Vijukei No Monogatari
12 Capitulo 11 A época de Calor
Notas iniciais
lemon, lemon, lemon
o/
http://imageshack.us/f/502/apresentao3.jpg/( Bandas)
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara)
Azumi-Chan:Oi gente,to invadindo aqui pra dizer que betei o cap todinho antes de ele ser postado,mas né,eu ser metida então invadir igual!kkkkk
Bem boa leitura *-*
Capitulo 11 A época de Calor
O sol ainda ameaçava sair de seu esconderijo quando os exércitos da aliança chegaram às terras próximas à cidade imperial de Hana. Novamente Aoi forçara seus homens a marcharem durante a noite e assim a chegada programada para o início da noite havia sido adiantada em muitas horas.
A muito a floresta já havia acabado, o que obrigava os amenianos a se juntarem a formação de soldados e manterem o ritmo quase mórbidos destes abatidos pelo cansaço. Kouyou fizera questão de aglomerar seus guerreiros no canto direito, onde ficaria bem longe do general Shiroyamiano, já que o estava evitando desde o ocorrido duas noites antes, de mesmo modo o treinamento de seus homens havia sido adiado.
Na noite anterior havia se aproximado da carruagem que carregava os “pertences pessoais” do alto escalão do exército. O general não parecia preocupado em deixar a pequena Maya aos cuidados de concubinas contanto que estas fossem as suas e as de seus comandantes.
“Papai disse que vai me mandar de volta quando a gente chegar em Hana” fora o que a pequenina dissera para si quando se embrenhou entre as moças e as convenceu ficarem caladas para que visitasse a pequena.
“Papai não veio me ver” reclamara em um tom triste e naquele momento o loiro quis muito ir até a frente da marcha e ter uma boa conversa com o moreno, mas se conteve antes mesmo de chegar a decidir tal atitude impulsiva, se seu shaman não estava em seu normal, não poderia provocar situações nas quais o general pudesse ter a chance de feri-lo.
Além disso, estavam às vésperas da época de calor... desde a noite anterior se sentia excitar apenas por olhar o moreno por um tempo mais longo, o que não era de total absurdo, Aoi poderia ser perigoso e arrogante, mas sem dúvida alguma era lindo. Não pensou que seria capaz de aquecer-se com alguém que não fossem os da sua vila, mas época de calor era um tempo de coisas inusitadas e descontroles, isso tudo terminaria assim que as três noites se passassem.
“O que está acontecendo comigo?”
Suspirou em frustração ao perceber seus pelos se eriçarem apenas por ter passado os olhos na direção do imponente, mas cansado, general frente ao exército debaixo daquele final de madrugada.
–Você está bem? – Reita perguntou ao seu lado, voltando seus orbes pra direção em que o amigo olhava.
–Eu sei que disse que era melhor você tirar a roupa toda e chamar o general para uma conversa caso quisesse fazê-lo te ouvir, mas eu estava brincado, ok? – o loiro menor se adiantou, meio receoso do que tinha percebido na situação.
–Eu sei, Akira... é só essa época de calor, estou em abstinência faz dias e... meu shaman e meu corpo estão cada vez mais estranhos... eu não sei o que está acontecendo comigo... – confessou em um tom baixo, omitindo a conversa de seus demais guerreiros, não queria que aquilo se espalhasse, poderia gerar algum tipo de confusão dentro de seus adoráveis nekos.
–Bem... eu até te falaria para seduzi-lo e tentar fazê-lo te aceitar se fosse o caso, mas... olhe, ainda que ele por algum motivo obscuro venha a descer daquela pose toda de “desprezo sodomia”, não acho que ele seria do tipo que aceitaria ser seu passivo... – o enfaixado continuou -... tire isso da cabeça Uruha, temos centenas de nekos aqui que adorariam te aquecer e você já prometeu a Miku-chan que passaria o calor com ele...
–Não fale disso como se tê-lo fosse uma hipótese, não é, é apenas crise de abstinência e o calor – o loiro maior estatuou em um tom rude demais para si, o que fizera o menor recuar e franzir o cenho.
–Está começando a se estressar, passe essa noite com Miku-chan e se libere antes que acabe possesso de verdade – Reita ditou em uma voz baixa e preocupada – passarei as três noites de calor longe... vai ficar bem?
Uruha levou a mão à cabeça e fechou os olhos, respirando fundo.
–Vou – assentiu ainda que não tivesse certeza de suas palavras – assim que chegarmos ao palácio de Hana converso com Murai-san e explico a situação, vou passar essa noite com Miku e... tudo vai ficar bem.
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–Trago uma mensagem de Melody-sama – a voz da hibrida de cabelos vermelhos ecoou pela caverna que usavam como esconderijo e um dos três homens ali dentro se levantou, indo até a jovem, pegando o pergaminho de sua mão. Leu o pedaço de papiro com calma e estreitou o olhar.
–Ela quer que invadamos o palácio e entremos em uma sala que diz ter algo importante para Miyavi – anunciou aos demais.
–Armadilha – um deles protestou e a pequena hibrida foi se sentar ao lado de seu semelhante mais ao fundo da caverna.
–E então... de quem é o sangue? – perguntou ao raposa, parecendo não se preocupar pela discussão dos três humanos ali em confiar ou não na ajuda de sua mestra.
Ruki franziu o cenho para a camaleão.
–Não te interessa – rugiu a mesma resposta que havia dado no dia anterior.
–Ah! Por que tanto mistério? Os bichos oportunistas são vocês raposas, não nós – Toki se defendeu.
–Não, lagartos são muito mais do tipo traiçoeiros... – o maior estreitou mais o olhar, fazendo a pequena levantar as mãos e sorrir.
–Melody-sama os ajudará a entrar no palácio sem serem notados, mas a sala é protegida por guardas e nem ela mesma tem permissão para se aproximar dali – ditou em direção ao trio que ainda discutia – se os quiséssemos mortos deveríamos ter apenas deixado que os assassinos os encontrassem, por que teríamos tanto trabalho por causa de três espiões idiotas e uma meia raposa adestrada?
Toki foi fuzilada por quatro pares de olhos, mas todos estes concordaram que não havia motivos para acreditar que a senhora Ishihara os queria mortos após ter tido o trabalho de salvá-los de um ataque de assassinos.
–Tudo bem, nos leve até sua senhora – um dos homens ditou e a hibrida estreitou o olhar, não gostava de humanos lhe dando ordens sem ser sua salvadora.
–Vamos indo... – vociferou ao se por de pé
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Foram bem recebidos pela corte de Hana e pouco descansaram antes de já se aprontarem para o anúncio a apresentação ao senhor Kazamasa.
O amplo salão se encontrava novamente arrumado, rodeado por soldados e alguns nobres, no altar os conselheiros em seus trajes prateados e Nao em suas vestes douradas. Shou se mantinha no centro, impecavelmente vestido de maneira luxuosa, enquanto Saga ocupava seu posto mais a direita e um pequeno Ogata era visto no canto esquerdo, como se quisesse não ser notado, mas ainda assim mostrar que estava ali.
