Vida de colegial
14 Chá de sumiço
Notas iniciais
Faltam 2 dias para voltarmos as aulas, e já estou saudades das férias. As semanas passaram rápido e tenho certeza que isso aconteceu porque estávamos nos divertindo.
Depois que voltamos da viagem para a casa de praia, praticamente todos nós, fomos passear com nossas famílias, então ficamos um tempo sem se ver. Apesar disso, não deixei de conversar com o pessoal nem um minuto, minha mãe ficou até bolada comigo, por que no meio da noite, ela me ouvia dando altas gargalhadas, o que fazia com que ela ficasse acordando de tempos em tempos. Mas é claro que ela não deixou isso passar e me esculhambou, mas eu estou bem.
Me diverti bastante, mas teve uma coisa que me intrigou, aliás, duas coisas. A primeira, foi que mesmo o Luke tendo meu número, e além disso estar participando do grupo de mensagens que o pessoal criou, ele não deu quase nenhum sinal de vida. As poucas vezes que isso aconteceu, foi porque alguém o chamou, explicitamente ele. Isso me deixou meio frustrada. A segunda coisa, foi o Masao-kun e a irmã dele. Quase todos os momentos em que saí na rua, que não foram muitos, eu acabei dando de cara com eles. Acho que eles moram perto de mim.
Hoje é sexta, e como eu já disse, faltam dois dias para as aulas começarem. A maioria das pessoas, nas sextas-feiras, saem para se divertir. Mas como não sou a mairoria das pessoas, sou apenas eu, estou no sofá da minha casa assitindo anime na tevê, até que alguém toca a campanhia.
E) — Já vai! — Abri a porta e dei de cara com a Nao. -
N) — Oiii! — Ela me abraçou e já saiu entrando. Logo em seguida fechei a porta.
E) — Nao! Que surpresa, fico feliz que tenha vindo me visitar! — Ela foi até a cozinha, me deixando sozinha na sala. -
E) — Nao?
N) — Sim?
E) — O que você... ta fazendo...? — Ela estava segurando um pote de sorvete. -
N) — Aqui, você quer?
E) — Esse sorvete é meu!
N) — Mas pode dividir, né?
E) — Claro... — Nos sentamos no sofá. -
E) — Está tudo bem?
N) — Agora está.
N) — Agora está.
E) — Se só agora está, quer dizer que antes não estava. O que aconteceu?
N) — Terminei com meu namorado.
E) — C-como?
N) — Nós terminamos, mas estou bem. — Comecei a ficar preocupada com ela. Apesar dela estar dizendo isso com toda a calma do mundo, senti que precisava dizer algo, algo para conforta-la, fiquei ansiosa.
E) — T-tem certeza?
N) — De que nós terminamos ou de que estou bem?
E) — De que você está bem!
N) — Tenho certeza sim. — Ainda não fiquei convencida, tentei pensar em algo, para alegra-la talvez.
E) — Quer ver anime? — " Que ideia mais fraca Emi! Não tinha nada melhor? "
N) — Pode ser. — Assistimos uns 3 episódios de um anime, que tinha na Netflix, quando o telefone tocou. — Fui atender. -
... NO TELEFONE...
E) — Oi!
Mãe) — Emi?
E) — Oi mãe, o que foi?
Mãe) — Quer vir aqui naquela lanchonete lanchar? — " Que estranho..."
E) — Tá... pode ser. Vou levar a Nao, ok?
Mãe) — Ué, ela está aí?
E) — Uhum.
Mãe) — Tudo bem, trás ela.
E) — Ok, tchau.
...FIM DA LIGAÇÃO...
E) — Nao, quer lanchar na Delicious? Minha mãe me chamou...
N) — Tudo bem, só não sei se vou comer algo.
E) — De boas. — Troquei de roupa e logo em seguida nós saimos. -
Estavámos nos aproximando da Delicious, e já da esquina consegui ver minha mãe e minha irmã, só que, elas não estavam sozinhas. Minha irmã tem um grupo de amigos da escola, no qual as mães são muito próximas, então de vez em quando eles se reúnem para passear, lanchar ou fazer um churrasco, e eu acabo indo. Não que eu não goste do pessoal, são pessoas legais. Só que os assuntos que rolam entre eles, não fazem muita parte da minha realidade, então... Eu acabo ficando meio entediada.
