Vienna
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O local onde ficava o teatro amador dos alunos de Oxford era um galpão a algumas quadras da Universidade. Aqueles que faziam parte do grupo eram alunos de diversas áreas de ensino, desde Arquitetura e Medicina até Ciências da Computação e Economia. Apesar das diferenças pessoais de cada um, todos se sentiam dentro de uma família. Uma família instável e muitas vezes cansativa, mas, ainda assim, uma família.
Era isso que Lily pensava enquanto pagava o motorista do táxi em que acabara de sair. Chegava a ser cômico a frequência com que os desastres no grupo chegavam a acontecer. No começo, eram até toleráveis, quando tudo o que faziam eram pequenos exercícios de atuação e todos só estavam ali para aliviar o estresse dos estudos. A própria Lily apenas entrara por indicação das amigas, que diziam que ela estava muito estressada e precisava relaxar. No começo, ela hesitou. Oras, não sabia nada de atuação e esse clube apenas seria mais uma coisa na sua lista de compromissos já longo. Mas, no fim, ela cedeu.
Quando entrou, ela quase se arrependeu de não querer participar dele. Ninguém se importava se você sabia atuar, se andava esquisito ou tinha uma pereba enorme no rosto. Os encontros eram marcados por muitas risadas e as atuações eram inspiradas em circo. Até chegaram a usar uma fantasia de palhaços em uma apresentação livre no refeitório da faculdade.
Apesar do clima Glee do clube de teatro, como no seriado, chegou um momento em que eles sentiram a necessidade de trabalharem em algo mais sério. É importante ressaltar que Lily, nesse momento, era apenas uma "atriz" no local e apoiou a decisão feita pelo coordenador, Sr. Finnigan, e por todos.
Escolheram interpretar Os Miseráveis, mas ninguém sabia cantar — bem, Amos disse que sabia, mas todos já o viram soltando sua voz o suficiente para saber que o seu maior fã era o chuveiro. Tentaram Romeu e Julieta, mas acharam óbvio demais. Por fim, contentaram-se com a Abadia de Northanger. O roteiro e a adaptação ficou a cargo de Lily. Cargos e papéis foram distribuídos a todos e aqueles que não conseguiram um foram mandados para os bastidores. Alguns reclamaram, em uma longa discussão, mas cederam. Então a peça foi montada e, nesse meio tempo, Lily descobriu que sua verdadeira paixão era ficar atrás das cortinas e cuidar de cada mínimo detalhe para que tudo saísse perfeito. Não só porque escrevera o roteiro, mas porque precisava sentir orgulho de sua pequena família desajustada no fim.
Então, no presente, com um salário pequeno que teve que aceitar e subindo ao cargo de assistente de diretor, Lily saía do táxi com uma impaciência típica. O sangue subia para seu rosto enquanto pensava que estavam tão perto de se apresentarem e ainda tinha gente agindo como se fossem uma Idina Menzel ou um Tom Hanks da vida. Tudo estava planejado e o que aparecia para ela perto da estreia? Alguém querendo estragar tudo, claro.
Lily entrou no galpão e amaldiçoou a porta do local quando ela rangeu altamente ao ser aberta.
– Não reclama. Não é você que sobra como a opção de cuidar de tudo.
Não era a primeira vez que o Sr. Finnigan deixava a Lily no controle de tudo, dando uma desculpa qualquer de tinha uma reunião de professores ou algo pessoal. No fim, todos sabiam que ele ia encher a cara em um bar próximo (os garotos já o viram uma vez). No começo, a ruiva não reclamava porque, claro, era uma ótima forma de treinar em como ser uma líder, algo que ela almejava ser quando se formasse. Contudo, com o passar constante das vezes em que teve de ser a babá de todos, sua paciência já estava se esgotando.
Quando entrou, ela se encontrou em uma pequena sala que era usada como recepção. Não tinha muitas coisas, até porque a verba do teatro era usada para figurinos e outras coisas essenciais. Sem contar o salário de Lily. Então, no fim, a única coisa que se encontrava no cômodo era um sofá e uma mesa.
Lily ouviu um barulho de algo caindo e olhou na direção do som. Vinha do auditório, onde ela podia ouvir as vozes de seus colegas. Ao escutar os gritos e mistura de vozes falando ao mesmo tempo, Lily se apressou na direção, querendo acabar logo com essa situação.
