Vidas

2 Capítulo 2


Ela

Ela abriu os olhos relutantes, temendo seu relógio ao lado

Sentou-se ainda sonolenta, calçou seus chinelos, caminhou até o banheiro e se olhou no espelho, não estava lá.

Seu sonho havia sido um pesadelo, lavou o rosto intensamente, insistentemente, escovou os dentes, mais ainda não estava lá.

Desceu as escadas de seu apartamento, cruzou seu visinho mais barulhento, acordou o porteiro sem lamento

Atravessou a rua, virou a esquina, entrou na lanchonete

Pediu um café bem preto, o garçom fez um comentário, um lamento, não sabia onde estava nem seu endereço, pediu uma pastilha, cigarro isqueiro, seu pesadelo.

Voltou a sua casa e sorriu com desprezo, entrou na cozinha e viu seu anel de casamento, não sabia no que acreditara, era seu tormento, foi direto a sala, ligou o som, sem sossego, revirou a estante e viu seu sangue violento, sabia que era tarde mais não queria seu desprezo, escreveu em seu caderno sonho seu desassossego, girava a cabeça como um sino, que sofrimento.

Ela foi até a sacada não queria ver os sorrisos dos detentos, nem as grades dos apartamentos, desviou o olhar e viu os lírios impregnado em sua pele, desatento.

As horas passavam como um filme sem suspeitos. E logo a lua brilhava soltando seu brilho mais intenso sentiu seu peito chorar mais seu grito ainda preso, ouviu um cristal a quebrar e em suas mãos o sangue ainda fresco.

Ela viu o outono chegar, e as primeiras folhas a cair em seu peito às violetas se apagarem, sabiam que era o fim e não o começo.