Vijukei No Monogatari

27 Capítulo 21 – O Inicio de uma Nova Era – parte 2


Notas iniciais
Oooooooooooooooooiiiiiiiiiiii
Olha que legal, postando no meio da semana... vcs deveriam me amar.... * le tentando abrandar as coisas antes do cap*
Vcs me deixaram tão feliz com as reviews q eu me senti inspirada a escrever.... seu lindos
Vcs me amam, lembrem-se disso ao ler ok? =]
Betado pela Lissa-san pq eu quero dar uma folga pra Azumi que precisa estudar pra facul!
Azumi-chan:Então revisei novamente e corrigi errinhos -qqq.Betadinho mais uma vez.Boa leitura anjinhos ^^

Capítulo 21 – O Inicio de uma Nova Era – parte 2


Um vento gelado rodeou todo o local e o moreno tão esperançoso lembrou-se de retirar o tecido que cobria seu rosto para falar com o ameniano, afinal precisava demonstrar suas intenções e esconder a marca deste em si não era uma delas.


–Eu... — o general shiroyamiano iniciou, se adiantando dois passos para a direção do pálido Takashima, parando sua investida quando este recuou um passo para trás – eu...


–Veio oferecer aliança e falar sobre nosso filho, eu sei, Ryou já nos avisou disso – Kouyou interrompeu em um tom rouco e profundo, diferente da melodiosa voz e compassada que sempre usara e foi neste momento que toda a pulsação do general se congelou e sua afobação voltou a si... O sorriso no rosto do ameniano não era seu sorriso gentil de antes... Aquilo era... Cinismo?


–Você tem que me escutar Kouyou... — Aoi inflou o peito ao perceber que o outro parecia zombar de si.


–Eu tenho? — Uruha voltou a cortá-lo, um inédito puxar de lado dos lábios e agora sim o sorriso cínico havia se tornado zombeteiro, de um modo irônico.


O Shiroyama respirou fundo, tentando não se desesperar e muito menos perder a paciência, Kouyou já não era mais o mesmo de quando o tivera nos braços... deveria ser mais esperto e tentar uma abordagem diferente.


–Por favor, Kou... — abrandou o olhar e mirou os orbes rubros do maior — .. Eu sinto mais do que possa imaginar por tudo que aconteceu, peço perdão pela minha parcela de culpa nisso e quero tentar remediar um pouco do mal que te fiz, então... Aceite a minha ajuda, me deixe ficar ao seu lado e te acompanhar durante sua gravidez... Não tire tudo de mim, Kou, não me tire Maya, não me tire você e não me tire o direito de criar o meu filho... — suas palavras morreram quando a gargalhada do ameniano chegou a sua audição e em reflexo seu cenho se franziu... o que diabos tinha acontecido com ele? Como alguém poderia mudar tanto assim? Seu Uruha jamais iria gargalhar de sua declaração daquele jeito.



–Esse não é você Aoi... — Kouyou vociferou assim que seu riso se conteve, a expressão se fechando o olhar sério e mórbido de boneca lhe tomando a face — … tão submisso e implorativo... Com certeza isso não é do seu feitio...



–Eu estou sendo sincero, poderia não zombar? Faz tempo desde que me permiti ser tão ridiculamente emocional desse modo – o general reclamou em uma indecisão de frustração e ultraje, seu orgulho ainda queria urgir para não aceitar aquele desdém, mas os punhos cerrados mostravam o quanto estava lutando contra seu próprio gênio para não estragar tudo... Não haveria outra chance, sabia que não haveria... — acredite em mim... Eu...


–Esses homens são a sua guarda pessoal? — o ameniano o interrompeu, passando ao seu lado e indicando os quinze soldados que compunham sua guarda a poucos metros de si – confiáveis não?


Aoi se virou e estreitou o olhar, o que o outro queria com aquela mudança de assunto?


–O que quer Uruha? — rugiu entre dentes, frustrado por ter sido completamente ignorado.


–Aqueles mais atrás... é o que planeja nos oferecer como apoio? — o lider ameniano continuou, voltando a ignorar as perguntas de general — … são quantos? Quatro mil? Cinco mil?


–Cinco mil... — Aoi decidiu responder, se o outro queria tratar de negócios que fosse, ao menos teria alguma chance de tentar se aproximar — … inicialmente, todos os meus homens são fieis ao meu comando, a maioria do exército shiroyamiano não ousará ir contra mim, com exceção dos pelotões especiais de Kai e de meu pai...


–Hun... — Kouyou murmurou em falso interesse — … seus soldados te admiram muito, não é? Acreditam muito em seu comando… o que aconteceria se o grande Aoi e seus soldados fossem ridiculamente derrotados por apenas um homem? — Uruha questionou em um sorriso fino e fechado ao se virar novamente para o moreno.


–O que pretende? — Aoi franziu o cenho, de repente seu ser orgulhoso e imponência já não suportavam mais serem feitos de idiota.


–Esse homem seria temido? Se tornaria uma lenda? — o Takashima o ignorou – você seria desacreditado como general? Seus homens ainda o respeitariam e o obedeceriam?


–Não entendo aonde você quer chegar – Aoi balançou a cabeça em negação – estou aqui, Kouyou, maldição, estou aqui me humilhando para te fazer entender que eu não planejei nada contra seu povo e que a única coisa que quero e ficar ao seu lado... — o tom de voz começou a se aumentar em nervosismo.


–Oh... Por que eu deveria acreditar? — Uruha rugiu de volta ainda em seu sorriso cínico.



–PORQUE EU AMO VOCÊ – o grito do general ecoou pela ventania leve do inicio da noite e até mesmo o sorriso do Kouyou se fechou, os olhos vermelhos surpresos e um estremecer estranho pelo corpo... Seu coração se apertou e ele só queria conseguir usar o estresse da pré-véspera de calor novamente... Aoi acabara de deixar tudo mais difícil – não era isso que sempre quis ouvir? Não foi por isso que colocou essa marca em mim? Já não sabia desde o começo que eu te amava ainda que eu jamais admitisse? — Yuu continuara, ousando avançar em direção ao ameniano, tomando as mãos alvas nas suas... Aquela seria sua última humilhação... — … por que não quer acreditar? Por que não acredita se você sempre soube? Quer que eu diga para todo mundo? Eu grito novamente se quiser, é isso que você quer? Que merda você quer pra acreditar em mim?



O Olhar de Kouyou fraquejou por um mísero segundo, a íris olhando por cima do ombro do companheiro e encontrando o olhar choroso de Reita e Miku para si, repousando novamente nos onixes negros do homem que amaria pelo o resto de sua miserável vida... “Tarde demais...”



Uruha passou os braços por cima dos ombros do moreno, o trazendo para um abraço repentino, arfando o cheiro dos cabelos negros deste e sentindo a forma das costas em suas mãos... O general nem ao menos vestira uma armadura para vir falar consigo... “Por que teve que escolher ser idiota justamente agora?”... só iria aumentar ainda mais a dor que não queria estar sentindo...


A guarda de Aoi se retesou, segurando suas espadas em punho, mas não ousou avançar sem uma ordem de seu general. Reita do outro lado ameaçou se mover, mas Miku segurou seu punho e os olhares tristes se chocaram.



–Ele não vai parar... — Akira sussurrou para o pequeno neko ao seu lado.


–A escolha é dele, é o companheiro dele, as decisões são dele... — Miku ditou em uma voz triste e melancólica.


–Do que estão falando? — Ryou questionou, um pouco mais a frente dos dois amenianos, ainda dentro da barreira – isso não é bom? O que planejam? O que vão fazer? — se adiantou para o menor.


–Fique quieto e assista – Miku franziu o cenho e tirou a mão do soldado de si, ainda que lhe doesse ter que tomar aquela atitude – você será libertado assim que chegar a hora – ditou ao virá-lo de costas para si, lágrimas ameaçando transbordar de seus olhos e num fraquejo se apoiara nas costas do maior shiroyamiano – desculpe...



Ryou voltou os olhos para as duas figuras que compartilhavam um abraço do lado de fora da barreira, o olhar confuso e receoso... O que deveria fazer?



–Yuu... Quer sentir nosso filho? — o sussurro falsamente doce chegou aos ouvidos do moreno, que não fora capaz de identificar a falta de sinceridade nele. O cheiro do maior lhe inebriando, o toque dos tecidos e pele do outro em si... Bobamente agradecera por não ter colocado armadura como uma forma de demonstrar sua sincera intenção em conversar, não poderia senti-lo tão bem se tivesse colocado-a.



Aoi desfez o enlace das mãos atrás das costas delgadas do ameniano, deslizando os dedos com devoção pela cintura deste até repousá-los sobre o ventre coberto apenas pelo tecido fino do traje negro do companheiro, sentindo um leve inchaço ali...

Não existia mundo, não havia milhares de pessoas os olhando, havia apenas ele, seu Kouyou e o inicio de vida dentro do ventre deste... Seu filho... Seu sangue...



Um sorriso amplo se abriu nos lábios fartos do moreno e este se permitiu roçar a bochecha marcada pela orelha coberta pelos fios negros do maior antes de lhe sussurrar qualquer coisa.



