Vienna
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Lily Evans nunca acreditou em amor. Não que a mesma tenha passado por desilusões amorosas. Na verdade, ela apenas assistia. Assistia sua mãe se apaixonar pelo cara errado e depois vinha chorar no ombro da filha. Várias vezes. Vários caras errados.
Ás vezes, Lily queria jogar um balde de água fria em sua mãe, segurá-la pelos ombros e dizer: “Pare de ficar chorando por aí! Se levante agora e vá ser uma mulher independente e solteira! Você é melhor do que isso.”
Com o passar dos anos, o exemplo da desastrada vida amorosa de sua mãe a amedrontava. “Será que todos os homens não prestam? Será que sempre serei magoada e ficarei deprimida? Não, não quero isso para a minha vida.”
Então, ela tomou a seguinte decisão: sem caras para a sua vida. Nem mesmo um para apenas dar uns "pegas" em uma balada. Era melhor não ser mais uma “conquista” e parar em imaginárias listas masculinas. Não que existissem, mas ela não duvidava.
Com o tempo, não foi só sua mãe que Lily teve que cuidar na fossa. Suas amigas eram outras que só escolhiam caras errados.
Para a ruiva, qualquer homem no Universo era um canalha. Era da natureza deles.
Dorcas Meadowes era da linha romântica. Idealizava o cara perfeito, o príncipe encantado montado no cavalo branco que viria resgatá-la e a amaria para sempre. Dizia para Lily não ser cética, que nem todos os homens eram imprestáveis, que existiam, sim, príncipes encantados esperando por sua donzela. Lily apenas se limitava a revirar os olhos.
Geralmente, Dorcas era a que mais sofria com términos de namoros. E a quem ela vinha recorrer? Lily, é claro. Quem mais a esperava com lenços e sorvete de chocolate em cada mão?
Dorcas chorava, xingando todos os homens do mundo. Em seguida encontrava um novo cara e voltava a ser a romântica ao extremo, apenas para ser despedaçada outra vez.
Já Marlene McKinnon era do tipo que gostava de curtir, sem compromisso sério, mas quando se apegava a alguém era para valer. Seus namoros geralmente eram longos e Lily sempre percebia quando as coisas começavam a desandar e já se preparava para mais um dia de choro, xingamentos e chocolates em seu dormitório, na Universidade de Oxford, em que as três amigas dividiam.
Apesar de tudo isso, ela adorava suas amigas e sentia um instinto protetor em relação á elas. As duas sempre brincavam que Lily parecia uma irmã mais velha mandona e irritadiça e ela apenas sorria, feliz por Dorcas e Marlene confiarem nela.
Porém, se não fosse pelos namoros desastrosos de todos a sua volta, ela nunca viria a chegar a conhecer James Potter. E a odiá-lo.
Por estudarem na mesma Universidade, a ruiva sempre o via, de passagem, constantemente rodeado de garotas. James era o típico pegador que adorava curtir por uma noite e depois dispensava as mulheres como se fossem produtos descartáveis. Já deveria ter passado todo tipo de garota por ele, que Lily duvidava que ele se lembrasse de todas e já houvesse perdido a conta.
Babaca.
Talvez James só perdesse para Sirius Black, que era como um rodo de um grande palco de exposições.
Aliás, foi apenas por culpa de Sirius que futuramente James Potter ganharia um carinhoso apelido de nossa amiguinha cética.
Sirius Black havia começado a namorar Marlene há algumas semanas e, ao conhecer o histórico infame de Black, Lily já sabia que ele seria mais um cara errado na vida da amiga. Lily alertou Lene, mas a mesma defendeu o namorado.
– Poxa Lily, eu sei que o Sirius nunca foi alguém que se amarra a uma mulher, mas ele está se mostrando um cara realmente fiel, carinhoso e até apaixonado. Deixe de ser tão pessimista e curta um pouco a vida!
Em seguida, ela disse que no dia seguinte, depois das aulas na faculdade, ela e Dorcas iriam oficialmente conhecer seu namorado e seus amigos. Oficialmente porque as garotas sempre os viam de longe, dentro do campus de Oxford.
Como combinado, no dia seguinte as três foram ao encontro dos rapazes em um bar muito frequentado pelos estudantes de Oxford.
Os olhos de Lily vagaram pelo local. Casais sentados em mesas com olhares apaixonados; homens inclinados sobre o balção do bar cantando garçonetes. Todos a procura de uma companhia, nem que seja por só uma noite.
