Vida com Dragões
2 Treinando Dragões e Vikings
Notas iniciais
O sol aparecia no horizonte e uma casa já começava sua rotina: a casa onde Soluço e Astrid viviam juntos. Já tinham dois anos que Soluço era líder dos vikings em Berk e, neste meio tempo, muito havia mudado.
A melhor das mudanças foi seu casamento com Astrid. Uma grande festa com amigos e dragões de todos os cantos do arquipélago preencheu Berk. Alguns amigos que vieram foram Mala, Dagur, Heather, Atali e Alvin para prestigiar a ocasião junto de seus dragões.
Mala e Dagur trouxeram Scorpion (nome para o Ataque Triplo – dragão do Dagur na série – que significa escorpião em inglês) e Sheather Master (significa Mestre Estilhaço em inglês e é o nome que Dagur deu ao Gronkle verde dele na série); Heather trouxe Wind Share (traduzido como Tesoura de Vento, na série é o dragão dela); e Alvin agora tinha seu próprio dragão chamado Grito (nome traduzido do inglês que significa Scream – escolhi que o Alvin tivesse como dragão o Screaming Death – variação do morte murmurante na série).
Era maravilhoso para todos poderem prestigiar um amigo desta forma. Soluço havia feito toda diferença em como Mala via a relação entre as pessoas e os dragões, ajudado a reunir a família de Dagur e Heather e até no casamento entre ele e Mala; tinha ajudado Atali e as Moças com Asas (grupo liderado pela Atali na série) a se proteger; e havia reerguido a amizade de Alvin e Stoico junto com a aliança entre os Exilados e Berk.
Sem contar tudo isso, ainda tinha outro detalhe! Soluço foi aquele que ensinou Alvin e seu povo como conviver com dragões e lhe treinou em todos os aspectos quando estabeleceu sua conexão com seu dragão – ele fez o mesmo na ilha dos Beserkers quando muitos começaram a querer que Heather os ensinasse a treinar seus dragões.
Foi com estes e outros feitos, que o nome Soluço Haddock passou a ser conhecido em cada canto do arquipélago e além. Muitas pessoas viam que ele podia conviver com dragões, acalma-los e até treiná-los para lutar ao seu lado. Alguns interpretavam errado a convivência que ele criou para ambos os lados, mas não tardavam a compreender a situação quando suas ações e palavras mostravam a verdade.
Soluço sempre tinha a mesma resposta para quem achasse que ele domava dragões: “ Eu treino dragões para conviver com pessoas e ensino pessoas como conviver com eles em paz.”; além disso, quem testemunhava o carinho que ele tinha por dragões e que os dragões tinham por ele, era forçado a admitir que um domador ou caçador não seria respeitado daquela maneira – sem contar que a paz resultante de seu trabalho como treinador era prova mais que suficiente para maioria.
Para completar tudo, hoje Valka vivia em Berk junto dele e seus dragões. Ela ajudava Bocão a cuidar de todo dragão que precisasse e administrava a segunda sessão de ilhas com dragões que, agora, faziam parte do grande grupo de Berk.
Esta foi, talvez, a mais difícil mudança que ele e seus amigos tiveram que encarar.
Valka cuidava de uma quantidade absurda de dragões em seu esconderijo e, agora que Banguela era um dragão alfa, muitos outros apareciam na ilha. Chegou uma hora em que não havia mais espaço para tantos dragões e pessoas – junto com isso, um número grande de discussões começou a surgir.
Muitos estavam insatisfeitos com o excesso de dragões e os problemas que vinham dessa situação. Faltava espaço nas ruas da cidade, precisavam de muito mais comida e também haviam as consequências das brigas entre certos dragões – como incêndios e estresse nos animais.
O método de organizar esta situação foi, de longe, a mais elaborada ideia que Soluço e seus amigos já tiveram.
Perna de Peixe reuniu os comportamentos dos dragões e seus métodos de divisão territorial, enquanto Astrid e Melequento faziam o reconhecimento de ilhas em torno de Berk que pudessem abrigar dragões, Cabeça Dura, Cabeça Quente e Eret deveriam listar todos os dragões de cada espécie (algo que deveria ser fácil, já que Soluço fazia questão que houvesse um controle numérico de dragões na ilha) e Soluço se responsabilizou por ajudar Valka e Bocão a organizar um lugar na ilha onde os dragões com necessidades especiais pudessem ser cuidados sem interferir nas rotinas de outras espécies.
Com a ideia em prática e os dados necessários coletados, agora tudo que faltava era finalizar a execução. Três ilhas foram anexadas ao conjunto de Berk para abrigar seus dragões e grupos de vikings foram destacados para cuidarem de cada ilha.
Soluço fez questão que Perna de Peixe organizasse aulas sobre os dragões e seus hábitos para auxiliar seu povo, começou a ensinar como aproveitar as qualidades dos dragões na rotina diária das ilhas (como pesca, construção, forja e até mesmo cuidar de alguns jovens vikings), destacou que Valka se unisse aos cavaleiros de dragão que integravam o grupo de Melequento para gerenciar as ilhas e incluiu em sua rotina diária de Inspeção voar com Benguela sobre as outras três ilhas.
