa ao adentrar a tenda espaçosa aquela noite, encontrando o moreno sem nada sobre o rosto, a mostrar de modo voluntariamente sua marca próxima ao olho na maçã amorenada...
Aquilo com certeza não era bom... suas esperanças tão altas assim... não era seguro...
–Pensei que me amasse – as palavras frias do moreno o fez entristecer um pouco e novamente sua ansiedade pereceu frustrada... talvez aquilo fosse o certo, se manter no chão... se manter pensante e não sonhador...
–Eu amo... – Uruha confessou de jeito constrangido, mirando os orbes negros franzidos para si.
–Então não toque outro homem e muito menos vá para algum lugar a sós com ele – Aoi bradou em autoridade, se levantando em um sobressalto, indo rápido até o loiro e segurando os braços deste com força – se me ama olhe apenas para mim, sorria apenas para mim, beije somente a minha boca e toque apenas o meu corpo... – continuou em um tom ríspido com algo de descontrole enquanto encarava com violência os olhos achocolatados do loiro — ... se me ama... me mostre que eu sou o bastante, que não precisa mais de nada além de mim... se me ama, tenha olhos apenas para mim e somente para mim.... – finalizou em um tom estranhamente baixo para o começo duro, aproximando o corpo delgado do seu, sendo impedido de colá-lo a si pela vasilha que o loiro carregava nas mãos, mas conseguindo beijar os lábios pequenos e delicados do ameniano de modo forte, porém rápido... provavelmente aquilo seria o mais próximo de fraqueza que se permitira demonstrar... vergonhoso e ainda assim... pensar na hipótese de perder o sentimento que acabara de aceitar e gostar de ter em relação a si era... inaceitável.
–O que me pedes... – Uruha sussurrou de volta, abrindo as pálpebras e encarando as ônix negras — ... já tens...- continuou em sua voz baixinha, afastando a vasilha que trazia consigo para o lado e passando a mão livre por baixo do braço do moreno, pousando os dedos em sua lombar e o trazendo para si, recostando sua cabeça no ombro de seu Yuu e suspirando fundo — ... ainda que quisesse... meu corpo e meu coração jamais irão aceitar algum outro que não seja você... é isso que significa ter um “companheiro”, é isso que significa essa marca... não é para ofender ou humilhar, é para mostrar com orgulho que eu tenho alguém que pertence só a mim e que... eu pertenço somente a esse alguém... eu queria que você pudesse entender... – confessou de modo totalmente entregue, ainda que soubesse estar se mostrando demais para o general... era inevitável... não era apenas seu shaman... ele mesmo queria mais do que tudo se mostrar para seu companheiro.
Aoi apertou mais os braços em volta da cintura do loiro e arfou com vontade o cheiro dos fios claros deste... alguém que pertencia somente a si... era... o que quis toda sua vida...
–Eu não gosto de ver a proximidade entre você e Saga – continuou, porém em um tom mais brando, beijando com leveza a lateral do pescoço do maior, levando uma das mãos àquela região e tirando alguns fios soltos dali para poder explorar mais a pele pálida.
–Isso é ciúmes? – Uruha sorriu, constrangido, aquilo ainda era tão novo...
–Sim – Aoi confirmou rapidamente, mordendo de leve a cútis branca.
–Ciúmes não é algo bom... não precisa ter ciúmes... – Kouyou continuou, começando a se render totalmente aos carinhos novos de seu companheiro — ... eu... amo apenas você... – voltou a confessar por fim.
O moreno cessou seus beijos para erguer o rosto do ameniano e olhá-lo de modo estranhamente analítico, e ainda assim carinhoso. Uruha sorriu gentil, fazendo o Shiroyama se fascinar rapidamente com os dentes pequenos e infantis amostra... tinha que admitir... era um sorriso lindo – aqui... – Uruha começou ao se afastar levemente e estender a vasilha que trouxera — ... presente... para te animar...
Aoi olhou o que pareciam bolinhos dentro do recipiente de madeira e pegou um em sua mão, analisando-o.
