Vida de Princesa

8 Um mundo que eu nunca vi.


Notas iniciais
Oioi, como prometido aqui vai mais um, espero que gostem...

Tudo já passou. Todas as aulas acabaram. Três meses de pura emoção, ensaios pesados, cantorias e olhares desconfortáveis de Danielle para mim finalmente acabaram. Mas isso significa um adeus. Um adeus á rotina que eu tive, adeus á Nova York, adeus á faculdade de nutrição, adeus á Jade. Uma amiga na qual eu não esperava, uma pessoa na qual se tornou em poucos meses uma amiga melhor do que muitas que já tive. Tudo já está feito em Orlando. Um pequeno apartamento na periferia, que não é muito, mas para um começo já ajuda. Um emprego para meu noivo, já feito. Agradeço ao fato de ele ter contatos na Flórida que podem ajuda-lo na área que ele trabalha, que é computação. E tudo isso começa, e acaba, agora. Depois de um dia de ensaios praticamente normais, temos o discurso de Henry para acabar com tudo. Confesso que me emociono em meio á tudo isso. Uma coisa que odiava, que é ser reconhecida como princesa Aurora em todo lugar que vou, agora estou me emocionando com o fato de a partir de agora ela ser meu alter ego. Henry começa á falar:

– Três meses. Três meses de estresse, preocupação, risos, alegria, gritos, brigas. É, nunca é fácil para mim acabar com o ciclo da faculdade, ainda mais quando tive uma turma tão diversificada como essa. Não vou me estender muito por que sempre me emociono nessas partes, apenas quero desejar á todos boa sorte como princesas, macacos, bonecos de neve ou até mesmo vilões. Cada um de vocês interpretará um papel importante a partir de agora que é levar alegria ás pessoas, e por favor não subestimem isso. Boa viagem, e mais uma vez, boa sorte.

Ele puxa uma slava de palmas que se estende nas arquibancadas que estamos sentados. Confesso que deixo uma lágrima cair. Olho para o lado e vejo Jade aos prantos. Ela queria isso a muito mais tempo que eu, e finalmente conseguiu. Se eu me emociono, imagino como ela está se sentindo. Passo meu braço em suas costas e a abraço, e ela joga seu corpo em mim. Choramos juntas. Todas se levantam, e consigo olhar em seus olhos cheios de lágrimas agora, dizendo:

– É, então acho que é isso.

– Pois é. – diz ela, rindo e ainda chorando. – Vou sentir sua falta, Em.

– Também vou sentir sua falta, Jasmine. – falo, brincando. Ela dá um riso leve e nos abraçamos. Sinto suas lágrimas escorrerem em meus ombros e depois me solto do abraço. Olho em seus olhos e vamos as duas para dois opostos da sala, em direção ao portão onde nossos carros estão estacionados. O dela está em outro estacionamento, já que ela chegou um pouco mais tarde hoje e não havia lugar no estacionamento principal. Meu azar foi que Danielle também estava com seu carro estacionado perto do meu, e tive que andar ao seu lado até nosso carros, que por sorte ou azar estão um do lado do outro.

Abro a porta do carro, e a vejo abrir a porta do seu. Antes de entrar, ouço-a dizer:

– Nos vemos, em Orlando, Aurora.

– Mal posso esperar, Malévola. – digo, entrando no carro e saindo do estacionamento em direção ao meu apartamento. Está na hora de pegar as malas para ir pegar o avião. O voo sai em seis horas.

. . .

O voo foi tranquilo. Fiquei sentada ao lado do meu namorado a maior parte do tempo, escutando música e comendo a horrível comida do avião. Minha sorte é que a Flórida não é muito longe, então pelo menos eu não me estressei. Imagino que isso não será possível para quem vai para Tóquio ou Xangai. Imagino que a Jade deve ter demorado muito antes de pousar no aeroporto de Milão para pegar o cruzeiro. O apartamento não é muito pequeno, pelo menos não como eu esperava. Apenas o essencial, por enquanto. Ainda faltam sete dias até eu começar á ser a princesa Aurora, e o trabalho me dá direito á entrada grátis com acompanhante para o Disney World quantas vezes eu quiser. E foi isso que eu fiz.

É um mundo mágico, muito diferente do quando eu vim quando pequena. O castelo da Cinderela parece cada vez mais bonito, e cada brinquedo é mais belo que o outro. Me diverti muito indo em cada brinquedo junto com James. Foi romântico ver o espetáculo do Epcot e o espetáculo do Magic Kingdom. Nunca mais quero sair daqui, e por sorte, não precisarei.

É hoje. Hoje é o dia. Levanto-me e tomo café ás pressas. Desejo boa sorte á James com seu novo trabalho na área da computação, e saio com meu carro. A entrada para funcionários é restrita á todos. O cartão que eu recebi durante a faculdade me deu acesso, através de um scanner. Soube que eu tenho que entrar em uma casa que dentro dela terá uma escada para os túneis subterrâneos do Disney World, onde todos os personagens e membros da organização do parque circulam para não serem vistos pelos visitantes de todo mundo que vem á Florida.