Chegando ao local de extrema confusão, os olhos da ruiva se arregalaram e ela deixou a bolsa cair no chão enquanto gritava:
– O que diabos está acontecendo aqui?
Instantaneamente, todas as vozes ali presentes se calaram. Lily se aproximou deles, lentamente, observando o estrago que fizeram. Estava claro que não era apenas com atores teimosos que ela teria que lidar. No centro do palco, as luzes que ficavam em cima haviam caído, abrindo um furo no chão.
Desespero tomou conta da assistente, que novamente gritou:
– O que aconteceu aqui?
Todos estavam calados, sem saber o que dizer. Sabiam o quanto ela poderia ser brava e ninguém estava a fim de receber pedradas.
Impaciente, Lily se dirigiu até Severus, que estava agachado ao lado do lustre quebrado, já que ele cuidava da parte técnica. Ele a olhou se aproximando e, antes que ela perguntasse algo de novo, apontou:
– Eu disse que você precisava vir logo. – e deu uma risadinha seca.
– Estou vendo. Como que um desentendimento, – e se virou para os outros, abrindo os braços para indicar o estrago, – foi parar nisso?
Amos Diggory, levantando os ombros, foi até ela com uma pose galante. Lily, levantando as sobrancelhas ruivas, esperou ele se pronunciar.
– Então, – ele começou – foi tudo culpa da Emmeline!
A atriz soltou um som de espanto, e, com o rosto imóvel em uma expressão de descrença, foi até onde ele estava e se defendeu:
– Eu?! Sério? Não foi eu que puxou os fios da fiação elétrica das luzes achando que era uma corda.
– Eu não teria puxado a corda se não tivesse sido empurrado por você.
– Eu escorreguei no chão que, por sinal, estava escorregadio pela a vitamina que o Frank o derramou! – e apontou para o citado, queimando-o com os olhos.
– Foi um acidente! – ele se defendeu.
Do fundo, olhando para a briga com um sorriso satisfeito nos lábios escuros, Bellatrix Lestrange sussurrou:
– Claro que foi.
Mais vozes se juntaram a gritaria, martelando a cabeça de Lily e esgotando a sua paciência. Massageando as suas têmporas, gritou novamente, sem sucesso, então assobiou, conseguindo a atenção do grupo.
– Severus, você consegue arrumar o lustre? – ele assentiu. – Ótimo. Que isso não se repita a não ser que alguém queira sair do grupo. Podemos estar a menos de um mês da estreia, mas eu não me importo de expulsar aquele que agir de forma imatura. – tudo bem, isso era uma mentira. Ela se importava, e muito.
Prosseguiu:
– Quero que todos voltem ao ensaio e espero que não hajam problemas. Estarei sentada se algo acontecer.
Dizendo isso, Lily se afastou do palco e se sentou, na primeira fileira da arquibancada. O resto do grupo se dispersou para voltar à seus postos, pegando os roteiros.
– Vamos ensaiar a cena na ópera em que Catherine encontra os Tilneys e explica o mau entendido do passeio. — ela comandou lendo a cópia de seu roteiro.
A cena começou e Lily precisava admitir que seus atores, apesar de egocêntricos, eram muito talentosos. Alice Brown interpretava uma Catherine Morland tão verídica que ninguém acreditaria que aquela garota em um vestido moderno não pertencia ao período regencial. Frank Longbottom tinha a lábia e o carisma de Henry Tilney, fazendo jus à esse herói criado por Jane Austen. Era quase irônico como Vance entrara na pele de uma personagem com uma personalidade tão diferente dela como Eleanor Tilney era, com sua doçura e elegância.
Era nessas horas que Lily tinha orgulho do que fazia. A peça iria estrear em um mês, e ela tinha certeza de que sentiria orgulho de pertencer ao clube de teatro.
No fim das contas, o resto da tarde passou tranquilamente. Quando o ensaio acabou e os atores foram se arrumar para ir embora em quartos que serviam como camarins, Lily se untou ao das garotas e ficou dando conselhos de atuação até que decidiram mudar de assunto e falar, claro, dela.