–Shiroyama Yuu, o general de Shiroyama, e Takashima Kouyou, o líder dos guerreiros de Akai Ame – os nomes foram anunciados e os dois homens citados adentraram pelas portas duplas do salão, lado a lado separados por uma distância significativa, em uma imagem no mínimo curiosa e antagônica.
O moreno, apesar de levemente menor, tinha um porte tão altivo e sério que parecia diminuir o loiro maior ao seu lado enquanto caminhava, imponente. A figura era bela sem dúvida, a pele levemente escurecida, os longos cabelos negros semi-amarrados e a armadura completamente escura fizeram algumas moças da nobreza de Hana ali presentes suspirarem, mas a feição séria e os orbes negros transluzindo ódio as fez recuar para trás de seus pais e maridos.
Já o loiro arrancou burburinhos curiosos, tinha sido anunciado como sendo um homem, mas a figura loira, alta, esbelta e maquiada deixava em dúvida muitos ali presentes. O traje solto em tons de roxo e preto que deixavam as coxas á mostra causaram escândalo em uns enquanto outros admitiam silenciosamente que a imagem do jovem andrógeno era no mínimo provocante. O andar era elegante e calmo apesar de não ficar para trás diante da marcha ríspida, rápida e imponente do moreno ao seu lado. Os fios dourados longos e levemente presos nas laterais permitiam uma franja enfeitar o rosto e desciam em um liso impecável até o meio das costas.
E foi ao se colocarem em frente do senhor de Hana que ambos pareceram se assemelhar pela primeira vez, já que nenhum dos dois se curvou e reverenciou o lorde Kazamasa, como a grande maioria dos espectadores do salão havia feito, mantendo-se de pé.
Shou se levantou, meio sem saber o que dizer diante dos homens. Deixou o olho livre passar pela imagem de Aoi, que já conhecia de nome e fama apesar de ser a primeira vez que o via, indo para a figura loira ao seu lado, parando irremediavelmente nas coxas à mostra, desviando os olhos para o lado e encarando uma feição nada contente de certo baixinho loiro bem longe de si. Engoliu em seco e voltou a encarar o moreno sério a sua frente, como diziam... ele dava medo.
–Aoi-san – ousou chamá-lo pelo apelido como era conhecido – Takashima-san – se virou minimamente para o ameniano – sejam bem vindos a Hana! Fico feliz por estarem nos ajudando em um momento tão turbulento para Vijukei quanto este.
–Sem essas enrolações, Kohara, todas essas formalidades são desnecessárias... – Aoi interrompeu em seu tom impaciente – convoque uma reunião de seu conselho de guerra e vamos nos preparar o quanto antes.
Kohara se assustou rapidamente e se sentiu intimidado pela rispidez do moreno. Tentou pensar em algo para responder, mas antes que pudesse fazer tal coisa o ameniano se pôs a falar.
–Obrigado, Kazamasa-san! – em contraste a voz profunda e masculina unida a um sorriso educado do loiro o fez respirar em alívio e retribuir o gesto facial de simpatia – Aoi-san pode querer se apressar quanto nossa movimentação, mas eu havia falado com seu conselheiro chefe um pouco antes dessa recepção e expliquei sobre as condições dos meus guerreiros nos próximo três dias...
Uruha ganhou um olhar estreito do moreno e uma feição curiosa do senhor de Hana que mirou o pequeno Murai ao seu lado em pergunta, não tinha lhe contado aquilo.
–São um povo diferente e explicarei sobre isso mais tarde, mas teremos que adiar nossa marcha para após essas próximas três noites, se o general Ogata está na linha de frente acredito que estaremos seguros por enquanto – Nao se pronunciou em um semblante tranqüilo e um sorriso mínimo, arrancando um estreitar de olhar do Kazamasa... desde quando o Murai o escondia coisas? Desde quando precisava usar aquele sorriso para si?
–Eu sou Ogata Hiroto – o pequeno falou ao se aproximar do foco de conversa ali – aparentemente ninguém iria me apresentar então tomei a liberdade de me pronunciar – assentiu em um sorriso esperto e infantil, sendo retribuído pelo loiro maior, mas ganhando apenas um olhar mais sério do moreno ao lado deste.
–Hiroto-san é o herdeiro de Ogata e também está nos ajudando – Shou retomou ao mirar os dois convidados – esse é meu general, Sakamoto Takashi, mais conhecido como Saga – apresentou o moreno a sua direita, Saga deu um passo a frente e curvou a cabeça minimamente em um cumprimento, sendo retribuído pelos dois generais aliados – ele quem tratará dos assuntos relacionados às batalhas com os senhores. Gostaria que os senhores aceitassem a recepção dessa noite como um presente de boas-vindas e gratidão pela aliança...
–Não estou interessado – Aoi o interrompeu – vou estar em minhas acomodações e resolver coisas, quando decidirem levar essa invasão a sério me avisem – ditou em escárnio, se virando de costas para o Kazamasa, marchando sem preocupação em direção à saída do salão. Alguns comentários começaram a tomar conta do lugar e Shou se sentiu momentaneamente perdido até sentir o puxão discreto dos dedos Ogatas em sua veste.
–Então Shiroyama já não ensina mais bons modos a sua gente? – questionou em uma voz alta, provocativa... pelo visto estava mesmo absorvendo coisas demais do pequeno amante e “professor”.
Aoi estacou a alguns passos do altar e se virou, fuzilando o insolente Kazamasa, deixou sua íris ir para os lados observando sua volta com a visão periférica, os inúmeros pares de olhos o encarando e o silêncio total do ambiente relativamente cheio... odiava isso. Colocou os olhos no líder ameniano que havia se virado para si, a imagem dele ao lado do senhor de Hana não fora nada agradável aos seus olhos... lhe cheirava a... traição. Estava na hora de ser mais inteligentemente malicioso como Kai e aceitar jogar aquele jogo ridículo de interesses e convenções.
Teria que esperar até o dia seguinte para cuidar da volta de sua filha ao seu feudo, a pequena estaria segura perto de si por enquanto. Respirou fundo e tentou controlar seu gênio... “Seja inteligente, Aoi, lembre-se do que Kai disse... esse demônio...!”
–Por certo que um pouco de distração não fará mal a ninguém – assentiu de maneira séria, dando de ombros e dando a ordem para que um de seus comandantes entre as pessoas no salão se aproximasse – avise aos soldados que hoje é noite de festejo, mas que amanhã quero todos descansados e em ótimas condições para treinamento – ordenou ao samurai de alto escalão que assentiu rapidamente, se retirando do local para ter com os soldados do lado de fora da recepção.
Aoi abriu um mínimo sorriso de lado antes de voltar a caminhar para os homens ainda de pé ao altar, o que pareceu espalhar uma estranha aura obscura e tensão no loiro andrógeno, ver o moreno sorrir era sem dúvida um acontecimento histórico, mas aquele sorriso, apesar de provocante, não parecia ter nada de amigável, o que fez seu corpo se retesar.
