Vidas Em Guerra

13 Um Pouco de Historia.Parte2:Os Hawkey's


Notas iniciais
Obs: o cap começa com a continuação da narração do Sr. Hawkey (o pai da Sarah)

“Por muito tempo nossa família prosperou. As técnicas eram passadas de pai para filho e apenas o ramo principal da família conhecia todos os segredos. Depois de alguns anos os Hawkey’s eram o clã mais rico e poderoso depois dos Graywolf’s e para proteger os segredos da arte da forja criou-se um sistema no qual alguns ferreiros habilidosos eram contratados e aprendiam parte de algumas técnicas, trabalhando assim nas forjas dos Hawkey’s. mas o trabalho com metais não eram o único talento pelo qual nossa família era reconhecida. Tínhamos guerreiros extremamente habilidosos que sempre acabavam no exercito real. Pode-se dizer que essa foi uma das razões para a família começar a se arruinar.

Primeiro começamos a perder muitos e os que sobraram foram se tornando arrogantes. Aos poucos as riquezas da família foram sendo consumida sem festas e inutilidades. Há essa altura os ramos secundários dos Hawkey’s já haviam se extinguido. Foi então que o líder daquela época, vendo a direção em que caminhava a família, decidiu tentar preservar, pelo menos, o imenso conhecimento que possuíamos. Assim, mesmo tendo um herdeiro, ele passou seus conhecimentos a um livro. Mas não um livro comum, e sim um cheio de códigos e enigmas que, segundo ele mesmo, apenas um Hawkey verdadeiro poderia decifrar. E esse líder teve razão, pois seu próprio filho não dava valor aos ensinamentos dele e, assim, ele pouco passou os mesmos ao filho. Antes de morrer seu desejo foi que o livro sempre estivesse em posse do próximo herdeiro e assim foi feito.

Pode-se dizer também que esses acontecimentos foram feitos em boa hora. Já que as gerações seguintes apenas destruíram ainda mais a riqueza e o prestigio da família. O quarto portador do livro vendeu o titulo de conde para manter os ferreiros que ainda trabalhavam nas forjas dos Hawkey’s. mas foi o sétimo portador que realmente deu fim a família. Não por ser ruim, ele até que era um bom homem, sendo o primeiro a decifrar o livro. Ele só se tornou o líder por que, por uma ironia do destino, seu irmão mais velho era muito doente e o do meio acabou morto em uma briga de bêbados. Mas com a ânsia de salvar a família ele acabou por destruí-la.

Conseguiu um casamento arranjado e pouco dava atenção à esposa que, de inconformada, passou a odiá-lo. Quando o filho nasceu ele continuou a não se fazer presente e o menino, sendo criado exclusivamente pela mão, acabou por odiar ao pai e aos Hawkey’s. Assim a fortuna que o sétimo portador conseguiu praticamente desapareceu nas mãos de seu filho.os ferreiros, que eram desprezados pelo garoto, foram embora quando o mesmo assumiu o controle da família. Dalí em diante foram-se os aliados, foram-se as terras, foram-se também os investimentos e grande parte dos imóveis.

Seu bisavô foi o primeiro a tentar começar a reconstruir a família. Ele conseguiu usar o dinheiro da venda de alguns inoveis que restavam para investir, teve ganhos moderados conseguindo, assim, alguns recursos. Seu avô, o meu pai, foi um homem duro e frio que só pensava em reerguer nossa família. Um dia ele encontrou um comerciante interessado no Livro dos Hawkey’s. Meu pai, então, fez um acordo com esse mercador: ele dava a mão da filha em casamento ao meu pai dando um bom dote a garota, e, depois da cerimônia, ele receberia o livro. O velho aceitou.

Minha mãe foi uma moça calma e controlada, mas ainda assim muito bonita. Depois do casamento meu pai entregou o livro ao pai dela. O velho comerciante tentou por anos desvendar os segredos do livro, mas nunca conseguiu. Minha irmã, Cecília, nasceu dois anos antes da morte de meu avô materno. Como ele tinha apenas minha mãe como herdeira, o livro voltou às mãos de meu pai...”

–-Calma aí. O senhor acabou de dizer que eu tenho uma tia?? – perguntou Sarah interrompendo a narração do pai pela segunda vez.

–-Pelos céus, Sarah. Será que posso terminar? – disse Eliot um tanto irritado, mas não pode impedir o meio sorriso que se formou em seus lábios ao ver a surpresa e o interesse da filha nesse simples fato – Sim, você teve uma tia, mas infelizmente Cecília já faleceu.

–-Ah, eu...eu não... – ela tentou dizer algo, depois desistiu e suspirou – Perdão, o senhor poderia continuar? – pediu por fim.