– Então, Lily, – Alice começou enquanto enrolava seu cachecol vermelho em volta do pescoço. – como foi no bar do Três Vassouras?
– Bem.
– Só "bem"? – Emmeline não aceitou a resposta. – Nada de surpreendente ou abrasador?
– Claro, – Lily bufou – se por a Lene e o Sirius ficarem se comendo você entender por esses adjetivos.
– Bem, é algo. – ela ponderou.
As meninas teriam continuado a conversar se, nesse momento, o som de um celular tocando, impaciente, não tivesse começado. Quem estava naquele cômodo começou a revirar bolsas e bolsos até que Lily disse, alto:
– É o meu, com licença. – e se afastou para poder conversar em particular com uma pessoas que não dava notícias há algum tempo.
– Mãe?
– Lily, meu lírio. – a dita cuja revirou os olhos pelo apelido que era chamada por sua mãe desde que tinha noção de sua existência.
– Oi, mãe. – ela respondeu enquanto examinava um vaso de cactos no corredor — Você não me liga há algum tempo. Aconteceu algo?
– Nada, exceto que – um riso foi ouvido – sua irmã está noiva.
– O quê?! – o espanto transbordou na voz de Lily. – Petúnia? Eu não me recordo de ela estar sequer namorando na última em que chequei.
– O cara é recente. Em dois meses já a pediu em casamento. – a voz de sua mãe estava empolgada e Lily se perguntou porque ela tinha permitido. Dois meses! Por mais que detestasse sua irma mais velha, era inevitável pensar que, logo logo, qualquer que fosse a chama do amor – ela ficava enjoada de pensar desse modo — existente, ela logo apagaria e um casamento já infeliz no começo não era algo desejável a ninguém.
– Isso não vai dar certo. – ela comentou.
– Calma, ele é gente boa, filha.
Disso ela duvidava. Qualquer ser humano que conseguisse aguentar Petúnia não podia ter boas intenções.
– Mãe, dois meses não é tempo suficiente nem para se adaptar à faculdade, quem dirá para decidir o resto da sua vida. Já pensou na possibilidade dela estar grávida?
Lily não queria ser tia tão cedo, mas era um motivo plausível para uma união matrimonial precoce.
– Bem… – sua mãe ponderou e, devido ao que ela disse em seguida, a filha teve certeza de que ela não cogitou tal possibilidade. – Eles não seriam irresponsáveis a esse ponto, eu acho. Enfim, você sabia o que aconteceu com a sua tia?
E se prolongou em um monólogo sobre assuntos irrelevantes. Ela era sempre assim, pensou Lily. Quando era pega desprevenida, sempre tentava amenizar a situação ou esquecê-la por um tempo.
Foi assim que reagira quando o pai das meninas as abandonaram.
Lily se recostou na parede, ouvindo a mãe. Colocou a mão no bolso do casaco, sentindo os dedos alcançarem um papel que ela jurava não estar ali antes. Tirou-o do bolso, com o cenho franzido, e sua carranca não melhorou ao ler o que ali estava escrito: " Me ligue. Assinado: James Potter.", seguido um número de telefone.
– Inacreditável. – ela murmurou, descrente, encarando o bilhete em seus dedos. "Como ele é atrevido!"
– Eu sei! – sua mãe exclamou na outra linha e a ruiva percebeu que a mais velha deveria ter pensado que a filha estivesse se referindo a qualquer fofoca que estivesse contando.
– Depois a gente se fala. – ela disse devagar, uma ideia se formando em sua mente. — Até mais.
– Até mais! Tchau.
Lily encerrou a chamada e se dirigiu novamente para perto das meninas, com um sorriso no rosto. As chamou e, quando a olharam, balançou o bilhete do Potter a sua frente, perguntando:
– Alguém quer o telefone de James Potter?
(...)
Alguns dias mais tarde, enquanto almoçava no campus de Oxford, ela recebeu o convite. Os ensaios estavam acabando e, como comemoração, todos decidiram dar uma festa de encerramento na república de alguns integrantes.
No momento do convite, a estudante estava sentada com as amigas a com Sirius, Remus e Potter. Tal cena infelizmente se tornara constante. Marlene e seu namorado passavam quase o tempo todo juntos e, de brinde, o Black trazia os amigos juntos.