– E amanhã também continuaremos seu treinamento, Uruha – Aoi ditou assim que voltou a se aproximar dos demais, levantando aquele assunto como se dois dias antes não tivesse quase matado o líder loiro.
–Bem, já que está tudo certo, música! – Shou arguiu para o salão, e logo alguns músicos não muito bons começaram a tocar alguma coisa bem típica da região, achar bons músicos tinha se tornado uma tarefa difícil para os organizadores reais desde que Ishihara fora considerada inimiga.
–Aoi-san... – Uruha se atreveu a se aproximar do moreno para que este o ouvisse – pensei ter avisado de que meus homens não ficam muito dispostos na época de calor...
–Eu não falei nada sobre seus homens, eu falei sobre você – o moreno interrompeu, se embrenhando no meio de algumas pessoas que começavam a conversar e a beber.
–Por certo que também não estarei disposto, acaso eu não lhe disse que nesse período ficamos mais ativos sex...
– Um líder é um líder, deveria saber que por vezes um general deve fazer sacrifícios para o bem da batalha – voltou a interromper o pobre loiro que insistia em lhe acompanhar em sua caminhada rápida até uma das jovens moças que servia saquê mais ao canto do salão. Tomou um dos copos da bandeja de porcelana da moça e levou aos lábios em um gole – quero acabar o quanto antes com essa palhaçada de ter que emprestar meus soldados para treinarem seu bando de aberrações, você irá aprender e você passará para aquelas coisas que chama de guerreiros, nenhum samurai de Shiroyama aceitará ser feito de idiota novamente – ditou, sacando mais um dos copos luxuosos e pequenos da bebida fermentada, entregando-a ao loiro a sua frente – não é você quem disse que seus “guerreiros” são importantes pra você? Com certeza suportar uns dias sem foder um de seus demônios não será grande martírio.
Uruha deixou seus orbes se arregalarem e aceitou o pequeno copo em sua mão em estado quase que catatônico... não iria dar certo, ficar sua época de calor em celibato não iria dar certo, seu shaman iria se irritar e estragaria tudo, dessa vez não conseguiria controlá-lo tão bem quanto controlou quando o Shiroyamiano o interrompera em sua intimidade... tinha que se negar, dizer não, aproveitar o estresse de dias em abstinência para se obrigar a ser rude e firme em sua negação... por que não conseguia dizer nada?
–O que é isso? – perguntou, sem conseguir formular nada em oposição.
–Saquê – o moreno respondeu, estreitando o olhar em curiosidade, o ameniano não sabia o que era aquilo? – beba – ditou simplesmente antes de dar as costas e sumir por entre mais pessoas.
Uruha ficou um minuto parado, sem reação... por que não tinha se negado? Por que não conseguiu dizer nada ao general? Por que Aoi agira como se tivesse esquecido o que havia se passado no último treinamento?
–Droga! – praguejou, sentindo seu shaman se revirar em estresse, virou o copinho de uma vez, sentindo o doce e ácido lhe descer a garganta e sorriu para a jovem que o olhava admirada, pegando mais um dos copos da bebia. Por que estava obedecendo aquele general odioso? Por que estava bebendo aquilo? Não faria bem, sabia que não faria bem, bebidas estrangeiras eram perigosas, tinha aprendido isso bem no aprendizado... então... Por quê?
–O que está fazendo? – ouviu a voz de Reita ao seu lado e virou mais outro copo, já deveria ser o oitavo? – o que aquele idiota falou?
–Que eu vou ter que continuar treinando com ele na época de calor... droga, droga.... maldita hora que dei essa maldita idéia...– vociferou em uma demonstração anormal de irritação, deixando seu amigo alarmado.
–Pare de beber essa coisa, venha, vou chamar Miku-chan antes que você saia de controle – ditou ao tirar um dos copinhos da mão do maior e lhe pegar pelos ombros, sentindo esse se retesar e fuzilá-lo com os orbes chocolates... realmente, aquilo não estava bem... nunca vira em todos seus vinte oito anos de vida o loiro agir daquela maneira.
Uruha levantou uma mão para tirar os dedos do amigo de si em uma ação violenta, mas sentiu seu corpo se congelar e a dor conhecida, mas não freqüente, em sua cabeça estalar... havia sido bloqueado por seu shaman... tinha pensado em fazer algo de ruim com Reita? Seus olhos se alarmaram e sentiu-se invadir em tristeza... nunca, jamais sequer chegou a pensar em fazer algum mal a alguém, muito menos ao seu melhor amigo... o que estava acontecendo consigo?
–Uruha? Tudo bem? – o enfaixado perguntou ao notar o estado inerte do amigo.
Kouyou abaixou os braços e se deixou ser guiado pelo menor, sentia sua cabeça doer, talvez aquelas bebidas fossem mesmo perigosas.
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Akai Ame, o céu em um vermelho translúcido que ia adquirindo uma tonalidade escura com o final da tarde, as casas pequenas dividiam espaço com a vegetação e os habitantes em seus trajes que deixavam algumas partes de suas peles expostas pareciam sorridentes ao seguirem com suas vidas pacíficas e tranqüilas. Alguns menininhos brincavam, alguns casais de homens se beijavam e se agarravam em locais mais reservados entre as árvores e becos. Devido à véspera da época de calor o lugar tinha adquirido uma aura bem mais sedutora.
Ao longe da vila, depois de várias casas, era possível ver uma construção maior e bem alta, feita de pedras em um tom vinho. Se assemelhava a algum tipo de castelo, mas construído de uma forma mais circular e arredondada, o estranho é que tal construção não parecia possuir portas baixas, apenas aberturas que já ficavam em locais bem altos.
Mas era dentro dessa construção que a família líder e aqueles designados para auxiliá-la viviam, junto e próximo a grande fundadora de Akai Ame e suas sacerdotisas, as únicas mulheres em toda a vila formada por moradores do sexo masculino. Apesar de que a família líder naquele palácio, os Takashimas, estava reduzida a apenas o patriarca Hitoru, que naquele momento andava calmo para o centro da construção, olhando algumas belas jovens sorrirem para si, mas sem conseguir retribuir os sorrisos das sacerdotisas que sempre lhe foram ótimas amigas desde que fora escolhido por seu companheiro.
–Hitoru-san não é mais o mesmo desde que Uruha-san e os guerreiros partiram – uma das moças bonitas de cabelos claros comentou para outra ao seu lado.
–Hitoru-san não é mais o mesmo desde que Ryou-san se foi... – a outra pareceu comentar em correção.
O senhor de idade, mas com uma beleza adormecida, continuou seu caminho, indo em direção às portas duplas que flutuaram em uma abertura sem som para deixá-lo passar, poderia usar algum poder ou apenas usar sua velocidade para chegar mais rápido a seu destino, já que a sala parecia infinitamente enorme e seu aparente objetivo era o que parecia um altar circular flutuando ao final desta, mas preferiu andar calmo e demoradamente pelo chão branco.
