Vidas

7 Capítulo 7


Notas iniciais
As vidas perdidas...

Overdose

A língua áspera, a garganta seca

Seus olhos avermelhados, as forças esvaindo seu corpo

O ar falhando, faltando, o pulmão... Não havia mais.

Sua voz presa, o coração disparado, parado.

A ânsia, o vomito, a comida que ele não comeu o sangue

O fim previsto, revisto, aceito, sentido.

Ele caminhava atento, o alento

Chorava calado, cantava os mares

Sentia sua pele rasgar e suas mãos ásperas passavam constantemente sobre o rosto, aflito

Ele gritava as escuras

Fingia a vida, fugia, corria preso ao desespero

Ele não existia nada a sua volta existia

Ele não mais cantava, não mais falava

Ele não mais vivia

Andava atento, seu caminho previsto, seu destino o risco

Ele guiava-se pelos becos imundos

Jogando a sorte, uma roleta russa

Ele caia mais não se levantava

Gritava mais ninguém o ouvia

Ele se julgava e se encolhia, desistia.

Hoje jogado nas esquinas, nas guias

Hoje a embolia.

A boca seca, a língua dormente

Ele sente o ar faltar-lhe, e o coração acelerar

Tudo se mistura e o fim visto Previsto e há muito aceito

Os gritos.

A luz acaba a luz se vai

Sua vida se esvai

Por segundos ela acaba.