Onde um estava, o outro também se juntava. Os quatro eram unha e carne.
Emmeline se aproximou da mesa do grupo, com um sorriso no rosto e Bellatrix Lestrange a seu encalço. As duas ofereceram convites verbais e Vance disse:
– Queremos todos lá. Principalmente a Lily. – ela lançou um olhar a ruiva, que apenas levantou a sobrancelha.
– Eu não posso ir. – ela recusou o convite, levantando uma mão no ar quando as meninas do teatro iam replicar. – Eu tenho que terminar uma pesquisa e, apesar do prazo ser a apenas duas semanas, ele é longo e não vai se terminar sozinho.
– Um dia não vai fazer mal a ninguém. – Lestrange revirou os olhos, sorrindo para James em seguida.
– Se esse dia for um final de semana, então, sim.
– Lily, vamos lá. Você realmente quer perder a festa de encerramento de algo que você trabalhou tanto? – Marlene entrou na onda das outras garotas, em um tom de voz que indicava que estava cansada da conversa. Suspirando, Lily aceitou.
– Tudo bem.
As meninas comemoraram, e Emmeline acrescentou:
– Ah, vai ser logo depois do último ensaio no sábado, então vamos todos direto pra festa, se não for problema.
– Sem problemas. – a ruiva disse, pensando em como preferiria a sua cama e mesa de estudos no sábado à noite.
(...)
A campanhia da república novamente tocou e Amos pediu para Lily abri-la. A ruiva, que nesse momento tentava achar uma escapatória para estudar em algum canto tranquilo da casa, atendeu-o. Passou por alguns colegas bêbados que já tropeçavam nos próprios pés e abriu a porta.
– Olá, pessoal. – ela cumprimentou suas amigas e os Marotos que estavam parados do outro lado. Ela se afastou da porta, abrindo o caminho para eles. — Entrem.
Do lado de dentro, Sirius comentou, com Lene em seu encalço:
– Eu não sei vocês, mas eu vou ali no bar com a minha mulher. – e se afastou com Marlene na direção do local. Lily observou Pedro indo na mesa com os salgados e o Potter sendo puxado para um canto por Bellatrix, que brotara de algum canto quando vira o estudante.
– Eu queria beber, mas fiquei responsável por levar as minhas amigas pra casa em segurança. – Dorcas se lamentou e, avistando alguém no meio das pessoas, se afastou.
No fim, apenas sobraram Remus e ela. Eles ficaram quietos, desconfortáveis. Por mais que os dois fossem os que mais tivessem algo em comum naquele recém formado grupo, eles não tiveram realmente muito tempo para conversarem.
Ele fez um barulho com a boca, chamando a atenção dela, que estava analisando a unha. Ela olhou para ele.
– Então, como vai a sua pesquisa?
Ela sorriu minimamente para ele, grata pela quebra do silêncio desconfortável.
– Bem. – ela respondeu e, para quebrar aquele desconforto, ela acrescentou:
– Na verdade, eu estava tentando achar algum lugar para continuá-la.
– Ah, claro. — ele começou a se afastar. – Eu vou te deixar terminar.
E saiu. Suspirando, Lily se afastou do centro da festa, subindo as escadas da casa e entrando em um quarto vazio. Se esparramou em uma mesa de canto, abrindo a sua bolsa e tirando seu caderno e um livro didático. Ela preferiria adiantar o trabalho, aproveitando que estava no pique para fazer a pesquisa sem se distrair, o que não aconteceria se ficasse no andar de baixo. Primeiro, que os bêbados sempre iam acabar derrubando alguma coisa no seu material e segundo que festa não era lugar para se concentrar em estudos. As pessoas iam festejar para se esquecer deles.
Essas eram apenas desculpas para o real motivo de que, ela, Lily Evans, odiava festas. Ela não era anti-social, gostava de sair com os amigos, mas se tocassem no assunto festas, bebidas, gente se pegando, ela recusaria. Simplesmente, não era a "praia" dela.
Ela ouviu o barulho de alguém quebrando algo e se virou para reclamar com o responsável. Porém, seus movimentos congelaram quando ela percebeu quem estava na porta do quarto. Ou melhor, quem estavam.
