Vidas Em Guerra
4 A Primeira Briga
Notas iniciais
Sei que ainda é quinta, mas, devido ao meu novo horario de aulas, esse vai ser o melhor dia para postar.
Então, os próximos cap's seram sempre as quintas
Caítulo importante para o desenrrolar da história, o proximo também será (creio que são os dois ultimos sobre a infancia dela)
Boa leitura.
No fim os dois decidiram seguir o plano dela. Acharam que acabaria por se tornar uma brincadeira muito divertida. Mas acabaram por combinar evitar o grupo de Bris, pelo menos até que John se achasse pronto para enfrentá-los. Os dois então estavam sempre disputando: quem corria mais rápido ou por mais tempo; quem pulava mais longe ou mais alto (o que deu a John um tornozelo torcido, mas nada de folhas); ou até qual era o mais forte. Acabaram por pedir a Josh para ser o juiz das disputas, e esse, se divertindo, dava novas ideias. O que John não sabia era que Sarah havia conversado com seu irmão e contado a ele o real motivo da brincadeira, assim, sem que o menino notasse o mais velho começou a ensiná-lo a se defender.
Quando John fez oito anos, o pai deixou que ele acompanhasse-o e a Josh em uma caçada. O Sr Snown raramente o fazia, mas achava que os filhos deveriam saber o que fazer se precisassem. Josh, com 15, mesmo sem o pai gostava de sair para caçar e explorar a floresta. No fim John se descobriu um excelente construtor de armadilhas e o irmão passou a levá-lo sempre que resolvia caçar.
Enquanto isso Sarah ainda insistia que John não deveria ter medo dos outros meninos. Mas convencer o amigo disso não estava sendo fácil. Principalmente porque por um tempo eles conseguiram evitá-los, mas Sarah estava certa, não poderiam fazer isso para sempre.
Aconteceu algumas semanas depois dela completar nove anos, ela tinha acabado suas tarefas mais cedo e foi para a casa de John. O Sr Snown pediu ao filho que levasse até o ferreiro da vila uma enxada quebrada e a mãe do menino aproveitou e pediu-lhe que comprasse linha e barbante na pequena mercearia. Por estar lá Sarah decidiu acompanhar o amigo e os dois seguiram para o vilarejo. A discussão começou depois deles saírem da mercearia.
–-Vai fugir deles de novo – aquela não foi uma pergunta da parte de Sarah.
–-Tem funcionado – ele respondeu – Por favor, Sarah, não quero ter de enfrentá-los.
–-Está agindo como um covarde – ela se irritou.
–-Estou evitando conflitos – ele tentou se explicar.
–-AH! Você não é mais um garotinho assustado de cinco anos, John!! – ela acusou-o.
–-A diferença continua a mesma! Bris ainda É o mais velho! – ele se defendeu.
–-Estúpido, idiota, imbecil, covarde; é isso o que você é. Ele sempre vai ser o mais velho, ninguém pode mudar isso. O que não significa que você tenha que ter medo dele pra sempre!!! – a voz dela foi subindo de volume e ao chegar ao final ela já estava gritando. Bateu o pé, deu as costas a ele e começou a andar seguindo pela estrada deixando-o sozinho.
–-Sarah!!! Espera! – ele correu atrás dela, e apesar de não evitá-lo ela não diminuiu o passo – Desculpa, não fica irritada comigo – ele pediu quando a alcançou.
–-Tarde demais – ela respondeu.
Ao ouvir isso ele parou olhando para as costas dela enquanto a amiga se afastava e pensando que era a primeira vez que a via tão brava. “Também foi a primeira vez que me xingou com todas aquelas palavras em uma única frase”, ele pensou. Para não irritá-la ainda mais ele seguiu a alguns passos atrás. Saíram da vila e nada dos garotos, John já estava até aliviado, mas isso não durou muito. Na primeira curva, qual não foi a surpresa dos dois quando Frank saiu de trás de uma arvore e agarrou Sarah? Ele prendeu as mãos da mesma ao lado do corpo. Bris e Nick logo apareceram na frente de John, ficando entre ele e Sarah.
–-Ora, ora. Vejam só o que temos aqui. Os dois fujões – disse Bris com um sorriso sarcástico.
–-Pelo que me lembro, quem saiu chorando e correndo da ultima vez foi você, Bris – Sarah até parecia calma – Faz o imbecil do seu amigo me soltar que eu mostro pra eles o verdadeiro fujão.
Nick gargalhou enquanto Bris se ocupava em manter o controle de si mesmo.
–-Língua afiada para quem não pode nem se mover, Hawkey – disse Nick depois que parou de rir um pouco.