E é isso que eu faço. Uma casa tem, sendo vigiada por dois homens de terno, e com várias pessoas entrando. Este deve ser o horário de pico. Passo por eles, abro a porta, e ao invés de me deparar com uma sala, me deparo com uma escada na qual muitas pessoas descem. Desço também, e no final, abro uma porta e me deparo com os corredores.

Corredores enormes e cheios de canos passando por eles, com luzes e pessoas andando e se vestindo totalmente sem pudor. Pude ter certeza que vi uma Branca de Neve falando ao celular irritada. Realmente é algo meio assustador. Mas parece ser bem organizado, afinal, em todos os cantos, vejo placas dizendo aonde aquele tal corredor dá, ou em que parque dá. Os camarins ficam muito longe, e ficam bem no meio do complexo de corredores subterrâneos. Corro até lá, e entre os corredores vejo caixas abertas com fantasias de Mickey ou simplesmente algum príncipe sem camisa. Juro que pude ver o pênis de um Hércules sem cueca, mas isso eu prefiro apagar de minha memória. Não é uma coisa muito excitante. Sério, não é.

Chego no meio e vejo duas portas, uma com os dizeres “camarim masculino” e outra com “camarim feminino”. E é nesse que eu entro, e me deparo com algo ainda mais assustador.

Mulheres correndo para todos os lados, mexendo em varais com roupas de princesas, vilãs e bonecos de neve, macacos, Minnies, ou qualquer personagem da Disney existente. Tento me localizar por ali, tento achar alguém que possa me ajudar. Felizmente encontro uma mulher baixinha e rechonchuda que parece ser da organização, e falo com ela:

– Olá, com licença, sou nova por aqui e gostaria de saber como faço para...

– Querida... – me interrompe ela. – Pelo seu crachá vejo que você é uma princesa. Vá até os maquiadores naquela direção. – Ela me aponta uma seção de espelhos com homens maquiando meninas um pouco além dos varais de roupa. – E depois procure pela seção de roupas número 22, que é a das princesas. Agora não me faça perder meu tempo, temos muito o que fazer.

– Espera, mas em que parque eu... – ela não me deixa terminar, apenas sai da frente para ir falar com uma Ariel sem peruca ruiva mais afrente.

Eu me dirijo aos maquiadores, e consigo vê-los fazendo trejeitos enquanto maquiam as meninas.

– Com licença, sou nova aqui e... – Mas eles não me deixam terminar.

– Sim, sim. Poupe nosso tempo, amor. – fala um deles, que é negro e careca e muito bonito, além de eu percebe que ele é sarado. – Número 3? Princesa Aurora, não? Ótimo, sente-se aqui, querida.

Sento-me numa cadeira e fico reta, enquanto o homem passa batom, blush, coloca cílios postiços, passa baby liss em meu cabelo.

– Não me disse seu nome. – digo, enquanto ele meche em meu cabelo.

– Richard, amor, Richard. – diz ele. – Pena que não estou no masculino, ano passado estava, mas fingir ser hétero era demais para mim. Mas devo admitir que sentia tesão com aqueles príncipes nus.

Ele abana seu rosto com uma das mãos.

– Então você está aqui faz tempo? – pergunto.

– Cinco anos, amor, cinco! – fala ele, olhando para mim através do espelho enquanto passa delineador rosa em meus olhos. – Já vi muitas princesas Aurora passarem por aqui. Você não é a primeira, mas tenho que admitir que seja a mais parecida, isso sim.

– Eu ouço muito isso. – digo, sorrindo.

– Claro que ouve. – diz ele, terminando de passar o delineador. Nesse momento me olho no espelho e só vejo a princesa Aurora – Está pronta! Agora vá se trocar, xô!

Salto da cadeira e vou ao varal de número 22, princesas. Vejo ao longe uma princesa Anna se trocando e colocando a peruca com suas trancinhas ícone da Anna.

– Com licença. – Abordo-a para pedir informações. – Sou nova aqui e queria saber onde me troco.

– Princesa Aurora? – fala ela, e eu faço que sim com a cabeça. – Você é muito parecida com ela, parabéns!

– Obrigada. – digo. – Chamo-me Emily, e você?

– Rose. – fala ela, apertando minha mão. – Mas, respondendo sua pergunta, você se troca aqui mesmo. Coloca suas roupas no mesmo plástico que estava o figurino e depois vem buscar. Bolsas ficam naqueles cofres ali. Foi dada sua senha?

Olho para meu crachá e vejo minha senha. Olho para o fim do varal e vejo uma parede de cofres.

– Sim. – digo. – Obrigada pela ajuda, você foi a única que teve essa boa vontade por aqui.