Quando finalmente chegou embaixo da modesta estrutura circular, fechou os olhos e deixou o ar levantá-lo, duas marcas vermelhas aparecendo nas laterais de seu pescoço desnudo e então em um segundo já estava pisando no piso avermelhado, as jovens sacerdotisas pessoais da fundadora lhe abrindo espaço com sorrisos nos rostos, ainda que ele mal conseguisse assentir com a cabeça, já que seus lábios não retribuíam a expressão.
Finalmente parou a frente a uma cortina rendada em vermelho, a grande extensão acolchoada parecendo abrigar a pessoa mais importante dali.
–Me chamou, Miko-sama? – Hitoru perguntou ao se sentar na borda do que parecia um imenso colchão de veludo vinho em formato arredondado.
–Sinto muitas alterações ultimamente... e não são por causa da época de calor – a voz doce e notavelmente feminina veio do outro lado da cortina – estão se corrompendo, Hitoru... em especial Uruha... o sinto se corromper de pouco em pouco... chame-os de volta.
–Se chamá-los, há uma forte possibilidade dos invasores nos dominarem... não temos escolha, a família Takashima e os guerreiros sempre estiveram ciente do que significava pegar uma arma e lutar – o senhor respondeu em um tom desgostoso.
–Sinto cheiro de Yuuto em tudo isso... não acredito que tenha poder para ser algo mais do que um general de Vegas... mas não confio nisso... essa invasão, essa aliança... sinto-os corromper-se, Hitoru... não quero ver meus amados amenianos se tornarem seres imundos... – a voz continuou, se mostrando levemente ofegada como se por algum cansaço.
–Eu confio em meu filho, e confio em nossos guerreiros... qualquer um deles daria a vida por nossa vila... acho que já provamos isso quinze anos atrás, não? – o senhor continuou em uma seriedade fraca, apesar da época de calor mexer com seu humor, já não tinha mais a vivacidade para perder o controle.
–Sabe que nunca aprovei aquilo, teria outro modo... – a voz contestou.
–Está fraca, Miko-sama, já faz muito mantendo nossas proteções e barreiras... temos que defender nossa casa, é nosso dever e é o que queremos, sabe que cada ameniano é extremamente grato por ter nos criado e pelos seres que nos tornou, mas não deixaremos tudo em suas mãos, nos deu esse estilo de vida Miko-sama, é nossa obrigação defendê-lo – Hitoru argumentou em paciência, deixando seus olhos caírem ao final – era nisso que Ryou acreditava e é nisso que nós acreditamos.
A voz não mais respondeu, apenas pode-se ouvir uma respiração longa e funda.
–Este estilo de vida já estará findado se aquilo se repetir... – Miko respondeu após um longo silêncio.
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As cinco figuras pareciam apenas vultos ao correrem no meio do estranho feudo silencioso àquela hora. Ruki estranhou o ambiente, já que da última vez que esteve ali alguns anos antes lembrava do feudo dos artistas fazer jus ao nome e ser um local de vida noturna e diurna animada, repleta de cantores, músicos e atores pelas ruas... em especial a cidade imperial de Ishihara.
–Já esteve aqui antes? – Toki perguntou ao seu lado.
–Há mais de três anos atrás, quando a esposa de Aoi-san faleceu, vim trazer a mensagem de óbito e antes disso o convite de casamento... – Ruki assentiu – aqui me parecia ser mais...
–Divertido? – a camaleão completou – e era, mas faz dois anos que a vivacidade do feudo foi se perdendo aos poucos e mês passado Miyavi decretou toque de recolher, coisas ruins aconteceram a quem ousou desobedecer ou ir contra, como os conselheiros dele... – a hibrida vermelha continuou, parando atrás de uma das casas humildes ao redor da propriedade central, sendo seguida pelos outros quatro seres cobertos com mantas negras -... Vê aquelas estacas ao lado da bandeira no canto esquerdo da residência central? – apontou o dedo na direção, recebendo confirmação dos demais e um boquiaberto do hibrido loiro que conseguira ver nitidamente o que estava ali.
–Acho que ainda está longe para olhos humanos, mas... aquilo pendurado nelas é o antigo conselho de Ishihara, foram executados semana passada – a meio youkai continuou, encarando os rostos assustados dos espiões e a feição de nojo do hibrido raposa – é aquilo que vai acontecer a vocês se forem pegos, por isso... espero que sejam realmente bons no que fazem, por que sinto que não serão apenas vocês que acabarão ali caso sejamos descobertos, Melody-sama também está assustada.
Os homens assentiram, se dando conta de que não tinham mais motivos para ainda desconfiarem da ajuda.
–Me sigam, vamos falar com Melody-sama, primeiro – a vermelhinha estatuou, correndo sorrateiramente mais adiante, sendo seguida pelo grupo masculino.
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A senhora Ishihara estava a embalar sua caçula para que esta dormisse quando ouviu o som de passos no corredor externo de sua propriedade, abraçando a pequena já adormecida instintivamente.
–Melody-sama – a voz conhecida a fez relaxar e a senhora de fios caramelos pousou a pequenina Jewelie no berço requintado antes de se virar para a serva hibrida – eles estão aqui.
Melody apenas assentiu, andando em passos apressados até a jovem, seguindo-a e fechando a porta de correr atrás de si, continuando a andar atrás da vermelhinha até que esta a levasse pro cômodo ao lado. Não foram interrompidas por ninguém durante o caminho, há dias que os criados temiam perambular pelos corredores da propriedade, e Melody deixara claro que nenhum soldado seria permitido na ala de suas filhas além de seus próprios homens de confiança. E a pesar das mudanças cada vez mais drásticas de seu marido, ao menos aquele pedido parecia ter sido atendido.
–São vocês os responsáveis por levar informação a Shiroyama? – a senhora perguntou ao mirar as quatro figuras encapuzadas – poderiam serem educados e se mostrarem? Não confio em quem não vejo o rosto.
E aquela frase conhecida fez o pequeno hibrido arfar em nostalgia, seus pensamentos caindo sobre certo ameniano desnarigado que havia dito aquilo a primeira vez que se viram... quanto tempo fazia mesmo?
–Ei, coisa, retire o capuz – despertou quando ouviu a voz de um dos homens o chamar, retirando o pano que lhe cobria a cabeça.
–Você é o mensageiro meio yokai... Ruki, certo? – a senhora perguntou e este apenas assentiu. A jovem sorriu em simpatia, era bom ver um rosto já conhecido entre aqueles que provavelmente carregariam a segurança de sua família e de seu povo nas mãos – fico feliz em ver uma face conhecida – isso é tudo que consegui sobre a sala que meu marido tanto protege – continuou ao estender um pergaminho pequeno e fino ao loirinho raposa – em três dias Takamasa vai fazer um banquete, parece que vamos receber algum convidado, mas não sei de quem se trata, o importante é que nesse dia a segurança vai estar mais fraca, será a oportunidade perfeita para que vocês entrem.
–Sim – Ruki assentiu, aceitando o pergaminho e abrindo-o, encarando algumas informações e o desenho de uma pequena planta do local da sala.
