Vida com Dragões
16 A Grande Caçada – Parte 3
Notas iniciais
O Domínio do Dragão estava em frenesi. Beserkers, Exilados, Moças com Asas e Defensores de Asa estavam misturados e ainda assimilando o ocorrido. Havia perdido suas batalhas, seus lares foram devastados, haviam inúmeros feridos, suas frotas foram reduzidas drasticamente, seus dragões foram levados e ainda não tinham uma notícia sequer de Berk.
Na casa central do domínio, os líderes conversavam entre si.
— Como isso foi acontecer!? – Mala estava inconformada – Eles invadiram a ilha sem sabermos, conseguiram levar os dragões e ainda destruíram a vila. Pelos ancestrais!
— Eu ainda quero entender como minha rainha. – Throk compartilhava seu sentimento junto de todos na sala – Se não fosse por Mestre Estilhaço e Scorpion muitos teriam morrido pela lava e eles ainda aproveitaram a evacuação para pegar o Scorpion. – ele deu um soco contra a parede nessa hora. Foi em um pequeno momento de distração sua, pelo alívio de terem conseguido salvar maioria de seu povo, que o dragão foi levado.
— Eles conseguiram destruir a ilha de vocês também? – Heather não acreditava
— Sim, irmã. – Dagur estava extremamente chateado pelo ocorrido – Nós tentamos enfrenta-los e resistir, mas quando a lava começou a se espalhar e o vulcão entrou em erupção, não pudemos simplesmente esperar a luta acabar. – ele parou para suspirar – E os Beserkers? O que aconteceu com a ilha?
— Eles sabiam sobre a Espécie Alfa que viveu lá. É a única explicação que consigo pensar. – ela se recostou contra a parede sem forças – Aqueles caçadores que atacaram nosso front eram uma distração para os que vieram por trás em missão suicida! Eles entraram nas cavernas da montanha e começaram a desmoronar tudo com catapultas. – ela teve que parar. Sua raiva ainda estava muito forte.
— Eles o que!? – Dagur ficou sem palavras. Aquilo era mais que uma estratégia de batalha ou um exagero!
— É bem isso que você ouviu irmão. – ela voltou a falar – Nem toda montanha desabou, mas o que caiu foi o suficiente para destruir a vila e ferir muitos dos nossos homens. Foi quando tivemos que focar em evacuar a ilha e eles feriram a Tesoura de Vento. – ela entristeceu e parou para segurar uma lágrima. A ferida que a dragão sofreu foi muito séria e, por pouco, ainda estava viva.
— O plano era realmente aniquilar a força aliada então! – Minden entrou na conversa – A invasão na nossa ilha começou com um grupo de caçadores homens provocando as fêmeas na área norte da floresta para nos distrair enquanto a segunda leva de ataque vinha pela frente e destruía a vila. – ela também precisou parar para se recompor – Inclusive estimamos que eles levaram seis fêmeas da ilha e temos vários filhotes machucados.
— Minden tem razão. – Atali ainda processava o triste ocorrido no dia anterior – Eles nos atacaram ao mesmo tempo, com estratégias radicais e destrutivas e levaram tudo de valor que puderam, tenham sido dragões ou suprimentos.
— Ainda bem que todas as informações e dados que tínhamos já estavam escondidos aqui. Seria um desastre se colocassem as mãos nos arquivos que temos sobre dragões. – Alvin se juntou a conversa – Em minha ilha eles levaram muitas das nossas armas, feriram o bando de Suspiros da Morte e conseguiram levar o Grito. Um navio deles tinha uma jaula de piso reforçado e tamanho ideal para coloca-lo sem riscos de fuga ou ataques exagerados. Eles sabiam exatamente o que queriam e como conseguir!
Silêncio. Situação repetitiva e que já tinha atingido sua cota de incomodo ha semanas. Os ataques foram definitivos e o efeito nos líderes e seus povos avassalador.