Ali, no batente da porta, aos beijos com a namorada de Frank Longbottom, estava Sirius Black. Lily, desesperada, olhou para os lados e se recolheu perto da janela, sem saber o que fazer e com medo de que a notassem. Os dois, aparentemente bêbados, não a notaram e continuaram se beijando, Sirius prensando Lissa na parede enquanto ela enrolava as pernas em em sua cintura.
Depois que o choque passou, Lily pensou em formas de sair dali e contar para Marlene sobre o seu "perfeito namorado" a traindo. Em seguida, ela pensou em Frank, que lembrava uma filhotinho de estimação, sendo enganado. Ela não era tão próxima dele, mas o garoto não merecia ser chifrudo. Ninguém merecia.
Mas, sendo quem era, a possibilidade de não acreditarem nela era grande. Então, restava apenas uma opção.
Tentando fazer o mínimo possível de barulho, Lily tirou o celular de seus bolsos, tirando uma foto do casal. Em seguida, olhou para a porta, querendo desesperadamente sair. Infelizmente, os dois estavam do lado da passagem. "Droga!"
No fim, ironicamente, foram os dois que a ajudaram. Se dirigiram para a cama e Lily se apressou para a porta, indo pelos cantos para não ser vista. A porta ainda estava aberta, o que facilitou para a ruiva, mas era um perigo para o casalzinho. "Tinham que estar bêbados mesmo."
Do lado de fora, ela desceu correndo as escadas, com uma ânsia subindo em seu estômago. Se dirigiu a cozinha, pegando um copo de água e encostando as costas na parede gelada. Engoliu o conteúdo do copo em um gole, fechando os olhos e sentindo o vento bater em seu rosto.
– Lily?
A ruiva abriu os olhos, sentindo uma mão em seu ombro. Encontrou o rosto do Potter a sua frente, cuidadoso e com o cenho franzido. Segurava dois copos em uma mão com um líquido transparente — provavelmente álcool — enquanto a outra continuava repousada no ombro da garota. Ela olhou para essa mão, nauseada demais para fazer qualquer movimento.
– Você está bem? – ele perguntou e a consciência dela voltou. Claro, não estava bem, mas ver James ali, perguntando se ela estava bem enquanto o seu melhor amigo estava traindo a namorada no andar superior, fez seu sangue esquentar de raiva.
Ela mexeu seu ombro, impaciente, até que James tirasse a sua mão do local.
– Eu estou ótima! – ela exclamou enquanto retirava as costas da parede e começava a andar. O que foi uma má ideia.
A tontura voltou, escurecendo os cantos de sua visão. Ela estancou no lugar e colocou a mão na parede, esperando a sua visão voltar ao normal.
James colocou os copos que segurava em uma mesa, voltando a colocar, agora ambos os braços, em volta da cintura dela, aparando-a.
– Você é acostumada ao álcool? Porque, sabe, algumas pessoas não aguentam muito tempo.
– E eu presumo que você aguente. – ela zombou no momento em que ele a conduzia até uma cadeira. – Não, eu não bebi nada. Simplesmente não é comigo. Deve ser algo passageiro.
Ela se sentou, enterrando o rosto nas mãos. Ela odiava quando precisava fazer algo e não conseguia se concentrar, ficando com uma sensação de vazio em seu peito. No momento, a cena que presenciara momentos antes se repetia em sua mente, várias e várias vezes, até que se misturassem e criassem um redemoinho nos seus pensamentos, intensificando a dor de cabeça.
– Você precisa ir no médico.
– Concordo. — ela concordou a contra gosto. Se levantou, dessa vez sendo mais cuidadosa. James fez menção de ajudá-la e, hesitante, ela ajudou. Francamente, ela estava morrendo. Não deveria existir sequer pensamentos de segunda intenção na mente do garoto. – Apenas preciso chamar a Dorcas para me levar.
Dorcas era a única das três amigas que estava de carro, como comentara.
– Eu posso te levar. – James replicou franzindo as sobrancelhas quando passaram pelo batente da cozinha, entrando em um corredor.
Lily riu, fraca.
– Não, ela é a minha amiga. E, além do mais, você deve estar meio ocupado. – ela indicou vagamente na direção da cozinha, onde os copos com álcool foram deixados para trás. É claro que ele havia estado no local, em primeiro lugar, para pegar bebidas para e ele e mais alguém. Bellatrix, talvez? – E dirigir alcoolizado nunca é uma boa ideia.
