A manhã seguinte foi triste. Era claro que nenhum dos três havia conseguido dormir. Ainda assim, quando o sol nasceu eles terminarem os últimos preparativos e, com tudo de valor que encontraram com os mercenários distribuído nas celas dos sete cavalos, eles deram inicio a caminhada que os levaria até a vila. Eliot estava visivelmente cansado pelo esforço físico da tarde anterior e a noite em claro. John também não parecia melhor com os olhos vermelhos que era resquícios claros do choro da noite passada, mas ele tinha uma expressão ilegível. Já Sarah, apesar de cansada, estava firme em sua caminhada e, mesmo com os olhos levemente vermelhos e tristes, ela mantinha a cabeça erguida enquanto percorria aquele caminho tão conhecido.

Desconhecida foi a visão que tiveram na vila. Vários telhados ainda soltando fumaça e alguns focos de incêndio, o telhado do estábulo desabado, a porta da estalagem arrebentada (assim como muitas outras) mostrando um interior completamente destruído, alguns corpos e vários feridos. Mas a grande surpresa foram os 32 homens em armaduras com o símbolo do rei e montados em cavalos, aparentemente exaustos, e a frente deles um homem numa armadura mais trabalhada, claramente um nobre e o comandante da tropa. Mas o que espantou Sarah foi a reação do líder do grupo ao ver seu pai.

–-Hawkey? Eliot Hawkey?? o nobre de armadura com detalhes em dourado perguntou ao avistar o pequeno grupo entrando na vila.

–-Há quanto tempo, Clinfort respondeu Eliot com um aceno de cabeça e um meio sorriso triste.

–-Não acredito. É você mesmo disse Clinfort enquanto se aproximava e abraçava Eliot.

Clinfort Eastwood tinha 44 anos, três a mais que Eliot. Os dois haviam se conhecido no exercito. Eliot era integrante do grupo liderado por Clinfort, na época capitão, em uma missão para capturar alguns ladrões e o Hawkey salvou a vida do Capitão Clinfort em uma emboscada. Depois disso Eastwood teve de voltar para casa devido ao fato do pai ter ficado seriamente doente e ele ser o único herdeiro. Mas os dois haviam se tornado bons amigos e Eliot assumiu o grupo por indicação dele. Clinfort agora era Lorde Eastwood e comandava um pelotão do exercito treinado e especializado em prender grupos de ladrões e mercenários. Era por isso que estava ali, naquele pequeno vilarejo tão longe da capital. Há quatro meses seu pessoal perseguia o grupo de mercenários desde as voltas da capital passando por varias províncias, mas eles sempre escapavam. E era sobre isso que eles conversavam até Clinfort se virar na direção de Sarah.

–-É ela, não é? A sua filha? perguntou a Eliot olhando a garota.

–-Venha chamou-a o pai, trazendo-a para seu lado Clinfort, esta é Sarah, minha filha. Filha, este é Lorde Eastwood.

–-Olá foi tudo o que ela respondeu.

–-É um prazer conhecê-la, Sarah disse ele com um sorriso terno que desapareceu quando ele se voltou a Eliot Não vejo Liana. Isso quer dizer que...

–-Minha mãe esta morta Sarah o interrompeu, seu rosto estava inexpressivo.

–-Eu vou pegá-los, Eliot. Juro por meu nome que vou pegá-los disse Clinfort cerrando os punhos.

Depois de mais algumas trocas de palavras Clinfort mandou que seus homens desmontassem, alguns moradores os ajudaram a dar de comer e beber aos cavalos, outros foram buscar comida, do que havia sobrado, para oferecer aos soldados. Sarah continuava quieta entre o pai e Lorde Eastwood, que conversava sobre as próximas ações do mesmo, mas ela não prestava muita atenção. Na verdade tudo o que queria era correr para a floresta, achar uma arvore bem grande, subir até o lugar mais alto que conseguisse alcançar e ficar lá até que a fome ou a sede fossem mais fortes e a obrigassem a descer, mas ela não queria deixar o pai sozinho, não naquele momento. John tinha se afastado um pouco e alternava os olhares entre Sarah, os dois homens conversando, os soldados e a estrada. Se Sarah não estivesse tão distraída teria notado que ele estava tomando uma decisão. Talvez, se ela tivesse percebido isso, as coisas poderiam ter sido diferentes; mas ela não percebeu (afinal, a historia tinha que continuar, não acha?).

Deixem tudo o que não será necessário para uma luta, foi o que Sarah achou ter ouvido Clinfort dizer a seus homens.