–Ele vai ser lindo e forte... — falou em um suspiro, ainda acariciando com cuidado a pequena protuberância da barriga alheia — … como você...



Kouyou cerrou os olhos, impedindo o choro de nublá-los. Uma rápida ilusão da vida com a qual sempre sonhou... Um companheiro carinhoso que o amasse, um filho lindo e bondoso... Cozinhar para eles todos os dias, fazer amor todas as noites... Brincar... Visitar os amigos... Seu pai mimaria o neto e Reita o ensinaria a brincar na mata enquanto ele teria que todos os dias dar banho em seu pequeno para tirar toda a lama da floresta, Yuu provavelmente brigaria com Reita e disputaria a atenção de seu pequeno com o “tio Rei-chan”... Maya ajudaria o irmão nas travessuras e Aoi brigaria com os dois, mas os abraçaria e os beijaria depois... Todos seriam felizes... A vida seria feliz...



Mas seu sonho era falho... Irreal... Utópico... Seu sonho se passava em Akai Ame... E esta já não existia mais... Nada existia mais e aquilo nunca fora possível para si... Era apenas um sonho... Que jamais iria se realizar...



–Sim... Ele vai ser lindo... – cochichou de volta, as mãos deslizando pelos ombros do moreno, enlaçando-o no que parecia um abraço mais apertado, os dedos tocando a coluna por cima do kimono negro do outro... Seu shaman urgindo com um pedido, implorando... Ele sabia que estariam se condenando ao abismo... Ainda assim Kouyou o barrou, o cenho se franziu, os orbes vermelhos brilharam vívidos quando abertos e as duas espadas médias se materializaram lentamente em suas mãos — ... Lindo e forte...


Ryou ao notar as armas nas mãos do ameniano se adiantou para se soltar, Miku não o impediu, mas sabia que o soldado jamais chegaria a tempo. A guarda do general não conseguia enxergar as lâminas próximas a este por estarem no lado oposto, mas ao verem Ryou correr souberam que algo estaria errado, se adiantando em uma corrida semelhante ao do recente comandante.


–... Mas você não irá vê-lo nascer, Yuu... – Kouyou finalizou sua fala de um modo duro e sombrio. Os olhos negros do moreno se alarmaram dois segundos antes de sentir as espadas serem enfiadas em sua coluna. Uma pulsação alta, uma dor não vocalizada e então não sentia mais suas pernas, apenas as lâminas sendo puxadas para o lado, rasgando sua pele e músculos pelo caminho até sair nas laterais de sua cintura.


O sangue começou a cair no solo incerto de terra e lama, primeiro alguns pingos e então um fluxo intenso já formava uma pequena poça. O corpo moreno fraquejou para trás, os olhos negros encarando os vermelhos em uma única pergunta não compreendida.


–Kou...- um murmuro saiu de sua garganta, os dedos se apertando à roupa do ventre do outro em um último desejo e reflexo, tentando lutar contra a inevitável queda -... Kou...


E então seus dígitos e corpo não suportaram mais. Aoi despencou ao chão, as costas batendo contra o solo e a poça de sangue ao seu redor se tornando mais densa. A visão se turvou e procurou aquele que havia lhe atingido, encontrando os mesmo orbes vermelhos ainda a lhe encarar. Então ele simplesmente desapareceu de suas vista, restando somente o céu escurecido.


Kouyou se impulsionou para trás e em um segundo saltava para o meio do exército de soldados shiroyamianos enquanto a guarda do general chegava ao superior caído, não demorou em se agachar ao chão e deixar ali um selo. Não houve tempo para que o exército viesse a si, em um segundo fechara seus olhos e junto com a ventania que o rodeou, suas marcas vermelhas brilharam e um domo translúcido em negro era erguido ao redor dos cinco mil soldados de Shiroyama devido às marcações no perímetro de cerco destes que nem ao menos haviam percebido estarem lá.


O brilho vermelho e os fios negros ao vento sumiram em um vulto, no segundo seguinte o rápido e aterrorizante líder ameniano já estava fora da recente barreira, entre os shiroyamiano prisioneiros e a guarda do general que se dedicava a tentar socorrê-lo.


–Você sempre disse que há honra em olhar nos olhos de seus oponentes e poder dizer exatamente para eles quem os matou, Yuu... – a voz rouca e alta do ameniano chamou a atenção dos soldados próximos ao corpo de Aoi e daqueles atrás si, presos pelo domo, também – ...então... Olhem... – deu uma volta lenta em torno de si, abrindo os braços e encarando cada soldado preso atrás de si — ... Esse é o rosto do causador de suas mortes...


Os braços abertos se fecharam e as palmas das mãos se chocaram em um estrondo mudo, a ventania do local se tornou tempestuosa, mas o que ocorrera dentro do domo translúcido fora o motivo dos olhos surpresos da guarda shiroyamiana, de Ryou e principalmente dos olhos quase desfocados do general caído ao chão, tendo sua cabeça segurada por seu recente comandante.


Os samurais presos tentaram se jogar contra as paredes invisíveis quando o vento ali dentro se tornara cortante e começara a lhe abrir feridas por todo o corpo, mas de nada adiantava e logo as rajadas pareceram se tornar um violento tufão, tragando todos aqueles em seu caminho dentro do perímetro do grande domo.


Gritos, sangue e pedaços, a concentração de ventos cortantes tomou todo o espaço dentro da barreira, tingindo-a de vermelho, até finalmente Uruha separar suas mãos e deixá-las cair ao lado do corpo. O rosto coberto pelos fios negros ao se despencar um pouco para baixo e através das costas inabaláveis do ameniano,Yuu viu a imagem mais grotesca que já mirara, pior até mesmo do que quando enfrentara o exército ameniano quinze anos antes.


O vento se acalmou, e do alto despencaram pedaços humanos ao chão, fazendo um amontoado de membros e órgãos no centro da barreira tingida de carmim. As paredes destas foram se abaixando, sendo notada até mesmo pelos olhos humanos ali quando já não viam mais os jatos rubros de sangue pitando algo que parecia invisível.


Os soldados da guarda de Shiroyama sentiram suas mãos em suas espadas fraquejarem e o modo lhes tomar quando o ameniano voltou a girar lentamente em torne de seu próprio eixo, fixando os orbes vermelhos em si.


–Não precisam se tremerem de medo... – Uruha ditou, um tom sinistramente rouco e mórbido — ... Vou deixá-los vivos, para avisarem para Yuuto e seus parceiros de batalha que nem mesmo milhares de vocês são páreos para um de nós, nem mesmo o grande Aoi, tão genial em batalhas... Não nos subestimem e não tentem nos enganar com promessas de alianças que sabemos serem tão honradas e confiáveis quanto aquela que Shiroyama propôs ao meu povo antes de ajudar um bruxo a massacrá-los sem misericórdia – o cenho se franziu e o ameniano sentia seu íntimo urgindo em histeria... Seu peito doía. Ele não queria aquela dor, não queria nada daquilo... Não iria sentir nada daquilo.


Caminhou lento em direção que aparentemente seria de volta ao corpo semi-consciente do general ao chão, fazendo os soldados deste gelarem e ainda assim assumirem posição defensiva. Mas Kouyou apenas passou direto por eles, notando rapidamente o olhar fechado do soldado que tinha o mesmo nome de seu pai e que antes poderia chamar de amigo. Não se importou, mirou a frente, onde Miku e Reita mantinhas seus olhos no chão e Kazuki lhe sorria em encorajamento enquanto um Manabu mais ao lado parecia surpreso com tudo que assistira.


–Dêem o aviso: não nos subestimem... – continuou a falar assim que adentrara a barreira — ... Yuuto tem adversários a altura aqui, se ele ousar fazer qualquer coisa é melhor que saiba que estará comprando briga com pessoas que têm poder suficiente para esmagá-lo... – voltou a mirar os soldados mais a frente — ... Têm dez minutos para sumirem de nossas vistas, ou posso mudar de ideia e decidir mandar apenas suas cabeças como aviso... Se quiserem podem tentar levar os corpos de seus soldados... Ou o que restou deles, não que eu ache que seja possível, mas não nos importamos. Isso... É uma guerra.


O imponente e gelado líder terminou seu discurso, dando as costas e se dirigindo para dentro dos portões, sendo acompanhado por Reita e Miku que ainda não conseguiam levantar seus rostos. Logo Kazuki e Manabu também o seguiram, junto a seus mercenários.


Uma vez que o grande portão se fechou o dono de Gather Roses se aproximou do ameniano de forma estranhamente respeitosa.


–Um ótimo espetáculo que com certeza terá o efeito pretendido... – Kazuki cumprimentou em um sorriso discreto — ... Não esperaria menos de nosso líder, mas... Deixar Aoi-san vivo... Não estava nos planos.


–Ele não vai sobreviver – Uruha respondeu em uma voz que não parecia se importar.


–Não era melhor ter certeza? – Kazuki contestou.


–Não quero ter que explicar para o meu filho que fui aquele a tirar a vida de seu pai – Kouyou voltou a rebater — ... Yuu ficará a sua própria sorte, ao menos poderei dizer que deixei uma chance para que ele se salvasse... Não foi assim que Omi-sama fez? Aprendamos com os imortais então... – e ao dizer tais palavras os olhos vermelhos fitaram a sacerdotisa Oboru mais a frente, que lhe dedicava um olhar nada satisfeito.