–Agora vão, antes que desconfiem de algo – Melody ditou – Toki será nossa ponte de comunicação caso precisarem, ela ficará com vocês para se certificar que farão o combinado de forma correta – finalizou ao sair do cômodo e logo os homens voltavam a cobrir suas faces, se retirando do local rapidamente.
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O sol já raiava quando o loiro deitado no futon ao chão começou a dar sinal de que acordaria, sentiu sua cabeça doer e seu corpo quente. Se iniciava a época do calor afinal, mas a pontada em sua testa era algo inusitado para si.
–Hum... – reclamou em um gemido baixo, o que tinha feito na noite passada? Abriu os olhos e encontrou o pequeno Miku ao seu lado, adormecido, estava de roupas ainda, estranho, Miku não tinha o costume de se vestir depois do sexo, o neko gostava de se aninhar completamente nu nas cobertas.
Tentou se levantar, mas sentiu a dor em sua cabeça aumentar e voltou a se deitar no acolchoado fino do chão.
–Uruha-san... – ouviu a voz dengosa do neko e logo sentiu o peso deste em cima de seu quadril – Uruha-san adormeceu logo depois que Reita-san o trouxe para cá... nem pudemos fazer nada, vai ter que me compensar agora... – provocou em um tom gemido, descendo os lábios finos até se pescoço e roçando as nádegas cobertas em si.
Aquilo seria muito bem vindo se não estivesse com um martelo dentro de seu cérebro, pensou o maior, mas não deixaria o pequeno constrangido ao negá-lo quando este já estava todo excitado naquela forma. Fechou os olhos e levou a mão a cintura fina, seu corpo precisava de algum alívio mesmo e Miku sempre fora tão bom parceiro de cama. Passeou uma das mãos pelas costas pequenas e a deixou em sua nuca, e foi ao retirar os lábios de seu pescoço e aproximá-los de sua boca para um beijo que sua cabeça voltou a latejar, seu corpo se congelou e pareceu sair de seu controle quando empurrou o pequeno de cima de si, fazendo-o cair de lado no futon.
–Uruha-san? – Miku perguntou, meio alarmado pela atitude do maior.
–D-desculpe, Miku-chan... eu não estou bem, minha cabeça dói e... – tentou se explicar, assustado por suas próprias ações quando uma batida leve na porta o interrompeu.
–Uruha – a voz de Reita se fez ouvir do outro lado – desculpe incomodar vocês dois, mas o Aoi-mal-encarado-san está te chamando.
–H-hai... eu já vou! – assentiu ao se por de pé de uma vez, meio tonto pela dor de cabeça – Miku-chan,me desculpe, mas infelizmente vou ter que passar a época de calor treinando, Aoi-san não quer mais disponibilizar soldados para treiná-los e eu mesmo vou ter que ensiná-los assim que aprender... – começou a arrumar o traje desgrenhado, meio incomodado pelo cheiro estranho da bebida em seu corpo.
–Teve algo a ver com a brincadeira de quem derruba um Shiroyama primeiro? – o pequenino perguntou ao também se levantar e arrumar a roupa.
–Brincadeira? – o maior questionou, se aproximando de uma vasilha em cima de um suporte de pedra, começando a lavar o rosto e a boca, usando uma erva ao lado para melhorar o odor de álcool de sua língua.
–No último treino, Reita-san falou para brincarmos, quem derrubasse um Shiroyama primeiro ia passar as noites de calor com Uruha-san... – o neko respondera, meio emburrado por ainda não ter conseguido saciar seus desejos.
–Reita o quê?
–Não deu certo, ele mesmo venceu e acho que os soldados ficaram meio irritados por causa da brincadeira...
Uruha controlou bem seu shaman que ameaçou urgir com o tempo de abstinência e resquícios do mal que a bebida o havia feito, arrumou o cabelo em um rabo de cavalo desleixado e saiu porta a fora, encontrando Akira parado mais a frente, encostado em uma viga do corredor exterior.
–Você me apostou em uma brincadeira contra os soldados de Aoi-san? – questionou ao amigo.
–Ah! Você já tinha dormido com todos eles mesmo, e o tachis só queriam provar da sua comida então... – o loiro menor começou a explicar em calma, apesar de seu corpo já reclamar das noites em auto-consolo, estava radiante aquele dia, pois sabia que logo encontraria seu amado e arisco companheiro, e dessa vez o marcaria como seu de uma vez por todas... e ainda na época de calor... sabia o que aquilo significava, e estava totalmente pronto.
–Você apostou a minha comida? – o maior rugiu em um tom que não chegava a ser raivoso, estava mais para indignado – sabes o quanto é importante para mim que minhas receitas sejam apenas do meu companheiro.
–Ah! Você sempre me usou e usava as sacerdotisas como cobaias pra sua culinária, era só usá-los também, além disso, você ainda não tem um companheiro...
–Akira! – Uruha dessa vez pareceu mais firme ao dizer aquilo, mas a dor em sua cabeça voltou e o impediu de se chatear ainda mais pela atitude do amigo – agora faz sentido por que ele disse que os soldados dele não iam mais ser feitos de idiotas... – comentou em um tom mais calmo, dando um longo suspiro após aquilo, não ia adiantar nada brigar por aquilo agora, estava no calor, com dor de cabeça e com seu shaman instável, não conseguiria nada com aquilo – a barreira já ta formada?
–É claro que está, caso contrário não acha que o próprio Shiroyama iria vir aqui acordá-lo? A barreira barrou ele e seus soldados antes que entrassem no dormitório que aquele Murai nos cedeu, usamos exatamente as delimitações que você deixou ontem – Reita assentira, parecendo pela primeira vez como um comandante seguindo ordens de seu superior.
–Tudo bem... – o loiro maior começou a andar, alguns gemidos bem audíveis vindo das acomodações vizinhas às suas... era época de calor afinal. Mas um gemido agudo que identificou como feminino o fez estacar no meio do longo corredor, virando-se para o comandante e amigo em interrogação.
–Fizemos como você mandou, só amenianos ou pessoas que um de nós queira aqui dentro podem passar, não me culpe se algum tachi trouxe alguém de fora – o menor respondeu ao levantar as mãos em rendição.
–Só peço para que isso não traga mais problemas – o maior suspirou – de qualquer modo, apenas sodomia com eles estava proibida e até nossos últimos dados Hana não obedece a essa lei com tanto vigor, então... – continuou a falar, voltando a caminhar até a entrada dos dormitórios que Nao havia lhe cedido para si e seus guerreiros. Como os quartos não deram para todos, alguns foram divididos ao meio com tecidos, enquanto poucos se acomodaram em tendas montadas no pátio, nada muito trabalhoso, já que a maioria dos guerreiros havia escolhido pares dentro de seu povo, deste modo, um quarto para dois bastaria. Havia ainda os que já eram companheiros marcados e alguns que tinham deixado seu amor em Akai Ame, estes últimos também receberam acomodações próprias, já que passariam as noites de calor em auto-consolação. Como o líder pelo visto também passaria -... vai ficar tudo bem.
