Notas iniciais
Como havia prometido, ai está a one shot Rose&Emmett, espero que gostem :)

Nova Iorque


Em Manhattan vivia a família McCarty, desde sempre. Gerações após gerações. Fora nessa belíssima cidade onde os sonhos da família McCarty foram idealizados e muitos deles realizados.


Emmett McCarty tinha a vida que sempre desejou. Um empresário de sucesso. Realizado tanto na vida profissional quanto na pessoal.


Casou-se ainda muito cedo, antes mesmo de entrar para universidade, com a garota que havia conquistado seu coração ainda na adolescência. Elise Donovan, hoje uma pediatra de sucesso que amava tanto sua profissão quanto a sua família.


Elise Donovan realizara o sonho de ser mãe apenas há alguns anos após o casamento. Após varias tentativas frustradas de inseminação in vitro, uma vez que Elise tinha dificuldades para engravidar.


Elise sempre dedicara carinhos e atenção aos filhos dos outros. Sentia-se frustrada por não ter os seus. Todos os dias ela projetava seu amor maternal em seus pequenos pacientes, a espera de seu pequeno bebê. Sofrera todas as vezes que suspeitava de gravidez e os exames davam negativos.


Emmett sempre a abraçava tentando consolá-la. Porém acabava sofrendo junto. Sonhava ter um filho para levá-lo a um jogo de baseball. Uma filha para vê-la dançar, graciosamente, ballet, usando seu tutu cor de rosa. Ambos o chamando de papai.


Foram anos de espera até que Elise recebera a melhor notícia de toda sua vida. O resultado dera positivo. Elise estava enfim grávida.


Meses depois Elise descobrira que era um menino. O garotinho tão desejado pelo jovem casal. Elise, completamente feliz, comprara um par de sapatinhos azul, colocara em uma caixinha, embalagem para presente, enviou para Emmett no escritório com o seguinte recado.


“Em breve chegarei papai, e você poderá me levar para assistirmos nosso primeiro jogo de baseball juntos”


Naquele dia, Emmett mais uma vez se emocionara, como no dia em que descobriu que seria pai. Saiu do escritório e foi comprar o primeiro presente para seu filho, após a descoberta do sexo. Comprara para o bebê uma pequenina camiseta de seu time favorito de baseball.


Naquele mesmo dia Emmett levara Elise para almoçar juntos em um restaurante. Emmett abriu o presente em seguida repousou no ventre de Elise, como se estivesse colocando na frente de seu filho.


[...]


Hoje o filho de Emmett McCarty e Elise Donovan tem cinco anos de idade. Herdara praticamente tudo do pai, até mesmo as covinhas perfeitas e encantadoras que fascinavam a todos. O casal ainda tentava ter a sua garotinha, sua pequena bailarina.


- Papai, papai, olha o que eu sei fazer?! – o pequeno Gabriel gritava com entusiasmo para o pai o seu mais novo aprendizado.


Ele estava na piscina com o pai, e estava com boias nos braços. Gabriel mergulhava a cabeça embaixo d’água, tão logo voltava à superfície ele comemorava.


- Esse é o meu garoto – disse Emmett, segurando o filho pela cintura, tirando-o da água em seguida pondo de volta.


- Vem filho tá na hora de ir para colégio... – Elise o chamou ao chegar à área da piscina, no jardim da casa.


- Não... – Gabriel fez birra.


- Vem filho, obedece à mamãe... Eu tenho que te deixar no colégio e ir trabalhar. O papai também vai trabalhar você não pode ficar aí sozinho.


Emmett sorriu. – Vamos, filho, você ouviu a poderosa chefona.


- Não quero ir, não quero... – Gabriel choramingou tentando escapar das mãos do pai. Emmett saíra da piscina com o pequeno, chorando.


- Quer ir em um aviãozinho? – Emmett perguntou.


- Quero papai – o pequeno respondeu fungando.


Emmett o erguera no ar o máximo que pode. O pequeno abriu os bracinhos passando a imitar um avião, até mesmo um pequeno barulho ele o fez.


Tanto Emmett quanto Elise sorriram ao vê-lo brincar, sem choro. Elise o recebeu enrolando-o na toalha do super-herói preferido. O levou para o banho para que pudesse aprontá-lo para o colégio.


Emmett fora para o banheiro da suíte onde também tomou um banho.


Minutos depois, Gabriel entrou pelado, correndo no quarto e se atirando sobre a cama dos pais. Elise entrara logo em seguida, um tanto molhada, segurando a toalha de banho.


