Vida Nova
1 Capítulo 1
Notas iniciais
London ou Brighton? London ou Brighton? Pelo amor de Deus! Eu sou péssima em decidir! Mas peguem leve comigo, eu preciso escolher qual cidade eu vou MORAR (mesmo que seja por seis meses, é pra morar de qualquer forma!). Ok, desculpe, vou explicar melhor. Meu nome é Helena, e tudo na minha vida começou a mudar esse mês.
Eu havia escrito um livro quando estava no 8° ano, e meus pais estavam juntando dinheiro para publicação. Só conseguimos o dinheiro e a editora dois anos depois, e nós publicamos. Eu tinha meu público, mas nada demais. Ele não fez tanto sucesso quanto eu esperava, o que foi uma grande decepção. Chorei por dias, mas resolvi me reerguer e apreciar àqueles que o compravam e me mandavam e-mails elogiando a história.
Minha mãe, notando minha tristeza, mandou o livro um tempo depois para um monte de YouTubers, blogueiras, escritoras, e todos que pudessem ajudar na divulgação.
E qual foi minha surpresa, ao notar que no dia 24/10/2016 as vendas subiram MUITO. Tipo, muito mesmo! Taciele Alcolea, Nah Cardoso, Kefera, Valentina Schulz, Danila Guimarães, PAULA PIMENTA (uma das minhas escritoras favoritas) e tantas outras famosas realmente haviam divulgado e isso fez uma enorme diferença.
Os números de compradores foi só aumentando, ao ponto de eu ganhar muito bem, todo mês. Eu não tinha muito o que fazer com aquele dinheiro, então fui só guardando.
Passei o meu 3° ano ganhando muito, e tendo muito pouco tempo. Eu só estudava. Mas eu digo que valeu a pena, afinal, passei na Federal para jornalismo!
Apesar de amar estudar na faculdade, eu queria aprender outras línguas. E qual foi a primeira que veio na minha cabeça? Inglês, é claro. Eu fiz muitos anos de curso, e me formei nessa língua, mas como eu disse para minha mãe, eu queria estudar e praticar. Estar em um lugar em que eu só pudesse falar inglês, para que eu não tenha desculpas, e tenha que me virar mesmo.
Minha mãe aceitou na hora. Isso não quer dizer que ela não me ama, viu (eu espero que não, pelo menos)? Ela sabe que sempre foi meu sonho estudar fora, então agora que eu posso realizá-lo, ela me apoiou completamente.
Fomos atrás de uma agência no dia seguinte, e logo fechamos o contrato. Eu pedi que eu tivesse uma casa, não tão grande, mas que tenha jardim, e eu escolhi morar sozinha. A casa já estava toda mobiliada, para facilitar.
A casa com jardim é porque eu quero levar um cachorro comigo. Eu amo animais, e ajudo em ONG'S nos finais de semana. Eu não tenho meu próprio cachorrinho porque meus pais não deixam, mas minha irmã tem um gato.
Eu decidi que queria me mudar em julho, então foi meio corrido, pois eu viajaria dia 05 de agosto. Peguei porta-retratos, DVD'S de séries, quadros e mais algumas poucas coisas para a decoração.
Comprei muitos casacos (rodei a cidade para achar uns bem quentinhos), blusas de frio, calças, gorros, luvas e tudo que eu precisava para sobreviver naquele frio.
Foi uma mala cheia de livros e acessórios de decoração (e olha que eu nem peguei metade dos meus amores), uma apenas de agasalhos, e duas de roupas normais. Só estou levando uma pantufa, um chinelo e dois tênis, pois o resto eu não precisaria.
No dia 23 eu tinha tudo pronto, então dia 24 chamei meus amigos para uma festinha de despedida, e algumas de minhas amigas dormiram em casa comigo.
Na terça-feira (dia 25) eu fui dar uma passadinha na ONG para escolher um cachorro.