Mas suas palavras pareceram perder o significado quando olhou para o general raivoso do lado de fora de sua barreia invisível aos olhos humanos, acompanhados de alguns soldados. Respirou fundo e tentou se acalmar, seu corpo parecia querer dar sinais de excitação com a visão, por isso manteve os orbes fitando o chão quando se aproximou do moreno.
–Queria falar comigo? – perguntou.
–Venha! – foi o que o Shiroyama vociferou em resposta, seguindo em direção a se afastar dali, deixando claro que queria ser seguido.
–Eu estou saindo daqui uma hora e só volto depois do calor... você vai ficar bem? – Akira perguntou baixo ao seu lado e Uruha apenas respirou fundo mais uma vez, não importava que coisas inusitadas estivessem acontecendo, sempre fora o melhor em controlar seu shaman, era o mais rápido, o mais habilidoso... e acima de tudo o líder...
–Vou, vá atrás de Ruki-san e não me volte sem tê-lo marcado ou minha próxima companhia no calor será você e sabe que eu não posso ser passivo – assentiu em um tom humorado, arrancando uma gargalhada do amigo.
– Nem pensar, sou tachi até a morte! – Reita bradou, seguindo o humor do maior, mas se adiantando para dar um abraço seguido de um beijo no rosto neste – obrigado por entender.
–Por nada, mas confesso que estou morrendo de inveja, sempre achei que acharia meu companheiro antes de você – o maior provocou em um bico fingido.
–Oh! Você ainda tem chance, é só aproveitar agora e atacar o Aoi-mal-encarado-san ali! – provocou em humor ao apontar pro moreno mais adiante, recebendo um tapa leve do outro em sua nuca – Ei! É brincadeira.
–Eu sei! – o maior rebateu em um sorriso de lado – vá logo antes que Ruki-san ache que é mais vantajoso ficar comigo!
–Você não ousaria... – o menor vociferou em uma estreitada de olhar para si, o que o amor e a época de calor não faziam?
–É brincadeira – Uruha suspirou ao revirar os olhos, decidindo-se por seguir logo o general Shiroyama antes que esse emanasse uma aura mais assustadora do que já estava emanando.
“Isso vai ser difícil!”
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– Então tudo que temos que fazer é esperar esses malditos três dias... – um dos homens bradou em tédio – ótimo... três dias sem fazer nada... e ainda com essas duas coisas aqui... – reclamou ao olhar para os dois híbridos mais ao fundo da caverna. Até que a ruivinha era bonitinha – ei, Toki, ou sei lá o quê... você tem um corpo normal?
Toki estreitou os olhos, não gostando nada da pergunta e do tom do humano.
– Toque em mim e eu mesma enfio seu ânus em uma das estacas da casa central! – a ruivinha cuspiu em ameaça, os olhos parecendo adquirirem uma forma cônica e se tornando levemente amarelos, para depois voltarem a serem apenas dois orbes negros.
Os homens recuaram e voltaram a praguejar algo para si mesmos. A tarde se acabava, mas esperar sentado não era algo agradável naquela situação.
Ruki se mantinha aéreo, não queria admitir mas estava ansioso e com as narinas bem abertas para quando o vento trouxesse o cheiro que estava esperando. Tinha sido enfeitiçado, só podia. Não percebia que apertava o pedaço de pano sujo de seu pescoço entre os dedos, mas a ruiva ao seu lado percebeu.
–Essa pessoa é mesmo tão gostosa quanto o sangue dela parece ser? Pra você estar ansioso assim, ou isso ou você realmente a ama! – Toki comentou em desdém – quer dizer que raposas oportunistas além de bichos de estimação agora são mocinhas apaixonadas?... Quanto esse mundo hibrido decaiu, acho que até os cães superam vocês!
Ruki rugiu em estresse, não estava com paciência para as provocações de uma camaleão com o rei na barriga, levantou uma das mãos e afiou as garras modestas para começar um briga quando uma rajada de vento entrou pela caverna e levou o cheiro que tanto aguardava ao seu olfato. No mesmo instante sentiu sua fera interior rugir e seus pelos da nunca se eriçarem. Levou o tecido de seus dedos ao nariz para comprovar se era mesmo o mesmo odor, não conseguia decorar cheiros e sua mente poderia lhe pregar peças. Se levantou de uma vez e seguiu para a saída da caverna quando teve a prova de que precisava.
–Volto no dia da invasão! – foi a única coisa que disse para os seres dentro do esconderijo antes de sair em uma corrida disparada pela mata, seguindo o cheiro como se daquilo dependesse a sua vida. Tinha sido enfeitiçado, e era um feitiço poderoso, só podia.
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Se sentia um pouco cansado e arfava forte quando sentiu o odor procurado se findar ali. Já estava escuro, demorara algumas horas para chegar até ali ainda que tivesse corrido como nunca havia corrido antes, e tinha que confessar, nunca pareceu correr tão rápido, seu corpo parecia mais leve do que o normal, mas seu cansaço era inevitável ainda que pouco. Olhou para a cachoeira pequena próxima, o local rodeado de árvores deixava um pequeno espaço de vegetação rasteiras nas laterais da nascente alta e ao lado desta havia uma abertura quase oval, uma gruta ou uma caverna comum... e o cheiro parecia ser mais forte dali.
–Ei! – chamou, sua fera queria invadir logo o local e caçar o dono do cheiro, mas sua mente ainda receava em atender suas vontades, tinha que lutar contra o feitiço, não tinha? Não podia se deixar dominar pela magia de um ser estranho tão fácil daquele jeito.
Sentiu-se eriçar por completo quando a figura loira apareceu na entrada da gruta. Reita sorria, e vestia apenas a parte debaixo de seu kimono, mostrando não só os braços, mas o peito completamente desnudo, estava descalços e ainda matinha a estranha faixa negra sobre o nariz. Os braços cruzados e um sorriso no rosto ao encostar as costas na pedra úmida, os cabelos loiros meio bagunçados e o indicador da mão esquerda se ergueu, mostrando a linha pequena rubra nele.
–Realmente, qualquer ferida, certo? – o ameniano sorriu – estava com saudades meu pequeno.
Ruki quis xingá-lo e estripá-lo por chamá-lo daquele jeito e tratá-lo daquela forma... como se fosse seu, como se tivesse corrido sem parar durante horas só porque queria vê-lo... “Maldito”.
E ainda assim não conseguiu impedir seu corpo de saltar para a frente do loiro maior e seus olhos e olfato serem quase hipnotizados pela ferida vermelha no dedo do outro.
–Idiota! – vociferou, mesmo que sua pequena mão tenha ido de encontro aos dedos esquerdos erguidos e sua língua tenha sido voluntária ao se projetar para fora e tocar o líquido carmim que saía dali, logo estava colocando o indicador para dentro de sua boca e sugando o sangue dispensável... não agüentou muito tempo, sua fera rugiu novamente, dessa vez ele não conteve. Suas garras e caninos pareceram crescer e se afiarem e os olhos se abriram para revelar as íris maiores e ovais e a tonalidade amarelada delas.