–Todos já estão de acordo com tudo? – Uruha questionou ao homem de yukata elegante e olhar intencionado ao seu lado.


–Nao-san e Hiroto-san não ofereceram objeção, contanto que lhes seja assegurado posto em seu conselho de auxílio – Kazuki assentiu — ... Byou... Ele pode oferecer alguma resistência a sua coroação e liderança, mas terá que engoli-las...


–Muito bem... – Uruha arfou inconscientemente — ... Cuido dele assim que o calor terminar, até lá você o mantém sob controle...


–Oh!... Nem mesmo Ogata-san faleceu e já está começando a dar ordens? – Kazuki provocou em um sorriso surpreso.


–Não irei mais deixar que outros tomem decisões em meu lugar... – o ameniano ditou ao se virar em uma expressão séria para o ex-cortesão — ... Ninguém mais vai usar o que resta do meu povo como ferramenta e sem nós... Vocês são apenas um bando de humanos e mercenários drogados sem chance alguma contra Yuuto...


–Eu não estava oferecendo resistência, meu senhor... – Kazuki sorriu em concordância, surpreendendo o ameniano por se referir a ele daquela forma — ... Estava apenas ressaltando o quão confortável e bem encaixado parece estar em seu novo cargo... Sem dúvida o melhor indicado para nos liderar em tempos como esse – o ex-cortesão finalizou ao se abaixar levemente em uma reverência rápida.


Os orbes vermelhos se atrapalharam rapidamente ao olharem para os lados, desorientados... O ar parecia querer lhe sufocar de dentro para fora... Não lhe parecia certo... De alguma maneira nada parecia certo... Mas tinha que ser, tinha que se convencer completamente disso... “Esse é o certo... isso é o certo...”.


–Não ouse atrapalhar nenhum ameniano nos próximos três dias de calor – Uruha ordenou em uma mudança de assunto — ... Qualquer movimentação suspeita será tida como traição e é melhor para todos vocês que não tenham que lidar com nosso descontrole... Enquanto Ogata-san ainda vive não reclamarei o trono e respeitarei sua condição.


–Muitos já o declaram o novo líder... A população de Ogata parece obedecer aquele que lhe parece mais forte... – Kazuki sorriu em concordância – algum complexo em relação há anos como “perdedores” talvez?


–Não me importo – o ameniano ditou ao continuar seu caminho — ... Eu serei um bom líder para todos sem exceção, Kazuki-san, tenho certeza de que sabe disso... Mas não ousem tentar se aproveitarem dos vestígios de minha bondade... Ou posso decidir acabar com ela de uma vez por todas.


–Sim, sim... – Kazuki assentiu — ... Deseja que eu separe alguns de meus Kagemas para sua época de calor? Gather Roses está em alojamentos improvisados até cercarmos Vegas completamente e organizarmos toda essa gente nos territórios que nos pertencem, mas posso garantir que a qualidade de minha casa não decaiu em nada...


–Não, obrigado – Uruha se adiantou em interrompê-lo, já se aproximando do prédio ameniano dentro da humilde, para padrões de Hana e Shiroyama, cidade de Ogata — ... Eu não preciso.


–Ah! Sim... – Kazuki assentiu – tem certeza? Devo ter um que possa lhe agradar...


–Eu já disse que não quero – Uruha rugiu e se virou para o ex-cortesão, mirando este levantar os braços em rendição e compreensão.


Kouyou respirou fundo e marchou a distância que faltava entre si e o prédio tradicional feito de alguma madeira barata e pouco decorado. O qual Ogata parecia poder oferecer de melhor a sua nobreza, até mesmo as residências da família Ogata não eram muito diferente daquilo. Tinha que dar um jeito em toda aquela pobreza... Não iria liderar mortos de fome contra Yuuto... A população de Vegas não era as mais confiáveis, os meio youkais de Jin seriam se este não fosse completamente fiel a Byou... E o exército de Byou não era confiável nem pra ele mesmo... Kazuki tinha algum interesse em vê-lo como líder, então poderia contar com o apoio dele por enquanto... Mas...


Adentrou sua acomodação e fechou a porta atrás de si.


Uma respiração pausada... Tinha que dar um jeito naquela dor em seu peito.


–Uruha? – a voz fina veio do escuro de seu quarto e o ameniano deslizou o olhar para a pequena Maya deitada em seu futon, esfregando os olhos em sono — ... Você demorou... Lovu-chan também queria saber do Reita...


–Fomos cuidar de assuntos de gente grande, daminha – A face desenhou um sorriso calmo completamente forçado e fingido para a pequena... Mentiras... Aquele é o jeito certo de se viver agora — ... Lovu-chan já foi?


–Uhun... Ruki-san disse que ela tinha que tomar banho – a princesinha assentiu, se colocando de pé, os olhinhos curiosos se alarmando – Uruha... Sua roupa... Está machucado? – Maya se apressou em ir até o maior, apontando os pingos rubros no traje negro... Como a pequena sabia que aquilo era sangue?

–Não, não... Reita se feriu enquanto treinávamos, mas está bem, eu só fui ajudá-lo – mentiu novamente, pegando a pequena em seu colo, abraçando-a com força... Se ela soubesse de quem realmente era aquele sangue... Não merecia aquela inocência e carinho... Mas não a daria para ninguém mais... Precisava de Maya, precisava de seu filho, precisada de Reita, de Miku... De seus guerreiros... Era a única coisa de bom ainda em si... – pode voltar a dormir, eu vou tomar um banho, sim?


–Hai... – a pequena assentiu, os orbes negros desconfiados, mas ainda assim correu de volta para o futon, voltando a se deitar – é depois de amanhã que Maya-chan, Lovu-chan e Jew-chan vamos ter que ficar com o tio Jin? – perguntou ao liberar um bocejo cansado, havia brincado muito com a nova amiguinha durante a tarde.


–Só durante as noites – Uruha assentiu em mais um sorriso forçado — ... Sabe o que fazer se ver qualquer coisa estranha, não deixe o tio Jin levar vocês para nenhum lugar.


–Sim – Maya assentiu – eu protejo Lovu-chan e Jew-chan, Maya-chan ser forte... Como Uruha...


–Sim... –Uruha assentiu em um olhar choroso, se levantando e indo em direção ao quarto de banho mais ao lado quando a vozinha da pequena lhe chamou a atenção mais uma vez.


–Alguma notícia do papai Aoi? – Maya questionou em um bocejo.


–Não... – o ex-loiro voltou a mentir.


–Estranho... Papai com certeza está demorando vir... – e então a pequena parou, voltando a se aconchegar e pegar no sono.


Uma feição sem vida se desenhou no semblante do ameniano enquanto este adentrava o humilde quarto de banho com um banho oval e pequeno. Retirou as roupas calmamente, pegando a jarra de água mais ao lado e enchendo o banho com a água de um balde ao lado deste, provavelmente deixado ali por alguns dos criados da residência do senhor Ogata... Ou talvez Kazuki tenha mandado alguém fazer isso para si... Sabendo que desejaria um banho depois do que fariam aquele final de tarde.


Assim que terminara de encher o suporte de madeira, parou um segundo olhando para a imagem refletida nas ondas da água... Seus olhos vermelhos, seus cabelos negros... Seu rosto branco, sua boca pequena... De algum modo tudo aquilo lhe parecia grotesco...


Jogou a jarra para o lado... Aquele rosto delicado e feminino... Os cabelos longos... E aquela mecha loira... Era culpa dela? Era por ela ainda estar ali que não conseguia fazer seu peito parar de se apertar?


Os dedos se apertaram em punho e em uma das mãos uma de suas lâminas voltou a se materializar. Pegou a mecha loira entre os dedos a esticou, a coloração não ia até a raiz, mas se sobressaia entre os fios negros. Passou a espada na mecha esticada, cortando a parte loira fora enquanto ainda se mirava na água do banho.


Os olhos vermelhos se franziram em fúria ao ver que a mecha em suas mãos se tornara negra e que a coloração clara parecia ter se espalhado na lateral do cabelo... Como se para lembrar que aquele resquício de humanidade em si não poderia ser arrancado. Mas o ameniano ainda assim continuou a cortar as madeixas longas uma a uma, um gruindo de ódio escapando de sua garganta enquanto os fios caiam ao chão e ele sabia que aquilo seria inútil, ainda assim continuou, se cansando por fim e passando a lâmina por seu rosto, abrindo um grande corte nele. Corte que foi rapidamente cicatrizado logo em seguida...


Uruha urgiu em raiva mais uma vez, o descontrole tomando conta de si, e sem pensar o ameniano começara a cortar seus braços e peito, os rastros de sangue sendo cicatrizados por seu shaman novamente e foi quando a ponta da lâmina chegou a sua barriga que Kouyou pareceu finalmente se dar conta do que estava fazendo. Os olhos se alarmaram e ele arremessou a lâmina para longe, esta se desintegrando antes de se chocar contra a parede.