Eliot sorriu e voltou ao relato:

–-“Apesar de tudo meus pais sempre tiveram uma relação amigável apesar de não se amarem. Eu nasci seis anos depois de Cecília. Sua tia sempre foi minha melhor amiga, descrevê-la seria o mesmo que descrever você, Sarah. Vocês são muito parecidas tanto no que diz respeito a personalidade quanto na aparência. Ela sempre foi a única com coragem suficiente para enfrentar nosso pai e nem os castigos faziam-na para. Foi graças a ela que eu entrei para a Academia. Nosso pai queria que eu me casa-se com uma nobre; Cecília o convenceu que um oficial do exército seria cobiçado pelas jovens da corte e ele logo aceitou. Aos 16 anos eu entrei para a Academia. Aos 20 eu me formei, um ano antes do normal. Aos 22, quando o capitão do meu esquadrão dói promovido ele me indicou para substituí-lo e fui promovido também.

Eu tinha 24 quando conheci sua mãe. Estava para me tornar coronel e meu pai tinha quase acertado meu casamento com a única filha de um duque. Sua mãe era filha de um rico mercador e também estava para se casar com um barão. Cecília notou que eu estava apaixonado. Na época ela e meu antigo capitão estavam namorando as escondidas, nossa mãe tinha morrido quando eu tinha 12 então nós dois contávamos tudo um ao outro e foi assim que eu descobri o relacionamento deles. Eu e sua mãe encontramos ajuda neles. Cecília e Liana se adoravam. Foi de Rohkston a ideia de como eu e sua mão conseguiríamos ficar juntos. “Fujam”, ele nos disse e sua tia achou a ideia perfeita. E que escolha tínhamos se não aquela? Os pais dela não nos aprovavam, meu pai também não, aquela foi a única saída. (Eliot se levantou da cadeira em frente à mesa onde havia deixado sua xícara de chá ainda pela metade, foi até o quarto e voltou com um embrulho envolto em um grosso cobertor de lã que ele depositou sobre a mesa) Foi sua tia quem mais nos ajudou nisso. Ela vendeu todas as minhas roupas de luxo e tudo de valor que nossa mãe havia deixado para mim. Vendeu também muitas das joias que ela tinha para juntar dinheiro para mim. Rohkston nos ajudou a sair da cidade enquanto Cecília tentava impedir meu pai de descobrir.

Eu e sua mãe fugimos de cidade em cidade por um ano. Depois começamos a ficar por mais tempo em pequenas vilas, mas sempre mantendo contato por cartas com Cecília. Até que sua mãe engravidou e decidimos que seria mais seguro se ficássemos o mais longe possível. Por isso seguimos para sul e acabamos ficando por um tempo maior na cidadezinha em que você nasceu. Logo antes de descobrirmos a gravidez de sua mãe soubemos que Cecília e Rohkston, contra a vontade de meu pai, haviam se casado. Cecília também nos disse, em carta, que seu avô estava empenhado em nos encontrar.”

–-Foi por isso que viemos para cá, pai? – perguntou Sarah depois de uma longa pausa na narração do pai, durante a qual Eliot apenas encarou o embrulho em cima da mesa.

–-Não – respondeu ele, seguindo-se uma nova pausa bem menor – Logo depois de você completar quatro anos achamos que ele havia desistido de nós, estávamos enganados. Antes de seus cinco anos soubemos que ele estava perto de nos achar. Foi por isso que viemos para cá – outra pausa longa.

–-Pai – chamou Sarah depois de um tempo – Você disse que tia Cecília tinha morrido. Quando isso aconteceu?

–-Foi logo depois de você fazer dois anos. Oito meses antes tínhamos recebido uma carta dizendo que ela esperava uma criança e que os dois estavam muito felizes. Três meses antes de você completar cinco anos recebemos outra carta de Rohkston. Cecília tinha morrido no parto junto com a criança.

Sarah só ficou em silencio observando a expressão do pai. Ela podia imaginar a dor que ele deveria estar sentindo ao relembrar tudo aquilo. Um tempo depois ele, ainda olhando o embrulho, continuou:

–-Seu avô morreu quando você tinha sete anos. Foi Rohkston que nos avisou, ele disse também que quando meu pai estava em seu leito de morte ele contou sobre você e que seu avô chorou enquanto dizia estar arrependido. Rohkston disse que poderíamos voltar, mas eu e sua mãe decidimos que seria melhor continuar aqui. Escrevemos pedindo que ele cuidasse da herança que seu avô deixou e ele respondeu dizendo que faria isso e nos contando que tinha se tornado Diretor-Comandante da Academia – depois de outra pausa longa Eliot começou a abrir o embrulho sobre a mesa enquanto dizia – Foi isso o que sobrou. Tudo o que ainda tenho daquele tempo, desse passado.

Depois de dizer isso e descobrir o conteúdo dentro no cobertor ele levantou e andou até a janela da pequena sala, ficando ali enquanto a filha analisava os objetos. Eram três no total. Um livro sem nenhuma identificação que ela supôs ser o livro dos Hawkey’s que o pai havia mencionado. Uma corrente comprida e grossa de ouro maciço com uma medalhinha do tamanho da ponta de um dedo também de ouro, onde ela pode ser o nome Cecília Hawkey em uma grafia rebuscada gravado nas bordas em volta do desenho de um falcão com as asas abertas no centro. E, por ultimo, Sarah olhou para a espada. Sem se atrever a movê-la, como havia feito com o livro e acorrente, ela apenas tocou o objeto, analisando-o com a ponta dos dedos o couro macio que revestia a bainha e as pequenas linhas de metal que começavam na ponta da bainha e envolviam a mesma com linhas de um dedo de largura até a presilha que mantinha a bainha presa ao cinto também de metal.