– O que é isso? – perguntou curiosamente, não conseguindo desaparecer com o tom de ordem em sua voz ainda que aquela não fosse a intenção.
–Etto... – Uruha se constrangeu e abaixou o olhar – tente não rir de mim, por favor... – pediu em um jeito indefeso – eu... desde pequeno, eu... treino receitas para que... quando encontrasse meu companheiro eu... pudesse oferecer comidas boas e preparadas apenas para ele...isso eu chamo de bolinho de cereja, eu não tinha muita coisa já que estamos numa situação como essa, mas... acho que ficou bom, s-se você puder experimentar e me dizer, desse eu não deixei ninguém provar e...– explicou em uma postura envergonhada, mantendo a cabeça baixa, de alguma forma esperando a qualquer momento que o moreno fosse gargalhar de si e chamá-lo de idiota.
– Delicioso... – a voz veio abafada e baixa, mas foi o suficiente para fazer Kouyou erguer os olhos e mirar com surpresa o general já devorando um de seus bolinhos. Abriu um sorriso amplo sem nem sequer perceber, provocando um leve constrangimento no shiroyamiano. Aoi tomou a vasilha com mais quatro bolinhos das mãos do ameniano e se virou de costas – são para mim, certo? – perguntou retoricamente pegando um segundo e também devorando-o... se sentindo anormalmente envergonhado por aquilo.
–Hai! – Uruha assentiu, mais do que satisfeito, suas esperanças chegando ao topo e suas defesas se desmoronando completamente... de alguma forma... sentia que podia confiar em Yuu... naquele novo Yuu, ou... talvez um Yuu que sempre existira, mas que se mostrava apenas agora. Uruha não conseguiu se conter, acabou por abraçar o moreno por trás, cheirando os fios negros e soltos deste de modo afável – Obrigado, Yuu... – agradeceu docemente e no segundo seguinte teve um dos bolinhos tocando seus lábios enquanto o moreno o segurava lá.
–Coma, é o último – Aoi ditou em quase uma ordem e apesar da rispidez Kouyou sorriu e abriu a boca, permitindo o moreno a lhe colocar a comida em seu paladar, mastigando-o com satisfação, nem sequer dando muita atenção pro sabor, apenas feliz pelo momento onírico.
Aoi se virou entre os braços do loiro e o encarou de frente, derrubando a vasilha pequena para o lado, deixando esta fazer barulho ao se chocar contra o chão e em um segundo tomando os lábios rosados do ameniano novamente para si, de forma profunda, deixando claro quais as intenções de até onde levar aquilo ao colocar as mãos no quadril magro do Takashima e descê-las para as fendas de sua roupa, tocando a pele nua de suas coxas e marcando-as com os dedos, fazendo um caminho curto até atrás. Kouyou gemeu contra a boca farta a invadir a sua e se agarrou à nuca do moreno, sendo ousado ao puxar os fios negros com força, obrigando-o a liberar seus lábios...
Kouyou não demorou e nem esperou a reclamação do general, aproveitaria aquilo ao máximo, pois não sabia quanto tempo duraria. Abocanhou a pele do pescoço moreno, levando uma mão até os pinos de uma peça de couro em sua própria cintura, desfazendo-os e deixando a vestimenta cair ao chão, seguindo com a mão para o resto de tecido que ainda restava em seu corpo, retirando-o enquanto guiava o companheiro para trás, em direção ao futon já conhecido por si. Se deixou ficar em pele e sorriu quando o menor o afastou um pouco, mirando com esquadrinhamento sua nudez.
–Gosta? – ousou perguntar e sorriu em um suspiro ao não ter resposta, seria demais pedir aquilo ao general.
Yuu não vocalizou nada, apenas levou as mãos à própria manta e a subiu pelo o corpo, deixando-se desnudo e permitindo à peça de roupa pesada fazer companhia aos tecidos do traje do ameniano. Puxou o quadril alvo para si, deixando suas peles nuas se tocarem.
–Gosto – respondeu em um sussurro quase inaudível, mas que fora o suficiente para fazer Kouyou simplesmente se derreter completamente em seus braços, deixando fácil para o shiroyamiano o derrubar de modo rápido, mas impedindo-o que chocasse às costas contra o futon, mantendo seus corpos colados enquanto o deitava confortavelmente no acolchoado de almofadas.
