Vidas Trocadas.
8 Você sempre será...
Notas iniciais
"....Sinto a calma em volta de mim,
O teu vento vem me perturbar;
Me envolve, me leva daqui;
Me afoga de novo no mar..."
Saída de Central City — Posto de gasolina
Narrador
Caitlin olha o relógio digital no painel do carro. Passa um pouco das duas da madrugada quando estaciona naquele que seria o último posto de gasolina antes de sair definitivamente do limites de Central City e entrar na rodovia inter estadual, rumo a Star City, ou Starling , como a cidade é carinhosamente chamada por seus moradores.
A chuva havia amenizado um pouco mas não parara em momento algum. Ela desce do carro,abastece-o e segue até a loja de conveniências a fim de pagar pela gasolina e também comprar água e algo para comer.
No porta malas,escondido embaixo dos diversos pacotes,malas e valises, Thomas desperta ao escutar a pancada surda da porta sendo fechada. Cuidadosamente, afasta as bagagens, erguendo a cabeça. A motorista havia saído. Teria que aproveitar essa oportunidade para sair caso contrário, precisaria esperar até chegarem ao final da viagem para fazê-lo. Ou se apresentar para a garota que dirige o veículo..." Não me parece ser uma boa ideia!", pensa, deslizando entre os bancos traseiros, tendo o cuidado de não aparecer muito,apesar de os vidros fumê darem uma certa proteção..."Renegade sport....—avalia -.." Sorte minha !". O espaço interno do carro permite que se movimente com certa facilidade e sem chamar muita atenção. Ficando de joelhos sobre os bancos traseiros, observa o movimento do lado de fora. Algumas poucas pessoas transitavam,indo e vindo da loja de conveniências. Volta-se para a porta do seu lado direito preparando-se para sair. Porém, ao tentar abri-la, o alarme do carro dispara,assustando-o e fazendo com que se deite sobre os bancos..."Brincadeira! Ela deixou o carro destravado em um local sem segurança,onde não podia vê-lo, e aqui,onde pode ver perfeitamente,trava!",pondera sem conseguir evitar o riso. O som do alarme sendo desativado o deixa em alerta. Sem alternativa, se espreme no espaço atrás do banco do motorista, já que se tentasse voltar para o porta malas depois do alarme ter, com certeza, chamado a atenção de todos que estavam no posto, seria visto. Ao fazê-lo, sente o corpo inteiro doer lembrando-o dos ferimentos pela passagem na estreita janela, o arame farpado, as várias quedas durante a corrida até chegar ao local onde entrou no carro bem como a queda ribanceira abaixo. Sem contar o fato de estar usando apenas meias para proteger os pés já que seus sapatos ficaram presas no lamaçal ao redor da casa.
Prende a respiração ao ver a jovem olhando pelo vidro, tentando visualizar o interior. Quando ela aciona os vidros elétricos fazendo-os começarem a descer,prepara-se para os gritos e por conseguinte a fuga que teria que iniciar.
—Senhorita!- escuta alguém chamando-a antes que os vidros desçam totalmente,muito embora, se ela olhasse para dentro naquele exato momento, o veria da mesma forma que ele a via.- Seu cartão. Esqueceu seu cartão — escuta uma voz masculina mais perto. Ela esboça um sorriso leve, o que a deixa ainda mais atraente, começando a fechar os vidros, para seu alivio.
—Obrigada.Estou com a cabeça nas nuvens! — agradece.
—De nada. Algo errado com o carro?- quer saber — Posso ajudá-la?
—Não. Ao que parece, deixei algum dos vidros mal fechado e o vento deve ter feito o alarme disparar.- justifica,dando a volta em direção a porta do motorista,abrindo-a a seguir- Obrigada mais uma vez.- repete,entrando no carro- Boa noite.
—Boa noite e boa viagem senhorita. — diz o homem,afastando-se.
Ela liga o motor e sai, pegando a inter estadual a caminho de Star. Encolhido atrás do banco,Thomas lamenta-se por ter perdido a última chance de voltar para casa.
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Cait & Tommy
Ligo o som do carro,colocando um dos cds que Jeff gravou para mim com minhas músicas favoritas enquanto estava em Los Angels Angeles. A primeira música reproduzida é uma das minhas favoritas do Maroon 5 — Sugar. Acompanho a canção, tomando um gole de água de vez em quando, "dançando" com as mãos, acompanahndo o ritmo da melodia.
