Irene – DC, tô meio chateada porque o Cebola não vai na minha festa...

DC – Ele não vai por que mesmo?

Irene – Vai viajar. Pra saquarema.

DC – Ah... Bom, se ele não quer ir na sua festa, quem vai perder vai ser ele.

Irene – Se ele... Não quer?

DC – Sim, ah! A Lu também não vai...

Irene – Por quê?

E agora? Eu não podia dizer que ela não ia por causa do Cebola...

DC – Eu não sei, eu acho que ela não tá a fim de ir mesmo...

Irene – Poxa... Me restam vocês mais próximos irem né?

DC – Eu vou, com ela ou sem ela, óbvio!

Irene – A Mônica e o Luca vão. A Maria e a Mila também. O Jeremias... A Ramona...

DC – Você chamou até a Ramona?

Irene – Sim, eu gosto dela!

DC – Hahahaha que maneiro!

Irene – Chamei até a Isa, mas duvido que ela vá.

DC – OI? A ISA?

Irene – Sim...

DC – HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

Irene – Que foi?

DC – Nada... Nada não...

Se a Isa fosse, com o Luca e a Mônica lá, ia dar treta...

Sei lá, ultimamente eu tava pouco ligando pra tudo sabe? Sem dar importância a essas coisas mínimas e corriqueiras do nosso dia a dia... Nem liguei muito pro que tinha acontecido com o Cebola. Bom, não tanto quanto deveria. Estava mais zen. Sabia que tudo que era ruim iria passar, então pra que esquentar a cabeça com tudo isso?

Aprendi que eu deveria ficar mais esclarecido na vida. Dar importância a coisas realmente importantes. E não essas trivialidades que passam na vida de qualquer um...

Ia chegando o dia da festa.

– (Magali) DC?

– (DC) Opa fala aí

– (Magali) Eu não vou na festa da Irene

– (DC) Ainda está internada Magá?

– (Magali) Sim...

– (DC) Poxa, que pena. Melhoras hein. Quero você me perturbando de volta

– (Magali) Pode deixar hahahahaha

Era uma pena que ela não poderia ir. Seria tão engraçado ver ela dançando hahahaha!

E o dia da festa enfim havia chegado! Nas mensagens do whatsapp, era a Maria Mello, a Mônica e a Irene só conversando sobre a festa, e eu ainda chateado porque a Luísa não iria.

Por outro lado, pensei: “Por que não ficar mais solto sem ela?” Tudo tem seu lado bom, e isso eu aprendi com a vida mesmo. Não adianta ficar lamentando tudo... e não aproveitar nada.

– Alô, Mônica?

– Fala DC!

– Eu tô chegando aí!

– Ah! Tá! Vou indo abrir o portão pra você!

– Beleza!

Cheguei lá e me deparei com ela beijando o Luca, mais uma vez... Era tão empolgante o jeito que eles se beijavam, que dava até vontade de oferecer um desentupidor de pia ao invés de uma bala como muitos fazem.

DC – Pelo visto o Luca foi o primeiro a chegar né?

Luca – Pois é! Hahahaha

DC – Ah é, desculpa se eu venho andando! Hahahaha

Mônica – Na verdade as primeiras fomos eu e a Maria, mas viemos bem cedo para ajudar a Irene.

Luca – Vamos entrar né gente?

DC – Vamos! A Irene tá lá dentro? Eu tenho que dar o presente dela!

Mônica – Tá sim, vamos! E a Lu?

DC – Não vem...

Luca – Poxa, bro, por quê?

DC – Sei lá...

O tempo ia passando e eu via que a Lu não me fazia a menor falta, eu me divertia sem ela, mas, ao mesmo tempo que não me fazia falta, ela fazia sim, e muito. Sim eu sei, é confuso, mas a minha vida é confusa então eu já me acostumei com isso.

DC – Oooi, parabéns!

Irene – Aai, obrigada, DC!

DC – Toma, pra você!

Era um baby doll de coruja, a cara dela. Sempre viciada nos filmes do Harry Potter, quando vi na loja, tive que comprar para ser o presente dela...

Notei que a Mônica e o Luca estavam meio esquisitos... Sei lá, podia ser só impressão minha, mas estavam... E a festa estava rolando, teve dança, conversas fora do normal e até competição de comer marshmallow entre a Maria Mello e a Mila. Ok, aquilo era nojento, principalmente quando a Maria vomitou tudo.

Eu não podia deixar de notar a presença da Ramona na festa, o que foi também surpreendente da parte da Irene por chamar ela. Ninguém chama ela pra canto nenhum, tadinha...

Mas, a maior surpresa da festa estava por vir...

Maria Mello – Ai DC, se solta, vamos dançar!!

DC – Mas eu já tô dançando, meu Deus...

Mila – Meu filho, tem que ter rebolado pra dançar!

DC – Mas eu não sou mulher pra rebolar, entendam isso!!

Luca – Olha quem vem ali...

Mônica – Mas... quê?

Irene – Que bom que você também veio, fiquei feliz!

Isa – Ah, que nada!

Mônica – Não acredito que a Irene convidou ela... Fala sério...

Luca – Não acredito também.

Eu também meio que me choquei quando vi. Elas tinham tido a maior treta de todas nos últimos tempos, mas mesmo assim a Irene, babaca como sempre chamou ela pra festa. Ok, não tem explicação pra isso.

O tempo ia passando, e nada mudava naquela festa... estava tão divertido, mas ao mesmo tempo nada de novo acontecia.

Mônica – E a Magali?

DC – Que tem?

Mônica – A gente podia visitar ela amanhã, se ela tiver alta.

DC – Verdade, você sabe onde ela mora né?

Mônica – Sei sim...

Luca – Ah eu também aceito.

Jeremias – É só me chamar antes que eu vou também. Fazer alguma coisa diferente, sei lá.

DC – Beleza, vamos amanhã mesmo?

Luca – Por mim, ok.

A Magali precisava de amigos que a entendessem naquele momento. Sei que não era nada grave, mas ela precisava sentir que tinha amigos com quem podia contar sempre que precisasse.

Assim é a humanidade, sentem a necessidade de deixar uma “marca”, deixar uma importância no mundo. Se sentir importante... Quem não gosta? Eu que sou contra tudo e todos também concordo com isso. Sei que o importante é viver sem pensar no futuro ou no passado, mas ainda assim sinto que simplesmente sumir do mapa sem deixar um “rastro” é esquisito. Parece que sua essência em vida foi em vão. Sei lá... Eu penso assim, e ninguém muda isso.