Uruha não demorou em dobrar os joelhos, permitindo mais contato e encaixando o quadril do companheiro entre suas pernas... nunca fora um santo em intimidades, muito menos naquele momento onde estava simplesmente mais feliz que nunca.
–Yuu... – gemeu com satisfação e projetou o queixo para cima, mostrando o pescoço delgado totalmente disposto a ser alvo dos lábios, dentes e língua do general... entregue... e foi ao ouvir o gemido baixo e desejoso contra sua orelha que Uruha se permitiu sorrir de um jeito angelical e contente.
–Kouyou...
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–Estejam prontos para saírem ao meio dia de amanhã – Saga ditou ao restante de seus comandantes e estes assentiram ao se retirarem do espaço em frente a sua tenda. As tropas separadas por si e pelos outros lideres haviam partido há pouco minutos, e aquela sensação de que o fim de tudo estava próximo o deixava inquieto... seria sua primeira guerra... sabia que o final daquilo poderia não ser tão bom quanto esperava e... era complicado se sentir tão incerto de um futuro próximo assim... ainda mais quando daquilo dependia o futuro de outras pessoas também...
–Ansioso? – a voz odiosamente conhecida veio às suas costas e apesar de sentir vontade de mandar sua guarda afastar aquele homem o máximo possível de si, não poderia se mostrar tão “afetado” daquele modo... não daria aquele gosto ao Ogata.
Saga não se deu ao trabalho de responder e rumou em direção à sua tenda.
–Posso entrar também? – Tora perguntou sem se importar pela presença de sua guarda e da guarda do outro general.
Takashi respirou fundo, sentindo a ira querer se alastrar por todo seu corpo e dedicou apenas um olhar muito frio ao tigre que deixava bem clara a sua resposta.
–Sabe... – Tora insistiu em seu sorriso provocativo — ... amanhã todo nós podemos morrer... – argumentou espertamente.
Takashi rodou os olhos e se manteve calado, não dando importância e voltando a caminhar para dentro de sua tenda, levantando o tecido da entrada para o lado, mas parando assim que o Amano voltara a falar.
–Eu falei sério da última vez... não vai ter um pouco de consideração? – Shinji insistiu por fim, se sentindo perder a paciência.
Os soldados de ambos generais miravam a cena com expressões confusas e se preparavam para a qualquer momento terem que entrar em um embate, já que o rumor que circulava sobre a disputa dos dois militares na noite anterior era de que estavam a um passo de entrarem em uma luta até a morte.
Uma veia pulsou na testa do Sakamoto e este apenas murmurou um furioso “entre” para o tigre que praticamente partiu os lábios em um sorriso mais do que vitorioso, adentrando com intimidade a tenda do general de Kazamasa, deixando ordens para que seus homens o aguardasse do lado de fora junto à guarda do outro.
–Posso ficar feliz e entender isso como algum tipo de correspondência aos meus sentimentos? – o tigre perguntou em altivez ao se encontrar dentro do local, mirando as costas do esbelto general de fios curtos e negros, se lembrando do qual deliciosamente sentira aquela pele alva na sua e o interior daquele corpo escaldante em volta de si.
Para a sua surpresa assim que o Takashi se virara atacara sua boca com uma voracidade quase animalesca, invadindo-lhe o paladar e inundando-o de saliva, as mãos apertando-lhe os ombros e o tigre mal tivera tempo de reação, porém tratou de fechar os olhos e agarrar o corpo levemente menor contra o seu, não suportando muito mais e descendo os dedos para as coxas cobertas deste, puxando-as e abrindo-as com rapidez e força, enganchando o Sakamoto em seu quadril com ânsia. Estranhamente Saga não era pesado, e mesmo que fosse, podia se considerar alguém forte, o que tornou até o ato de segurar o outro em seu colo um ato bem sucedido apesar de toda selvageria do ósculo molhado e intenso. Para a sua surpresa o menor lhe enlaçou o quadril com as pernas como pôde e se segurou firme em seus ombros... não sabia o que havia dado naquele homem, mas com certeza estava sendo maravilhoso ter seu gatinho tão faminto por si daquele modo, podia jurar que acordaria com uma espada a lhe atravessar a barriga pelo que fizera na noite anterior.
