Ao seu redor havia alguns carros estacionados, alguns deles foram furtados por ele e outros estavam intocáveis, pois surgiu em sua mente que os donos poderiam voltar a qualquer momento.

Vestido num uniforme escolar, estava no centro do estacionamento da biblioteca, olhando pra cima e vendo o quão brilhante era o sol. Naquele cenário cinza de uma parte da metrópole, conseguia ouvir pássaros e insetos tão claramente quanto sentir o calor no sol a pino.

Por que não sumira com os demais?

Resolveu entrar na biblioteca e procurar um livro de física que explicasse aquele fenômeno; certo dia acordou e não encontrou seus parentes, foi a escola e não encontrou seus colegas.

Todos, misteriosamente, haviam desaparecidos.

Depois de procurar bastante, Zoro pegou um livro e se sentou numa das mesas de madeira ao lado de uma janela.

Sentou-se e abriu o livro, mas desviou sua atenção para a janela. Viu arbustos e árvores; cenário dos insetos que cantavam alto naquele início do verão. Desde que todos sumiram, Zoro começou a prestar mais atenção ao seu redor, o que lhe fez decorar finalmente os caminhos que passava. Antes de ficar preso naquela situação, andava desacreditado e sofria cada vez mais de apatia que ele pensava ser "misteriosa tanto quanto o desaparecimento de todos".

Já lia outro livro, enquanto segurava a cabeça com uma de suas mãos. No entanto, um rapaz loiro da mesma escola e de sobrancelhas enroladas surgiu na janela.

— Está lendo os livros de física como te falei?

Zoro o encarou e estendeu o livro para mostrar a capa.

— "A Ilha Misteriosa" de Júlio Verne? Marimo, eu te disse para ler os livros de física pra saber como trazer todos de volta ou sair dessa dimensão!!

Sanji foi a única pessoa que Zoro encontrou depois do desaparecimento, como posso dizer, da humanidade. E o loiro acreditava que era uma equação de fórmulas difíceis que lhe tirariam dali, então, acabavam estudando física de vez em quando.

— Você faz soar como um filme idiota de ficção científica. — Rebateu Zoro. — É algum nerd fudido?

Os dentes de Sanji tricaram, resolveu pular o parapeito e puxou uma cadeira para se sentar.

— Tu é um ogro mesmo! Júlio Verne faz parte da literatura de ficção científica! Não entende nada de livros.

— É por isso que estou lendo esse livro.

— Nem vem! Você tá lendo porque tem nada para fazer!

Em parte, aquilo era verdade. Zoro riu e Sanji corou levemente por vê-lo sorrir.

— Não acha engraçado nós termos todo o tempo do mundo para fazer qualquer coisa?

Zoro folheava o livro e desviava o olhar, mostrando a Sanji que estava sem graça.

— Marimo, você tá me dizendo que gosta de como tá agora?

— Bem... me esforço para sentir falta de alguém ou de algo, mas não consigo...

Sanji percebeu que Zoro não queria falar daquele assunto e pegou do bolso um bombom que furtara numa loja de doces mais cedo.

— Toma. — Disse, arrastando o doce até o lado da mesa em que Zoro estava.

Zoro sorriu e apanhou. — Obrigado, sobrancelhas.

— Aproveita que hoje estou de bom humor... porque não sou legal... — Sanji se explicava com os braços atrás da cabeça e inclinando a cadeira pra trás. Seu rosto ficava cada vez mais vermelho.

— Parece que não é só eu que está mudando.

Zoro continuava a rir. Quando o mundo era normal, aqueles dois viviam brigando e sempre terminavam com algum hematoma na pele. Isso fez Zoro pensar por que sua companhia naquele apocalipse fora logo o sobrancelhas, mas entrou num consenso que não haveria pessoa melhor para estar ao seu lado numa situação daquelas.

— Como eu disse, estou de bom humor! Marimo de merda!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!