Para Sarah foi impossível não comparar a espada do pai com a de Lorde Clinfort e, se ela havia pensado naquela como bonita, a única definição que sobrava para a que via em sua frente naquele momento era a de perfeita. O inicio da bainha era envolto pelas asas abertas de um falcão, que compunha a presilha do cinto, no qual as finas linhas de metal se inseriam. A lâmina em si era claramente simples, a guarda não tinha nenhum adorno e o punho de metal era envolvido por um couro gasto. O que ela não podia ver era que no inicio da lamina estava gravado em alto relevo um falcão como o da bainha. O metal que compunha as linhas que envolviam a bainha eram de uma cor escura, o falcão era feito de prata e a ponta de suas asas se prendiam ao cinto de elos de ferro em formato oval, pouco mais comprido do que largo. O cinto começava numa fivela simples e, antes de chegarem ao final os elos iam diminuindo até o tamanho de um olho e terminavam numa peça maciça triangular com os lados do triangulo revestidos de ouro. A lâmina, ou melhor, a pequena parte de lâmina que Sarah podia ver tinha um estranho tom azulado que ela não sabia a que metal atribuir. A guarda, no entanto, tinha um tom acobreado.

Sarah estava tão concentrada admirando a espada que se assustou quando seu pai voltou a falar:

–-Se tivéssemos voltado eu teria reassumido meu posto no exército real e logo teria sido promovido a coronel. Mas Liane e eu acreditamos que seriamos mais felizes aqui. Se tivéssemos voltado eu reergueria a família Hawkey e seriamos novamente reconhecidos, mas eu achei que a honra que seu avô tanto buscou não era melhor do que a tranquilidade que tínhamos aqui – Eliot tinha as mãos apoiadas no beiral da janela e estava de costas para a filha enquanto dizia essas palavras, dessa forma Sarah não viu a lagrima solitária que escorreu pelo rosto do pai antes dele continuar – Mas não partimos. E agora não tenho a honra, nem a felicidade, ou mesmo a calma que busquei ao ficar. Também já não tenho a mulher que amei. E agora só posso esperar que essa guerra que recomeçou no leste venha me tirar o que sobrou. Tudo por que estou velho demais para fazer qualquer coisa.

Sarah, depois de ouvir todo o destino do pai, teve raiva do destino. Depois teve raiva dos mercenários que destruíram a vida que ele queria ter. Por ultimo teve raiva de si mesma por não poder fazer nada. Ao desviar os olhos das costas do pai seu olhar caiu sobre a espada, mas dessa vez pequenos detalhes pareceram saltar aos olhos dela. O couro velho e gasto do punho, os pequenos riscos sobre o falcão de prata e o couro da bainha, o remendo em um dos elos do cinto. Nessa hora ela se lembrou dos mercenários caídos em volta do pai e teve uma certeza: seu pai era um guerreiro e não um agricultor. Se lembrou então da história e soube que não queria estar ali, esperando que a morte a viesse buscar. “Tínhamos guerreiros extremamente habilidosos”, essa frase do relato do pai ecoava na cabeça de Sarah quando ela se decidiu. Se o ultimo Hawkey teria de cair ele cairia num campo de batalha, não em uma lavoura, e com uma espada forjada por ele mesmo nas mãos. Se ela e o pai não poderiam mais ter o amor em suas vidas eles teriam de volta a honra de carregar o nome que tinham. Foi pensando assim que, olhando para os três objetos sobre a mesa, ela pediu:

–-Me ensine, pai – Sarah tinha a voz calma e firme ao dizer essas palavras.

–-Te ensinar o que, Sarah? – Eliot se voltou para ela com um olhar confuso e, quando ela o olhou, ele pode ver os olhos cinzas que eram a herança dos Hawkey’s brilharem com determinação.

–-Tudo. A lutar e a forjar. O senhor pode estar velho para ir atrás da honra dos Hawkey’s, mas eu não estou – as palavras de Sarah eram ditas pausadamente e de forma clara, como se aquele pedido não pudesse ser negado.

–-Você sabe o que esta pedindo, filha? – perguntou Eliot para ela.

–-Sim. E sei também o que vou fazer de agora em diante – respondeu ela firme e sustentando o olhar do pai.

–-E o que seria? – ele perguntou desconfiado.

–-Entrar para a Academia e fazer um guerreiro Hawkey ser reconhecido outra vez – disse ela confiante.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)
Bom, resolvi que sempre que encontrar uma boa história vou indicá-la aos meus leitores. Essa é a fic da semana que eu decidi compartilhar: http://fanfiction.com.br/historia/318280/Lost_In_The_Echo
È uma história longa e que ainda não foi terminada, mas para quem gosta de Supernatural eu recomendo. Li, acompanho e gosto bastante =]
Bjs