Vida com Dragões
17 A Grande Caçada – Parte 4
Notas iniciais
Os olhos arregalados, as palavras de tristeza e agonia e o desespero pela perda de um grande amigo, irmão, marido e filho. Na sala onde os líderes conversavam, o clima de desolação estava instalado.
— Isso não pode ser verdade! – Throk estava inconformado com o ocorrido – Como aquele caçador já tinha o Banguela e decidiu ainda assim seguir para matar o Soluço!?
— Ele tem razão. – Alvin concordava – Como pode ele ter sentido a necessidade de fazer algo assim depois de já ter conseguido dois Fúrias da Noite?!
— Talvez pelo perigo que Soluço poderia representar para ele. – Heather sentiu que deveria expor uma de suas teorias – O Soluço pode lidar com qualquer dragão e tem uma fama extensa como treinador; sem contar que ele venceu o Drago e, provavelmente, foi através dele que Harlock decidiu mata-lo.
— Eu concordo com você irmã. – Dagur compartilhava aquela teoria – O Soluço realmente tem o respeito dos dragões e pode trabalhar com eles, alguém assim é a maior ameaça que um caçador e negociante de dragões pode ter.
— O que que eu acho estranho é que o Harlock sequer se preocupou com o arquivo de dragões de Berk! Ele deveria ter vindo atrás dos documentos para adquirir mais informações e dragões raros, pelo que teorizamos. – Minden, apesar de tudo, persistia nesta dúvida.
— Talvez quando os Fornalhas atearam fogo na ilha ele foi forçado a deixar os documentos para trás ou ele pense que estão protegidos em algum lugar de Berk e vá procura-los depois. – Atali já havia pensado no mesmo ponto de vista de Minden.
— O que tudo isso importa agora?! – Valka finalmente se pronunciou! Ela chegou calada e em choque, completamente alheia a sua volta e sem responder a nada levantado na conversa; até agora. – Meu filho se foi! O Soluço se foi! Depois de vinte anos esperando para ter minha família novamente, agora eles estão mortos. – ela parou agoniada e saiu apresada da casa.
— Valka, espera por favor! – Astrid tentou para-la, mas não funcionou. O choque para ela havia sido bem mais torturante que para maioria e ela precisava de um tempo sozinha.
Na casa ninguém sabia mais o que fazer. Deveriam sim tentar voltar e derrotar Harlock! Mas como fariam isso na condição em que estavam poderia ser um mistério para sempre sem solução.
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Longe do Domínio, longe de Berk, além do arquipélago e atravessando mares estava uma ilha que parecia deserta. A Ilha dos Caçadores! O local havia sido esvaziado para ser possível enfrentar Soluço e os outros de forma mais eficiente; mesmo assim, agora um local estava habitado novamente. O estábulo do Fornalha de Harlock.
Dentro do espaço estava uma bagunça! O dragão havia chegado com dor, exausto, ferido e ainda carregando uma carga. O dragão nunca teve uma proximidade de amizade com Harlock, mas nunca pensou que ele fosse atirar nele e deixa-lo para morrer.
O tiro havia acertado em cheio ele e Soluço. O mais estranho foi que o viking que estava em suas costas tentou faze-lo continuar e não desistir; até caírem na água e o impacto, junto de seus ferimentos, faze-lo soltar-se de suas costas e ir em direção as profundezas. Isso sim era novidade para o dragão! Alguém que ele tentou eliminar estava se preocupando com ele de verdade; e, sentindo que deveria retribuir o favor, ele pegou o viking e o levou consigo – sua carga que agora estava recostada nele.
Soluço parecia vivo ainda, mas bastante debilitado e já há dois dias inteiros dormindo no calor que o corpo do dragão gerava. Até começar a acordar naquela tarde. Estava desorientado e com muita dor.
— Onde estou? – ele tentava falar e se mover, mas a dor de suas feridas não permitia – Eu estou vivo ainda? – ele tentou apoiar-se em algo para levantar, quando sentiu escamas e percebeu que estava recostado no dragão de Harlock.
Soluço tomou um enorme susto e se levantou, por impulso, para tentar correr. Uma péssima ideia! A dor de seus ferimentos o obrigou a parar contra uma coluna e se acalmar para poder se organizar com mais calma. Já mais calmo, ele reparou que estava em um local bastante silencioso e que se assemelhava a um estábulo para dragões.
