Hoje é sábado, são 9:15 da manhã e eu não fui para a escola, parece que fui castigada com um baita resfriado, por não ter levado um casaco para o parque, ontem.

E) – Mas que droga... ACHIN!!

ACHIN, ACHIN!!!

E) – Já que não fui para a escola, pelo menos vou fazer alguns exercícios de matemática... – Sentei na cama e coloquei meus pés no chão –

E) – AAAH..., MAS QUE CHÃO GELADO! — (Ué, cadê o tapete?!)

E) – A Anna deve ter tirado o tapete daqui de proposito, só para que eu não me levantasse... – A porta do meu quarto abriu –

Mãe) – Não foi a Anna! Fui eu.

E) – Mãe?! O que você está fazendo em casa?!

Mãe) – Hoje mais cedo, depois de ver que você estava tão mal, fiquei preocupada e imediatamente liguei para o trabalho avisando que iria para lá só na parte da tarde.

E) – Entendi...

Mãe) – Como vou para o trabalho na parte da tarde, você acabaria ficando sozinha, então mandei uma mensagem para o Luke e para a Mei, pedindo para que eles viessem para cá depois da escola.

E) – Mãe e se eles tiverem algo para fazer depois da escola? Eu acabaria atrapalhando eles... você não deveria ter feito isso, por que se eles tiverem algum compromisso e não puderem vir agora vão ficar preocupados... – O telefone da minha mãe vibrou –

Mãe) – Me parece que nenhum dos dois tem compromisso! – Ela sorriu me mostrando a mensagem, que dizia que os dois viriam –

E) – Huum....

Mãe) – Para de reclamar!.... Aliás, eu vi que você tomou o remédio, aquilo está voltando?

E) – Não foi nada demais... só uma recaída.

Mãe) – Você tem que me avisar se estiver voltando!

E) – Pode ficar tranquila e acreditar em mim, não foi nada sério, tá?

Mae) – Está bem..., mas estou de olho! – Ela se levantou e andou até a porta do quarto –

Mãe) – Emi, se precisar de algo, me chama.

E) – Ok! – Ela saiu, deixando encostado a porta –

E) – Acho que vou dormir um pouco... – Adormeci –

Acordei de novo com a minha mãe entrando no meu quarto. Ela me avisou que já estava na hora de ir para o trabalho e deixou na minha mesa meu almoço, logo em seguida ela praticamente me deu uma lista do que não fazer para piorar o resfriado e me indicou uma montanha de remédios, cada um para um sintoma diferente. – Só podia ser ela –

Depois de almoçar no meu quarto, desci as escadas e fui para a cozinha lavar a louça. Decidi que iria ver um filme na sala, sentei no sofá, mas não aguentei nem dois minutos lá – parece que quando você está resfriado, independente do lugar que você esteja você sente frio – Subi as escadas, entrei no meu quarto e peguei um cobertor de veludo, desci as escadas e fui direto para o sofá da sala, me enrolei no cobertor e fiquei assim —

E) – Então... que filme eu vejo?

Comecei a procurar por algum filme de animação, que são os meus favoritos, e decidi ver A viagem de Chihiro – Como eu amo esse filme! – Fiquei na sala durante um bom tempo só assistindo filme e vendo anime.

E) – Caramba, já são 16:00, será que eles vêm?

DING DONG...

E) – Foi só abrir minha boca. — Assim que abri a porta a Mei já veio me abraçando.

Mi) – Emi!! Você está bem?! Está sentindo alguma dor?!

E) – Estou bem, pode ficar tranquila! Só acho melhor você não me agarrar muito por que se não vai pegar meu resfriado...

Mi) – Tô nem ai! – Sorri para ela –

L) – Que bom que está bem Emi... ficamos preocupados.

E) – Então não se preocupem mais! Já estou melhorando. – Ele sorriu –

L) – O que você ficou fazendo durante esse tempo antes de chegarmos? – A Mei e o Luke se inclinaram e olharam para a sala –

Mi, L) – Vendo filme.

Mi) – Mas assim é melhor! Não tenho dúvidas de que se você ficou vendo filme esse tempo todo foi por que sua mãe te proibiu de estudar.

L) – Quem em sã consciência ficaria estudando, estando doente? – A Mei olhou para o Luke e logo em seguida apontou para mim –

Mi) – Ela diz que fica se sentindo mal por não estudar... muitas vezes tenho vontade de bater nela por isso! – Dei um sorriso meio torto para eles – Fechei a porta de casa e eles foram para a sala –

Mi) – Vai querer continuar a maratona de filmes?

E) – Não sei... o que acha de ficarmos conversando?

Mi) – Por mim, pode ser!

L) – Pra mim também, vou só dar uma passadinha no banheiro. – Ele foi em direção ao banheiro, deixando eu e Mei sozinhas –

Mi) – Você não tem noção de como me deixou preocupada! – Olhei para baixo –

E) – Imagino...

