Vida Renovada
3 Capítulo 3
Cheguei no carro ofegante. – Nossa Julissa – o Jonas disse – parece que viu um fantasma. – Que cara é essa maninha? — a Amber perguntou – aconteceu alguma coisa? –Claro que não, eu só vim correndo porque não queria atrasar mais a gente. No caminho eu fiquei pensando naquele barulho, será que eu tava ficando louca? Ou será que a casa estava mal assombrada? É melhor eu esquecer essas coisas e aproveitar o meu primeiro dia na cidade. –Julissa – a Amber falou impressionada – essa cidade de noite é maravilhosa, eu amei muito. – É linda mesmo a cidade – eu falei fingindo que eu tava pensando nisso – ainda falta muito para chegar? – É logo ali na frente – o Jonas apontou para um restaurante super lindo – aquele que tem a Estátua da Liberdade na frente, vocês vão adorar as comidas, quando eu vim aqui ano passado, eu só comia ali. Chegamos no estacionamento e o manobrista veio pegar o carro. O restaurante era muito chique por dentro, fico até com vergonha de não saber comer aqui, nunca vim num restaurante desses. Na recepção tivemos que dar o número da reserva e sentamos numa mesa muito bem localizada, de frente para uma fonte que saía água colorida. O garçom veio até nossa mesa perguntar o que queríamos e eu deixei o Jonas e a Amber escolher por mim já que eu não conhecia nada. –Nossa amor – a minha irmã disse acariciando o braço do Jonas – é muito lindo aqui dentro, bem romântico. – Eu to parecendo uma intrusa no meio do casalzinho apaixonado – eu disse estressada, eu olhava para um lado e para o outro e só via casal de namorados – esse lugar só tem casais. Nem deu tempo de ninguém responder, o garçom chegou em seguida com a nossa janta. – Experimentem – o Jonas disse – é uma delícia essa comida. – Mas não parece – a Amber disse – faz lembrar um arbusto. Eu segurei o riso, fazia mesmo lembrar um arbusto com tudo dentro. –Sabe irmã, — eu falei enquanto enrolava com aquela comida – eu não entendo porque nosso pai deixou essa fortuna para gente, sempre tivemos uma vida humilde lá no Brasil, e depois que ele morreu, Bum , ficamos ricas da noite para o dia. – Eu não sei – ela respondeu enquanto enrolava o garfo naquela comida estranha – nosso pai sempre dizia que quando ele morresse nós teríamos uma boa vida, mas só agora eu entendo. – Gente – o Jonas chamou nossa atenção – chega de assuntos monótonos, e parem de enrolar com a comida, será que só eu gosto desse '' arbusto ''. – Não amor – a Amber disse fazendo cara de quem tá adorando – é muito boa essa comida. – É – eu confirmei – agora me dão licença que eu vou ao banheiro. Levantei da cadeira e fui em direção ao banheiro. Na viradinha que levava até lá eu tombei com um garoto e caí no chão com tudo, eu não sei onde enfiava a cara, ainda bem que meu vestido não era curto, senão ia ter aparecido coisas que não eram para aparecer. – Me desculpa – ele disse estendendo a mão para me ajudar a levantar – eu não queria te derrubar, machucou? – Eu e que peço desculpas, e que eu não te vi e... — quando olhei para ele eu fiquei sem fala, ele era o que se chama de maravilindoso, que significa maravilhoso, com lindo e gostoso, eu e minha amigas inventamos isso. Esse garoto tinha cabelo pretos escorridos pelo rosto, olhos esverdeados, uma boca que qualquer garota gostaria de beijar, e eu não tenho mais palavras para explicar, acho que se pode dizer que foi amor a primeira vista – e...Me desculpa de novo. – Você tá bem? – To, não foi nada e que eu sou desastrada mesmo e eu sempre esbarro em tudo que eu vejo pela frente, quase esbarrei no garçom ali na frente, e agora em você, e pode ser em qualquer outra pessoa, eu já derrubei uma mesa de festa de aniversário outra vez e eu não sabia onde metia a cara, aí a aniversariante que era uma criança ficou chorando que queria a mesa dela, e eu fui embora da festa de fininho e no caminho derrubei o homem que estava chegando com o bolo da festa e...- eu olhei para a cara dele que tava me olhando sem entender nada. E que eu quando to nervosa falo muito, sem ponto e vírgula – Eu to falando muito né? – Um pouco – ele disse – mas eu gosto de escutar histórias. – Agora eu já vou, porque minha irmã tá me esperando, tchau. – Espero te encontrar de novo.
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