A respiração se acelerou e o ameniano recolheu os joelhos contra o peito... O que estava querendo fazer? Que diabos ia fazer?


–Não... – sussurrou em um tom choroso, passando a mão pelo ventre inchado de modo devoto — ... Não bebê, você não tem culpa, eu... Desculpe... Desculpe... – repetia como se a vida dentro de si pudesse lhe ouvir e então não suportou mais o choro lhe tomou os olhos, as lágrimas de sangue lhe tingiram o rosto e este escondeu sua face entre os joelhos como se aquela fosse a maior vergonha do mundo.



Um corpo alvo, braços com manchas vermelhas de sangue seco, cabelos negros e curtos cortados de maneira incerta para extinguir uma única mecha loira que agora havia se espalhado por quase toda parte debaixo e lateral direita e os soluços que tentavam ser abafados, não tendo sucesso... Por que ficar naquele limite entre a possessão e a humanidade? Por que ser capaz de fazer coisas horríveis, mas sofrer por elas? Por quê?


–Yuu...


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Os orbes negros estavam escondidos pelas pálpebras morenas enquanto o corpo era carregado dentro de um coche totalmente coberto. Ryou se mantinha ao lado de seu general, e sabia que apesar de se esforçar nada do que conseguia fazer com água e ervas iria salvar seu superior que tremia compulsivamente em febre, enquanto a faixa branca ao redor da cintura desnuda do general já se tingia de vermelho novamente... O sangue parecia impossível de ser estancado.


–Como o general está? – um dos soldados montados em um dos cavalos que puxavam o coche perguntou aos demais dentro deste.


–Nada bem – Ryou respondeu – Maldição, onde está aquela equipe médica assustadora de Kai-sama quando se precisa dela?


–Se Aoi-sama morrer? Vamos ter que seguir o comando de Kai-sama? – um outro samurai mais ao canto do coche perguntou em uma feição assustada – e contra aquele cara?


–Eu não entendo, aquele Uruha não era um puto afeminado que servia de cama para Aoi-sama? Como ele pode ser tão forte? – um terceiro bradou em nervosismo.


–Vocês acham mesmo que discutir isso agora vai adiantar de algo? – Ryou bradou em raiva.


–Eu disse que era arriscado, eu falei que nenhuma mensagem que Kai-sama enviou para lá voltou – um quarto continuou e resmungar em uma respiração ofegada – Aoi-sama nos mandou para a morte... E por causa de um puto?


–Cala a boca e ajuda aqui, vamos ter que trocar as ataduras – Ryou rugiu em ordem de algum modo ainda era o comandante da guarda ali.


–Problemas – a voz de um dos condutores veio gritada do lado de fora e o coche parou repentinamente.


Ryou correu para olhar a situação ali fora quando seus olhos se alarmaram. Youkais insetos rodeavam o coche e um deles, de tamanho médio, adentrou o local assustando a meia dúzia de soldados ali dentro enquanto se dirigia ao general desacordado no meio do transporte de porte grande.


A abelha gigante pareceu analisar o corpo do líder shiroyamiano, liberando algum tipo de substância amarelada em cima deste, e o envolvendo no que parecia ser uma espécie de casulo de mel.


–Mas o que... – Ryou se adiantou para atacar o “animal” quando este virou seu ferrão para si e os dentes afiados se mostraram em sua direção.


–Yuuto mandou que os levasse de volta... Onde estão os outros? — o youkai questionou em uma voz distorcida e animalesca, fazendo os pelos dos homens ali se arrepiarem.


–Mortos... – Ryou respondeu, não se amedrontando e apertando a espada em sua mão.


–Hun... Menos trabalho então – o youkai resmungou de lado, saindo de dentro do transporte logo em seguida.


–Que merda era... – um dos soldados começou a praguejar, sendo interrompido quando o coche se movimentou e os outros soldados antes fora invadiram todos o transporte, somando quinze homens e um general abatido dentro do espaço médio.



–E-e-les.. — um do novos passageiros começou a gaguejar em assombro.


Ryou tomou a frente e espiou do lado de fora, os olhos se alarmando mais uma vez ao mirar o céu noturno tão perto. Os orbes foram para baixo e a mão se segurou inconscientemente na madeira ao lado para não cair quando percebeu estarem a muitos metros do chão. Uma cortina de pólen parecia cercar o coche e os cavalos confusos presos ao transporte enquanto os animais estranhos e demoníacos voavam ao redor deste.


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–Acredita na história de Kai-san? – Rui questionou ao bruxo que acabava de se recuperar de mais uma rodada de união carnal, mirando o teto do luxuoso quarto deste.


–Não... Mas preciso das habilidades e do respeito que Aoi-san tem dos soldados de Shiroyama – Yuuto respondeu de volta, os olhos também pregados no teto do espaçoso cômodo — ... tenho ideia do por que Aoi-san ter ido até Ogata...


–Oh... Tem? – Rui sorriu de modo charlatão, se virando de lado e alisando vulgarmente o peito desnudo de pele branca do feiticeiro. — ... Me diz?


Yuuto sorriu de lado e puxou os cabelos soltos e acobreados do monge para trás, liberando seu pescoço para o lado e mordendo ali com vontade, chegando a romper a pele e provar do sangue deste — .... E meu esperto amante já não sabe?


Rui franziu o cenho com a mordida, mas sorriu de lado.


–Ouvi certos boatos... Sobre certo ameniano e certo general... – o religioso assentiu em um tom manso, empurrando o tronco do amante contra o colchão, colocando-se entre as pernas deste — ... Os soldados de Shiroyama falam mais do que pensei... Acha que ele aceitará lhe obedecer? Até onde penso, provavelmente tenha ido oferecer aliança à resistência...


–O que está fazendo? – Yuuto estreitou o olhar quando notou o monge lhe dobrar os joelhos.


–Só me saciando também, amor... – Rui respondeu em uma falsa expressão inocente antes de ter seu corpo jogado para o lado e o bruxo em cima de si.


–Está ficando muito cheio de si... Talvez eu devesse te eliminar? – Yuuto ameaçou ao puxar com violência o quadril nu do monge para si.


–Mentiroso... – Rui sorriu – você me quer do seu lado, não sabe o porquê, mas me quer... – provocou.


Yuuto apenas franziu o cenho e penetrou o amante sem aviso, se enterrando até o fundo deste.


–Você vai ficar de olho em Aoi-san para mim quando ele chegar... – continuou a falar como se não estivesse sendo comprimido pelo interior quente do outro, se movimentando para trás e para frente, sem conseguir se deter em fechar os olhos em apreciação — ... Uruha-san não irá aceitar a ajuda Shiroyama, amenianos são... Previsíveis... E se algo sair do eixo... Apenas o matamos...


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A tarde se iniciava em Shiroyama, nome este que parecia estar com seus dias contados, mas que ainda era usado para designar a cidade imperial do feudo... Ainda...


Kai estreitou o olhar para o único coche no céu trazido pelos youkais do bruxo e teve certeza de que seu irmão mais velho havia feito besteira.


–Maldição, Aoi... – rugiu – tragam as macas e equipamentos – ordenou a sua guarda, pressentia, com razão, de que aquilo seria necessário.


–Cinco mil soldados dentro de apenas um coche? – a voz de Shou veio a alguns metros ao seu lado.


Kai lançou um olhar estreito para o ainda senhor de Hana, junto a um sorriso amplo de covinhas...


–Está zombando ou apenas é muito burro? – o Yutaka rebateu.


–Estou zombando – Shou deu de ombros – só vim avisar que a mensagem para Nao-san não teve resposta, ele também não vai me escutar... Acho melhor pensar em outra coisa – Kohara falou em desinteresse, não queria ter nada a ver com aquele homem, mas precisava da ajuda dele para acabar com toda aquela palhaçada.


–Nao responderá quando assim julgar necessário... – o Yutaka ditou de volta, mirando o coche chegar perto do chão — ... Espero que seja rápido – finalizou ao seguir em uma marcha rápida até o transporte recém aterrissado, invadindo este ao empurrar um soldado que saia para o lado – Maldição... Aoi, seu idiota... – vociferou ao tocar a crosta transparente e dura amarelada que envolvia o irmão – você, vai me contar o que aconteceu – ditou ao apontar para Ryou, seus homens também se aproximando do transporte e já se movimentando para colocar o general ferido em uma das macas – me acompanhe, os demais estão liberados para descansar – ordenou, seguindo sua guarda que carregava com cuidado seu irmão em direção a seu laboratório, sabiam que se fizessem qualquer coisa para piorar a situação do Shiroyama poderiam dar adeus ás suas vidas.


Ryou sentiu seu corpo tremer em medo, com certeza não queria ter que obedecer às ordens daquele cientista maluco, e muito menos ser alvo das perguntas deste... Se pudesse ter outra escolha..


–Não ouse tentar escapar, soldado, sei muito bem que você era o “mensageiro” entre meu irmão e Uruha, não pense que poderá me enganar – Kai ameaçou ao notar a movimentação suspeita do soldado de cabelos curtos e este sentiu seu sangue gelar.


“Maldição...”


Ryou praguejou.


