Notas iniciais
Oi pessoal, estou aqui de novo com mais uma one, nesta eu caprichei muito, espero que gostem.

Eu tinha nove anos, estava voltando da escola quando, no meio do caminho, encontrei minha mãe encostada em um Fiat preto, ela sorria.

A olhei confusa tinha essa mania, era fissurada em carros, quando me viu falou algo como “herança de família”.

Ela me puxou para perto do carro, abrindo a porta do motorista e me colocando lá em seguida.

Quando entrei em contato com o acolchoado do assento me senti confortável, ela se sentou no banco do carona e um pânico tomou conta de mim, o que ela está planejando?!

- Aqui, liga! – diz me entregando a chave.

- O quê?! Enlouqueceu? Eu não posso dirigir! – Argumentei.

- vai logo garota, você sabe que estou doente, e quero que você aprenda tudo o que sei, vai ser como uma tradição de família.

Meio hesitante peguei a chave e coloquei na ignição, logo toda a estrutura do automóvel estremeceu por conta do motor que começou a roncar, uma adrenalina subiu pelo meu corpo, fiquei nervosa, minha mente estava em um turbilhão.

- Para dirigir melhor você tem que se desligar de seus problemas, de seus pensamentos, tem que se concentrar em um único ponto. – Afirmou ela.

Tentei me concentrar ao máximo, mas minha adrenalina estava a mil, foi quando, por impulso, pisei no acelerador com quase toda a minha força, grande erro.

O carro deu uma arrancada, rápido demais.

Não consegui me concentrar no percurso, nem em minha mãe, no final o carro só parou porque bateu em uma árvore.

Eu estava pálida, meus batimentos cardíacos acelerados e parecia que meus olhos iam saltar da minha cabeça.

Enquanto eu quase morria minha mãe estava com o maior sorriso no rosto, falou algo como “essa é a minha filha!” e “estou tão orgulhosa!”, francamente é nessas horas que eu preferia ter uma mãe normal.

Depois que o carro foi concertado ainda treinamos umas duas vezes, eu já conseguia controlar melhor os pedais mesmo eu mal conseguindo tocá-lo, ainda não via direito a estrada, por isso sempre batíamos em algo, o esperado de uma criança de nove anos no volante.

Treinamos apenas aquelas vezes, porque, não muito tempo depois a doença de minha mãe voltou a ataca-la, desta vez ela teve que ser internada para melhor monitoramento, seis meses depois ela faleceu de um tumor no coração.

Sempre a proibiram de se expor a situações que a deixassem estressada ou que fizessem seus batimentos acelerarem, mas ela não ouvia, desde pequena sempre amou carros e quando ficou maior de idade virou uma corredora de racha, uma das mais rápidas em minha opinião, mas isso fazia mal a ela, no final o que ela mais amava acabou a destruindo.

Muito tempo passou desde que ela morreu agora eu tenho dezenove anos, de lá para cá descobri mais umas coisas sobre ela, dentre essas certa dívida de uma aposta em um dos rachas.

Também descobri que os cobradores não ficaram felizes com o fato de sua dívida não ter sido paga e resolveram descontar na filha dela, como eu sei disso?

Bom, eu já fui escondida assistir a alguns rachas, em um deles eu vi certas pessoas, que mais pareciam uma gangue, um de seus integrantes ia correr, no final o mesmo venceu e faturou muito nas apostas, mas tinha um corredor que não cumpriu conforme a aposta, o pessoal daquele grupo quase o matou, eles pareciam ser bem rígidos com essas coisas.

Também pelo fato de eu, enquanto volto do colégio, terem dois homens me seguindo, eles estão em motos e usam a mesma bandagem daquele grupo.

Entendi, mas não vou deixar barato, continuei andando como se nada tivesse acontecido.

Passei direto quando avistei minha casa, eu sei o que eles planejam, andei mais uns cinco minutos até chegar ao meu destino, uma garagem aparentemente abandonada, era lá que minha mãe escondia os seus companheiros e vencedores de longa data, é claro, os carros.

A maioria foi vendida, acho que ela sabia disso, pois umas das coisas que ela me deixou por herança foi a chave de um de seus “bebês”, então com certeza estaria lá.

Quando abri aquele portão enferrujado pude ver ele à minha espera, um lamborguini prateado, logo me encantei com aquela visão, agora posso entender o motivo de ela amar os carros.

Sem tempo a perder destravei a porta e me sentei no banco do motorista, logo lembranças das minhas primeiras tentativas de andar em um carro saltaram em minha mente, e de novo aquela sensação estranha na barriga, eu estava feliz.

Realmente, em comparação a aquela época agora eu alcanço os pedais, a marcha, o volante e o retrovisor sem dificuldade.

Coloquei a chave na ignição, pude ouvir novamente o ronco do motor, fui de ré com ele até sair totalmente da garagem, nem me preocupei em fechá-la, senti que não tinha necessidade para tal.

Percebi que aqueles homens não estavam mais me seguindo, é melhor eu me apressar antes que voltem.

Agora eu não posso hesitar, não posso voltar atrás.

O carro começou a rodar, mas devagar, fui andando com ele assim até me acostumar completamente.

Fui andando calmamente pelas ruas procurando um canto aberto para eu controla-lo melhor, nem acredito que estou dirigindo!

Tudo estava calmo até que eu senti um frio passar pela minha barriga, ouço um barulho igual a o de um tiro e percebo que uma bala passou de raspão pelo meu rosto.

Olho para trás e vejo aqueles dois homens, parece que eles pediram reforço com mais pessoas, armas e dois Mustangs pretos, a coisa tá feia, quanto minha mãe está devendo a eles?

Concentro-me na pista, estou perto da saída da cidade, acelero um pouco, tenho que ir me acostumando com a velocidade.

Depois que você passa da placa da cidade a estrada é toda reta por uns 50km, depois tem algumas curvas, mas nada com que se preocupar.

Acelerei quase o máximo possível, a estrada mais parecia uma tela toda borrada, eu não conseguia ver o caminho a minha frente, me concentrei o máximo que pude isso ajudou um pouco.

Eu sei que eles não vão desistir tão rápido então tenho que organizar um plano.

O caminho já começava a apresentar algumas curvas, vou tentar usar isso ao meu favor, quando, de longe vi uma descida minha mente clareou, acelerei ao máximo, mudei a marcha para a mais leve e me preparei.

O carro parecia descontrolado aos olhos de quem estivesse assistindo, mas tudo fazia parte do meu plano.

Quando cheguei perto da descida fiz o carro saltar até que o mesmo entrou em contato com o asfalto, já do outro lado, continuei a correr sem me dar conta que não me seguiam mais, olhei pra trás de relance e pude ver que a descida estava toda esburacada e os outros não conseguiam passar, meu plano foi um sucesso.

Bom o que me resta agora é continuar o legado de minha mãe.

Notas finais
O que acharam? Merece comentrios? Obrigada por dedicarem esse tempo para ler essa one,
beijos da Mary.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!