Eu sempre fico de coração partido quando saio de lá sem levar nenhum daqueles bebês. Cuidei deles, dei carinho, ração e banho, como eu sempre faço quando vou visitar. Quando já estava no final da tarde, olhei bem para todos os bebês que tinham por lá e escolhi uma cadela SRD (sem raça definida) de três anos. Eu sempre fui muito apaixonada por ela em especial, porque eu a resgatei dois anos atrás, logo após começar o trabalho voluntário. Eu não podia ficar com ela, pois minha mãe não é muito fã, mas a Roberta (dona da ONG), a recebeu de braços abertos. O nome dela é Kira (eu que dei!).
—Dona Roberta, a senhora está muito ocupada? Eu queria conversar sobre a Kira -ela me olhou preocupada e analisou Kira -não, não! Ela está bem. -ela suspirou aliviada.
—Claro, querida. Sobre o que você quer conversar?
—Eu queria adotá-la.
—Seus pais permitiram? Isso é ótimo, minha querida!
—Sim, eles deixaram. Mas na realidade, eu estou indo fazer intercâmbio de seis meses na Inglaterra, então eu queria levar alguma cachorrinha comigo.
—Inglaterra? Nossa, isso é maravilhoso! Tenho certeza que você vai se adaptar muito bem, e vai amar! De fato, é um país lindo. Minha lua de mel foi lá... -ela sorriu, e Kira pulou no colo dela, depois de sentarmos no sofá da recepção -Mas eu não acho que seja uma boa ideia levá-la com você. Olhe o tamanho dessa bebê -ela sorriu para Kira, que latiu quando recebeu carinho -você sabe o trabalho que dá levar um animal para outro país?
—Sim, eu já pesquisei tudo. Eu já contratei a transportadora, e ela está cuidando de todos os documentos para mim. O vôo dela vai ser uma duas horas depois do meu, ou seja, eu chego antes e posso pegá-la. Vou levá-la ao veterinário para ver se está tudo bem, tomar todas as vacinas, para provar para os ingleses que ela está saudável e pode entrar.
—Tudo bem, eu acho isso ótimo. Eu tenho medo, apenas, dela não se adaptar ao frio. Ela não é tão peludinha, e não sei se suportaria isso. Você já pensou nisso? -eu não havia pensando.
—É que eu...ah! Não, eu não pensei nisso. Deveria ser algum que suporta mais o frio, como um Malamute do Alaska, uma Akita, ou um Husky, né? -abaixei o olhar -Eu não queria ter que comprar. Comprar um cachorro, quando tantos outros precisam de cuidado, carinho e atenção...
—Oh, querida. Eu sei. Mas, olha, nós não sabemos. A Kira pode se adaptar, não pode, bebê? -ela latiu.
—Mas eu não quero que ela sofra! E se ela não se adaptar? Tudo bem que ainda podemos colocar uma coberta e um aquecedor, mas mesmo assim...
—Helena, eu acho que você deveria arriscar. Qualquer coisa nós trazemos ela de volta. São só seis meses, afinal.
—Esse é o problema...eu posso ficar um ano, se eu quiser. Eu posso me transferir de faculdade, se eu gostar do lugar, e ficar lá. Já até conversei com o cara da agência e ele disse que eu posso decidir isso em novembro. E em agosto do ano que vem, eu estou indo para Nova York. -suspirei -Mas o ponto é, ela não ficaria infeliz tendo que ficar encolhida no sofá o tempo todo? Sem poder ficar no jardim, passear?
—Olha, nós podemos fazer...-ela foi interrompida pela entrada de uma mulher com uma maletinha (daquelas em que você leva o cachorro para viajar na mão).
—Vocês abrigam animais? -ela perguntou, parecendo cansada.
—Sim -respondi -Por que?
—Semana passada eu comprei um husky siberiano, sempre foi meu sonho ter um. Levei ele para tomar todas as vacinas, levei no pet shop, e enfim para casa. Eu não sei o que aconteceu, mas ele não gosta de mim -ela me olhou um tanto desesperada — Ele comeu meus chinelos, estragou meu jardim, na primeira oportunidade foge...eu tentei de tudo, mas nada funciona. Meu marido não o quer mais, e mandou que eu o vendesse. Eu tentei, fiz anúncio e tudo mais, só que ninguém quer. Todos falam que cuidar de um cachorro dessa raça no Brasil dá muito trabalho, e custa muito dinheiro. Eu quero deixá-lo com vocês. Tem espaço para mais um?