O relógio marca três e meia. Suspiro. Estou tendo cuidado redobrado pois sei que a pista é bastante escorregadia quando chove. Já tinha vindo a Central de carro outras vezes com meus pais e amigos. A última vez tinha sido vinte dias atrás,junto com os irmãos Queen e Roy, pegar as encomendas para a festa. Sorrio lembrando da ameaça feita por Thea, na ocasião, caso eu perdesse a festa. Envolta em minhas lembranças, me assusto ao ver surgir um carro na contramão vindo em minha direção. Desvio,por puro reflexo, trazendo o carro para o acostamento. O veículo desliza e por muito pouco não perco o controle o que me levaria a cair ribanceira abaixo. Piso firme no freio,parando-o em um "cavalo de pau" e quando o carro para,escuto um gemido baixo.
A principio,penso ser fruto de minha imaginação,visto que ainda estava em choque pelo quase acidente de agora a pouco.
—O infeliz nem parou pra saber se eu estava bem! — bufo para mim mesma, voltando a ouvir o gemido novamente,desta vez seguido por movimentos vindo de trás do banco no qual estou sentada. Jogo o braço para trás lateralmente e toco alguma coisa,que me parece ser cabelo. Imediatamente,solto o cinto, acendo a luz interna e, girando o corpo no acento, vejo que tem alguém espremido entre os bancos do carro.
Antes que tenha a chance de falar ou fazer algo, a pessoa sai do lugar onde estava, segurando meu pulso, sentando-se na ponta do banco traseiro. Prendo a respiração, assustada,para logo em seguida, sem dar-lhe oportunidade de fazer qualquer coisa, gritar, soltando todo o ar preso em meus pulmões ao mesmo tempo em que o empurro com toda minha força contra o banco,pegando-o de surpresa, libertando meu braço. Me viro, abrindo a porta, saindo do carro sem me importar com a chuva,que voltara a cair torrencialmente.
Do lado de fora, começo a correr em direção ao outro lado da pista,sem prestar atenção se vinham outros carros ou não. Mal tinha dado alguns passos,sinto-me ser agarrada pela cintura e puxada violentamente contra seu corpo.
—NÃO!!!.ME LARGUE! ME LARGUE!- grito desesperada, o coração disparado, me debatendo. Ele me ignora e continua fazendo o caminho de volta para o carro. Ao chegar perto,me ergue do chão, abrindo a porta traseira ,me jogando sobre o banco. Ao vê-lo entrar, colocando-se sobre mim,me apavoro antevendo o que aconteceria. Começo a socar seu peito ao mesmo tempo que tento acerta-lo com o joelho.." Você pode até conseguir o que quer,mas não vou facilitar!", penso,gritando ,me debatendo cada vez mais, escapando das tentaivas que faz para prender minhas mãos, mordendo sua mão quando consegue fazê-lo. Escuto-o gritar de dor,soltando uma torrente de palavões em seguida mas sem me soltar.
—PARE! -ordena,esticando meus braços acima de minha cabeça,me imobilizando com o peso de seu corpo.--PARE!- ordena novamente,apertando meus pulsos contra o banco. Fico imóvel tanto pela dor quanto pelo tom ameaçador de sua voz. Encaro-o, nossas respirações aceleradas pela luta de poucos segundos atrás.
Seus olhos chamam minha atenção não apenas pela expressão de dor quanto pela beleza. São de um azul acinzentado que me fazem lembrar o tempo chuvoso lá fora.
—Por favor,não me machuque! — imploro, as lágrimas brotando de meus olhos- Faço o que você quiser,mas por favor não me machuque- repito, soluçando.
—Não quero machucá-la — escuto-o dizer, a voz mais controlada — Nunca tive a intenção de faz...- vejo-o fechar os olhos,uma expressão de dor. Suas mão afrouxam a pressão sobre as minhas,a respiração parecendo falhar, No momento seguinte, sinto seu corpo simplesmente desabar sobre o meu e, assustada, percebo que desmaiou.
"...Eu posso tentar te esquecer mas você sempre será;
A onda que me arrasta,que me leva pro teu mar..
Me perco no teus olhos, e mergulho sem pensar,
Se voltarei...."
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