Estranhamente o beijo cessou de um jeito brusco e Saga encarara o tigre de forma indecifrável, puxou os cabelos negros deste e lhe deu apenas mais um selo antes de mirá-lo mais uma vez e descer em uma ação totalmente ríspida de seu colo, o empurrando com força.
–Saia – ditou impaciente.
Tora sorriu, afinal seu gatinho ainda era seu gatinho, ainda que de modo inesperado tenha lhe oferecido tão deleitoso carinho...
–Se sobrevivermos a toda essa guerra... – o Amano começou, não se importando em o menor ter dado as costas a si novamente — ... você não vai ter como escapar, Takashi, eu vou te seguir até o inferno se for preciso, e você vai corresponder meus sentimentos – finalizou em uma convicção assombrosa, saindo de maneira satisfeita e animada da tenda do outro general.
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– Ah... – Kouyou gemia baixinho com os movimentos relativamente lentos e ainda assim fundos do moreno dentro de si, apertando as almofadas entre os dedos e mirando bem os olhos negros totalmente afogados em prazer e fascínio acima de si enquanto uma das mãos amorenadas lhe dedicava atenção ao membro gotejante entre seus corpos. Suas pernas estavam erguidas e os pés às vezes se entrelaçavam atrás do corpo do Shiroyama, mas toda vez que sentia seu ponto íntimo ser atingido simplesmente não conseguia manter nada no lugar e acabava por gemer e se derreter todo. A boca aberta em ofegos desesperados, a pele suada e o contato visual... estavam fazendo amor... tinha certeza... era diferente de antes... naquele momento sentia o general tão entregue quanto ele mesmo... estavam fazendo amor... com certeza estavam... – Yuu... mais...
Aoi se projetou mais em cima do loiro e lhe tomou a boca em um beijo rápido, dobrando mais as pernas deste e se arremetendo com mais velocidade no interior quente e aveludado do ameniano, completamente escorregadio e lubrificado, deixando fácil deslizar pelo o canal estreito e justo.
–Kou... – gemeu, a mente se pondo em branco e nada mais importando, a mão masturbando o companheiro com afinco e simplesmente se sentia querer explodir em prazer. Queria poder se fundir completamente ao loiro, segurava uma de suas coxas com tanta força que a deixava vermelha e ainda assim não parecia ser o bastante... queria mais...
Adentrou os lábios rosados com desespero e seu quadril impôs um ritmo frenético, não suportando mais e se expelindo dentro do loiro em uma última investida. Kouyou também se deixou liberar nos dedos do moreno, respirando fundo em um sorriso totalmente bobo com a sensação de letargia enquanto sentia ainda a saliva do Shiroyama se misturando à sua, o ósculo se acalmando gradativamente e então restava apenas o corpo amorenado se acomodando em cima do seu, desconectando-os de modo lento.
–Hum... – Uruha liberou um último grunhido e então o moreno rolou para o lado, respirando fundo e descompassado ao mirar o teto de sua tenda... satisfeito... completamente satisfeito.
Kouyou não se demorou em seu aconchegar ao peito suado do companheiro, um pouco receoso de que este fosse lhe expulsar dali, porém relaxando ao sentir o braço deste o envolver de um jeito carinhoso... realmente... aquilo parecia até mesmo um sonho.
–Quero te pedir uma coisa – a voz baixa de Aoi invadiu o ambiente e Kouyou se retesou levemente com suas palavras...
–Sim? – perguntou, receoso de que o pedido do moreno fosse ser algo que não pudesse fazer e que provavelmente colocaria todo o recente bem estar entre eles a perder.