- Emmett fala para o seu filho que ele tem que se vestir para ir para colégio, e que eu irei me atrasar para o trabalho caso ele não coopere. Amor ajuda aqui?!


- Eu sou seu filho também mamãe – Gabriel respondeu, com os olhinhos brilhando.


- Eu sei querido.


Emmett saíra do closet usando um terno preto, faltava apenas pôr a gravata que estava apenas pendurada em seu pescoço.


- Ei campeão você tem que se vestir. Olha só o papai já está pronto.


- Mas eu não quero ir papai – Gabriel respondeu sentando-se na cama.


Emmett foi até ele sentando-se a seu lado.


- Papai promete que joga um pouquinho de baseball com você assim que chegar do trabalho, antes de você ir para a cama. Tudo bem?! – os olhinhos do pequeno brilharam com a ideia de poder jogar baseball com o pai à noite, antes de dormir. – Lise vai se trocar que eu termino aqui com ele.


Elise sorriu. – Ok. Espero que ele deixe você fazer isso.


- Ele vai deixar, não vai filhão? – perguntou, fazendo cocegas no filho que se remexia rindo.


[...]


Minutos depois...


- Nos vemos a noite, querido – disse Elise. – Pedirei um jantar gostosinho para quando você chegar – abriu a porta traseira de seu carro para que Gabriel entrasse.


Ambos trabalhavam em direções oposta, por isso a necessidade de irem em carros distintos. O pequeno Gabriel, já usando o uniforme escolar, também usava uma luva de baseball e segurava uma bola.


- Filho arremessa a bola para o papai – Gabriel fez o arremesso da melhor forma que pode, usando seu sorriso de covinhas iguais aos do pai.


Emmett segurou a bola, fingindo dificuldade. – Belo arremesso filho.


Gabriel sorriu lindamente, chegava até a fechar os olhinhos, que por sinal, eram tão azuis quanto os do pai. Emmett jogou a bola de volta para o filho.


- Eu consegui papai! – comemorou ao conseguir pegar o arremesso do pai. Claro que Emmett usara o mínimo de força possível.


Emmett pegou Gabriel no colo o colocando na cadeirinha de segurança, adequada para sua idade. Logo depois encheu o rosto do filho de beijos.


- Cuida da mamãe, hein?! Quando o papai não está você é o homem da casa – Emmett sabia o quanto o filho adorava ouvir aquela frase.


Gabriel sorriu mais uma vez. – Te amo, papai.


Emmett sorrira da mesma forma que o filho. – Papai também te ama – fechou a porta do carro em seguida foi se despedir da esposa.


- Lise dirija com cuidado – disse após um beijo de despedida.


- Pode deixar querido... – respondeu, antes de entrar no carro.


Emmett entrara em seu carro, ambos saíram da garagem ao mesmo tempo, seguindo apenas direções opostas.


Gabriel ainda acenou para o pai dizendo “te amo papai” enquanto o carro se afastava. Emmett mandou um beijo para eles.


[...]


Do outro lado da cidade...


Rosalie Lilian Hale passava por momentos extremamente difíceis ao lado de sua filha, a pequena Clara, carinhosamente sua mãe a chamava de Clarinha.


Rosalie havia se divorciado do marido Royce King, tão logo recebera o diagnostico de que sua única filha era portadora de insuficiência renal crônica. Royce King agira como um crápula insensível, abandonando mãe e filha em um momento difícil a um futuro incerto.


A pequena Clara fazia hemodiálise desde que recebera o diagnostico de sua doença, isso cerca de um ano atrás. Com apenas quatro anos de idade Clara Hale King já tinha conhecimento do que era viver em um hospital frequentemente. Clara não tinha uma vida normal como as outras crianças de sua idade, há muito tempo Clara já não sorria.


Rosalie se mantinha forte, na medida do possível, diante o sofrimento da filha, a espera de um doador compatível. Clara era uma das crianças da ala pediátrica que necessitava de um transplante o quanto antes.


Clara herdara muito de sua mãe, talvez sorte não ter puxado nada do pai. Um homem tão sem caráter. Os fios de cabelos da pequena Clara eram tão clarinhos que eram quase brancos. Talvez por isso sua mãe houvesse lhe dado esse nome. O mesmo tom de castanho dos olhos da mãe, o mesmo sorriso, porém já esquecido.