E) — Nao.
N) — Eu?
E) — Se importa de ficar com um grupo cheio de crianças meio barulhentas?
N) — Acontece, mas por mim tá tranquilo. — " Ainda bem..." -
Cumprimentamos o pessoal, e eu apresentei a Nao para eles. Estava indo tudo bem, ela parecia estar até se divertindo, e para falar a verdade, até eu estava gostando do papo. Mas de repente chegou mais uma mãe, com duas filhas, fiquei curiosa para saber quem eram, então me estiquei para ver, mas meio que me arrependi logo em seguida.
N) — Está tudo bem? Você se esticou para o lado, mas voltou quase me acertando. — Eu meio que sentei com muita força na cadeira, quase derrubando a Nao.
E) — É... mais ou menos.
Ni) — Oi Emi, que coincidência... tudo bem?
E) — Tudo sim... essa é a Nao, minha amiga.
Ni) — Oi me chamo Naomi.
N) — Prazer, Nao. — Naomi-san puxou uma cadeira e se sentou com a gente.-
Ni) — Pelo menos não vou ficar entediada sozinha. — Ela soltou um riso. -
N) — Olha, para falar a verdade está muito legal aqui, o pessoal é muito divertido!
Ni) — É mesmo? Que bom para você. — " Acho que a Nao está ficando chateada. Putz, imagina se elas brigam aqui?! A Nao é bem pacífica, mas quando irritam ela..."
E) — Naomi-san, eu não sabia que sua irmã e a minha se conheciam. Legal, né?
Ni) — É...mais ou menos.
E) — Como assim?
Ni) — É que um dos motivos, para eu estar mudando para a sua escola, é porque minha irmã fez amizades boas, e os meus pais acharam que seria melhor se mudar, para ficar mais perto da escola dela.
Ni) — Então tive que sair da minha e deixar minhas amigas, mas em compensação vou ficar perto do Hayatinho, meu amigo lindo de infância, e de quebra, vou ficar mais perto do Luke e de vocês. Não é ótimo?
E) — É... — " Nem tanto assim..."
N) — Hum, vocês duas já se conhecem a muito tempo?
Ni) — Faz um tempinho.
E) — Mais ou menos...
Ni) — Aliás, Emi como vai seu namoro?
E) — N-namoro?!
Ni) — É ué, você e o Luke!
N) — Vocês estão juntos?! Nem para me falar!
E) — N-não, não é bem assim!
Ni) — Como não? Vocês até já se beijaram, eu vi!
E) — N-não, aquilo foi... — " AI CARAMBA AI CARAMBA " — Foi por outro motivo...
Ni) — Que motivo?
E) — É segredo.
Ni) — Hum...
E) — Mas olha, eu e o Luke nã... — Olhei para a Nao, ela estava fazendo um sinal com a mão, como se estivesse dizendo para eu parar, não entendi direito. -
Ni) — Vocês não... o que?
E) — Nós...não... imaginávamos que você se mudaria para a nossa escola! — A Nao chutou minha cadeira. -
E) — Ai! — Falei baixinho. -
Ni) — O-o que? Mas o que isso tem a ver com o fato de você e o Luke estarem juntos? — Nesse momento a Anna, minha irmã, passou do nosso lado e ouviu a Naomi-san. -
An) — Caramba! Não sabia que você estava namorando mana.
E) — Shiu, não é isso. — Falei baixo. -
An) — Como assim não?
E) — Não é não, ué, eu não estou saindo com o Luke, não estamos juntos! — Senti uma aura negra do meu lado, era a Nao. Ela pegou a parte de trás do meu sutiã, puxou com toda força do mundo e largou.
E) — SUA... ISSO DOEU!!!
N) — VAI DOER NA SUA CONSIÊNCIA MAIS AINDA, QUANDO AS AULAS COMEÇAREM E VOCÊ VER A BOSTA QUE FEZ!
E) — Como assim? — Falei baixo, chegando para perto dela. -
N) — Agora você acabou de dar motivos, para essa daí perturbar você e o Luke, principalmente o Luke, na escola! — Falou baixinho. -
E) — Ai caramba... você tem razão...
