Notas iniciais
Mais uma fic minha, tanananannn...
Espero que gostem!

PRÓLOGO

"Você poderia vir e me salvar."

Echo — Jason Walker

Já estava escuro e uma brisa fria passava pela menina. Ela encolheu seu corpo pequeno dentro do casaco, tentando se proteger do vento.

Onde ele estava? Ela havia pedido para ele aparecer às seis da tarde, e já ia dar sete horas da noite... Será que ele havia se esquecido?

Suspirou, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Olhou para os dois lados da rua, tentando ter algum vislumbre dele chegando. Nada. Ninguém. A rua estava completamente deserta, algumas lojas já estavam sendo fechadas. E logo o que ela temia aconteceu: começou a chover.

– Droga.- murmurou.

Correu até a frente de uma loja já fechada, se encolhendo, as costas coladas no vidro da vitrine. Olhou de relance para os produtos em demonstração e sorriu levemente.

O Valentine’s Day estava chegando, e parecia não haver outro assunto entre as pessoas. Todos alvoroçados à procura do presente perfeito, não importando para quem fosse. Suspirou enquanto observava um chaveiro em forma de coração, com pedrinhas vermelhas preenchendo todo o seu interior. As luzes de alguns carros que passavam batiam levemente no chaveiro, através do vidro, fazendo-o soltar leves luzes coloridas. Era lindo.

Se perguntou se ele gostaria do presente que ela lhe havia comprado. Apesar de não serem namorados, nem amigos, ela escolheu o presente a dedo. Suspirou, olhando ao redor à procura dele novamente. Nada.

Olhou a hora em seu relógio de pulso.

Sete e treze da noite.

Suspirou, sentindo um aperto no peito. Era isso, afinal. Ele não iria. Devia saber que algo assim aconteceria, é claro. Ele nunca prestou atenção nela, nem no jardim de infância quando ela sempre procurava ajuda-lo nas atividades. Já havia perdido as contas de quantas vezes ela passou por ele, cumprimentando-o, e ele simplesmente virou o rosto. Ele não a enxergava. Nunca enxergou. Ela era invisível, tanto aos olhos dele quanto aos olhos das outras pessoas.

Ela realmente estava surpresa por ele ter parado para ouvi-la horas antes, quando ela foi até ele pedir para que ele a encontrasse em frente à lanchonete. Ele apenas assentiu, e lhe deu as costas.

Ele nunca ouviria o que ela tinha para lhe dizer, afinal. Isso era agoniante. Estava preso dentro dela há tanto tempo...

Suspirou, colocando o capuz do casaco sobre a cabeça para proteger seus cabelos. Começou a andar em direção à sua casa, a três quadras dali. Não era distante, já estava acostumada a passar pelo mesmo caminho todos os dias, mas como estava chovendo, — mesmo que não tão forte – decidiu pegar um atalho. Entrou em uma rua que normalmente era deserta, mas mais próxima. Sua mãe vivia lhe dizendo para não andar por ali, mas também a mandava não andar na chuva. Então, ou uma coisa ou outra. Havia muitas árvores no local, o que a ajudava a se proteger das gotas de chuva. Um pouco à sua frente viu um homem vindo. Não conseguia ver seu rosto devido à fraca iluminação, mas dava para perceber que era um homem jovem. Não devia ter mais que 20 anos. Andava com as mãos no bolso de seu casaco negro, e hora ou outra se encolhia devido ao frio. Quando estava a poucos metros dela, parou de repente. Ela também parou, observando-o atentamente. O homem tentou dar mais um passo, mas este vacilou e o corpo magro e esguio foi direto ao chão. Ela arfou, tirando o capuz da cabeça e correndo até o corpo inerte. Se ajoelhou, molhando sua calça jeans, mas ignorou isso. Tentou virar o corpo masculino, as mãos trêmulas.

– Senhor! Você está bem?- ela perguntava, sentindo a ansiedade em seu corpo.

Nunca sabia o que fazer nessas horas, era fato. O homem arfou ainda largado no chão. Suas roupas ficando completamente encharcadas devido à chuva que caía sobre os dois.

O corpo masculino tentou se mover, gemendo baixo. A menina conseguiu vira-lo, assim vendo seu rosto. O rosto, — como ela pensou – era jovem. A pele lisa, o queixo quadrado e uma leve camada de barba quase imperceptível. Seus olhos se abriram levemente, com um pouco de dificuldade. Mesmo com a fraca iluminação, a garota pôde ver quão azul os olhos daquele estranho eram. E por alguns segundos ela se sentiu hipnotizada. O homem tentou murmurar algo, mas ela não entendeu o que era. Rapidamente o ajudou a se sentar. O homem se apoiava nela, segurando seus ombros magros com força.

A garota sentiu um arrepio percorrer sua espinha, e sua mente a alertava para ir embora dali. Era aquela velha história: “Não fale com estranhos!”. Mas o homem precisava de ajuda, e não havia mais ninguém na rua. Ele realmente parecia mal.

– O que senhor mora perto daqui?- ela perguntou.

Um dos braços do estranho estava sobre seus ombros, e ela o segurava pela cintura. Ele não era muito mais alto do que ela, nem pesado. E no momento em que ele se firmou de pé, não pareceu estar tão mal quanto antes. A garota sentiu um nó em sua garganta quando as mãos do homem subiram e desceram sobre seu ombro.

– Você é um doce de menina. — ele murmurou próximo ao ouvido da garota.

Ela arfou, retirando seu braço da cintura do homem rapidamente. Tentou se afastar dele, mas ele foi mais rápido e puxou seus braços, prendendo-a próximo a ele.

– Aonde pensa que vai? Preciso da sua ajuda, sabia?

– Me solte agora!

Seus olhos encheram-se de lágrimas, enquanto um sorriso se abria no rosto do estranho. Ela estava perdida, sabia disso. A rua estava deserta, escura e estava chovendo. Ele poderia fazer o que quisesse com ela. Por que tinha de ser tão burra?!

– Vou me divertir bastante com você. Não tenha medo. — ele murmurou, ainda sorrindo.

A garota sentiu seu corpo ficar frio de repente. Estava com medo. Estava apavorada. Em um movimento rápido o homem a jogou contra uma das árvores, prensando o rosto da menina no tronco, e se pôs atrás dela. Com uma mão prendeu seus pulsos, e com a outra procurou algo em seu bolso.

Logo a menina sentiu o pano sendo amarrado em sua boca, amordaçando-a. Seus pulsos foram presos por algo semelhante, e o estranho embolou seus dedos nos cabelos longos e loiros dela, puxando seu rosto pequeno para trás, para perto dos lábios dele.

– Tão jovem, tão bonita. — ele disse.

E a garota sentiu algo pontudo e cortante passar por sua bochecha. Ela tentou gritar, mas não conseguia. Não podia. Sentiu o sangue sair quente, dolorosamente, pelo corte de sua bochecha. E o sangue misturou-se às lágrimas, e à chuva.

E logo ela era apenas um brinquedo nas mãos do desconhecido.