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Duas semanas pareceu ter passado em um piscar de olhos, era o que Uruha pensava enquanto sua face mórbida olhava o humilde funeral do senhor Ogata... O corpo deste parecia queimar lentamente nas chamas e repentinamente se lembrou que não tivera a chance de cremar nenhum de seus guerreiros... Que não tinha tido o direito sequer de ter acesso a seus corpos...


–Uruha... Por que estão queimando ele? – Maya perguntou ao maior enquanto segurava em sua mão.


–É como a alma é purificada e levada ao céu... – o ameniano agora de cabelos curtos respondeu para a pequena, olhando Reita a segurar Lovelie em seu colo mais ao lado enquanto esta chorava baixinho contra o ombro deste, não por estar triste pela morte do velho senhor que nenhum deles chegara a conhecer, mas sim por ter más lembranças do fogo.


–Vou levar as meninas para casa, não podemos ficar para a sua coroação, desculpe – Akira falou ao chegar perto de si.


Uruha apenas assentiu e mirou o olhar franzido de Ruki para si enquanto este ninava a pequena Jewelie em seus braços... O pequeno hibrido não falava mais com si desde que soubera sobre seu “espetáculo” daquele dia.


“Aoi-san com certeza era orgulhoso e prepotente, mas nunca foi má pessoa em si, e muito menos descuidado ou burro. Se ele veio aqui tão sem defesas para falar com você e te pedir desculpas, acredito que ao menos uma chance você deveria ter dado”.


Fora o que o meio youkai dissera.


“Shiroyama não deu chance ao meu povo”


Foi o que respondera.


“Aoi-san não é Shiroyama... se ele disse que não sabia...".


O pequeno tentara contestar.


“Não iria trazer meu povo de volta... eles também mataram seus pais, seus amigos... como pode ainda defendê-los?”


Interrompera.


“Eu só não quero ser injusto e julgar alguém pela origem, ou sobrenome dela... a minha vida toda fui julgado apenas por ser meio youkai, ainda que eu não fosse iguais aos outros híbridos, ninguém me enxergava com olhos diferentes, porque no final eu era um meio demônio... assim como escolhi não julgar vocês pelo que diziam, não vou julgar alguém de Shiroyama pelo que Kai-sama e aquele bruxo fizeram... cada caso é um caso, Uruha-san... pensei que você, por ser ameniano, soubesse disso... mas como pensei... não dá pra julgar um pelas atitudes da maioria, não é?”


A conversa com o pequeno lhe rodava a cabeça há dias, desde que a época do calor finalmente acabara e para si parecia ter sido a mais longa e mais dolorosa de todas... Passar suas noites se auto privando de qualquer consolo foi horrivelmente torturante... E mesmo assim seu corpo não aceitaria nenhum outro toque que não fosse aquele de seu companheiro... Tinha que dar um jeito naquilo... Se conseguia domar tão bem seu shaman, porque não conseguia simplesmente ignorar aquela regra instintiva idiota de que só poderia receber o toque daquele que marcara?


–Ogata sofreu uma grande perda hoje... – Hiroto subiu ao rochedo a frente da grande fogueira cercado de pessoas e soldados — .. Meu pai fez o melhor que pode pelo povo dessa cidade que tanto sofreu com a opressão Kazamasa... Mas... Nada disso importa mais... O mundo que conhecemos está sendo ameaçado e arruinado por um bruxo, um bruxo terrível e poderoso que detém um exército assombroso de youkais e soldados hanianos e shiroyamianos ao seu lado... Um bruxo que quer nos oprimir e tornar Vijukei seu domínio próprio de terror... Os tempos de trevas assolam nossa amada ilha e em tempos de escuridão precisamos de algum brilho de esperança para nos guiar... Aqueles que pensamos serem demônios, na verdade eram deuses pacíficos e bondosos que se recolheram a seu pedaço de terra para não oferecerem risco a nenhum humano... Deuses que passaram séculos sendo atacados pelos tão poderosos Shiroyama, e deuses que tiveram seu povo massacrado diante de um plano maligno do mesmo bruxo que hoje nos condena a esse mundo de tardes nubladas e noites frias... Mas esses deuses ainda vivem entre nós, e o líder deles, o mais poderoso de todos, quer nos guiar para a vitória contra as trevas e nos oferecer uma Vijukei mais linda e brilhante do que ela sempre foi... É com muita honra que abdico do trono que foi de minha família por gerações, e com muita honra que digo que Ogata é a sede de um reino que ainda terá muito o que crescer, é com muita honra que digo que Vegas é nossa aliada e é com muita honra que passo minha coroa e minha liderança por direito para nosso deus que irá nos guiar para a luz da felicidade... – declamou todo seu discurso em uma atuação perfeita de crença, indicando o Takashima mais ao lado com a mão — ... Povo de Ogata, povo de Vegas, sacerdotisas e monges... Saúdem nosso Deus e salvador... Saúdem... Uruha – bradou em encorajamento e para a surpresa do ameniano uivos de aprovação vieram dos milhares de habitantes.


Chamá-lo de Deus era demais... Chamá-lo de salvador era demais... Suas costas pareciam pesadas enquanto Kouyou andava elegantemente em uma feição sem expressão, segurando a mão de sua pequenina com força e fazendo-a andar consigo até o rochedo. Se colocou ao lado de Hiroto e este fez um sinal para que uma mulher se aproximasse com um caixa. Hiroto pegou a espada de jade, símbolo de sua família de gerações e antes pertencida ao seu pai. Deveria ser sua, mas este apenas a pegou em sua mão, oferecendo-a, em uma reverência respeitosa, ao ameaniano.


Uruha respirou fundo novamente... Estava errado... Nada ali parecia querer ser aceito como certo em seu peito... Mas sua cabeça insistia que aquela era atitude correta a se tomar.


Kouyou então pegou a espada trabalhada em uma bonita pedra esverdeada, soltando a mão de Maya por um breve momento enquanto dava um passo à frente... Era um líder... Tinha que ser um líder... O líder que jamais conseguira ser...


–Meu nome é Takashima Kouyou, mas ganhei o apelido de Uruha quando meu pai me passou sua liderança dos guerreiros de Akai Ame... – começou seu discurso, mais imponente e corajoso do que jamais tinha sido — ... Meu povo sempre foi temido e tido como demônios por aqueles que não viviam dentro de nossas terras, mas meu povo jamais foi tal coisa, queríamos apenas viver em paz, sem atrapalhar ninguém, queríamos até mesmo ajudar aqueles que aceitassem nossa ajuda, e foi com tal intenção que aceitamos fazer parte da aliança montada contra a invasão chinesa, aliança essa da qual Ogata também fazia parte... Só para descobrirmos que tudo não passava de uma distração, um modo de nos separar de nossa casa e deixá-la vulnerável para um ataque... Plano este arquitetado pelo bruxo que agora ameaça a nós todos... Aceitei a liderança de nossa resistência, pois acredito que posso ser o melhor indicado para conduzir nossas forças contra algo como Yuuto, mas não obrigarei ninguém a lutar do meu lado... Em dois meses o início de uma esquadra de navios já estará pronta e aqueles que acharem melhor fugirem de Vijukei e tentarem reconstruir suas vidas nas terras além mar não serão impedidos de tal coisa... Mas se há ainda pessoas que acreditam que essa ilha não merece ser dominada por um bruxo maligno, que nossas casas não merecem ser ameaças pelas trevas... E que aqui é o nosso lar, convido a estes a seguirem meu comando e eu prometo fazer de Ogata, de Vegas e de toda Vijukei uma terra igual para todos, sem distinção de origem, crença, nome, riqueza... Espécie... Aos corajosos que acreditam nisso, prometo que Yuuto irá perecer e que todos aqueles que nos ameaçarem serão exterminados... Àqueles que acreditarem que somos fortes e capazes de fazer o mundo em que vivemos eu faço o convite de se unir a mim e a todos nós para dizer a Yuuto, a Hana, a Shiroyama... Que Vijukei é nossa casa e nós vamos proteger e defender o nosso lar – Finalizou ao erguer a espada em sua mão, ainda que tal arma não tivesse significado para si.


Seu peito se apertou ao ver os milhares de rostos esperançosos e as mãos e bocas abertas em gritos e aprovação... Peso demais... Parecia errado...


“Isso é o certo... é o certo...".


Se repetia mentalmente.


Hiroto sorriu e também aplaudiu o discurso de seu mais novo “senhor”, lançando um olhar significativo ao Murai mais ao lado, fazendo parte do conselho da resistência, onde um sorridente Kazuki e um emburrado Byou também estavam.


–Com certeza o melhor líder... – Kazuki sorriu – capaz de mover a fé em torno de si... Era o que precisávamos para fazer destes povos uma unidade...


–Acho que ainda tem gente que não concorda – Naoyuki sorriu e Kazuki lançou um olhar repreensor ao extravagante Byou ao seu lado.


–Melhore essa cara e pare de bancar o pivete – o ex-cortesão censurou.


–Não gosto de saber que receberei ordens de alguém – Byou resmungou de volta – eu seria o líder que nossa resistência precisa...