– Eles estão ali, vamos! — Lene disse animada levando Lily e Dorcas na direção dos garotos.
Sirius estava de costas para as garotas, de modo que não as tinha visto. Marlene chegou por trás do namorado, colocou as mãos em seus olhos e disse, em uma voz manhosa, que deu ânsia em Lily:
– Advinha quem é?
Sirius se virou para a namorada com os olhos brilhando e os dois deram um beijo desentupidor de pia bem ali, no bar. Liliy revirou os olhos e desviou o olhar do casalzinho e percebeu que os amigos de Sirius observavam as duas garotas. Aliás, um garoto que a ruiva reconheceu como James, a observava com seus olhos castanhos esverdeados fixados nela “até demais”.
“Ah, não!”. Lily conhecia aquele olhar. O olhar de um garotinho que acabou de ganhar o melhor presente de aniversário. Ela já havia visto olhares assim antes, mas raramente eram para ela. Mas quando eram, ela já deixava bem claro que nunca, mas NUNCA, poderia acontecer algo entre os dois.
E se estivesse correta, com James Potter não seria diferente.
Depois de se separar dos lábios de Marlene, Siruis disse em um tom que exalava felicidade:
– Não fiquem aí de pé. Vamos, sentem-se. — e dirigiu seu olhar aos amigos. — Vocês não as convidaram a se sentar? Que feio! O que estavam esperando?
– Ah, sei lá, talvez você parar de desentupir a boca da Marlene. — James disse, dando uma risada em seguida. — Você é uma mulher admirável, Marlene McKinnon. Conseguiu domar o cachorro do Black. Meus parabéns!
– É, acredito que eu seja uma mulher de sorte, James. — Lene disse olhando para Siruis e então os dois voltaram a se beijar.
Lily estava ficando enjoada pelos açucarados e para as coisas se apressarem ela pigarreou, chamando a atenção de todos.
– Então, vamos chamar o garçom, certo? — ela levantou os braços para fazer o dito.
Enquanto comiam, Lily tentava evitar os olhares furtivos de James em sua direção. Ele a encarava sem ressentimentos e até deixava no ar pistas de que a queria. Aquilo a estava irritando, mas muito. Poderiam dizer que James era um cara legal, bonito e todo o blá-blá-blá imaginável que nada a faria mudar de opinião. Na verdade, o único cara que parecia ser melhor ali era Remus.
Em um momento, ela flagrou Sirius olhando para a descaradamente para os seios de uma garçonete enquanto a mesma se inclinava para colocar as bebidas na mesa. Lene aparentemente não percebeu, pois não fez nenhuma objeção e sua expressão não mudou. Ou apenas não queria acreditar. Ela conhecia a morena tempo o suficiente para saber que ela era boa em guardar suas emoções para si.
Ela ficou pensando em uma maneira deixar claro que seus interesses eram nulos até que sentiu os pés de alguém “esbarrarem” nos seus por debaixo da mesa, acariciando seus tornozelos. Irritada e cansada, ela aproveitou o salto de suas botas e o pisoteou, girando o salto enquanto forçava seu pé. O garoto deu um gemido de dor que não foi despercebido por todos na mesa.
– O que foi, Pontas? — Remus perguntou e Lily franziu o rosto para o apelido.
– Eu já volto. — a ruiva se apressou para o banheiro, ignorando os olhares que recebia das amigas. Já tinha uma ideia do que poderiam estar pensando.
Uma vez que estava no cômodo, sentiu seu celular entoar a melodia de Florence + The Machine, “Seven Devils”. Ela franziu seu cenho, tentando pensar em quem ligava. Deixara esse toque apenas para o pessoal do grupo de teatro de Oxford, no qual ela era a assistente do diretor. Era sábado e eles estavam ensaiando e a ruiva se sentia mal por não estar lá. Pedira esse dia de folga e o diretor mais que prontamente aceitou.
– Alô? — ela atendeu e, ao fundo da outra linha, pode ouvir barulhos de móveis sendo arrastados e de uma voz familiar, próxima ao seu ouvido, praguejando.
– Severus? — ela perguntou, com uma preocupação crescente em seu peito. Sua mente já imagina os possíveis cenários de destruição que poderia ter acontecido no teatro. Alguém esquecendo o roteiro, mesmo que eles já devessem ter decorado, ou o cenário e figurino terem desabado, era a menor de suas preocupações.