– Que é isso, colega, foi um prazer! – fala ela. – E, uma das minhas primeiras dúvidas quando cheguei aqui foi saber qual era meu parque. Isso é dito no cofre. Todo dia tem escrito num papel dentro dele o parque que você irá. Eu vou para o Magic Kingdom hoje, se tivermos a sorte de nos encontrarmos... Até a próxima.

Ela dá um aceno com a mão e sai da seção. Gostei dela. Vou até meu cofre. O meu é o número 9. Abro-o com a senha e vejo um papel escrito “Emily Trane, Princesa Aurora, Magic Kingdom dia 30/09/2015.”.

Ótimo. O parque mais lotado no meu primeiro dia. Pelo menos por enquanto eu fico no meet and Greet das princesas dentro do castelo, só depois indo passear pelo parque.

Coloco minha bolsa no cofre e me troco. Coloco tudo, vestido rosa, coroa, sapatos. Pronto. Finalmente estou pronta. Depois de meia hora com isso tudo, o parque está quase pronto para abrir e eu tenho que me dirigir á entrada do castelo para fazer a alegria de muitas criancinhas e responder á perguntas idiotas de muitos adultos que querem saber como princesas da Disney reagem á perguntas inusitadas.

Saio da seção de roupas, e assim que saio dou de cara comum ser pintado de verde. Chifres na cabeça e vestido longo e negro, além de um cajado muito longo e estranho. Malévola, mais precisamente Danielle. Está com algo em seu queixo que o faz ficar mais fino e mais longos, fazendo com que sua beleza chegue quase até á feiura. A olho de cima á baixo, enquanto ela me olha com um olhar estilo Malévola.

– Olá, Danielle. – falo, com rosto fechado.

– Olá, Emily. – diz ela, e sai andando.

Olho enquanto ela sai de minha vista.

Vou saindo e percorro os corredores com placas até a entrada do castelo e finalmente a acho. Subo as escadas e dou num salão pouco iluminado, com uma luz muito leve e bonita, e quadros de pintura feita á mão para os desenhos das princesas. Vejo todas ali. Cinderela ajeitando seu vestido, a mesma Branca de Neve que vi discutidno no celular agora está mandando mensagens com aspecto de enfurecida, Ariel colocando a peruca ruiva, Bela ajeitando seus cabelos, Rapunzel lendo um livro imagino que para passar o tempo, e a mesma Anna que vi anteriormente, Rose, conversando com uma Pocahontas. Ela me vê, e chama a Pocahontas para vim junto falar comigo.

– Oi. – digo, sorrindo.

– Oi, Emily. – diz ela, enquanto se aproxima junto da Pocahontas. – Essa aqui é a Agatha.

– Prazer. – digo, apertando sua mão e vendo-a com um sorriso no rosto.

– O prazer é meu. – fala ela. – Espero que goste de nós. Juro que não mordemos.

– Ela não é selvagem. – diz Rose, rindo de leve.

– Então, você é de onde, Emily? – pergunta Agatha.

– Michigan, mas morei em Nova York até pouco tempo atrás. – falo. – E vocês.

– Vancouver. – diz Rose.

– Louisiana. – diz Agatha. – Enfim, o estande da Aurora é ali. – diz ela apontando para um estande com luzes mais puxadas para o tom rosa, que fica ao lado dos estandes da Cinderela e da Ariel. – Vá se aprontar e durante os expedientes, na Kaa, nos podemos até nos encontrar.

– Kaa? – pergunto, nunca ouvi este nome antes.

– É o nome da cobra do filme do Mogli. – diz Rose. – Damos esse nome aos túneis, já que parecem cobras. Todos chamam assim.

– Ah, — digo, lembrando-me do nome da cobra do Mogli.

– Atenção, o parque abre em dez minutos! – fala uma mulher negra bem vestida no meio do salão. – Todas as princesas em posições.

– Nos falamos depois, Emily. – fala Agatha.

– Boa sorte. – fala Rose, saindo e indo ao seu estande, assim como Agatha.

Saio e vou ate meu estante, e vejo Cinderela e Ariel nos estandes ao lado.

– Olá. – fala Ariel. – Nova aqui?

– Sim. – digo, sorrindo.

– Não se preocupa. – diz Cinderela, colocando a cabeça no outro lado e olhando para mim. – Você se acostuma com a rotina. Chamo-me Elizabeth.

– Beatrice. – diz a Ariel.

– Emily. – digo. – Prazer.

– Boa sorte. – dizem as duas, em coro.

– Nos vemos mais tarde. – diz Elizabeth, voltando á sua posição assim como Beatrice.

– Começa em cinco minutos. – diz a mulher. – Todas em suas posições, esperem até o sinal.

Fico parada enquanto espero o barulho que disseram que faria quando o parque abrisse. Cinco minutos de pressão, cinco minutos de especulações em uma sala com várias mulheres concentradas em fazer seus melhores para serem princesas. Cinco minutos antes das portas abrirem.

Notas finais
Obrigado por ler, comente suas impressões! Próximo capítulo em no máximo cinco dias!