James bufou e a conduziu a sala. Quando chegaram, Lily fez um gesto para que ele parasse e procurou a amiga pelos olhos. A encontrou conversando com um garoto de jaqueta preta e pediu para James ajudá-la a chegar ao local. Enquanto se aproximavam, Dorcas viu a amiga e seus olhos se arregalaram.
– Lily! O que aconteceu? – ela exclamou, e pediu licença ao garoto com quem conversava. Se aproximou da amiga, olhando para James, sendo óbvio que era para ele responder.
– Eu a encontrei quase desmaiando na cozinha.
– Eu posso falar por mim mesma, obrigada. – ela sussurrou, mas ele a ignorou. Teve uma vontade de se soltar dele, mas não confiava em si mesma. Então, olhando para a amiga, prosseguiu. – Você se importaria se formos ao médico?
– Claro que não. E ficar aqui com você morrendo? – estendeu os braços para a amiga. – Eu assumo daqui, James. Obrigada
O garoto relutou em se soltar de Lily, deixando seus dedos por uns segundos a mais do que o necessário, e se afastou.
— Onde está Marlene? – Lily perguntou. – Precisa avisar que ela vai ter que voltar com o Black. Não que para ela isso seja um problema. – ela franziu as sobrancelhas.
— Nem passando mal você relaxa, meu Deus. Ela está ali. Marlene! – chamou e a amiga veio. – Cadê as suas coisas, Lily?
O rosto de Lily empalideceu com a pergunta. Nem em seus mais remotos sonhos que ela voltaria ao quarto onde a sua vertigem começara em primeiro lugar. Pensou em uma desculpa rápida.
— Deve estar em algum canto. Depois peço para Amos me devolver.
Dorcas deu de ombros e Marlene chegou, o rosto preocupado.
— O que aconteceu, Lily?
— Ela não está bem. — Dorcas respondeu e Lily se sentiu irritada por mais uma vez responderem por ela. — Vou levá-la para o hospital e você vai ter que voltar com o Sirius.
— Não, eu vou junto. Eu só preciso avisar o Sirius e pegar as... — um barulho de vidro se estilhaçando interrompeu Marlene. Os outros presentes da festa se dirigiram para a direção barulho, ávidos por qualquer confusão que estivesse acontecendo.
Lily continuou parada e as suas amigas também. Ouviram alguns gritos e grunhidos de dor e, em seguida, Frank abriu caminho pela multidão, o rosto corado e os olhos faiscando, selvagens. Tinha um pequeno corte na testa, mas o garoto não fez nenhuma menção de limpá-lo.
— Frank? — Marlene chamou ele, que se virou para ela, o rosto ainda na mesma carranca. Ao olhar para a conhecida apenas levantou a sobrancelha. As outras pessoas se dividiam entre ajudar quem quer que Frank estivesse brigando e em encarar a saída dramática dele. — O que aconteceu?
Um sorriso de escárnio cruzou seus lábios e, levantando os braços, cuspiu a frase:
— Por que não pergunta isso para o seu namorado?
E saiu pela porta da frente, empurrando aqueles que estivessem em seu caminho.
Com a testa franzida, Marlene correu na direção do local da confusão. Lily afundou mais no sofá, sentindo seu estômago se revirar, mas ela sabia que dessa vez era apenas psicológico.
— Ele descobriu. — o que era, ao mesmo tempo, um alívio e um medo.
— O quê? — Dorcas perguntou.
— Nada.
Depois de alguns instantes, Marlene voltou a passos rápidos para a sala. Seu rosto estava tentando parecer forte, mas era perceptível as lágrimas escapando dos seus olhos.
— Vamos logo. — chamou as duas amigas, se dirigindo para a porta. Sem pestanejar, elas a seguiram e, dando uma última olhada para trás para confirmar a sua ideia, Lily confirmou. Sirius vinha correndo e chamando por Marlene, agitado, tropeçando nos móveis e pessoas. Logo atrás, Lisa o acompanhava, arrumando a barra da blusa.
Lily voltou o rosto para a frente, temendo que o seu lanche da tarde voltasse de vez.
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