– Lily! — Severus Snape respondeu. Ele era seu amigo próximo e fiel e estava quase emparedado com suas colegas de quarto. Os dois se conheceram no grupo de teatro e, como ela, ele ficava nos bastidores, cuidando da iluminação e da parte técnica. Sua voz falhou ao exclamar seu nome. — Então, lembra quando dissemos para que aproveitasse a folga pois cuidaríamos de tudo aqui sozinhos no grupo?
– O que aconteceu? — ela foi direta, prevendo o pior. Alguns poderiam dizer que ela era pessimista, mas a ruiva apenas dizia que era uma forma de não se decepcionar muito, em qualquer situação.
A porta do banheiro se abriu e um grupo de amigas entrou, retocando o rímel e o batom. Desconfortável, Lily saiu do recinto e se recostou na porta do lado de fora, ainda fora de vista da mesa onde estava sentada anteriormente.
Severus pareceu hesitar e, no fundo, ela ouviu a voz de Emmeline Vance se elevar a um grito, exclamando algo em uma voz raivosa.
– Ok, ninguém está lembrando de seus respectivos roteiros e todos os atores estão parados, sem fazer nada.
Lily suspirou. Não era tão grave quanto esperava. Só precisava lidar com atores egocêntricos.
– O sr. Finnigan não disse nada?
– Ele saiu um pouco depois de você, dizendo que precisava tratar de assuntos importantes. — Lily podia imaginar o amigo estava revirando os olhos ao falar. — Tentei ligar para ele, mas o telefone está fora de aérea e a nossa única opção era você.
– Ok, eu estou indo pra aí agora.
– E eu sei que você deve estar aproveitando sua folga e não quer ser interrompida...Espera, o quê?
– Devo chegar em 20 minutos. — ela disse olhando para o relógio na parede do bar. Em seguida, acrescentou para confortar Severus. — Esse bar está entendiante mesmo.
– Espera, você, Lily Evans, em um bar? — ele parecia querer rir, mas tentava se controlar, de modo que sua voz saia esganiçada.
– Depois eu explico. Tchau. — e desligou. Apesar dela precisar resolver um problema, ás vezes tudo que ela queria fazer era arrancar seus cabelos. Trabalhara tanto naquela peça, que estreava em semanas, que não poderia tolerar falhas agora. Precisava ser racional e ir até lá.
Mas, antes, precisava confrontar suas amigas e os Marotos.
Antes de voltar para a mesa, Lily passou no caixa e pediu um chá para viagem, para se esquentar enquanto ia pelas ruas geladas de Londres. Pegando o copo quente com suas mãos, ela se dirigiu á mesa de suas amigas e dos Marotos e parou em frente, de pé. Todos olharam para ela com uma expressão curiosa. Sabia que estava com a cara preocupada e desesperada que sempre insistia em aparecia em seu rosto, mas não se importou de estar com ela na frente de estranhos.
James olhou para ela surpreso, como se esperasse que ela nunca retornasse do banheiro. Lily se perguntou o que estariam conversando em sua ausência. Certamente sua repentina saída deixara a todos mais a vontade.
– Preciso ir embora. — ela anunciou enquanto pegava sua bolsa. Marlene a olhou incrédula e confusa, o mesmo olhar dos outros. — Uma emergência no teatro. — foi tudo o que disse.
Suas amigas assentiram com a cabeça e Dorcas disse aos meninos que explicaria depois, pois eles ainda continuavam alheios ao que estava acontecendo.
Estava na porta de entrada quando sentiu uma mão em seu braço. Olhou para saber quem a segurara e, ao ver o dono das mãos, suspirou, impaciente.
– Olha, Potter, eu realmente preciso ir. É algo importante.
– Sim, foi impossível não perceber a gravidade do assunto ao olhar para seu rosto. -James revirou os olhos, mas havia um certo brilho neles, como se estivesse com um pensamente específico que o divertia.
– Então, se me der licença… — ela puxou o braço, livrando-se do garoto. Ia se virar novamente quando James, que estivera mexendo em seus cabelos rebeldes escuros e olhando para os lados, pareceu sair de seu transe e estendeu seu casaco para ela, se explicando:
– Você esqueceu na mesa.
Enquanto Lily pegava o objeto, que estava dobrado, de suas mãos longas, ela observou seu rosto em busca de algo que o denunciasse. De fato, o Potter parecia estar reprimindo um sorriso.
– Obrigada. — e saiu, percebendo o relance dos olhares das pessoas que estavam na mesa em que estivera e o olhar do Potter a suas costas.
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