–Sim, você não é capaz de unir nem sem soldados sem ter que oferecer dinheiro a eles ou ameaçá-los, como diabos seria o líder que precisamos? – o dono de Gather Roses bufou em impaciência — ... Não entende a complexidade da situação? Se perdemos aqui não haverá segunda chance, Byou... Yuuto vai ter seu mundo de escuridão e nós iremos direto para o inferno... Para vencermos precisamos de união... E o único que pode unir essas pessoas é Uruha...


–Hunf, só porque ele pode matar cinco mil homens com um bater de palmas? – Byou bufou de lado – grande coisa...


–Não é apenas questão de força... – o Murai falou em um sorriso fino — ... É também de fé... O povo de Ogata e até mesmo de Vegas acredita que amenianos sejam deuses...e a fé e a crença ... É uma arma muito poderosa, arma esta que Yuuto jamais terá em seu favor...


–Não é como se fosse de todo mentira – Kazuki interrompeu — ... Até onde sei a melhor qualificação para eles seria de semi-deuses...


–Eu já assisti demais dessa palhaçada – Byou rugiu por fim, dando as costas seguindo algum outro lado.


–Ele pode ser uma pedra no sapato quando quer... Melhor tomar cuidado – Kazuki falou para o conselheiro ao seu lado e este assentiu, lançando um olhar franzido para os monges e sacerdotisas organizados ao lado oposto da improvisada corte a céu aberto.


–Há alguém que acho mais importante no momento – O Murai murmurou para o ex-cortesão e este também olhou para a “jovem” sacerdotisa.


– Ela quer a morte de Yuuto mais do que qualquer coisa, não será risco – Kazuki rebateu em convicção, mas Naoyuki não pareceu compartilhar da tranquilidade do maior.


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– E então... Algum progresso? – Yuuto questionou em tédio ao invadir o laboratório do cientista, se aproximando do corpo desacordado do general em cima de uma das macas — ... Ele parece bem inútil pra mim.


–Eu já disse que posso dar um jeito – Kai vociferou em direção ao bruxo, parecendo perder seu autocontrole, estaria a quantos meses tentando fazer seu irmão acordar? Três? Quatro? Cinco... Cinco meses e pela primeira vez seu cérebro parecia inútil.


–Oh... E não é que Kai-san realmente tem sentimentos? – Yuuto sorriu – o que? Não aguenta ver o irmão inválido e inutilizado?


–O que quer? – Kai rugiu por fim.


–Uruha começou a se organizar, boatos de que “um Deus” lidera a resistência contra mim estão se espalhando por entre seus soldados e súditos... Preciso de um general confiável e com respeito do exército e da população... – o bruxo arfou por fim — ... Fukaku está desacreditado por ter permitido a minha “estadia” e “caprichos” aqui, você não tem nada dessa gente a não ser medo, Kohara é um idiota que nunca teve ao menos reconhecimento de sua gente, Saga pode me oferecer o exército de Hana, mas não é o suficiente... Aoi-san, apesar dos pesares, parece ter construído uma fama bem consistente aqui... Dê um jeito de fazê-lo me ser útil.


–Por que você apenas não ameaça a população e os soldados com seus youkais e marcha para Ogata? – Kai rebateu em ira – ou melhor... – sorriu – por que você mesmo não marcha para Ogata e enfrenta Uruha? O que é? Está com medo? Não foi você quem massacrou o povo dele e me mandou fazer o mesmo? O que um ameniano teria de tão especial para te fazer recear se todos os outros não tiveram?


Yuuto estreitou o olhar... Aquele garoto já estava lhe tirando a paciência.


–Espere... Ah sim... Ouvi algo sobre isso... – Kai abriu seu sorriso provocativo de covinhas — ... Algo sobre a família Takashima, sobre... Sobre o que era mesmo? Herdeiros da família Takashima... Deuses... Sobre possessão... Ah sim... Lembrei, sobre um ameniano não ser perigoso até estar em possessão, sobre o herdeiro Takashima se tornar tão poderoso quanto deuses quando está em tal estágio e...sobre você estar perdendo seus poderes devido a um ataque bem sucedido de sacerdotisas amenianas...


O bruxo levantou uma mão em sinal de que mataria o cientista, mas este pareceu não se abalar.


–E você precisa de mim... Quem diria... – Kai continuou – precisa de mim, porque se sua magia o está abandonando, dominar o meu conhecimento científico é a única arma significativa que tem contra Uruha, além de uma população e um exército que não pensariam duas vezes antes de passarem para o lado inimigo se este desse sinais de que os aceitaria e dos seus youkais não obedientes.... Quase não acreditei quando dois deles ficaram todos eriçados só porque ofereci alguns corpos de amenianos mortos que tenho estocados em troca de algumas horas de conversa com Hitoru-san.


Yuuto abaixou sua mão e estreitou o olhar para o Yutaka.


–Não parece esperto me deixar saber que conhece tanto sobre minha condição – o bruxo rebateu em provocação.


–Você acha? – Kai sorriu – mas se quer seu nobre “herói” capaz de conseguir a confiança do exército que quer, me traga dois daqueles seus youkais lagartos voadores... Mortos, por gentileza, e uma sacerdotisa ameniana...


–Trago os youkais, as sacerdotisas e Hitoru ficam onde estão – Yuuto ditou, dando as costas para o cientista e marchando para fora do local, parando à porta deste assim que ouviu a voz do Yutaka.


–Por que não usa Hitoru-san e as sacerdotisas como isca para atrair Uruha para uma armadilha? – Kai questionou em interesse – ou tem tanto medo de tê-lo por perto que prefere lidar com ele fora do seu alcance?


–Você é esperto, deveria ter te colocado controle mental quando tive chance – Yuuto sorriu — ... Mas se não sabe a resposta para isso... Acho que ainda tenho muita vantagem sobre você...


–Sabe que ele vai vir atrás, não sabe? – o Yutaka interrompeu – ainda que sejam boatos, Uruha virá atrás do pai e das sacerdotisas... Mais cedo ou mais tarde...


–Sim virá... – Yuuto assentiu — ... Terá seus youkais ao final da noite, espero que faça algo de útil com eles – ditou por fim, batendo a porta atrás de si.


Kai tirou o sorriso fingido do rosto e voltou a mirar o irmão inconsciente. Não era um ferimento comum, simplesmente não cicatrizava e gastara quase um mês apenas para mantê-lo vivo com transfusões constantes enquanto estudava a toxina que fazia as feridas se cicatrizarem tão vagarosamente. Não o suficiente, descobrira que os cortes feitos por espadas tinham atingido sua coluna e que as pernas de seu irmão simplesmente não tinham reflexo algum.


–Você piraria se acordasse e se visse inválido — ... O Yukata sussurrou em um olhar triste ao acariciar os cabelos do irmão — ... Mas você simplesmente não acorda... Por quê? – torceu a feição no que parecia tristeza e uma lágrima caiu de seus olhos -... Eu estou sozinho, Aoi... Maya-chan não está aqui, nosso pai é uma múmia e você... Estou cercado de idiotas e inúteis, e ainda tem esse maldito bruxo... Por que você teve que ser tão burro, nii-sama? Não me deixe sozinho, Yuu... Eu não gosto de ficar sozinho...


O cientista se deixou cair ao chão e recolheu as pernas contra o peito...


“Você não é tão frio quanto quer ser Kai-san... você ama muito seu pai e seu irmão... e você tem medo de perder aqueles que ama... porque Kai-san não gosta de ficar sozinho...”


A voz de um Naoyuki mais jovem lhe invadiu a cabeça e de repente voltava a ser um adolescente novamente em um laboratório bem diferente daquele, onde um dia o conselheiro de Hana entrara e enchera seus ouvidos e cabeça de verdades que sempre tentou ignorar...


“Você quer proteger o que é precioso pra você, e o resto... é o resto... porque se não é algo importante para Kai-san, não há problema em matar... certo? Por isso dizem que você é sem sentimentos... mas na verdade, seus sentimentos existem, só estão focados em pessoas específicas...".


“O que você quer?”


Foi o que o jovem e mórbido Yutaka daquela época rugiu ao Murai.


“Quero te ajudar a compreender isso melhor... sentimentos não são ruins se sabemos aceitá-los e entendê-los... quero ser uma pessoa merecedora dos sentimentos de Kai-san também...".


–Nao...


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–Droga Uruha, calma, já vai passar – Reita ditou em nervosismo enquanto o amigo gritava em dor – droga... Alguém por favor, sabe como fazemos isso? Miku, você também é um neko... – questionou para os outros amenianos no quarto, mas nenhum respondeu.


–Todos nós não chegamos a passar por tal coisa e quem fazia os partos eram as sacerdotisas – Miku explicou – elas não nos deixavam assistir o parto dos outros.


–Reita... – Uruha gemeu entre dentes – me ajuda... – o arfante e suado ameniano implorou ao apertar a mão do amigo.


–Calma, calma... – Reita repetia mais para si mesmo do que para qualquer pessoa, Uruha havia passado mal aquela tarde enquanto terminavam a última expansão de barreira sobre Vegas e sem condições de levá-lo de volta à sede em Ogata decidiram parar no meio do caminho e tentar de alguma forma fazer o parto... Até descobrirem que não tinham ideia nenhuma de como fazer aquilo — ... Ruki já voltou? – gritou por fim havia enviado o companheiro para trazer Oboru ou qualquer uma das sacerdotisas para ajudá-los, mas não sabia se daria tempo.