—Sim, sempre tem -respondeu Roberta, em tom animado -qual o nome dele?
—Nós não demos. Sempre que compramos um cachorro, damos o nome dele depois, de acordo com a personalidade. Temos uma cachorrinha, uma Spitz Alemã, chamada Princesa. Um Maltês chamado Sirius, porque ele apronta muito, assim como o Sirius de Harry Potter. E uma Poodle, chamada de Fofura.
—Posso vê-lo? -perguntei, ansiosa.
Um lindo Husky branco e marrom saiu de dentro da maletinha, parecia um tanto assustado. Olhei bem para os seus olhos, um castanho, e o outro azul. Ele era tão fofo, que eu tinha vontade de apertar muito.
—Posso ficar com ele? -perguntei, hesitante.
—Eu acho uma ótima ideia -falou Roberta, olhando para Kira cheirando o cachorrinho -A Helena aqui, está planejando morar na Inglaterra, está indo semana que vem. Ela veio aqui justamente para adotar uma fofura dessas. E melhor ainda é que ele ama frio.
—Inglaterra? Oh, boa ideia! Sempre quis conhecer a Europa! -ela suspirou -Acho que você consegue cuidar desse bebê comilão. Ele conseguiu pegar o Brownie que eu tinha na mão ontem, acredita? Oh, que coisinha fofa é essa? -ela disse para Kira, que estava se esfregando em suas pernas -oh, lindinha!
—Então -Roberta se virou para mim -vai ficar com ele? -me abaixei e fiz carinho naquele bebê.
Ele foi super dócil, e ficou me lambendo. Brinquei com ele por mais um tempo, até a mulher soltar:
—Ela tem dono? -neguei -posso ficar com ela? Prometo cuidar muito bem dela. Eu sei que vocês tiveram uma má impressão de mim, mas eu amo cachorros, só o Kusky que não gostou muito de mim. Ele gostou de você -ela disse, quando ele mordeu minha mão.
—Não pode. Não é para morder -ralhei com ele.
—Enfim, ela tem quantos anos? Qual o nome? -ela perguntou, esperançosa.
—Ela tem 3 anos, e chama-se Kira. Foi mal tratada dois anos atrás, e a Helena a resgatou e a trouxe. Você não tem que ligar para o seu marido, ver se ele também quer ter outro?
—Ah, imagina. Eu tenho uma fazenda, vou para lá todo final de semana. Minha mãe mora lá. Meu pai morreu ano passado, e ela anda se sentindo muito sozinha, então pensei em levar a Kira para fazer companhia.
—Oh, acho uma grande ideia. Ela foi castrada, e está vacinada. Venha assinar os documentos.
Elas foram para o escritório e eu fiquei com os bebês. Eles se deram muito bem, ficaram brincando juntos, e depois brincaram comigo. Elas voltaram aproximadamente meia hora depois, e a Clara (esse é o nome da ex dona do Husky) pegou a Kira e foi embora.
—Helena, você vai ficar com ele? -sorri, olhando para o bebê.
—Vou sim. E o nome dele vai ser Brownie.
—Brownie...gostei. Venha, é só você assinar os documentos de adoção.
Minha família ficou louca quando eu cheguei com Brownie em casa. Ele até que se comportou. Tentou roubar minha comida, mas eu briguei com ele, e ele parou. Comeu meu chinelo, mas eu novamente briguei, e ele não tentou mais. Tudo de errado que ele fazia, eu corrigia, e acabamos virando muito amigos. Acho que ele precisava mesmo era de alguém que fosse mais firme. Ele até se deu bem com o Snow (nosso gato).
Passei os próximos dias conferindo tudo, fui ao veterinário dar todas as vacinas que faltavam para o Brownie (que descobri que tinha apenas três meses), levei no Pet Shop, levei para passear todo dia.
E os dias da viagem só se aproximavam...os documentos dele ficaram prontos, e estávamos todos prontos para morar em Brighton.
Sim, eu decidi! Fiz uma lista de prós e contras, e o escolhido foi Brighton, por ser menos movimentada e mais tranquila.
E o dia da viagem chegou. E a minha nova realidade também.
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