Hospital Mout Sinai (Lado oeste do central Park, na esquina com a Quinta Avenida com a rua 100 em Manhattan)


- Mamãe... – Clara sussurrou, deitada na cama hospitalar. Havia vários fios ligados a ela e um tubo de oxigênio. – Estou cansada... – concluiu. Seus olhinhos tinham olheiras notáveis, não só pelo cansaço, mas também pelo seu estado de saúde.


Rosalie, que estava sentada em uma cadeira ao lado da cama, tentava não chorar na presença da filha, porém, algumas vezes, isso se tornava impossível. Seu pequeno anjo que lhe dera tantas alegrias desde seu nascimento, hoje estava sendo privada de uma infância normal por conta de sua doença.


Rosalie estava ciente de que nada mais poderia ser feito por sua pequena Clara se ela não fosse transplantada a tempo.


- Anjinho... Sabe que a mamãe daria a própria vida para te ver sair desse hospital. A mamãe faria qualquer coisa para te ver brincando e sorrindo novamente pela casa... – rapidamente Rosalie secou uma lágrima para que Clara não a visse.


- Mamãe não chore... – disse Clara, tocando a mão da mãe que lhe fazia um carinho no rosto pálido. – Mamãe os anjos existem de verdade? – perguntou, inocentemente.


- Existem, minha vida, e um deles está olhando por ti nesse momento. Você vai ficar bem, amor. A mamãe vai matricular em uma escolinha de ballet, você será a bailarina mais linda de todas com seu tutu cor de rosa – disse Rosalie, beijando a testa da filha, com grande amor.


- Eu quero muito, mamãe – sussurrou a pequena Clara.


- Você vai meu amor, a mamãe promete.


Clarinha levou à mão de sua mãe a altura dos lábios para lhe dar um beijo. Rosalie lhe sorriu emocionada.


[...]


Algum tempo depois...


Em um dos prédios do centro de Manhattan, em uma das empresas McCarty. Emmett recebera um telefonema que mudaria sua vida para sempre.


O telefonema dizia que sua família havia sofrido um acidente de trânsito grave. McCarty deixara o telefone cair de suas mãos com o choque da notícia recebida. Como poderia isso está acontecendo se a pouco os vira sair de casa, felizes?!


Largara tudo que estivera fazendo, indo o mais rápido que pode ao hospital Mout Sinai de onde viera à ligação. Emmett chegara o quanto antes ao hospital, com grande nervosismo, ao lado do irmão Edward.


Na recepção encontrou uma das médicas responsáveis pelo caso, já a sua espera.


- Onde eles estão? – Emmett perguntou, rapidamente.


A doutora parecia formular a frase antes de ser dita. Olhou para Edward, e com um simples olhar Edward entendera que precisava apoiar o irmão.


- Sinto muito... – disse a doutora.


Emmett passou as mãos nos cabelos, com grande nervosismo, e os olhos repletos de lágrimas.


- Não... – ele renegou a notícia. – Onde estão minha esposa e meu filho? – gritou exaltado e as lágrimas vindo a tona.


Edward tocou o ombro do irmão lhe dando apoio. – Calma Emmett...


- Sinto muito, fizemos o que era possível, mas, ela não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito ainda a caminho do hospital. O estado clínico de seu filho é grave, ele está passando por uma cirurgia nesse momento.


Mais uma vez Emmett passou as mãos na cabeça, agora andando de um lado para o outro. Perto dali chutou uma lixeira, com raiva do mundo. As lágrimas o dominavam, a sensação de sufocamento era grande, parecia insuportável até mesmo para ele.


Retirou o paletó jogando no chão, um calor horrível o aquecia. Seu irmão Edward recolheu o paletó amassado e permaneceu segurando.


- Seja forte, irmão – pediu compreensivamente, comovido com a dor que seu irmão estava sentindo.


- Não me peça para ter calma ou ser forte. Você não sabe o que é perder as pessoas que mais ama – disse friamente, encarando o irmão. Era normal que sentisse raiva do mundo, afinal, sua família estava destruída. Edward apenas assentiu com a cabeça, nada disse.


- Quero vê-los – exigiu.


- Pode ir nesse momento ver o corpo de sua esposa, mas terá que aguardar para poder ver o seu filho. Uma equipe médica está com ele tentando salvá-lo.


Pensando no filho ele mentalizou “seja forte campeão”, com todo amor que sentia pelo seu herdeiro.


Depois de uma breve despedida, de sua esposa já sem vida, de choro e negação, McCarty deixara o hospital encarregado do necessário. Saiu daquela sala fria andando pelos corredores do hospital, um tanto perdido. A sensação que sentia era de que seu coração estava sendo esmagado lentamente.