Miku fechou os olhos e tentou se concentrar em seu alcance, sabia que nenhum dos amenianos ali dentro estava em condições da fazer tal coisa...


–Ele está perto... – sorriu em alívio — ... Oboru-san está com ele.


–Ótimo, ouviu, Kou... Estão vindo, estão vindo... – sorriu para o amigo, passando a mão pelos cabelos curtos deste, se compadecendo da feição que parecia sofrer muito... “Ainda bem que não sou neko...” Não conseguiu frear o pensamento...


–Aaaah – Uruha gritou, levando a mão a barriga nua e completamente inchada – Akira... Me ajuda... Aahhhh.



Reita quis chorar, como ele podia ajudá-lo?


Para a sua salvação a sacerdotisa do antigo santuário adentrou a tenda improvisada no meio do caminho.


–Todos para fora – ditou e nenhum ameniano contestou a mulher, apenas Reita a olhou e rabo de olho, por algum motivo ainda tinha receio em relação àquela mulher.


–Cuide bem dele, eu vou estar de olho – Akira ditou ao se erguer e caminhar para fora.


Assim que o espaço estava livre a sacerdotisa começou a jogar uma espécie de tinta no chão, parecendo desenhar algum tipo de selo em forma circular ao redor do ameniano.


–Você... Por favor... – Uruha gemeu, as pernas abertas e o corpo coberto apenas pela parte debaixo do traje – não faça nada ... Nada... aaah... Que... Possa prejudicar meu... aaahhh.


–Fique calmo, o garoto vai nascer, não teria porque matá-lo agora que já está tão perto – Oboru tranquilizou o líder — ... Agora cala a boca e tenta se concentrar, nunca fiz isso, apenas ouvi algo sobre quando uma sacerdotisa ameniana foi visitar Manabu alguns anos atrás, vou precisar da sua ajuda....


–S-sim... Aaahh – Uruha assentiu em um grito de dor — ... Ele não tem como sair... Ele...


–Terminei – a sacerdotisa arfou e correu para o corpo no centro do círculo – muito bem, se concentre, tente acessar o seu shaman... – falou ao colocar a mão no ventre inchado do Takashima — ... Ele não vai simplesmente sair como é com as mulheres, seu shaman o permite gerar vidas, ele tem que ajudar a tirá-las de dentro de si...


–H-hai... – Uruha assentiu ao fechar os olhos, a respiração rápida o corpo suado e o cenho franzido em dor, tentou se concentrar, pelo bem de seu filho tinha que conseguir.


O Ameniano sorriu quando conseguiu visualizar o aglomerado de energia dentro de si.


–O que eu faço? – perguntou em um arfar...


–Calma... – Oboru ordenou, pegando um pincel e fazendo o desenho de outro selo na barriga do ameniano – ... Muito bem, isso é um selo portal, como quando você surge e desaparece em lados opostos, mas você utiliza o vento como força, eu não consigo fazer isso, então vai ter que usar esse selo como energia, tente se concentrar e ao invés de se mover com a corrente do vento, tente chegar ao seu shaman e mandá-lo fazer seu filho se mover através desse selo para fora do seu corpo...


–H-hai... – Uruha assentiu, tornando a fechar os olhos, mordendo os lábios para não gritar... Tinha que se concentrar... Tinha que...


O selo em seu ventre brilhou em vermelho e o vento invadiu a tenda, rodeando o corpo do ameniano, concentrando um pequeno redemoinho acima do ventre deste. O ar se tornou quase violento e Oboru teve que defender os olhos com o braço.


Uruha franziu o cenho, tentando se concentrar. Então algo circular, parecido com um casulo brilhante em carmim, surgiu no meio da concentração de vento acima de seu ventre. O ar foi se acalmando gradativamente e Kouyou não conseguiu se segurarar em abrir os olhos, em tempo de ver o casulo brilhante se desfazer pedaço por pedaço, revelando seu lindo bebê de cabelinhos negros e pele levemente amorenada. O ar o segurou por mais alguns segundos, tempo suficiente para o ameniano estender os braços e se erguer minimamente para pegar seu herdeiro nos braços.


E foi só sentir o suor frio da pele do pai que o pequeno abrira a boca em um choro alto e escandaloso, fazendo Uruha abrir o sorriso mais contente e alegre que já dera em sua vida enquanto mirava a boquinha pequena se abrir para chorar.


Logo a tenda foi completamente invadida por amenianos nervosos e um suspirar de alívio junto a um sorriso se desenhou no semblante de todos eles quando miraram o líder sorrir angelicamente para o mais novo principezinho Takashima.


–Já tem um nome? – Oboru perguntou, não parecendo estar tão emocionada e tocada quanto os demais.


–Riki*... – Uruha respondeu sem ao menos perceber, encantando demais com o pequeno ser que ainda esperneava em seu colo, levando a bochecha fofa deste até eu nariz e sentindo o cheirinho natural de seu corpo — ... Eu gosto de Riki...


–Hunf... – Oboru sorriu de lado — ... Adequado...


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– A situação está ficando feia para o seu lado, amor... – Rui comentou em tédio enquanto brincava com uma mecha do próprio cabelo no que seria o banquete de jantar da corte do feudo “Yuuto” — ... Inauguração do novo feudo e Saga-san e Kai-san não estão aqui? Até mesmo o medo que tinham em relação a você...


–Cala a boca – Yuuto rugiu ao mirar o grande salão quase que completamente cheio de soldados e nobreza a perguntar sobre a presença dos dois líderes ali... Então aquela era a resposta de Saga e Kai a si? Fazer o povo já tão relutante em seguir suas ordens desacreditar mais em seu poder e força? Mostraria a todos que ainda tinha poder o suficiente para ser temido por cada um ali...


–Chega de espera, vou acabar com aquele cientista e com aquele general agora – o bruxo bradou em ira, se levantando da mesa com rapidez, marchando descontroladamente até o prédio do laboratório do cientista, cruzando com poucos soldados no caminho... De algum modo aquilo parecia ficar deserto durante as noites, já que a maioria dos homens estavam concentrados nas fronteiras. Derrubou a porta do laboratório com violência, não se incomodando em descer as escadas e apenas flutuando sobre elas encontrando não só o cientista ali, mas também o general haniano junto a seu fiel e ridículo amante.


–Não deveriam estar em algum lugar? – Yuuto rugiu ao mirar os três ali — ... Acaso pensam que eu iria aturar isso?


–Pensei que a prioridade era lhe dar seu general confiável – Kai deu de ombros.


–Faz quase quatro meses que te pedi isso, se fosse realmente tão útil, já teria conseguido... – o bruxo vociferou — ... Todos vocês são inúteis, inúteis... Foi um erro deixá-los viver até aqui... – o bruxo ameaçou entre dentes. Dois youkais centopéias saíram debaixo de sua manta e seus olhos se franziram enquanto as mãos pareciam concentrar alguma energia enegrecida — ... Vou levar o corpo de vocês como exemplo e ninguém vai ser capaz de me desafiar...


–Ninguém será capaz de te desafiar... – Saga sorriu — ... E todos te temerão... Temerão tanto que fugirão de você... Se eles fugirem... Quem vai te defender de Uruha?


–Se acham muito espertos — Yuuto sorriu de lado. Devia ter dado fim quando todos eles ainda lhe temiam e aquela maldita resistência não estava organizada... Mas não.. Tinha que dar ouvido a Rui e esperar... Esperar por aquilo? Mataria aquele monge assim que voltasse — ... Pois bem, vou correr o risco – deu de ombros e deu sinal para que os youkais atacassem. Saga e Tora empunharam suas espadas e Kai se apressou em ir para trás dos dois, mas não foi necessário qualquer defesa ou choque, já que um rápido vulto passou pela frente deles e segurou ambos youkais.


Os olhos foram para o lado seguindo o vulto a tempo de ver as duas centopeias gigantes serem partidas ao meio, os pedaços caindo ao chão junto aos pés descalços do homem que fizera aquilo.


As pernas estavam cobertas pela calça de um kimono, mas a barriga e as costas estavam nuas, duas cicatrizes altas e avermelhadas partiam do meio de sua coluna e iam até as laterais de sua cintura, uma outra, mais clara, se localizava na frente, onde ficaria seu estômago. Os fios negros e longos iam até o meio das costas e o rosto de boca farta parecia ter um pedaço de metal acoplado da bochecha esquerda, tampando algo perto de seu olho e a leteral perto de sua orelha, mas deixando a bochecha livre.


Os olhos vermelhos pareceram mudar gradativamente para as onixes negras e Aoi sacudiu a cabeça levemente, como se despertasse de algo. Olhando para as mãos sujas com o sangue verde dos youkais, mirando o irmão mais a frente.


–Kai... O que exatamente você fez comigo? – sua voz saiu rugida, seu cenho se franziu.


Um sorriso adornou os lábios do bruxo e este recolheu a energia concentrada em sua mão.


–Aoi-san... Quanto tempo...


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4 anos depois...



