Vida de Cão

1 Capitulo Unico


Notas iniciais
Como eu já disse essa fic se passa no mesmo universo de outras histórias minhas.

Como é acordar e saber que aquele provavelmente será seu ultimo dia? Eu não faço a menor idéia, acho que qualquer dia eu deveria perguntar para essas pessoas ao qual persigo... Quem eu persigo? Criminosos, os mesmos que as leis brasileiras deixam impunes. Racistas, assassinos, homofóbicos, ladrões, para mim são todos iguais... Mentira... Eu dou punições diferentes para cada um, de acordo com seus crimes, acontece que ao contrario do que a maioria prefere acreditar, na grande São Paulo acontecem muitos crimes. Contra todo tipo de gente e todos os dias.

Eu sei o que devem estar se perguntando, por que? Por que aqui é o Brasil, onde tudo é permitido e nada tem punição, onde a liberdade tem um preço, onde sexo, prostituição, drogas e armas são motivo para rir e se entreter, duvida? Ligue a televisão, o rádio, entre na internet, não estou inventando, está bem na sua cara.

Hoje estou fazendo mais barulho que o normal, as correntes que tirei do portão chacoalham em minhas mãos, a noite fria e a garoa me fazem tremer, mas acho que não mais do que o homofóbico que está se escondendo dentro desse prédio condenado que parece prestes a desabar. Há menos de 42 horas ele assassinou 4 gays e 2 lésbicas, quase mais pessoas do que eu assassinei hoje. Só na entrada eu estrangulei 5 homens e quebrei o pescoço de 2, todos armados, levei um tiro no ombro quando perdi o elemento surpresa para um deles.

O sangue do meu ombro vai ser recompensado quando eu achar meu alvo, quando eu ouvir seus gritos e ver ele implorar de joelhos por misericórdia, chutei a porta do ultimo escritório daquele prédio vazio e o eco fez parecer mais intimidador do que deveria, ouvi o gemido assustado do homem de terno preto encolhido no canto, o medo estava transbordando de seus olhos quando o mesmo me viu.

—Deputado Júlio, eu te condeno de homofobia e assassinato e pelo poder concedido a mim por esta cidade eu lhe punirei. — disse eu de forma firme que deu a sensação de ter a garganta rasgada por uma faca de serrar pão.

Ele se arrastou até meus pés dizendo coisas que eu não entendia, seus gemidos de medo misturados as palavras tornava impossível a compreensão, o ergui lentamente pelo pescoço e puxei um par de algemas do bolso interno do meu sobretudo e as prendi em seus pulsos, do mesmo bolso puxei dois pregos e um martelo. O primeiro prego usei para prender a algema dele na parede, o segundo prego eu posicionei no topo da cabeça do deputado e lentamente martelei. A noite silenciosa fazia os gritos dele serem duas vezes mais altos do que deveriam mas eu não parei, eu teria que ser rápido pois esse barulho todo atrairia a policia, ao contrario dos cidadãos comuns os coxinhas não gostam muito de mim.

O filete de sangue escorria pela cabeça do deputado, ele ainda estava vivo, que bom, o veneno que continha no prego o matará lentamente e ele vai sofrer muito antes que isso aconteça. Meu trabalho foi feito e foi feito muito bem, saí correndo daquele prédio o mais rápido possível, fui por trás dessa vez e ainda deu para ver a luz do giroflex da PM.

Devem estar se perguntando, "Acha certo as coisas que você faz?". Não, eu realmente acho errado o que faço, ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos, gente como eu merece ser punida assim como aqueles a quem punimos. Eu faço essas coisas por que sei que criminosos sempre saem impunes, esse deputado por exemplo. Ele seria absolvido de seus crimes simplesmente por ter o cargo que tem. Quem eu sou? Eu não me lembro do meu nome... Não o utilizo há anos...

Não me lembro dos meus pais ou de um dia ter sido amado por qualquer pessoa... Mas me lembro do primeiro assassinato que cometi... Eu tinha 14 anos, estava na oitava série, a época da escola nunca me trouxe lembranças muito felizes, não, eu nunca sofri bullying... Na verdade, eu nunca sofri nada era quase invisível e eu gostava disso. Por que então eu não tenho lembranças felizes? É por causa de uma garota... Acho que toda história tem haver com uma. Eu era quase invisível por que só ela me notou, ela conversou comigo e me compreendeu. Naquela época eu ainda estava em um orfanato católico nos limites da zona sul de São Paulo e ela era filha de pais ricos. Eu não sei exatamente o que eu sentia por ela, mas estava feliz por ela não me odiar. As freiras e o padre que cuidavam do orfanato me agrediam sempre que tinham oportunidade, eu não ligava na verdade, aquilo era o mais próximo de contato físico que eu tinha na época.

Um dia porem aquela garota não estava na escola, nos jornais havia a noticia de que ela havia sido abusada e assassinada por um aluno de uma escola particular. Ele foi preso depois de alguns dias e um pouco depois foi solto por ser filho do prefeito. Eu não sabia exatamente o que eu sentia, eu acho que eu nunca soube exatamente o que sinto. Uma noite qualquer saí do orfanato e caminhei até onde era a escola particular que mostraram nos jornais, as fotos do delinquente haviam sido divulgadas. Sentei no portão e esperei por horas até a limousine no famosinho chegar. Eu não tinha uma arma, mas um mendigo dormia não muito longe dali e com ele uma garrafa vazia de vinho. Corri até a garrafa e a quebrei na cabeça do filho do prefeito assim que o vi sozinho, com os cacos eu cortei sua garganta e fugi. Sobrevivi durante muito tempo ajudando traficantes aos quais eu matava depois de conquistar sua confiança, hoje eu durmo nas ruas... Mesmo assim me subestimar é um erro... Como eu disse, não me lembro do meu nome, mas as pessoas sabem do que me chamar. E elas me chamam de o Cão Bastardo...

Notas finais
E foi isso... tchau.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!