Mi) – Primeiro você some do parque e deixa aquela mensagem e depois falta a escola! Emi, por que você me deixou sozinha com o Akira-kun e sumiu?! – Opa, opa, opa, não posso contar que a Nao que me pediu isso e o porquê, senão eu e ela vamos acabar no cemitério!

E) – Depois de nos separarmos, eu fui no banheiro e logo em seguida comprei o doce da Anna e quando tentei ir para o lugar do show de fogos de artificio já estava cheio de gente... pensei em ir para um lugar mais alto, assistir ao show lá de cima e depois ligar avisando onde estava... – tecnicamente não é tudo mentira, a não ser pela primeira parte...

Mi) – Ta..., mas você não ligou, ao invés disso foi embora sem nem avisar e foi antes do show terminar! Emi, seus ataques de ansiedade voltaram? – Eu olhei para o lado –

E) – Não é que tenham voltado... foi só uma recaída...

Mi) – Se fosse só uma recaída você teria controlado por conta própria! – Ela parece estar bem chateada...

E) – Mei, não precisa se preocupar tanto... – A Mei olhou fixamente para mim, se aproximou e me abraçou forte –

Mi) – Como não me preocupar, eu me sentiria muito mal se você tivesse passado por coisa pior e fosse tudo por conta de algum plano bobo seu e da Nao.

E) – Você descobriu...

Mi) – Claro! Me deixar sozinha com o Akira-kun?! Justo ele! – Comecei a rir –

E) – É talvez tenha sido muito obvio. – Ela me soltou do abraço –

Mi) – E por que raios vocês acham que pode acontecer algo entre eu e ele?!

E) – O mesmo vale para mim! Você achando que eu posso estar sentindo algo pelo Luke!

Mi) – Ah Emi, é diferente, né?

E) – Claro que não! Você quer saber o motivo pelo qual eu e Nao insistimos tanto nessa ideia?! Simplesmente por que está na cara que ele está gostando de você!

Mi) – Você está brincando né?

L) – Olha não é uma ideia a se desconsiderar...

E, Mi) – LUKE?!?! DESDE QUANDO VOCE ESTA AÍ?!

L) – Desde quando vocês começaram a falar do Akira... – Ele estava com o cotovelo apoiado no sofá nos olhando –

Mi) – E por que você disse que não era uma ideia a se desconsiderar?

E) – Simples por que ele também acha que o Akira-kun está de olho em você moça!

L) – Mei, ele tem andado diferente, quando estamos juntos principalmente, agora, se é por sua causa, aí já não sei.

Mi) – Ué, pode não ser por mim, pode ser pela Emi! Não, espera, assim estraga todo meu plano... – Olhei para o Luke, ele me pareceu ter ficado mais sério depois que a Mei soltou essa possibilidade...

E) – Bom, é impossível que seja por mim e mesmo que a gente pense nessa possibilidade eu não sinto nada pelo Akira-kun além de amizade!

Mi) – Hum... ainda assim não acredito que seja por minha causa...

L) – Acho que é mais fácil perguntar para ele, não?

Mi, E) – NÃO!

L) – Vocês complicam muito as coisas! Olha, vamos mudar de assunto, pode ser?

E) – É uma boa ideia.

Mi) – Emi, cadê sua irmã?

E) – Anna? Hoje ela tem aula de dança, só volta mais tarde e minha mãe vai busca-la, então ainda vou ficar mais um tempo sem ninguém.

Mi) – Hum... eu disse a sua mãe que ficaria até mais ou menos as 19:00, minha mãe pediu para que eu não voltasse muito tarde.

E) – Hum...

L) – Se quiser eu fico.

E) – Tem certeza?

L) – Eu moro com meu avô, e não é tão longe daqui.

Mi) – Você podia acompanhar a Emi até a escola!

L) – Eu até gostaria, mas sou muito ruim em acordar cedo...

Mi) – Não é tão diferente dela... – Disse apontando para mim -

E) – Ah para bobeira, isso não acontece semp... – Comecei a tossir e a espirrar –

ACHIN, ACHIN!

Mi) – Ta legal, melhor a gente parar de conversar e te levar para o seu quarto!

Os dois subiram comigo até o meu quarto, eu me deitei e a Mei me enrolou no cobertor. A Mei e o Luke decidiram que fariam o meu jantar e é claro, eles comeriam também. Depois de jantarmos, ficamos conversando e eu acabei adormecendo.

Mi) – Ela dormiu.

L) – Pois é...

Mi) – Luke, posso te perguntar uma coisa?

L) – Claro.

Mi) – Por que você é tão apegado a Emi? – Ele olhou para ela meio surpreso –

L) – Você acha?

Mi) – Acho sim.

L) – É, você meio que tem razão...

Mi) — Hum..

L) – Acho que a Emi me lembra uma pessoa que eu perdi faz algum tempo e isso me faz querer ficar com ela.... Ela se tornou importante para mim...

Mi) – Ah..., entendi.

(...)

Mi) – Desculpa se eu acabei te fazendo lembrar de algo que não queria...

L) – Tudo bem.

