Vidas
4 Capítulo 4
Fumaça
O céu azul, e os olhos dela
Eram suas ultimas imagens
Tudo que lembrará tudo que viverá
Tudo apenas fumaça...
Nadando, flutuando.
Sentia que estava entre as nuvens
E a voz dela chamando, eram como arcanjos cantando
Queria também poder chamar, cantar, gritar seu nome
Mas sua voz presa, sua língua dura áspera...
Era inevitável.
Ela se mantinha curvada, sobre o corpo inerte,
O telefone em mãos e as lagrimas queimando-lhe a face
Os segundos eram minutos, e os minutos horas, horas estas intermináveis.
Segundos insuportáveis.
Ela sacudia a cabeça enquanto chamava seu nome
Na rua os carros parados, aos poucos mais pessoas se aglomeravam
Estava formado o circo!
Todos ali assistindo seu desespero, seu pesadelo
Sua vida se desfazendo diante dos seus olhos
Vendo o tormento de sua alma.
Barulhos estridentes a trouxeram de volta a realidade
Um rapaz forte a afastou do corpo pálido
Tudo a sua volta girava, seu rosto banhado e seu estomago embrulhado
-Eu vi tudo. –afirmou um jovem rapaz.
Foi tudo muito rápido, rápido como uma bala
Ela se despediu da garota, e ainda sorrindo se virou para atravessar
O barulho, o carro, o freio, o corpo no chão
Tudo tão rápido quanto à bala de um revolver.
O céu azul estava límpido, limpo, lindo
E seus olhos já marejados, eram impossíveis não se perder nos seus olhos castanhos.
O céu azul e os olhos dela. Era suas ultimas lembranças
Lembrança essa que ainda ardia o peito.
O barulho, o carro, o freio, seus olhos
Seu inebriante olhar castanho, depois a fumaça.
Ela andava vagaroso por entre as lapides,
Na sua mente ainda os olhos castanhos,
No seu peito ainda a dor
Passou pelo portão e deu mais uma olhada por cima do ombro
Sentiu a lagrima romper a face, enquanto murmurava o adeus.
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