–Maya... – Yuu começou e Kouyou se sentiu aliviar ao ouvir que o que o general iria pedir era relacionado com a pequenina — ... eu arrisquei muito trazendo-a para cá, mas não podia confiar em ninguém para mandá-la de volta... você consegue fazer aquelas barreiras estranhas, tem como dar algum tipo de proteção a ela? Caso algo ruim aconteça, não quero que ela seja envolvida e apesar de confiar nos homens que coloquei em sua proteção... se ela chegasse a se ferir eu...
Kouyou sorriu afavelmente ainda que seu companheiro não pudesse ver.
–Na verdade já tinha planejado algo assim ... – confessou em uma voz doce — ... com toda certeza deixarei uma barreira em torno de onde ela ficar e se me permitir coloco dois de meus guerreiros junto a ela, além disso posso ensiná-la a se proteger... Reita me disse que o shaman dela começou a despertar...
–Isso de shaman... o que são exatamente? – o general o interrompeu e Kouyou diminuiu o sorriso, erguendo a cabeça para encarar os orbes negros para si.
–São como seres de energia que vivem dentro de nós... – começou a responder, não era como se o Shiroyama já não soubesse algo sobre aquilo — ... nos dão poder e nos mantém no caminho correto...
–E por que ficam fracos quando atingidos nessas marcas? – perguntou, apontando para as coxas nuas do loiro, ainda que os símbolos gêmeos já não estivessem mais ali.
–Eu... – Kouyou começou, receoso -... poderíamos não falar sobre isso? – pediu.
–Ainda não confia em mim... – Aoi estatuou em um cenho franzido, não gostou nada daquela esquiva do ameniano.
–Tente entender, se fosse apenas eu, falaria tudo sem me importar, mas... meu povo depende disso... eu não posso fazer isso, muito menos sendo um líder... – tentou se explicar, se agarrando mais ao corpo amorenado e lançando um olhar sincero ao Shiroyama.
Aoi bufou em desagrado e desviou o olhar.
–Tudo bem... – rugiu em notável impaciência — ... o que planeja exatamente fazer amanhã? Pode me dizer isso? É de interesse de todos nós – argumentou em um tom ríspido e Kouyou se encolheu discretamente.
–Eu e mais onze guerreiros iremos cercar o perímetro do acampamento e fazer marcações de barreiras... – começou a explicar — ... como é uma área grande doze de nós é o necessário para se erguer algo desse tipo sem ter que sobrecarregar ninguém... se tudo der certo eu adicionarei a capacidade ilusória na barreira e ... em pouco tempo quem estiver dentro dela começará a ter alucinações, confusões e ... atacará qualquer um que se aproximar até que... – finalizou, não se sentindo nada feliz com aquilo – não é algo que eu goste, mas... devido a situação...
–Por que fazem isso? Se esconderem atrás de truques como esses... – Aoi inquiriu e novamente Uruha se encolheu.
– Não gostamos de ferir ou machucar alguém, mas... precisamos nos proteger, não queremos ter que ver nossos amigos, irmãos e irmãs serem feridos por pessoas que não entendem nosso estilo de vida... – começou a explicar de modo mais firme — ... deixar que eles se consumam longe de nossas mãos é... menos doloroso.
–Isso é hipocrisia – o general repreendeu.
– Talvez seja... – Uruha argüiu em desagrado — ... mas não pode nos culpar por nos defender... se pudesse acabar com uma guerra sem ter que perder nenhum de seus homens, ainda assim acharia mais honrado colocá-los para morrer e matarem com suas próprias mãos?
–Seres humanos devem defender o que acreditam com sua própria força – Aoi rebateu, convicto – já perdi muitos homens e matei muita gente, inclusive aqueles de seu povo... me lembro do rosto de cada um e às vezes eles não me deixam dormir, mas ao menos posso dizer que olhei nos olhos daqueles que matei e daqueles que morreram sob minhas ordens, um por um... e cada um deles soube o porque de terem morrido... todos fazem parte das minhas lembranças... me parece mais digno do que não poder sequer entender como sua vida chegou ao fim e quem a tirou – finalizou de maneira altiva, mas ainda não permitindo o loiro de se afastar.
–Não vamos nos entender... – Uruha sussurrou dolorosamente – você vê honra na morte e eu vejo a felicidade na vida...
