Vidas Opostas
2 Capítulo 2
Devo confessar que minha infância não foi nem um pouco divertida. Meu pai não deixava-me brincar na rua junto com as demais crianças de minha idade, nem se quer permitia minha ida à casa de alguma delas. Devido a tudo isso, sempre brigávamos, pois eu gostaria de levar uma vida normal.
Eu detestava meu pai. Se bem que, não sei se devo chamá-lo deste modo, pois como disse anteriormente, ele mudou bastante. Antes "daquele dia", ele tratava-me com amor e respeito, mas não vi nenhum desses traços depois da morte de minha mãe. Olhava-me com desprezo, e quando falava algo comigo não saía de sua boca palavras amáveis que todos os filhos recebem dos pais, muito pelo contrário, me xingava com palavras que não tenho coragem de pronunciá-las aqui. Aquilo me machucava muito, cada palavra emitida era um corte profundo em minha alma. Mas de todas as palavras rudes que entravam nos meus ouvidos, as que mais machucavam era quando ele dizia que a morte da minha mãe era culpa minha, pois se eu não exigisse que ela passeasse comigo, nada daquilo teria acontecido. Com o tempo, passei a concordar com aquelas palavras que eram ditas por meu pai com tamanha frequência.
Eu já cogitei a possibilidade de fugir, mas eu não tinha um refúgio e nem dinheiro para poder me sustentar por um certo tempo.
Meu aniversário de onze anos se passou no mesmo ano da morte de minha mãe. Não ganhei presentes vindos do meu pai e nem sequer um "Parabéns, desejo à você muitos anos de vida e felicidade". Ele não lembrou de meu aniversário ou fingiu que não lembrou.
Eu adorava o tempo que passava na escola- ao contrário de muitos outros alunos, pois as pessoas ao meu redor me tratavam com respeito e isso era o que bastava para mim. Pois era um tratamento muito diferente do que eu recebia dentro de minha própria casa.
Certo, eu entendi que foi um choque e tanto para meu pai, pois dali em diante ele teria que me criar sozinho, mas isso não justificou o modo que ele me tratava.
Os anos se passaram e atualmente tenho dezessete anos, nunca fui às festas dadas pelas garotas, tornei-me uma anti- social e devo dizer que passei a amar livros. No início foi o único jeito de passar o tempo trancafiada em meu quarto, mas com o passar dos meses, comecei a ler livros frequentemente e agora devo admitir que não me vejo mais sem um em minhas mãos.
Vocês devem estar se perguntando o motivo de eu não ter feito as próprias escolhas que eram incumbidas somente à mim, mas a questão é que toda vez que eu tentava me libertar, a situação só piorava.
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