Vida de um E.V.O.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Narradora ON
Depois da chegada de Sirene, um silêncio mórbido reinou sobre o lugar sombrio. Por mais estranho que pareça, Rex não conseguia dirigir uma só palavra à garota EVO, que se distanciava a cada vez que lhe lançavam olhares perturbadores. Fazia muito tempo, desde a última vez que se encontraram. Um encontro, que para Rex, foi pior do que ficar trancado no seu próprio quarto, na Providência.
–Rex! –Ela falou, espantada.
–Sirene... –Rex respondera tão baixo, que sequer assemelhava a um sussurro. –Por que você está aqui?
–Na verdade, acredito que a pergunta deveria ser: como você chegou aqui? –Afirmou Scott.
–Não sei. Eu estava sobre uma falésia, perto da minha... casa –Sirene falou a última palavra com desgosto – e então algo me trouxe até aqui. E por favor, será que vocês podem parar de olhar pra mim desse jeito? Não gosto de ser o centro das atenções!
–E quem se importa com o que você diz?! –Rex gritou. Teve um acesso de raiva, afinal, estava na frente da pessoa que o feriu. Não somente o seu físico, como o seu psicológico. Levara meses até conseguir tirar da cabeça a garota e a discussão que tiveram no seu último encontro, só que não funcionava. No fim de tudo, só pensava nisso. Na dor que ela lhe causou. Na tristeza. Só pensava nela. Sirene. A garota que roubara seu coração mecânico. –E-eu... desculpa, Sirene! Eu não quis...
–Não importa, Salazar! Meus sentimentos são insignificantes nesse momento, assim como você! –Rex sentiu-se atingido. Como se uma pedra tivesse despedaçado seu coração em milhares de partículas.
–Ela tem razão, Rex. Não exatamente tudo o que disse, mas temos que pensar em uma maneira de sairmos daqui. –Falou Scott.
–É. E devemos agir. Mas antes, gostaria de me apresentar: sou Charles Xavier, mas pode me chamar de Professor, assim como meus alunos. Esses são Scott e Lance. –Ela os cumprimentou, com um simples aperto de mão.
–É um prazer conhece-la, Sirene. Ouvi falar de você. Nem preciso lhe dizer como, não é? –Falou o Lance. Infelizmente, para Rex, foi possível notar um enrubescimento do seu rosto. Ao perceber isso, Lance deu um sorriso provocador, fazendo com que a Sirene imitasse a ação.
–Tudo bem, tudo bem! Vamos logo com isso! Já chega de apresentações! –Exclamou o EVO.
–Tudo bem, garoto EVO! Vamos andando! A propósito, não sabia que era ciumento. –“Calma, Rex. Não deixe esse idiota te irritar. Assim, seus nanites não vão funcionar!” pensou.
Depois de muito tempo caminhando, os três mutantes e os dois EVOs encontraram um rio que não era como os outros. Era constituído por algo que o Rex conhecera e muito bem. Nanites.
–O que vamos fazer, agora? Será que deveríamos passar por ele? –Lance perguntou.
–Acho que é muito arriscado. Infelizmente esse rio é muito longo para que eu possa “cortá-lo ao meio” com os meus raios. –Scott disse, cabisbaixo.
–Por causa disso, seria muito esforço tentar levitar nós cinco até o outro lado. –O Professor lembrou.
–Eu posso tentar. –Respondeu o Rex, confiante. –Posso falar com os nanites e pedir que eles abram uma passagem. Mas não sei o que acontecerá comigo. Não custa tentar.
–Você ficou doido? Não sabemos o que isso irá causar!
–Como eu disse, Lance, não custa tentar. –Rex replicou. Antes de aproximar do rio negro, tirou suas luvas, se concentrou no seu pensamento. Tudo que conseguiam ouvir no momento, era o barulho dos seus batimentos cardíacos e da sua pesada respiração.
–Olhem! Ele está conseguindo! –Gritou Sirene. Logo após, o garoto fechou os olhos. As últimas palavras que ouviu, antes de desmaiar foram: “Nanite Ômega, liberado”.
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