— Precisamos descobrir o que aconteceu em Berk. – Heather decidiu trazer à tona a grande preocupação que os atormentava – Se nós fomos atacados dessa forma ontem, o que pode ter acontecido com eles que, por sinal, ainda não conseguiram chegar até aqui? – ela não conseguia esconder sua aflição por seus amigos.
— Se eles não chegaram até aqui ainda eu não sei como poderíamos ajuda-los. – Mala suspirou e se sentiu na obrigação de explicar sua suspeita – Harlock tinha Drago como contato, então faz sentido que ele tenha como alvo o Soluço. Ele é um caçador de dragões com anos de histórias e sucesso, desejo em caçar Fúrias da Noite e que vê dragões como uma fonte de renda e diversão. – ela finalizou.
— Isso significa que os ataques as nossas ilhas eram apenas para evitar reforços e conseguir dragões para caçar e vender e que os verdadeiros alvos dessa história realmente eram o Soluço e o Banguela. – Heather tinha certeza de ter entendido o que Mala explicou.
— Mas então como vamos ajudar? – Dagur não queria ficar na espera por notícias ou escondido, queria lutar e retalhar Harlock pelo ataque aos Defensores de Asa; mas como faria isso? – Temos inúmeros soldados e dragões feridos, a moral daqueles que ainda podem lutar não existe mais, as frotas foram reduzidas pela metade e corremos o risco de o Harlock descobrir sobre o Domínio, atacar os ferido e inválidos e pegar os documentos sobre dragões.
— Infelizmente eu sou obrigada a concordar. – Atali começou – Se não conseguimos lidar com uma pequena parcela da força de ataque dele antes, como faríamos agora com a força completa para ajudar Berk?
Outro impasse culminava em silêncio. Estavam agitados, abatidos e perdidos. Como poderiam sobrepujar tamanho adversário? Mesmo que tivessem um plano e alguma chance, também não poderiam executa-lo a tempo com todos feridos e exaustos. Um momento de tensão estava instalado e foi interrompido com urgência.
— Rápido! Vocês têm que ver isso! – um viking dos Exilados parou afobado na porta da sala, entregou sua notícia e saiu correndo em disparada.
Os líderes foram imediatamente verificar o que se passava. No pátio todos conseguiam ver o enorme bando de dragões que chegava. Muitos pousaram nas florestas e outros buscaram aterrissar por ali para deixar os vikings que carregavam. A equipe dos auxiliares pousou o mais suave possível e rapidamente recebeu ajuda dos presentes para remover feridos de cima dos dragões.
Nas praias alguns navios atracavam e mais vikings e dragões desciam e descarregavam os poucos suprimentos e armas que conseguiram salvar. No aglomerado de dragões, Valka, Astrid, Eret, Melequento, Cabeça Dura, Cabeça Quente e Perna de peixe apareciam finalmente. Feridos e exaustos, mas vivos.
— Astrid! – Heather correu para abraça-la – Vocês estão bem? O que aconteceu em Berk? – ela reparou nas expressões abatidas a sua volta e se tocou da persistente falta de alguém muito importante – Onde está o Soluço?
Sem resposta imediata. Os líderes apenas viram alguns vikings abaixarem o olhar, outros ficarem sem saber o que fazer e ouviram alguns dragões grunhir baixo em tristeza. Aquilo não podia ser verdade!
— Ele se sacrificou para podermos recuar. – Astrid mal conseguia falar e acabou por não conseguir dizer mais nada.
— Não! – Heather recuou alguns poucos passos e teve sua negação acompanha presentes. Definitivamente deveria haver algum engano ali.
Com todos ainda em choque e perdidos, Eret tentou amenizar um pouco a situação sugerindo que fossem conversar em particular, enquanto todos se instalavam e aproveitavam algum tempo para descansar. Mesmo a ideia sendo a melhor opção no momento, foi preciso a ajuda dos outros líderes e companheiros presentes para executá-la. Para o povo de Berk, o choque havia sido muito mais que um simples ataque.