Mi) – Sim... – Os dois olharam para cima e suspiraram –

Mi) – Luke, já está na hora de eu ir, você vai ficar, né?

L) – Sim. – A Mei se levantou e andou até a porta do quarto –

Mi) – Então, estou indo, tchau!

L) – Tchau!

(...)

LUKE NARRANDO...

Ficamos eu e Emi, eu estava sentado na beirada da sua cama, olhei para ela, parecia tão calma, comecei a passar a mão em sua cabeça até que ela se virou para o lado que eu estava, seu cabelo estava por cima do rosto então comecei a tira-lo de lá, quando percebi.

L) – Emi, você está chorando? – Ela colocou a mão por cima do rosto –

E) – Me desculpa...

L) – Por que?

E) – Eu acabei ouvindo o que você disse para a Mei... eu sei que não tem nada a ver comigo... me desculpe...

L) – Emi, não há motivo algum para você se desculpar.

E) – Mas talvez você não quisesse que alguém mais soubesse...

L) – Você já tinha percebido que eu estive mais próximo de você, não é?

E) – É, mais ou menos...

L) – Eu acabaria te contando isso também!

E) – Hum...

L) – O que foi?

E) – Posso saber quem é essa pessoa que eu faço te lembrar?

L) – Você me lembra meu irmão mais velho. – Ela fez uma cara estranha –

E) – Eu pareço um homem?

L) – N-não, não é isso! – Ela começou a rir, eu sorri –

E) – Parece que você relaxou um pouco, que bom... – Eu olhei para as minhas mãos –

L) – Sabe.... Quando eu ainda morava na Inglaterra, éramos eu, meu irmão, minha mãe e meu pai, nós éramos felizes, meus pais tinham uma empresa de publicidade e quando meu irmão se formou ele foi trabalhar com eles, ele cresceu na empresa e criou um departamento só dele, estava indo tudo bem. Um dia, meu irmão acabou se estressando com alguém, ele veio para a casa dos meus pais e chegou lá bem confuso, começou a falar do que tinha acontecido e meus pais começaram a ficar preocupados... – Eu engoli seco e continuei a contar – Os dias foram passando, a área da empresa que o meu irmão tinha só para ele começou a desandar e ele começou a se afastar de nós, eu não estava aguentando ver meus pais tão preocupados e o meu irmão parecia estar desaparecendo das nossas vidas... até que um dia, ele veio até a casa dos meus pais, para conversar com eles, mas eles não estavam, só tinha eu lá e assim que o vi, pensei que poderia dar um fim nessa situação falando com ele, mas não deu certo... depois de conversar com meu irmão ele saiu da casa de meus pais, pegou seu carro e foi embora. Algumas horas depois, ligaram lá para casa avisando que meu irmão tinha morrido num acidente de carro... – Eu estava me segurando para não chorar –

L) – Emi, até hoje eu me culpo pelo o que aconteceu com ele... se eu não tivesse aberto minha boca e falado o que falei sem pensar, talvez meu irmão ainda estivesse aqui...

E) – Eu... eu não sei como é perder alguém próximo de mim..., nunca passei por isso, e talvez eu não seja a melhor pessoa para te falar qualquer coisa, mas não acho que você deva ficar se culpando. – Ela se sentou, eu olhei diretamente para ela –

E) – Luke, você tem certeza de que o que você falou para o seu irmão foi algo que você disse sem pensar? Será que... naquela época, o que você disse, não foi apenas o que você era capaz de dizer?

L) – Como assim...?

E) — Sabe, você entendeu a situação da melhor maneira possível e a partir do que você entendeu você chegou em uma resposta que condizia com a sua maneira de pensar naquela época, pode ser que agora você ache que as suas palavras estavam erradas, por que agora você vê a situação de outra forma...

(...)

E) – Eu não sei se você entendeu..., mas acho que você não deve ficar se prendendo somente a ideia de que suas palavras estavam erradas, pois pode haver a possibilidade de elas terem feito seu irmão entender algo importante e por isso ele saiu de casa daquela maneira, por que ele conseguiu chegar a uma resposta... – Olhei para cima, tentando conter as lagrimas –

E) – Pode chorar, se quiser... – Instantaneamente comecei a chorar, não conseguia nem olhar para ela ... –

Depois de botar para fora o que eu tinha guardado, relaxei. A Emi, apoiou sua cabeça em mim e me disse algo que me deixou intrigado.

E) – Sabe, às vezes, parece que viver na incerteza é algo muito ruim, mas pode ser melhor do que viver com uma ideia fixa e ruim que te fará sofrer... talvez essa incerteza te traga alguma esperança...

(...)

E) – Parece papo de maluco, né?

L) – Não acho não.

Ela acabou dormindo, coloquei-a deitada novamente e pus a coberta por cima, meu telefone vibrou, era uma mensagem da mãe da Emi me dizendo que ela já estava chegando em casa e que se eu quisesse ir para casa eu podia. Acabei decidindo ir mesmo querendo ficar... agora mais do que antes...