Ni) — Gente, eu ainda estou aqui, heyy ?
N) — Claro, a gente não se esqueceu de você, nem tem como, né EMI?
E) — É...
Ni) — Então você e Luke, não tem nada. Não sei porque, mas fiquei mais animada em voltar as aulas.
N, E) — Que bom...
Ficamos um bom tempo na Tasty, até que bateu no relógio 17:30 e o pessoal começou a ir embora. A Naomi-san e a irmã dela foram umas das primeiras a ir embora, e eu acho que a Nao estava dando graças aos céus por isso. Não a culpo.
Saímos da lanchonete e fomos andando no caminho da minha casa, a Nao ia ficar mais um tempo comigo e logo depois iria embora. Acho que apesar de o dia dela não ter sido um dos melhores, de eu tê-la arrastado para a lanchonete e ainda ter que aturar a Naomi-san, acredito que isso tenha servido ao menos para distraí-la, então, acho que está tudo bem.
N) — Obrigada por hoje.
E) — Você não tem que me agradecer, amigo é para isso.
E) — Apesar de eu achar que só tenha te levado para furadas. — Nós rimos. -
N) — Não, nada a ver. — De repente o telefone da Nao vibrou. Ela parou para olhar, eu parei também para espera-la e quando vi, uma lágrima caiu do rosto dela. -
E) — Nao? — Perguntei preocupada. -
N) — Esse idiota! — Mais lágrimas caíram. -
E) — O que? — Peguei o celular da mão dela e olhei. Era uma mensagem do Ex-namorado.
E) — Mas que bosta de mensagem é essa?!
N) — Agora ele vem com esse papo de merda... — Nessa hora minha mãe nos chamou, já estávamos praticamente de frente para minha casa, então disse para minha mãe ir entrando, que eu e a Nao íamos daqui a pouco.
N) — Ele não pode pedir isso assim! Amigos?! Ele estava me ignorando, evitando responder as minhas mensagens. Quando eu o chamava para sair, ele desviava do assunto, dizia que não podia. Ele praticamente começou a fingir que não tínhamos nada! Todo mundo na escola estava percebendo... — Ela começou a chorar. -
E) — Isso começou antes das férias?
N) — Foi um pouco antes.
E) — Mas por que você não chamou a mim ou a Mei?
N) — Vocês estavam preocupadas com a escola, e eu achava que isso ia passar, que eu podia resolver sozinha...
E) — Poxa Nao... — Eu a abracei. -
N) — Me desculpa, por não ter contado...
E) — Não, me desculpa eu por não ter perguntado se estava tudo bem entre vocês, por não ter te procurado mais vezes, me perdoa. — A Nao sorriu, enxugou as lágrimas e me deu mais um abraço. -
E) — Aliás, me empresta seu celular?
N) — Ah, claro, mas porque você quer ele?
E) — Você vai ver. — Peguei o celular da Nao, e mandei uma mensagem para aquele bosta, depois devolvi o telefone pra ela.
N) — Emi! Sua doida! — Disse olhando para o celular. -
E) — Ah, não foi nada de mais, só um forinha.
N) — Um fora bem dado! — Nós rimos. -
Depois de eu ter dado um fora no estúpido do ex da Nao, ficamos conversando na frente da minha casa. Acabou escurecendo rápido, então ela foi embora mais cedo. Entrei em casa e fui direto para o meu quarto.
Comecei a encarar meu celular, fiquei pensando em mandar uma mensagem para o Luke, " talvez ele responda ", pensei. Acho que estou começando a mudar de ideia sobre algumas coisas, por exemplo, eu costumava pensar que se alguém está "sumido", de certa forma, é porque não quer ser incomodado, mas talvez essa pessoa apenas não tenha tido tempo, ou houve algum imprevisto, sei lá. Você não será necessariamente um incomodo se o procurar.
E) — Bom, se a pessoa não vem até você , não faz mal você ir até ela, né? — Peguei meu celular e mandei uma mensagem, dizendo apenas um oi para o Luke. Ele respondeu logo em seguida. Fiquei feliz!
Fale com o autor