Retornou a sala de espera, reservada para a família, onde permaneceu a espera por notícias do filho, ao lado do irmão Edward.


Alguns instantes se passaram até que o médico responsável pela cirurgia chegou com notícias. Emmett ficou de pé apreensivo.


- Senhor McCarty fizemos o possível... A criança não resistiu...


A última notícia recebida ruíra por completo o que restava do mundo de Emmett McCarty. Nada mais fazia sentido, nada mais valia a pena, não sem a sua família querida.


Como poderia McCarty aceitar a perca de seu garotinho tão risonho e de sua esposa tão querida?! O pequeno anjo de sorriso inocente com covinhas encantadoras iguais as suas se fora para sempre. Como poderia viver sem a família que sempre amou?! Como poderia voltar a viver sem a presença de seu filho tão desejado?! Sem poder ouvi-lo chamar de papai todas as manhãs ao pular em sua cama.


- Não existe um Deus... Como ele pode tirá-los de mim? – disse Emmett para si mesmo.


- Senhor McCarty precisamos saber se autoriza a doação dos órgãos?! Sei que não é o momento, mas é fundamental sabermos para que muitas vidas possam ser salvas. O seu filho pode salvar a vida de outras crianças... Algumas das que necessitam de transplante são totalmente compatíveis.


Emmett encarou o médico. Parecia irritado.


- Não vai tocar em meu filho. Não vou sepultá-lo pela metade.


- Senhor McCarty entendemos que não queria fazer a doação dos órgãos, mas é nosso dever ao menos tentar. Existem outras crianças que poderiam ser salvas com a sua ajuda. Seu filho teve morte cerebral. Alguns órgãos ainda podem ser preservados por algumas horas. O coração e pulmão são os órgãos que menos tempo podem esperar. O intervalo máximo entre a retirada e a doação não deve exceder quatro horas. O ideal é a cirurgia simultânea desses dois órgãos. O fígado resiste até 24 horas fora do organismo. O rim é bastante resistente, com espera de 24 a 48 horas. O pâncreas, como no caso do coração e do pulmão, as cirurgias de retirada e doação, tem de ser feitas quase que simultaneamente. A córnea pode permanecer até sete dias fora do organismo, desde que mantida em condições apropriadas de conservação.


Emmett saíra dali transtornado. Estava sendo extremamente doloroso aceitar perder sua família, e ainda pensar em seu filho amado tendo todos os seus órgãos vitais sendo retirados, mesmo que para salvar vidas, ainda doía muito.


Andou sem destino certo até que chegou a ala pediátrica do hospital. Enquanto andava pode ver, através de algumas janelas de vidro, algumas crianças que faziam tratamento. Distraído por conta de seu sofrimento, McCarty acabou esbarrando em uma moça que também chorava. E parecia tão destruída emocionalmente quanto ele próprio.


- Me desculpa... – a jovem loira que esbarrara em Emmett pedira. Ela era Rosalie Lilian Hale.


Notando que a jovem também sofria, Emmett não resistiu a perguntar.


- Tem um parente aqui?


- Sim... – Rosalie sussurrou. – O meu bebê, minha filha está naquele quarto – indicou com a mão o quarto mais a frente.


Emmett se aproximou do vidro, onde pode notar a presença de uma garotinha tão loira quanto à mãe, deitada na cama hospitalar, respirando com ajuda de aparelhos. Voltou a olhar para Rasalie, então fez mais uma pergunta.


- O que ela tem?


- Insuficiência renal crônica – Rosalie revelou com grande pesar. – Precisa de um transplante de rins. Mas não conseguimos um doador compatível... Nem um dos que chegaram foram compatíveis, e isso já há um ano.


Rosalie estava de olhos inchados. As chances de que sua filha pudesse se curar ficavam cada vez mais escassas com o passar do tempo e o avançar da doença. Naquele momento ela voltava da cafeteria do hospital, parecia coisa do destino se encarregando de cruzar os caminhos, do salvador e do receptor de uma nova vida.


- Não perca as esperanças... – disse Emmett, segurando o queixo de Rosalie. – Sua filha ficará bem... – disse baseando-se no que o médico dissera minutos antes.


Rosalie lhe sorriu fracamente. – Obrigado pelas palavras... – sussurrou.


Emmett olhara mais uma vez através do vidro, a garotinha, que o viu.


“Você vai viver”, pensou Emmett.


- Você tem um parente aqui? – Rosalie fizera assim como ele a mesma pergunta.