Aoi sorriu de lado e trouxe o ameniano para mais perto de si, beijando levemente os lábios rosados e pequenos.
–Somos dois hipócritas... – sussurrou em um tom divertido — ... eu não sou tão honrado quanto sempre afirmei e você não é tão bom quanto acredita ser... estou aqui deitado com um homem e ameniano, ainda que seja contra tudo que sempre acreditei e você está aqui... deitado com um general que simplesmente odeia o seu povo e assassinou vários deles... ainda assim... por que estamos juntos? – indagou de modo brando e curioso.
–Por que nos amamos? – Kouyou arriscou se sentindo ansioso pela resposta.
Aoi sorriu de lado de jeito humorado.
–Hun... – argüiu ainda em um sorriso fino — ... se tudo der certo e conseguirmos acabar com os invasores e com esse tal Yuuto... talvez eu possa responder essa pergunta...
Uruha abriu o sorriso mais contente e esperançoso que o moreno já vira e lhe deu um selo forte.
–Quando tudo isso acabar eu... – Kouyou começou a falar em uma animação controlada — ... eu... eu tenho uma coisa pra te contar e... não tenho certeza se irá gostar ou não, mas... talvez seja uma boa notícia... ao menos pra mim é uma dádiva... – finalizou encarando o cenho franzido do general para si.
–Eu não gosto de ficar curioso, me conte logo – Aoi protestou e o loiro gargalhou.
–Não, primeiro temos que acabar com os invasores e com Yuuto, depois eu te conto, então se esforce – o ameniano estatuou em tom humorado se movendo até estar sentado no quadril do moreno, lançando um sorriso nada casto ao companheiro – ainda temos tempo para mais uma vez antes de eu ter que acertar tudo para amanhã... é de seu agrado? Shiroyama-san? – provocou em sedução e sorriu satisfeito com o modo como o moreno pareceu salivar ao mirar seu corpo tão bem posicionado acima de si.
–Você realmente é muito bonito... – o Shiroyama murmurou involuntariamente, colocando as mãos possessivas nas laterais da cintura da pele alva e passeando os dedos pela barriga retinha. Kouyou se sentiu corar e se deixou pensar por um momento que aquele gesto estaria deixando seu bebê feliz... inconscientemente Yuu estava lhe acariciando o ventre e ... de certo modo aquilo parecia tão doce, ainda que o moreno não soubesse que carregava um filho seu. Yuu passeou os dígitos até o pescoço alheio e os emaranhou nos fios loiros puxando a nuca para baixo, tomando a boca pequena em um beijo... iriam fazer amor mais uma vez.
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– Nossos soldados identificaram um objeto estranho que flutua no ar se aproximando de nós... – Kai anunciou de forma exasperada ao adentrar rapidamente o salão principal e mirar Fukaku sentando em seu altar — ... já posicionei meus homens, sugiro que o senhor se refugie....
–Por quê? – o velho Shiroyama indagou em uma voz dura.
–Por quê? – Yutaka indagou, sem entender – porque se isso é algum tipo de bruxaria notavelmente o senhor é o alvo .... – começou a explicar.
–Por que posicionou seus homens? – Fukaku o interrompeu em um grito autoritário, causando um franzir de cenho nada contente de seu caçulo – são apenas convidados meus, deixe-os passar sem problemas – o velho Shiroyama ditou altivo.
–Convidados? – Kai questionou de forma quase ameaçadora... o que diabos tinha acontecido com seu pai?
–Sim, convidados, obedeça às minhas ordens e não ouse fazer nada contra eles – o velho senhor ditou e um brilho avermelhado trespassou por seu olhar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Kai estreitou os olhos, mas reverenciou seu pai assim como deveria fazer, se retirando do salão logo em seguida. Assim que se encontrou fora sua expressão se fechou de um jeito quase raivoso... algo não estava nada certo ali, seu pai estava estranho...
