Vida com Dragões
6 O que, exatamente, é um Fúria da Noite? – Parte 1
Notas iniciais
Soluço voava até os Defensores de Asa para se encontrar com Dagur. A ilha permanecia exuberante e o Eruptidão (dragão que vive no vulcão da ilha) se mostrava rapidamente para cumprimentar Soluço e Banguela. Descendo na praça do vilarejo, Soluço era recepcionado por Dagur e Mala.
— Seja bem-vindo irmão! – Dagur cumprimentava Soluço com uma rápida chave de braço.
— Olá, Soluço. Faz muito tempo que não nos vemos! – Mala o cumprimentava e acariciava Banguela enquanto Dagur ainda ‘brincava’ com Soluço.
Antes de poder responder seus amigos, Soluço ouviu o som de dois dragões se aproximando.
— Mestre Estilhaço! Scorpion! – rapidamente Soluço foi libertado da chave de braço de Dagur para ser levado até o chão pelos dois dragões que queriam vê-lo.
Soluço recebia lambidas e leves toques dos dragões enquanto o casal ria e Banguela acompanhava a diversão.
— Está bem, chega. – ele ria mais um pouco – Parem, por favor. – ele já tentava se levantava enquanto os dragões se afastavam – Estou feliz em ver vocês dois também. – ele os acariciava.
Scorpion e Mestre Estilhaço agora iam cumprimentar Banguela, um ritual muito comum desde que ele se tornou um dragão alfa.
— Você nunca falha em surpreender. Os dragões realmente te adoram! – Mala jamais se cansaria de ver como o relacionamento de Soluço com dragões podia ser formidável.
— Obrigado, Mala. – depois de se limpar, Soluço continuou sua conversa – Eu estou feliz de ver vocês de novo! Realmente faz muito tempo. – ele os cumprimentava de volta.
— Nós vamos em uma grande aventura certo!? – Dagur já pegava suas coisas e preparava Scorpion – Eu mal posso esperar para ver o local que você e a Astrid encontraram! – ele estava muito animado e agitado.
— Sim! A ilha é espetacular! Mas... – Soluço não pode terminar.
— Eu sei irmão. Devo esperar fora do viveiro para não arriscar que os dragões fiquem estressados. – Dagur completou Soluço e ambos se prepararam para sair – Isso vai ser divertido! – Dagur continuava a dar risadas.
— Tomem cuidado! Se algo acontecer, saiam imediatamente de lá. – Mala sabia que tinha que os lembrar disso.
— Pode deixar meu amor. – Dagur roubava um beijo de Mala e desaparecia nas nuvens com Soluço.
Passando novamente pelo vulcão da ilha, o Eruptidão se despedia e ambos avistavam Throk reorganizando a defesa do dragão; enquanto partiam, Mala acalmava Mestre Estilhaço na praça – o Gronkle havia criado grande carinho por ela e Dagur sempre o pedia para vigia-la, mas isso não impedia o dragão de se preocupar com ele da mesma maneira que ela e Scorpion.
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Chegando no espaço aéreo da ilha, Dagur estava maravilhado! Se o viveiro subterrâneo fosse tão lindo quanto o exterior da ilha, ele não sabia se poderia mesmo se conter em explorar.
— Então, o que achou da ilha? – ao aterrissarem, Soluço perguntou.
— O que eu achei!? O que eu achei!? – Dagur estava histérico – Este lugar é magnifico! Eu não acho que vou me segurar! Me deixa entrar no viveiro também! – era claro para Soluço que Dagur tinha amado aquele lugar e agora não seria capaz de se conter em conhece-lo por inteiro.
— Me deixe primeiro ver como os outros dragões reagem a pessoas e aí entramos juntos para explorar um pouco o viveiro. Tudo bem? – Soluço sugeriu e Dagur concordou.
Na entrada da caverna Banguela usou sua habilidade de guiar-se pela reverberação do som (o Fúria da Noite pode orientar-se como se tivesse um sonar próprio) para ter certeza que não haviam perigos no caminho. Os dois seguiram pela caverna atrás da cachoeira e, ao chegarem na entrada do viveiro, Soluço reparou que estava diferente se comparado com a vez que veio com Astrid.
Alguns rios pareciam brilhar em um claro tom de azul, as Lagartas de Fogo estavam perto do teto da caverna fazendo-o cintilar em dourado, muitos dragões estavam com seus filhotes recém-nascidos brincando pelas planícies e, ao longe, era possível ver dragões da classe marinha se alimentando com os dragões do viveiro.
— Irmão, isso é incrível! Como um lugar tão magnífico pode existir embaixo de uma ilha!? – era claro para Soluço que, por aquela surpresa, Dagur não esperava.