–-Frank, segura direito essa pirralha – disse Bris – Vou cuidar do amiguinho dela antes – e se virou para John enquanto Sarah começou a espernear e dizer coisas nada bonitas para ele – Abusada essa sua namoradinha, Snown. Se os pais a ouvirem vão lavar a boca dela com sabão.
–-Bris, deixa ela ir – John tentou ignorar o que o outro havia dito sobre Sarah ser sua namorada.
–-Nem pensar – Bris foi se aproximando enquanto falava; John soltou o embrulho com a linha e o barbante, mas não se afastou – Tive uma experiência bem ruim por causa dela. Mas não se preocupe, você não precisa ver o que vou fazer com ela – Bris deu um sorriso sarcástico antes de desferir um soco que fez John cair de joelhos por causa da dor – Pensando melhor, segura o fracote, Nick. Vou fazer ele ver tudo.
John tentava conter as lagrimas de dor enquanto Bris se aproximava de Sarah que tinha parado de se debater e agora encarava o maior com o rosto vermelho de raiva e um olhar assassino. Assim que Bris chegou perto o bastante ela jogou o próprio peso para trás e ergueu as pernas acertando a barriga dele com os dois pés. Caíram os três; Bris pelo chute duplo, Sarah e Frank porque o ultimo perdeu o equilíbrio quando ela se jogou para trás.
Sarah já estava quase de pé quando Bris lhe passou uma rasteira. Ele subiu por cima dela e prendeu os pulsos de Sarah com os joelhos. Ela agora já não era a única com o rosto vermelho de raiva. Quando a tinha bem presa Bris lhe acertou um soco nas costelas que a fez arfar e gritar. Logo depois ele alcançou um galho bem fino que estava no chão por perto e quebrou uma das pontas, deixando-a afiada e cheia de farpas. Começou então, com a ponta quebrada do galho, a arranhar o braço esquerdo de Sarah enquanto ela gritava e xingava-o.
A raiva ia se acumulando em John. Aquilo era culpa dele, se não tivesse sido teimoso os dois estariam perto o bastante um do outro para fugir. “Fugir?!?! Acabamos aqui porque me recusei a aceitar o que a Sarah dizia e preferi fugir!! E de que adiantou?”, ele pensou, “Agora ele a esta ferindo e a culpa é minha”. Raiva; era tudo o que havia dentro dele. Raiva de Bris por a estar ferindo; raiva de Frank por ficar só olhando; raiva de Nick por o estar segurando; mas, principalmente, raiva dele mesmo por não permitir que aquilo acontecesse. Mas ele não estava permitindo, não queria permitir, tudo o que queria era que a amiga não sentisse mais dor, tudo o que queria era que eles parassem.
Mas John sabia que eles não parariam. “Então vou fazê-los parar”, pensou. Nick estava segurando-o pelo braço, que estava torcido para trás, então ele se jogou para frente destorcendo o braço. Passou uma rasteira no garoto e acertou-o com o calcanhar no peito assim que ele caiu. Levantou-se o mais rápido que pode, correu e se jogou contra Bris, tirando-o de cima de Sarah, que demorou um pouco para entender o que tinha acontecido. Quase tanto quanto Frank que olhava, aturdido, Nick se contorcer no de dor. Enquanto isso Bris e John rolavam no chão, um tentando impedir o outro de ficar por cima. Na primeira oportunidade John acertou em Bris um soco no nariz e se levantou. Frank, que finalmente havia entendido a situação, partiu pra cima de John, mas Sarah já estava de pé e pôs a perna na frente dele fazendo-o cair.
Bris se levantou com a mão no nariz e se deparou com John encarando-o. Não houve conversa ou provocações entre eles, tudo o que um queria era que o outro estivesse caído. Socos e chutes voaram para todos os lados, nem sempre acertando o alvo. O que decidiu a briga foi uma cotovelada de que John acertou depois de seu soco passar pelo rosto de Bris. O golpe acertou o maior em cheio, parte no maxilar e parte no pescoço, jogando-o para o lado e de joelhos no chão. John então acertou um chute no peito dele e Bris caiu desacordado.
Olhando para trás John viu Nick e Frank correndo em direção à vila e Sarah pegando o embrulho do chão. Foi até ela. Estava triste, chateado, irritado arrependido, envergonhado, tudo junto e mais um pouco. Não conseguiu dizer nada, só a olhou. A roupa suja; os braços feridos; e finalmente aqueles olhos cinzas. Foi olhando para eles que a primeira lágrima escapou, e atrás dela vieram outras. Quando ela o abraçou ele chorou ainda mais.
–-Tá tudo bem agora, já acabou – ela disse, depois sorriu – Eu te falei que não precisava ter medo deles.
–-Descul_culpa, e_eu...Desculpa Sarah – ele gaguejou, tentou falar enquanto chorava, mas não conseguiu, então só a abraçou mais forte e sussurrou contra o ombro dela – É você falou.
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