–Nada bom... – murmurou para si mesmo, fazendo um sinal para um de seus homens se aproximarem — ... leve a ordem de bombardeio a Ishihara até o cais... e faça os preparativos para uma recepção, meu pai vai receber visitas... – ordenou em um olhar que parecia significar mais do que suas palavras diziam, o samurai assentiu rapidamente e se pôs a correr em um das direções. Kai continuou seu caminho premeditadamente lento, colocando sua cabeça para funcionar de modo mais ponderado... tentando encaixar peças que não pareciam ter encaixe... em dado momento se lembrou de certos pedaços de madeira guardados em seu laboratório... amostras de um ataque não muito recente a seu pai... – Maldição... – praguejou, parecia que teria que tomar as rédeas da situação... e tinha que fazer isso logo.
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–Shou-sama... – um soldado adentrou sua sala, afobado – um ataque... – o samurai avisou em um fôlego curto — ... aos calabouços... não sabemos quem são...
A expressão triste de Kohara se tornou séria e o senhor de Hana se ergueu de modo imponente, estar sem seu general e sem seu conselheiro chefe de fato havia aumentado suas atribuições. Se muniu de sua espada, se lembrando que nunca a levantara em uma situação real de batalha... ainda era tão despreparado... e mesmo assim....
–Mande o pelotão mais próximo se posicionar... – começou a dar ordens em uma firmeza não muito recente sua, andando para fora de sua sala – e vocês venham comigo – ditou para sua guarda pessoal.
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–Vamos – um dos estranhos homens encapuzados e de olhar prateado ordenou assim que partiu as grades de madeira da cela do estranho baixinho que se levantara em um sorriso fino.
–Kazuki de fato é rápido – Hiroto provocou na cela ao lado, observando outro daqueles estranhos homens quebrar as grades de sua prisão, se apressando em passar por elas – me dê uma espada – pediu ao homem e este apenas lhe entregou uma lâmina média – o que diabos vocês são? – questionou em um cenho franzido.
–Não temos tempo – o outro bradou e seguiu rápido escadas acima, sendo seguido pelo conselheiro e pelo líder Ogata.
–Precisamos libertar minha guarda... – Hiroto argüiu ao seguir o lado esquerdo assim que chegaram ao primeiro corredor da tão vazia prisão de Hana, porém a mão forte de um dos homens encapuzados o impediu.
–Não temos tempo – o homem bradou e o Ogata franziu mais o olhar – se não vier agora não virá mais – ditou ao continuar para o lado direito do corredor.
–Maldição – Hiroto praguejou – depois eu volto então... – se convenceu em um bufar de lado, acompanhando os dois homens e o Murai.
–Oh! Ficou com medo? – Nayuki provocou.
–Cala a boca – o loirinho rebateu em desagrado.
Enfrentaram alguns soldados pelo caminho, mas estranhamente a dupla de homens de olhos prateados acabara por praticamente decepar cada um em um único golpe, nem sequer parecendo cansados com toda a correria.
–O que diabos eles são? – Hiroto questionou ao Murai ao seu lado assim que conseguiram sair do prédio central do presídio.
–Mercenários – Naoyuki respondeu, estreitando o olhar para a dupla enviada para soltá-los.
–Eu conheço mercenários, já contratei alguns, eles não são assim... – o loirinho bradou, sem deixar de correr atrás dos dois homens.
Naoyuki não respondeu apenas se manteve concentrado na fuga, mirando com estranheza quando identificou uma figura mais a frente, acompanhada de dezenas de samurais.
–Shou-san... – murmurou para o loirinho ao seu lado e este estreitou os olhos para identificar a silhueta vários metros mais adiante.
–Kohara... – rugiu entre a garganta, apressando a corrida e ameaçando passar da dupla de mercenários, mas sendo impedido por um deles que o segurara pelas costas da vestimenta.
–Por esse lado – o homem ditou e pareceu saltar muito mais do que um homem comum para cima de um outro prédio, levando junto consigo o baixinho Ogata enquanto o outro carregava o ex-conselheiro chefe de Hana.
Shou parou ao ver que já não teriam mais como seguir os fugitivos e encarou o olhar franzido do Ogata para si até que este sumisse ao parecer descer do teto do prédio... não queria ter que ter feito aquilo... mas...