Reita, que já se sentia aquecer com a ousada carícia do menor, não se segurou, estava louco por aquilo desde que colocara os olhos nos orbes esbranquiçados do pequeno, e finalmente o marcaria como seu... para sempre. Levou a mão livre para a nuca do hibrido, puxando os fios loiros e desgrenhados com uma força controlada, apenas para retirar aquela boca úmida e manhosa de seu dedo, viu os orbes amarelados o fitarem em um estreitar raivoso e sabia que de algum modo o pequeno ficava mais maleável, porém mais perigoso daquele modo. Entretanto... não estava com paciência para esperar mais. Tomou a boca de caninos afiados na sua, enroscando sua língua na alheia e misturando suas salivas, sentindo seu músculo úmido se ferir levemente pelo contato com os dentes pontiagudos.
Ao sentir novamente o gosto de sangue, o pequeno, em uma repetição antiga, voltou a fincar suas garras por cima dos ombros alheios, escalando-lhe o corpo como se fosse realmente uma raposinha a subir pelo corpo de seu dono, prendendo os pés atrás das costas do outro e fazendo com que sua cabeça ficasse levemente mais alta do que a do ameniano, sugando a língua ferida com vontade e, por sentir-se aquecer, iniciando um roçar voluntário contra o abdômen nu do maior.
Era demais para Akira suportar, agarrou as mãos com vontade nas nádegas cobertas do pequeno, não ligando para a dor das garras deste em suas costas... gostava do seu chibi arisco... e era época de calor, nada mais importava a não ser estar no interior quente de seu companheiro. E foi com tal desejo que se virou, imprensando o menor contra a pedra úmida, puxando seu quadril um pouco para baixo para que pudesse se roçar contra sua ereção já pulsante, esfregando-se sem pudor contra o meio youkai faminto que parecia não se saciar de servir-se de sua língua e saliva. As marcas vermelhas em cada lado do braço há muito já haviam surgido, anunciando além da excitação o momento decisivo e fora ao não recriminar nem um pouco as vontades primitivas de seu shaman que Reita subiu seus dedos de modo ríspidos, não achando necessário nem ao menos desfazer o laço da calça do kimono do menor e puxando o tecido para baixo, revelando o começo da bunda alva e lisa. Embrenhou os dígitos por dentro do pano e apertou os músculos entre suas palmas, obrigando o pequeno a lhe libertar a boca para soltar um grunhido rouco de prazer.
Aproveitou a brecha para atacar a tez do pescoço fino e pequeno, marcando, beijando e mordendo o que conseguisse, não parando por sequer um segundo de se friccionar no outro e apalpa-lhe os glúteos modestos e macios.
–HUn... – ouviu um gemidinho mais alto do pequeno e sorriu satisfeito ao ver que as garras em suas costas cederam um pouco, as pernas do menor se descruzaram levemente e ele se aproveitou disso para imprensar seu peito nu com mais força contra o corpo pequeno, usando isso como apoio para que puxasse as calças deste para fora de seu corpo com ambas as mãos em um movimento rápido e brusco, desnudando-lhe a parte de baixo por completo. Segurou em suas coxas com a mesma rapidez, prendendo as pernas novamente em sua cintura e voltando a atacar a boca de dentes afiados, mas dessa vez o desencostou da rocha úmida e o carregou para dentro da alcova estranhamente seca e aquecida por uma pequena fogueira de chamas vermelhas.
Um futon pequeno parecia ter sido colocado ali perto estrategicamente por certo ameniano enfaixado que jamais escondera suas intenções ao fazer aquele convite, e quem diria que seria tão fácil daquele jeito ter o seu chibi se agarrando em si. Até retirara parte de sua roupa para dar um incentivo a mais... fora desnecessário, mas não totalmente inútil, menos trabalho e menos panos a impedir o contato com a pele macia e branca de seu pequeno.
Se colocou se joelhos antes de repousar as costas do hibrido no futon. Este não quis se desgrudar de si, fincando as garras novamente, abrindo mais as feridas já presentes.
–Au... – Reita resmungou baixinho, como pensava, seu pequeno era mesmo muito arisco, principalmente quando estava daquele jeito. Mas fora ao usar as mãos para abrir a amarra da parte de cima de sua vestimenta e daquela peça branca dentro desta que pode sentir mais da pele do pequeno, aproveitando o peito nu para levar os dentes até o mamilo direito, mordiscando-o levemente, lambendo-o e sugando-o logo em seguida.
–Ah! – Ruki gemeu ao cerrar os olhos com força, as garras se desprendendo das feridas em carne viva das costas do maior e se jogando ao lado de sua cabeça, o sangue carmim tingindo parte do material acolchoado. Porém não demorou muito para que este levasse suas garras à boca, não querendo desperdiçar nada do líquido vermelho enquanto se deliciava com a língua alheia lhe percorrendo a barriga. O músculo pequeno e rosado lambia com satisfação seus próprios dedos e as pernas pequenas se dobraram e se abriram em um pedido mudo para que a boca que se servia agora do seu umbigo se abaixasse mais e acalmasse o falo rígido e gotejante do menor.
Akira ergueu os olhos e a visão do meio youkai degustando as próprias garras sujas de sangue fez seu membro estremecer dentro de sua roupa. Se colocou de joelhos de uma vez, os orbes amarelados do menor estreitando-se para si em desagrado, mas mudando para um olhar interessado ao ver o maior abaixar seu traje, liberando a ereção avantajada e dura. Reita planejava livrar-se da roupa toda, mas antes que pudesse começar a passar o tecido por seus joelhos o pequeno grunhira rouco e também se erguera, mas colocando-se de quatro ao espalmar as mãos no futon. Entretanto a posição durou pouco já que as garras subiram para seu quadril, se fincando ali minimamente, enquanto a boca pequena de caninos modestos e pontiagudos se abria, a língua diminuta descendo do meio de seu tórax, passando por seu umbigo e finalmente saboreando a extensão de seu membro.
Para Reita parecia inacreditável que o menor estivesse fazendo aquilo sem pestanejar e logo na primeira vez deles, mas fora ao sentir a dor fina em sua glande que percebera que para aquele estado do hibrido a única coisa que interessava ali era o fato de seu falo ser a aglomeração de sangue mais vistosa de seu corpo naquele momento, já que os caninos perfuraram de leve a cabeça de seu membro e começara a sugar o líquido dali. Não que aquilo não fosse delicioso, até porque seu chibi parecia inconscientemente se mostrar um mestre naquilo ao enfiar mais de seu falo em sua boca e por vezes passar a língua na intenção de não perder nenhuma gota de seu sangue. Mas já estava a tempo de mais naquilo, queria de uma vez por todas o marcar, e teria que ser naquele momento.