- Minha esposa e meu filho...


- Sinto muito – Rosalie respondeu, honestamente.


- Preciso ir. É urgente.


- Até breve – disse Rosalie.


Emmett saiu dali indo procurar pelo médico que cuidara de seu filho. O encontrou conversando com seu irmão Edward. Certamente sobre questões médicas.


- Eu autorizo – comunicou Emmett, assim que se aproximou.


Tanto Edward quanto o médico o olharam surpresos.


- Eu autorizo o procedimento. Pode trazer os documentos que eu assino.


O médico assentiu pedindo para que uma enfermeira fosse buscar a autorização. Enquanto isso Emmett pedira para se despedir de seu filho. O médico o levou até a UTI onde seu filho estava apenas para a conservação de alguns órgãos até o procedimento.


Emmett ficara sozinho no quarto com o filho. Beijou o rostinho já sem vida, fez carinho. Chorou o quanto pode.


- Papai te ama, filho... – sussurrou como se o filho ainda pudesse ouvi-lo. Seu garotinho não mais poderia jogar baseball naquela noite nem em outra mais. McCarty não imaginava como seria sua vida dali em diante. Mas, uma coisa ele tinha certeza, nunca mais seria a mesma.


Assinara a autorização onde permitia a retirada dos órgãos vitais de seu filho para que fosse salva a vida de outras crianças. Uma delas seria a pequena Clara Hale filha de Rosalie Hale.


- Você fez o que era correto, irmão. Permitiu que muitas vidas inocentes fossem salvas através do nosso Gabriel – disse Edward, pensando no sobrinho.


Um tempo depois Rosalie o encontrou, novamente, no corredor próximo a sala de espera.


- Ei! – ela o chamou.


Emmett virou-se para olhá-la.


- Você tinha razão... – disse ela. Emmett pareceu confuso, então ela concluiu. – Sobre não perder a esperança...


Emmett foi até ela e a abraçou. Ele sentiu que havia feito o que era certo. Chorando Rosalie disse.


- Meu bebê conseguiu um doador totalmente compatível. Um anjo que salva a vida de outro anjo...


Emmett suspirou com a frase dita por Rosalie. Estava tão destruído, mas aquelas palavras amenizou momentaneamente sua dor.


[...]


Três meses depois...


Somente depois do terceiro mês, apôs o transplante, Clarinha pode receber alta.


Os três primeiros meses são os mais difíceis e mais perigosos, porque é o período no qual ocorre o maior número (75%) de rejeição e complicações infecciosas.


A partir do terceiro mês, iniciam-se os exames mensais, durante seis meses. E o controle vai se espaçando conforme a evolução e o estado do rim.


Nunca, sob hipótese alguma, o paciente pode interromper ou modificar a medicação ou deixar de fazer os exames indicados. É uma obrigação para o resto da vida. Uma falha pode ser fatal. A crise de rejeição pode ocorrer a qualquer momento, mesmo após muitos anos de um transplante bem sucedido.


Clarinha saiu do hospital em uma manhã de sábado. Ainda não podia fazer esforços, então os médicos aconselharam que ela saísse de cadeira de rodas, até o carro.


Desde o dia da morte de sua esposa e de seu filho, o mesmo dia que fora realizado o transplante de Clara Hale, McCarty não retornou ao hospital. O ambiente despertava nele lembranças dolorosas.


Fora através de seu irmão Edward que Emmett ficara informado sobre o estado de saúde de Clara Hale King. Filha de Rosalie Hale e Royce King.


Dessa mesma forma McCarty ficara sabendo que seu filho havia salvado a vida de mais quatro crianças, além de Clara Hale.


Rosalie empurrava a cadeira de rodas que Clarinha estava. Ao seu lado vinha uma enfermeira para ajudá-la com algumas coisas pessoais. Rosalie sorria como não fazia há muito tempo. O sorriso da filha se refletia no da mãe, aliviada por saber que seu pequeno anjo teria a chance de crescer e ter uma vida feliz. De fazer sua festa de quinze anos, de ter seu primeiro namorado, de ter enfim uma vida normal.


Clarinha estava com seus lindos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo. Segurava uma boneca de pano que uma das enfermeiras lhe deu de presente. Um sorriso tão lindo e inocente iluminava seu rostinho de anjo.


Naquele dia, Emmett McCarty decidira ir até o hospital Mout Sinai para vê-la ter alta. Talvez quisesse se certificar de que Clara estava se recuperando bem.