— Astrid e eu ainda não descobrimos isso, mas tenho que admitir que estou curioso! Aquele brilho na água são algas fluorescentes! O alimento de preferência do Pesadelo Voador (dragão que aparece na série). – Soluço fez Dagur se surpreender ainda mais – Se tem até esse tipo de alimento por aqui, eu nem consigo imaginar quais outras surpresas poderíamos encontrar.
— Definitivamente valeu vir aqui! – Dagur passava observando os filhotes de dragão brincarem até repousar seus olhos em um grupo em particular – Veja! Filhotes de Gronkle! – ele tentou se aproximar dos pequenos que queriam brincar com Scorpion.
— Dagur, você enlouqueceu? – Soluço o deteve – Se tem filhotes recém-nascidos aqui, significa que também temos casais de dragões super protetores por perto. Se você quer vê-los, tudo bem! Se você quer tocá-los, verifique primeiro onde estão os adultos e se eles vão deixar você se aproximar. – Soluço instruía Dagur.
— Certo! Como você me ensinou. – Dagur estava agitado e incapaz de conter sua felicidade – Enquanto isso você vai atrás daquela Fúria da Noite, certo?
— Isso! – Soluço confirmou sua questão e analisou o terreno – Em caso de emergências um sinaliza para o outro; se nada acontecer nos encontramos na caverna por onde viemos. – ele sugeriu e Dagur concordou.
Já separado de Dagur, Soluço esperava para ver se Banguela conseguiria encontrar sua amiga novamente. Pensando no horário do dia e na situação de frenesi em que o ambiente se encontrava, ele imaginou que, para uma dragão solteira e pouco sociável, ela deveria estar afastada dos ninhos e perto de uma fonte de água e alimento próxima.
E realmente ela estava! Longe, nas profundezas do viveiro, em um pequeno canto arredondado, apenas com o brilho da água refletindo na parede da caverna, onde um pouco de grama encontrava uma mini praia artificial, lá estava ela. O branco quase desaparecendo na areia, enquanto tomava água tranquilamente, a deixava ainda mais bela.
Soluço pousou nos arbustos atrás da paia para não a assustar e desmontou de Banguela para que seu amigo fosse conhecer a dragão branca. Banguela parecia um pouco envergonhado e receoso, mas Soluço continuou a incentiva-lo a prosseguir.
Indo na direção dela, Banguela parou e grunhiu para chamar sua atenção. A dragão se virou e analisou surpresa o dragão preto que havia voltado – sem entender porque, ela apenas se ergueu em duas patas e sentou a espera de uma reação de Banguela.
Querendo impressiona-la, Banguela se aproximou o máximo que ela permitiu e se ergueu de asas abertas. Movendo-se devagar, com as asas abertas, em duas patas e com a cauda serpenteando na areia, ele ia de um lado para o outro de maneira desengonçada na frente dela.
Ela apenas analisava curiosa a apresentação de Banguela e grunhia em resposta aos sons dele. Para finalizar sua apresentação, Banguela abaixou-se em quatro patas, ergueu sua cauda, recolheu suas asas, abriu seu flap de escamas nas costas e colocou um sorriso no rosto.
Soluço assistia tudo muito curioso e com esperança que seu amigo se desse bem com outro dragão da mesma espécie – além de muitos movimentos e ações de Banguela serem engraçados para ele.
Como resposta ao show de Banguela, a dragão se abaixou e caminhou até ele para cheira-lo. Ela parou na metade da cauda de Banguela que Soluço havia feito. Mesmo aquilo sendo estranho, ela acabou deixando passar e continuou a rodeá-lo até estar na sua frente novamente.
Ela fez um movimento com o pescoço e olhou para cima abrindo suas asas como se o convidasse para voar. Banguela abriu suas asas e rugiu em resposta para que ambos dessem sequência ao voo. Os dois subiram reto, se mantendo próximos e fazendo simples movimentos circulares.
Com os dois dragões na mesma altura, extremamente próximos e a expectativa de Soluço no máximo, rugidos de dragões do viveiro começaram a ecoar junto ao som de explosões. Assustada a dragão entrou em alerta e voou na direção em que Dagur estava. Preocupado, Soluço correu para montar Banguela o mais rápido possível e foi até o local.
Lá ele viu que os dragões do viveiro estavam em frenesi perseguindo Scorpion e Dagur. Soluço sabia que não devia tê-lo deixado sozinho! Os principais dragões que o perseguiam eram Gronkles.
— Dagur, o que foi que você fez? – Soluço estava indignado pela confusão e Banguela não estava feliz também.
— Desculpe, irmão! Os bebes Gronkle estavam brincando quando um deles caiu do Scorpion e começou a chiar pelos adultos. – Dagur se explicou e Soluço entendeu a gravidade do problema.
— Nós temos que sair depressa daqui! Todos os dragões estão nos caçando! – Soluço alertou e os dois deram os comandos para os dragões se apressarem até a saída.
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