–Está bom, chibi... – arfou entre sua respiração difícil, puxando a cabeça loira pelos fios claros, ouvindo algo que se assemelhava a um rugido curto de algum bichinho em protesto. Não deu tempo para que o meio youkai reagisse, enfiou-lhe dois dedos na boca, cortando-os nos caninos afiados, sabendo que o menor os umedeceria de bom grado assim que sentisse o gosto do líquido rubro. Dito e feito, o pequeno o obedecera fielmente ao projetar o corpinho pequeno e quase nu – com exceção da parte superior da roupa aberta – para trás, deitando-o novamente no acolchoado. Movimentou deus dígitos mais para o fundo da garganta de seu chibi e recolheu qualquer saliva que pudesse existir ali, retirando-os com pressa da cavidade e ocupando-a com sua língua antes que o pequeno reclamasse.
Desceu os dedos lubrificados até a entrada exposta do menor deitado de joelhos erguidos e pernas abertas, se encaixou entre elas mas manteve certa distância entre seus corpos para que os dígitos tivessem total liberdade e espaço quando se enfiaram juntos e em uma estocada para dentro do botão rosado e virgem.
–Grummm... – Ruki urgiu em incômodo e levou as unhas afiadas para as laterais dos braços do maior, marcando ali com riscos vermelhos, por sorte não acertando os símbolos gêmeos deste localizados mais acima. Reita admitiu que não tinha sido muito cuidadoso, mas seu pequeno teria que perdoá-lo, estava desesperado demais por consumar aquilo para controlar-se por muito mais tempo. Por isso o fez, começou a movimentar os dedos em um vai vem intenso, abrindo-os em tesoura para alargar um pouco o orifício pequeno e apertado. Beijou os lábios que hora reclamavam em um gemido mudo, hora aprovavam em um grunhido audível e fora ao senti-lo acostumado com aquilo que retirou os dígitos, recebendo mais protestos e as garras se enfiando mais em sua carne do braço.
–Calma, chibi, isso é mais divertido... – sorriu meio torto pela dor e encaixou a glande na entradinha lubrificada do menor, procurando seus olhos pela confirmação que queria, mas encontrando as safiras amarelas estreitadas para si... seu pequeno não estava em total controle e lucidez... não queria que fosse daquele jeito – Ruki... – chamou em uma voz quase implorativa, selando sua boca de maneira rápida na do outro – Ruki... meu pequeno... me diga que é você aqui comigo – pediu novamente – Ruki... meu amor...por favor...
E como para que atender ao pedido do maior as pálpebras se cerraram, revelando os orbes brancos de pontos negros quando voltaram a se abrir, as garras diminuindo levemente e o caninos seguindo o mesmo rumo, não mais se pronunciando para fora da boca delicada. O Matsumoto respirava de modo arfado e seu corpo todo queimava enquanto olhava os olhos escuros acima de si e se dava conta da situação em que estava.
–Você me aceita? – Reita perguntou em um sussurro contra os lábios inchados e lambuzados pelos beijos vorazes de antes do outro.
Ruki respirou por dois segundos, piscando os olhos algumas vezes antes de sentir o hálito quente do maior... só podia ser algum feitiço, mas...
–Sim – sibilou em uma voz rouca e quase inaudível.
Reita sorriu e projetou o quadril para a frente, penetrando a carne de seu pequeno em apenas uma estocada e os acontecimentos seguintes abafaram o gemido rouco e alto do hibrido. As marcas vermelhas em seus braços reluziram em um rubro translúcido e seus olhos se tornaram completamente brancos quando um vento leve pareceu rodear o casal de corpos conectados. A mão direita se moveu até o peito do meio youkai enquanto este ainda voltava de seu urro pela penetração e fora ali que Akira pousara sua palma, beijando os lábios já quase cerrados do pequeno mais uma vez. Um calor anormal invadiu o corpo do hibrido raposa e uma respiração funda pareceu espalhar toda a sensação prazerosa por sua corrente sanguínea, se concentrando eu seu peito, do lado esquerdo. A mão do maior se retirou do local e a brisa cessou, revelando um desenho de coloração negra, em um enrolar estranho de algo que se assemelhava um risco central com duas espirais em torno. A marca era média, mas bem vistosa na pele alva e então o tempo pareceu voltar a passar normalmente.
–Hum... – o gemido saiu abafado pelos lábios do maior nos seus e suas mãos pararam de machucar os braços do outro, uma se colocando na nuca deste, enquanto sentia os dedos alheios se segurarem as coxas, flexionando suas pernas gentilmente em direção ao seu tórax, a outra repousou um pouco mais acima, ambas puxando os fios longos – AAH! – gemeu, fechando os olhos e projetando a cabeça para trás quando sentiu o membro deslizar para fora quase que completamente e voltar a lhe abrir espaço por dentro em uma estocada forte, e então se repetiu e repetiu, aumentando a velocidade gradativamente.
Os corpos se chocavam de maneira frenética, e as bocas se lambuzavam uma com a saliva da outra. Ruki arranhava as costas do maior a todo instante que sentia seu fundo ser alcançado e Reita arranhava-lhe as coxas e a cintura toda vez que o fazia, não se decidindo onde tocava ou onde pegava, parecendo apenas desejar tocar e apalpar todo o corpo do companheiro onde quer que conseguisse.
Os lábios se separaram por necessidade de oxigênio, ainda que seus quadris não tivessem parado, Ruki enlaçou as pernas atrás da lombar de Akira e o maior levou sua mão direita ao queixo pequeno do amado, forçando os orbes brancos de pontos negros, meios desfocados pelo prazer, encararem seus olhos.
E foi naquela comunicação muda e confusa e um último beijo de olhos abertos que ambos chegaram ao seu ápice, os gemidos sendo abafados pelo selo forte de suas bocas, os quadris parando de se moverem em um ritmo lento, como se quisessem prolongar aquela sensação letárgica que era estarem daquele modo, se afundando em seus corpos e em seus olhos daquela maneira. E então quando já não havia mais movimento algum, suas pálpebras voltaram a se cerrar e o beijo se iniciou de verdade, lento e gentil, mas profundo.
Akira retirou seu falo já adormecido de dentro do companheiro, ainda que pudesse passar o dia todo, ou a vida inteira, ali, e se deitou de lado no futon estreito, puxando seu pequeno para também se deitar assim, mas de frente para si. Os dois ficaram alguns minutos desta maneira, apenas se olhando. Ruki tentando entender o que havia se passado enquanto o maior parecia fascinado com sua marca no lado esquerdo do peito branco e reto do companheiro... se perguntava por que seu shaman tinha escolhido aquele lugar, mas já tinha uma idéia do motivo.
–Meu pequeno? – chamou, tocando as pontas de seus narizes gentilmente enquanto sentia que o selo que fizera para que o fogo se mantivesse acesso logo acabaria, mas não importava... haveria calor demais naquela caverna aquela noite... – vamos de novo? – ...afinal era época de calor.
Notas finais
Espero q as coisas estejam s clareando e sinceramente torço para o lemon ter ficado a altura do casal... por isso, deixe seus comentários bebies, por favor? Eles são o meu elixir pra continuar agora....
Obrigada a todos reviews lindos... mesmo, mesmo, Vijukei só continua por vcs amores!
beijoooooooooooooooooo
Azumi-chan:Ownt então depois desse cap enooorme minha flor merece um review no???Please please *-*
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