–Shou-sama, vamos persegui-los? – um de seus soldados questionou e o Kazamasa erguera a mão em um sinal para que todos parassem.
–Não há mais como... eles não são importantes... – ditou de modo altivo — ... convoque uma reunião urgente com o conselho...
–Hai – o samurai assentiu.
Kohara respirou fundo e fingiu não se abalar por nada, dando passos rápidos e premeditados no rumo do prédio central de governo, onde a sala de reuniões do conselho ficava.
“Faça o que eu digo e seu povo e exército serão poupados...”
Fora a mensagem que recebera há poucos dias com o emblema de Shiroyama e a assinatura de Fukaku, junto a um pequeno texto que deixava claro as intenções e vantagens do feudo militar... parecia que haviam caído em uma armadilha muito bem planejada... e novamente... seus esforços e ações pareciam inúteis... apenas sendo controlado e manipulado por outros... pelo visto jamais saberia ser um líder...
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–Do outro lado fica o acampamento chinês, todos que cruzaram o rio simplesmente não voltaram – Tora avisou assim que todos os quatro lideres acompanhados de seus comandantes e soldados logo atrás se aproximaram da margem mais rasa do rio, apontando a mata fechada e escura do outro lado. Era pouco mais de meio dia e ainda assim aquele dia parecia fechado e nublado... nada animador... parecia não ser um bom sinal.
–Nos dêem três horas – Uruha tomou a frente.
–Uma hora – Aoi ditou – uma hora e nós invadimos.
–Uma hora é... – Kouyou tentou argumentar, mas pelo o olhar franzido do moreno para si soube que não conseguiria fazê-lo mudar de opinião... poderia pensar que era porque o outro estava preocupado consigo?
–Sim, uma hora – assentiu – todos prontos? – convocou seus onze guerreiros e estes logo se distribuíram ao seu lado.
–Não, mas não tem outro jeito – Akira suspirou.
–Muito bem, ativem-se – Uruha ordenou em uma voz baixa, fechando os olhos e reabrindo-os em um segundo, mostrando os orbes chocolates agora vermelhos, os dedos longos se apertando nas espadas em suas mãos e o vento lhe rodeando, fazendo seu traje roxo e preto se balançar com ele enquanto as marcas vermelhas brilhavam vivazes em suas coxas a mostra. O cabelo preso também ganhou um mecha muito fina e negra o que despertou um olhar estreito do Suzuki também de iris avermelhadas ao seu lado.
–Uruha... – chamou o amigo em um tom duro, ainda não lidava muito bem com o descontrole auto infligido.
Kouyou olhou para o amigo e este apontou para sua cabeça.
–Não há problema, não vai ficar pior que isso – o líder assentiu em convicção – sabem o que fazer... vamos ...
E em um segundo o vento pareceu se tornar violento e arrancar as folhas das árvores próximas, fazendo alguns milhares de soldados na linha de frente tampar o rosto e quando voltaram a mirar o local nenhum ameniano se encontrava ali, já que os restantes haviam permanecido em um posto mais atrás pro caso de atendimento médico.
–Nossa! – Tora exclamou – isso tudo foi só o jeito que eles “marcham”?– liberou um assovio fino de surpresa.
Aoi continuou a fuzilar a margem escura o outro lado dos poucos metros de água, começando a contar o tempo... uma hora, daria apenas um hora... e trataria de cronometrá-la muito bem.
Notas finais
E vida por mais uns dias.
=]
Neh, explicação do atraso horrendo:
Simplesmente faculdade+estágio+curso de lingua+curso de lingua = sem tempo nenhum! =/
Além disso mudei algumas coisas no roteiro e ficou difícil começar a escrever, por isso talvez só consiga trazer a parte 2 no próximo fds... gomen...
Neh, esse capitulo era pra ter sido menor, mas eu não resisti ao lemon... T.T ... lemons sempre deixam as coisas tão grandes =/
Eu tenho que me tratar, sério mesmo O.O
Bem... até o próximo?
Ainda mereço reviews?
Lissa-san... vc ainda vai me poupar por uns dias ;D
Beijoooooooooooooooooooooooo
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