–-Eles tem quase uma noite inteira de vantagem ela falou ainda olhando para a floresta, como se não estivesse realmente se importando com o que dizia Não vão alcançá-los nem que matem seus cavalos de tanto correr. Não conseguiram pegá-los antes que eles cheguem a Maincrafss.

–-E como sabe que eles estão indo para lá? perguntou Clinfort curioso e desconfiado.

–-Nós os ouvimos dizer isso respondeu John se aproximando dos três Sarah e eu estamos vivos porque ficamos até tarde na floresta; quando voltamos eles já estavam na minha casa. Vimos eles matarem minha família enquanto nos escondíamos fora das luzes e entre as arvores. Depois os ouvimos conversar. Parece que em algum ponto da fuga do grupo um deles se separou, chegou a Maincrafss e conseguiu um navio. Eles vão continuar pela Estrada Real até um ponto onde podem chegar a uma trilha que vai levá-los pelos penhascos até um bote que vai deixá-los nesse navio e de lá vai seguir até Maincrafss.

–-Ou seja: mesmo que sigam os rastros deles, assim que o grupo sair da estrada principal vocês vão perdê-los completou Sarah.

–-A não ser que cortem caminho pela floresta e os interceptem antes disso continuou John.

–-Eles não podem, John disse Sarah Vão acabar perdidos. Você sabe o quanto a mata aqui pode enganar quem não conhece.

–-Mas eles podem conseguir se tiverem um guia John olhou para Lorde Eastwood Deixe-me seguir com vocês, senhor. Sou um bom lutador. Posso levá-los pela floresta e ainda ajudar na captura. E...

–-NÃO!!! gritou Sarah interrompendo-o Ficou louco, John. Você não pode ir junto ela parou em frente a ele encarando-o.

–-Eu posso e eu vou, Sarah ele a encarou de volta.

Sarah estreitou os olhos. Enquanto John continuava calmo a expressão dela passava de surpresa, para incrédula e depois para enraivecida.

–-Mork, venha até aqui chamou Clinfort, aparentemente ignorando os dois se encarando.

Eliot continuou a olhar a filha e o ultimo Snown naquela briga silenciosa. Ele não entendia o motivo daquilo, mas os dois pareciam discutir com o olhar. Enquanto isso o tal Mork chegou. Clinfort foi até seu soldado e lhe explicou algo, logo depois o soldado desembainhou sua espada e ficou esperando. Clinfort se virou para os dois jovens que continuavam a se encarar.

–-Tenho que testá-lo, garoto disse ele se dirigindo a John Acredito que possa nos levar pela floresta, mas não posso deixar que alguém que não pode ao menos se defender sozinho acompanhe meu grupo dito isso ele voltou a ficar ao lado de Eliot.

John deu as costas a Sarah e recebeu uma espada de outro soldado. Sarah estava à frente do pai, olhando para a esquerda ela via o soldado e para a direita John. Clinfort estava ao lado direito de Eliot.

–-Não faça isso, John ela pediu.

–-Eu tenho que fazer disse ele se virando de frente para ela, mas sem soltar a espada.

–-Se você não morrer na floresta aqueles mercenários podem te matar ela insistiu.

–-Que matem, mas não vou ficar quieto e me esconder outra vez ele continuou firme.

O que aconteceu depois foi apenas um borrão para todos, exceto os dois. Sarah girou e, com a mão esquerda, puxou a espada de Clinfort retirando-a da bainha e jogando-a para o ar e em seguida apanhando-a com a mão direita; deu um passo para trás (ainda de costas para John), girou outra vez e deu mais três passos. Quando os outros a volta se deram conta do que tinha acontecido ela já estava com a ponta da espada sob o queixo dele. Fora John, todos os outros estavam atordoados. Afinal, não é todo dia que eles viam uma garota de 15 anos segurando uma espada e a apontando para alguém com uma firmeza e postura que fariam muitos soldados de Clinfort parecerem crianças com galhos nas mãos tentando imitá-la.

–-Não. Se. Atreva ela disse olhando fixamente para ele.

–-Saia do meio, menina, antes que se machuque disse Mork dando dois passos na direção dela.

O movimento que Sarah fez então foi tão rápido quanto o primeiro. Girou o corpo descendo sua espada em diagonal e acertando a espada do soldado com tanta força que ela caiu a quase 5 metros. Em seguida ela acertou um chute na barriga dele com a perna direita fazendo-o cair sentado. Antes que o soldado terminasse de cair ela já tinha voltado a apontar a espada para John.

Notas finais
Espero ñ ter deixado passar nenhum erro, já q pude revisar bem esse cap.
Espero tbm q tenham gostado :)