— Você me salvou não foi? – Soluço rapidamente compreendeu a situação e foi acariciar o dragão para agradece-lo.
O dragão nunca foi tratado daquela forma e admitia estar gostando do carinho que recebia, até a dor que sentia voltar e chamar a atenção de Soluço.
— Você também se machucou, não foi? – Soluço já sabia que sim – Fique aqui que eu vou tentar encontrar algo para cuidar dos seus machucados e dos meus. Volto assim que puder... – Soluço fez uma pausa que o dragão não entendeu – É verdade você não tem nome. Do que você gosta?
Pergunta muito estranha para um viking fazer a um dragão, mas, talvez, ele pudesse confiar em Soluço e lhe mostrar do que gostava. O dragão abriu a boca e fez algumas faíscas saírem e estourarem em pequenos e agradáveis sons. Soluço achou muito engraçado e riu o máximo que suas feridas permitiram.
— Então está decidido! Seu nome será Faísca de agora em diante. O que achou? – Soluço perguntou novamente a opinião do dragão e ele pareceu gostar da ideia, fazendo Soluço sorrir – Então me espere aqui que volto assim que puder, Faísca.
Soluço novamente foi educado com o dragão e foi saindo tentando ficar em pé o melhor possível. Estava difícil, mas encontrou uma vara de madeira que seria perfeita para usar de apoio e seguir viagem. Analisando o local que se estendia na paisagem fora do estábulo, percebeu que estava na Ilha dos Caçadores e em um anexo da residência de Harlock.
Começou sua exploração por lá então. As alas de troféus deixaram Soluço horrorizado – em especial a ala do Fúrias da Noite; e, adentrando a residência de Harlock, ele não encontrou muita coisa que pudesse lhe explicar sobre ele, mas encontrou alguns panos e ervas, de um estoque particular dele, que poderia usar para cuidar dele e de Faísca.
Pegando tudo que pode, ele voltou para Faísca e ajudou a trata-lo. O dragão estava com bastante dor, mas Soluço conseguiu convence-lo a colaborar com o curativo. Terminado de cuidar dele, Soluço foi cuidar de seus próprios machucados. Estava bastante dolorido e arrebentado e não sabia fazer aquilo tão bem quanto Gothi ou Perna de Peixe, mas podia improvisar seu melhor para aguentar o máximo de tempo possível.
Ele conseguiu terminar de cuidar de si e de Faísca e agora era hora de voltar a casa de Harlock para procurar informações sobre ele. Andando pelo local, ele encontrou o pequeno escritório de Harlock e se sentou para ler os arquivos que ali estavam. Para que, em nome de Odin, sua curiosidade existia!?
Soluço lia os livros sobre as caçadas e vendas de dragões das últimas três gerações de caçadores e isso incluiu um livro intitulado “A Última Grande Caçada”. Que desgraça ele havia lido! Tudo para atiçar sua preocupação e seu desespero por Banguela! Ele tinha que voltar urgentemente para o Domínio e se reagrupar com todos para tentarem bolar uma saída contra Harlock.
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No arquipélago de Berk as coisas iam de mal a pior. Harlock já havia vasculhado a ilha atrás dos arquivos sobre dragões e, sem encontra-los, decidiu se focar em preparar o terreno para sua grande caçada de Fúrias da Noite.
Enquanto se focava nesta tarefa, alguns de seus homens estavam nas outras ilhas caçando alguns dragões que ficaram para trás na evacuação por não terem conseguido responder ao chamado inicial de Banguela.
Passando pela encosta de Berk, Harlock admirou o mar onde havia atirado Soluço e seu dragão e sacou uma de suas espadas, assumindo uma perfeita postura e colocando ambas as mãos sobre o punho da mesma, ele se permitiu respeitar seu inimigo: “Você realmente provou-se um adversário à altura e alguém merecedor de sua lenda. Talvez seria interessante você ter vivido mais um pouco para nos enfrentarmos de verdade, mas assim é o melhor. Você era perigoso demais para permanecer vivo.” – Harlock finalizou retirando sua capa e a atirando ao mar para terminar seus respeitos a Soluço
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