Posicionados novamente na casa central, Mala tentou começar uma conversa.
— Um de vocês poderia nos explicar o que aconteceu? – nenhuma resposta, além do suspiro de Astrid – Nós todos fomos atacados, tivemos nossas ilhas saqueada e vilas destruídas; inclusive eles conseguiram levar os dragões e nem todos sobreviveram aos ataques.
— Mala, o Harlock já havia pego o Banguela e a companheira dele quando chegou em Berk. – Eret tentava explicar e acabou assustando os presentes – Ele veio apenas para finalizar seu trabalho: destruir Berk e, o mais importante, matar o Soluço. – ele tentou juntar forças para continuar, mas não conseguiu – Pelos deuses, como isso foi acontecer!?
— Sem contar que não sabemos como eles pegaram o Banguela?
— Ou o que aconteceu com o viveiro da Ilha.
Cabeça Dura e Cabeça Quente complementaram Eret e expuseram outra preocupação que tinham.
— O ataque foi muito bem coordenado e de uma estratégia brilhante. Cada passo foi planejado com antecedência e, ao que parece, tudo correu como ele queria. – Perna de Peixe juntou-se aos amigos.
— Aquilo não foi um ataque! – Melequento estava claramente revoltado – Haviam centenas de navios e um grupo de Fornalhas sobrevoando a ilha, que vieram sob a cobertura de um manto de neblina que ele fez os dragões criarem. Ele veio com a intenção de exterminar e não de lutar.
— Então a frota dele é muito maior do que esperávamos! – Alvin interrompeu as explicações – Com a média de navios que nos atacaram mais os navios que atacaram vocês, nós temos uma frota média de, pelo menos, mais de quinhentas embarcações!
— Como uma frota tão grande e poderosa pode existir, ser mantida e tão bem organizada sob o comando de apenas um homem? – Atali tinha que admitir sua dúvida perante a situação que, cada vez mais, beirava o absurdo.
— Isso sinceramente não tem importância para mim Atali. – Astrid decidiu contar a verdade aos presentes – O que realmente aconteceu com o Soluço foi...
[Flashback ON]
Os vikings de Berk recuavam, conforme a ordem de Soluço, junto dos dragões. Com todos no céu e ele ainda em terra, Valka passou um rápido rasante para pega-lo – subindo para se juntar a todos, a cena de toda extensão do vilarejo em chamas o deixou abalado.
Mas deveria ser firme em sua decisão de salvar seu povo, mesmo que isso significasse abandonar Banguela, a companheira e Berk.
— Vamos rápido sair daqui! – ele novamente deu a ordem de recuo.
— Soluço, temos problemas! – Cabeça Dura alertou sobre os Fornalhas que vinham em suas direções.
— Temos problemas em dobro! – Cabeça Quente direcionou as atenções para as catapultas e balistas que os navios estavam mirando neles.
— Não vamos conseguir! – Eret não era de se desesperar, mas tinha que admitir sua preocupação.
— Ele está certo! Se nos seguirem até o Domínio colocaremos tudo a perder. – Perna de Peixe completou.
— Nós temos que tentar! Não podemos desistir. – Astrid compartilhava a preocupação, mas tinha que tentar manter todos motivados a seguir em frente e não desistir.
— Desculpe, Astrid, mas como você sugere que façamos isso!? – Melequento expôs a grande dúvida.
Soluço prestava atenção na discussão e tomou uma importante decisão. Se levantou das costas de Pula Nuvem e foi para Tempestade – como estavam próximos, apenas um pulo bastou.
— Astrid, tire todos daqui e se certifique que estejam seguros! Usem a rota de trás para alcançar o Domínio e, quando chegarem lá, verifiquem se os nossos aliados estão bem e avisem sobre o ocorrido. – ela iria responde-lo quando parou de falar, mas ele não deixou – Eu te amo!