Na recepção, Emmett esperava mãe e filha ansioso. De pé segurava um ursinho de pelúcia. No momento em que ele as viu sentiu uma nova emoção até então desconhecida por ele. Emmett não sabia dizer com exatidão o que sentira, mas ele sabia que sua vida estava agora com elas, as duas loiras a sua frente, mãe e filha.


- Oi... – disse Emmett assim que Rosalie se aproximou com Clarinha na cadeira de rodas. – Soube que sua filha recebia alta hoje, então vim vê-las e levá-las para casa, caso aceite meu convite.


Rosalie lhe sorriu inteiramente da alma. Emmett McCarty estava sendo extremante atencioso e prestativo com relação a ela e sua filha. Coisa que seu ex-marido jamais fizera. Royce King nunca havia feito sequer uma visita à própria filha no hospital ao longo de todo seu sofrimento lutando pela vida.


- Oi... – disse Rosalie. – Obrigada por vir. Achei que nunca mais fosse vê-lo novamente. E, sim, eu aceito sua carona, estava mesmo indo chamar um taxi. Seria ótimo uma carona até nossa casa. Clarinha está ansiosa para rever seu quarto não é amor?!


- Muito, mamãe... – os olhinhos da pequena brilhavam.


- Oi Clarinha. Esse ursinho é para você – disse Emmett, se ajoelhando para falar com ela. – Você parece muito com a sua mãe.


- Obrigada! – Clarinha agradeceu, levando suas mãozinhas as bochechas de Emmett, tocando suas covinhas. – Eu me lembro de você... – Clarinha parecia ter uma vaga lembrança do dia em que Emmett a olhara através do vidro do seu quarto hospitalar.


Emmett sorriu. – Eu acho que sim, querida – deu um beijo na testa da pequena Clara logo depois ficou de pé e olhou para Rosalie. – Ainda não sei o seu nome?! – disse Emmett, curioso.


- Meu nome é Rosalie, mas os amigos me chamam de Rose.


- Então, Rose?!


- Sim – Rosalie confirmou, dando a entender que eles eram, sim, amigos dali em diante, na verdade, já eram há algum tempo. Só não puderam por em pratica.


- Posso? – Emmett perguntou, indicando a cadeira de rodas que Clarinha estava. – A propósito, meu nome é Emmett McCarty.


- Claro que pode Emmett McCarty – Rosalie confirmou, sorrindo lindamente.


Desde então Emmett McCarty e Rosalie Lilian Hale se tornaram grandes amigos. Meses depois decidiram aceitar o fato de que se amavam, como homem e mulher, tornando-se assim namorados.


Somente depois disso foi que Emmett decidira contar a Rosalie sobre a doação do órgão de seu filho que salvou a pequena Clarinha.


Rosalie se emocionou com a notícia. Certamente que já sabia da morte da esposa e do filho de Emmett desde que começaram a namorar, mas ela ainda não sabia sobre a doação dos rins. Naquele dia, Rosalie o cobriu de beijos agradecendo por tudo que ele havia feito a sua vida, mesmo sofrendo foi capaz de estar ao seu lado.


Rosalie decidira, também, ir ao cemitério levar flores ao túmulo tanto de Elise quanto do pequeno Gabriel.


Um ano e meio depois decidiram se casar. Hoje vivem como uma família. Todas as fotos do pequeno Gabriel ainda estão pela casa, assim como as de Elise. Rosalie não fez objeções não havia razão para isso.


Hoje, com sete meses de gestação, Rosalie espera um menino. Clarinha tem o hábito de tocar a barriga da mãe e conversar, por horas seguidas, com futuro irmãozinho.


Emmett McCarty está feliz com a chance de poder viver em família novamente. Porém, sem nunca se esquecer de sua primeira família e de seu primeiro anjo, de covinhas perfeitas e encantadoras iguais a suas, seu anjo Gabriel.


Clarinha hoje chama Emmett de pai, já que seu pai biológico jamais tivera interesse em vê-la.


Rosalie Lilian Hale e Emmett McCarty compartilham um amor cúmplice e verdadeiro.


Emmett jamais pode esquecer-se de sua primeira família, não houve um único momento em que ele não os honrasse. Todos os fins de semana, Emmett leva flores aos túmulos na companhia de Rosalie e Clarinha.



Notas finais
Então, meninas, comentários?! Talvez uma recomendação?!
Preciso saber o que acharam *olhinhos brilhando* porque eu adorei o resultado final dessa one.

beijo, beijo

Sill
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!