–O exército de Aoi-san conseguiu vencer nossa barreira localizada na região da antiga Akai Ame – Kazuki informou na grande mesa redonda enquanto olhava cada um dos membros do conselho, da guarda ameniana e de seu senhor.


–Como? – Uruha franziu o cenho, há anos a surpresa de que Aoi ainda estava vivo e lutando contra suas barreiras já não o impressionava mais.


–Parecem ter feito mais como ele – o ex-cortesão suspirou em cansaço – eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele conseguiria uma vitória dessas... Desde que ele reapareceu Yuuto se tornara bem mais ativo, há boatos de que até mesmo está fazendo negócios com países além mar... Precisamos de um plano... Aquele Kai e suas invenções... Está nos arruinando...


–Riki já está aprendendo a usar seu shaman, com certeza amenianos misturados se desenvolvem bem rápido não? – Oboru se pronunciou, chamando a atenção de todos no amplo salão para si – está na hora de parar de apenas expandir passo a passo... Precisamos de algo mais direto e...


–Está sugerindo que meu filho de apenas 4 anos lute contra Yuuto? – Kouyou vociferou de volta para a mulher.


–Ele não teria que lutar se ele não existisse, você quis tê-lo... – a sacerdotisa bradou em indiferença — ... Se temos uma arma que pode acabar com isso definitivamente, por que não usá-la?


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–Alguém mais pensa assim? – Uruha sorriu em incredulidade para os homens e poucas mulheres à mesa, se surpreendendo quando Naoyuki e outras sacerdotisas levantaram a mão, mas se aliviando pela maioria ainda estar ao seu lado.


O líder da resistência tinha um modo bem democrático de governar e apesar da última palavra ser sua, jamais tomava decisões sem a maioria de sua “cúpula” estar a favor.


–Não sou a favor de Riki-chan ser tratado com uma arma – o Murai se pronunciou – mas acredito que ele já possa liberar o selo... Não precisa ser necessariamente ele a usá-la – o conselheiro chefe assentiu, ganhando um olhar curioso da maioria ali dentro.


–Riki ainda não consegue usar selos... – Uruha se pronunciou -... Não dessa magnitude, eu mesmo cuido do treinamento dele e... Assim que ele puder fazer tal coisa eu mesmo serei aquele a usar tal arma... Mas isso pode levar tempo, por isso, peço aos senhores e às senhoras que indiquem outra solução para nossa situação...


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–Riki... – Maya gritou em estresse pelo irmão.


A menina de oito anos de idade ainda tinha cabelos clareados, mas agora usava-os em um lindo rabo de cavalo, o vestido sempre longo havia sido substituído por um kimono curto de saia, que seu pai teimava em dizer que podia ser mais longo, já que suas marcas eram nas mãos. Mas a pequena insistia que roupas muito longas lhe atrapalhavam a brincar.


–Riki... Papai Uruha vai brigar com a gente se formos para esse lado – Maya gritou novamente, saltando para cima de uma das árvores atrás do irmão – Lovu-chan e Jew-chan ficaram para trás, sabe que elas têm medo de ficarem sozinhas, vamos voltar...


–Maya... – a voz melodiosa veio de cima das copas e um vulto pareceu cair diante da pequena, pousando no mesmo galho que si.


O pequenino de quatro anos parecia bem esperto pra idade e tinha uma pele levemente amorenada, junto com cabelos negros e curtinhos. A face era redonda de boca pequena o que lembrava muito ao pai ameniano, mas os olhos negros... Características que sempre levavam o menor a perguntar quem era seu outro papai... Pergunta jamais respondida pelo progenitor ameniano.


–Olhe... Têm estranhos por ali... Depois do vale – o pequeno puxou a irmã em um olhar assustado.


–Vamos voltar... – Maya puxou o irmão, pressentindo o perigo – por favor, vamos voltar...


O pequenino usava um traje muito parecido com os que o pai usava quando jovem, mas este tampava suas pernas até metade das coxas, e apesar de cobrir os braços completamente, as laterais da cintura eram vazadas e folgadas, sendo presas apenas por uma tira fina de couro na altura do quadril.


–Devemos avisar o papai? – Riki questionou ao mirar ao longe os homens estranhos de que falara.


–Sim, vamos... – Maya puxou o irmãozinho, impedindo este de correr, ele sempre fora bem mais rápido que a mais velha.


O pequenino se deixou ser puxado pela irmã, teriam que chegar em casa antes do anoitecer e tinham se afastado muito de lá enquanto brincavam. Os olhinhos negros miraram mais uma vez a direção em que avistara os homens estranhos... De algum modo sentia algo ali.. Lhe chamar?


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–Aoi-sama... – a voz de Ryou, com os cabelos um pouco mais longos e alguma barba por se fazer, chamou seu general e este, em sua usual armadura negra, não virou para si, mas indicou com a mão que estava ouvindo – não parece ter barreira para o norte até o mar, mas há uma logo a nossa frente, em direção a Vegas... depois dessa montanha...


–Sentiu algo? – o general perguntou, parecendo ignorar o relatório do soldado.


–Se senti? – Ryou perguntou em estranheza, com os anos seu superior com certeza estava diferente, desde que parecera ter sido transformado em algum tipo de coisa... Coisa essa que tinha sido refeitas em mais um pelotão inteiro de soldados que se candidataram a serem cobaias de Kai-sama... Atitude e coragem que o soldado não tivera...


–É... Algo... Me chamando... – o moreno respondeu em sua voz doce.


Outra coisa que havia mudado em seu general, ele estava mais gentil e menos rígido, o que reconquistara muito da confiança de seus homens, apesar do estilo altivo do moreno não ter sido modificado.


–Não, não senti – Ryou respondeu por fim...


–Ele sempre fica na sede de Ogata? – o general perguntou.


–Até onde sabemos, Uruha-san se movimenta muito entre Vegas e Ogata... Há boatos de que ele até mesmo chega a sair da barreira às vezes para espionar nossos domínios... – o soldado assentiu.


–Não, ele não faz isso... – Aoi balançou a cabeça, um sorriso pequeno se ajustando nos lábios fartos, e o metal se sua face cobrindo também parte de seu queixo — ... Eu o sentiria...


–Não pode ter certeza, faz muito tempo que não se vêem. – Ryou comentou em um suspiro, havia se tornado uma espécie de confidente ao general e sabia de quase tudo que se passava com ele...


–Eu o sentiria... – a face sorridente se virou para o comandante de sua guarda, os olhos negros lhe sorrindo e os cabelos escuros balançando contra o vento, ainda que estivessem mais curtos, na altura dos ombros.


– Bem... Também não acredito muito nessa hipótese... – Ryou assentiu — ... Kai-sama mandou uma mensagem... Tomei liberdade de abri-la...


–Sim – Aoi assentiu, se virando completamente para o comandante — ... Ele finalmente conseguiu?


–Não, mas parece que Yuuto conseguiu o apoio chinês... – Ryou informou de modo pesaroso, fitando expressão semelhante no rosto do general — ... Se o senhor e Kai-sama estão planejando algo contra ele... Sugiro que sejam rápidos, ele já se deu conta de que não estávamos tentando e a quebrar as barreiras de verdade e achou estranho termos escolhido quebrar a barreira justamente de um local sem habitantes...


Yuu respirou fundo e voltou a dar as costas, mirando a montanha ao longe.


–Se ao menos ele nos desse a chance de conversar... – Aoi suspirou sentindo o vento lhe atingir o rosto, fechando os olhos ao pensar ter sentido o cheiro de algo familiar trazido por aquela corrente de ar... – Kou...



Notas finais
* Siginifica: Poder
O cabelinho O Uruha imaginei meio q igual o visual de Remeber the Urge e do AOi meio estilo The Invisible Wall ;D
Fotinhas de sempre a última do pequeno q usei pra imaginar o baby do AoiHa... podem imaginar como quiserem, mas eu acho q o molequinho tem tudo a ver... ;D
http://imageshack.us/f/502/apresentao3.jpg/( Bandas)
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara)
http://imageshack.us/f/821/vijukeibabies.jpg/ (Riki, Maya e simbolos)
Então, já que eu fui boazinha e postei beeeeeeeeeeem mais cedo que tal mais reviews?
Vijukei ta com 17 recomendações gente... que lindo. Passou Paidophilia:
Obrigada pessoas linda que recomendaram a fic:
Paola R
Lolly_chan
Takashima Lissa
Havena
catarinne
Ruu-sama
Yuuki
Kibum
Sooky
PsychopathUsagi
paola13
Elijane Alexandre
ShimaYuu_Azumi
monalovesasuke
Metamorphosis
Yuyo
Liz Shiro
Então... dia 19 de Maio vou pro show do D em SP (o/) ... o ultimo cap cairia bem nesse final de semana do show e eu teria que atrasá-lo uma semana pq neh... é show, viagem, D.... *-*
Mas agora q adiantei o negócio acho q da pra finalizar antes... *-*
Querem me incentivar?
Deixem comentários por MP, reviews, Msn, mentions no twitter... eu to aceitando tudo ;D beijo
Azumi-chan:Reviews,reviews para minha mais linda flor????*---*