E, falando em rotina de inspeção, Soluço tinha que sair para a inspeção matinal. Ele e Banguela acordavam junto de Astrid e Tempestade, porém, Astrid nem sempre inspecionava as ilhas junto de Soluço. Eles voavam juntos sobre Berk de manhã e no final da tarde, mas ela era responsável por ministrar os treinamentos de luta dos cavaleiros de dragão – enquanto Eret era responsável pelos treinos de luta por terra. Mesmo que estivessem em paz há dois anos, desde que Drago atacou, Soluço não correria o risco de deixar seu povo despreparado para se proteger e aos dragões se algo acontecesse novamente.
Soluço ria e se divertia com Astrid todas as manhãs fazendo brincadeiras com a aparência com a qual ela acordava. Logo cedo de manhã, os cabelos de Astrid amanheciam bagunçados toda vez de uma forma diferente e, depois do casal se divertir, iriam tomar café e começar a trabalhar.
Tempestade e Banguela brincavam muito juntos e sempre se divertiam durante os voos com seus cavaleiros ou em seus momentos de lazer. Cada dragão tinha criado suas manias com o tempo!
Nos voos matinais, Soluço sempre cumprimentava a estátua de Stoico ao lado do portão do Grande Salão, em seguida via Dente de Anzol incendiar o cobertor de Melequento para acordá-lo e levá-lo para voar, Batatão já estava acordada com Perna de Peixe brincando de jogarem ovelhas um para o outro e depois indo averiguar os filhotes de dragão, Bafo e Arroto amanheciam separando brigas dos gêmeos ou assistindo a mais de suas loucas ideias em execução, Resmungão remexendo a loja de Bocão arás de sucatas para comer, Quebra Miolos estava ajudando Eret em seu exercício matinal e, indo para as ilhas, ele encontrava Valka fazendo as mais ousadas manobras com Pula Nuvem enquanto realizava sua função.
A primeira ilha era conhecida como Ilha dos Dragões, o antigo lar do ninho dos dragões. Nesta ilha predominavam as espécies mais comuns de dragões como o Nadder Mortal, Gronkle, Zíper Arrepiante e Pesadelo Monstruoso.
A segunda ilha foi batizada de Abrigo de Gelo em homenagem ao esconderijo onde Valka viveu. Era uma área bastante tortuosa, contava com várias colunas e plataformas de pedra e algumas planícies. A ilha tinha um clima muito similar ao esconderijo da Espécie Alfa, então muitas espécies de dragão que viveram lá com ela foram instaladas nesta ilha.
Já a terceira ilha era repleta de cavernas, florestas, montanhas e rios – alguns até eram de água salgada, já que as cavernas conectavam a parte interna da ilha ao oceano. Nela era possível localizar absolutamente todas as espécies de dragão e ver dragões da classe marinha emergirem em meio as florestas. Batizada de Ilha das Nuvens por seus dias predominantemente nublados, alguns vikings em Berk a conheciam como ‘Ponto de Encontro’.
As ilhas estavam bem e agora era hora de checar os dragões com necessidades especiais. Em uma arena aberta na floresta de Berk estavam estes dragões – o local contava com estábulos, uma área particular de tratamento e um espaço para educar jovens vikings.
Alguns dragões tinham ferimentos nas asas que jamais cicatrizariam, outros eram cegos, faltava algum membro... Uma cena que deixaria muitos horrorizados. Mas eles faziam parte dos dragões que Valka cuidou e tudo que precisavam era de um pouco de ajuda a mais – sem mencionar que eles ajudavam a ensinar a cuidar e respeitar os diferentes dragões que existiam.
Mais para tarde era hora de almoçar e aí as ilhas faziam uma festa! Vários vikings alimentavam seus dragões junto de outros ou acompanhavam os grupos que voavam para caçar. Um espetáculo aéreo de dragões grandes, pequenos, coloridos ou monocromáticos. Este, talvez, era o momento favorito de Valka no dia.
Ela mergulhava e atirava peixes para o céu junto de Pula Nuvem – o mesmo esquema de alimentação que fazia quando vivia com a Besta Implacável, O Rei dos Dragões. Ela adorava e muitos passaram a aproveitar a ideia para explorar mais o piso dos oceanos a frente – lá eles viam diversos dragões diferentes e descobriam cada vez mais sobre um outro mundo inédito de cores e vida.
Com os compromissos da manhã resolvidos e já tendo almoçado, agora era hora de um voo ao redor da ilha para se certificar que tudo estava bem. Em seu voo, ele parou para assistir Perna de Peixe e Melequento tentando conquistar Cabeça Quente, enquanto ela tentava conquistar Eret. Os dragões apenas assistiam o alvoroço já acostumados.
Seguindo esta rotina, Soluço eventualmente encontrava seu tempo para voar com Banguela para locais inéditos ou não e ter seu momento a sós com Astrid. Nem sempre estes momentos de exploração e romance eram possíveis, já que, como líder, haviam muitas obrigações a serem cumpridas. Mesmo assim, ambos não se esqueciam de serem românticos! Mesmo se ela estivesse de mau humor ou ele extremamente irritado, sempre havia espaço para um carinho que mudava tudo.
Tudo fazia a vida parecer pacifica e tranquila, com mudanças grandes e pequenas que sempre faziam toda diferença. Uma realidade possível graças a amizade de um jovem viking e seu dragão.
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