Ele parou tudo que fazia para beija-la! Aquilo não era hora para isso e mesmo assim ele o fez – mesmo que tenha sido mais rápido do que o normal para eles. Quando pararam ele ficou de pé novamente e realizou outro chamado de dragão.
— Saiam daqui! Vão! Agora! – ordens claras e acompanhadas de gestos que indicavam a rota que ele queria que seguissem.
Os dragões realmente começaram a recuar e ignoravam as ordens de seus cavaleiros. Apenas a ordem de Soluço e sua confiança agora importavam. Ele abriu as asas de seu traje de voo e pulou de Tempestade em direção aos dragões Fornalha.
— Soluço!
— Não!
Astrid, Valka e os amigos gritaram por ele e tentaram fazer os dragões o seguirem. Sem sucesso! A ordem de Soluço era absoluta e agora eles apenas podiam testemunhar a coragem de Soluço em uma cena que diminuía com o avanço do recuo.
— Harlock! – Bartok veio correndo avisar seu líder – O domador de dragões está plainando na direção dos dragões!
— Interessante. Ele deve achar que se sacrificando poderá salvar a todos. Quanta ingenuidade! – Harlock sequer se preocupou em ordenar que seus homens atirassem nele.
No céu os dragões tentavam acertar Soluço, sem sucesso. Ele voava no traje muito melhor que seus amigos e estava conseguindo dar trabalho até para o Asa Titânica. Os dragões tentavam acertá-lo com fogo, caudas, asas e garras e ele continuava a desviar e provoca-los gritando frases como: Erraram! Não conseguem nem pegar um viking de uma perna só! Não sabem mirar! Venham me pegar! Eu ainda estou aqui!.... E assim ele seguiu.
Era impressionante que trinta dragões no céu não conseguiam pega-lo e, agora muito irritados, ele os guiava para os navios de Harlock! Os tiros dos dragões começaram a acertar seus navios conforme Soluço desviava! Um bom plano, que seguiu com ele provocando seu adversário de forma perigosa e pessoal!
—O que foi Harlock? Centenas de navios e um bando de dragões selvagens não conseguem nem tocar em mim? Se você me queria morto está fazendo um péssimo trabalho! Eu estou aqui!
A ultima provocação não foi para Harlock e sim para os dragões, que atiraram em sua direção e ele desviou novamente. Fazendo o fogo se espelhar pelo navio em que ele, Bartok, Banguela e a companheira estavam. Soluço queria criar pânico e conseguiu.
Harlock ficou furioso e ordenou que removessem os dragões para outro navio e atirassem em Soluço com tudo que tinham. Sua provocação funcionou, pois agora tudo e todos estavam focados nele enquanto seu povo recuava em segurança com a coragem de seu líder em suas costas.
Em meio aos dragões, Soluço alcançou o Fornalha Asa Titânica e subiu em suas costas. O dragão estava extremamente agitado e disparando aleatoriamente junto dos outros dragões – tiros que ele teve certeza de aproveitar para destruir alguns navios e artilharias. Algo que Harlock simplesmente não deixaria passar.
— Atirem nele! – Harlock admitia que Soluço realmente provou-se um adversário a altura e era uma ameaça tão grande quanto Drago afirmou – Abatam o dragão também se precisarem, mas o domador deve cair!
Conforme suas ordens, seus homens atiraram mirando no dragão, durante a distração de soluço com o bando, e acertaram em cheio! O dragão e Soluço caíram rapidamente em direção ao mar e desapareceram sob a água.
Para cumprir o último desejo de seu líder, os dragões e vikings terminaram de recuar e Harlock não pode segui-los depois de perde-los se distraindo com Soluço. Um último ato de bravura que marcou o fim de um jovem e grande homem.
[Flashback OFF]
Fale com o autor